A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
128 pág.
Técnicas e Planejamento de Serrarias

Pré-visualização | Página 14 de 22

serradas 
apresentem a maior área possível na direção dos raios (FIGURA 67). No corte radial 
típico, a tora é primeiramente cortada em quatro partes, com fios de serragem 
perpendiculares cruzando-se no centro da tora. A madeira obtida por cortes radiais 
sofre pequenas deformações, apresenta belo aspecto estético e é apreciada para 
trabalhos de marcenaria. 
 
 
FIGURA 67. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL TÍPICO. FONTE: TUSET & 
DURAN, 1979. 
 
 O sistema de corte radial pode também ser executado em máquinas de 
cortes múltiplos, onde após a tora ser transformada em quatro partes na máquina de 
desdobro principal, as peças passam em uma serra múltipla, normalmente circular 
de dois eixos. (FIGURA 68). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
71
 
FIGURA 68. SISTEMA DE CORTE RADIAL COM POSSIBILIDADE DE 
RESSERRAGEM EM SERRAS DE CORTES MÚLTIPLOS. FONTE: 
TUSET & DURAN ,1979. 
 
 Uma outra maneira de se desdobrar uma tora a fim de se obter peças 
radiais é através da realização de um corte simultâneo, onde obtém-se um semi-
bloco. Logo após, o semi-bloco é desdobrado ao meio e as duas peças resultantes 
são desdobradas em uma serra circular de cortes múltiplos (FIGURA 69). 
 
FIGURA 69. DESDOBRO DE TORAS EM SERRAS DE CORTES MÚLTIPLOS 
PARA OBTENÇÃO DE PEÇAS RADIAIS. A) DESDOBRO PRINCIPAL 
E RESSERRA. B) REFILO. 
 
 Tem-se ainda formas simplificadas de se desdobrar uma tora, visando-
se peças radiais. Uma maneira é secionar a tora ao meio e se realizar a resserragem 
em uma serra circular múltipla (FIGURA 70). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
72
 
FIGURA 70. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL SIMPLIFICADO COM 
POSSIBILIDADE DE RESSERRAGEM COM SERRA CIRCULAR 
MÚLTIPLA. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Outra maneira de se obter peças radiais é através da retirada de duas 
costaneiras grandes da tora, sendo uma de cada lado. O semi-bloco central é 
desdobrado de forma radial e posteriormente, as duas costaneiras restantes são 
desdobradas em uma serra circular múltipla (FIGURA 71). 
 
 
FIGURA 71. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL SIMPLIFICADO COM RETIRADA 
E RESSERRAGEM DE COSTANEIRAS, COM POSSIBILIDADE DE 
RESSERRAGEM COM SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA. FONTE: 
TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Existem ainda, formas de se obter peças radiais em alta porcentagem. 
Um destes métodos é demonstrado na FIGURA 72. Porém, este método, em função 
da dificuldade de execução, só é justificado para o desdobro de peças estritamente 
decorativas. Este método pode ser um pouco facilitado, com o uso de serras 
múltiplas nas operações de resserragem. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
73
 
FIGURA 72. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL MODIFICADO PARA OBTENÇÃO 
DE PEÇAS COM FACES RADIAIS EM ALTA PORCENTAGEM. 
FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 O sistema de desdobro radial é indicado para atenuar defeitos de 
contração tangencial. Por exemplo: na construção de tonéis e barricas, evitando a 
perda de líquidos através dos raios lenhosos, construção de instrumentos musicais, 
em função da maior ressonância e para a obtenção de aspectos decorativos da 
superfície da madeira. 
 
6.2.1.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS CORTES 
 TANGENCIAL E RADIAL 
 
ð Tangencial: 
T Aplicado para toras de qualquer diâmetro. 
T Mais simples de realizar que o corte radial. 
T Rendimento de madeira serrada por hora-máquina ou hora-homem maior. 
T Em madeiras com anéis de crescimento visíveis, se obtém uma maior 
porcentagem de peças com as superfícies apresentando desenhos parabólicos, 
angulares ou elípticos. Já no corte radial as superfícies apresentam-se com 
desenhos menos a trativos. 
T Os nós atravessam a peça obtida em sua espessura. Como consequência, 
apresentam-se nas superfícies com formas circulares ou ovais diminuindo em menor 
porcentagem a resistência mecânica da peça. 
T Peças com superfícies tangenciais apresentam uma contração menor em 
espessura. 
T A contração no sentido do comprimento é maior em superfícies tangenciais 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
74
T Em madeiras suscetíveis ao colapso, este apresenta-se em menor proporção em 
superfícies tangenciais 
T Peças com cortes tangenciais apresentam maior encanoamento 
 
