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prévios? Isso mesmo, nós usamos recursos de decodificação como uma das estra-
tégias, mas não é a mais importante. Precisamos entender bem esta situação e aproveitá-la para 
o ensino da leitura. Durante o ato de ler, não precisamos decifrar ou decodificar todas as letras, 
pois usamos outros recursos. E quais são eles? Mobilizamos estratégias de seleção, antecipação, 
decodificação, inferência, predição e checagem (SMITH, 1999). 
Estas estratégias são as habilidades desenvolvidas por nós. São os procedimentos que se consti-
tuem nas capacidades para se processar qualquer tipo de leitura. O que isso significa na prática? 
Que nós as aprendemos e elas tornam-se fundamentais para uma leitura significativa.
Parece muita coisa? Calma! Vamos entender melhor sobre esses procedimentos de leitura? 
Acompanhe-nos!
•	 Decodificação: considerada por muitos como o ato de leitura, atualmente, volta ao seu 
significado original, que é a decifração do código. 
•	 Predição: capacidade de antecipar-se ao texto, à medida que vai processando a sua 
compreensão. Também chamada, por isso, de antecipação, pois neste ato de previsão, 
deduz-se por antecipação e por meio da lógica que o conteúdo oferece. Se não 
entendermos, não será leitura. 
•	 Seleção: habilidade de selecionar apenas os índices relevantes para a compreensão e 
propósitos da leitura. Muitos trechos conhecidos, previamente, tornam-se destaques para 
deduções e conclusões. 
•	 Inferência: completa a informação utilizando as suas competências linguística e 
comunicativa, o seu conhecimento conceitual e seus esquemas mentais ou conhecimentos 
prévios. Na verdade, é a hipótese que você levanta a partir da seleção.
•	 Confirmação: verificar se as predições e as inferências estão certas ou se precisam ser 
reformuladas. Também pode ser chamada de verificação das hipóteses levantadas.
•	 Correção: uma vez não confirmada a predição, o leitor retrocede no texto a fim de levantar 
outras hipóteses, buscando outras pistas, sempre na tentativa de encontrar sentido no que 
lê. Isto é, faz a reformulação das hipóteses ou revisão.
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Alfabetização e Letramento
No livro Compreendendo a leitura: uma análise psicolinguística da leitura e do apren-
der a ler, o autor, Frank Smith, explica-nos que, assim como a criança aprende a ler 
com pessoas que utilizam-se de uma linguagem falada e que tem significado para 
elas, a leitura e a escrita também devem ser ensinadas com textos significativos e con-
textualizados, isto é, que têm relação com a realidade das crianças. Este livro não é 
um manual do tipo ‘como fazer’, mas é um texto revelador, com bases científicas. Ele é 
muito importante para a reflexão de suas práticas alfabetizadoras. Leia!
VOCÊ QUER LER?
Como uma prova de que a decodificação das palavras – quando isolada do sentido dado pela 
interação do leitor com o texto e com os conhecimentos prévios vindos do mundo que o cerca 
(cultura) – pode-se perceber que, ainda que decifráveis, as palavras são ininteligíveis. 
Porém, você sabia que a decodificação e a codificação das palavras foram, por muito tempo, a 
base dos métodos de ensino de alfabetização escolar?
O texto a seguir, de autoria desconhecida e também muito comum nas redes sociais, é útil para 
nos fazer compreender o problema da prática de codificação e decodificação das palavras:
Isabel esticurava um po e o artamunia a Carmen.
Alberto não pintalucava pos ni tenas, porque Isabel e Carmen custoniam nipas. 
Agora responda as perguntas:
•	 Quem	esticurava um po? 
•	 Por	que	Alberto	não	pintalucava pos ni tenas? 
•	 O	que	Isabel	e	Carmen	custoniam?	
VOCÊ QUER VER?
O vídeo Olhar da Universidade de São Paulo (USP) sobre os métodos de alfabetização 
trata, criticamente, sobre os métodos de alfabetização e vale muito a pena assistir. No 
vídeo, os professores trazem o olhar da USP sobre o uma discussão de quase um sé-
culo. Assista! Disponível em: < http://iptv.usp.br/portal/video.action?idItem=3061>. 
