A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
128 pág.
Técnicas e Planejamento de Serrarias

Pré-visualização | Página 5 de 22

Curso do quadro 75 a 90 cm 
Velocidade média das lâminas 3 a 4 m/s 
Velocidade de corte 1 a 5 mm/s 
Número de lâminas uma 
Tipo de madeira 
madeiras duras e de 
grandes dimensões 
Potência necessária 10 a 20 HP 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
15
3.1.4 SERRA ALTERNATIVA TISSOT 
 
 
 
 A serra de quadro do tipo tissot também é uma serra dotada de 
movimento alternativo vertical e difere das serras colonial e francesa quanto ao 
número de lâminas e pela maneira de aproximação do quadro. Como a serra 
horizontal, possui apenas uma lâmina e a peça a ser serrada aproxima-se 
externamente ao quadro. Foi utilizada também para desdobro de toras de grandes 
dimensões e madeira dura, principalmente no Estado de Santa Catarina. 
 
 
3.2 SERRAS DE FITA 
 
 
 
 A serra fita é constituída essencialmente de uma lâmina contínua de 
aço tensionada por dois volantes. Este equipamento tem como principais vantagens: 
a) a grande velocidade de corte, proporcionada pela forma da lâmina, que permite 
um corte contínuo a uma velocidade constante; b) pouca perda de madeira devido à 
pequena espessura das lâminas, proporcionando um fio de corte estreito; c) a 
versatilidade, pois com uma mesma máquina pode-se desdobrar toras de grandes e 
pequenos diâmetros e madeiras moles e duras, o que a faz a mais utilizada em 
serrarias com variação de diâmetros e espécies; d) têm possibilidade de boa 
produção com pouco consumo de energia; e) a velocidade de corte pode ultrapassar 
150m/min., com potência variando de 20 a 300 HP. As lâminas têm espessura e 
largura variáveis de 0,8 x 100 mm até 3 x 415 mm o que resulta num fio de corte de 
1,1 a 4,5 mm, para dentes travados por recalque e de 1,2 a 5,4 mm, para dentes 
travados por torção. As serras de fita têm como desvantagens a dificuldade de 
manutenção e montagem. 
 Os diâmetros dos volantes variam de 0,80m a 2,00m. Podem 
eventualmente ser maiores em casos excepcionais. O volante inferior é mais pesado 
(100 a 600 Kg), pois é aplicado nele a força motriz. Este grande peso serve como 
um reservatório de energia cinética, o que impede que a lâmina perca velocidade 
quando forçada. O volante superior é muito mais leve. A distância entre os dois 
volantes pode ser regulada de acordo com o comprimento da lâmina, através do 
afastamento ou aproximação do volante superior como necessário. A serra de fita 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
16
possui um contra peso na extremidade de uma alavanca para o tensionamento ideal 
da lâmina, o que lhe dá a rigidez necessária para serrar. Além disso, este contra 
peso permite que o volante baixe ligeiramente quando a serra recebe um choque, 
aliviando momentaneamente o esforço, evitando o rompimento da serra. 
 Quando a serra fita é utilizada em desdobro principal, a tora pode ser 
presa a um carrinho móvel que a leva de encontro à serra a uma velocidade de até 
60 m/min, com controle automático ou manual (FIGURA 11). 
 
FIGURA 11. DIAGRAMA TRANSVERSAL DE UMA SERRA DE FITA COM 
CARRO PORTA TORAS. FONTE: MENDES (2002). 
 
 Entre as muitas variações das serras de fita, as principais são: serra 
fita simples, serra fita simples de corte duplo, serra fita dupla ou geminada, serra fita 
tandem, serra fita quádrupla, serra fita de reaproveitamento e serra fita horizontal. 
 
 
3.2.1 SERRA FITA SIMPLES 
 
 
 
 Este tipo de serra é o mais difundido entre as pequenas serrarias para 
desdobro principal. Consiste de uma única máquina com um carro porta toras a qual 
executa um só corte a cada avanço do carro (FIGURA 12). No retorno do carro, a 
serra não corta, caracterizando o que se chama de recuo morto. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
17
 
FIGURA 12. SERRA FITA SIMPLES (METALÚRGICA SCHIFFER S.A.) 
 
