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Copyright © Todos os direitos desta obra são da Escola Superior Aberta do Brasil. www.esab.edu.br Diretor Geral: Nildo Ferreira Secretário Geral: Aleçandro Moreth Diagramadores: Felipe Silva Lopes Caliman Rayron Rickson Cutis Tavares Produção do Material Didático-Pedagógico Escola Superior Aberta do Brasil Sumário 1. Apresentação ................................................................................................................5 2. Conexão Dial-Up .............................................................................................................6 3. DSL ...............................................................................................................................13 4. Cabo.................................................................... ..........................................................24 5. ISDN ..............................................................................................................................35 6. Fibra Ótica.......................................................................... ...........................................45 7. Resumo .........................................................................................................................59 8. Apresentação 1 .............................................................................................................60 9. Bluetooth ......................................................................................................................61 10. Wi-Fi .............................................................................................................................71 11. Wimax ..........................................................................................................................86 12. Satélite .........................................................................................................................96 13. Broadband over power-lines (BPL) .............................................................................108 14. Resumo 2 ....................................................................................................................116 15. Apresentação 2 ..........................................................................................................117 16. Telefonia Fixa Comutada ............................................................................................118 17. Telefonia Móvel...........................................................................................................128 18. Serviço Móvel Celular...................................................................................................139 19. Sistema de TV .............................................................................................................148 20. Rede Convergente .......................................................................................................159 21. Resumo3 ....................................................................................................................168 22. GLOSSÁRIO ..................................................................................................................169 23. BIBLIOGRAFIA .............................................................................................................170 www.esab.edu.br 4 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO E DO TUTOR OBJETIVOS GERIAS: Definir e empregar as principais formas de distribuição da informação e das tecnologias de acesso a redes de computadores e banda larga. Diferenciar os tipos de serviços de telecomunicações. EMENTA: conexão Dial-UP, DSL, Cabo, ISDN, fibra ótica, Bluetooth, Wi-Fi, WiMAX, satélite, BPL, telefonia fixa comutada, telefonia móvel, serviço móvel celular, sistema de TV e rede convergente. EIXOS TEMÁTICOS: redes de acesso com fio; redes de acesso sem fio; serviços de telecomunicações. SOBRE O TUTOR: Mestre em Informática (2015) pela UFES, Especialista em Telecomunicações e Gerenciamento de Redes pela UVV (2003) - Vitória e Bacharel em Ciência da Computação (2001) pela FAESA. Atua como Coordenador de TI e Professor da Coordenadoria de engenharia Elétrica do IFES – Campus Vitória. Possui experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Telecomunicações, Gerenciamento de Redes, Multimídia e Segurança da Informação. www.esab.edu.br 5 EIXO 1 - REDES DE ACESSO COM FIO Para iniciar os estudos, no eixo temático “redes de acesso com fio”, vamos começar conhecendo as principais tecnologias de acesso com fio, tais como: o antigo meio de acesso dial-up, os meios de acesso muito utilizados DSL e cabo, e os acesso ISDN e fibra ótica. Ao final deste eixo temático você deverá: a) Compreender o método de acesso à Internet de linha discada também conhecida como Dial-Up. b) Conhecer o funcionamento das várias tecnologias DSL. c) Conhecer os conceitos e funcionamento da tecnologia de acesso à rede, via cabo. d) Conhecer o funcionamento da tecnologia ISDN. e) Conhecer os principais conceitos, funcionamentos e tecnologias de fibra ótica. www.esab.edu.br 6 1.1 Introdução Linha discada ou simplesmente dial-up, é uma forma de acesso à Internet que usa a rede pública de telefonia comutada para estabelecer uma conexão com um Provedor de Acesso à internet através de um número de telefone para com uma linha de telefone. O computador do usuário ou roteador utiliza um modem para codificar e decodificar a informação em sinais de áudio. Segundo Tecmundo (2009), os problemas da chamada “banda estreita” eram vários: instabilidade, lentidão (velocidade máxima de 56,6 kbps), ocupar a linha telefônica e também o preço. Para se conectar à internet, você pagava o custo de uma ligação normal, ou seja, se você permanecia por 30 minutos conectado, pagaria o equivalente a uma ligação de 30 minutos. Apesar de ser a maneira pioneira de acesso à internet, a conexão discada está perdendo cada vez mais espaço, devido à massificação de acessos de banda larga, como DSL, ADSL, ligações por cabo e por rádio, entre outros tipos de conexões, e também por causa da velocidade da conexão (máximo de 56,6 kbps), que é baixíssima em relação a outros tipos de conexões. Ainda assim, a internet discada ainda é utilizada em áreas onde a banda larga não está disponível ou não é viável, enquanto a rede telefônica abrange áreas muito maiores. A linha discada também é uma alternativa de custo possivelmente menor à banda larga ou uso temporário da Internet num local. www.esab.edu.br 7 Existem meios de aumentar a velocidade da linha discada, como utilizar compressão de dados ou agregar mais linhas telefônicas. Pode-se juntar diversos modems e linhas telefônicas num mesmo computador utilizando software, como midpoint; multiplicando-se assim a velocidade pela quantidade de linhas e modens, duas linhas de 56k teriam a capacidade total de 112k, por exemplo. Apesar de ter sido usado no passado, quando não existiam alternativas, hoje em dia este método custa mais caro do que outras tecnologias. Existem também hardwares usados na compressão dos dados, que possibilitam um aumento significativo de velocidade para a navegação na internet, por exemplo. Este hardware de compressão pode tanto ser utilizado pelo usuário ou pelo próprio servidor, como faz o Netscape ISP nos Estados Unidos para atingir velocidades de até 1000 kbit/s numa linha telefônica. 1.2 Modems Os modems são os transmissores de sinais, tanto da Internet quanto de outros meios de comunicação de dados que exija um aparelho de reprodução e autentificarão dos mesmos, para entendermos um pouco mais desse tipo de dimensionamento acompanhemos esta unidade: 1.2.1 Funcionamento dos modens Os sinais digitais podem ser estudados fazendo-se a aproximação por um sinal quadrado. Quando analisamos tal sinal segundo as propriedades de Fourier vemos que eles se decompõem numa série de sinaissenoidais de frequências diferentes os quais são múltiplos de um sinal fundamental. www.esab.edu.br 8 Se aplicarmos tais sinais diretamente sobre uma linha telefônica haverá diferente resposta de atenuação relativo as diferentes frequências harmônicas que compõe o sinal. O resultado destas diferentes respostas da linha de transmissão se traduz em distorção do sinal digital transmitido. Assim o sinal recuperado no final da linha terá pouca condição de reproduzir a informação nele contida, uma vez que a alteração em seu formato irá gerar erros de interpretação nos mecanismos triggers que identificam os valores 0 e 1 do sinal digital. Esta distorção aumenta a mediada que a largura de faixa da linha de transmissão é reduzida. Este comportamento torna bastante complexa a transmissão de sinais digitais em linhas analógicas. Para resolver este problema são utilizados modems. O nome modem vem da sigla modulador / demodulador. O modem executa a transformação do sinal através de modulação, no caso de modems analógicos ou codificação no caso de modems digitais. 1.2.2 Características de especificação dos Modems • Tipo de Modulação - Os modems se classificam quanto ao tipo de modulação em Analógicos e Digitais (ou banda base). • Ritmo de transmissão - Os modems podem ser síncronos ou assíncronos • Meio de transmissão – Pode ser dedicado (leased line) ou discado (dial up) • Taxa de transmissão – representa a máxima taxa bits/s que pode ser transmitida pelo modem. www.esab.edu.br 9 • Taxa de Sinalização – representa o número de vezes em que a linha de comunicação é sinalizada. A taxa de sinalização é igual ou inferior à taxa de transmissão. A taxa de sinalização é normalmente representada em bauds. • Modo de operação – Half duplex (transmissão nos dois sentidos sem simultaneidade), Full duplex (transmissão nos dois sentidos simultânea). • Número de fios – 2W (utiliza dois fios para transmissão e recepção), 4W (utilizada quatro fios para transmissão e recepção). • Frequência de Portadora Hz - Representa a frequência do sinal que será modulado pelo Modem, e transportará a informação pela rede. 1.2.3 Modems Analógicos Os modems analógicos convertem o sinal digital em sinal analógico. A este processo dá-se o nome de modulação. Os principais tipos de modulação são: A. Modulação FSK (Frequency Shift Keying) Na Modulação FSK - modulação por chaveamento de frequência, uma sãos transmitidas pela linha dois frequência de um sinal analógico os quais são chaveados conforme o valor do sinal digital. Assim, quando temos o bit 0 utilizamos a frequência A e quando temos o bit 1 utilizamos a frequência B. Na prática as frequências A e B são 1300 Hz e 2100 Hz para um modem que opere com taxa de transmissão de 1200 bps. www.esab.edu.br 10 Como podemos ver as frequências utilizadas são inferiores a 4Khz o que permite sua perfeita propagação nas redes projetadas para o tráfego do serviço telefônico. Esta técnica de modulação permite a implementação de modems de baixo custo e baixa complexidade tecnológica. B. Modulação PSK (Phase Shift Keying) Na modulação PSK, modulação por chaveamento de fase, ao invés de termos duas frequências distintas chaveadas com base no sinal digital temos uma única portadora de frequência fixa, porém com fase variável. Assim para um sinal digital de valor 0 temos fase=0 e para um sinal digital de valo r 1 temos fase=180 graus. C. Modulação DPSK (Differential Phase Shift Keying) A Modulação DPSK, desvio diferencial de fase, atua como uma variação da PSK. Neste caso a variação de fase ocorre apenas nos bits de valor zero e não ocorre nos bits de valor 1. D. Técnicas Multinível – DIBIT,TRIBIT Nesta técnica o modulador analisa mais que 1 bit para tomar a decisão de alteração do sinal analógico. 1.2.4 Modems Digitais Quando se fala em modem digital é importante esclarecer que o conceito de modulação neste caso é seriamente afetado. Os modems digitais na verdade não modulam um sinal como no caso dos modems analógicos. O que realmente ocorre é a codificação de um sinal digital de modo que o mesmo possa ser transmitido em uma linha física. www.esab.edu.br 11 Estes modems são também conhecidos como modems Banda Base. A utilização de modems banda base implica em um meio de transmissão de curta distância (apenas alguns kilômetros) com boas características e sem a utilização de pupinização ou repetidores de frequência de voz. A grande vantagem deste tipo de modem está no menor custo uma vez que os circuitos apenas recodificam o sinal binário digital sem realizar a conversão digital-analógico-digital. Os principais métodos de codificação utilizados são: Comprimento máximo do trecho para modems Digitais O cálculo detalhado do alcance máximo do sinal de um modem digital em uma linha de transmissão deve ser considerado os seguintes fatores: • Tipo de modulação • Frequência de portadora • Nível de transmissão e recepção • Características da linha (resistência distribuída, capacitância distribuída e indutância distribuída) • Bitola da linha • Taxa de erro máximo aceita pelo projeto • Taxa de Sinalização • Taxa de transmissão www.esab.edu.br 12 De modo geral para simples referência podemos considerar os seguintes alcances: Tabela 1 - Taxa de transmissão x distância. Taxa de transmissão Distância Km 1200 bps 29 2400 bps 17,5 4800 bps 13,2 9600 bps 8,8 19200 bps 6,1 As taxas acima consideram a taxa de erro máxima como uma parte por milhão. SAIBA MAIS Para saber outras curiosidades sobre a Internet discada, acesse: http://www.garotasgeeks.com/10-coisas-que-voce-fazia-na-internet- discada https://www.tecmundo.com.br/internet/79669-internet-discada-aol-ainda- tem-2-1-milhoes-assinantes-eua.htm www.esab.edu.br 13 2.1 Introdução Com a crescente demanda por serviços de Internet, a tecnologia das conexões pelo sistema de discagem mostrava sinais de desgaste, apresentando limitações graves ao desenvolvimento do mundo online: velocidade extremamente limitada, quedas constantes de conexão e a impossibilidade de se utilizar o telefone para fazer ligações. Eliminar esses problemas, sem precisar criar novas redes de telecomunicação é a grande vantagem do DSL, uma das tecnologias de banda larga mais utilizadas atualmente. Segundo BASTOS e GARCIA (2013) “o xDSL (onde o X é uma notação genérica a qual se refere a família de protocolos para o Digital Subscriber Line), é uma técnica de comunicação projetada para coexistir com os velhos serviços de telefonia, onde a infra- estrutura e os fios de cobre nos pares trançados podem ser aproveitados para a transmissão de dados em altas taxas, sem que voz e dados se interfiram mutuamente”. A letra “x” pode representar uma das seguintes implementações: • “I”, de ISDN; • “S”, de Symmetric ou ainda Single-line-high-bit-rate; • “H”, de High-bit-rate; • “A”, de Asymmetric; • “V”, de Very-high-bit-rate. www.esab.edu.br 14 A DSL é uma família de tecnologias desenvolvida para prover serviços de dados de alta velocidade com baixo custo de implantação, utilizando pares de fios de cobre, procurando aproveitar a planta externa existente das companhias telefônicas. Esta pode ser aplicada a qualquer transmissão em formato digital, tendo como característica principal a superação das limitações conhecidas dos sistemas analógicos ao que se refere a largura de banda. (BASTOS e GARCIA, 2013) A tecnologia DSL utiliza técnicas digitais de processamento de sinais com frequências de até 2,2 MHz sem interferir na faixa de voz. Essas técnicas são capazes de otimizar a utilização da largura de banda do par metálico com velocidades que, dependendo do comprimento do par e da frequência do sinal, variam de 128 Kbps a 52 Mbps. (BASTOS e GARCIA, 2013) A Figura 1 apresenta uma arquitetura de um sistema DSL. Nela encontra-se apresentada a configuração dasredes contidas no cliente e na operadora. No cliente é possível notar a presença do divisor de linha que serve para fazer a separação entre a transmissão da voz e dos dados. Este equipamento garante que se o DSL falhar a comunicação de voz não é afetada. www.esab.edu.br 15 Figura 1 - Arquitetura ADSL. A Figura 1 também registra a presença de um modem DSL que produz pacotes Ehternet. Este equipamento pode ser conectado diretamente a um computador, roteador ou switch possibilitando atender às necessidades de uma pequena rede. No bloco, denominado operadora, o loop local proveniente de vários clientes é conectado ao facilitador principal de distribuição. Este equipamento separa o tráfego de voz do tráfego de dados direcionando o primeiro para a rede pública de telefonia e o segundo para o multiplexador de acesso DSL, que demultiplexa o fluxo e converte-o em dados conforme a tecnologia existente no switch presente na operadora, que se encarrega de distribuir os dados até os provedores de serviços de internet (do inglês Internet Services Providers - ISPs). Os tipos mais comuns de DSL em uso atualmente são: asymmetric DSL (ADSL) e o very high data rate digital subscriber line (VDSL). www.esab.edu.br 16 2.2 Arquitetura Na região entre o assinante e a central telefônica, a atual infraestrutura de transmissão de voz utilizada pelas concessionárias de serviços públicos de telecomunicações é formada por um par de fios metálicos trançados e requer uma largura de banda de 300 a 3.400 Hz. A tecnologia DSL utiliza técnicas digitais de processamento de sinais com frequências de 4 KHz até 2,2 MHz sem interferir na faixa de voz, que são capazes de otimizar a utilização da largura de banda do par metálico com velocidades. Há dois tipos de modulação para transmissões DSL, a saber: • A modulação DMT (acrônimo para Discrete Multi-Tone), que foi selecionada como padrão pela ANSI através da recomendação T1.413 e, posteriormente, pela ETSI. Ela descreve uma técnica de modulação por multi-portadoras na qual os dados são coletados e distribuídos sobre uma grande quantidade de pequenas portadoras, com cada uma utilizando um tipo de modulação analógica QAM (Quadrature Amplitude Modulation). Os canais são criados utilizando-se técnicas digitais conhecidas como Transformadas Discretas de Fourier (vide Transformada de Fourier). • A modulação CAP (acrônimo para Carrier-less Amplitude/ Phase) determina uma outra versão de modulação QAM na qual os dados modulam uma única portadora, que depois é transmitida na linha telefônica. Antes da transmissão, a portadora é suprimida e, depois, é reconstruída na recepção. www.esab.edu.br 17 2.3 ADSL Segundo Forouzan (2008) “ADSL é uma tecnologia de comunicação assimétrica desenvolvida para usuário residenciais”. A ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) é uma tecnologia que permite a transmissão de dados (acesso à Internet) em alta velocidade, utilizando uma linha telefônica normal, sem interferir com o funcionamento do telefone já existente. Esta utiliza modens e converte linhas telefônicas, em par trançado existentes em caminhos de acesso para multimídia e comunicações de dados em altas velocidades. A empresa (uma operadora de telefonia) instala um modem próprio para ADSL, que faz a conversão de dados que chegam e saem pela linha telefônica. A banda larga funciona com sinais digitais enquanto os telefones usam sinais analógicos. O splitter separa esses dois sinais e distribui para o telefone e para o computador. Isso impede que eles se misturem. Por isso a ligação não interfere no uso da internet. Veja Figura 2 como funciona na prática: Figura 2 - Ligação ADSL. www.esab.edu.br 18 Quando uma linha telefônica é usada somente para voz, as chamadas utilizam frequências baixas, geralmente entre 300 Hz e 4000 Hz. Na linha telefônica é possível usar taxas mais altas, mas elas acabam sendo desperdiçadas. De maneira simples, o que o ADSL faz é aproveitar para a transmissão de dados as frequências que não são usadas. Utilizando duas frequências ao mesmo tempo, é possível usar o telefone para voz e dados ao mesmo tempo. Quando uma linha telefônica é usada somente para voz, as chamadas utilizam frequências baixas, geralmente entre 300 Hz e 4000 Hz. Na linha telefônica é possível usar taxas mais altas, mas elas acabam sendo desperdiçadas. De maneira simples, o que o ADSL faz é aproveitar para a transmissão de dados as frequências que não são usadas. Utilizando duas frequências ao mesmo tempo, é possível usar o telefone para voz e dados ao mesmo tempo. Vantagens: • A largura da banda varia muito pouco, sofrendo algumas reduções apenas nos horários de pico; • Não ocupa a linha telefônica; • Variedade na largura da banda (256 Kbps, 512 Kbps etc.) por preços acessíveis; • Bom desempenho em jogos online ou outros serviços que exijam troca rápida de informações. www.esab.edu.br 19 Desvantagens: • Sua instalação necessita a existência prévia de cabeamento telefônico; • Péssima para empresas e para servidores (de jogos ou afins), devido à velocidade limitada de upload. Em julho de 2002 foi criada a tecnologia ADSL2, que logo foi aprovada pela ITU-T como G.992.3 e G.992.4, essa variante da tecnologia de ADSL possui taxas de dowstream de até 24 Mbps e upstream de 1 Mbps, possui uma melhor modulação que o ADSL normal e possui um reordenador de tonalidades para dissipar os sinais de interferência causados pelas ondas de rádio AM para ter um melhor ganho devido a nova modulação utilizada. O primeiro ganho é a eficiência. O ADSL tradicional gasta 32Kbps de banda enquanto o ADSL2 gasta apenas 4Kbps para sinalização, deixando mais banda para a transferência efetiva de dados. Através de novos métodos de codificação, o ADSL2+ chega a até 24Mbps de banda (contra 8Mbps do ADSL normal) de download e 1 Mbps de upload (o mesmo do ADSL normal). O grupo de desenvolvedores do ADSL2+ considerou que, para o perfil de tráfego típico dos usuários ADSL, a banda de 1Mpbs de upload era suficiente, assim todo o ganho de banda foi passado para e velocidade de download. Como o ADSL2/2+ possui mais banda, o efeito positivo é que, mantendo a mesma velocidade, o ADSL possui um alcance maior. Assim, um operador de banda larga que forneça conexões de 4 Mbps, pode chegar a até 3,5 km de distância até seus usuários usando ADSL e 4Km em ADSL2/2+. www.esab.edu.br 20 Outro recurso importante dos modems ADSL2/2+ são os recursos de auto-diagnóstico: eles podem medir as características de ruído, margem de ganho (SNR) e atenuação nos dois lados da linha. Além disso o ADSL2/2+ monitora esses parâmetros continuamente e geram alarmes quando a qualidade da linha varia para patamares muitos próximos dos limites. É comum que, com o tempo, as condições de ruído e atenuação de uma linha mudem. Isso pode ocorrer lentamente por fatores como umidade, interferências eletromagnéticas, etc. Além disso fatores externos (ex.: entrada de água de chuva em alguma caixa de passagem) podem fazer esses fatores mudarem drasticamente (dias secos x dias chuvosos). Com os recursos de monitoramento e alarme é possível ao operador de banda larga tomar atitudes corretivas e preventivas. Economiza energia pois o modem para esta tecnologia foi projetado para funcionar somente quando o computador estiver em uso, ou seja, quando o computador entra em stand by o modem também entra. 