Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz - C S Lewis
216 pág.

Cartas de Um Diabo a Seu Aprendiz - C S Lewis


DisciplinaConhecimento Geral113 materiais285 seguidores
Pré-visualização32 páginas
C. S. Lewis nasceu na lrlanda, em 1898. 
Em 1954, tomou-se professor de 
Literatura Medieval e Renascentista em 
Cambridge. Foi ateu durante muitos anos 
e e converteu em 1929. Essa experiência 
o ajudou a entender não somente a 
indiferença como também a indispo ição 
de aceitar a religião; e, como autor 
cri tão, com ua mente excepcionalmente 
lógica e brilhante e seu estilo vivo e 
lúcido, ele foi incomparável. Suas obras 
são conhecidas, em tradução, por 
milhões de pessoas no mundo inteiro. 
Escreveu também livros de ficção 
cient ífica, de crítica literária e para 
crianças. Entre estes estão As crônicas de 
Námia, sucesso mundial, publicadas no 
Brasil pela Editora WMF Martins Fontes. 
C. S. Lewis morreu em 22 de novembro 
de 1963, em sua casa em Oxford, 
Inglaterra. 
Capo Kou. llarum1 T......W. 
lmo'°&quot;&quot; Tim< & Llí< P,.;r~ 1-
e. S. LEWIS 
CARTAS DE UM DIABO 
A SEU APRENDIZ 
Tradução 1 Juliana Lemos 
Revisão da tradução 1 Frederico Ozanam Pessoa de Barros 
Revisão técnica 1 Geuid Dib Jardim 
wmf martinsfontes 
SÃO PAULO 2009 
Esta obra foi publicada originalmente em inglês com o título 
THE SCREWTAPE LETTERS, por Harper Collins. 
Copyright © C. S. Lewis Pte Ltd 1942. 
Copyright© 2005, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 
São Paulo, para a presente edição. 
1! edição 2005 
2! edição 2009 
Tradução 
JULIANA LEMOS 
Revisão da tradução 
Frederico Ozanam Pessoa de Barros 
Revisão técnica 
Geuid Dib jardim 
Acompanhamento editorial 
Luzia Aparecida dos Santos 
Revisões gráficas 
Maria Regina Ribeiro Machado 
Maria Fernanda Alvares 
Dinarte Zorzanelli da Silva 
Produção gráfica 
Geraldo Alves 
Paginação/Fotolitos 
Studio 3 Desenvolvimento Editorial 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (QP) 
(Cãmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Lewis, C. 5., 1898-1963. 
Cartas de um diabo a seu aprendiz / C. S. Lewis; tradução 
Juliana Lemos ; revisão da tradução Frederico Ozanam Pes-
soa de Barros; revisão técnica Geuid Dib Jardim. - 2~ ed. -
São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. 
Título original: The Screwtape letters. 
ISBN 978-85-7827-lll-4 
1. Cristianismo - Século 20 2. Espiritualidade 3. Religião 
1. Título. 
09-01874 
Índices para catálogo sistemático: 
1. Cristianismo : Religião 230 
Todos os direitos desta edição reservados à 
Livraria Martins Fontes Editora Ltda. 
CDD-230 
Rua Conselheiro Ramalho, 330 01325-000 São Paulo SP Brasil 
Tel. (11) 3241.3677 Fax (11) 3101.1042 
e-mail: info@wmfmartinsfontes.com.br http://www.wmfmartinsfontes.com.br 
Para ]. R. R. Tolkien 
&quot;O melhor método para expulsar um demônio, 
se ele não ceder aos textos das Escrituras, 
é ridicularizá-lo, zombar dele, 
pois ele não suporta o escárnio.&quot; 
LUTERO 
&quot;O diabo ( ... ) o espírito orgulhoso ( ... ) 
não tolera ser motivo de chacota.&quot; 
THOMAS MORE 
1 Prefácio 1 
Não tenciono explicar aqui como caiu em minhas 
mãos a correspondência que ora ofereço aos leitores. 
Há dois erros semelhantes mas opostos que os se-
res humanos podem cometer quanto aos demônios. Um 
é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar 
que eles existem e sentir um interesse excessivo e pouco 
saudável por eles. Os próprios demônios ficam igualmen-
te satisfeitos com ambos os erros, e saúdam o materia-
lista e o mago com a mesma alegria. Os documentos 
contidos neste livro podem ser obtidos facilmente por 
qualquer pessoa capaz de aprender o truque; mas não 
o ensinarei às pessoas de má índole ou muito voláteis, 
as quais podem fazer mau uso da prática. 
IX 
1 C S. Lewis 1 
Aconselhamos nossos leitores a nunca esquecer 
que o diabo é um mentiroso. Nem tudo o que Fitafu-
so diz deve ser considerado verdadeiro, mesmo do seu 
próprio ponto de vista. Não tentei identificar quem são 
os seres humanos mencionados nas cartas; mas acho 
bem pouco provável que sejam totalmente verossímeis 
as descrições, por exemplo, do Pe. Spike ou da mãe do 
paciente. Há otimismo excessivo tanto no Inferno como 
na Terra. 
