P Penal 8 1
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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito Processual Penal 
Aula 08 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Ação penal III 
 
9. Causas extintivas da punibilidade relativas à ação penal privada 
 
Há quatro causas extintivas da punibilidade que estão diretamente relacionadas ao Processo Penal: decadência, 
renúncia, perdão do ofendido e perempção. 
 
CP, art. 107: \u201cExtingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
(...) 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; 
(...)\u201d. 
 
9.1. Decadência do direito de ação privada (ou de representação) 
 
I \u2013 Decadência é a perda do direito de ação penal privada ou do direito de representação em virtude do não exercício 
desse direito dentro do prazo legal. 
 
II \u2013 Natureza jurídica da decadência: causa extintiva da punibilidade (CP, art. 107, IV). 
III - Há três espécies de ação penal privada: exclusivamente privada, personalíssima e subsidiária da pública. 
 
 
 
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A decadência extingue a punibilidade, a exceção da ação penal privada subsidiária da pública. Nela, não obstante a 
perda do direito, o Ministério Público continua podendo oferecer a denúncia, já que em sua essência o crime é de ação 
penal pública \u2013 e não de ação penal privada. 
 
Em suma, a decadência é uma causa extintiva da punibilidade somente nas hipóteses de ação penal privada 
personalíssima ou de ação penal privada exclusivamente privada. 
 
IV \u2013 Previsão da decadência no Código de Processo Penal: 
 
CPP, art. 38: \u201cSalvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito de queixa ou de 
representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do 
crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia\u201d. 
 
Observações: 
 
\u27a2 A regra sobre decadência é o artigo 38. No entanto, há exceções a ela. 
 
\u27a2 Em regra, o prazo decadencial é de seis meses. Observações em relação ao prazo: 
 
\u2022 Prazo de direito material. 
CP, art. 10: \u201cO dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo 
calendário comum\u201d (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
\u2022 O prazo é fatal e improrrogável. 
\u2022 Não se confunde com a prescrição - a decadência não está sujeita a causas suspensivas ou interruptivas. 
\u2022 É relevante para a decadência a verificação do exercício (ou não) do direito. 
\u2022 Em regra, o prazo decadência começa a fluir a partir do conhecimento da autoria. Exceção: CP, art. 236, 
parágrafo único: o prazo começa a fluir a partir do trânsito em julgado da decisão que anular o casamento. 
\u2022 O artigo 29 do CPP, citado pelo artigo 38, trata da ação penal privada subsidiária da pública. 
 
\u2713 Nesse caso, o prazo continua sendo de seis meses, mas ao contrário da regra, ele começa a fluir a partir 
do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia (caracterização da inércia do 
Ministério Público). 
\u2713 Essa decadência é denominada por alguns doutrinadores de decadência imprópria - não haverá a 
extinção da punibilidade (crime de ação penal pública). 
V - Jurisprudência: 
 
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STJ: \u201c(...) Como regra, o prazo da decadência é de 06 (seis) meses e em se tratando de causa de extinção da punibilidade 
o prazo tem natureza penal, devendo ser contado nos termos do art. 10 do Código Penal e não de acordo com o art. 
798, § 1º do Código de Processo Penal, quer dizer, inclui-se no cômputo do prazo o dies a quo. Assim, tendo em vista 
que ambas as queixas foram oferecidas quando já esgotado o prazo legal, há que se reconhecer a extinção da 
punibilidade do querelado em razão da decadência. Queixas rejeitadas\u201d. (STJ, Corte Especial, Apn 562/MS, Rel. Min. 
Felix Fischer, j. 02/06/2010). 
 
STJ: \u201c(...) Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, ainda que perante juízo incompetente, não há falar em 
decurso do prazo decadencial. Precedentes do STF e do STJ\u201d. (STJ, 6ª Turma, HC 11.291/SE, Rel. Min. Hamilton 
Carvalhido, DJ 23/10/2000). 
 
9.2. Renúncia ao direito de queixa 
 
I \u2013 A renúncia é um ato unilateral (não depende de aceitação). 
 
II \u2013 Ocorre antes do exercício do direito. 
 
III \u2013 Está relacionada ao princípio da oportunidade ou da conveniência. 
 
IV \u2013 Princípio da indivisibilidade: a renúncia concedida a um a todos beneficia. 
 
CPP, art. 49: \u201cA renúncia ao exercício do direito de queixa, e relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá\u201d. 
 
V \u2013 Conceito: ato unilateral e voluntário por meio do qual a pessoa legitimada ao exercício da ação penal privada abdica 
do seu direito de queixa. Cuida-se de causa extintiva da punibilidade nas hipóteses de ação penal exclusivamente 
privada ou privada personalíssima. 
 
VI \u2013 A renúncia poderá ser: 
 
\u2022 Expressa: declaração inequívoca. 
\u2022 Tácita: prática de ato incompatível com a vontade de processar. 
 
Observação n. 1: de acordo com o Código de Processo Penal o recebimento de indenização não é sinônimo de renúncia 
tácita. Já a Lei dos Juizados é expressa no sentido de que a composição civil dos danos homologada pelo juízo acarreta a 
renúncia ao direito de queixa ou de representação. Dispositivos legais: 
 
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\u2022 CP, art. 104: \u201cO direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente. 
Parágrafo único. Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a vontade de 
exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime\u201d. 
\u2022 Lei n. 9.099/95, art. 74: \u201cA composição dos danos civis será reduzida a escrito e homologada pelo juiz mediante 
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente. 
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à 
representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação\u201d. 
 
9.3. Perdão do ofendido 
 
I \u2013 Natureza jurídica: causa extintiva da punibilidade \u2013 apenas nas hipóteses de ação penal privada personalíssima ou 
ação penal exclusivamente privada. 
 
II \u2013 Ato bilateral (depende de aceitação). 
 
CP, art. 106: \u201cO perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 
(...) 
III - se o querelado o recusa, não produz efeito\u201d (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
III \u2013 O perdão é cabível depois do exercício do direito de queixa e até o trânsito em julgado da sentença condenatória. 
 
CP, art. 106, § 2º: \u201cNão é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória\u201d. (Redação dada 
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). 
 
IV \u2013 O perdão está relacionado ao princípio da disponibilidade. 
 
V - Conceito: ato bilateral e voluntário por meio do qual o querelante resolve não prosseguir com o processo que já 
estava em andamento, perdoando o acusado. Trata-se de causa extintiva da punibilidade nos casos de ação penal 
exclusivamente privada ou privada personalíssima. 
 
VI \u2013 Princípio da indivisibilidade: o perdão concedido a um querelado comunica-se a todos os outros, desde que haja 
aceitação. Caso contrário, o processo seguirá em relação àqueles que não aceitaram o perdão. 
CP, art. 106: \u201cO perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: (Redação dada