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243 QUESTOES COMENTADAS DE SERVIÇO SOCIAL PELOS PROFESSORES DO QC

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(Planejamento Social: intencionalidade e instrumentalidade, 2ª edição, editora: Veras, São Paulo, 2007). Esta etapa, da planificação, ocorre após a tomada das decisões, definidas considerando o contexto sócio-histórico e da instituição em que se atua. Assim, tem-se início a organização das atividades e das ações fundamentais que possibilitem atingir os resultados previstos. Nesse momento, as decisões são sistematizadas e expostas minuciosamente em documentos, que conforme a autora, encontram-se em níveis decrescentes de decisão, sendo eles: planos, programas e projetos. O plano, que é o documento mais importante no momento para respondermos à questão, diz respeito a toda a estrutura organizacional, isto é, ele possui um âmbito de abrangência maior com relação aos demais documentos (programas e projetos). É no plano que são organizados os objetivos e as metas, bem como observado a viabilidade e a compatibilidade dos mesmos. As estratégias também devem estar contidas nos planos, e para Baptista (2007), elas devem ser bem explicitadas, justificadas e operacionais, para que de fato possibilitem a exequibilidade do plano e o consentimento dos grupos e órgãos envolvidos. O plano também apresenta os estudos, análises situacionais ou diagnósticos, nos quais devem ser explicitados os principais pontos inerentes ao problema, além do conhecimento e dados acerca do mesmo, identificando os pontos a serem contemplados. Portanto, a alternativa correta é a letra D. Também é possível encontrar, na íntegra, o disposto na alternativa correta no texto de Joaquina Barata Teixeira (Formulação, administração e execução de políticas públicas. In: Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais, Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009). É importante salientar, segundo Teixeira (2009), que o Plano, o Programa e o Projeto, nada mais são do que meios através dos quais o Planejamento se expressa.
Um casal está inscrito no Cadastro Nacional de Adoção há 11 meses, quando recebe a indicação de uma criança, segundo o perfil escolhido, para, em caso de aceitação, dar início aos procedimentos da adoção. Ocorre que durante esse período o casal se separou, e a requerente, ao dar conhecimento da situação à assistente social da Vara da Infância e Juventude, informa que seu desejo pela adoção está mantido e que, embora o ex-marido tenha desistido do projeto, tem plenas condições de assumir sozinha os deveres da maternidade. Acrescenta que a separação em nada afetou seu desejo de ser mãe e que, tendo conhecido a criança indicada, já o sente como filho, razão pela qual solicita que seja iniciado o processo de adoção. 
Mediante os novos fatos, a assistente social responsável pelo caso adota as seguintes providências:
Parte superior do formulário
 a)
informa ao juiz os fatos que configuram a presente situação da requerente, através de relatório circunstanciado no qual sugere sua inclusão no próximo curso preparatório para adoção, conforme dispõe a Lei Nacional de Adoção (Lei nº 12.010/09) nos casos em que seja interesse da pessoa manter-se no Cadastro de Adotantes;
 b)
emite relatório circunstanciado ao juiz sobre a presente situação da adotante, informando que, tendo em vista as substanciais mudanças na vida familiar do casal cadastrado, providenciará sua exclusão do Cadastro de Adotantes, bem como a indicação do adotando ao próximo casal ou pessoa constante do referido cadastro;
 c)
informa ao Ministério Público a situação em presença, sugerindo a manutenção da requerente no Cadastro de Adotantes e a consequente abertura do processo de adoção da criança indicada, tendo em vista que a separação de casais não compromete o exercício da maternidade;
 d)
informa ao juiz a nova situação da adotante, através de relatório no qual sugere que o caso seja remetido à Equipe Técnica do Juízo para atualização dos estudos técnicos, com vistas a verificar se a separação do casal comprometeu de algum modo os requisitos que atestem a compatibilidade da postulante à adoção com a natureza da medida;
 e)
suspende os procedimentos relativos à entrega da criança e orienta a adotante a procurar a Defensoria Pública, já que a Lei Nacional de Adoção (Lei nº 12.010/09) é omissa quanto a mudanças na configuração familiar que foi objeto das avaliações realizadas durante o processo de habilitação para adoção.
A separação de um casal que deu início ao processo de adoção, por si só, não constitui medida para que um deles ou mesmo o casal, não continuem o processo. Na lei 12.010, em seu Art. 42, § 4º, está esclarecido que os casais divorciados e separados podem, inclusive, adotar conjuntamente caso o estágio de convivência já tenha sido iniciado antes da separação; haja consenso entre o casal sobre a guarda e o regime de visitas, e que seja comprovada que há ligação afetiva e de afinidade entre aquele não detentor da guarda e o adotando, visto ser essa medida excepcional e a adoção irrevogável. Na situação descrita na questão, considerando que a adotante manifestou vontade de continuar com o processo, cabe ao assistente social informar ao juiz a nova situação em que se encontra a adotante para que seus dados sejam atualizados e verificar junto à equipe técnica e também a adotante se essa nova situação realmente não interfere no interesse de prosseguir com a adoção. Deve-se compreender que a adoção é medida irrevogável e o interesse superior será sempre o da criança e adolescente envolvido no processo. Destarte, qualquer informação referente aos interessados na adoção deve ser considerado e analisado, de modo a verificar se isto pode ou não implicar negativamente na vida do adotando, se permanece o interesse em adotar, prevalecendo sempre os interesses e direitos do adotando.
TEXTO 2 - Existe, atualmente, uma ampla e variada literatura sobre análise e avaliação de políticas, programas e projetos sociais.
No Serviço Social, esse debate tem início nos anos 1980, com a incorporação da Teoria Social Crítica pela profissão, e adensa-se após a promulgação da Constituição Federal de 1988, que aporta uma nova lógica para a elaboração e implementação de políticas sociais públicas. 
Nessa perspectiva, as políticas sociais “(...) devem ser entendidas e avaliadas como um conjunto de programas, projetos e ações que devem universalizar direitos” (Boschetti, 2009: 577). 
A partir do texto 2, a avaliação de políticas, programas ou projetos sociais deve priorizar:
Parte superior do formulário
 a)
os instrumentos e técnicas utilizados para instituir metas e objetivos a serem alcançados;
 b)
a identificação da concepção de Estado e de política social que determina seu resultado;
 c)
a política econômica que determina a relação custo-benefício para cada programa;
 d)
os elementos constitutivos e determinantes de sua real necessidade;
 e)
o estabelecimento de metas e a formação de equipes para monitorá-las.
Para Ivanete Boschetti (Avaliação de políticas, programas e projetos sociais. In: Serviço Social: Direitos Sociais e Competências Profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009), no que concerne à avaliação de políticas sociais (e programas e projetos), esta não deve enfatizar o conjunto de técnicas e métodos de avaliação que serão utilizados, nem a relação custo-benefício, que objetiva atender o maior número de pessoas com menor gasto de recursos possível, visto que isto não condiz com os objetivos da política social. Esse tipo de avaliação visa somente medir a intervenção do Estado, sem de fato buscar conhecer o que é o mais fundamental, de que forma tais políticas, programas ou projetos têm realmente impactado na realidade da população, se estão cumprindo com o seus objetivos de ampliar e universalizar direitos, minimizar a desigualdade social e possibilitar a equidade. Além disso, este tipo de avaliação tecnicista resulta na falta de análise crítica da função e concepção de Estado e da política social e o cumprimento de sua real finalidade. Portanto, conforme a autora, a avaliação de políticas, programas e projetos sociais deve priorizar a compreensão