Para encerrar, devo dizer que não procurei averi-
guar a cronologia das cartas. A de número 17 parece ter 
sido escrita antes de o racionamento da guerra ficar mais 
rigoroso; mas, em geral, o método diabólico de datar es-
tas cartas parece não ter nenhuma relação com o tempo 
terrestre, e nem sequer tentei reproduzi-lo. A história da 
guerra na Europa, exceto quando ocasionalmente pro-
duziu algum efeito nefasto sobre a condição espiritual 
deste ou daquele ser humano, obviamente não interes-
sava nem um pouco a Fitafuso. 
X 
C. S. LEWIS 
MAGDALEN COLLEGE 
5 de julho de 1941 
1 1 1 
Querido Vermebile, 
Compreendo o que você diz sobre guiar o seu pa-
ciente em suas leituras e também fazer de tudo para que 
ele sempre tenha encontros com o tal amigo materia-
lista. Mas será que você não está sendo um pouco ingê-
nuo? Parece que você vê a argumentação como o me-
lhor método para mantê-lo afastado das garras do Inimi-
go. Talvez fosse esse o caso se ele tivesse vivido alguns 
séculos atrás. Naquela época, os humanos sabiam mui-
to bem quando algo era provado logicamente ou não; 
em caso afirmativo, simplesmente acreditavam. Ainda 
não dissociavam seus pensamentos de suas ações. Esta-
J C. S. Lewis J 
vam dispostos a mudar o modo como viviam a partir 
das conclusões tiradas de uma certa cadeia de raciocí-
nio. Mas, com a imprensa semanal e outras armas seme-
lhantes, conseguimos alterar tudo isso. O seu paciente 
sempre foi acostumado, desde criança, a ter uma deze-
na de filosofias incompatíveis dentro de sua cabeça. Ele 
não classifica doutrinas basicamente como &quot;verdadei-
&quot; &quot;f: 1 &quot; \u2022 (( d&quot; \u2022 &quot; . &quot; I \u2022 &quot; ras ou a sas , e sim como aca emicas ou praticas , 
&quot;antiquadas&quot; ou &quot;contemporâneas&quot;, &quot;convencionais&quot; ou 
&quot;cruéis&quot;. O jargão, e não a argumentação, é o seu me-
lhor aliado para afastá-lo da Igreja. Não desperdice seu 
tempo tentando fazê-lo pensar que o materialismo é 
verdadeiro. Faça-o pensar que é algo sólido, ou óbvio, 
ou audaz - enfim, que é a filosofia do futuro. É com 
esse tipo de coisa que ele se importa. 
O problema da argumentação é que ela leva a ba-
talha para o campo do Inimigo. Ele também pode ar-
gumentar. Mas, graças ao tipo de propaganda realmen-
te prática que sugiro, durante séculos foi possível pro-
var que Ele é inferior a Nosso Pai nas Profundezas. Pelo 
próprio ato de argumentar, você desperta a razão de 
nosso paciente; uma vez desperta, como saberemos o 
que daí poderá resultar? Mesmo se uma cadeia de pen-
samentos puder ser distorcida a nosso favor, você logo 
descobrirá que fortaleceu no seu paciente o hábito fatal 
de atentar para questões universais e ignorar o fluxo de 
2 
1 Cartas de um diabo a seu aprendiz 1 
experiências sensoriais imediatas. O seu dever é fazer com 
que ele fixe a atenção nesse fluxo. Ensine-o a chamá-lo 
de &quot;vida real&quot;, e não o deixe indagar-se sobre o que você 
quer dizer com &quot;real&quot;. 
Lembre-se: ele não é, como você, um espírito puro. 
Como você jamais foi humano (ah, que vantagem abo-
minável do Inimigo sobre nós!), não se dá conta do 
quanto são escravos das coisas mundanas. Certa vez tive 
um paciente, um ateu convicto, que tinha o hábito de 
ler no Museu Britânico. Certo dia, enquanto lia, vi que 
em sua mente um pensamento tentava levá-lo para o 
caminho errado. O Inimigo, é claro, estava ao seu lado 
nesse momento. Num piscar de olhos, vi todo o traba-
lho que me tomou vinte anos começar a ruir. Se tivesse 
perdido a cabeça e tentado ganhar pela argumentação, 
talvez tivesse sido derrotado. Mas não fui tão estúpido. 
Imediatamente ataquei a parte do homem que melhor 
controlava - sugeri que já estava na hora de almoçar. 
Talvez o Inimigo também tenha feito uma contrapro-
posta (você sabia que não é possível ouvir nitidamente 
o que Ele