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Aula 03

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AULA 3
APRENDIZAGEM DO ALUNO
ADULTO IMPLICAÇÕES PARA
A PRÁTICA DOCENTE
Profª Elisane Fank de Paiva

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CONVERSA INICIAL
O objetivo desta aula é analisar em que perspectivas surgiram as críticas
sobre a escola, que condicionantes sociais, políticos, eco nômicos e históricos
determinavam o papel da educação escolar e quais foram os movimentos dos
trabalhadores da época, no sentido de uma organizaçã o que pudesse lutar por
direitos e conquistas. É importante destacar que esse movimento histórico,
engendrado pela força de trabalhadores, inclusive os da educação, configurou um
conjunto de concepções, aspirações e tendências que influenciaram a e ducação
no Brasil e a sua história.
Isso significa dizer que a h istória da educação se conf igurou por diversas
correntes e, po r que não dizer, até por meio de m odismos pedagógicos, os quais
serão a nalisados com o objet ivo de contextualizar o papel e o impulso da
educação de jovens e adultos no Brasil.
CONTEXTUALIZANDO
Para a reflexão, vale indicar que todas as propostas em educação, todas
as políticas educacionais, bem como as pesquisas e a s p roduções f ilosófico -
pedagógicas vêm para responder às necessidades de um determinando momento
histórico, político e social.
Não política educacional e concepção de educação neutras ou
desprovidas do contexto de um dado grupo ou movimento so cial. Hoje
carregamos referenciais contaminados d e percepções e ide ologias que nos
afastam do entendimento e das intencionalidades desses grupos e movimentos.
Unicamente compreendendo a história e o contexto, na sua con cretude,
conseguimos depreender qual foi a necessidade histórica e política dos grupos e
dos movimentos.
A educação formal e não formal não está descolada na sua necessidade
histórica. A exemplo da escola do Movimento d os Trabalhadores Rurais Sem -
Terra (MST), temos que e la surge como educação não formal, mas com os rumos
da h istória se institucionaliza, man tendo seus princípios na fo rmação sua luta
histórica em torno da edu cação dos f ilhos dos trabalhadores. Tanto Florestan
Fernandes quanto Anísio Teixeira lutavam por uma escola democrática que
deveria conter os males educacionais produzidos pela educação elitista no Brasil,
bandeiras também defendidas pelos movimentos sociais. Hoje, descontaminados

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das representações hegemônicas, de veríamos q uestionar se algum adulto
deveria estar sem escolaridade ou sem alfabetização, bem como refletir se a
educação tem sido ou não un iversal. Ao entendermos que a educação é para
todos, vale analisar de que fo rma ela responde ou não às necessidades concretas
daqueles que querem e devem ter ace sso a elas. Para tanto , no ssa compreensão
deve estar fundamentada , ainda que de forma breve , pela história da educação
no Brasil.
TEMA 1 HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NÃO FORMAL: 1930 A 1960 E O
CRESCIMENTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE FORMAÇÃO DE ADULTOS
Durante séculos, a economia brasileira se assentou em um só referencial,
o modelo agroexportador de açúcar, ouro, café e borracha, que perdurou até a
crise do café, em 1929. Nesse período, não havia uma po tica educacional estata l
voltada para a f ormação dos trabalhadores. Até e ntão, a educação brasileira
ficava sob o monopólio da Igreja Católica, a qual oferecia sua formação aos
futuros bacharéis de belas artes, direito e medicina, ass im como fo rmava os
futuros teólogos.
Coube à iniciativa do movimento operário organizar -se sindicalm ente a
partir d e 1858, influenciado pelas ideias socialistas e anarquistas trazidas pelos
imigrantes europeus e pela Revolução Russa. Os operários come çara m a
manifestar-se em torno de um ensino público que colocava o Estado como
regulador, criticando, desse modo, a inoperância governamental na oferta da
educação pública. Esboçava-se, assim, uma concepção de educação libertária,
por meio da qual os traba lhad ores aspiravam por uma educação que se
autogerisse. O que eles desejavam e ra a ruptu ra com a hegemonia burguesa,
expressada por meio da Igreja Católica.
A educação no s primórdios da d écada de 1930, portanto, expressou o
cenário dos conflitos sociais, nesse sentido, o riginou um rico período de
efervescência ideológica e política no cenário da educação brasileira.
De acordo com Guiraldelli (2001), a f ase de 1930 representou o “declínio
das o ligarquias”, em decorrência da s mod ificações na estrutura econômica. A
crise do café, em 1929, impulsionou o modelo de substituição das importações,
deslocando o capital de investimento para outros setores prod utivos urbano -
industriais no Brasil . A expansão urbana, o êxodo rural, a industrialização
crescente, o aumento do capital e do trabalho operário, bem como a consolidação

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