2.4 HDSL A tecnologia HDSL (High-bit-rate Digital Subscriber Line) é um pouco diferente das demais tecnologias xDSL, pois essas permitem a transmissão de canais a velocidades T1 de 1,544 Mbps com dois pares de fios metálicos, ou E1 com 2,048 Mbps contendo três a distâncias de até 3 Km. Muitos fabricantes já apresentaram modems HDSL E1 para uma distância máxima de 5,5 Km e, dependendo do hardware e das características elétricas do fio,pode chegar até uns 7 Km sem repetidores. Apresentam também características simétricas, isto é, utilizam a mesma velocidade na www.esab.edu.br 21 transmissão e na recepção. (BASTOS e GARCIA, 2013) As operadoras no Brasil vêm há muito tempo utilizando o HDSL para provimento de serviços de linha dedicada de 2 Mbit/s. A qualidade deste serviço depende em grande parte da seleção do par telefônico. O risco de queima de equipamento por incidência de raios é uma das desvantagens desta tecnologia em regiões tropicais como grande parte do Brasil. (BASTOS e GARCIA, 2013) Um maior alcance na transmissão é conseguido devido a redução da taxa de símbolos no sinal da linha, sendo esse executado em duas etapas: primeiro o sinal de 2Mbits /s é dividido em duas vias resultando na metade de bits por via, em seguida, esses sinais são recodificados com um código quaternário o 2B1Q (dois binários e um quaternário) resultando assim uma taxa de baud por via menor que a taxa do sinal de entrada original. Dessa forma, uma menor taxa em baud carreta numa atenuação menor por quilômetro, consequentemente um maior alcance. (BASTOS e GARCIA, 2013) Por empregar técnicas de modulação mais eficientes do que as usadas nos modens banda base, o uso de HDSL permite comunicação relacionando velocidades / distância sempre superiores as utilizadas nos modens banda base. Por exemplo, para velocidades de 2 Mbps, via codificação AMI, são necessários repetidores a cada 1,5 km; já com HDSL é possível nessa mesma comunicação um alcance de até 12 km sem a necessidade de repetidores. (BASTOS e GARCIA, 2013) Além da utilização como meio de transporte de linhas telefônicas canalizadas (troncos E1), as tecnologias HDSL são amplamente empregadas em soluções de conectividade de redes (conectividade www.esab.edu.br 22 LAN-to-LAN, para aplicações busines-tobusines). Estas soluções incluem as conexões de redes entre edifícios próximos, em condomínios, em campus de universidade ou como parte integrante de soluções de acesso à Internet para essas instalações. (BASTOS e GARCIA, 2013) Figura 3 - Conexão entre redes locais utilizando HDSL. 2.5 VDSL O VDSL (Very High Data Rate DSL) é um serviço projetado para uso em enlaces curtos, até 1,22 km, sendo 0,3 km o comprimento mais frequente. Ele utiliza multiplexação por divisão de frequência (do inglês Frequency Division Multiplexing - FDM) para fornecer três canais de upstream e um canal de downstream. O VDLS suporta operação entre as frequências de 0,3 MHZ e 30 MHz. Esta tecnologia é compatível com Integrated Services Digital Network (ISDN), Plain Old Telephone Service (POTS) e com o ADSL. A Tabela 2 resume as principais características do VDSL. www.esab.edu.br 23 Tabela 2- Principais características do VDSL. Tipo Comprimento máximo do loop local (km) Taxa máxima de downstream (Mbps) Taxa máxima de upstream (Mbps) 1/4 OC-1 1,37 13 1,6 1/2 OC-1 1,22 26 2,3 OC-1 1,22 52 16 SAIBA MAIS Para testar a velocidade de download e upload da sua conexão banda larga, acesse: http://www.minhaconexao.com.br/ http://www.minhaconexao.com.br/ www.esab.edu.br 24 3.1 Introdução Atualmente as operadoras de TV a cabo estão competindo com as companhias telefônicas pelos usuários residenciais que cada vez mais pedem banda para acessar a Internet em altas velocidades. A tecnologia DSL utiliza pares trançados sem blindagem e por isso são muito susceptíveis a interferências. Insto reflete na conexão modificando o limite superior da taxa de transmissão. Outra proposta é utilizar a rede de TV a cabo para acessar a Internet (FOROUZAN, 2008). Com o passar dos anos, o sistema de televisão cresceu, e os cabos entre as várias cidades foram substituídos por fibra ótica de alta largura de banda, de forma semelhante ao que aconteceu no sistema telefônico. Um sistema com fibra nas linhas principais e cabo coaxial nas ligações paras as residências é chamado sistema HFC (Hynrid Fiber Coax) (TANEMBAUM, 2011). www.esab.edu.br 25 Figura 4 - Cable modem. 3.2 Redes CATV Meados dos anos 40, a TV a Cabo entrou em funcionamento com a finalidade de distribuir sinais de broadcast de vídeo para localidades onde a recepção da TV aberta não existia ou era muito ruim, sendo conhecida como Community Antenna TV (CATV) e consistia em uma antena instalada no alto de uma colina ou em uma construção mais elevada recebendo os sinais e retransmitindo por meio de cabos coaxiais. O centro de distribuição da TV a cabo era conhecido como cabeça de rede (head end), sua função era receber os sinais de vídeo das estações de broadcasting utilizando-os para alimentar a rede de cabos coaxiais que, por sua vez, conduzia os sinais até as casas. Sendo na época a tecnologia bem precária, era necessário instalar muitos amplificadores entre a cabeça de rede e as residências, uma vez que o sinal enfraquecia à medida que o sinal www.esab.edu.br 26 viajava pelo cabo. Era possível instalar até 35 amplificadores entre a cabeça e o usuário final. Próximo às residências eram instalados divisores de sinal, conectores de derivação (taps) e pequenos segmentos de cabos que levavam o sinal do cabo alimentador para dentro das residências. O sistema de TV a cabo padrão utiliza cabos coaxiais em toda a extensão da rede, isso devido às altas taxas de atenuação de sinais e o grande número de amplificadores, a comunicação numa CATV padrão era unidirecional. Os amplificadores a comunicação numa CATV padrão era unidirecional. Os sinais de vídeo eram transmitidos em downstream da cabeça de rede até os assinantes. (FOROUZAN, 2008) Figura 5 - Estrutura de redes CATV. 3.3 Componentes da Internet a Cabo Na Figura 6 é explicado cada elemento, dando uma visão exata de como os dados trafegam nesta tecnologia. www.esab.edu.br 27 Figura 6 - Diagrama de Internet a cabo. No conceito de transmissão de sinais por cabo, chamamos de Head End, o local da empresa operadora que recebe sinais via satélite ou antenas locais (para os canais locais, por exemplo), ajusta-os, melhora sua definição, decodifica-os e depois transmite ao usuário (assinante) através de uma rede (malha) de cabos, que pode ser híbrida, ou seja, cabos ópticos e cabos coaxiais. Em geral os sinais ocupam nesta malha um espectro que vai de 40 Mhz até 550 Mhz, nas tecnologias mais novas, 750 Mhz. Esta faixa é dividida em porções de 6 Mhz, que são os canais disponíveis. (ABUSAR, 2009) Enviar (downstream) e receber (upstream) dados dos assinantes é uma tarefa não trivial para as operadoras. O nível de sinal tem que ser sempre mantido não podendo ter variações em sua qualidade. Situação que para os canais normais, ou seja, vídeo analógico sendo transmitido, se há variações, elas passam quase que despercebidas pelo assinante. Para que este sinal seja mantido, as operadoras estão cuidando para que as malhas sejam híbridas (hybrid fiber-coax - HFC) e bem dimensionadas, quanto a www.esab.edu.br 28 um número limitado de usuários por célula (agrupamento de residências, bairro, condomínio, etc). (ABUSAR, 2009) Para levar a Internet aos seus assinantes, a operadora tem que ter uma conexão à Internet. Esta conexão é feita através de elementos normais de rede, roteadores, estações, etc. O sinal de Internet e TV são combinados, e disponibilizados aos assinantes, que para acessarem a Internet precisam de um cable modem com propriedades de bridge ou gateway. Não necessariamente esta conexão precisa ficar no Head End da operadora, mas pode por exemplo ficar num provedor Internet para a Malha. Em termos de velocidade é importante que esta conexão seja a mais alta possível. A razão destas conexões serem altas é óbvia, pois vai se entregar ao assinante do serviço velocidades que começam em 10 Mbps e podem chegar a 30 Mbps. (ABUSAR, 2009) Levar dados da Internet para os assinantes através de TV a Cabo é muito maisdifícil do que levar sinais de TV, como já foi dito. As arquiteturas das malhas em forma de árvore e suas ramificações faz com que, para que o sinal consiga sair do Head End e chegar até a casa do assinante num nível satisfatório, hajam amplificadores ao longo do caminho. Estes amplificadores fortalecem o sinal enfraquecido, porém também fortalece qualquer ruído inserido na malha (aparelhos elétricos na casa de usuários, transformadores elétricos nos postes, conectores desajustados, etc). Estes ruídos causam erros nos dados trafegados. Para resolver estes problemas as operadoras estão tentando levar os cabos ópticos o mais próximo possível da casa do assinante. Quanto mais cabos ópticos houver na malha, melhor. Sendo estas malhas híbridas (HFC), os ruídos estão presentes nos cabos coaxiais, seus repetidores, amplificadores, etc. (ABUSAR, 2009) www.esab.edu.br 29 Os cabos oriundos do Head End chegam até uma célula: bairro ou aglomerado residencial. Então, cada novo assinante será ligado à rede, pela companhia, fazendo um split do cabo coaxial na vizinhança. Este split, enfraquece o sinal, necessitando que a operadora coloque amplificadores para fortalecê-lo. Outro fator importante na malha é o poder destes amplificadores em “amplificar” sinais altos e baixos (altos, de 40 a 550 Mhz; baixos, de 5 a 40 Mhz), justamente para a questão de interatividade ou bidirecionalidade, no sinal baixo (sinal de retorno) trafega o upstream, no sinal alto, o downstream (ABUSAR, 2009). • Cable Spliter (Divisor de cabo): Na residência ele vai servir para levar os sinais até o cable modem e também à TV. Os dois aparelhos podem funcionar simultaneamente. O canal usado para Televisão não interfere no de dados e vice-versa. (ABUSAR, 2009) • Cable Box (Conversor, Sintonizador): Nem sempre as TV’s ou vídeos usados pelos assinantes têm capacidade para sintonizar todos canais disponíveis pela companhia. Neste caso é usado um conversor/sintonizador para o assinante ver além da programação básica, mais canais que sua TV não consegue sintonizar. (ABUSAR, 2009) • Cable Modems: Os principais “atores” da tecnologia. Eles demodulam os sinais vindos em pacotes IP, para que o computador entenda. Isto vem numa faixa de 40 Mhz até 550 Mhz. O Cable Modem também envia dados de volta ao sistema de cabos na faixa de 5 Mhz até 40 Mhz. Portanto, um par de frequências é usado para a tecnologia, ou um par de canais. A variedade de fabricantes já é muito grande, e até a indústria adotar um padrão, eles não conversarão entre www.esab.edu.br 30 si, assim, se é adotado um fonecedor em uma rede, ele vai ser o mesmo na rede inteira, ou pelo menos em um par de canais (downstream, upstream). (ABUSAR, 2009) O Computador é conectado ao cable modem através de uma placa ethernet. Em geral define-se um número IP para ele, e também para o cable modem. Pode-se ter casos em que, ao invés de conectarmos um computador à rede de cabos, gostaríamos de ter mais, então um Hub ethernet poderia ser conectado ao cable modem, fazendo este então o papel de uma bridge ou mesmo router (para isso ele tem que ter estas características). (ABUSAR, 2009) SAIBA MAIS SAIBA MAIS Para conhecer mais o funcionamento da Internt a cabo, assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=mHZ9UindNqk https://www.youtube.com/watch?v=mHZ9UindNqk www.esab.edu.br 31 3.4 Cabo Coaxial Cabo coaxial é uma espécie de cabo condutor usado para a transmissão de sinais. Ele recebe tal nome por ser constituído de várias camadas concêntricas de condutores e isolantes. O cabo coaxial é basicamente formado por um fio de cobre condutor revestido por um material isolante, e ainda rodeado por uma blindagem. (POZZEBOM, 2013) Em virtude de sua blindagem adicional, o cabo coaxial possui vantagens em relação aos outros condutores usados em linhas de transmissão, como proteção contra fenômenos da indução, que é causado por interferências elétricas ou mesmo magnéticas externas. A principal razão da sua utilização deve-se ao fato de poder reduzir os efeitos e sinais externos sobre os sinais a transmitir, por fenômenos de IEM (Interferência Eletromagnética). (POZZEBOM, 2013) Os cabos coaxiais geralmente são usados em múltiplas aplicações desde áudio até as linhas de transmissão de frequências da ordem dos giga-hertz. A velocidade de transmissão é bastante elevada devido a tolerância aos ruídos graças à malha de proteção desses cabos. (POZZEBOM, 2013) 3.4.1 Funcionamento O cabo coaxial é constituído por uma parte central, denominada alma, ou seja, trata-se de um fio de cobre, envolvido num isolador, em seguida uma blindagem metálica entrançada e por último uma bainha externa. (POZZEBOM, 2013) www.esab.edu.br 32 Figura 7 - Cabo coaxial. • Capa ou Bainha: é responsável por proteger o cabo do ambiente externo. Geralmente é de borracha (às vezes de Cloreto polivinil (PVC), ou raramente de teflon). • Blindagem: é o envelope metálico que envolve os cabos permitindo proteger todos os dados que são transmitidos nos suportes dos parasitas (que são também chamados «barulho») que podem ocasionar em uma distorção dos dados. • Isolador: envolve a parte central e é formado por um material dielétrico que tem a função de evitar qualquer contato com a blindagem, provocando interações eléctricas, ou seja, um curto-circuito. • Condutor: possui a função dede transportar os dados, geralmente é formada somente por um fio de cobre ou vários fios entrançados. O cabo coaxial é responsável por exercer uma onda eletromagnética entre o núcleo interno e blindagem. Em decorrência da blindagem, o sinal é muito melhor, já que não há possibilidade de qualquer interferência. www.esab.edu.br 33 3.4.2 Aplicações O cabo coaxial é usado para transportar sinais de televisão e também ligar equipamentos de vídeo. Os cabos também podem ser usados para transportar sinais de rádios, conectar receptores, transmissores e antenas. Esse tipo de cabo já foi utilizado para ligar computadores me redes locais (LANS), porém, foi trocado para o par trançado. (POZZEBOM, 2013) A principal razão da sua utilização deve-se ao fato de poder reduzir os efeitos e sinais externos sobre os sinais a transmitir, por fenômenos de IEM (Interferência Electromagnética). Os cabos coaxiais geralmente são usados em múltiplas aplicações desde áudio até as linhas de transmissão de frequências da ordem dos gigahertz. A velocidade de transmissão é bastante elevada devido a tolerância aos ruídos graças à malha de proteção desses cabos. Os cabos coaxiais são utilizados nas topologias físicas em barramento. (POZZEBOM, 2013) Os cabos coaxiais são usados em diferentes aplicações: • Ligações de áudio • Ligações de rede de computadores • Ligações de sinais de radiofrequência para rádio e TV - (Transmissores/receptores) • Ligações de radioamador www.esab.edu.br 34 ESTUDO COMPLEMENTAR Para conhecer a comparação entre DSL e Cable modem, acesse: http://www.lee.eng.uerj.br/~falencar/arquivos-flavio-uerj/ redes1/2-cablemodem_dsl.pdf http://www.lee.eng.uerj.br/~falencar/arquivos-flavio-uerj/redes1/2-cablemodem_dsl.pdf http://www.lee.eng.uerj.br/~falencar/arquivos-flavio-uerj/redes1/2-cablemodem_dsl.pdf www.esab.edu.br 35 4.1 Introdução ISDN é a sigla para Integrated Service Digital Network, ou em português, RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados) e é um sistema de conexão de telefonia digital criado pelo ITU na década de 80 tendo como objetivo principal a integração de diversos serviços de voz e dados em uma única conexão digital entre a central da operadora e o usuário. Atualmente é mais utilizado para o trafego de voz enquanto outras tecnologias cuidam do trafego de dados. (BARROS, 2013) Trata-se de um serviço disponível em centrais telefônicas digitais, que permite acesso à internet e baseia-se na troca digital de dados, ondesão transmitidos pacotes por multiplexagem (possibilidade de estabelecer várias ligações lógicas numa ligação física existente) sobre condutores de “par-trançado”. (ALECRIM, 2003) A tecnologia ISDN já existe há algum tempo, tendo sido consolidada entre os anos de 1984 e 1986. Através do uso de um equipamento adequado, uma linha telefônica convencional é transformada em dois canais de 64 Kb/s, onde é possível usar voz e dados ao mesmo tempo, sendo que cada um ocupa um canal. Também é possível usar os dois canais para voz ou para dados. Visto de modo grosso, é como se a linha telefônica fosse transformada em duas. (ALECRIM, 2003) www.esab.edu.br 36 Um computador com ISDN também pode ser conectado a outro que utilize a mesma tecnologia, um recurso interessante para empresas que desejem conectar diretamente filiais com a matriz, por exemplo. (ALECRIM, 2003) A tecnologia ISDN possui um padrão de transmissão que possibilita aos sinais que trafegam internamente às centrais telefônicas serem gerados e recebidos em formato digital no computador do usuário, sem a necessidade de um modem. No entanto, para que um serviço ISDN seja ativado em uma linha telefônica é necessário a instalação de equipamentos ISDN no local de acesso do usuário e a central telefônica deve estar preparada para prover o serviço de ISDN. (ALECRIM, 2003) O ISDN oferece inúmeras vantagens: • Qualidade: alta qualidade da linha digital ISDN; • Conexão: baixo tempo para se estabelecer a conexão (em até três segundos); • Aplicações básicas: ISDN é um produto que duplica a linha telefônica e permite a utilização simultânea de duas funções: uso de voz nas duas linhas, transmissão de dados nas duas linhas ou uso de voz e dados, um em cada linha; • Velocidade: maior velocidade de conexão (conexões a 64 kbps ou 128 kbps). Pode-se usar as linhas para acessar a internet e alcançar velocidade de acesso de até 128 kbps. Além disso, pode fazer e receber chamadas enquanto se navega na internet, em velocidades de até 64 kbps; • Videoconferência: por meio de um aparelho de www.esab.edu.br 37 videoconferência, pode-se realizar apresentações e reuniões com participantes em diferentes localidades. 4.2 História Os primeiros casos de uso da tecnologia ISDN datam entre os anos de 1984 e 1986, logo após o as primeiras especificações do ISDN terem sido determinadas. Nesta época não havia a necessidade de uma transmissão de dados à 128 Kbps. Mas então, para que a tecnologia ISDN foi desenvolvida? Na verdade, a tecnologia ISDN era uma “solução” para um “problema” que ainda não existia para a grande maioria dos usuários. Em 1990 o ITU-T (International Telecommunication Union), emitiu as especificações Px64 para a videofonia, cuja idéia central permitiria o uso de vídeo em ligações telefônicas. Entretanto, os preços dos terminais eram inviáveis para a grande maioria dos usuários e a troca de imagens e áudio em uma conexão telefônica era uma novidade da qual poucas pessoas tinham interesse, tal como se fosse uma ideia futurista (e não deixa de ser). Viu-se ainda que a videofonia nas linhas analógicas, gerava custos maiores para ter uma qualidade aceitável. O ISDN foi criado para solucionar este problema e deixar os equipamentos mais baratos. (ALECRIM, 2003) Pouco tempo depois, a internet começava a aparecer para o mundo. Rapidamente, usuários que conseguiam velocidade satisfatória durante as conexões aos BBS (Bulletin Board System/ Service - sistema disponível ao usuário comum no período conhecido como: “pré-Internet”) perceberam que na internet, a mesma eficiência não existia, mesmo com modems de 28.8 Kb/s, www.esab.edu.br 38 os mais velozes na época. O despreparo das companhias telefônicas em fornecer acesso ao fenômeno “Internet”, além do precário estado da infraestrutura dos primeiros provedores de acesso, contribuíram para isso. No entanto, o mundo do “WWW” era algo fascinante e imperdível. Diante desta percepção, muitos começaram a se perguntar como obter velocidades maiores e mais estáveis nas conexões à internet. A tecnologia ISDN se mostrou interessante a estes propósitos e passou então a ser usada para tal finalidade, substituindo seu objetivo de desenvolvimento inicial. (ALECRIM, 2003) 4.3 Características A sinalização empregada pelo ISDN para informar a central remota sobre a entrada de uma chamada telefônica e conhecida como CCS, sigla para Common Channel Signaling. Isso significa que toda a sinalização é feita por um canal de dados comum e que não está associado a nenhum dos canais de voz como ocorre no CAS. Este canal comum é o D-channel e por convenção utiliza o time slot 16 de um E1. (BARROS, 2013) O ISDN pode ser dividido em uma estrutura de três camadas onde uma camada superior depende da camada inferior para funcionar. Cada uma dessas camadas executa uma função específica conforme apresenta Barros (2013): • A primeira é a camada física que trata das características físicas/elétricas das interfaces ISDN; • A segunda camada especifica a estrutura do quadro (delimitação), o formato de campos, detecção de erros e procedimentos de alinhamento de enlace; www.esab.edu.br 39 • A terceira camada especifica os procedimentos para o estabelecimento, manutenção e limpeza de conexões, ou seja, é responsável pela geração das mensagens de sinalização (SVERZUT, 2011). A Figura 8 mostra as camadas e as respectivas normas que determinam o padrão de funcionamento do ISDN em cada uma delas. Figura 8 - Estruturas de camadas ISDN. No ISDN existem dois tipos de canais, segundo Barros (2013): • O canal B chamado de B-channel (Bearer Channel) é utilizado para transportar a voz já digitalizada pelo processo de gitalização PCM. • O canal D chamado de D-channel (Delta Channel) é utilizado para transportar a sinalização responsável pelo estabelecimento ou desconexão de uma chamada. A sinalização presente no D-channel é definida pelas normas Q.921 e Q.931 do ITU-T. Existem ao redor do mundo algumas variações destas recomendações, são elas: National ISDN1 (Bellcore), National ISDN-2 (Bellcore), 5ESS (AT&T), Euro www.esab.edu.br 40 ISDN (ETSI), VN3, VN4 (France), 1TR6 (Germany), ISDN 30 (England), Australia, NTT-Japan, ARINC 746 Attachment 11, ARINC 746 Attachment 17, Northern Telecom - DMS 100, DPNSS1, Swiss Telecom, QSIG (PROTOCOLS, 2013). A variante a ser utilizada deve ser definida pela operadora de telefonia. ISDN suporta duas estruturas de taxas de sinalização: Básica e Primária. 4.3.1 Acesso básico - BRI A primeira forma é o acesso básico destinado ao usuário doméstico ou pequenas empresas: ISDN-BRI (Basic Rate Interface), onde é possível ligar vários equipamentos terminais. A ligação de acesso básico põe sempre à disposição dois canais, possibilitando assim o uso máximo de dois equipamentos ou ligações simultaneamente. No entanto, é possível conectar até 8 equipamentos ao ISDN, mas somente dois poderão utilizar a tecnologia ao mesmo tempo. (ALECRIM, 2003) O reconhecimento do serviço é feito pelo MSN (Multiple Subscriber Number) que determina a qual dos equipamentos se destina a ligação. O ISDN-BRI também pode servir como substituto para acessos telefônicos tradicionais e é composto, conforme já citado, de dois canais de dados (B channels) de 64 Kb/s, e um canal de sinalização de 16 Kb/s (D channel). (ALECRIM, 2003) www.esab.edu.br 41 Figura 9 – ISDN BRI. 4.3.2 Acesso Primário - PRI A segunda forma é o acesso primário (Primary Multiplex), que permite a utilização de, no máximo, 30 canais, com taxa de transmissão de 2048 kbits. Neste caso, o ISDN é fornecido diretamente da central telefônica e não através de uma linha telefônica convencional. O acesso primário possibilita a comunicação simultânea em 30 equipamentos, sendo, portanto, útil a empresas de porte médio e grande e a provedores de acessoà internet. Este tipo de ISDN também possui um canal D, que opera a 64 Kb/s. (ALECRIM, 2003) Figura 10 - ISDN PRI www.esab.edu.br 42 4.3.3 O canal D Independentemente do tipo de ISDN usado (BRI ou PRI) há um canal, denominado D (D channel), também conhecido como “canal de dados”, que é responsável por manter uma “reserva” de 8.000 bits e também informações necessárias aos dois canais B, como protocolo de transmissão de dados, tipo de equipamento, além de informações de interesse da companhia telefônica, como taxas, data e horas de conexão, enfim. (ALECRIM, 2003) Com a combinação das características do canal D com o equipamento de hardware adequado é que se tornar possível “juntar” os canais B para transmitir dados com maior rapidez. (ALECRIM, 2003) 4.4 Protocolos Na tecnologia ISDN, existem basicamente 4 protocolos significativos para o usuário. Todos os protocolos são utilizados no canal útil e não no canal de dados. São eles, segundo Alecrim (2003): • V.110: o protocolo de velocidade V.110 é um processo de transmissão que existe desde os princípios da tecnologia ISDN. Os dados são transmitidos em até 38.400 bit/s. O restante da capacidade (até 64 kbits) fica ocupado com pacotes de dados redundantes; • V.120: é o sucessor do V.110 e possui poucas diferenças em relação ao primeiro. A principal é que nele os dados são transmitidos em até 54.000 bit/s; www.esab.edu.br 43 • X.75 e T70NL: ambos são mais recentes e conseguem aproveitar integralmente a capacidade de transmissão do Canal B. Foram estes protocolos que permitiram à tecnologia ISDN ser uma solução viável para acesso à internet. 