A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
128 pág.
Técnicas e Planejamento de Serrarias

Pré-visualização | Página 11 de 22

de desdobro principal com serras 
de fita, a seção de manutenção de serras deverá ficar próxima a estas máquinas, o 
que permite maior facilidade de locomoção das lâminas de serra, que são de 
grandes dimensões. Nos casos de máquinas com volantes de grandes diâmetros, tal 
locomoção torna-se difícil, oferecendo sérios riscos de acidentes. Como transportar 
discos de serras é mais fácil que transportar lâminas com grandes perímetros, deve-
se sempre buscar esta proximidade das serras de fita. 
 
 
 
4.5.5 PISO DA SERRARIA 
 
 
 
 Em todas as operações de desdobro executadas em uma serraria, 
ocorre uma grande geração de resíduos. Para que o fluxo produtivo não seja 
prejudicado, estes resíduos devem ser retirados da área de operação o mais rápido 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
55
 
possível. Portanto é conveniente que o piso da serraria esteja um piso acima do 
nível do solo, o que facilita a instalação dos sistemas de remoção de resíduos no 
porão. Estes sistema normalmente são compostos por correias transportadoras ou 
esteiras rolantes, que convergem ao local de depósito de resíduos. 
 
 
 
4.5.6 PÁTIO DE TORAS 
 
 
 
 Como o transporte de toras é difícil em função das grandes dimensões 
e pelo fato de que ao transporta -las, está se transportando também uma grande 
quantidade de resíduos, é conveniente que o pátio de toras localize-se o mais 
próximo possível das máquinas de desdobro principal. 
 
 
4.5.7 CLASSIFICAÇÃO, CÂMARAS DE SECAGEM 
 E DEPÓSITO DE MADEIRA SERRADA 
 
 
 
 Estes setores sempre estarão localizados no final da linha de 
produção, seguindo a ordem de execução das operações. A madeira serrada passa 
ao setor de classificação é gradeada, segue para as câmaras de secagem, 
seguindo logo após para o empacotamento e estocagem no depósito de madeira 
serrada. Quando a serraria não dispõe de secagem artificial, a madeira já 
classificada e gradeada, recebe tratamento preservante e segue para o pátio de 
secagem ao tempo. Após a secagem, pode seguir para o depósito ou ser enviada 
direto ao consumidor. 
 
 
 
4.5.8 EXEMPLOS DE LAYOUT 
 
 
 
 A definição do layout de uma serraria depende de uma série de fatores 
que já foram amplamente discutidos. Dentre os principais estão o capital disponível, 
a matéria prima e os produtos finais pretendidos. A maioria dos fabricantes de 
máquinas para serrarias, dispõe de equipes especializadas, as quais estudam 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
56
 
minuciosamente todos os fatores, fornecendo ao empresário algumas opções de 
layout, para cada caso em particular. 
 Na FIGURA 60, têm-se um exemplo geral de uma serraria para 
desdobro de madeira de Pinus spp. ou de madeira nativa. As toras têm duas opções 
de desdobro principal. No caso de toras de grandes diâmetros, estas são 
desdobradas em uma serra fita (06). As costaneiras e pranchões obtidos na fita 
seguem para uma serra fita para a resserragem (12). As peças que saem da serra 
fita principal seguem juntamente com as peças oriundas da resserra para uma serra 
circular refiladeira quádrupla (18), onde são executadas as operações de refilo. Logo 
após, as todas as peças seguem para o destopo em uma mesa dupla de destopo 
(23). 
 As toras de diâmetros são desdobradas em uma serra circular dupla 
(09) onde é originado um semi-bloco. As costaneiras seguem à resserradeira (12) e 
posteriormente à refiladeira quádrupla (28). O semi-bloco oriundo da circular múltipla 
é diretamente resserrado em uma serra circular múltipla de dois eixos (15). As peças 
que saem da circular quádrupla (18) e da Circular múltipla de dois eixos (15) seguem 
para o destopo. Após todas as operações, na mesa de destopo, algumas peças são 
descartadas e enviadas a uma destopadeira pendular (25) para seus 
reaproveitamentos em peças de comprimentos menores. 
 
