Direito do Consumidor (D1 + D2)
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Direito do Consumidor (D1 + D2)


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Direito do Consumidor 
Carolina Costi 
Ramo do Direito Civil + Direito Empresarial que trata das relações 
jurídicas entre os \u200bconsumidores\u200b e os \u200bfornecedores\u200b, baseado a partir de 
um conjunto de normas que defendem a pessoa (física ou jurídica) que 
adquire bens, sejam estes serviços ou produtos. 
 
\u2718\u200b Surge para regulamentar e proteger essa relação especial, tutelando a 
parte mais frágil (consumidor) e suprindo a hipossuficiência, garantindo 
a organização e o respeito mútuo. 
 
 
Relação de Consumo 
É a relação jurídica onde um polo é consumidor e o outro fornecedor. Qualquer 
divergência sobre isso passa a se tratar de uma Relação Civil. 
\u2718 \u200bPara ser tutelado pelo Código do Consumidor, deve necessariamente tratar-se de 
uma relação de consumo. 
\u2718 \u200bElementos necessários: o \u200bfornecedor (subjetivo), o \u200bproduto ou prestação de 
serviço \u200b(objetivo) e o \u200bconsumidor \u200b(subjetivo) como \u200bdestinatário final 
(finalístico). 
 
Fornecedor 
Art. 3º: \u201cFornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, 
bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, 
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou 
prestação de serviços\u201d 
-> \u200bentes despersonalizados\u200b: coletividades de seres humanos ou de bens que não possuem personalidade 
jurídica própria, como a massa falida. 
É toda pessoa, natural ou jurídica, nacional ou estrangeira, pública ou privada, que 
coloca no mercado, em caráter de \u200bhabitualidade e mediante \u200bremuneração\u200b, um 
produto ou serviço. 
\u2718\u200b Faz-se necessário a \u200bHABITUALIDADE\u200b e a \u200bREMUNERAÇÃO\u200b. 
Espécies \u200b: \u200bReal\u200b, \u200bPresumido\u200b, \u200bAparente\u200b e \u200bEquiparado\u200b. 
Fornecedor \u200bREAL\u200b\u27a0 participa do processo de produção/fabricação do produto (fabricante); 
Fornecedor \u200bPRESUMIDO\u200b\u27a0 não participa de forma direta, mas é um intermediário entre a 
fábrica e o consumidor (importador); 
Fornecedor \u200bAPARENTE\u200b\u27a0 o que coloca a marca nos produtos e cria a confiança do produto 
comercializado (coloca a marca) 
Fornecedor \u200bEQUIPARADO\u200b\u27a0 é o intermediário na relação de consumo, com posição de 
auxílio ao lado do fornecedor de produtos ou prestador de serviços, como o caso das 
empresas que mantêm e administram bancos de dados de consumidores. 
 