4.5 Funcionamento Na Figura 11 é representada a troca de sinalização entre uma central PABX e a central da operadora do estabelecimento até a desconexão de uma chamada utilizando o protocolo de sinalização ISDN. Neste cenário um ramal do PABX deseja originar uma chamada externa para um número de destino que se encontra atrás da central da operadora. (BARROS, 2013) Figura 11 - Fluxo de chamada utilizando protocolo ISDN. www.esab.edu.br 44 Os passos representados, segundo Barros (2013), são: a) Central PABX monta mensagem SETUP com o número chamado (B), identificação do canal B a ser utilizado e a capacidade de transporte (dados ou voz); b) Central da operadora ao receber o SETUP responde com um CALL PROCEEDING e passa a processar a mensagem recebida; c) Quando o destino é localizado a central da operadora envia mensagem ALERTING para informar que telefone de destino está tocando; d) Quando destino atende é enviado pela central da operadora a mensagem CONNECT; e) Central PABX envia confirmação do atendimento com a mensagem CONNECT ACK; f) Neste ponto passa a ocorrer conversação pelo canal B especificado na primeira mensagem; g) Origem desconecta a chamada e é enviado pela central PABX uma mensagem DISCONNECT com a causa da desconexão; h) Central da operadora envia a mensagem RELEASE para desconectar a chamada; i) Central PABX confirma a desconexão com a mensagem RELEASE COMPLETE. www.esab.edu.br 45 5.1 Introdução Além de melhorar extraordinariamente as telecomunicações, as fibras óticas são usadas também numa variedade de equipamentos, como automóveis, mísseis, blindados, satélites, fiação de computadores, eletrodomésticos e ainda em microeletrônica, engenharia genética, fotografia etc. O Brasil, com tecnologia desenvolvida a partir de 1973 pela Universidade de Campinas (Unicamp), em conjunto com a Telebrás, produz cerca de 20 mil quilômetros de fibras por ano. Em virtude das suas características, as fibras óticas apresentam bastantes vantagens sobre os sistemas elétricos: • Dimensões Reduzidas • Capacidade para transportar grandes quantidades de informação (Dezenas de milhares de conversações num par de Fibra); • Atenuação muito baixa, que permite grandes espaçamentos entre repetidores, com distância entre repetidores superiores a algumas centenas de quilômetros. • Imunidade às interferências eletromagnéticas; • Matéria-prima muito abundante; • Custo Cada vez mais baixo. www.esab.edu.br 46 5.2 Aplicações e Funcionamento As fibras óticas nada mais são do que cabos que em seu meio de transmissão propagam a informação através de luz. O cabo transmite a luz por diversos meios, não só de modo retilíneo, mas também em diagonais e todas as direções possíveis pela qual o interior do cabo possa retransmitir a luz. Um exemplo disso segue conforme apresenta a Figura 12. Figura 12 - cabo de fibra ótica. Perceba que a luz pode tomar qualquer caminho e mesmo assim ela chega ao seu destino, porem sua velocidade varia. Se não houver nada que a atrapalhe no caminho e ela vá de forma retilínea, os dados que ela carrega consigo vão chegar mais rápido do que os outros feixes de luz que foram sendo rebatidos pelo caminho. O ângulo em que ela é transmitida manter-se-á o mesmo até sua saída, como por exemplo: se a luz entra com um ângulo de 45˚ ela permanecerá nesse ângulo até sair, já que quando for refletida dentro do cabo sal reflexão manter o mesmo grau no qual foi refletido. Apesar de serem mais caros os cabos de fibra ótica não sofrem interferências com ruídos eletromagnéticos e com radiofrequências www.esab.edu.br 47 e permitem total isolamento entre transmissor e receptor. O cabo de fibra ótica pode ser utilizado tanto em ligações ponto a ponto quanto em ligações multiponto. A exemplo do cabo de par trançado, a fibra ótica também está sendo muito usada em conjunto com sistemas ATM, que transmitem os dados em alta velocidade. O tipo de cabeamento mais usado em ambientes internos (LANs) é o de par trançado, enquanto o de fibra ótica é o mais usado em ambientes externos 5.3 Funcionamento A transmissão da luz pela fibra segue um princípio único, independentemente do material usado ou da aplicação: é lançado um feixe de luz numa extremidade da fibra e, pelas características óticas do meio (fibra), esse feixe percorre a fibra por meio de reflexões sucessivas. A fibra possui no mínimo duas camadas: o núcleo e o revestimento. No núcleo, ocorre a transmissão da luz propriamente dita. A transmissão da luz dentro da fibra é possível graças a uma diferença de índice de refração entre o revestimento e o núcleo, sendo que o núcleo possui sempre um índice de refração mais elevado, característica que aliada ao ângulo de incidência do feixe de luz, possibilita o fenômeno da reflexão total. As fibras óticas são utilizadas como meio de transmissão de ondas eletromagnéticas (como a luz) uma vez que são transparentes e podem ser agrupadas em cabos. Estas fibras são feitas de plástico ou de vidro. O vidro é mais utilizado porque absorve menos as ondas eletromagnéticas. As ondas eletromagnéticas mais utilizadas são as correspondentes à gama da luz infravermelha. www.esab.edu.br 48 O meio de transmissão por fibra ótica é chamado de “guiado”, porque as ondas eletromagnéticas são “guiadas” na fibra, embora o meio transmita ondas omnidirecionais, contrariamente à transmissão “sem-fio”, cujo meio é chamado de “não-guiado”. Mesmo confinada a um meio físico, a luz transmitida pela fibra ótica proporciona o alcance de taxas de transmissão elevadíssimas, da ordem de dez elevado à nona potência de bits por segundo, com baixa taxa de atenuação por quilômetro. Mas a velocidade de transmissão total possível ainda não foi alcançada pelas tecnologias existentes. Como a luz se propaga no interior de um meio físico, sofrendo ainda o fenômeno de reflexão, ela não consegue alcançar a velocidade de propagação no vácuo, que é de 300.000 km/ segundo, sendo esta velocidade diminuída consideravelmente. Cabos fibra ótica atravessam oceanos. Usar cabos para conectar dois continentes separados pelo oceano é um projeto monumental. É preciso instalar um cabo com milhares de quilômetros de extensão sob o mar, atravessandofossas e montanhas submarinas. Nos anos 80, tornou-se disponível, o primeiro cabo fibra ótica intercontinental desse tipo, instalado em 1988, e tinha capacidade para 40.000 conversas telefônicas simultâneas, usando tecnologia digital. Desde então, a capacidade dos cabos aumentou. Alguns cabos que atravessam o oceano Atlântico têm capacidade para 200 milhões de circuitos telefônicos. Para transmitir dados pela fibra ótica, é necessário um equipamento especial chamado infoduto, que contém um componente fotoemissor, que pode ser um diodo emissor de luz (LED) ou um diodo laser. O fotoemissor converte sinais elétricos em pulsos de luz que representam os valores digitais binários (0 e 1). www.esab.edu.br 49 As fibras óticas podem ser basicamente de dois modos, conforme apresenta a Figura 13: A. Monomodo: menor número de modos; dimensões menores que as fibras ID.Maior banda por ter menor dispersão. B. Multimodo: permite o uso de fontes luminosas de baixa ocorrência tais como LEDs (mais baratas); diâmetros grandes facilitam o acoplamento de fontes luminosas e requerem pouca precisão nos conectores Fibra ótica monomodal Fibra ótica multimodal Figura 13 - Fibra ótica monomodo e multimodo. 5.4 Fibra Ótica no Brasil O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a dominar a tecnologia de fibras óticas, ainda no final dos anos 70. Essa vitória se deu, em grande parte, ao trabalho do professor José Ellis Ripper Filho, na Unicamp. Acreditando nas perspectivas da fotônica, ou seja, das comunicações via fibras óticas, Ripper fundou em 1989 a AsGa, empresa constituída para produzir lasers semicondutores de arseneto de gálio e outros produtos de microeletrônica. O aumento contínuo da velocidade dos sistemas de transmissão de informações e telecomunicações deve-se ao uso da luz em sistemas de comunicações. Só com o uso de comunicações óticas (baseadas em luz) é possível atingir hoje velocidades de www.esab.edu.br 50 transmissão de centenas de Gigabits por segundo. Isto se tornou possível a partir da descoberta de fibras óticas com baixas perdas de luz, ocorrida nos anos 70. O Brasil entrou cedo nesta atividade, com a instalação do Projeto de Pesquisa em Sistemas de Comunicação por Laser no Instituto de Física da Unicamp em 1973, financiado pela Telebrás. Campinas não virou pólo tecnológico por acaso. Se as grandes empresas de telecomunicações e informática se instalaram na região nos últimos anos, com a abertura do mercado, foi porque já existiam recursos humanos de alta qualidade formados por universidades como a Unicamp. O Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Unicamp, pesquisa na área de comunicações óticas desde 1971. O primeiro contrato de pesquisa & desenvolvimento (P&D) feito no Brasil foi feito entre a Unicamp e a Telebrás em 1974. Em 1976, a primeira fibra ótica nacional levou à criação do Centro de Pesquisa & Desenvolvimento (CPqD), com pesquisadores do instituto, na cidade. Em 1978, eles também fariam o primeiro laser de diodo da América Latina. O que aquele grupo de cientistas - muitos deles vindos dos EUA, onde trabalhavam em centros de pesquisa como o Bell Labs - não imaginava é que, ao longo dos 20 anos seguintes, muitos se tornariam empresários. Diversas pequenas empresas nasceram das atividades do IFGW ao longo desse período, como AsGa, Fotônica, Xtal, Unilaser, Optolink, Ecco, AGC NetTest e Laser Lab. Em 2000, essas empresas faturaram mais de R$ 250 milhões em conjunto. Paralelamente, outro pesquisador, Rege Scarabucci, iniciou um projeto de transmissão digital, na Faculdade de Engenharia da Unicamp, sob a coordenação de Ripper e com apoio da Telebrás, www.esab.edu.br 51 antes da criação do CPqD. Todo esse esforço inicial ganhou novas dimensões e, com o trabalho do CPqD, a partir de 1976, tornou-se viável o desenvolvimento e a produção industrial de fibras óticas, de sistemas de transmissão e comutação digitais, de que é exemplo as centrais telefônicas Trópico. Transformado em fundação privada em 1998, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o CPqD é uma das maiores instituições de pesquisa em telecomunicações do mundo. Com mais de duzentas patentes depositadas, o órgão foi o responsável pelo desenvolvimento de projetos de comunicação sem fio, dos telefones públicos operados por fichas e cartões e da fibra ótica. Para isso, o CPqD contou desde sua origem, em 1975, com o trabalho de professores e alunos do Instituto de Física da Unicamp, caso de Ildefonso. As pesquisas desenvolvidas na universidade e no centro de pesquisa resultaram na formação do maior pólo de empresas de telecomunicações do Brasil. 5.5 SONET, SDH O aumento crescente na demanda por banda de transmissão, em face da maciça utilização da internet, em conjunto com uso cada vez mais elevado de aplicações multimídia, tem sido um estímulo à popularização das redes óticas. As características mais marcantes das redes óticas são: oferecer largura de banda muito maior que os cabos de par trançado, serem menos susceptíveis a diversos tipos de interferência eletromagnética, possuir baixas perdas e taxas de erro de bit, ser leve e permitir grande economia de espaço, além do material não conduzir eletricidade. www.esab.edu.br 52 A largura de banda espetacular dos cabos de fibra ótica é bastante apropriada às modernas tecnologias de transmissão de dados (como vídeo conferência) que requerem altas taxas de dados e para transportar ao mesmo tempo, um número grande de tecnologias que operam em velocidades menores. Por esse motivo, a importância das fibras óticas cresce em conjunto com ao desenvolvimento de tecnologias que requerem altas taxas de transmissão de dados. Como qualquer outra tecnologia foi necessário criar uma padronização. A ANSI padronizou a chamada Synchronous Optical Network (SONET). O ITU-T padronizou a hierarquia síncrona digital SDH (Synchronous Digital Hierarchy). Os dois padrões são bastante parecidos. (FOROUZAN, 2008) Segundo FOROUZAN (2008), as principais características da SONET são: • SONET é uma rede síncrona. Um relógio único é utilizado para controlar a temporização das transmissões e os equipamentos dentro da rede como um todo. • SONET traz nativamente padrões recomendados para os sistemas de transmissão por fibra ótica, equipamento vendidos por fabricantes diferentes. • As especificações físicas da SONET e o uso de quadros específicos incluem mecanismos capazes de transportar sinais de sistemas distribuídos incompatíveis. É nesta flexibilidade que reside a reputação de conectividade universal da SONET. Enquanto o padrão de transmissão e multiplexação SONET foi adotado na América do Norte; seu semelhante, o SDH, tornou-se padrão na Europa, Japão e na maior parte dos enlaces submarinos. www.esab.edu.br 53 Tanto o SONET quanto o SDH possuem diferentes e elaborados esquemas de multiplexação que podem ser implementados em circuitos integrados em grandíssima escala (do inglês Very Large Scale Integration - VLSI). No SONET a taxa de sinal básico é 51,84 Mbps, denominado nível de sinal de transporte síncrono–1 (STS–1). Sinais de altas taxas (STS-N) são sempre múltiplos do STS–1. É importante ressaltar que o sinal STS é um sinal elétrico e só existe dentro do equipamento SONET. Na interface ótica o valor mínimo para transmissão é o OC-3 (optical carrier–3) que equivale ao STS–3 existente no SONET. No SDH a taxa mínima existente é 155,52 Mbps e é denominada STM–1 (Synchronous Transport Module–1). Este valor é igual ao STS–3 existente no SONET. Um frame SONET é a soma de alguns Bytes de overhead, chamados de overhead de transporte, e os Bytes da carga útil (payload). A carga útil é transportada no envelope síncrono de carga útil (SPE – synchronous payload envelope). Tanto SONET quanto SDH utilizam extensivamente ponteiros para indicar a localização de uma cargaútil multiplexada dentro do frame. Os fluxos cuja taxa de transmissão está abaixo do STS-1 são mapeados em tributários virtuais (VTs – Virtual Tibutaries). Cada VT é projetado para ter largura de banda suficiente para transportar sua carga útil. Estes VTs podem ser de 4 tamanhos 1.5 (VT1.5), 2 (VT2), 3 (VT3) e 6 (VT6) Mbps, embora o 1,5 Mbps seja o mais comum. Um VT agrupado consiste de quatro VT1.5, três VT2, dois www.esab.edu.br 54 VT3 e um VT6. Sete grupos de VT intercalados juntamente com o overhead criam SPE SONET básico. O mapeamento de taxas mais altas, que não sejam sinais SONET, são realizadas utilizando um STS-Nc, que consiste em sinal com payload bloqueado que também é definido no padrão. O “c” significa concatenado e o N é o número de payloads STS-1. Um sinal concatenado não pode ser demultiplexado em fluxo com velocidades menores. O menor sinal SONET concatenado que pode se transmitido em enlace Gigabit Ethernet é 2.5 Gbs ou STS-48c. O SDH trabalha de forma semelhante. Essa tecnologia utiliza containers virtuais (VCs – Virtual Containers) para acomodar taxas de dados inferiores ao STM-1. Estes VCs podem ser definidos de cinco maneiras. VC-11, VC-12, VC-2, VC-3 e VC-4. Estes VCs são projetados para transportar 1,5 Mbps, 2 Mbps, 6 Mbps, 45 Mbps e 140 Mbps. Sendo que VC-11s, VC12s e VC-2s podem ser multiplexados em VC-3s ou VC-4s e os VC-3 e VC-4 são então multiplexados em um sinal STM-1. 5.6 OTN OTN (Optical Transport Networks) é uma tecnologia para transporte em redes óticas. É uma evolução dos padrões SONET/SDH. A OTN utiliza multiplexação DWDM, em que cada comprimento de onda se comporta como uma fibra em particular. A OTN é formalizada pela recomendação ITU-T G.872. As redes de transporte ótica, padronizada pela G.709, foram projetadas para transportar tráfego de pacotes tais como IP e Ethernet sobre fibra ótica, assim como o tráfego proveniente do www.esab.edu.br 55 SONET/SDH. A tabela abaixo relaciona a taxa de dados OTN com SONET/SDH. Tabela 3 - Taxa de dados OTN em comparação com taxa SO- NET/SDH OTN Taxa (Gbps) SONET/SDH Taxa (Gbps) OTU1 2,666 STS-48 / STM-16 2,488 OTU2 10,709 STS-192 / STM-64 9,953 OTU3 43,018 STS-786 / STM- 128 39,813 Características da OTN: • Correção de erros: quando as taxas de dados são muito elevadas ou as distâncias muito longas o ruído é significativo e se torna um problema. A presença de corretores de erros, denominado de Forward Error Corretion (FEC) é imprescindível para que as taxas de erro de bit sejam minimizadas. • Gerenciamento: OTN também possui uma estrutura para monitorar a conexão fim-a-fim sobre vários segmentos. Esses segmentos podem ser sobrepostos com até seis tipos de segmentos de monitoramento em qualquer ponto. • Protocolo transparente: os serviços de operação, administração e gerenciamento das suas conexões são transparentes aos clientes. Isso permite que o OTN transmita pacotes: IP, 10 Gigabit Ethernet e também SONET/SDH. • Cronometragem assíncrona: OTN realiza um mapeamento www.esab.edu.br 56 assíncrono dos sinais clientes em frames OTN onde o clock que gera o frame pode ser um simples oscilador. 5.7 Redes FTTx Uma rede FTTX é uma rede de acesso baseada em fibra que conecta uma grande quantidade de usuários finais a um ponto central, conhecido como nó de acesso ou ponto de presença (POP) da operadora. As redes FTTx começaram a ser desenvolvidas no início da década de 1980. A primeira rede a ser apresentada foi a FTTH (fiber to the home). Atualmente além da FTTH, existem: FTTB, FTTC, FTTN e FTTP. • FTTB (fiber to the buiding) - Nessa rede, a fibra atinge o limite de um edifício ou até uma central existente no edifício. • FTTC (fiber to the cabinet) - Nesse modelo de rede, a fibra chega até um armário de rua a uma distância de aproximadamente 300 m do cliente. • FTTN (fiber to the node) - Nesse tipo de rede, a fibra chega até um armário de rua pertencente a operadora, distante alguns quilômetros do cliente. • FTTP (fiber to the premises) - Esse tipo de rede pode atender tanto a pequenas empresas como a residências. • FTTH (fiber to the home) - Esse é o tipo de rede mais conhecido. Nesse modelo, a fibra é entregue na residência do cliente. Há dois tipos de projetos básicos para FTTH: FTTH dedicado e a rede ótica passiva (PON). • FTTH dedicado - No FTTH dedicado o cabeamento conecta a residência do cliente com a operadora. Este tipo de FTTH www.esab.edu.br 57 permite ao cliente dispor de uma largura de banda maior. No entanto, o custo deste tipo de FTTH é bastante elevado tornando-o altamente proibitivo. ESTUDO COMPLEMENTAR As fibras também são utilizadas interconectando continentes por meio de cabos submarinos, Para saber mais, acesse: https://olhardigital.com.br/noticia/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre- cabos-submarinos/57006 https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a- rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as- comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/Inovacao/noticia/2016/06/7- coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-cabos-submarinos.html ATIVIDADE Chegou a hora de você testar seus conhecimentos em relação às unidades 1 à 5. Para isso, dirija-se ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responda às questões. Além de revisar o conteúdo, você estará se preparando para a prova. Bom trabalho! https://olhardigital.com.br/noticia/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-cabos-submarinos/57006 https://olhardigital.com.br/noticia/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-cabos-submarinos/57006 https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/Inovacao/noticia/2016/06/7-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-cabos-submarinos.html http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/Inovacao/noticia/2016/06/7-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-cabos-submarinos.html www.esab.edu.br 58 ESTUDO COMPLEMENTAR As fibras também são utilizadas interconectando continentes por meio de cabos submarinos, Para saber mais, acesse: https://olhardigital.com.br/noticia/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre- cabos-submarinos/57006 https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9- a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as- comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/Inovacao/noticia/2016/06/7- coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-cabos-submarinos.html https://olhardigital.com.br/noticia/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-cabos-submarinos/57006 https://olhardigital.com.br/noticia/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-cabos-submarinos/57006 https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/05/30/Como-%C3%A9-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunica%C3%A7%C3%B5es-do-mundo http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/Inovacao/noticia/2016/06/7-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-cabos-submarinos.html http://revistagalileu.globo.com/Tecnologia/Inovacao/noticia/2016/06/7-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-cabos-submarinos.html www.esab.edu.br 59 EIXO 1 Neste eixo temático você conheceu que as r tecnologias de acesso banda larga evoluíra, muito, desde o acesso discado (Dial-Up), até os acessos melhores e largamente utilizados como cabo e DSL. O Cabo e a ADSL são os principais tipos de conexão disponíveis aos usuários domésticos. Sua supremacia,no entanto, vem sendo fortemente ameaçada com a recente expansão dos serviços de fibra ótica e internet móvel. E a tecnologia ISDN trata-se de um serviço disponível em centrais telefônicas digitais, que permite acesso à internet e baseia-se na troca digital de dados, onde são transmitidos pacotes por multiplexagem sobre condutores de “par-trançado”. www.esab.edu.br 60 EIXO 2 - REDES DE ACESSO SEM FIO No eixo temático “redes de acesso com fio”, vamos continuar conhecendo mais algumas tecnologias que permite acesso à rede, desde redes PAN (personal area network) até à Internet. Então, conheceremos as principais tecnologias: Bluetooth, Wi-Fi, WiMAX, satélite e BPL. Ao final deste eixo temático você deverá: a) Conhecer o funcionamento da tecnologia Bluetooth e suas utilizações. b) Conhecer a arquitetura IEEE 802.11 e seus padrões. c) Conhecer o funcionamento da tecnologia de acesso banda larga WiMAX. d) Conhecer a tecnologia de comunicação por satélite, e se uso no GPS. e) Conhecer a tecnologia de comunicação por meio da rede de energia elétrica e suas aplicações. www.esab.edu.br 61 6.1 Introdução Bluetooth é uma tecnologia de comunicação entre dispositivos de curto alcance. Em 1994, a Ericsson iniciou o desenvolvimento dessa tecnologia, pesquisando uma forma barata de comunicação sem fio entre o celular e seus acessórios. Após essas pesquisas iniciais, ficou clara a potencialidade desse tipo de conexão. Em 1998, seis grandes empresas: Sony, Nokia, Intel, Toshiba, IBM e Ericsson, realizaram um consórcio para conduzir e aprofundar o estudo dessa forma de conexão, formando o chamado Bluetooth Special Interest Group. O nome “Bluetooth” é uma homenagem ao rei da Dinamarca e Noruega, Harald Blåtand, que na língua inglesa é chamado de Harold Bluetooth. O nome do rei foi escolhido pelo fato dele ter unificado as tribos de seu país, semelhantemente ao que a tecnologia pretende fazer: unificar tecnologias diferentes. O símbolo do Bluetooth é a união de duas runas nórdicas para as letras H e B, suas iniciais. A tecnologia é bastante vantajosa: • Com Bluetooth as conexões através de cabos têm os seus dias contados. Da mesma maneira a tecnologia IrDa ou conexão via porta infravermelhas (mais um tipo de conexão sem fio), perderá importância, evitando assim a desvantagem da sua pequena largura de banda ademais de ter que manter os dispositivos em linha de visão; www.esab.edu.br 62 • Esta forma de conexão permite uma solução viável de baixo custo para a interconexão de curto alcance; • Mais de 2000 empresas demonstraram interesse em adotar esta tecnologia em seus aparelhos, atualmente existe o Grupo Especial de Interesse (SIG) que reúne as empresas que lideram o desenvolvimento deste sistema cujo comprometimento é desenvolver software e hardware seguindo as especificações impostas; • Devido a que as comunicações sem fio terão importante uso no futuro, este tipo de tecnologia, será adequada para ser utilizada na interconexão de dispositivos; deverá ser criado um amplo leque de software que permita a correta comunicação entre aplicações de diferentes dispositivos; • A especificação suporta comunicação de voz e dados, razão pela qual também pode ser estendida à comunicação “mãos livres”; • Maximização do uso de protocolos existentes, ou seja, a tecnologia Bluetooth pode ser facilmente integrada aos protocolos que estão em uso como o TCP/IP. Como tudo, existe também algumas desvantagens, entre elas: • O número máximo de dispositivos que podem se conectar ao mesmo tempo é limitado, principalmente se compararmos com a rede cabeada; • O alcance é bastante curto, por isso uma rede pode ser apenas local; www.esab.edu.br 63 • Com rede cabeada pode-se conseguir uma banda passante maior. 