Processo Penal 18 1
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Processo Penal 18 1


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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito Processual Penal 
Aula 18 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Medidas cautelares de natureza pessoal III 
 
4. Prisão em flagrante 
 
4.2. Espécies de prisão em flagrante 
 
h) Flagrante retardado/diferido/ação controlada 
 
I \u2013 Consiste no retardamento da intervenção do Estado para fins de colheita de prova. 
 
Exemplo: em um aeroporto descobre-se, por meio do aparelho de raio-X, que determinado indivíduo carrega consigo 
drogas. No entanto, sua prisão não é efetuada nesse momento, deixando-o seguir para que sua prisão ocorra em 
momento mais oportuno sob o ponto de vista da colheita de provas. 
 
II \u2013 Previsão legal: 
 
\u27a2 Lei de Lavagem de Capitais. 
 
Lei n. 9.613/98, art. 4º-B: \u201cA ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores 
poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as 
investigações\u201d (artigo acrescentado pela Lei n. 12.683/12). 
 
Considerações: 
 
 
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\u2022 A ação controlada também pode recair sobre medidas assecuratórias, e não apenas sobre a prisão \u2013 exemplo: 
retardamento do sequestro de um helicóptero de um traficante. 
\u2022 A ação controlada poderá ser suspensa pelo juiz. Portanto, em relação à Lei de Lavagem de Capitais, há 
necessidade de autorização judicial. 
 
\u27a2 Lei de Drogas. 
 
Lei n. 11.343/06, art. 53: \u201cEm qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei, são 
permitidos, além dos previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os seguintes 
procedimentos investigatórios: 
(...) 
II - a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos utilizados em 
sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior número 
de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível\u201d. 
 
À semelhança do que ocorre na Lei de Lavagem de Capitais, na Lei de Drogas também há necessidade de autorização 
judicial prévia. 
 
\u27a2 Lei das Organizações Criminosas: 
 
Lei n. 12.850/13, art. 8º: \u201cConsiste a ação controlada em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação 
praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para 
que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações. 
§ 1º: O retardamento da intervenção policial ou administrativa será previamente comunicado ao juiz competente que, 
se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público. 
§ 2º: A comunicação será sigilosamente distribuída de forma a não conter informações que possam indicar a operação a 
ser efetuada. 
§ 3º: Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de 
polícia, como forma de garantir o êxito das investigações. 
§ 4º: Ao término da diligência, elaborar-se-á auto circunstanciado acerca da ação controlada\u201d. 
Considerações: 
 
\u2022 O retardamento não é apenas da intervenção policial. A Lei das Organizações Criminosas também autoriza o 
retardamento da intervenção administrativa (outros órgãos não policiais que possuem atribuição investigatória, 
ainda que residual \u2013 exemplo: Ministério Público). 
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\u2022 Ao contrário dos dois dispositivos anteriores, a Lei das Organizações Criminosas não faz nenhuma referência à 
necessidade de autorização judicial, dizendo apenas que o juiz será comunicado (§ 1º). Assim, de acordo com a 
doutrina, não há necessidade de autorização judicial prévia. 
\u2022 Motivos da exigência de comunicação ao juiz: a) obstar desvios de conduta por parte dos policiais ou 
Promotores de Justiça; e b) estabelecer limites à ação controlada: temporais e materiais (admite-se o 
retardamento, desde que os crimes não atentem contra bens de natureza indisponível). 
 
III \u2013 Entrega vigiada. 
 
\u27a2 A entrega vigiada é uma espécie de ação controlada. 
 
\u27a2 É a técnica que permite que remessas ilícitas ou suspeitas de drogas, ou de outros produtos ilícitos, saiam do 
território de um país com o conhecimento e sob o controle das autoridades competentes, com a finalidade de 
investigar infrações e identificar os demais coautores e participes (Convenção de Palermo). 
 
i) Flagrante forjado/fabricado/urdido/maquinado 
 
I \u2013 É uma espécie de flagrante que foi inventada pelas autoridades policiais ou ministeriais. 
 
II \u2013 É um flagrante ilegal e a autoridade deverá responder funcional e criminalmente (abuso de autoridade). 
 
4.3. Flagrante nas várias espécies de crimes 
 
a) Crimes permanentes 
 
I \u2013 Crime permanente é aquele cuja consumação se prolonga no tempo e, durante todo esse período, o agente continua 
detendo o poder de fazer cessar a qualquer momento a prática delituosa. Exemplo: extorsão mediante sequestro. 
 
II \u2013 É possível efetuar a prisão em flagrante nos crimes permanentes. 
 
CPP, art. 303: \u201cNas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a 
permanência\u201d. 
 
b) Crimes habituais 
 
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I \u2013 Crime habitual é aquele que demanda uma prática reiterada de determinada conduta. Exemplo: exercício ilegal da 
medicina: 
 
CP, art. 282: \u201cExercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou farmacêutico, sem autorização 
legal ou excedendo-lhe os limites: 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também multa\u201d. 
 
II \u2013 Quanto à possibilidade de se efetuar a prisão em flagrante nos crimes habituais: 
 
\u2022 1ª corrente: não é possível. Fundamento: impossibilidade de se comprovar no momento da prisão em flagrante 
que aquela conduta vinha sendo praticada de maneira reiterada. 
\u2022 2ª corrente: é possível. Fundamento: caso concreto. 
 
c) Crimes de ação penal privada/ação penal pública condicionada à representação 
 
I - Exemplos: crimes contra a honra (ação penal privada) e estupro (ação penal pública condicionada à representação). 
 
II \u2013 É cabível a prisão em flagrante, mas desde que haja manifestação da vítima demonstrando seu interesse na 
persecução penal. 
 
O prazo para que a vítima manifeste seu interesse na persecução penal seria de 24 horas, após a prática delituosa \u2013 
fundamento: é o prazo que a autoridade policial tem para lavrar o auto de prisão em flagrante. 
 
d) Crimes formais 
 
I \u2013 Crime formal é aquele em que existe um resultado, mas ele não precisa ocorrer para que o delito esteja consumado. 
Exemplo: extorsão. 
 
II \u2013 É possível a prisão em flagrante, desde que não ocorra no momento do exaurimento do delito. Caso contrário, o 
agente não estaria mais em situação de flagrante delito. 
Exemplo: concussão (verbo \u201cexigir\u201d). Ao ter contato com a quantia exigida, depois de passado alguns dias, não seria 
possível a prisão em flagrante do agente (exaurimento). No entanto, quanto ao crime de corrupção passiva, sim, em 
razão do verbo \u201creceber\u201d. 
 
e) Crime continuado 
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I \u2013 É cabível o flagrante. 
 
II \u2013 O flagrante no crime continuado também é conhecido como \u201cflagrante fracionado\u201d. 
 
4.4. Fases da prisão em flagrante