ð Radial: 
T Devido às subdivisões necessárias para se obter peças com superfícies 
verdadeiramente radiais, não é aplicado para toras com diâmetros inferiores a 50 
cm. 
T Permite aproveitar as qualidades estéticas de madeiras que possuem raios 
lenhosos largos ou grã espiralada 
T Peças com superfícies radiais sofrem maior contração em espessura e menor na 
largura 
T Em espécies propensas ao colapso, este é mais frequente e mais marcante em 
peças radiais 
T Em geral, peças radiais são mais estáveis durante a secagem 
T Peças radiais não permitem a passagem de líquidos 
 
6.2.2 SISTEMAS DE DESDOBRO EM RELAÇÃO 
 AO EIXO LONGITUDINAL DA TORA 
 
6.2.2.1 CORTE PARALELO AO EIXO LONGITUDINAL DA TORA 
 
 Toda tora apresenta uma certa conicidade. Quando se desdobra uma 
tora paralelamente ao eixo da mesma, esta diferença entre os diâmetros (ponta 
grossa e ponta fina), origina costaneiras em forma de cunha. No final do corte, a 
peça central apresenta faces paralelas contendo a medula e a madeira adjacente à 
mesma (FIGURA 73). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
75
 
FIGURA 73. SISTEMA DE DESDOBRO PARALELO AO EIXO LONGITUDINAL DA 
TORA. FONTE TUSET & DURAN, 1979. 
 
 
6.2.2.2 CORTE PARALELO À CASCA 
 
 Este tipo de desdobro é utilizado quando a madeira de melhor 
qualidade encontra-se logo abaixo da casca. Por esta razão são realizados os cortes 
paralelos à casca. Tem-se como resultado que após alguns cortes a peça adquire 
um formato de tronco piramidal, constituída de madeira de segunda qualidade 
(FIGURA 74). Ao se realizar cortes paralelos à casca, o serrador deve estar atento 
às outras faces da tora. Isto evita que cortes numa face prejudiquem as outras faces, 
que poderão conter madeira igual ou de melhor qualidade. 
 
 
FIGURA 74. SISTEMA DE DESDOBRO PARALELO À CASCA. FONTE: TUSET & 
DURAN, 1979. 
 
 
ð Outros usos do corte paralelo à casca: 
 
 T Toras atacadas por fungos ou insetos 
 T Retirada de alburno da tora 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
76
6.2.3 CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A CONTINUIDADE DOS CORTES 
 
 
 
ð Cortes sucessivos ð sistema mais comum. Consiste na realização de cortes 
paralelos entre si. Pode ser denominado sanduíche. 
 
ð Cortes simultâneos ð realização de dois ou mais cortes de uma vez com a 
utilização de serras múltiplas. Recomendado para evitar ou diminuir 
manifestações de tensões de crescimento em espécies de rápido crescimento 
(FIGURA 75). 
 
ð Cortes alternados ð em relação ao eixo longitudinal da tora. Depois de um ou 
mais cortes sucessivos ou simultâneos em uma metade da tora, esta é girada e 
segue-se um número igual de cortes na metade oposta. Pode substituir o sistema 
de cortes simultâneos, com o objetivo de diminuir a manifestação de tensões de 
crescimento (FIGURA 76). 
 
 
FIGURA 75. SISTEMAS DE DESDOBRO ATRAVÉS DE CORTES 
SIMULTÂNEOS. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 
FIGURA 76. SISTEMA DE DESDOBRO ATRAVÉS DE CORTES 
ALTERNADOS. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
77
6.2.4 DESDOBRO DE TORAS COM DEFEITOS 
 
 Os defeitos mais comuns encontrados em toras são sinuosidade, 
rachaduras e apodrecimento de cerne e alburno. No caso de sinuosidade, se esta 
for excessiva, deve-se reduzir o comprimento da tora, a fim de que o efeito da 
mesma seja minimizado. Se for pequena, efetua-se o corte tangencial normalmente. 
 No caso de rachaduras deve-se realizar cortes tangenciais paralelos às 
rachaduras ou à maior delas. (FIGURA 77). 
 
 
FIGURA 77. DESDOBRO DE

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.