6.2 Descrição técnica O Bluetooth pode se conectar com até oito dispositivos simultaneamente. Com todos esses dispositivos no mesmo raio de 10 metros, você pode achar que ocorrerá interferência mútua, mas isso é improvável. O Bluetooth usa uma técnica chamada salto de frequência de espalhamento espectral, que praticamente impossibilita que mais de um dispositivo transmita na mesma frequência ao mesmo tempo. Com essa técnica, um dispositivo usa 79 frequências individuais escolhidas aleatoriamente dentro de uma faixa designada, mudando de uma para outra com regularidade. No caso do Bluetooth, os transmissores alteram as frequências 1.600 vezes por segundo, o que significa que muitos dispositivos podem utilizar totalmente uma fatia limitada do espectro de rádio. Como todos os transmissores Bluetooth usam automaticamente a transmissão de espalhamento espectral, é improvável que dois transmissores compartilhem a mesma frequência simultaneamente. Essa mesma técnica minimiza o risco de interferência de telefones portáteis ou babás eletrônicas nos dispositivos Bluetooth, já que qualquer interferência em uma frequência particular dura somente uma fração de segundo. Quando dispositivos com Bluetooth entram na faixa um do outro, uma comunicação ocorre para determinar se eles possuem dados compartilháveis ou se um deve controlar o outro. O usuário não precisa pressionar um botão ou dar um comando - a comunicação acontece automaticamente. Assim que a conversa termina, os www.esab.edu.br 64 dispositivos - sejam eles parte de um sistema de computadores ou um estéreo - formam uma rede. Os sistemas Bluetooth criam uma rede de área pessoal (PAN), ou piconet, que pode abranger uma sala ou uma distância não superior à existente entre o celular no seu cinto e o headset em sua cabeça. Assim que uma piconet é estabelecida, os dispositivos saltam entre as frequências aleatoriamente em uníssono para permanecer em contato uns com os outros e para evitar que outras piconets que possam estar operando, no mesmo espaço. 6.3 Pilha de Protocolos A especificação Bluetooth divide a pilha de protocolos em três grupos lógicos. São eles: grupos de protocolos de transporte, grupo de protocolos de middleware e o grupo de aplicação, como ilustrado na Figura 14. Figura 14 - Pilha de protocolos Bluetooth. O grupo de protocolos de transporte permite dispositivos Bluetooth localizar outros dispositivos e gerenciar links físicos e lógicos para as camadas superiores. Neste contexto, protocolos de transporte não se equivalem aos protocolos da camada de transporte do modelo OSI (utilizado na especificação de protocolos de rede). Ao invés disso, estes protocolos correspondem às camadas físicas e www.esab.edu.br 65 de enlace do modelo OSI. As camadas de rádio frequência (RF), Baseband, Link Manager, Logical Link Control and Adaptation (L2CAP) estão incluídas no grupo de protocolos de transporte. Estes protocolos suportam tanto comunicação síncrona quanto assíncrona e todos estes são indispensáveis para a comunicação entre dispositivos Bluetooth (SIQUEIRA, 2006). O grupo de protocolos de middleware inclui protocolos de terceiros e padrões industriais. Estes protocolos permitem que aplicações já existentes e novas aplicações operem sobre links Bluetooth. Protocolos de padrões industriais incluem Point-to-Point Protocol (PPP), Internet Protocol (IP), Trasmission Control Protocol (TCP), Wireless Application Protocol (WAP), etc. Outros protocolos desenvolvidos pelo próprio SIG também foram incluídos como o RFComm, que permite aplicações legadas operarem sobre os protocolos de transporte Bluetooth, o protocolo de sinalização e controle de telefonia baseada em pacotes (TCS), para o gerenciamento de operações de telefonia e o Service Discover Protocol (SDP) que permite dispositivos obterem informações sobre serviços disponíveis de outros dispositivos (SIQUEIRA, 2006). O grupo de aplicação consiste das próprias aplicações que utilizam links Bluetooth. Estas podem incluir aplicações legadas ou aplicações orientadas a Bluetooth (SIQUEIRA,2006). 6.4 Processo de comunicação Um transceiver Bluetooth é um dispositivo que opera em uma faixa de rádio não licenciada (ISM) a 2.4 GHz. Na maioria dos países, há 79 canais disponíveis. Entretanto, alguns países permitem apenas o uso de 23 canais. A taxa de transferência nominal de cada canal é de 1 MHz (SIQUEIRA, 2006). www.esab.edu.br 66 Quando conectado a outros dispositivos Bluetooth, um dispositivo troca de frequência a uma taxa de 1600 vezes por segundo. Cada frequência é utilizada apenas 625 microssegundos. A especificação Bluetooth utiliza o esquema de divisão de tempo (Time Division Duplexing - TDD) e divisão de tempo com múltiplos acessos (Time Division Multiple Access - TDMA) na comunicação de dispositivos. Como discutida na seção anterior, a transmissão de dados é feita através de slots de tempos. Um único slot possui 625 microssegundos de comprimento, representando um pacote de dados que ocupa um único slot. Na camada de baseband, um pacote consiste de um código de acesso, um cabeçalho e payload, como mostra a Figura 15. Figura 15 - Estrutura de um pacote de uma piconet. O código de acesso contém o endereço da piconet (para filtrar mensagens de outra piconet) e possui geralmente 72 bits de comprimento. O cabeçalho possui 18 bits e inclui o endereço de um dispositivo escravo ativo na rede Bluetooth. O campo payload é onde trafega os dados da aplicação. Pode conter de 0 a 2745 bits de dados (SIQUEIRA, 2006). Em uma piconet, o mestre transmite em slots de tempo pares enquanto que os escravos transmitem apenas em slots de tempo ímpares. Em cada slot de tempo, devido ao mecanismo frequency hopping, um canal de frequência diferente é utilizado, ou seja, após cada envio ou recebimento de pacotes, o canal é trocado, antes mesmo da transmissão do próximo pacote. Um dispositivo Bluetooth pode estar em um dos seguintes estados: espera, www.esab.edu.br 67 solicitação, página, conectado, transmissão, bloqueado, escuta e estacionado, como mostra a Figura 16 (SIQUEIRA, 2006). Figura 16 - Diagrama de estados da especificação Bluetooth. Um dispositivo está no estado de espera quando está ligado mas ainda não se juntou a uma piconet. Este entra no estado de solicitação quando envia requisições de busca de outros dispositivos com os quais possa se conectar. Um dispositivo mestre de uma piconet existente pode também estar no estado de página, enviando mensagens à procura de dispositivos que possam se juntar e sua piconet (SIQUEIRA, 2006). Quando uma comunicação é bem-sucedida entre mestre e um novo dispositivo, este novo dispositivo assume o papel de escravo e entra no estado de conectado, e então recebe um endereço que o identifica na piconet. Enquanto conectado, um escravo pode transmitir dados, quando o mestre o permite fazê-lo. Durante a transmissão de seus dados, os escravos estão no estado de transmissão. Ao fim de sua transmissão, este retorna ao estado de conectado (SIQUEIRA, 2006). www.esab.edu.br 68 O estado de escuta é um estado de baixo consumo de energia onde um escravo “dorme” por um número pré-definido de slots. O dispositivo então acorda para realizar a transmissão de dados em seu slot de tempo apropriado. Após a transmissão o dispositivo escravo retorna então para o estado de escuta até que seus próximos slots de tempo designados cheguem. O estado de bloqueado é outro estado onde se verifica o baixo consumo de energia, em que o escravo não está ativo por um período pré- determinado de tempo. Entretanto, não há transferência de dados dentro do estado bloqueado (SIQUEIRA, 2006). Quando um dispositivo escravo não tem dados a serem enviados ou recebidos, o dispositivo mestre pode instruí-lo a entrar no estado de estacionado. Quando no estado de estacionado, o dispositivo escravo perde seu endereço atual na piconet, o qual será dado a outro escravo que o mestre está retirando do estado de estacionado (SIQUEIRA, 2006). 6.5 Segurança do Bluetooth A segurança é uma preocupação em qualquer configuração de rede sem fio. Como os dispositivos podem captar facilmente ondas de rádio do ar, as pessoas que enviam informações sigilosas por uma conexão sem fio precisam tomar precauções para assegurar que esses sinais não sejam interceptados. A tecnologia Bluetooth não é diferente - ela é sem fio e, portanto, suscetível à espionagem e acesso remoto, do mesmo modo que o WiFi é suscetível se a rede não for segura. Com o Bluetooth, no entanto, a natureza automática da conexão, que é um grande benefício em termos de tempo e esforço, também é benéfica às pessoas que tentam enviar dados sem a sua permissão. www.esab.edu.br 69 O Bluetooth oferece diversos modos de segurança, e os fabricantes de dispositivos determinam qual modo deve ser incluído em um produto capacitado para Bluetooth. Na maioria dos casos, os usuários de Bluetooth podem estabelecer “dispositivos de confiança” que podem trocar dados sem solicitar permissão. Quando qualquer outro dispositivo tenta estabelecer uma conexão com o aparelho do usuário, este deve decidir quanto à permissão. O nível de segurança de serviço e o nível de segurança do dispositivo trabalham juntos para proteger os dispositivos Bluetooth da transmissão de dados não- autorizada. Os métodos de segurança incluem procedimentos de autorização e identificação que limitam o uso dos serviços Bluetooth ao usuário registrado e exigem que os usuários tomem uma decisão consciente para abrir um arquivo ou aceitar uma transferência de dados. Enquanto essas medidas estiverem ativadas no telefone ou outro dispositivo do usuário, a possibilidade de um acesso não- autorizado é mínima. Um usuário pode simplesmente alternar seu modo Bluetooth para “invisível” e bloquear totalmente a conexão com outros dispositivos Bluetooth. Se um usuário usa a rede Bluetooth principalmente para a sincronização de dispositivos em casa, essa pode ser uma boa maneira de evitar qualquer possibilidade de uma brecha de segurança enquanto estiver em público. Além disso, autores de vírus de celular já se aproveitaram do processo de conexão automatizada do Bluetooth para enviar arquivos infectados. No entanto, como a maioria dos celulares usa uma conexão Bluetooth segura que requer a autorização e a autenticação antes da aceitação dos dados de um dispositivo desconhecido, normalmente o arquivo infectado não se alastra. Quando o vírus chega ao celular do usuário, ele precisa concordar em abrir o arquivo e concordar em instalá-lo. www.esab.edu.br 70 SAIBA MAIS Saiba um exemplo de uso da tecnologia Bluetooth quando estiver dirigindo, nesta reportagem do Auto Esporte: http://g1.globo.com/carros/autoesporte/videos/t/edicoes/v/ bluetooth-ganha-cada-vez-mais-adeptos/2356714 http://g1.globo.com/carros/autoesporte/videos/t/edicoes/v/bluetooth-ganha-cada-vez-mais-adeptos/2356714 http://g1.globo.com/carros/autoesporte/videos/t/edicoes/v/bluetooth-ganha-cada-vez-mais-adeptos/2356714 www.esab.edu.br 71 7. 1 Introdução A comunicação sem fios é uma das tecnologias que mais vem crescendo nos últimos anos. A demanda pela conexão de dispositivos sem a utilização de cabos aumentou muito em todo o mundo, de forma que as redes locais sem fios são encontradas atualmente em várias áreas, tais como, campos universitários, escritórios de empresas, áreas públicas, residências, entre outros locais. As redes locais sem fios (WLAN) proporcionam uma série de benefícios, tais como: mobilidade dos usuários; instalação rápida: sem necessidade de infraestrutura; flexibilidade: possibilidade de criar WLANs temporárias e específicas, como eventos, demonstrações de produtos, etc.; escalabilidade; aumento de produtividade com conexão permanente em todo o escritório, facilitando o andamento das reuniões e projetos em equipes distintas; O IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) criou o grupode trabalho 802.11 com o objetivo de definir padrões de uso em redes sem fio, que basicamente, definem o detalhamento da camada física e da camada de enlace. 7. 2 Arquitetura Em uma arquitetura IEEE 802.11, cada computador, móvel ou fixo, é referenciado como uma estação; a diferença entre elas é que uma estação fixa pode se mover de ponto-a–ponto, mas somente é utilizada em um ponto fixo. Já uma estação móvel tem acesso à LAN durante o movimento. www.esab.edu.br 72 O padrão IEEE 802.11 define dois tipos de serviço: BSS (Basic Service Set) e ESS (Extended Service Set). (FOROUZAN, 2008) A. BSS: célula básica de uma LAN sem fio. É construído a partir de estações fixas ou móveis e, possivelmente, uma estação base central conhecida como ponto de acesso (Access Point – AP). O serviço BSS sem um ponto de acesso é uma rede isolada e não pode transmitir dados para outros BSSs. Esta arquitetura é chamada de Ad-hoc e nela as estações simplesmente localizam-se mutuamente e “concordam” em fazer parte de um BSS (FOROUZAN, 2008). A Figura 17 apresenta os tipos de arquitetura que uma rede sem fio 802.11 permite. Figura 17 - Tipos de arquitetura em uma rede IEEE 802.11 B. ESS (Extended Servive Set): consiste de BSSs contendo uma estação base central (AP), que por sua vez se conectam a um sistema de distribuição. O AP tem a função conectar as estações do BSS ao sistema de distribuição. A Figura 18 apresenta uma arquitetura de rede sem fio utilizando o serviço ESS. O sistema de distribuição geralmente é uma rede cabeada. O uso do serviço ESS faz com que a rede tenha uma maior cobertura. (FOROUZAN, 2008) www.esab.edu.br 73 Figura 18 – ESS Quando BSSs estão conectados entre si tem-se o que é denominada configuração de infra-estrutura. Nessa rede, as estações dentro do raio de alcance de um AP podem se comunicar sem a intervenção do AP; entretanto, as comunicações entre duas estações em diferentes BSSs usualmente utilizam dois APs. 7.2.1Serviços Os serviços que são oferecidos em uma arquitetura IEEE 802.11 são divididos em: serviços do sistema de distribuição e serviços da estação. A. Serviços do Sistema de Distribuição O sistema de distribuição provê os serviços de: associação, reassociação, desassociação, distribuição e integração. Associação é o serviço que permite a uma estação afiliar-se com um AP e então comunicar-se com o sistema de distribuição. As associações são dinâmicas e naturais porque as estações www.esab.edu.br 74 movem-se, ligam-se, desligam-se. Uma estação pode ser associada com apenas um AP por vez, desta forma é assegurado que o sistema de distribuição sempre saiba onde cada estação se encontra. A reassociação permite a uma estação sem fio sair de uma célula e conectar-se a outra célula (associar-se a um AP) sem perder a comunicação com rede, podendo continuar com o mesmo endereço IP. Tanto a associação quanto a reassociação são iniciadas pela estação. A desassociação é quando a associação entre a estação e o AP é terminada. Este serviço pode ser iniciado tanto pela estação, quanto pelo AP. Uma estação desassociada não pode transferir dados na rede. Distribuição é o serviço responsável por transmitir os dados do remetente para o receptor. Os dados são encaminhados para o AP ao qual o remetente está associado, que encaminha os dados para o sistema de distribuição, que por sua vez encaminha os dados para o AP ao qual a estação receptora está associada. Se o remetente e o receptor estão no mesmo BSS, o AP de entrada e o AP de saída são os mesmos. Integração é o serviço que provê comunicação entre estações sem fio e estações cabeadas. B. Serviços da Estação Os serviços providos pela estação são: autenticação, desautenticação e privacidade. www.esab.edu.br 75 O serviço de autenticação é responsável por verificar a veracidade da identidade da estação, antes de liberar a estação a transmitir dados. Depois que a estação é autenticada, esta pode se associar ao AP. Desautenticação é o serviço que permite terminar a autenticação. Este serviço pode ser iniciado tanto pelo AP como pela estação. Quando a desautenticação é efetuada, a estação é automaticamente desassociada. O serviço de privacidade tem o objetivo de criptografar os dados a serem transmitidos para que usuários desautorizados, mesmo que capturem o tráfego da rede, não consigam entendê-lo. 7.3 Camadas Física e Enlace O padrão IEEE 802.11 tem seu foco em duas camadas do modelo de referência OSI: a camada física e a camada de link de dados (também chamada de camada de enlace) como mostram a Figura 19. Figura 19 - IEEE 802.11 e modelo OSI. www.esab.edu.br 76 7.3.1 Camada Física As funções da camada física são: a codificação e decodificação de sinais; geração/remoção de parâmetros para sincronização; recepção e transmissão de bits e especificações para o meio de transmissão. O padrão IEEE 802.11 define uma série de técnicas de transmissão e codificação para comunicações sem fio, sendo os mais comuns: FHSS (Frequency Hopping Spread Spectrum), DSSS (Direct Sequence Spread Spectrum) e OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing). A. FHSS Na técnica de Spread Spectrum que emprega a tecnologia de saltos de frequência - Frequency Hopping Spread Spectrum (FHSS) - a banda de 2,4 GHz é dividida em 75 canais de 1 MHz, e a informação é enviada numa sequência pseudo-aleatória, em que a frequência de transmissão dentro da faixa vai sendo alterada em saltos. Essa sequência de transmissão segue um padrão conhecido pelo transmissor e pelo receptor, que uma vez sincronizados, estabelecem um canal lógico. (RUFINO, 2005) B. DSSS Na técnica de Spread Spectrum que emprega a tecnologia de sequência direta – Direct Sequence Spread Spectrum (DSSS) - o sinal de informação é multiplicado por um sinal codificador com www.esab.edu.br 77 característica pseudo-randômica, conhecido como “chip sequence” ou pseudo-ruído. A técnica divide a banda de 2.4 GHz em 14 canais de 22 MHz. Canais adjacentes sobrepõem-se uns sobre os outros parcialmente. Os dados são enviados em um desses canais de 22 MHz sem pular para outros canais. (RUFINO, 2005) C. OFDM OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing) é uma técnica de transmissão no qual um único sinal é transmitido por diversos canais de frequências harmônicas, resultando em uma transmissão mais veloz e com menos problemas de interferência e distorção. O princípio de operação desse esquema é a compressão de múltiplas sub-portadoras moduladas, reduzindo a largura de faixa requerida, mas mantendo-se a ortogonalidade, por meio de uma particular sobreposição espectral de sub-portadoras, de forma que não causem interferência entre si. (COIMBRA, 2006) 7.3.2 Camada de Enlace O padrão IEEE 802 define duas sub-camadas na camada de enlace no modelo de referência RM-OSI: LLC (Logical Link Control) e MAC (Media Access Control). As funções da camada MAC são: Aspectos de transmissão: reunir dados dentro de um pacote com endereços e campos detecção de erro. www.esab.edu.br 78 Aspectos de recepção: abre pacote e executa reconhecimento de endereços e detecção de erros. Controle de acesso ao meio de transmissão LAN. A função da camada LLC é prover uma interface para as camadas superiores e executar o controle de fluxo e erro de pacotes. A sub-camada LLC no padrão 802.11 é a mesma sub-camada utilizada em redes Ethernet. Entretanto a sub-camada MAC sofreu alterações para atender as necessidades das redes sem fio. (TUTORIAL-REPORTS, 2013) Numa rede local Ethernet o método de acesso utilizado pelas máquinas é o CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Access with Collision Detect), no qual, cada estação é livre para comunicar-se a qualquer momento. Cada estação que deseja enviar dados pela rede, primeiro verifica se o meio de comunicação está livre (se não há dados sendo transmitidos). Seo meio físico estiver livre, então a estação envia os dados; caso o meio esteja ocupado, então ela espera até que o meio esteja livre, para pode transmitir os dados. Em um ambiente sem fios não é possível aplicar o método de acesso CSMA/CD, devido a problemas como desvanecimento do sinal e terminal oculto. Assim, para aplicar um método de acesso ao meio, que se adapte as necessidades de um ambiente sem fio, a norma 802.11 definiu o protocolo CSMA/CA (Carrier Sense Multiple Access with Collision Avoidance). www.esab.edu.br 79 O protocolo CSMA/CA sonda o canal antes de transmitir e abstém- se de transmitir quando percebe que o canal está ocupado. Utiliza- se de pacotes de confirmação (ACK) - um pacote ACK é enviado pela estação receptora para confirmar que os dados foram recebidos com sucesso – para prevenir colisões; além de usar um esquema de reconhecimento/retransmissão (ARQ) de camada de enlace, devido às taxas relativamente altas de erros de bits em canais sem fio. (KUROSE, 2013) 7.4 Padrões IEEE 802.11 O padrão IEEE 802.11 subdivide-se em diversos padrões com diferentes características. Como o foco desta monografia é segurança em redes sem fio locais, e não necessariamente a infra-estrutura da rede, iremos descrever abaixo, apenas os padrões de rede sem fio que de alguma forma tenham relação com segurança ou que são mais utilizados atualmente. 7.4.1 IEEE 802.11b Ratificado em 1999, possui uma taxa de transmissão da ordem de 1 Mbps a 11 Mbps. Opera na faixa de frequência de 2,4 GHz e utiliza a codificação DSSS (Direct Sequence Spread Spectrum). A banda de 2,4 GHz é uma faixa de frequência não-licenciada, e que portando pode ser utilizada livremente. Esta frequência é utilizada por uma vasta quantidade de equipamentos e serviços – aparelhos de telefones sem fio, Bluetooth, forno microondas, babás eletrônicas e pelos padrões de rede sem fio 802.11b e 802.11g -, o que, muitas vezes, causa problemas de interferência de sinais. É considerada uma faixa de frequência poluída ou suja. (RUFINO, 2005) www.esab.edu.br 80 Neste padrão, o sinal de rede possui um alcance de até 100 metros indoor e 300 metros outdoor. (FARIAS, 2005) A grande vantagem do uso do padrão 802.11b é a facilidade de implementação, o uso da frequência de 2,4GHz – que não depende de licença -, o baixo custo e a larga quantidade de equipamentos que utilizam esta especificação. Sua maior desvantagem é a baixa taxa de transmissão, de no máximo 11 Mbps, que para as necessidades atuais é muito limitada. Outra desvantagem, é que a banda de frequência utilizada, 2,4 GHz, está saturada, e sujeita à interferência de outras tecnologias de rede, fornos microondas, telefones sem fio, e Bluetooth. 