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aula 15 corpo e movimento

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Pré-requisitos 
Para compreender bem esta aula, você 
deverá dominar o conceito e o campo 
de aplicação das práticas psicomotoras 
desenvolvidos na Aula 14.
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Meta da aula 
Apresentar os principais autores da 
Psicomotricidade e a importância dessa 
área de estudo.
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
• reconhecer as escolas de Psicomotricidade;
• conhecer os principais métodos psicomotores;
• identificar diferenças entre as escolas;
• avaliar a aplicabilidade dos métodos psicomotores.
As práticas psicomotoras 15AULA
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A Psicomotricidade, como já vimos, nasceu da necessidade de se oferecer 
às crianças com sinais de síndrome neurológica um atendimento capaz de 
minimizar ou mesmo curar seus sintomas motores. A partir dos primeiros 
métodos e dos bons resultados obtidos, uma série de novas práticas 
psicomotoras foi surgindo e constituindo escolas com características 
próprias.
Que escola seria a mais eficaz? Em que casos usar uma ou outra prática 
psicomotora? A Psicomotricidade traz uma real eficácia em termos de 
tratamento ou mesmo de prevenção? Todas essas questões falam de 
verdades.
No Pensamento complexo, de Morin, citado na primeira aula desta disciplina, 
encontramos a afirmação de que em toda verdade reside a incerteza:
Cada um deve estar plenamente consciente de que sua própria 
vida é uma aventura, mesmo quando se imagina encerrado 
em uma segurança burocrática; todo destino humano implica 
uma incerteza irredutível, até na absoluta certeza, que é a da 
morte, pois ignoramos a data. Cada um deve estar plenamente 
consciente de participar da aventura da humanidade, que se lançou 
no desconhecido em velocidade, de agora em diante, acelerada 
(MORIN, 2004-63).
Nesta aula, pretende-se expor, da melhor forma possível, as escolas, os 
métodos psicomotores e os fundamentos de sua aplicabilidade, sem a idéia de 
certeza, mas de um conhecimento que vá contribuir para o desenvolvimento 
e a aprendizagem de crianças e adultos.
Essa explicação é necessária para que se possa entender e responder às 
questões enunciadas anteriormente e, também, para se ter maior clareza 
quanto ao lugar que a Psicomotricidade deve ocupar, como estudo do 
movimento e das relações do indivíduo consigo próprio e com o seu meio, 
marcadas pelas incertezas.
Também nesta aula, vamos usar uma metáfora como princípio para o 
reconhecimento de como se fez esse trajeto psicomotor, que, agora, estará 
a cargo do poeta Carlos Drummond de Andrade, quando nos fala da verdade, 
mostrando que por uma porta aberta só era possível passar uma pessoa de 
cada vez:
INTRODUÇÃO
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 Verdade
 (...) Assim não era possível atingir toda a verdade,
 porque a meia pessoa que entrava
 só trazia o perfil de meia verdade.
 E sua segunda metade
 voltava igualmente com meio perfil.
 E os meios perfis não coincidiam. (...)
 (...) Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. 
 (Drummond de Andrade, 1984-41)
Dessa forma, vamos nos render a mais esta caminhada, na compreensão de 
que cada método é meia-verdade, tornando-se difícil dizer qual deles é o 
melhor ou mais “belo”. Além do que, nada está terminado, se as verdades 
estavam divididas em metades diferentes umas das outras, certa incompletude 
parecia existir.
Engana-se quem considerar métodos e escolas de conhecimento como 
algo definitivo e completo. Vamos analisar os vários métodos sob a ótica 
das incertezas, para, assim, podermos sentir sua grandeza e suas diferentes 
metades.
Aqueles que lidavam com as dificuldades de aprendizagem das crianças 
sempre recorreram aos métodos criados obtendo eficácia. Espero que você 
esteja preparado para conhecer os métodos psicomotores, sabendo que 
nenhum deles é melhor ou pior.
A ESCOLA FRANCESA OU EUROPÉIA DE 
PSICOMOTRICIDADE 
A Escola Francesa de Psicomotricidade nasceu da necessidade de 
se atender a crianças com distúrbios de ordem neurológica. Ajuriaguerra, 
neuropsiquiatra infantil, com sua longa prática clínica e colaboração 
com equipes de reeducadores, permitiu que se formulassem as bases 
teóricas da Psicomotricidade a partir das teorias de Merleau-Ponty, 
Wallon e Piaget. Não chegou a desenvolver nenhuma teoria psicológica 
sobre Psicomotricidade. Apresentava uma perspectiva naturalmente 
interdisciplinar, da maior relevância para a compreensão da evolução 
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TEORIA 
FENOMENOLÓGICA 
Surgiu com o filósofo 
Husserl, em 1911, 
sob a forma de uma 
ciência do subjetivo, 
dos fenômenos e dos 
objetos como objetos, 
onde tudo tem de ser 
estudado tal como é 
para o espectador, sem 
sofrer a modificação 
de quaisquer regras 
de observação. 
Maurice Merleau-
Ponty, antropólogo 
e psicólogo francês, 
na década de 
1940, analisou 
profundamente 
a estrutura da 
percepção e do 
comportamento 
humanos, em bases 
fenomenológicas, e 
escreveu, em 1945, 
Fenomenologia da 
percepção, um livro 
que influencia, até 
hoje, os estudiosos da 
mente e, em especial, 
as bases teóricas da 
Psicomotricidade 
(CABRAL, 1971).
psicomotora da criança, principalmente no que se refere aos aspectos 
tônicos e da construção da imagem do corpo, necessários à evolução 
biopsicossociológica.
 De forma geral, podemos dizer que o conceito de Psicomotricidade, 
especialmente na França, estendeu-se mais a partir das contribuições 
da TEORIA FENOMENOLÓGICA, com Merleau-Ponty, do desenvolvimento 
da Psicologia Infantil, com Wallon e Piaget, e do crescente sucesso da 
PSICANÁLISE, com Freud. 
PSICANÁLISE
Trata-se de um método especializado em psicoterapia intensa e extensa, criado e 
desenvolvido por Sigmund Freud. Utiliza, essencialmente, em algumas técnicas, 
dentre as quais destacamos a livre associação, para explorar e tornar conscientes 
os aspectos dinâmico, psicogenético e transferencial do comportamento patológico 
e da estrutura da personalidade do paciente. A Psicanálise clássica, utilizada hoje, 
mantém-se fiel aos princípios freudianos sobre os instintos e a libido, energia do 
prazer (CABRAL, 1971).
 A teoria fenomenológica, como estudo sobre as percepções, 
contribui muito para a compreensão do movimento humano e, prin-
cipalmente, para a comunicação interior do sujeito com o seu mundo. 
A percepção é o processo pelo qual o indivíduo se torna consciente dos 
objetos e das relações no mundo circundante, na medida em que essa 
consciência depende de processos sensoriais, como o tato, a audição, a 
visão, o olfato e a gustação.
 A psicologia infantil e sua evolução, ao longo do tempo, 
influencia a Psicomotricidade no que concerne às suas bases teóricas e 
aos testes motores e psicomotores utilizados nas avaliações.
 Já a Psicanálise colabora nas práticas psicomotoras, ao referir-se 
à descoberta do corpo pulsional, ao corpo dinâmico, segundo Laplanche 
& Pontalis (1998-394):
Consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de 
motricidade), fazendo o organismo tender para um objetivo. 
Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação 
corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprir o 
estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou 
graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta (LAPLANCHE 
& PONTALIS, 1998-394). 
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