 
CONSUMIDOR 
Art. 2º: \u201cConsumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como 
destinatário final. 
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, 
que haja intervindo nas relações de consumo.\u2dc 
É toda pessoa, física ou jurídica, que adquire ou utiliza produto ou serviço como 
destinatário final\u200b. 
Definições para o destinatário final\u200b: Teoria \u200bFinalista\u200b, \u200bFinalista Mitigada e        
Maximalista\u200b. Deve-se entender suas diferenças: 
Teoria Finalista 
\u27b3 Sem a intenção de obter lucro. 
\u27b3 \u200bAquele em razão de quem é interrompido a cadeia de produção e circulação de 
certos bens e serviços, para usufruir ele mesmo. 
\u27b3 Para essa teoria, o consumidor é o destinatário final \u200bFÁTICO e \u200bECONÔMICO\u200b. 
Nesse sentido, temos a definição final: 
\u21b3 \u200bFática\u200b: o consumidor é o último da cadeia de consumo, ou seja, depois dele, não há 
ninguém na transmissão do produto ou do serviço; 
\u21b3 \u200bEconômica\u200b: o consumidor não utiliza o produto ou serviço para o lucro, repasse 
ou transmissão onerosa. 
Assim, uma loja de roupas (pessoa jurídica) que adquire 50 blusas de uma fábrica para revender não 
pode ser considerada consumidora desta mercadoria, eis que não a adquiriu como destinatária final. 
Além disso, caso essa mesma empresa adquirir uma ferramenta de trabalho e a mesma apresentar 
algum defeito, o proprietário desta empresa deverá requerer seus direitos pela área civil, pois o mesmo 
não é considerado consumidor, e nem mesmo parte vulnerável. 
Teoria Finalista Mitigada 
\u27b3 Resulta da teoria finalista, já que é vista como injusta pois não coloca microempresas -onde muitas 
vezes não se tem grande conhecimento técnico sobre consumo- afastada da tutela consumerista, tendo 
em vista que estes não são os destinatários finais, e sim intermediários. 
\u27b3 \u200bAdotada pelo nosso CDC\u200b. 
\u27b3 \u200bConsumidor é quem retira um bem do mercado de consumo (não precisando ser 
fático ou econômico) e possui algum tipo de vulnerabilidade. 
\u21b3 Microempresas, profissionais liberais e profissionais autônomos podem ser 
considerados consumidores se provarem vulnerabilidade. 
\u2741 Profissionais liberais: prestadores de serviço que em geral não possuem uma organização 
empresarial, como o médico, advogado, dentista, arquiteto, etc. Para este não há inversão do ônus da 
prova. 
\u27b3 Consumidor intermediário também passa a ser considerado como final. 
\u27b3 Leva em consideração, além da destinação do produto, o \u200bpoder econômico do 
consumidor\u200b. 
\u27b3 O STJ passa a avaliar ainda mais a \u200bvulnerabilidade da relação\u200b. 
\u27b3 Bem de consumo é \u200b\u2260 \u200b de bem de produção. Exemplo: costureira, taxista; 
Teoria Maximalista 
 
\u27b3 Mais abrangente. 
\u27b3 Qualquer tipo de consumidor tem a tutela consumerista. 
\u27b3 \u200bConsumidor é qualquer indivíduo que retira produto do mercado. 
\u21b3 Quem assina contrato de adesão também é consumidor, como exemplo. 
\u27b3 Consumidor seria o taxista em relação ao carro, bem como o advogado em relação 
ao computador. 
\u21b3 \u200bApesar de serem instrumentos necessários para elaborarem as suas atividades profissionais, o 
veículo e o computador de maneira alguma voltariam ou incorporariam a cadeia de produção e 
circulação de bens ou serviços. 
 
CONSUMIDOR EQUIPARADO 
Consumidor equiparado é definido quando, em algum evento danoso no mercado de 
consumo, \u200btodos aqueles que não participaram desta relação\u200b, não adquiriram 
qualquer produto ou contrataram serviços, \u200bmas sofreram alguma espécie de lesão e 
merecem a proteção do \u200bCódigo de Defesa do Consumidor como se consumidores 
fossem. 
\u21b3 Como às vítimas atingidas em solo, em decorrência da queda de um avião que fazia o serviço de táxi 
aéreo, uma empresa de água não toma os cuidados necessários para garantir a qualidade do produto, 
pondo em risco toda a coletividade, uma empregada doméstica que ao ligar o liquidificador da patroa 
(que é a consumidora) perde um dedo devido um acidente com o aparelho e uma imobiliária de uma 
cidade litorânea anuncia pela imprensa a venda de um loteamento cujos lotes ficam de frente para o 
mar, mas na realidade somente alguns poucos lotes tem essa característica, pois os demais ficam de 
frente para um morro. 
\u27b3 Consumidor equiparado pode se dar por uma coletividade de pessoas (exemplo da 
água), vítima de acidente de consumo (exemplo do liquidificador) e pessoas expostas 
às práticas comerciais (exemplo da imobiliária). 
 
PRODUTOS E SERVIÇOS 
Produto 
\u27b3 Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. 
\u21b3\u200b Amostra grátis, brindes, etc também são produtos. 
Serviço 
\u27b3 \u200bQualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, 
inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as 
decorrentes das relações de caráter trabalhista. 
\u21b3 Remuneração é entendida de forma genérica, portanto, a relação entre o estacionamento gratuito de 
uma loja é relação consumerista, dado que nada mais são