7.4.2 IEEE 802.11a Apesar do desenvolvimento do padrão IEEE 802.11a ter sido iniciado antes do IEEE 802.11b, o seu desenvolvimento foi demorado, tornando-se assim, a segunda variante do padrão 802.11, que foi ratificada em 2001. A taxa de transmissão permitida neste padrão foi o grande diferencial, alcançando, na teoria, uma taxa de transmissão em torno de 54 Mbps, mas na prática alcança taxas de transmissões de 25 Mbps a 36 Mbps – o que já é bastante expressivo se comparado com o padrão anterior. Outro diferencial deste padrão é a utilização da faixa de freqüência de 5 GHz e a utilização da codificação OFDM (Orthogonal www.esab.edu.br 81 Frequency Division Multiplexing) - um esquema de codificação que oferece benefícios em relação à disponibilidade e taxas de transmissão do espectro de frequência. (RUFINO, 2005) Este padrão tem a vantagem de ter uma maior quantidade de canais não sobrepostos disponíveis, um total de 12 canais, diferentemente dos 3 canais livres disponíveis nos padrões 802.11b/g, o que permite cobrir uma área maior e mais densamente povoada, em melhores condições que outros padrões. (RUFINO, 2005) As principais desvantagens deste padrão são: a) a não interoperabilidade com os padrões 802.11b/g, pois utilizam faixas de frequências diferentes, e b) menor raio de alcance - 60 metros indoor e 100 metros outdoor. (FARIAS, 2005) 7.4.3 IEEE 802.11g Com o objetivo de obter maiores taxas de transmissão e manter a compatibilidade com o padrão 802.11b foi ratificado em 2003 o padrão IEEE 802.11g que reúne as melhores características dos padrões 802.11b e 802.11a. Este padrão utiliza a faixa de frequência de 2.4 GHz, o que permite a compatibilidade com o padrão IEEE 802.11b que é mais largamente utilizado do que o padrão 802.11a. Permite uma taxa de transmissão máxima de 54 Mbps, mas pode em alguns casos chegar a 108 Mbps. Assim como o padrão 802.11a utiliza a codificação OFDM. www.esab.edu.br 82 Possui um raio de alcance do sinal de aproximadamente 100 a 150 metros indoor. (FARIAS, 2005) As vantagens deste padrão são: Maior velocidade de transmissão de dados; Alcance do sinal é bom e não é facilmente obstruído. As desvantagens deste padrão são: Os equipamentos que suportam este padrão custam mais do que 802.11b; Como utiliza a faixa de frequência de 2.4 GHz, outros equipamentos podem interferir no sinal. 7.4.4 IEEE 802.11n Em setembro de 2009, o IEEE ratificou o padrão 802.11n, que define mecanismos que proporcionam taxas de dados significativamente melhores (até 600Mbps), além de melhorias com relação à latência, ao alcance e à confiabilidade de transmissão. Esta nova subdivisão do padrão IEEE 802.11 foi designada para ajudar a indústria de comunicações de dados a atender à crescente demanda de maior largura para transferência de dados e para utilização de aplicações multimídia, tanto em empresa como em casas e em rede wireless públicas. (MCCABE, 2010) (MORIMOTO, 2010) www.esab.edu.br 83 A alta taxa de transmissão de dados foi alcançada mediante a combinação de várias melhorias, mas principalmente com o do uso do MIMO (multiple-input multiple-output), que permite que a placa-de-rede utilize diversos fluxos de transmissão, utilizando vários conjuntos transmissores, receptores e antenas, transmitindo os dados de forma paralela. A princípio, o uso de diversos transmissores, transmitindo simultaneamente na mesma faixa de frequência parece improdutivo visto que geraria interferência (como no caso de ter várias redes operando no mesmo espaço físico), fazendo com que os sinais se cancelassem mutuamente. O MIMO trouxe uma resposta criativa para o problema, tirando proveito da reflexão do sinal. A ideia é que, por serem transmitidos por antenas diferentes, os sinais fazem percursos diferentes até o receptor ricocheteando em paredes e outros obstáculos, o que faz com que não cheguem exatamente ao mesmo tempo. O ponto de acesso e o cliente utilizam um conjunto de algoritmos sofisticados para calcular a reflexão do sinal e assim tirar proveito do que originalmente era um obstáculo. Este recurso é chamado de Spatial Multiplexing. (MORIMOTO, 2010) Outras melhorias que, combinadas, ajudam a atingir a alta taxa de transmissão são: Redução do guard interval (o intervalo entre as transmissões) de 800 ns para 400 ns; Aumento no número de subportadoras (utilizando o protocolo www.esab.edu.br 84 de retransmissão OFDM) de 48 para 52; Aumento do canal de transmissão de 20MHs para 40MHz. Melhoria no algoritmo de transmissão. Produtos designados como “Wi-Fi CERTIFIED n” (que suportam o padrão IEEE 802.11n) podem operar na frequência de 2.4 ou 5 GHz, e são compatíveis com os padrões 802.11a/b/g. 7.4.5 IEEE 802.11ac O sucessor do 802.11n é o padrão 802.11ac, cujas especificações foram desenvolvidas entre os anos de 2011 e 2013, tendo sua aprovação final de suas características pelo IEEE somente em 2015. A principal vantagem do 802.11ac está em sua velocidade, estimada em até 433 Mb/s no modo mais simples. Mas é possível fazer a rede superar a casa dos 6 Gb/s de maneira mais avançada atravésde múltiplas antenas – no máximo, oito. A tendência é que a indústria priorize equipamentos com uso de até três antenas, fazendo a velocidade máxima ser de aproximadamente 1,3 Gb/s. Também chamada de 5G WiFi, o 802.11ac trabalha na frequência de 5 GHz, sendo que, dentro desta faixa, cada canal pode ter, por padrão, largura de 80 MHz (160 MHz como opcional). (PÓVOA, 2017) O 802.11ac possui também técnicas mais avançadas de modulação – trabalha com o esquema MU-MUMO (Multi-User MIMO), que permite transmissão e recepção de sinal de vários terminais. Eles trabalham na mesma frequência de forma colaborativa. www.esab.edu.br 85 Outro método de transmissão chamado Beamforming (também conhecido como TxBF) é usado no padrão 802.11n portanto, é opcional. Esta tecnologia permite que o aparelho transmissor avalie a comunicação com um dispositivo cliente para otimizar a transmissão em sua direção. (PÓVOA, 2017). www.esab.edu.br 86 Introdução Padronizado pelo IEEE 802.16 o WiMAX (Worldwide Interoperability for Microwave Acess) tem como objetivo fornecer a “última milha” do acesso de banda larga sem fio, oferecendo uma alternativa ao serviço de telefonia DSL (Figura 20). O WiMAX oferece cobertura e vazão ótimas paras assinantes em linha de visada, ou seja, para os quais o caminho não esteja obstruído. (FOROUZAN, 2008) rming (também conhecido como TxBF) é usado no padrão 802.11n portanto, é opcional. Esta tecnologia permite que o aparelho transmissor avalie a comunicação com um dispositivo cliente para otimizar a transmissão em sua direção. (PÓVOA, 2017) www.esab.edu.br 87 Figura 20 - Representação de uma rede WiMAX O objetivo do WiMAX é fornecer uma conexão Internet de alta velocidade numa área de cobertura de vários quilômetros. Em teoria, o WiMAX proporciona velocidades de, aproximadamente, 70 Mbps numa área de 50 quilômetros. O padrão WiMAX tem a vantagem de permitir conexões sem fio entre uma estação básica (Base Transceiver Station - BTS) e milhares de assinantes, sem precisar de linha visual direta (LOS - Line Of Sight ou NLOS - Non Line Of Sight). Na realidade, o WiMAX pode atravessar apenas obstáculos pequenos como árvores ou uma casa, mas não pode, em nenhum caso, atravessar colinas ou edifícios. O rendimento real na presença de obstáculos pode ser inferior a 20 Mbp/s. (CCM, 2017) Segundo CCM (201), um dos usos possíveis do WiMAX consiste em cobrir a área do ‘último quilômetro’ (last mile), ou seja, fornece um acesso à Internet de alto débito nas áreas que não são cobertas pelas tecnologias telegráficas clássicas (linhas xDSL, como o www.esab.edu.br 88 ADSL, Cabo ou ainda as linhas especializadas T1, etc.). Outra possibilidade, consiste em utilizar esta tecnologia como rede de retorno (backhaut) entre redes locais sem fio, utilizando, por exemplo, o padrão Wi-Fi. Backhaut é o transporte dos dados entre sites distribuídos por pontos de acesso e pontos de presença centralizados. Em última instância, o WiMAX permitirá que dois pontos de acesso se conectem para criar uma rede em malha (mesh network), como apresenta a Figura 21. Figura 21- Como o WiMAX pode ser usado. 8.2 Arquitetura Segundo Najar (2017), a arquitetura de rede especificada pelo IEEE 802.16 A esta compostas pelos itens abaixo, e como apresenta a Figura 22: • BS (Estação Base) permite a interação entre a rede sem fio e a rede-núcleo (Core Network); • IP (Protocolo de internet) é único meio em que as máquinas e dispositivos moveis usam para se comunicarem na Internet; www.esab.edu.br 89 • ATM (Modo de transferência Assíncrono) é uma tecnologia de rede baseada na transferência de pacotes relativamente pequenos, com isso suas células já são pré-definidas conhecida como células de tamanho definido. Devido seu tamanho reduzido é possível a transmissão de áudio, vídeo e dados pela mesma rede. • A Estação de assinantes (SS) permite ao usuário acessar a rede, por intermédio de ligações entre dispositivos à ligação entre dispositivos de comunicação em dois ou mais locais, que possibilita transmitir e receber informações. Figura 22- Topologia e Arquitetura da rede WiMAX. O mais importante da tecnologia WiMAX é a estação básica, ou seja, a antena transceptora encarregada de se comunicar com as www.esab.edu.br 90 antenas de assinantes (subscribers antennas). O termo ponto para multipontos é usado para descrever o método de comunicação do WiMAX. (CCM, 2017) Originalmente, o padrão WiMAX inclui a noção de qualidade de serviço (QoS - Quality of Service), ou seja, a capacidade de garantir o funcionamento de um serviço a um usuário. Na prática, o WiMAX permite reservar uma banda larga para um uso específico. Na verdade, certos usos não podem tolerar engarrafamentos. Este é o caso da voz em IP (VOIP), porque a comunicação oral não pode tolerar cortes de segundos. (CCM, 2017) 8.3 WiMAX fixa e móvel As revisões do padrão IEEE 802.16 dividem-se em duas categorias, segundo CCM (2017): WiMAX fixo e WiMAX móvel. A. WiMAX fixo: Também chamado de IEEE 802.16-2004, determina as conexões de linha fixa por meio de uma antena montada num telhado, como uma antena de televisão. O WiMAX fixo opera nas bandas de frequência 2.5 GHz e 3.5 GHz, para as quais é necessária uma licença, e na banda livre de 5.8 GHz. (CCM, 2017) Não faz nenhum tipo de handover, sair de uma célula para outra. Esse padrão foi desenvolvido como uma extensão sem fio para a infraestrutura cabeada (com fio). A técnica utilizada nesse padrão Wimax é a OFDM em que é possível diminuir alguns efeitos, como por exemplo, múltiplos caminhos e melhora a propagação de sinais sem linha de visão. (NAJAR, 2017) www.esab.edu.br 91 B. WiMAX móvel: Igualmente conhecido como padrão IEEE 802.16e, que prevê a possibilidade de conectar clientes móveis à rede Internet. A tecnologia WiMAX móvel abre as portas para o uso de dispositivos móveis por IP, inclusive para serviços móveis de alta velocidade. (CCM, 2017) Utiliza a técnica SOFDMA (Scalable Orthogonal Frequency Division Multiplexing Access), sua transportadora é dividida em até 2048 sub-portadoras. Esse processo melhora e possibilita a entrada de sinais em prédios e como consequência seus produtos ficam acessível para o assinante final, como exemplos as placas de PC e USB. (NAJAR, 2017) A particularidade básica do WiMAX móvel para fixa é a sua flexibilidade, o móvel oferece estrutura aos usuários em movimento em uma velocidade de 120 km / h, e ativa o mecanismo de entrega, quando um usuário se desloca de uma estação rádio base para outra. A principal diferença entre os padrões WiMAX fixa e móvel são mostrados na Tabela 4. (NAJAR, 2017) www.esab.edu.br 92 Tabela 4 - Comparativo entre WiMAX fico e móvel. Padrões WiMAX A. IEEE 802.16-2001: O padrão foi desenvolvido em dezembro de 2001. Ele usa a faixa do espectro de 10-66 GHz para fornecer conectividade de banda larga fixa sem fio e de técnicas de modulação de portadora única, como 16-QAM, 64-QAM e QPSK na camada física e divisão de tempo multiplexado (TDM) técnicas na camada MAC. A norma inclui técnicas de diferencial de QoS para a melhoria das condições LOS base. O padrão utiliza TDD (Time Division Duplex) e FDD (Frequency Division Duplex), como técnicas de duplexação. (NAJAR, 2017) B. IEEE 802.16a-2003: A norma alterou a base IEEE 802.16, usando uma faixa de frequência de 2-11 GHz, que inclui www.esab.edu.br 93 ambos licenciados e bandas de frequência de licença livre. Devido à inclusão das frequências baixas, inferiores a 11 GHz, a comunicação NLOS é possível. As operações NLOS introduziram os efeitos de propagação multipath, que foram superados através da adaptação das técnicas de modulação multiportadora na camada física. A OFDM foi escolhida como técnica de modulação. O padrão melhorou também questões de segurança, tornando as características da camadade privacidade obrigatórias. (NAJAR, 2017) C. IEEE 802.16c: O padrão desenvolveu os detalhes do perfil de 10 - 66 GHz e corrigiu as inconsistências envolvidas na norma anterior. (NAJAR, 2017) D. IEEE 802.16d-2004: Alteração do padrão IEEE 802.16a. Ele foi inicialmente considerado como a revisão do padrão IEEE 802.16 e IEEE 802.16 foi nomeado rev d. Mas em setembro de 2004, devido à credibilidade das alterações, foi nomeado IEEE 802.16d. O padrão foi desenvolvido para usuários fixos, nômades e móveis de modo a proporcionar fixo BWA. Ele suporta ambos os modos de transmissão TDD e FDD. A característica mais importante dessa norma é a prestação de apoio aos sistemas avançados de antena e modulação adaptativas e técnicas de codificação. (NAJAR, 2017) E. IEEE 802.16e-2005: O IEEE 802.16e-2005 é a alteração do padrão IEEE 802.16d-2004 e fornece suporte para a mobilidade dos assinantes, que podem se mover a uma velocidade de veículos e oferece serviços como de alta www.esab.edu.br 94 velocidade handoffs devido a seus avanços tecnológicos. Ele aumenta o desempenho geral do sistema devido ao apoio da AAS (Adaptive Antenna Systems) e MIMO. Facilita aos usuários móveis, fixos e portáteis. O padrão atualizou o recurso de segurança incluindo a subcamada de privacidade. (NAJAR, 2017) A Tabela 5 apresenta um breve resumo dos padrões WiMAX. Tabela 5 - Padrões WiMAX. www.esab.edu.br 95 ESTUDO COMPLEMENTAR Para conhecer mais profundamente sobre a tecnologia WiMAX, como por exemplo as camadas de protocolo e física, bem como a modulação OFDM, acesse: http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialredes4gcomp1/ pagina_3.asp http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialredes4gcomp1/pagina_3.asp http://www.teleco.com.br/tutoriais/tutorialredes4gcomp1/pagina_3.asp www.esab.edu.br 96 9.1 Introdução Os satélites de comunicação possuem algumas propriedades interessantes, que os tornam atraentes para muitas aplicações. Em sua forma mais simples, um satélite de comunicação pode ser considerado um grande repetidor de micro-ondas no céu. (TANEMBAUM, 2011) Figura 23 - Satélite artificial. Uma rede de satélites é uma combinação de nós organizados espacialmente de modo a prover comunicação de um ponto a outro sobre a superfície da Terra. Um nó numa rede pode ser um satélite artificial, uma estação fixa na Terra ou um usuário final de terminal ou telefone via satélite. Embora um satélite natural, como www.esab.edu.br 97 a Lua, possa ser utilizado como um nó na rede, o uso de satélites artificiais é preferido porque neles instalamos equipamentos eletrônicos para regenerar os sinais que invariavelmente perde energia durante a viagem. Outra restrição quanto à utilização de satélites naturais é que as distancias desses corpos relativamente à Terra é muito grande, e por isso provocam muitos atrasos na comunicação. (FOROUZAN, 2008) As redes de satélite funcionam de modo bem semelhante às redes de telefonia móvel. Elas dividem o planeta em grandes células. Os satélites conseguem atingir quaisquer pontos sobre a Terra, não importando quão remoto estejam. Esta vantagem torna possível a comunicação com as partes mais longínquas sobre a Terra com relativamente pouco investimento em infraestrutura baseada em solo. (FOROUZAN, 2008) 9.2 Órbitas O posicionamento do satélite no espaço ao redor da terra é chamado de órbita, e pode ser equatorial, inclinada ou polar como mostra a Figura 24. Figura 24 - Tipos de órbitas. www.esab.edu.br 98 O período de um satélite é o tempo necessário para que o satélite dê uma volta completa em torno da Terra. O período é determinado pela Lei de Kepler, a qual define o período como uma função da distância do satélite ao centro da Terra. (FOROUZAN, 2008) 9.3 Footprint Os satélites realizam transmissões em micro-ondas através de antenas bidirecionais. Assim, o sinal oriundo de um satélite cobre uma área cônica especifica sobre a Terra denominada footprint. A potência do sinal no centro do footprint é máxima. A potência decresce à medida que nos movemos do centro em direção à borda do cone. Na borda do footprint estão localizados os pontos onde a potência atinge um limiar predeterminado. (FOROUZAN, 2008) 9.4 Tipos de Satélites Baseado na localização da orbita, os satélites podem ser divididos em três categorias: GEO (Geostationaryorbit Earth Orbit), LEO (Low Earth Orbit) e MEO (Medium Earth Orbit). A Figura 23 mostra as altitudes dos satélites com respeito à superfície da Terra. www.esab.edu.br 99 Figura 25 - Tipos de satélites. Os satélites GEO só podem estar localizados a uma altitude de 35.786Km da Terra. Os satélites MEO estão localizados em altitudes entre 5.000 e 15.000Km. Os satélites LEO estão normalmente abaixo dos 2000Km. Uma razão para as diferentes orbitas é devido à existência de dois cinturões de Van Allen. Um cinturão de Van Allen é uma camada que contem partículas carregadas. Um satélite orbitando em um desses cinturões poderia ser destruído por partículas carregadas de alta energia. As orbitas MEO estão localizadas entre os dois cinturões. (FOROUZAN, 2008) 9.4.1 Satélites GEO São satélites que se deslocam à mesma velocidade da Terra de modo a permanecer fixo acima de determinado ponto. E como a velocidade orbital se baseia na distância em relação ao planeta, www.esab.edu.br 100 apenas uma orbita pode ser geoestacionária. Essa orbita ocorre no plano equatorial aproximadamente a 35.410Km da superfície da Terra. (FOROUZAN, 2008) No entanto, um satélite geoestacionário não é capaz de cobrir a Terra inteira. Um satélite em orbita tem um contato linha de visada com um grande número de estações, mas a curvatura da Terra ainda mantém grande parte do planeta fora de visão. São necessários pelo menos três satélites equidistantes entre si na orbita terrestre geoestacionária para fornecer transmissão global completa. (FOROUZAN, 2008) 9.4.2 Satélites MEO Um satélite nessa orbita leva cerca de eis horas para dar uma volta em torno da Terra. Um exemplo importante de sistema de satélites MEO é o GPS (Global Positioning System) orbitando a uma latitude de 18.000km acima da Terra. (FOROUZAN, 2008) 9.4.3 Satélites LEO Os satélites LEO apresentam orbitas polares e possui um período de rotação de 90 a 120 minutos. O satélite tem velocidade de 20.000 a 25.000 Km/h. Geralmente tem um acesso tipo celular, semelhante ao sistema de telefonia celular. A área de cobertura tem um diâmetro de 8.000 Km. Como estão próximos à Terra, o retardo é menor que 20 ms, o que é aceitável para comunicação de áudio. (FOROUZAN, 2008) www.esab.edu.br 101 9.5 GPS O Sistema de Posicionamento Global, conhecido por GPS (do acrônimo do inglês Global Positioning System), é um sistema de posicionamento por satélite, por vezes incorretamente designado de sistema de navegação, utilizado para determinação da posição de um receptor na superfície da Terra ou em órbita. O sistema GPS entrou em operação em 1991 e em 1993 a constelação dos satélites utilizados pelo sistema foi concluída. Desde o lançamento dos primeiros receptores GPS no mercado, tem havido um crescente número de aplicações nos levantamentos topográficos, cartográficos e de navegação, face às vantagens oferecidas pelo sistema quanto à precisão, rapidez, versatilidade e economia, além de permitir em tempo real o posicionamento em 3D. O sistema de posicionamento global é baseado em satélites de navegação, consistindo em uma rede de 24 satélites orbitando a uma altura de cerca de 20.000 km no espaço e em seis diferentes rotas orbitais com uma inclinação de 55º em relação ao equador, e com um período de revolução de 12 horas siderais emitindo simultaneamente sinais de rádio codificados. Estes satélites estão em constante movimento, dando duas voltas em torno da Terra em quase 24 horas. Isso vem acarretar uma repetição na configuraçãodos satélites com uma repetição de quatro minutos mais cedo diariamente em um mesmo local (Figura 26). www.esab.edu.br 102 Figura 26 - Sistema GPS. 9.5.1 Categorias dos sistemas GPS O Serviço de posicionamento padrão (SPS-Standard Positioning Service) está disponível para todos os utilizadores. O Serviço de posicionamento preciso (PPS-Precise Positioning Service) está disponível apenas para utilizadores autorizados pelo governo dos E.U.A. O objetivo inicial do U.S. DoD era disponibilizar dois serviços com precisões diferenciadas. O SPS foi idealizado para proporcionar navegação em tempo real com uma exatidão muito inferior ao proporcionado pelo PPS, mas verificou-se que os receptores usando apenas o código C/A proporcionavam uma exatidão muito próxima dos que usavam o código P. Como resultado o Departamento de Defesa implementou duas técnicas para limitar a precisão do sistema aos utilizadores autorizados: • Acesso Selectivo (SA - Selective Availability) - Consiste na manipulação da mensagem de navegação de modo a degradar a informação inerente ao relógio do satélite e às www.esab.edu.br 103 efemérides radiodifundidas. O SA foi, entretanto, removido em 1 de maio de 2000. • Anti-Sabotagem (AS - Anti-spoofing) - é semelhante ao SA, no propósito de negar, aos civis e potências hostis, o acesso ao código P. Este sistema impede que os receptores GPS sejam enganados por falsos sinais encriptando o código P num sinal chamado código Y. Apenas os receptores militares conseguem desencriptar o código Y. Os militares americanos fazem uso dos receptores GPS para estimar suas posições e deslocamentos quando realizam manobras de combate e de treinamento. Como exemplos podem ser citados a Guerra do Golfo e, mais recentemente, a Guerra do Afeganistão, onde os receptores GPS foram usados para o deslocamento de tropas e na navegação de mísseis até o alvo inimigo. Existem, contudo, equipamentos para usuários autorizados de uma precisão na ordem de milímetros. Estes receptores são utilizados em estudos geodésicos. Segmento de Usuários: • Navegação para aviões, carros, navios e outros meios de transporte; • Posicionamento de objetos e dados no espaço; • Movimentos de placas tectônicas; • Esportes radicais. www.esab.edu.br 104 Usuários Militares Autorizados: • Soldados Norte Americanos (Guerra do Afeganistão) • Pesquisa Geodésica. O suprimento de energia para os GPS da primeira geração foi um fator crítico, entretanto nos aparelhos modernos foram concebidos para terem um consumo mínimo de energia. Alguns chegam mesmo a operar com pilhas, embora possam ter bateria interna recarregável. Os receptores GPS podem ser classificados de três formas: para uso da comunidade usuária militar ou civil; para aplicação em navegação, geodesia e uso direto em Sistema de Informações Geográficas (SIG). Estas divisões ajudam os usuários na identificação do receptor adequado às suas necessidades, independentemente da classificação adotada. Os receptores GPS de uso militar têm precisão de 1 metro e os de uso civil, de 15 a 100 metros. Cada satélite emite um sinal que contem: códigos de precisão (P); código geral (CA) e informação de status. Como outros sistemas de rádio-navegação, todos os satélites enviam seus sinais de rádio exatamente ao mesmo tempo, permitindo ao receptor avaliar o lapso entre emissão/ recepção. A potência de transmissão é de apenas 50 Watts. A hora-padrão GPS é passada para o receptor do usuário. Receptores GPS em qualquer parte do mundo mostrarão a mesma hora, minuto, segundo e até mili-segundo. A hora-padrão é altamente precisa, porque cada satélite tem um relógio atômico, com precisão de nano-segundo - mais preciso que a própria rotação da Terra. www.esab.edu.br 105 9.5.2 Fatores Que Afetam A Precisão Do Sistema A primeira e maior fonte de erro é a Disponibilidade Seletiva (Selective Availability - S.A.), é uma degradação intencional imposta pelo Departamento de Defesa dos EUA. O Sistema foi originalmente projetado para uso militar, mas em l980, por decisão do então presidente Ronald Reagan, liberou-se o Sistema para o uso geral, reservando aos militares a melhor precisão. Desde então, satélites sujeitos à degradação SA têm sido regularmente lançados. Figura 27 - Geometria de Satélites. Hoje, todos os satélites permitem degradação AS. A razão principal é evitar que organizações terroristas ou forças inimigas se utilizem da precisão, outro fator que afeta também a precisão é a ‘Geometria dos Satélites’ - localização dos satélites em relação uns aos outros sob a perspectiva do receptor GPS (Figura 27). Se um receptor GPS estiver localizado sob 4 satélites e todos estiverem na mesma região do céu, sua geometria é pobre. Na verdade, o receptor pode