Acesso em 15 out. 2015.
No exemplo anterior, você percebeu que saber sonorizar letras não significa saber ler, não é 
mesmo?
No ensino da leitura, dava-se prioridade para esta prática de decodificação, pois também se 
pensava que a escrita era um ‘código’, isto é, a transcrição das unidades sonoras em grafia (co-
dificação), como se alguém tivesse predeterminado as letras em relação aos sons. 
Porém, tanto o construtivismo quanto o socioconstrutivismo já haviam defendido que a escrita é 
um sistema de representação de signos e significados. 
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Há quem diga que as concepções construtivistas e socioconstrutivistas, bem como a progressão 
continuada, seriam as responsáveis pelo fracasso escolar. Mas será? Segundo Micotti (2009, p. 26), 
essas suposições levam a entender que práticas apoiadas no construtivismo ou socioconstrutivismo 
teriam sido realmente aplicadas. Mas isso é muito questionável. Será que os professores realmente 
adotaram práticas pedagógicas com base em concepções construtivistas ou socioconstrutivistas?
A seguir, vamos conhecer um pouco do socioconstrutivismo ou a abordagem sócio-histórica, e 
suas implicações no âmbito da educação para compreender a escrita como um sistema simbólico 
de representação da linguagem. Vamos lá!
2.2 O Socioconstrutivismo
Acreditamos que você já percebeu como as nossas experiências, relações sociais e a cultura ao 
nosso redor influenciam nossa visão do mundo, assim como nossa relação com a linguagem 
falada e a linguagem escrita, não é mesmo? Pois é justamente nesta ideia que Vygotsky situa 
o desenvolvimento cognitivo: em uma dimensão sócio-histórica. A psicologia sócio-histórica, 
fundada por Vygotsky, também é denominada de socioconstrutivismo, diferenciando-se, assim, 
do termo construtivismo de Jean Piaget. O que isto significa? A partir deste item, seguiremos a 
compreensão disso, pois consideramos essencial para o entendimento do desenvolvimento da 
escrita na criança. Vamos?
2.2.1 Compreendendo a abordagem socioconstrutivista
Todo o funcionamento psíquico vai constituindo-se por meio das interações sociais que as pes-
soas estabelecem no decorrer de suas vidas, determinadas pela cultura e localizadas em uma 
época. Por exemplo? Quando a criança nasce, ela já encontra um mundo social, humano e não 
natural criado pelas gerações que vieram antes dela e que, aos poucos, ela mesma vai se apro-
priando conforme interage com as outras pessoas.
Nesse processo interativo, as reações naturais – herdadas biologicamente – de respostas 
aos estímulos do meio (tais como a percepção, a memória, as ações reflexas, as reações 
automáticas e as associações simples) entrelaçam-se aos processos culturalmente organizados 
e vão transformando em modos de ação, de relação e de representação caracteristicamente 
humanos (FONTANA; CRUZ, 2007, p. 57-58).
Com base no materialismo-histórico e dialético, Vygotsky defende que as pessoas transformam o 
meio por meio do trabalho, assim, produzindo cultura. Então, ao mesmo tempo em que produz 
cultura, ela também se transforma. Ou seja, existe uma relação de mão dupla: por meio da in-
teração entre a pessoa e o meio é que ambos são transformados. É muito importante dizermos 
que, esta visão de humano, é de um ser ativo, que age sobre o meio.
Você já pensou que por traz de toda teoria psicológica existe uma base filosófica e 
ideológica e que o conhecimento não é neutro? Sim! Por exemplo, para compreender o 
desenvolvimento das funções psicológicas superiores, tais como a memória, a atenção, 
a percepção, a função simbólica, assim como o desenvolvimento da escrita, Vygotsky 
e seus colaboradores baseiam-se na filosofia do materialismo histórico e dialético, de 
Marx e Engels, para estruturar suas pesquisas. 
VOCÊ SABIA?
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Alfabetização e Letramento
E para Vygotsky, onde