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Aula 02

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AULA 2
APRENDIZAGEM DO ALUNO
ADULTO IMPLICAÇÕES PARA
A PRÁTICA DOCENTE
Profª Elisane Fank

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CONVERSA INICIAL
Esta aula tem um papel mais conceitual. Ela decorre exatamente da mesma
abordagem epistemológica coloca da anteriormente o que não significa que
todas as aulas seguirão na mesma concepção de método. Parte -se do
pressuposto de que as relações de trabalho , historicamente, foram a mola
propulsora para o desenvolvimento de toda a humanidade, da produção de
conceitos, da criação de valores e da linguagem, bem como delas derivaram a
produção cultural e, portanto, o desenvolvimento do h umano e d a humanidade em
si.
Pretende-se contextualizar com o fôlego possível as fo rmas de
produção do conhecimento, da linguagem e da cultura historicamente, de modo a
defender uma aprendizagem permanente.
A própria compreensão dialética do m ovimento histórico, na configuração
da h umanidade e sua produção cultural, e xplica o fato de que este processo
histórico e cultural se repete em cada ser em particular. Da mesma forma como a
humanidade passou pe lo processo de transformação, cada um de nós se
transforma e adquire recursos para a aprendizagem; recursos que são
conceituais, neurológicos, cognitivos e m etacognitivos; recursos que se apropriam
e se transmitem com o papel dos mediadores.
Portanto, esta aula se propõe a dar indicativos para um
“desembaraçamento” da rela ção entre a filogênese e a ontogênese como
elementos para a capacidade de aprender sempre.
CONTEXTUALIZANDO
Poderia começar estabelecend o uma relação bem simples que, de certa
forma, ilustra a tese sob re a ap rendizagem permanente e sua relação com a
construção histórica e cultural.
Concordando ou não com a abertura política e econômica da década de
1990 o que não vem a ser o caso , até lá, poucas pessoas tiveram a
oportunidade de frequentar restaurantes japoneses e dominar o uso do rashi para
se alimentar de Hossomaki (rolinhos finos), Makizushi (sushi en rolado), Futomaki
(rolinhos grandes), Kappamaki, Tekkamaki, Temaki (rolinhos de mão), Uramaki
(enrolado ao contrário), Nigirizushi (sushi fe ito à mão).

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Se, pa ra nós, o uso de todos estes conceitos ainda não e stá apropriado,
vale destacar que, embora não seja de no ssa cultura, de certa fo rma, aprendemos
a usar com se gurança o rashi e, certo ou errado, sabemos que parecem ser todos
variáveis de sushis.
Não é o caso de d iferenciar o motivo pelo qual usamos no Oc idente o garfo
e a fa ca, na Índia as mãos e , no Japão, o rashi. Importa saber que cada domínio
destes recursos passou por inco rporação cultural de co nceitos, de práticas e
valores que nos def inem, não somente na perspectiva cultural, como no conjunto
das representações simbólicas dos elementos desta apropriação.
Quem nasceu na década de 1970 talvez ti vesse m ais estranheza neste
processo em relação a quem nasceu em 1990, m as nem por isso deixou de
incorporar valores, se em contato com estes recursos simbólicos de cultura e por
meio, minimamente, do papel de alguns mediadores.
Que mediadores são estes e de que forma aprendemos permanentemente
de modo a recriar o próprio desenvolvimento da filogênese?
Há diferença neste processo em relação à condição etária?
De que fo rma os adultos se relacionam com estes recursos simbólicos e
apropriações culturais, de modo a desenvolver suas f unções mentais superiores?
Nesta perspectiva, os temas que se seguem visam a aprofundar, de forma
possível, a relação entre os elementos simbólicos da apropriação de cultura e o
desenvolvimento das funções mentais superiores.
TEMA 1 A MEDIAÇÃO COMO ATO INTENCIONAL DA PRODUÇÃO DA
HUMANIDADE E APROPRIAÇÃO CULTURAL
Retomemos brevemente o referencial teórico do Materialismo Histórico
para situar o papel da filogênese na construção da ontogênese .
Para Marx (S.d.),
O traba lho é um processo de que part icipam o hom em e a natureza ,
processo em que o ser humano com sua própria açã o impulsiona, regula
e controla se u intercâmbio material com a natureza . Def ronta -se c om a
natureza com o uma de suas forças. Põe em movim ento as forças
naturais de seu corpo, braços e pernas, cabeça e m ãos, a fim de
apropriar-se dos recurs os da nature za, imprim indo-lhes f orma útil à vida
humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando -a, ao
mesmo tempo modifica sua própria natureza. Desenvolve as
potencialidades nela adormecidas e submete ao seu domínio o jogo das
forças naturais. Não se trata aqui das form as instintivas, a nimais, de
trabalho. Pressupom os o trabalho so b form a exclusivam ente humana

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