não ser capaz de se localizar, pois todas www.esab.edu.br 106 as medidas de distância provêm da mesma direção geral. Isto significa que a triangulação é pobre e a área comum da intersecção das medidas é muito grande, isto é, a área onde o receptor busca sua posição cobre um grande espaço. Dessa forma, mesmo que o receptor mostre uma posição, a precisão não é boa. Com os mesmos 4 satélites, se espalhados em todas as direções, a precisão melhora drasticamente. Suponhamos os 4 satélites separados em intervalos de 90º a norte, sul, leste e oeste. A geometria é ótima, pois as medidas provêm de várias direções. A área comum de intersecção é muito menor e a precisão muito maior. A geometria dos satélites torna-se importante quando se usa o receptor GPS próximo a edifícios ou em áreas montanhosas ou vales. Quando os sinais de algum satélite são bloqueados, a posição relativa dos demais determinará a precisão, ou mesmo se a posição pode ser obtida. Um receptor de qualidade indica não apenas os satélites disponíveis, mas também onde estão localizados, permitindo ao operador saber se o sinal de um determinado satélite está sendo obstruído. Outra fonte de erro é a interferência resultante da reflexão do sinal em algum objeto, a mesma que causa a imagem ‘fantasma’ na televisão. Como o sinal leva mais tempo para alcançar o receptor, este ‘entende’ que o satélite está mais longe que na realidade. O erro causado é de aproximadamente 2m. Outras fontes de erro: atraso na propagação dos sinais devido aos efeitos atmosféricos e alterações do relógio interno. Em ambos os casos, o receptor GPS é projetado para compensar os efeitos. www.esab.edu.br 107 SAIBA MAIS O Brasil lançou em 2017 o primeiro satélite geoestacionário. Assista as reportagens para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=EPtXn3gQnGE https://www.youtube.com/watch?v=EPtXn3gQnGE www.esab.edu.br 108 10.1 Introdução A tecnologia BPL (Broadband over Power Line) ou PLC (Power Line Communications) é a tecnologia de comunicação de dados, voz ou imagem que utiliza a rede de energia elétrica como meio de transmissão. O princípio de trafegar outros sistemas pela rede elétrica não é novo, pois há quase nove décadas atrás, já se tinha registros de transmissões de voz por redes elétricas de alta tensão. Nesta época as concessionárias necessitavam estabelecer comunicações entre suas unidades e pretendiam monitorar e gerenciar as redes. (ANDRADE, 2008) O crescente interesse na utilização das redes de distribuição de energia elétrica como uma alternativa para o fornecimento de diversos serviços de telecomunicações, notadamente voz e dados com alta velocidade na chamada última milha, rede de baixa tensão conectada ao usuário final, motivou e tem motivado a pesquisa e o desenvolvimento de sistemas capazes de superar as características hostis deste ambiente como canal de comunicação. (ANDRADE, 2008) A forma acentuada com que o uso da internet tem crescido nos últimos anos contando com aplicativos sofisticados e incorporando recursos multimídia, faz com que seja cada vez maisinteressante contar com sistemas que, além de proporcionarem altas taxas de transmissão, forneçam conexão permanente ou dedicada aos usuários. www.esab.edu.br 109 Os sistemas BPL possibilitam uma boa opção adicional de prover dados em banda larga para áreas urbanas e rurais, aumentando a competitividade no fornecimento de serviços de comunicação de dados em banda larga e provendo o serviço para áreas de difícil ou limitado acesso. Como mencionado, o princípio de funcionamento desta tecnologia não é novo, entretanto, apenas nos últimos quatro anos aproximadamente, com o advento dos novos equipamentos de conectividade, a tecnologia tem sido avaliada e considerada por algumas empresas e incluída em planos de ação social do governo federal. (ANDRADE, 2008) No entanto, a tecnologia PLC usa a faixa de frequências de 1,705 MHz a 80 MHz sobre linhas de distribuição de energia elétrica e a disseminação de sistemas de comunicação de dados utilizando esta tecnologia sem normalização e homologação dos equipamentos pode contaminar o espectro reservado em ambientes que operem com serviços baseados em radiofrequência nesta faixa. Podem ser citadas utilizações clássicas dessa parte do espectro como o Serviço Móvel Aeronáutico (inclui-se comunicações de tráfego aéreo), Serviço Fixo Aeronáutico, Serviço Móvel Marítimo, canais para uso em correspondências governamentais, faixas de frequências para uso exclusivo militar, Serviço Fixo, Radioamador e outros. (ANDRADE, 2008) A importância da tecnologia PLC no plano de governo atual para a inclusão social e digital é que a mesma utiliza um meio de acesso com infraestrutura instalada e presente em quase todos os domicílios do país. Fato que reduz os custos de implantação do serviço e da utilização dos acessos à banda larga para o usuário final. www.esab.edu.br 110 10.2 Aplicações para Telecomunicações Segundo Andrade (2008), a tecnologia PLC em banda larga abrange um grande leque de possibilidades e serviços, tais como: • Acesso à internet em alta velocidade para edifícios comerciais e residenciais; • Redes de computadores; • Telefonia. Com a internet via PLC não existe a situação de venda casada, onde as operadoras mantêm contatos com as companhias provedoras de acesso, obrigando os usuários a pagar pelo meio de transmissão e pela autenticação na rede, e que muitos contestam na justiça. O que ocorre é que existe a possibilidade da própria concessionária de energia prover o acesso. (ANDRADE, 2008) 10.2.1 Serviços de Internet Como topologia básica para distribuição de sinais de telecomunicações, temos um equipamento OM (Outdoor Master) instalado, no lado de baixa tensão, próximo ao transformador de distribuição da rede elétrica, onde é realizado o acoplamento do backbone de dados com as três fases de baixa tensão da rede de energia elétrica. O acoplamento, conforme discutido anteriormente é em paralelo. O OM é o responsável por gerenciar e prover a transmissão das informações aos demais equipamentos como os OA (Outdoor Adapter) e os IA (Indoor Adapter) que são instalados nos assinantes. (ANDRADE, 2008) Na Figura 28 pode ser observada a topologia de fornecimento de banda larga por toda uma zona de distribuição de um transformador. Neste exemplo, estão sendo utilizados repetidores OAP/IC www.esab.edu.br 111 (Outdoor Access Point/Indoor Controller) ao longo da rede de distribuição de energia elétrica para obter maior alcance dos sinais enviados pelo OM. Os assinantes próximos do transformador de baixa tensão utilizarão os modems OA, que se comunicam diretamente com o OM, distribuindo o sinal pelos equipamentos internos da casa. Para os assinantes mais afastados do transformador de baixa tensão, há a necessidade da utilização dos repetidores OAP/IC para fazer a conexão do modem IA ao OM. O modem OA utiliza a faixa de frequência compreendida entre 1 MHz e 12 MHz, o modem IA utiliza a faixa de frequência compreendida entre 18 MHz e 26 MHz. (ANDRADE, 2008) Figura 28 - Topologia básica externa e interna. 10.2.2 Redes de Computadores Uma aplicação mais específica e limitada da tecnologia PLC está na criação de redes de computadores sem utilização do tradicional cabo UTP ou Coaxial como meio de transmissão. Para usuários não tão exigentes, que buscam apenas conexão entre laptops e seus micros domésticos com a finalidade de trocar arquivos ou www.esab.edu.br 112 jogos multi-player, foram desenvolvidos pela COGENCY, dispositivos simples de acoplamento em redes elétricas que utilizam o chipset conhecido como PIRANHA, que modulam e acoplam o sinal do computador na rede elétrica. Por uma questão de versatilidade, existem as versões USB e RJ-45, conforme pode ser visto na figura 4 (ANDRADE, 2008). Figura 29 - Adaptador BPL conectado a tomada. A Figura 30 mostra uma representação simplificada de uma rede BPL na casa ou empresa do cliente. Figura 30 - Representação de rede BPL em um cliente. www.esab.edu.br 113 10.2.3 Telefonia Em países de economia emergente, onde a penetração da telefonia ainda é baixa, a utilização da rede elétrica existente tem muitas vantagens, principalmente em se falando de redução de altos investimentos em infraestrutura. Estes países são clientes potenciais para utilização da telefonia sobre a rede elétrica. (ANDRADE, 2008). Como principal atuante nesse ramo está a MAIN.NET, a qual idealizou e implementou o sistema PLUS Telephony, capaz de prover cobertura telefônica sem instalação de novos condutores. Os benefícios desta infraestrutura podem ser listados como segue (ANDRADE, 2008): • Uso da rede elétrica existente; • Os usuários podem continuar utilizando seus aparelhos analógicos; • Significativo retorno de investimentos; • Garantia de interconexão segura utilizando interfaces PSTN; • Adição de serviços de valor agregado à rede (SMS, conferência, etc.); • Custos reduzidos ou usuário final; • Quebra de monopólio das companhias telefônicas devido à possibilidade de outras operadoras compartilharem o mesmo meio de transmissão. Outra aplicação bastante interessante surgiu de um problema que afeta a maioria das pessoas no mundo. Quem nunca precisou instalar uma extensão telefônica em casa ou no escritório e se deparou com a tubulação interna totalmente obstruída ou inexistente? Partindo dessa dificuldade, a empresa americana www.esab.edu.br 114 PHONEX, desenvolveu um dispositivo modulador-filtro capaz de acoplar uma linha telefônica à rede elétrica doméstica. (ANDRADE, 2008). 10.3 Aplicações Residenciais A automação residencial tem se tornado cada vez mais aplicada. A integração entre todos os eletrodomésticos, lâmpadas, portas, dispositivos de detecção e segurança são cada vez mais comuns em residências de muitos países. A dificuldade está na adequação das residências antigas à esta nova realidade devido à obrigatoriedade de se instalar novo cabeamento. (ANDRADE, 2008) Os sistemas de segurança e aplicações do gênero são a fatia mais interessante neste mercado, principalmente quando se é possível integrar sinalizações e comandos com a Internet e permitindo ao usuário observar e controlar sua residência, esteja ele onde estiver, basta estar conectado. (ANDRADE, 2008) Os serviços de automação residencial podem ser divididos em dois grupos principais, segundo Andrade (2008): • Aplicações de banda larga – Serviços em tempo real como câmera de segurança; • Aplicações de banda estreita – Comando de ativação e desativação de eletrodomésticos. Se pararmos para pensar, uma boa parte das residências no mundo possui um microcomputador, o que possibilita a criação de uma casa inteligente. Você pode ter um aparelho de DVD em um cômodo enviando o vídeo para uma TV ou um computador apenas conectado à tomada elétrica comandando os eletrodomésticos. (ANDRADE, 2008) www.esab.edu.br 115Podemos observar na Figura 31 as inúmeras possibilidades de interação entre o usuário e seus eletrodomésticos, ou ainda, entre eles. Figura 31 - Casa inteligente. 10.4 Aplicações Industriais Outro grande grupo que pode ser explorado é a utilização da rede elétrica para serviços de uso industrial. A maior aplicação está na área de distribuição de energia, na qual é possível se obter um melhor monitoramento do sistema, levando o mesmo à maiores níveis de segurança, confiabilidade e eficiência. Por não necessitarem de altas velocidades ou grandes volumes de informação, este grupo de aplicações foi o primeiro a ser desenvolvido. (ANDRADE, 2008) www.esab.edu.br 116 Neste eixo temático você conheceu um pouco mais a tecnologia de rede pessoal Bluetooth. Também conheceu o principal padrão largamente utilizado em redes locais: Wi-Fi. Também conheceu o padrão WiMAX que permite acesso à última milha, onde outras tecnologias não conseguem fornecer acesso. Você conheceu a tecnologia quer permite acesso em todo o mundo, via satélite, e a sua utilização principalmente no sistema de navegação GPS. E finalmente, conheceu a tecnologia, que é pouco utilizada no Brasil, BPL que fornecesse acesso via rede elétrica, e que tem muitas vantagens. www.esab.edu.br 117 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES No eixo temático “serviços de telecomunicação”, vamos conhecer os serviços que permitem a comunicação, tais como telefonia fixa, telefonia móvel, acesso à Internet móvel, sistema de TV e a tendência de redes convergentes. Ao final deste eixo temático você deverá: a) Conhecer o funcionamento da telefonia fixa comutada, seus componentes e serviços. b) Conhecer as principais do sistema de telefonia móvel. c) Conhecer as principais tecnologias de banda larga móvel d) Conhecer o funcionamento da TV a cabo e da TV digital. e) Entender o conceito de rede convergente, suas principais funções e a tendências dadas Redes de Próxima Geração. www.esab.edu.br 118 Introdução Telefonia é a área do conhecimento que trata da transmissão de voz e outros sons através de uma rede de telecomunicações. Surgiu da necessidade das pessoas que estão a distância se comunicarem. (Dic. Aurélio: tele = longe, a distância; fonia = som ou timbre da voz). (TUDE e SOUZA, 2014) As redes de telefonia usam comutação de circuitos. Elas começaram a ser desenvolvidas no final do século XIX. Toda a antiga rede de telefonia, utilizava sinais analógicos para transmitir voz. Com o advento dos computadores, as redes de telefonia passaram a receber dados adicionalmente à voz (início dos anos 80). Posteriormente, as redes de telefonia fixa experimentaram muitas mudanças tecnológicas, e hoje a rede é tanto analógica como digital. (FOROUZAN, 2008). 11.2 Componentes Macro de Uma Rede Uma rede de telefonia, como mostra a Figura 32, é constituída a partir de três componentes principais: as conexões locais (assinante), os troncos e as centrais de comutação. Ela admite muitos níveis de centrais de comutação, tais como as locais, as interurbanas e as regionais ou interurbanas. (FOROUZAN, 2008). www.esab.edu.br 119 Figura 32 - Sistema telefônico. A. Linhas de Comunicação Local: é o componente telefônico mais próximo do usuário final, que conecta o aparelho telefônico do assinante à central local mais próxima. A linha local quando utilizada para voz, possui uma largura de banda de aproximadamente 400Hz. A estrutura do número de cada linha segue um padrão numérico que depende da região. (FOROUZAN, 2008). B. Troncos: são os meios de comunicação que desempenham a comunicação entre centrais de comutação. Um tronco disponibiliza centenas ou milhares de conexões através de multiplexação. Hoje em dia, existe uma predileção em montar troncos de transmissão em fibra ótica ou links de satélite. (FOROUZAN, 2008). C. Central de Comutação: para evitar conexões físicas permanentes entre dois ou mais assinantes, as companhias telefônicas possuem grandes dispositivos comutadores montados numa central de comutação. Uma central desse www.esab.edu.br 120 porte conecta muitos assinantes ou troncos e permite a conexão entre diferentes assinantes em diversas partes do mundo. (FOROUZAN, 2008). 11.3 Chamada Telefônica Para que um assinante do sistema telefônico fale com o outro é necessário que seja estabelecido um circuito temporário entre os dois. Este processo, que inicia com a discagem do número telefônico do assinante com quem se deseja falar, é denominado chamada ou ligação telefônica. (TUDE e SOUZA, 2014) 11.3.1.1 Numeração No Brasil, a cada assinante do serviço telefônico fixo foi atribuído um código de acesso de assinante, ou número telefônico, formado de 8 dígitos (N8+N7+N6+N5+N4+N3+N2+N1) que é discado quando a ligação é local. Normalmente os primeiros 4 dígitos correspondem ao prefixo da central telefônica local a qual o assinante está conectado e os 4 últimos dígitos ao número do assinante na rede de acesso desta central. Para ligações nacionais ou internacionais, é necessário que sejam discados códigos adicionais (nacional, internacional e seleção de operadora). (TUDE e SOUZA, 2014) Para permitir a busca de um assinante na rede mundial, A UIT – União Internacional de Telecomunicações - definiu o Plano de Numeração Internacional, definindo o código de cada país (Brasil 55, EUA 1, Itália 39, Argentina 54, etc.), assim como algumas regras básicas que facilitam o uso do serviço, como o uso de prefixos. (TUDE e SOUZA, 2014) www.esab.edu.br 121 O Regulamento de Numeração do STFC define, segundo Tude e Souza (2014): • 0 (zero) como Prefixo Nacional, ou seja, o primeiro dígito a ser discado numa chamada de longa distância nacional. • 00 (zero zero) como o Prefixo Internacional, ou seja, o primeiro e segundo dígitos a serem discados numa chamada internacional. • 90 (nove zero) como o Prefixo de chamada a cobrar. • N12+N11 – CSP - código de seleção de prestadora – como o código a ser discado antes do código de acesso nacional ou internacional e imediatamente após o Prefixo Nacional ou Prefixo Internacional. • N10+N9 – Código Nacional (DDD) da cidade do assinante chamado (assinante B), a ser discado após o código de seleção de prestadora em chamadas nacionais. Desta forma, é possível repetir os números de assinantes de forma não ambígua, em cidades diferentes. Este esquema hierárquico de planejar a numeração é adotado internacionalmente, com pequenas diferenças entre um país e outro. Normalmente a diferença está nos prefixos escolhidos para acesso nacional e internacional, no uso do código de seleção de prestadora, na digitação interrompida por tons intermediários, etc. (TUDE e SOUZA, 2014) www.esab.edu.br 122 11.3.1.2 Sinalização As linhas telefônicas dos assinantes são conectadas através das conexões locais às centrais de comutação locais. Para acessar uma estação de comutação dentro da central é necessário realizar uma discagem. Para que a chamada seja estabelecida o sistema telefônico tem que receber do assinante o número completo a ser chamado, estabelecer o caminho para a chamada e avisar ao assinante que existe uma chamada para ele. O sistema que cumpre estas funções em uma rede telefônica é chamado de sinalização. (FOROUZAN, 2008). A sinalização entre o terminal do assinante e a central local é transmitida por abertura e fechamento do circuito da linha telefônica (pulso) ou pelo envio de sinais em frequências específicas (tom). (TUDE e SOUZA, 2014) No passado, praticamente todos os aparelhos telefônicos apresentavam um disco de discagem de onde as ligações telefônicas partiam na forma de pulsos. Para cada número escolhido e discado era associado um sinal digital prontamente enviado à central mais próxima. Este tipo de discagem ficava sujeito a muitos erros de manuseio devido a inconsistência humana durante o processo de discagem. (FOROUZAN,2008). Hoje em dia o disco foi substituído por teclas e os pulsos de discagem cada vez mais estão sendo substituídos por tons. Nesse método, em vez de enviar um sinal digital, o usuário envia duas pequenas “rajadas” ou sequências de sinais analógicos de frequências diferente, chamada “tom dual”. A frequência dos sinais analógicos enviados depende da linha e da coluna onde a tecla está posicionada. (FOROUZAN, 2008). www.esab.edu.br 123 11.3.1.3 Digitalização Nos anos 70 as centrais telefônicas iniciaram uma evolução de uma concepção analógica para digital. Esta transformação iniciada no núcleo das centrais, pela substituição de componentes eletromecânicos por processadores digitais estendeu-se a outras áreas periféricas das centrais, dando origem às centrais digitais CPA-T (Controle por Programa Armazenado -Temporal). Em 2002, no Brasil, 98 % das centrais eram digitais. (TUDE e SOUZA, 2014) Com as centrais digitais foi possível evoluir os métodos de sinalização, passando de sistemas onde a sinalização é feita utilizando o próprio canal onde se processa a chamada telefônica (canal associado) para a padronização estabelecida pelo sistema de sinalização por canal comum número 7 (SS7) que utiliza um canal dedicado para sinalização (Canal Comum). Esta evolução trouxe flexibilidade e uma série de benefícios ao sistema telefônico principalmente quanto ao oferecimento de serviços suplementares e de rede inteligente. (TUDE e SOUZA, 2014) 11.4 Serviços Analógicos Nas primeiras décadas da era telefônica, as companhias proviam aos usuários serviços de telefonia analógicos. Estes serviços continuam até os dias de hoje, e são, segundo Forouzan (2008): A. Serviços de chamadas locais: A operadora que presta o serviço local é aquela que possui a central local e a rede de acesso à qual o terminal do assinante está conectado. É considerado serviço local aquele destinado à comunicação entre dois terminais fixos em uma área geográfica contínua www.esab.edu.br 124 de prestação de serviços, definida pela Anatel, segundo critérios técnicos e econômicos, como uma área local. Se em uma área local existirem duas operadoras prestando serviço local deverá haver interconexão entre estas redes, tornando possível uma ligação local entre assinantes destas duas operadoras. Neste caso, para uma chamada normal, o assinante originador da chamada paga a ligação à sua operadora local e esta remunera a outra pelo uso de sua rede. Na chamada a cobrar, a situação se inverte. (TUDE e SOUZA, 2014) Figura 33 - Interconexão de operadoras de serviço local. B. Serviços de Longa Distância: O Serviço de Longa Distância Nacional é aquele destinado à comunicação entre dois terminais fixos situados em áreas locais distintas no território nacional. Uma ligação de longa distância envolve normalmente três operadoras. A operadora local 1 que presta o serviço local ao assinante que origina a chamada, a operadora local 2 que presta o serviço local ao assinante que recebe a chamada, e a operadora de longa distância. (TUDE e SOUZA, 2014) www.esab.edu.br 125 Figura 34 - Chamada de longa distância. C. Serviços 800: se um assinante precisar prover chamadas gratuitas para outros assinantes, ele pode solicitar, junto a alguma companhia telefônica, um serviço 800. Nesse caso, a chamada é grátis para quem faz a ligação, mas é paga pela empresa que contratou o serviço. D. WATS (Wide-Area Tehephone Services): são os serviços opostos ao 800. São chamadas recebidas por uma organização que disponibiliza algum serviço de utilidade pública. As WATS são taxadas através do número de chamadas realizadas por uma organização. Este serviço pode ser menos oneroso que que o serviço tradicional de chamadas interurbanas, porque são cobrados de acordo com a quantidade de ligações. Esse serviço está disponível nos níveis estadual, regional ou nacional. E. Serviços 900: são parecidos com os serviços 800, que são chamadas recebidas de um grupo de assinantes. Entretanto, diferentemente dos serviços 800, a chamada é paga pela pessoa que liga e normalmente é mais cara que uma ligação de longa distância. O motivo dessa taxa ser mais elevada é que uma companhia normalmente faz duas cobranças: a www.esab.edu.br 126 primeira pela chamada interurbana e si e a segunda pelos serviços pagos à empresa que mantem a linha. Este serviço normalmente é utilizado por organizações que taxam os consumidores ou clientes pelos serviços prestados. F. Serviço de Aluguel de Linhas Analógicas: oferece aos consumidores a oportunidade de alugar uma linha, chamada às vezes de linha dedicada, e conectá-la permanentemente a outro usuário. Embora essa conexão ainda passe por centrais de comutação numa rede telefônica, os assinantes tratam-na como uma linha única porque o circuito de comutação está sempre disponível, dispensando até mesmo o processo de discagem. 