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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito Processual Penal 
Aula 01 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Noções introdutórias 
 
1. Pretensão punitiva 
 
I - Exemplo: 
 
CP, art. 121: \u201cMatar alguém: 
Pena - reclusão, de seis a vinte anos\u201d. 
 
O Estado cria leis penais incriminadoras (como é o caso do exemplo acima) e a ideia é no sentido de que surja para o 
Estado o direito de punir (abstrato). 
 
No entanto, o Direito Penal não é um Direito de coação direta. Assim, caso um indivíduo mate outro, o Direito Penal não 
poderá ser empregado diretamente. Para que a pena cominada no preceito secundário seja a ele aplicada é necessário 
um processo penal. 
 
II \u2013 Conceito de pretensão punitiva: consiste no poder do Estado de exigir de quem comete um delito a submissão à 
sanção penal. Através da pretensão punitiva, o Estado-Administração procura tornar efetivo o ius puniendi, exigindo do 
autor do crime, que está obrigado a sujeitar-se à sanção penal, o cumprimento dessa obrigação, que consiste em sofrer 
as consequências do crime e se concretiza no dever de abster-se de qualquer resistência contra os órgãos estatais a que 
cumpre executar a pena. Porém, tal pretensão não poderá ser voluntariamente resolvida sem um processo, não 
podendo nem o Estado impor a sanção penal, nem o infrator submeter-se à pena. Assim sendo, tal pretensão já nasce 
insatisfeita. 
 
 
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2. Sistemas processuais 
 
\u2022 Sistema inquisitorial. 
\u2022 Sistema acusatório. 
\u2022 Sistema misto (ou francês). 
 
2.1. Sistema inquisitorial 
 
Características: 
 
I \u2013 Concentração das funções de acusar, defender e julgar numa única pessoa (juiz inquisidor). O grande problema desta 
concentração é o comprometimento da imparcialidade do juiz. 
 
II \u2013 Não há contraditório, pois não há contraposição entre partes antagônicas (acusação e defesa). 
 
III \u2013 O juiz é dotado de ampla iniciativa probatória \u2013 à época do sistema inquisitorial trabalhava-se com a ideia de 
verdade real. Portanto, o juiz poderia agir de ofício tanto na fase investigatória como processual. Em outras palavras, a 
gestão da prova estava concentrada nas mãos do juiz. 
 
IV \u2013 Verdade real. 
 
É incorreto dizer que o processo penal é o \u201cprocesso da verdade real\u201d porque, em contraposição ao processo civil que 
trabalha com a verdade formal, o processo penal somente se satisfaria com a verdade real. Há, portanto, uma ideia 
equivocada de que seria possível reproduzir no processo penal tudo aquilo que teria ocorrido no dia do fato delituoso. A 
ideia de verdade real é aquilo que sempre justificou o poder probatório do juiz. 
 
A ideia de verdade real não mais subsiste, pois ela inexiste. O que há no processo é uma verdade processual ou 
aproximativa, existindo uma tentativa de se reproduzir nos autos do processo aquilo que teria acontecido no dia do fato 
delituoso. 
 
2.2. Sistema acusatório 
Características: 
 
I \u2013 Presença de partes distintas: 
 RATEIO É LEGAL
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\u2022 Acusação: Ministério Público. 
\u2022 Defesa: Defensor Público, defensor dativo ou defensor constituído. 
\u2022 Julgar: juiz. 
 
Em razão desta distribuição de funções, o sistema acusatório vem ao encontro da imparcialidade. 
 
II \u2013 Quanto à gestão da prova há duas correntes sobre o tema: 
 
\u2022 1ª corrente: o juiz jamais pode agir de ofício. 
\u2022 2ª corrente (majoritária): o juiz pode agir de ofício, mas apenas durante a fase processual, desde que procure 
fazê-lo de maneira residual ou secundária. Portanto, o juiz é dotado de iniciativa probatória. Exemplo (CPP, art. 
212, parágrafo único): 
 
CPP, art. 212: \u201cAs perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que 
puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. 
(Redação dada pela Lei n. 11.690/08). 
Parágrafo único. Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição\u201d. 
 
Observação n. 1: a segunda corrente fundamenta-se no sentido de que o juiz não é mero expectador, pois está diante 
de dois interesses indisponíveis: liberdade de locomoção do acusado e a pretensão punitiva do Estado. 
 
III \u2013 À luz da Constituição Federal nosso sistema é o acusatório. A partir do momento em que o texto constitucional 
outorgou ao Ministério Público a titularidade da ação penal (CF, art. 129, I), ele optou por retirar do juiz a iniciativa da 
ação penal. 
 
IV \u2013 O sistema acusatório trabalha com a verdade processual (ou com a busca da verdade). 
 
 
 
 
 
 
Quadro comparativo entre os sistemas processuais: 
 
RATEIO É LEGAL
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Questão (TRF \u2013 4ª Região - Juiz Federal substituto 2016): 
(E) Em nosso sistema processual penal, que segue o sistema acusatório puro, não pode o juiz determinar de ofício a 
produção de quaisquer provas. 
 
A questão está incorreta porque em nosso sistema processual penal o juiz pode determinar a produção de provas 
durante a fase judicial \u2013 orientação dominante quanto à matéria. Ademais, grande parte da doutrina sustenta que o 
CPP, art. 156, I seria inconstitucional em razão do vício de permitir que o juiz aja de ofício durante a fase investigatória. 
 
2.3. Sistema misto ou francês 
 
É chamado de sistema misto porquanto o processo se desdobra em duas fases distintas: a primeira fase é tipicamente 
inquisitorial, com instrução escrita e secreta, sem acusação e, por isso, sem contraditório. Nesta, objetiva-se apurar a 
materialidade e a autoria do fato delituoso. Na segunda fase, de caráter acusatório, o órgão acusador apresenta a 
acusação, o réu se defende e o juiz julga, vigorando, em regra, a publicidade e a oralidade. 
 
Observação n. 1: há quem diga que o Código de Processo Penal brasileiro adota o sistema misto. No entanto, não é a 
melhor orientação. Há em nosso sistema uma fase preliminar que se aproxima do sistema inquisitorial, mas se trata de 
fase investigatória. Só poderíamos concluir que o Brasil adota tal sistema se toda a fase judicial fosse caracterizada pelo 
sistema inquisitorial \u2013 e não é o que se verifica. 
 
3. Princípio da presunção de inocência (estado de inocência ou presunção de não culpabilidade) 
 
Observação inicial: em relação à terminologia, alguns doutrinadores preferem utilizar o termo \u201cpresunção de inocência\u201d 
ou \u201cpresunção de não culpabilidade\u201d. Fundamento da terminologia distinta: 
 RATEIO É LEGAL
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\u2022 Convenção Americana de Direitos Humanos (presunção de inocência): CADH, art. 8º, § 2º: \u201cToda pessoa acusada 
de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa\u201d. 
\u2022 Constituição Federal de 1988 (presunção de não culpabilidade): CF, art. 5º, LVII: \u201cninguém será considerado 
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória\u201d. 
 
Geralmente, os tratados internacionais sobre direitos humanos usam a palavra \u201cinocência\u201d e \u201cpresunção\u201d. Assim, 
normalmente fala-se em \u201cpresunção de inocência\u201d. Assim, pelo menos enquanto o processo criminal não for concluído, 
o indivíduo é presumido inocente. 
 
Já na Constituição Federal a terminologia é um pouco diversa porque ela não usa o termo \u201cinocente\u201d. Ela é redigida de 
maneira negativa dizendo que \u201cninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória\u201d