FIGURA 60. SUGESTÃO DE LAYOUT PARA DESDOBRO DE MADEIRA 
(INDÚSTRIAS KLÜPPEL LTDA.). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
57
 
 
 Ao contrário do exemplo anterior, onde as toras têm duas entradas na 
serraria, na FIGURA 61, observa-se um layout onde as toras, independente do 
diâmetro, são desdobradas em uma única máquina de desdobro principal, que é 
uma serra fita tandem. Nesta máquina, as toras podem ser transformadas em 
blocos. As costaneiras oriundas desta operação, quando de toras de diâmetros 
pequenos, tornam-se resíduos e no caso de toras com diâmetros maiores seguem 
para uma resserradeira. Os blocos, com dimensões padronizadas, seguem para 
uma circular múltipla e são transformados em peças nas suas espessuras finais. As 
peças oriundas da resserra e da múltipla que apresentarem defeitos em suas 
bordas, passam em uma refiladeira dupla para seus devidos reaproveitamentos. 
Após todas estas operações, todas as peças seguem a uma destopadeira de mesa 
dupla para padronização dos diâmetros. Pode-se observar ainda que este layout 
contém no final da linha um tanque para banho anti-fúngico, para serrarias que 
contenham secagem ao tempo ou que ainda, quando as estufas não vencem a 
produção e a madeira serrada precisa permanecer por um determinado período no 
pátio até a sua secagem. 
 
 
FIGURA 61. LAYOUT DE UMA SERRARIA DE Pinus spp. COM UMA ÚNICA 
SERRA DE DESDOBRO PRINCIPAL (METALÚRGICA TURBINA 
LTDA.). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
58
 
 
 
 Nas FIGURAS 62 e 63, são apresentadas duas sugestões de layout de 
um mesmo fabricante, sendo que a primeira trata-se de uma serraria para madeira 
nativa e a segunda para madeira reflorestada. 
 Por se tratar de desdobro de madeira nativa (FIGURA 62), a serraria é 
constituída por equipamentos com maior flexibilidade quanto às dimensões das 
peças e operações, apresentando um fluxo de produção até de certo modo 
complicado. A tora entra e passa pelo desdobro principal em uma serra fita simples 
(5), onde são obtidos pranchões e tábuas, em função dos diâmetros das toras. Os 
pranchões são resserrados em uma serra fita para toras (23), ou seja de grande 
dimensão. As peças obtidas, dependendo de suas dimensões, seguem direto para o 
destopo, compostos por duas circulares pendulares dispostas em sequência (31 e 
33) ou são refiladas em uma serra circular múltipla de um eixo (27). As peças que 
saem da refiladeira múltipla seguem para o destopo em um outro par de 
destopadeiras (17 e19), dispostas em sequência e algumas peças ainda com bordas 
defeituosas, são refiladas em uma circular simples (14) antes de serem destopadas. 
As tábuas oriundas da serra fita (5), seguem à circular múltipla (27) ou à circular 
simples (14), dependendo de suas dimensões, para refilo, ou seguem direto para o 
destopo nas máquinas 17 e 19. Outras tábuas, com suas bordas já regularizadas na 
serra fita, podem seguir direto para o destopo nas máquinas 17 e 19. Pode-se 
concluir que as peças têm várias formas de serem processadas na serraria, o que se 
deve ao fato da grande variação de diâmetros e muitas vezes, de espécies. 
 Já na FIGURA 63, por se tratar de madeira reflorestada, o fluxo é muito 
fácil de ser compreendido. As toras entram na serraria e são desdobradas em uma 
serra fita geminada (5). Nesta serra, são retiradas duas costaneiras e um semi bloco. 
As costaneiras seguem para duas resserradeiras dispostas em duas linhas paralelas 
(9 e 20). As peças oriundas das resserras, seguem paralelamente até as serras 
circulares múltiplas de um eixo (12 e 23), onde são refiladas. No centro, entre as 
duas linhas contendo as resserras e refiladeiras, o semi-bloco segue para a 
resserragem em uma serra circular múltipla de dois eixos (16). Após estas 
operações, todas as peças são enviadas a uma mesa dupla de destopo (26) e 
finalmente para a classificação e gradeagem. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
59
 
 
FIGURA 62. SUGESTÃO

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.