11.5 Serviços Digitais Recentemente as companhias telefônicas começaram a oferecer serviços digitais aos assinantes, que são menos sensíveis ao ruído e outras formas de interferência que os serviços analógicos. Os dois serviços digitais mais comuns são, segundo Forouzan (2008): A. Serviço Switched/56: é a versão digital da linha analógica comutada. É um serviço de comutação digital que permite taxas de transmissão de até 56kbps. Para se comunicar através deste serviço ambas as partes devem assina-lo. A pessoas que faz a chamada utilizando um serviço telefônico comum não pode se conectar a um comutador ou telefone que utilize um switched/56, até mesmo se um modem for utilizado. De outro modo, os serviços analógicos e digital representam domínios diferentes para as companhias telefônicas. www.esab.edu.br 127 B. Serviço ou Rede Digital de Dados (DDS): é a versão digital da linha telefônica alugada. Ela é uma linha digital que suporta velocidade de transmissão de até 64 kbps. SAIBA MAIS Telefonia IP é um termo geral para as tecnologias que usam conexões de comutação de pacotes de Protocolo de Internet para transmitir voz, fax e outras formas de informação que têm sido. Para saber mais acesse: https://www.youtube.com/watch?v=FJOKto7mYPc https://www.youtube.com/watch?v=FJOKto7mYPc www.esab.edu.br 128 12.1 Introdução A telefonia celular é projetada para estabelecer comunicação entre duas unidades móveis, denominadas MSs (Mobilesattions - estações móveis) ou entre uma unidade móvel e outra fixa, normalmente chamada unidade terrestre. Um provedor de serviços tem de ser capaz de localizar e rastrear uma unidade que faz chamada, aloca rum canal à chamada e transferir o canal de uma estação rádio base a outra à medida que o usuário que faz a chamada deixa a área de cobertura. (FOROUZAN, 2008) Para permitir esse rastreamento cada área de serviço celular é dividida em pequenas regiões chamadas células. Cada célula contém uma antena que é controlada por uma estão de rede como alimentação CA ou por energia solar, denominada estação rádio base (ERB). Por sua vez, cada estação rádio base é controlada por uma central de comutação conhecida como MSC (Mobile Switching Center - Central de Comutação Móvel). A MSC coordena a comunicação entre todas as estações rádio base e a central telefônica. Trata-se de uma central computadorizada responsável pela conexão de ligações, registros de informações de chamadas e tarifação. (FOROUZAN, 2008) www.esab.edu.br 129 Figura 35 - Sistema telefônico. O tamanho da célula não é fixo e poder ser aumentado ou diminuído, dependendo da população da região. O raio de cobertura típico de uma célula é de 1 a 20 km. Áreas densamente povoadas requerem células geograficamente menores para atender às exigências de tráfego que aquelas de áreas de menor densidade. Uma vez determinado, o tamanho da célula é otimizado para evitar interferências de sinais de células adjacentes. A potência de transmissãode cada célula é mantida baixa, de modo a evitar que seu sinal interfira nessas outras células. (FOROUZAN, 2008) 12.2 Princípios de Reuso de Frequência Em geral, células vizinhas não podem usar o mesmo conjunto de frequência para comunicação, pois poderão gerar interferência para os usuários localizados às fronteiras das células. Entretanto, o conjunto de frequências disponível é limitado e estas precisam ser reutilizadas. Um padrão de reutilização de frequência é uma configuração de N células, com N sendo o fator de reutilização no qual cada célula usa um conjunto de frequências exclusivo. www.esab.edu.br 130 Quando o padrão é repetido, as frequências podem ser reutilizadas. Existem vários padrões diferentes e a Figura 36 apresenta dois deles. (FOROUZAN, 2008) Figura 36 - Reutilização de frequências. 12.3 Transmissão Para fazer uma ligação de uma estação móvel, aquele que faz a chamada digita um código que é o número de telefone. A estação móvel rastreia então a banda, procurando um canal de configuração com um sinal forte e envia os dados (o número de telefone) para a estação rádio base mais próxima que utiliza esse canal. A estação rádio base retransmite os dados para a MSC. Esta envia os dados para a central telefônica. Se a parte chamada estiver disponível, é estabelecida uma conexão e o resultado é retransmitido de volta para a MSC. Nesse ponto, a MSC aloca um canal de voz para a ligação e é estabelecida uma conexão. A estação móvel ajusta automaticamente sua sintonia para o novo canal e a comunicação pode ser iniciada. (FOROUZAN, 2008) www.esab.edu.br 131 12.4 Recepção Quando um telefone celular é chamado, a central telefônica envia o número para a MSC, que procura a localização da estação móvel enviando sinais de consulta para cada célula, em um processo denominado paging. Assim, que a estação móvel for encontrada, a MSC transmite um sinal de discagem e, quando a estação rádio base responder, aloca um canal de voz para a ligação, permitindo que a conversação possa ser iniciada. (FOROUZAN, 2008) Roaming Em um sistema Celular, o terminal móvel se comunica com o sistema através da Estação Rádio Base (ERB) mais próxima. A ERB que o terminal móvel se utiliza para se comunicar com o sistema vai mudando conforme o terminal se move. Figura 37 - Roaming. www.esab.edu.br 132 Um terminal móvel é registrado em uma Área de Registro, que é a área de localização do terminal móvel por ocasião da sua habilitação no serviço celular. Esta área serve de referência para o cálculo do valor das chamadas destinadas ao assinante. (TUDE e SOUZA, 2002) De acordo com o Plano de Serviço escolhido pelo cliente, é definida uma Área de Mobilidade que, segundo Tude e Souza (2002): • corresponde a Área Geográfica que é considerada como referência para aplicação dos itens “Adicional por Chamada” e “Deslocamento” de Planos de Serviço do SMC; • é estabelecida de forma independente dos limites geográficos da Área de Concessão da operadora celular, podendo ser contínua ou não; e • pode ser diferenciada entre os Planos de Serviço da operadora celular. Quando o terminal está fora de sua Área de Mobilidade ele está em roaming, ou seja, ele é um assinante visitante no sistema celular daquela região. Esta condição é sinalizada no visor do terminal celular. (TUDE e SOUZA, 2002) Os casos possíveis de roaming são, segundo Tude e Souza (2002): • Roaming na operadora do assinante: Quando o assinante se move para fora de sua Área de Mobilidade, mas dentro da área de cobertura de sua operadora. Neste caso o roaming é inteiramente automático, pois as características técnicas do sistema não mudam. www.esab.edu.br 133 • Roaming com outra operadora: Quando o assinante se move para a área de cobertura de outra operadora (operadora visitada). Neste caso o roaming será possível se o terminal for compatível com as características técnicas da operadora visitada e existir um acordo de roaming desta com a operadora do assinante. 12.6 Primeira Geração (1G) A primeira geração de sistemas celulares, chamada 1G, teve seu grande impacto na sociedade principalmente pela novidade: sem fio. Até então, todos os sistemas de telefonia móvel eram centralizados e, como consequência, tinham uma baixa capacidade de tráfego e alto custo. Estas características restringiam a poucos usuários a possibilidade de se comunicar em movimento com um serviço de telefonia (FONTANA, 2014). Uma característica, que viria a ser marcante, era o fato de os sistemas de primeira geração serem analógicos, utilizando sistemas de modulação em frequência (Frequency Modulation – FM), onde a voz do usuário é transmitida em radiofrequência (Radio Frequency – RF) na faixa UHF (Ultra High Frequency) Os primeiros celulares utilizavam o chamado sistema analógico de telefonia móvel — AMPS, com múltiplo acesso por divisão de frequência — FDMA, operando na faixa de 800MHz (FONTANA, 2014). O sistema AMPS propiciava a cada telefone um par de frequências de rádio, sendo uma para receber e outra para enviar informações. O telefone contava com um canal de voz que permanecia ativo durante toda a ligação (FONTANA, 2014) Esse sistema gerava uma largura de banda útil dividida em dois www.esab.edu.br 134 blocos de 832 canais de 30KHz, sendo atribuídos para duas operadoras — banda A e banda B, com o intuito de estimular a concorrência comercial entre operadoras. Com essa medida, cada operadora contava com 416 canais bidirecionais, sendo: 395 canais de voz e 21 canais de dados (FONTANA, 2014). Atualmente os telefones celulares de primeira geração estão em desuso e, com a implantação da terceira geração deverão ser totalmente abandonados. 12.7 Segunda Geração (2G) A segunda geração da telefonia celular móvel surgiu no início dos anos 90 e se baseia na tecnologia digital, contrapondo-se à analógica. Essa nova tecnologia que permitia codificar sob a forma de números, ou dígitos, sons e imagens, facilitou o envio e o recebimento de informações, com a sua digitalização na origem e reconversão no aparelho de destino (FONTANA, 2014). A segunda geração trouxe melhor qualidade de voz, além de um número considerável de novos serviços, tais como: identificador de chamada, conferência, serviço de mensagens curtas (SMS), serviços de mensagem multimídia (MMS), roaming internacional, chip de segurança, direcionamento de chamadas, aviso de tarifação, plano de numeração de privados, chamadas em conferência (FONTANA, 2014). Utiliza os seguintes sistemas: de acesso múltiplo por divisão de tempo — TDMA; acesso múltiplo por divisão de código — CDMA-One; e o sistema móvel global — GSM. Operando na frequência de 850 a 1900 MHz, o sistema TDMA propicia a transmissão de voz, com uma divisão do canal de frequência em seis intervalos distintos de tempo. O TDMA permite www.esab.edu.br 135 três chamadas simultâneas dentro de uma mesma frequência, permitindo que cada usuário utilize um determinado período de transmissão. O sistema CDMA permite que todos os usuários assinantes transmitam e recebam informações por um mesmo canal, simultaneamente. Para cada usuário é fornecido um código específico. Para utilizar o sistema, os usuários devem conhecer seus respectivos códigos (FONTANA, 2014). Esse sistema permite que os telefones celulares recebam múltiplos sinais ao mesmo tempo, pois, por meio de um sistema inteligente, definem o melhor sinal de cada um, dentro da faixa de frequência dos 800 aos 1900 MHz. O sistema GSM atua dentro da frequência dos 900 aos 1800 MHz, apresentando superioridade em relação às demais tecnologias em termos de segurança. Esse benefício se deve ao chip, conhecido como cartão do Módulo de Identidade do Assinante — SIM — que armazena as informações dos usuários, praticamente impedindo a clonagem do aparelho (FONTANA, 2014). A evolução do sistema GSMse deve, principalmente, ao fato de a maio parte das operadoras terem adotado essa tecnologia, facilitando o roaming internacional, com a celebração de acordos. Atualmente, quase dois milhões de pessoas, em mais de duzentos países, utilizam o sistema GSM. 12.8 Segunda Geração e Meia (2,5G) Conhecida como segunda geração e meia, esta tecnologia apresenta uma evolução considerável em relação à anterior: é orientada a pacotes e não à conexão, permitindo que os usuários fiquem conectados por tempo indeterminado. O sistema 2,5G inclui as seguintes tecnologias, segundo Fontana (2014): www.esab.edu.br 136 • GPRS — padrão de transmissão de rádio por pacote, que possibilita a transmissão de dados sem a necessidade de se estabelecer uma conexão, pois a tarifação é feita por utilização e não por tempo de uso. • EDGE — Taxa de dados ampliados para GSM/GPRS, uma evolução do GPRS e um dos principais fatores que possibilitaram o sistema de terceira geração. Possibilita a transmissão avançada de dados, pois conta com taxas de transmissão rápida. Esta tecnologia propiciou o desenvolvimento da telefonia celular rural, pois a sua qualidade de propagação é excelente. • CDMA2000 1X conhecidas como Sistema de Segunda Geração e Meia (2,5G) é o primeiro passo para o desenvolvimento da tecnologia 3G, além de possibilitar a cobertura de redes não digitais. 12.8 Terceira Geração (3G) O Brasil contava em 2007 com os sistemas 1G, 2G e 2,5G, sendo que as adaptações tecnológicas necessárias já estavam sendo adotadas para a implantação do sistema 3G, a última palavra em tecnologia celular. Fontana (2014) declara ainda que o sistema 3G inclui as seguintes tecnologias: • WCDMA (Banda Larga CDMA) que é um aperfeiçoamento do GSM, fundamentando-se no Protocolo de Internet — IP. O acesso a essa tecnologia se dá por meio de códigos, possibilitando a transmissão de voz e de dados, com taxas elevadas de transmissão, podendo chegar a 2 Mbps. O sistema 3G a ser implantado no Brasil prevê a instalação de www.esab.edu.br 137 frequências entre 1900 e 2100 MHz, possibilitando que até cem usuários simultaneamente, num mesmo canal. • CDMA 2000 1XEV-DV, para pacote HSDPA (Acesso em pacote com enlace de descida em alta velocidade) que aumenta a capacidade da WCDMA. • CDMA 2000 1XEV-DO que é um aperfeiçoamento da tecnologia de telefonia celular CDMA2000, viabilizando a conectividade sem fio de alta velocidade comparável à banda larga com fio. Esta tecnologia cria uma nova geração das transmissões sem fio multifuncionais. Por meio dela os usuários podem enviar e receber e-mails com grandes anexos, joguem interativamente em tempo real, enviem imagens e vídeos de alta resolução, “baixem” músicas e vídeos da Internet e permaneçam on-line com seus computadores domésticos ou comerciais em um único aparelho. 12.10 Quarta Geração (4G) Quando se pensa em 4ª geração de sistemas celulares se pensa em uma total convergência de voz e dados. Pensa-se, também na convergência de todas as redes sem fio (LANs, IEEE802.11, Bluetooth, etc.) e na integração das redes públicas fixas e celulares. Toda esta integração e convergência dos serviços possuem basicamente uma única causa: a crescente demanda dados e mobilidade. Por causa disto, vem surgindo com 4ª geração as WMAN (Wireless Metropolitan Area Network), e, também, padrões que garantem, além de uma cobertura metropolitana, uma maior taxa de transmissão de dados com maior qualidade (FONTANA, 2014). www.esab.edu.br 138 Com isto estavam sendo desenvolvidos os padrões IEEE 802.16, o WiMAX (Worldwide Interoperability for Microwave Access) e o IEEE 802.20, o Mobile-Fi. A grande similaridade das diversas tecnologias 4G é a utilização da técnica de modulação OFDM (Orthogonal Frequency Division Multiplexing). Todas estas tecnologias trabalham em redes IP/OFDM. É através destas eficientes técnicas de modulação e de múltiplo acesso como OFDMA (Orthogonal Frequency Division Multiple Access) que é garantir a escalabilidade, alta taxa de dados e segurança da rede 4G – WiMAX (FONTANA, 2014). A evolução desses estudos foi consolidada no LTE, tecnologia de 4G que está sendo amplamente implantada em todo o mundo, e que se tornou a mais importante dentre as tecnologias desenvolvidas. SAIBA MAIS Para conhecer um pouco mais sobre a telefonia móvel, assista a reportagem: https://olhardigital.com.br/video/a-tecnologia-por-tras-da- telefonia-movel/34603 https://olhardigital.com.br/video/a-tecnologia-por-tras-da-telefonia-movel/34603 https://olhardigital.com.br/video/a-tecnologia-por-tras-da-telefonia-movel/34603 www.esab.edu.br 139 13.1 Ultra Mobile Broadband – UMB O Ultra Mobile Broadband (UMB) é uma tecnologia de banda larga 4G proposta pelo 3GPP2 para ser o sucessor natural do 1xEVDO. O UMB está sendo projetado para fornecer acesso de banda larga móvel com alta eficiência espectral e curta latência utilizando modulação avançada, adaptação de enlace e técnicas de transmissão por múltiplas antenas. Além disso, esta tecnologia promete prover, rápido handoff, controle rápido de potência e gerenciamento de interferência entre setores que foi incorporado no projeto para facilitar a comunicação em ambientes altamente móveis. O sistema UMB utiliza OFDM como principal técnica de transmissão possibilitando elevadas capacidade e confiabilidade. Além disso, o UMB possui codificação adaptativa, modulação com sincronia Hybrid automatic repeat request (HARQ) e codificação turbo com pequena latência de retransmissão. O enlace direto do UMB é realizado utilizado a tecnologia MIMO (Multiple Input Multiple Output) através do Space-Division Multiple Access (SDMA) como técnica de múltiplo acesso. A taxa máxima de transmissão é de 260 Mbit/s. O link reverso é baseado nas técnicas de acesso Orthogonal Frequency Division Multiplexing Access (OFDMA) e também na utilização de múltiplas antenas receptoras. Ele ainda emprega Code division multiple access (CDMA) para o controle de segmentos do canal e rápido acesso, www.esab.edu.br 140 eficiente handoff e agendamento de subbanda.UMB fornece gerenciamento de interferência através reuso da frequência, controle de potência visando atender a possível usuário que se encontram na borda da célula. O dinâmico reuso da frequência também possibilita a otimização da largura de banda. Este padrão pode ser utilizando em um grande número de aplicações proporcionado aos usuários de redes 4G que utilizam esta técnica mais flexibilidade. O principal objetivo do UMB é fornecer melhor desempenho aos sistemas celulares existentes mantendo-se competitivo em relação aos sistemas WiMAX2 e LTE-Advanced. 13.2 Long Term Evolution (LTE) A 3º Geração de Projetos de Parceria (3GPP) começou a trabalhar na evolução do sistema de celulares 3G em novembro de 2004. O 3GPP é o acordo de colaboração para a promoção de normas para celulares para fazer frente às necessidades futuras (altas taxas de dados, a eficiência espectral, etc.) O LTE 3GPP foi desenvolvido para proporcionar maiores taxas de dados, latências mais baixas, espectro mais largo e pacotes otimizados de tecnologia de rádio. (NAJAR, 2017) Como outras tecnologias celulares, LTE utiliza OFDM como técnica de multiplexação. LTE utiliza OFDMA como downlink e Single Carrier FDMA (SC FDMA) como técnica de transmissão de uplink. A utilização de SC FDMA em LTE reduz o pico de potência média, que é a principal desvantagem de OFDM. (NAJAR, 2017) O LTE utiliza um espectro mais amplo, até 20 MHz, para oferecer compatibilidade com as tecnologias celulares como UMTS e HSPA www.esab.edu.br 141 e aumenta a capacidade do sistema. LTE utiliza o espectro flexível que torna possível ser implantada em todas as combinações de largura de banda. Isso torna o LTE apropriado para vários tipos de recursos de espectro. LTE utiliza FDD e TDD duplexcomo técnicas para acomodar todos os tipos de recursos de espectro. (NAJAR, 2017) Entre os motivos que motivaram o LTE está: a necessidade de assegurar a continuidade da competitividade do sistema 3G para o futuro, a demanda do usuário por melhores taxas e qualidade de serviço, prosseguimento da redução de custos, a necessidade de uma arquitetura com menor complexidade, otimização da comutação de pacotes e a eliminação de uma possível fragmentação das tecnologias já desenvolvidas. 13.2.1 Características As características do LTE são: • Aumento da eficiência espectral através da utilização do OFDM na execução do processo de recepção dos dados, utilizando QPSK, 16 QAM ou 64 QAM, proporcionando, robustez contra múltiplos percursos e elevada afinidade com técnicas como agendamento dependente do canal no domínio da frequência e MIMO em aplicação de múltiplas antenas; • Subtração da latência através de utilização de curtos períodos de atraso e de tempo de setup; • Permissão de até 10 vezes mais usuários por célula que o permitido no Wide-Band Code-Division Multiple www.esab.edu.br 142 Access (WCDMA) tecnologia utilizada em sistemas 3G ; • Suporte a várias larguras de banda: 1.4, 3, 5, 10, 15 e 20 MHz; • Permite taxas de até 75 e 300 Mbit/s na transmissão e recepção respectivamente. • Utilização de subportadoras com espaçamento igual a 15 kHz; • Simplificação da arquitetura do protocolo por meio compartilhamento do canal e utilização do Voice over IP (VoIP); • Compatibilidade com os releases publicados pelo 3rd Generation Partnership Project(3GPP) e outros sistemas como CDMA2000; • Elevação da eficiência de Multicast / Broadcast; • Suporte a automação de processo de redes – Self-Organising Network (SON) – permitindo as redes se autoconfigurarem e sincronizarem com redes adjacentes; • Utilização do protocolo IP. www.esab.edu.br 143 A Tabela 6 apresenta o desempenho e as metas do LTE: Tabela 6- Desempenho LTE. 13.2.2 Camada Física A camada física do LTE é construída sobre o OFDM e inclui técnicas avançadas de processamento que viabilizar o sistema alcance alta eficiência espectral, alta capacidade e baixa latência. Exemplos de tais técnicas são: múltiplo acesso OFDMA/SC- FDMA, codificação MIMO (Multiple Input Multiple Output), codificação turbo entre outras. www.esab.edu.br 144 Os principais serviços e funções realizados pela camada MAC incluem mapeamento entre canais lógicos e canais de transporte, seleção do formato de transporte mais adequado para transmissão, apresenta medição gerando relatórios de tráfego e correção de erros através da HARQ. Existem dois níveis de retransmissões para fornecer confiabilidade, Hybrid Automatic Repeat reQuest (HARQ) que está na camada MAC e o ARQ externa na camada RLC, ele atua complementando os erros residuais, onde o HARQ não consegue corrigir. O mecanismo HARQ é realizado em combinação com a camada MAC e física, reenvia os blocos de transporte (TBs – Transport Blocks) para recuperar qualquer tipo de erro. O HARQ na camada física executa a buferização e a recombinação (redundância incremental), e na camada MAC o gerenciamento e a sinalização. O quadro genérico de LTE tem uma duração de 10ms e é subdividido em dez sub-quadro de 1ms de duração. Cada sub- quadro é dividido em dois slots de 0,5ms e em seis ou sete símbolos OFDM, dependendo do comprimento do CP. Cada slot usa 7 símbolos OFDM em caso de CP normal, enquanto que 6 símbolos OFDM em caso de CP estendido. Sub-quadros podem ser atribuídos tanto para uplink e downlink, como apresenta a Figura 38. www.esab.edu.br 145 Figura 38- Estrutura básica do quadro LTE. Em caso de FDD, todos subframes são usados para downlink e uplink para transmissões de dados. Para TDD, subframe 1 e 6 são usados para a transmissão downlink enquanto o resto dos quadros são utilizados tanto para uplink ou downlink. Subframes 1 e 6 contêm sinais de sincronização para downlink. A Figura 10 mostra downlink e uplink atribuições subframe para FDD. 13.2.3 LTE - Advanced Adotada pelos principais fabricantes de dispositivos móveis como uma legítima tecnologia 4G de banda larga, o LTE–Advanced pode considerar como sua certidão de nascimento o release 10 aprovada em março/2011. As qualidades mais importantes do LTE– Advanced são: Agregação de Portadora - No release 10 a largura de banda da transmissão pode ser estendida através de uma técnica www.esab.edu.br 146 denominada agregação de portadoras, que é a junção de portadoras contíguas ou não. Multiplexação Espacial - Essa técnica, denominada Multiple Input Multiple Output, permite a emissão do sinal através das várias antenas presentes no transmissor. Relaying - Relaying permite que o terminal comunique com a rede através de um nó intermediário. Redes Heterogêneas - Consistem em montar células com ERBs possuindo diferentes potências de transmissão no downlink. Um exemplo desta técnica é implantar uma small cell dentro de uma macro célula. 13.2.4 LTE no Brasil A faixa 700 MHz, que é hoje destinada à televisão aberta, com previsão de sua extinção gradual entre 2016 e 2018, poderia ser utilizada pois os canais que seriam afetados são atualmente pouco utilizados, no UHF estaria ainda disponível vários canais do canal 13 ao canal 51. O governo brasileiro está tentando fazer o leilão da faixa 2500 MHz onde, a cobertura seria muito menor e mais cara porque precisaria de muito mais antenas. Além disso, celulares e tablets vindos dos Estados Unidos (EUA) e Europa não funcionariam aqui, a exemplo do Apple iPad 3 LTE que só funciona em 700 MHz. Fabricantes como a Qualcomm líder em tecnologia 4G recomendam o uso do espectro de 700 MHz na América Latina. Liberar os canais de 52 ao 69 em UHF (TV aberta analógica) traria o 4G a um custo menor pois haveria um gasto menor para aumento www.esab.edu.br 147 da cobertura, já que a frequência 700 MHz tem um alcance até 4 vezes maior que o 2500 MHz. Porém, o serviço nos 700Mhz que já funciona no Japão, causa interferências severas nas TV digitais na faixa do UHF. Por sua vez, entidades do setor de radiodifusão como a ABERT defendem a não implantação deste segmento para o 4G, e apenas para uso de serviços da TV Digital no Brasil. www.esab.edu.br 148 14.1 TV a cabo A transmissão por cabo surgiu em 1948, nos Estados Unidos, com o objetivo de melhorar a qualidade da imagem nas cidades do interior. Hoje, naquele país, 65 milhões de casas têm TV a cabo. No Brasil, o primeiro sistema surgiu em São José dos Campos, em São Paulo, em 1976. O cabo diminui a interferência do meio ambiente, melhorando bastante a transmissão. O sistema passou a ser usado também para distribuir canais específicos, aos quais só tem acesso quem paga. A TV a cabo funciona assim: o centro de controle eletrônico tem várias antenas com alto poder de recepção, para captar sinais vindos dos satélites e das antenas repetidoras das emissoras de TV. Nessa central, os sinais são processados e enviados para as casas das pessoas por meio de dois tipos de cabo: óptico e coaxial. O cabo de fibra óptica pode conduzir luz por caminhos que não são retos. É usado nos troncos principais, que se estendem por distâncias maiores, pois transmite melhor os sinais. (MUNDO ESTRANHO, 2011) Já os cabos coaxiais, feitos de fios condutores, são usados apenas nas ramificações, pois neles o sinal vai se atenuando conforme a distância. Os cabos podem ser fixados em postes ou seguir por caminhos subterrâneos. Para receber os sinais em sua casa, o assinante precisa ter um televisor adequado para receber sinais do cabo ou utilizar um conversor, que converte esses sinais para uma frequência que a TV consegue captar. (MUNDO ESTRANHO, 2011) www.esab.edu.br 149 A tradicional recepção de TV através de Antenas individuais em residências vem mudando ao decorrer dostempos, superada por meios de sistemas de antenas com recepção via satélite e retransmitida via cabo. Uma extensão deste sistema é chamada cabodifusão ou televisão via cabo (Cable Television - CATV). (ROSI, 2007) 14.1.1 Funcionamento Para captar e retransmitir o sinal por cabo, uma central técnica equipada com antenas via satélite e outras para receber as ondas terrestres reúne os canais e distribui através da rede de cabos aos domicílios. No início, os cabos usados eram os chamados “coaxiais” e conforme a distância que precisassem ir deixariam perder gradualmente o sinal que carregavam. Para solucionar o problema, os engenheiros responsáveis tinham que colocar incontáveis amplificadores pelo caminho e manter a qualidade de som e imagem que distribuíam. Figura 39 - Sistema de TV a cabo. www.esab.edu.br 150 Com o surgimento da fibra óptica, as empresas de TV a cabo puderam reduzir bastante o número de amplificadores, melhorar ainda mais a estabilidade do serviço, aumentar a oferta de canais, e ainda agregar outras funcionalidades aos assinantes como o pay-per-view e o acesso à Internet. Além disso, hoje estamos vivendo uma fase de migração para o sistema de televisão digital. A novidade vem sendo implantada pelas operadoras de TV por assinatura e foi capaz não só de melhorar ainda mais a qualidade do sinal, como também de ampliar vertiginosamente a capacidade de suportar mais canais na mesma faixa de frequência. A tecnologia da compressão de áudio e vídeo multiplicou as opções de transmissão pelas programadoras e pelas emissoras. A TV digital também serviu para aprimorar a segurança do sistema. Surgiram os canais codificados, guardados dos espectadores por exibirem conteúdo impróprio ou simplesmente como medida antipirataria, só sendo liberado com um código correto. Os sinais via satélite são recebidos em um local identificado como “Head End” que recebe os sinais digitais e analógicos de vários canais de TV, e retransmite os mesmos por cabos para vários assinantes através de em sinais analógicos ou digital onde causa uma recepção, maior confiabilidade e, com alternativa de escolha para programas de melhor nível, tendo estética de eliminação de antenas em cima de casas e prédios das cidades. (ROSI, 2007) E mesmo tendo boa segurança e qualidade, pode melhorar, pois o mercado vem com novas tecnologias com TV’s Digitais visando a melhorar a qualidade da imagem. Esta tecnologia de mercado que cresce ao decorrer dos anos, força as empresas que transmitem sinais analógicos a se adequarem as novas tecnologias, como www.esab.edu.br 151 também, transmitir sinais digitais, para ter compatibilidade com alta qualidade, e sempre visando a necessidade de se adequar as novas tecnologias continuas com qualidade de bons serviços. (ROSI, 2007) A rede de TV a cabo é composta de três partes: • CMS - Central Multisserviços ou denominada como head- end; • Planta de distribuição e unidade de assinante (conversor ou Decoder); • Caminhos para aplicações de Internet. Figura 40 - Sistema de TV e Internet a cabo. A CMS recebe os múltiplos sinais de TV, VHF e UHF dos canais livres das emissoras de broadcast (ou via fibra óptica direta dos estúdios) e também de geradoras de programas via satélites. Além dos programas já prontos, a CMS faz geração local, padrões de www.esab.edu.br 152 barras coloridas, proteção dos canais codificados para “pay-per- view”, geração do menu eletrônico da programação de todos os canais (guia eletrônico da malha de programas) e, finalmente, um processamento dos sinais recebidos para condicioná-los para a distribuição. (ROSI, 2007) Os canais recebidos sob forma codificada são decodificados antes de entrar no processamento interno da CMS. O processamento se faz nas seguintes fases: recebem-se os sinais de TV que a seguir são separados canal a canal e demodulados para separar os componentes de vídeo e áudio. Os canais de vídeo e áudio são encaminhados a uma matriz roteadora que vai alocar os canais nas posições do espectro de RF. Assim, o operador determina onde ficará cada canal no espectro a ser distribuído. Aqueles canais que terão pagamento por assinatura especial (ou pay-per- view), isto é, aqueles canais aos quais os assinantes comuns somente terão acesso mediante um pagamento extra, são codificados. Após a codificação, o canal é modulado na portadora RF correspondente ao canal do espectro e passam por um combinador para seguir para a planta de distribuição. (ROSI, 2007) www.esab.edu.br 153 Figura 41 - Formas de sinais recebidos e codificados. SAIBA MAIS Para conhecer mais sobre o funcionamento das TVs a cabo, assista a reportagem: https://olhardigital.com.br/video/voce-sabe-como-funciona-a-tv-a- cabo/14461 https://www.tecmundo.com.br/tecnologia/49850-tecmundo-explica-como- funciona-uma-conexao-de-internet-por-tv-a-cabo.htm https://olhardigital.com.br/video/voce-sabe-como-funciona-a-tv-a-cabo/14461 https://olhardigital.com.br/video/voce-sabe-como-funciona-a-tv-a-cabo/14461 https://www.tecmundo.com.br/tecnologia/49850-tecmundo-explica-como-funciona-uma-conexao-de-internet-por-tv-a-cabo.htm https://www.tecmundo.com.br/tecnologia/49850-tecmundo-explica-como-funciona-uma-conexao-de-internet-por-tv-a-cabo.htm www.esab.edu.br 154 14.2 TV Digital O avanço que a adoção da transmissão digital traz à experiência de assistir à televisão é comparável à transição da imagem em preto-e-branco para a colorida, e talvez vá ainda além. Além de oferecer qualidade de imagem e áudio superiores, a TV digital possibilita diversificar a programação e oferecer ao usuário maior interatividade com os conteúdos. 14.2.1 A adoção de um Padrão Na tentativa de evitar o fiasco do sistema Pal-M (adotado na época da transição da transmissão preto-e-branco para a colorida), que só emplacou no Brasil e atrasou a migração por falta de economia de escala na produção de equipamentos, o governo optou por criar um modelo nacional de TV digital baseado em um dos padrões vigentes no mundo: o norte-americano (ATSC), o europeu (DVB) e o japonês (ISDB). Essa decisão traz consigo o peso das organizações internacionais na pressão por conquistar um mercado do porte do Brasil para seu bloco, sem falar na divergência interna da preferência dos diversos setores envolvidos na adoção do sistema. “A TV digital é uma mudança de paradigma que afeta diversos segmentos. Não só a radiodifusão, mas também a telefonia, internet, os fabricantes de eletrônicos, entre outros”, argumenta Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. www.esab.edu.br 155 “De um lado temos a telefonia, que está estagnada e busca novos mercado. De outro, a radiodifusão, que tem sua atuação limitada pelo espectro disponível e quer exportar conteúdo para ampliar sua receita. Além disso, há a indústria de eletrônicos que está rachada. Fabricantes europeus pressionam a adoção do DVB e o mesmo vale para os demais”, detalha o professor. 14.3 Quais são os benefícios da TV digital? A TV digital proporciona imagem com maior definição (a resolução média da TV analógica é de 480 linhas, enquanto na digital é de 1.080 linhas) e cores mais vivas, além de som mais rico (a transmissão suporta até seis canais de som - Dolby Digital -, enquanto a analógica suporta somente dois - mono e estéreo). O formato da imagem no sistema digital é widescreen (16:9), como a tela de cinema, diferente do padrão analógico (4:3). Enquanto no sistema analógico a emissora pode enviar apenas um programa por vez, no digital é possível enviar até seis programas simultaneamente, permitindo variar a programação ou oferecer uma experiência mais rica, como assistir um jogo a partir de câmeras diferentes. Além disso, é possível receber informações junto com a programação, como detalhes do que aconteceu no último capítulo da novela, dados estatísticosem um jogo de futebol ou a sinopse de um filme. Por fim, é possível interagir com a programação, votando no time mais cotado para ganhar uma partida pelo controle remoto, por exemplo. Além disso, as emissoras podem optar por transmitir programações diferentes pelo mesmo canal, no formato padrão (SDTV) utilizando a taxa de transporte de 19,4 Mbits por segundo. www.esab.edu.br 156 “Isto significa que a emissora poderia enviar ao usuário, simultaneamente, uma novela, um jogo de futebol e um programa educativo, por exemplo. Ou mandar três opções de ângulos de câmera para uma mesma partida esportiva ou filme”, explica Lauro Ferreira, gerente de negócios da FITec. Em relação ao som, o ganho também é notável. Enquanto no sistema analógico as opções se limitam a Mono (um canal) ou estéreo (dois canais), com a transmissão digital á possível ter acesso a uma experiência similar à proporcionada pelos sistemas de home theater mais avançados, com seis canais diferentes de saída. Configura-se também como uma oportunidade para direcionar a capacitação tecnológica de que dispõe o País para desenvolver soluções tecnológicas adequadas ao contexto brasileiro. Estas soluções, embora de caráter eminentemente técnico em sua maioria, devem levar em conta nos seus requisitos, vários outros aspectos de interesse da sociedade como: cultura digital, política tecnológica, industrial e comercial, independência tecnológica, educação e saúde. A maioria dos telespectadores não deve se preocupar de imediato porque o sinal da TV digital só começa em São Paulo e mesmo assim, para receber este sinal será preciso adquirir um conversor (set top box), um decodificador parecido com aqueles aparelhos de TV a cabo e satélite, mas que ainda não está à venda. As emissoras serão obrigadas a operar simultaneamente o (espectro) digital e manter o analógico pelo menos até 2016 - tranqüiliza Alexandre Hashimoto, consultor de telecomunicações e coordenador do curso de Sistemas de Informação das Faculdades Integradas Rio Branco. www.esab.edu.br 157 Algumas emissoras, como a Rede Globo, SBT, Band e Record, já enviam para todos os brasileiros programas gerados com qualidade digital - como as novelas “Dance Dance Dance” (Band) e “Duas Caras” (Globo) -, mas isso é apenas produção em qualidade digital e não “TV digital”. Como lembra o presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slaviero, uma vez equipados com o aparelho conversor, os telespectadores serão capazes de desfrutar, de fato, da TV digital, que envolve receber na tela do televisor as informações do programa preferido, “clicar” nestes dados, “navegar” no menu da programação e personalizar a forma como este conteúdo será exibido, como já acontece com serviços de TV fechada (a cabo ou via satélite). A TV digital vai permitir que o usuário receba o sinal de TV em um celular, em tevês móveis e até mesmo dentro do carro, mas é claro que primeiro teremos que ter equipamentos compatíveis com isso. E o outro principal atributo é a interatividade. Inicialmente o que teremos são informações extras sobre o programa ou a novela na tela da TV, como uma grade de programação, mais detalhes sobre aquele capítulo ou sobre o anterior, e ainda as principais notícias do dia acessíveis na tela da TV, com um clique do controle, como acontece no computador. Cada emissora deverá definir o grau de conteúdo e de interatividade com o telespectador, mas em São Paulo todas as transmissoras e retransmissoras estão preparadas, garante o presidente da Abert, que conta com mais de 320 empresas afiliadas. De acordo com o cronograma do Ministério das Comunicações e da Anatel, a partir de janeiro de 2008 emissoras das cidades do Rio de Janeiro, www.esab.edu.br 158 Brasília e Belo Horizonte podem iniciar testes com sinais de TV aberta digital, com previsão de início em definitivo até julho de 2008. Nas demais capitais, só há previsão de início das operações de TV digital em dezembro do ano que vem, sendo que o cronograma total de implantação das transmissões digitais em TV aberta no Brasil está previsto para durar 10 anos. www.esab.edu.br 159 15.1 Introdução A evolução das comunicações é contínua e cada vez mais rápida. Nos dias atuais, não estamos mais presos exclusivamente ao telefone para interagir com pessoas e empresas. Porém, nas empresas é necessário manter o controle das informações e de custos para manter a estabilidade e segurança. Para tal, é necessário interligar todas as ferramentas por meio das redes convergentes. (MARKETING ALCTEL TELECOM, 2017) Até pouco tempo atrás, as organizações contavam com redes distintas para cada meio de comunicação, como apresenta a Figura 42. Essa rede separada usava tecnologias diferentes para transmitir o sinal de comunicação. Cada rede possuía seu próprio conjunto de regras e padrões para assegurar a comunicação bem- sucedida. www.esab.edu.br 160 Figura 42 - Redes separadas. As redes convergentes vieram justamente para unir imagens, voz e dados em uma única rede digital, que atua de forma integrada, como apresenta a Figura 43. Dessa forma, essa infraestrutura de rede usa o mesmo conjunto de regras, os mesmos contratos e normas de implementação e o ambiente pode ser gerenciado com maior facilidade pelo gestor de TI, oferecendo maior controle sobre as atividades nos canais de comunicação e redução dos custos operacionais, além de permitir a criação de políticas de utilização dos recursos disponibilizados pela organização, garantindo o monitoramento e a qualidade das atividades. No entanto, a utilização de soluções para redes convergentes vai além do ambiente organizacional. O sistema interligado não atende apenas ao ambiente interno, podendo ser ampliado para a comunicação com fornecedores, parceiros comerciais e outros stakeholders da empresa. (CISCO NETWORKING ACADEMY, 2017) www.esab.edu.br 161 Figura 43 - Redes convergentes. 15.2 Vantagens das Redes Convergentes Segundo Marketing Alctel Telecom (2017), as principais vantagens oferecidas pelas redes convergentes são: a) Maior agilidade na comunicação: Independentemente do canal utilizado, o sistema convergente oferece uma comunicação mais rápida e eficaz, por smartphone, Internet corporativa ou telefone fixo. Isso proporciona uma maior interação entre gestores e colaboradores, que conseguem trabalhar e desenvolver projetos de forma mais rápida e com inteligência corporativa. b) Redução de custos na manutenção de estrutura de TI: Como as redes convergentes tornam o sistema centralizado, as reuniões podem ser realizadas por áudio ou teleconferências. Com a redução de deslocamentos e a mobilidade que a tecnologia oferece, há uma redução de custos significativa com viagens e www.esab.edu.br 162 telefonia convencional, favorecendo ainda mais a comunicação digital. Além disso, todas as interações são realizadas por meio de uma única solução de tecnologia, o que torna o processo de manutenção mais simples, gerando um custo inferior, se comparado ao sistema tradicional de múltiplas redes. c) Centralização das informações: Em sistemas obsoletos, a equipe de TI fica com a responsabilidade de gerenciar as redes de telefonia e internet de forma separada, tornando essa tarefa mais complexa e lenta. Com as redes convergentes, isso não acontece, já que pessoas de diferentes departamentos e unidades da companhia conseguem trocar informações e desenvolver projetos com total sinergia por meio de uma única plataforma. As redes convergentes trazem para as empresas benefícios significativos em relação ao setor financeiro e nas diversas funcionalidades que a tecnologia oferece. Contudo, é preciso que o gestor de TI faça um mapeamento das necessidades corporativas para eleger as funcionalidades e ferramentas mais adequadas para usufruir o máximo de seu potencialpara o negócio. 15.3 Redes de Próxima Geração As NGNs (Next Generation Networks ou Redes de Próxima Geração) podem ser consideradas o resultado de uma evolução no sentido da convergência das tecnologias originadas, principalmente, nas redes telefônicas digitais e nas redes de dados tradicionais (tipicamente da Internet e seus protocolos TCP/IP). Tal convergência, permeada de aspectos econômicos, históricos, www.esab.edu.br 163 culturais e regulatórios, teve como motivação inicial o compartilhamento e consequente otimização dos recursos da rede. (COLCHER e MELLHO, 2004) A convergência das tecnologias de informática e telecomunicações também é evidenciada na introdução de vários tipos de serviços chamados de serviços de valor adicionado: serviços que se juntam a um serviço principal complementando-o de forma a adicionar valor e gerar mais interesse por parte do consumidor. Por exemplo, conjugado ao serviço de telefonia móvel celular, tem-se os serviços de caixa de mensagens, chamada em espera, identificador de chamadas, serviço de mensagens curtas etc. O oferecimento dessa variedade de serviços pressupõe um grau elevado de integração das tecnologias, como ilustra a Figura 44. (COLCHER e MELLHO, 2004) Figura 44 - NGN. www.esab.edu.br 164 As Redes de Próxima Geração (NGN) oferecem suporte a diversas redes de acesso, onde os terminais do usuário são conectados, tais como: Redes Móveis, STFC, Redes Corporativas e a Internet. Tais acessos são possíveis graças as funções de interconexão de rede as quais permitem a tradução de sinalização e troca de dados entre as diferentes redes de acesso e a NGN. A arquitetura do Sistema Universal de Telecomunicações Móveis pode ser dividida em comutação de circuitos, comutação de pacotes e IMS (IP Multimedia Subsystem). Já no plano de serviços, pode ser dividido em serviço de voz, serviços de dados e serviços multimídia baseados em pacotes (CHANG et. al., 2010). No caso das redes corporativas, estas já possuem sua arquitetura semelhante ao modelo da Internet, em uma estrutura cliente- servidor (podendo ser distribuída ou local) utilizando o protocolo de comunicação TCP/IP. Além disso, os serviços de voz que antes eram puramente providos por uma central PABX (Private Automatic Branch Exchange), agora podem ser ofertados por meio da tecnologia de Voz sobre IP (VoIP) utilizando o mesmo protocolo de comunicação do segmento de dados das redes corporativas (com ou sem a utilização de critérios de Qualidade de Serviço - QoS). Para que a NGN possa oferecer suporte à convergência de serviços das diversas redes de comunicação de voz e dados, um componente de sua estrutura - o IMS (IP Multimedia Subsystem) - é o responsável direto por todo o plano de controle, sinalização e oferta de serviços. Trata-se de uma arquitetura de controle de serviço e de conectividade IP, de abrangência global, com acesso independente e baseada em padrões que permite a oferta de www.esab.edu.br 165 vários tipos de serviços multimídia para usuários finais usando protocolos comuns baseados na Internet. O conceito do IMS é mesclar tecnologias de telecomunicações (telefonia móvel celular, telefonia fixo comutada, redes corporativas e a Internet) em um ambiente totalmente IP, visando fornecer serviços extensíveis, multimídia em tempo real e interativos para seus clientes. Outra função importante é combinar os domínios de comutação de circuitos e de pacotes. Os conteúdos não são mais limitados por meio de acesso, tornam-se extensíveis para oferecer mais serviços de valor agregado aos usuários (ALCATEL LUCENT, 2010). A Figura 45 apresenta uma visão geral da rede NGN, em especial do subsistema multimídia IP. Figura 45 - IMS em redes convergentes. A organização do IMS apresentada na Figura 46, pode ser dividida em três camadas: • O plano de mídia e transporte referencia uma ampla faixa de diferentes tecnologias de acesso. A partir da camada de transporte IP, os clientes www.esab.edu.br 166 originários das diversas infraestruturas de acesso obtém conectividade à rede. • No plano de controle e sinalização existem uma série de componentes tais como o P-CSCF (Proxy-CSCF), o I-CSCF (Interrogating-CSCF) e o S-CSCF (Serving-CSCF) os quais oferecem suporte a entrega de serviços multimídia, baseados no protocolo SIP, para terminais NGN conectado ao IMS. A sinalização SIP será processada e encaminhada ao terminal de destino por meio desse plano (CHANG et. al., 2010) • Para o plano de serviço e aplicações, existem vários servidores de aplicações. Estes servidores oferecem aos clientes uma ampla variedade de serviços IMS. As operadoras podem fazer uso dos padrões da arquitetura do IMS para implementar seus próprios servidores de aplicações. Figura 46 - Arquitetura IMS. www.esab.edu.br 167 PARA SUA REFLEXÃO As redes de dados convergidas transportam múltiplos tipos de comunicação. Porém, os recursos das redes de dados estão sempre restringidos por orçamentos, limitações físicas e tecnologia. A existência destas limitações significa que as decisões precisam ser tomadas levando em conta a prioridade dos diferentes tipos de comunicação. Tendo em vista essas demandas e limitações, o que é Qualidade de Serviço (QoS) e qual sua importância nas redes convergidas? www.esab.edu.br 168 Neste eixo temático você conheceu o sistema de telefonia fixa comutada, que já existia mesmo antes da Internet. Conheceu o sistema de telefonia móvel, sua evolução, suas vantagens, e como o acesso à Internet é provido por esta tecnologia. Você também conheceu o funcionamento do sistema de TV, TV a cabo e a tecnologia de TV digital, que provê inúmeras vantagens. E finalmente, você conheceu a tendência de convergir as redes, provendo por meio de uma única infraestrutura vários serviços. www.esab.edu.br 169 ATM – do inglês Asynchronous Transfer Mode é um conceito de telecomunicações definido pelos padrões ANSI e ITU para transporte de uma variedade completa de tráfego de usuários, incluindo sinais de voz, dados e vídeo. R Desvanecimento do sinal - é um problema comum em redes sem fio, causado pela diminuição da força do sinal, o que pode causar que uma estação A escute transmissões das estações B e C, embora as estações B e C não consigam escutar as transmissões uma da outra. R OFDM - do inglês Orthogonal frequency-division multiplexing, é um método de codificação digital que utiliza múltiplas subportadoras. R SOFDMA - do inglês Scalable Orthogonal Frequency Division Multiple Access, técnica de múltiplas portadoras que utiliza subcanalização. R Stakeholders - significa público estratégico e descreve uma pessoa ou grupo que tem interesse em uma empresa, negócio ou indústria, podendo ou não ter feito um investimento neles. Em inglês stake significa interesse, participação, risco. Holder significa aquele que possui. R Terminal oculto - Quando obstruções físicas existentes no ambiente (por exemplo, uma montanha ou um edifício) impedem uma estação A e C de escutarem as transmissões de um e de outro, mesmo que as transmissões de A e C estejam interferindo no destino B, tem-se um problema denominado terminal oculto.R www.esab.edu.br 170 ABUSAR. Internet a cabo. Abusar, 2009. Disponível em http:// www.abusar.org.br/manuais/Internet%20a%20Cabo.pdf ALCATEL LUCENT. IPTV and IMS in Next-generation Networks: Choosing the right approach for IPTV integration. 2010. Disponível em: http://images.tmcnet.com/ online-communities/ngc/pdfs/IPTV-and-IMS-in-Next-Generation- Networks.pdf ALECRIM, M. Tecnologia ISDN. Infowester: 2003. 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