Processo Penal 19 1
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INTENSIVO I 
Renato Brasileiro 
Direito Processual Penal 
Aula 19 
 
 
ROTEIRO DE AULA 
 
 
Medidas cautelares de natureza pessoal IV 
 
5. Prisão preventiva e prisão temporária 
 
Quadro n. 1 
 
 
 
I \u2013 Tanto a prisão temporária quanto a prisão preventiva são espécies de prisão cautelar, não havendo nenhuma 
polêmica. 
 
Observação n. 1: como visto anteriormente, quanto à prisão em flagrante existe uma polêmica. Para alguns 
doutrinadores, a prisão em flagrante seria espécie de prisão cautelar. Já outros entendem que ela seria uma medida 
pré-cautelar, sobretudo à luz da Lei n. 12.403/11. 
 
II \u2013 A prisão temporária está prevista em uma lei extravagante: Lei n. 7.960/89. 
 
 
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Há doutrinadores que entendem que a Lei n. 7.960/89 teria sido resultado da conversão da Medida Provisória n. 
111/89. Por esse motivo, essa parte da doutrina preceitua que a Lei n. 7.960/89 estaria contaminada por uma 
inconstitucionalidade formal: legislar sobre direito processual penal é de competência privativa da União (CF, art. 22, I), 
não podendo jamais ser objeto de medida provisória. 
 
No entanto, o Supremo Tribunal Federal não concordou com a tese da inconstitucionalidade (ADI n. 162). De acordo 
com o Tribunal, a Lei da prisão temporária não seria originária da conversão da Medida Provisória, mas regularmente 
aprovada pelo Congresso Nacional e por isso não haveria nenhuma inconstitucionalidade. 
 
Observação n. 2: alguns anos depois, a Constituição Federal foi alterada pela EC n. 32/01, que passou a vedar 
expressamente a edição de medidas provisórias sobre direito processual penal. 
 
III \u2013 A prisão temporária foi criada para pôr fim à prisão para averiguações. 
 
A prisão para averiguações foi adotada por muitos anos pelas autoridades incumbidas pela persecução penal. Tratava-se 
de uma prisão efetuada para se verificar se não haveria nada contra um indivíduo, não dependendo de ordem judicial. 
Por esse motivo, a prisão para averiguações não encontrava acolhida em nosso ordenamento jurídico, já que não se 
pode admitir a privação da liberdade de locomoção sem que haja uma ordem judicial, salvo nos casos de prisão em 
flagrante. 
 
Assim, foi criada uma espécie de prisão cautelar voltada para as investigações, mas, diversamente da prisão para 
averiguações, a decretação da prisão temporária estaria condicionada à autorização jurisdicional prévia. 
 
IV \u2013 A prisão preventiva está prevista no Código de Processo Penal entre os artigos 311 e 316, que foram alterados pela 
Lei n. 12.403/11. 
 
Observação n. 3: há referência à prisão preventiva em outros diplomas normativos (Lei Maria da Penha, Lei de 
Falências). No entanto, sua decretação sempre estará condicionada à observância dos requisitos do CPP. 
 
 
 
Quadro n. 2 
 
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I \u2013 A persecução penal tem duas fases distintas: investigatória e judicial. 
 
II \u2013 A prisão temporária é voltada exclusivamente para a fase investigatória (inquérito ou outros procedimentos 
investigatórios). 
 
III \u2013 A prisão preventiva é mais ampla do que a prisão temporária, podendo ser decretada tanto na fase investigatória 
como na fase processual. 
 
\u27a2 Em relação à fase processual, a prisão preventiva pode ser decretada até o trânsito em julgado. 
 
Observação n. 4: o Supremo vem admitindo que alguém seja preso quando houver o esgotamento das instâncias nos 
Tribunais de segundo grau (HC n. 126.292). Nesse caso, a prisão é penal, e não cautelar. No entanto, mesmo com esse 
entendimento, a prisão preventiva continua sendo passível de decretação até o trânsito em julgado: o mesmo Supremo 
que admite a execução provisória da pena vem admitindo, em situações excepcionais, que, quando houver 
plausibilidade do recurso extraordinário, o indivíduo aguarde em liberdade o julgado desse recurso. 
 
\u27a2 Parte da doutrina entende que a prisão preventiva seria cabível na fase investigatória apenas em relação aos crimes 
que não admitem prisão temporária. 
 
Questão n. 1: é cabível prisão preventiva durante a fase investigatória para um crime de homicídio qualificado? Há 
doutrinadores que entendem que não, tratando de um entendimento acertado, segundo o professor. O crime de 
homicídio qualificado é crime hediondo, admitindo-se a decretação de prisão temporária, que pode perdurar por até 60 
dias. 
 
Assim, segundo essa corrente, caso o crime admita a prisão temporária, ela seria a única prisão cautelar passível de 
decretação para esse delito durante a fase investigatória. Por consequência, a prisão preventiva só seria cabível, 
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durante a fase investigatória, para os crimes que não admitem a prisão temporária. No entanto, trata-se posição 
minoritária. 
 
Quadro n. 3 
 
 
 
I \u2013 Na fase investigatória, o juiz não pode agir de ofício. Caso contrário, haveria clara violação ao sistema acusatório e à 
própria garantia da imparcialidade. 
 
Portanto, como a prisão temporária somente é cabível durante a fase investigatória, ela jamais poderá ser decretada de 
ofício pelo juiz. Assim, ela está condicionada à prévia representação do Delegado de Polícia ou ao requerimento do 
Ministério Público. 
 
II \u2013 A prisão preventiva é cabível tanto na fase investigatória como na fase processual: 
 
\u2022 Fase investigatória: não pode ser decretada de ofício. 
\u2022 Fase processual: pode ser decretada de ofício. 
 
CPP, art. 311: \u201cEm qualquer fase da investigação ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, 
de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por 
representação da autoridade policial\u201d. 
 
 
 
 
 
Quadro n. 4 
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I \u2013 As hipóteses de admissibilidade referem-se às infrações penais que admitem a prisão temporária ou a prisão 
preventiva. 
 
II \u2013 Prisão temporária. 
 
\u27a2 Há um rol taxativo de delitos que admitem a prisão temporária, ao contrário do que ocorre com a prisão preventiva, 
na qual o legislador não se refere a determinado crime, apontando de maneira genérica seus requisitos. 
 
\u27a2 Previsão legal: 
 
Lei n. 7.960/89, art. 1º: \u201cCaberá prisão temporária: 
(...) 
III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou 
participação do indiciado nos seguintes crimes: 
a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°); 
b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°); 
c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); 
d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°); 
e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°); 
f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); (Vide Decreto-Lei nº 2.848, de 
1940) 
g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único) [o artigo 214 
foi revogado, mas não há falar em \u2018abolitio criminis\u2019, já que o que era antes atentado violento ao pudor simplesmente 
migrou para a nova redação do artigo 213]; 
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h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único) [o artigo 219 foi revogado pela Lei 
n. 11.106/05. No