P Penal 7 1
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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito Processual Penal 
Aula 07 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Ação penal II 
 
5. Classificação das ações penais condenatórias 
 
As ações penais condenatórias subdividem-se em: 
 
\u2022 Ação penal pública. 
\u2022 Ação penal privada. 
 
5.1. Ação penal pública 
 
 I \u2013 Titular: Ministério Público: 
 
 CF, art. 129: \u201cSão funções institucionais do Ministério Público: 
 I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; 
 (...)\u201d. 
 
 II \u2013 Peça acusatória: denúncia. 
 
 III \u2013 Espécies: 
 
a) Ação penal pública incondicionada. 
 
 
 
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I - Recebe a denominação \u201cincondicionada\u201d porque ela não depende de nenhuma condição específica. Ou seja, o 
oferecimento da denúncia pelo Ministério Público não depende de representação de ofendido ou de requisição do 
Ministro da Justiça. 
 
II - A ação penal pública incondicionada funciona como regra. Assim, se o Código Penal não dispuser nada a respeito, 
compreende-se tratar de ação penal pública incondicionada. Exemplos: homicídio, latrocínio, roubo e extorsão. 
 
b) Ação penal pública condicionada 
 
I \u2013 É denominada de \u201cação penal pública condicionada\u201d porque a deflagração da persecução penal depende de 
representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça. Portanto, o Ministério Público somente poderá agir 
depois que uma dessas condições for implementada. Exemplos: injúria racial, estupro (em regra) e crime contra a honra 
do Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro. 
 
II \u2013 Deve estar previsto em lei. Caso contrário, seguirá a regra (ação penal pública incondicionada). 
 
Geralmente, está previsto no próprio crime \u2013 exemplo: CP, art. 147, parágrafo único. No entanto, é comum encontrar, 
ao final de um Capítulo do Código Penal, disposições finais, nas quais o legislador disciplina a ação penal \u2013 exemplos: CP, 
art. 145 (crimes contra a honra) e CP, art. 182 (crimes contra o patrimônio). 
 
c) Ação penal pública subsidiária da pública 
 
I \u2013 Nessa ação haverá a inércia de um órgão oficial. Em razão disso, outro órgão oficial vai assumir a titularidade da ação 
penal. 
 
Na ação penal privada subsidiária da pública também há a inércia de um órgão oficial. No entanto, quem a assumirá é o 
ofendido ou seu representante legal. 
 
II \u2013 Exemplos: 
 
\u27a2 Dec.-Lei n. 201/67, art. 2º: \u201cO processo dos crimes definidos no artigo anterior é o comum do juízo singular, 
estabelecido pelo Código de Processo Penal, com as seguintes modificações: 
 (...) 
 § 2º: Se as previdências para a abertura do inquérito policial ou instauração da ação penal não forem atendidas 
 pela autoridade policial ou pelo Ministério Público estadual, poderão ser requeridas ao Procurador-Geral da 
 República\u201d. 
 
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Observação n. 1: para a maioria da doutrina o § 2º não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 porque não 
pode ser admitido que uma lei ordinária coloque o Ministério Público estadual em uma posição de inferioridade quanto 
ao Ministério Público federal. Ademais, o Decreto-Lei estaria levando para o Procurador-Geral da República uma 
atribuição que não está dentro da competência da Justiça Federal. 
 
\u27a2 CE, art. 357: \u201cVerificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de 10 (dez) 
dias. 
(...) 
§ 3º: Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal representará contra êle a 
autoridade judiciária, sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal. 
§ 4º: Ocorrendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao Procurador Regional a designação 
de outro promotor, que, no mesmo prazo, oferecerá a denúncia\u201d. 
 
Observação n. 2: em um primeiro momento, quem atua como Promotor eleitoral seria o Ministério Público estadual. 
Caso este Promotor, atuando como eleitoral, não agir, quem agiria seria o Procurador Regional (membro do MPF que 
atua como Ministério Público eleitoral). Crítica: quando o Promotor estadual não oferece denúncia, apesar de ser um 
Promotor estadual, ele está agindo como Ministério Público eleitoral e o mesmo ocorre com o Procurador Regional 
(integrante do Ministério Público eleitoral). Portanto, permanece-se no âmbito do Ministério Público eleitoral. 
 
\u27a2 CF, art.109: \u201cAos juízes federais compete processar e julgar: 
(...) 
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
(...)\u201d. 
 
Observação n. 3: o § 5º, citado pelo inc. V-A do art. 109 da CF, cuida do incidente de deslocamento da competência. No 
inc. V-A há uma causa que, originariamente, seria julgada pela Justiça Estadual, na qual o Ministério Público estadual 
teria atribuições. No entanto, presentes os pressupostos desse deslocamento - inércia do aparato estadual e crime 
cometido com grave violação aos direitos humanos -, a Constituição prevê que o STJ poderá autorizar o deslocamento 
da estadual para a Justiça federal, na qual atuará o Ministério Público Federal. 
 
5.2. Ação penal de iniciativa privada 
 
I \u2013 Legitimado: ofendido ou seu representante legal. 
 
II - A ideia do legislador é a de que há crimes que atingem um interesse muito próprio ou específico da própria vítima e 
que nessa hipótese o Estado reconhece que não há interesse nessa persecução penal em razão do \u201cstrepitus judicii\u201d 
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(escândalo do processo). Portanto, nada mais razoável do que deixar nas mãos da vítima essa legitimidade para 
ingressar em juízo. 
 
III \u2013 Em algumas hipóteses, o Código de Processo Penal prevê a transferência da legitimidade para um curador especial 
(CPP, art. 331). 
 
IV \u2013 Sucessão processual: o direito de oferecer a queixa-crime é transferido aos sucessores (cônjuge, ascendente, 
descendente ou irmão) (CPP, art. 312). 
 
Segundo o professor, o companheiro não poderia ser inserido no rol do artigo 31 do CPP, sob pena de analogia \u201cin 
malam partem\u201d. A primeira vista, a norma transparece ser processual. No entanto, quanto menos sucessores o rol 
abarcar, maior será a possibilidade de decadência pelo não exercício do direito. Em outras palavras, o acréscimo é 
prejudicial ao acusado porque será mais difícil configurar a decadência. 
 
a) Ação penal privada personalíssima 
 
I \u2013 Somente o ofendido pode ingressar em juízo. Portanto, o direito não é transmitido ao representante legal ou aos 
sucessores. 
 
II \u2013 Nos casos de ação penal privada personalíssima não há sucessão processual. Assim, na eventualidade de ocorrer a 
morte da vítima, haverá a extinção do seu direito. Trata-se de uma hipótese raríssima em que a morte da vítima 
extingue a punibilidade do autor do delito. 
 
III \u2013 Exemplo: crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento: 
 
CP, art. 236: \u201cContrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que 
não seja casamento anterior: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de 
transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento\u201d. 
 
1 CPP, art. 33: \u201cSe o ofendido for menor de 18 (dezoito) anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não 
tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste