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de pára-raios ZnO, devido a sua 
característica peculiar, é estabelecido que a tensão máxima em regime 
contínuo não pode ultrapassar a 80% do valor da tensão nominal do pára-
raios. 
 
c) Classes de um pára-raios 
 
Normalmente, três classes de pára-raios são utilizadas em sistemas de alta 
tensão: estação, intermediária (subtransmissão) e distribuição. As diferenças 
entre os três tipos estão nos níveis de proteção, nos ensaios de durabilidade, na 
existência ou não de dispositivos de alívio de pressão e nas tensões do sistema 
para os quais foram projetados. Os pára-raios tipo estação cobrem todas as 
classes de tensão, os do tipo intermediário destinam-se às tensões 
normalmente utilizadas no sistema de subtransmissão (<138 kV) e os do tipo 
de distribuição para as tensões até 35kV. 
 
d) características de proteção 
 
A característica de proteção dos pára-raios convencionais é, usualmente, 
apresentada como uma curva de tensão contra tempo para ocorrer o disparo e, 
geralmente, pode ser obtida dos fabricantes. As informações normalmente 
disponíveis são as seguintes: disparo para onda escarpada, disparo para onda 
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CAPÍTULO 8 – EQUIPAMENTOS DE SECCIONAMENTO E PROTEÇÃO 
 
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1,2x50µs, disparo para ondas do tipo manobra e tensão residual para onda 
8x20µs, as quais, plotadas num gráfico, fornecem a característica de proteção 
do pára-raios. A tensão residual depende da corrente de descarga, a qual 
depende de uma série de considerações a respeito das características das 
descargas atmosféricas referentes à região onde se encontra localizada a 
instalação. 
 
 
e) Níveis de isolamento dos equipamentos 
 
O nível de isolamento de um equipamento é o conjunto de valores de tensões 
suportáveis nominais, aplicadas ao equipamento durante os ensaios e definidas 
em normas específicas para esta finalidade, que define a sua característica de 
isolamento. 
 
A NBR-6939 estabelece que, para os equipamentos com tensão máxima 
inferior a 300 kV, o nível de isolamento é definido pelas tensões suportáveis 
nominais de impulso atmosférico e à frequência industrial. Para equipamentos 
com tensões igual ou superior a 300 kV, consideram-se as tensões suportáveis 
nominais de impulsos de manobra e atmosférico. 
 
Os níveis de proteção dos pára-raios devem ser selecionados, considerando-se 
as suas características de proteção e os níveis de isolamento dos 
equipamentos. 
 
 
 
296
CAPÍTULO 8 – EQUIPAMENTOS DE SECCIONAMENTO E PROTEÇÃO 
 
60
 
f) Localização dos pára-raios 
 
É sempre uma prática conveniente tentar posicionar os pára-raios tão 
próximos quanto possível dos equipamentos que se pretende proteger, sendo, 
geralmente, os equipamentos principais protegidos diretamente por pára-raios 
conectados nos seus terminais. Em algumas situações, a proteção de um grupo 
de equipamentos pode ser efetuada por um único pára-raios. Uma prática 
tradicional é a utilização de pára-raios nos transformadores e entradas de linha 
de uma subestação. 
 
g) Efeito distância 
 
Quando o pára-raios não se encontra conectado diretamente nos terminais do 
equipamento a ser protegido, é possível que oscilações provoquem tensões 
superiores ao nível de proteção do pára-raios, devido à separação entre o 
equipamento e o pára-raios. 
 
h) Margens de proteção 
 
A coordenação de isolamento é efetuada considerando-se determinadas 
relações entre o nível de isolamento dos equipamentos e o nível de proteção 
dos pára-raios. Geralmente, é recomendada uma margem mínima de 15% na 
região de impulsos atmosféricos. A finalidade principal para a adoção destas 
margens está relacionada com possíveis deteriorações das características de 
proteção dos pára-raios, devido à poluição e envelhecimento, além da 
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CAPÍTULO 8 – EQUIPAMENTOS DE SECCIONAMENTO E PROTEÇÃO 
 
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amplificação da tensão, devido à impossibilidade de se conectar os pára-raios 
exatamente nos terminais do equipamento a ser protegido. 
 
