Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
16 pág.
Aula 05

Pré-visualização|Página 1 de 16

AULA 5
APRENDIZAGEM DO ALUNO
ADULTO: IMPLICAÇÕES PARA A
PRÁTICA DOCENTE
Profª. Elisane Fank de Paiva

2
CONVERSA INICIAL
Esta aula tem uma dimensão importante, de analisar o contexto das
contraditórias compreensões sobre o trabalho como princípio educativo. El a se
destina a conceber a aprendizagem do aluno adulto a partir das relaçõ es de
trabalho.
Para tanto, traz duas categorias absolutamente diferen tes no que tange as
relações entre o mercado e o mundo do trabalho: ergologia e politécnica. Embora
este diálogo n ão ap roxime diretamente ambas as categorias , dada a própria
diferença de matriz epistemológica entre a ergologia e a politécnica, procuraremos
aproximar os conceitos mesmo que seja para permitir u ma reflexão crítica sobre
eles.
Vale ressaltar, portanto, que ambos o s conceitos partem de referenciais
filosóficos, com matrizes diferentes e com intencionalidades particulares. Isso se
evidencia n a própria concepção de trabalho e de trabalhador , na relação com o
emprego no mercado de trabalho ou na atividade no mundo do trabalho.
Contudo, pensar as relações de trabalho e de trabalhador n ão p ressupõe,
de forma alguma, ingenuamente, seja numa ou noutra abordagem, que o
trabalhador está absolutamente expropriado da capacidade de pensar e de se
perceber na relação com seu trabalho, com o empregador e o modo de produção.
Essas relações serão analisadas durante esta aula.
CONTEXTUALIZANDO
Vale, contextualizando, reto mar a concepção de trabalho como princípio
educativo, seja na pe rspectiva da reprodução das relações ou de transformação
de si, do entorno e do modo de produção. Ainda que seja em atividades que nos
parecem ser repetitivas e mec ânicas, de alguma forma o espaço e as relações de
trabalho propiciam a aprendizagem seja da rotina da empresa, d as relações
sociais e da hierarquia. Por contradição, trazem tam bém fundame ntos que
permitem ao trabalhador estabelecer críticas ao que se faz e , p or consequência,
ao modo de produção de modo geral.
Nesse sentido, retomamos as reflexões da primeira aula, quando nos
colocamos na condição de adultos trabalhadores que estão em situaç ão de
aprendizagem no ambiente de trabalho. Em nosso cotidiano, pensamos em
nossas ações e em nossa atividade cotidiana, b em como na nossa relação com o

3
outro, de forma reflexiva? Nosso trab alho em ancipa ou aliena? Humaniza ou
desumaniza? Permite-nos pensar ou agimos mecanicamente? Qual a dimensão
da contradição que possibilita o movimento e as abordagens filosóficas? Temos ,
a partir dessas reflexões, a possibilidade de a nálise, a partir de duas categorias
de naturezas bem diferentes: a politécnica e a ergologia.
De um lado, temos a defesa por uma f ormação para o mundo do trabalho,
e de outro o entendimento do trabalhador n o mercado de trabalho. Mundo de
trabalho e mercado de trabalho assumem diferen ças conceituais que não são
apenas de caráter semântico, mas também epistemológico. Tais diferenças, e o
papel desses conceitos na formação do trabalho , são o contexto desta aula.
TEMA 1 O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA FORMAÇÃO
PROFISSIONAL
Quando contextualizamos o fato de que ergologia e politécnica são
conceitos de matrizes epistemo lógicas diferente s, temos como referência a
concepção de trabalho como princípio educativo, ou de outro m odo um a
concepção de educação e trabalho. Como base epistemológica , encontramos no
materialismo histórico-dialético seu principal fundamento. O método do
materialismo fo i definido a partir dos e studos marxianos, tomando como referência
que a materialidade (ou seja , nossas condições concretas de vida, de
sobrevivência, de trabalho) é condicionada pelo modo de produção capitalista.
Contudo, a forma trabalho definida sob o capitalismo foi ela também o produto da
materialidade, que se deu e se no movimento da história em suas con tradições.
Movimento, h istória e contradição são a s categorias da própria dialé tica. A
dialética assim é concebida como método e conteúdo e está presente em qua se
todas as teorias filosóficas e pedagógicas.
O trabalho humano, segundo es sa concepção, é p roduto da história e sua
forma tem sido construída cultu ralmente. Vejamos as ideias de Engels (1999, grifo
nosso):
Graças à cooperação da m ão, dos órgãos da lingu agem e do cérebro,
não em cada indivíduo, mas também na sociedade, os h omens foram
aprendendo a executar o perações cada vez m ais c omplexas, a propor -
se e alcançar obje tivos cada ve z mais elevados. O trab alho mesmo se
diversificava e ape rfeiçoava de g eração em ger ação, estendendo -
se cada vez a novas ativ idades. À caça e à pesc a veio juntar -se a
agricultura, e mais tarde a fiação e a tecelagem , a elaboraç ão de m etais,
a o laria e a navegação. Ao lado do com ércio e dos ofí cios aparec eram,
finalmente, as art es e as ciências; das tribos saíram as nações e os
Estados. Apareceram o direito e a política, e co m eles o refl exo

Quer ver o material completo? Crie agora seu perfil grátis e acesse sem restrições!