Para desdobro de madeira tropical, onde existe uma grande 
variabilidade de espécies e dimensões das toras, o único equipamento capaz de 
executar com eficiência o desdobro principal é a serra fita. Na Amazônia, todas as 
serrarias dispõem deste equipamento com volantes de 2 m ou mais e carros 
capazes de comportar toras com mais de 2 m de diâmetro (FIGURA 13). 
 
FIGURA 13. SERRA FITA PARA DESDOBRO DE TORAS DE GRANDES 
DIÂMETROS, COM GARRAS DE AVANÇO INDEPENDENTES. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
18
O carro porta toras de uma serra fita normal dispõe de 3 ou 4 garras, 
onde a tora é fixada. Estas garras, chamadas também de gatos ou em inglês de 
“dogs”, afastam-se ou aproximam-se da serra em conjunto. Desta maneira, os cortes 
realizados na tora são paralelos ao seu eixo longitudinal. Nos grandes carros para 
desdobro de madeira tropical, as garras movimentam-se independentemente umas 
das outras (FIGURA 14). Consequentemente é possível avançar a tora de encontro 
com a serra em diagonal, o que permite a realização de cortes paralelos à casca. 
Este tipo de desdobro é muito realizado na obtenção de pranchões para a indústria 
de faqueados. 
 
FIGURA 14. CARRO PORTA TORAS COM TRÊS GARRAS DE AVANÇOS 
INDEPENDENTES. FONTE: MENDES(2002). 
 
 Existem diversas adaptações e variações nas serras de fita, que visam 
a utilização da serra em casos especiais. Um exemplo característico é o uso de 
serra fita com barra de pressão para o desdobro de madeiras com fortes tensões de 
crescimento (FIGURA 15). Esta serra é muito utilizada para o desdobro de toras de 
eucalipto, onde a tora passa contra a serra e a peça serrada é pressionada por uma 
barra lateral, que tem a finalidade de auxiliar na redução de empenamentos e 
rachaduras. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
19
 
FIGURA 15. SERRA FITA SIMPLES COM BARRA DE PRESSÃO AUXILIAR PARA 
DESDOBRO DE MADEIRA COM TENSÃO DE CRESCIMENTO. 
 
 Outro exemplo de variação nas seras de fita, são as serras que 
permitem cortes com variação de ângulo, as quais são muito úteis na produção de 
pranchões para obtenção de lâminas faqueadas (FIGURA 16). 
 
 
OPÇÕES DE ÂNGULOS 
 
FIGURA 16. SERRA FITA SIMPLES PARA DESDOBRO DE BLOCOS EM 
ÂNGULO. FONTE: EWB (2002). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
20
3.2.2 SERRA FITA DE CORTE DUPLO 
 
 
 
 Este tipo de serra executa um corte no avanço do carro porta toras e 
um outro corte no retorno do carro (FIGURA 17). Para tal, a serra dispõe de dentes 
nas duas bordas. Este equipamento tem a vantagem de evitar o recuo morto do 
carro porta toras. Tem como desvantagens, a dificuldade de afiação da serras, pois 
a maioria dos equipamentos para afiação são adaptados para afiar serras com uma 
só borda denteada, não são indicadas para madeiras duras e têm a necessidade de 
um equipamento para manejar e retirar a peça cortada no retorno do carro. 
 
FIGURA 17. SERRA FITA DE CORTE DUPLO. FONTE: TUSET & DURAN, 
1979. 
 
 
3.2.3 SERRA FITA DUPLA OU GEMINADA 
 
 A serra fita dupla ou geminada, consiste em duas serras de fita 
disposta uma de frente para a outra, o que permite a execução de dois corte 
simultâneos (FIGURAS 18 E 19). Este equipamento é utilizado em serrarias de 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
21
maior porte para a transformação de toras em semi-blocos ou blocos, para posterior 
resserragem em outros equipamentos. 
 
FIGURA 18. ESQUEMA TRANSVERSAL DE UMA SERRA FITA GEMINADA. 
FONTE: EWD (2002). 
 
 
FIGURA 19. SERRA FITA DUPLA OU GEMINADA (MOOSMAYER 
EQUIPAMENTOS LTDA). 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
22
3.4 SERRA FITA TANDEM 
 
 Esta serra é compostas por duas serras fitas simples, dispostas uma 
atrás da outra. A primeira serra é fixa e a segunda, posicionada logo após é móvel, 
deslocando-se para a frente dando a bitola desejada ao corte (FIGURAS 20 e 21). A 
tora vem de encontro à primeira serra a qual inicia um primeiro corte. Logo após

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.