 
2.5.3 – QUADRO COMPARATIVO 
 
A título de informação, mostra-se no quadro resumo 4, um estudo 
comparativo de algumas características dos pára-raios exigidas pelas 
principais concessionárias de energia elétrica. 
 
Quadro Resumo 4 – Estudo comparativo das exigências das concessionárias quanto aos 
pára-raios. 
PÁRA-RAIOS 
 Existe ficha técnica? 
CERJ Um conjunto de três pára-raios para cada circuito de alimentação. Um conjunto de três pára-raios para cada transformador. Não 
CPFL 
Um conjunto de três pára-raios instalados entre a seccionadora de entrada 
e o conjunto de medição da Concessionária. 
Para efeito de oferta, considerar um conjunto (três pára-raios) para o 
transformador /transformadores. 
Não 
CELESC 
Um conjunto de três pára-raios instalados entre a seccionadora de entrada 
e o conjunto de medição da Concessionária. 
Para efeito de oferta, considerar um conjunto (três pára-raios) para o 
transformador /transformadores. 
Não 
ELETROPAULO 
Um conjunto de três pára-raios para cada circuito de alimentação, 
localizado antes da seccionadora de entrada. 
Para efeito de oferta, considerar um conjunto (três pára-raios) para o 
transformador /transformadores. 
Não 
CEMIG 
Um conjunto de três pára-raios instalados entre a seccionadora de entrada 
e o conjunto de medição da Concessionária. 
Para efeito de oferta, considerar um conjunto (três pára-raios) para o 
transformador /transformadores. 
Não 
CELPE 
Um conjunto de três pára-raios por circuito de alimentação. 
Para efeito de oferta, considerar um conjunto (três pára-raios) para o 
transformador /transformadores. 
Não 
COELCE 
Um conjunto de três pára-raios instalados entre a seccionadora de entrada 
e o conjunto de medição da Concessionária. 
Para efeito de oferta, considerar um conjunto (três pára-raios) para o 
transformador /transformadores. 
Sim 
 
 
298
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO 9 
 
 
 
 
SELETIVIDADE 
 
 
299
CAPÍTULO 9 – SELETIVIDADE 2
SELETIVIDADE 
 
1 - INTRODUÇÃO 
 
Dentre os principais requisitos para a proteção atingir as suas finalidades, a 
seletividade é, sem dúvida alguma, o item de maior importância. Pois a 
presença de uma anormalidade no sistema deve ser isolada e removida, sem 
que as outras partes do mesmo sejam afetadas. Em outras palavras, 
seletividade significa isolar, tão depressa quanto possível, a parte do sistema 
afetada pela falta, e deixar todas as demais energizadas, garantindo a 
confiabilidade e continuidade no sistema elétrico em questão. 
 
Podem ser implementados vários meios para assegurar uma boa seletividade 
na proteção de uma rede elétrica, os mais conhecidos são: 
• Seletividade amperimétrica (através de correntes) 
• Seletividade cronométrica (por tempo) 
• Seletividade através de troca de dados, chamada de seletividade 
lógica 
• Seletividade pelo uso de proteção direcional ou diferencial. 
 
2 - SELETIVIDADE AMPERIMÉTRICA 
 
A seletividade amperimétrica baseia-se no fato que a corrente de falta diminui 
de intensidade à medida que o local do curto "se afasta" da fonte de 
alimentação. 
 
300
CAPÍTULO 9 – SELETIVIDADE 3
Desta forma, utiliza-se uma proteção amperimétrica em cada ramal de 
alimentação, com ajuste inferior ao valor mínimo da corrente de curto-circuito 
causada por uma falta na seção vigiada, e superior ao valor máximo da 
corrente causada por uma falta a jusante. Ajustado deste modo, cada 
dispositivo de proteção só atua para faltas localizadas imediatamente a 
jusante, e não é sensível a faltas a montante. Todavia, na prática, quando não 
há redução notável na corrente

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