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DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
Noções de Direito Administrativo: Administração pública: princípios básicos. Poderes administrativos: poder 
hierárquico e poder disciplinar. Serviços Públicos: conceito e princípios. Ato administrativo: conceito, requisitos 
e atributos; anulação, revogação e convalidação; discricionariedade e vinculação. Contratos administrativos: 
conceito e características. Licitação: princípios, modalidades, dispensa e inexigibilidade. Servidores públicos: 
cargo, emprego e função públicos. Lei n.º 8.112/90 (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União): 
Das disposições preliminares; Do provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição. Dos direitos e 
vantagens: do vencimento e da remuneração; das vantagens; das férias; das licenças; dos afastamentos; do 
direito de petição. Do regime disciplinar: dos deveres e proibições; da acumulação; das responsabilidades; das 
penalidades. Processo administrativo (Lei nº 9.784/99): das disposições gerais; dos direitos e deveres dos 
administrados. Lei n.º 8.429/92: das disposições gerais; dos atos de improbidade administrativa. 
 
 
PRINCÍPIOS DE DIREITO ADMINISTRATIVO 
 Os princípios básicos da Administração 
Pública são regras gerais de observância permanente 
e obrigatória para o bom administrador. Existem 
algumas controvérsias entre os doutrinadores quanto 
a quantos são e quais especificamente são esses 
princípios. A lição mais utilizada pelas bancas de 
concursos é a de Hely Lopes Meirelles, no entanto, 
ainda assim, faremos menção, mesmo que breve ao 
que ensinam os demais juristas. 
 Segundo Hely Lopes Meirelles, os princípios 
básicos da Administração Pública são os seguintes: 
Legalidade, moralidade, impessoalidade ou finalidade, 
publicidade, eficiência, razoabilidade, 
proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, 
segurança jurídica, motivação e supremacia do 
interesse público. 
 Os primeiros cinco princípios estão expressos 
no caput do art. 37, da CF/88, e, exatamente por 
estarem expressos na Constituição Federal, não 
existe qualquer discussão quanto a estes princípios. 
Segundo os termos do caput do art. 37 da 
Constituição:“A administração pública direta e indireta 
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos 
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte”: 
 
a) Princípios Expressos da Administração Pública: 
I. Legalidade (art. 37, caput): Muito comum é a 
máxima “à Administração Pública só é dado fazer o 
que estiver expressamente previsto ou autorizado por 
lei”. Ou seja, não existirá qualquer tipo de ação Diante 
de tal A eficácia de toda atividade administrativa está 
vinculada ao atendimento da Lei e do Direito. O 
administrador está obrigatoriamente vinculado aos 
mandamentos da Lei. 
 Na Administração não há liberdade, nem 
vontade pessoal. Enquanto entre particulares é 
permitido fazer tudo o que a Lei não proíbe, na 
administração só é possível fazer aquilo que a Lei 
expressamente prevê ou permite. 
 Segundo Hely Lopes Meirelles, o princípio da 
legalidade compreende a obrigação de cumprir com 
os preceitos da Lei e do Direito (Lei 9.784/99), ou seja, 
além da Lei, deve o administrador cumprir também 
com os princípios de direito. 
 Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, o 
Princípio da legalidade traz 3 (três) exceções, quais 
sejam: 1. Medidas Provisórias; 2. Estado de Defesa e 
3. Estado de Sítio. 
� Medidas Provisórias: Conforme disposto no art. 
62, da Constituição Federal, trata-se a medida 
provisória de uma forma excepcional, colocada à 
disposição do Presidente da República, para 
disciplinar certos assuntos, sendo que a lei seria 
a via normal para sua regulação. 
� Estado de Defesa: Estabelecido pelo art. 136 da 
Constituição Federal, o Estado de Defesa pode 
ser decretado pelo Presidente da República para 
preservar ou restabelecer, em locais restritos e 
determinados, a ordem pública ou a paz social 
ameaçados por grave e iminente instabilidade 
institucional ou atingidas por calamidades de 
grandes proporções na natureza. 
� Estado de Sítio: Previsto pelo art. 137 da 
Constituição Federal, o Estado de Sítio poderá 
ser decretado em função de comoção grave de 
repercussão nacional ou ocorrência de fatos que 
comprovem a ineficácia de medida tomada 
durante o estado de defesa, ou ainda quando da 
declaração de estado de guerra ou resposta a 
agressão armada estrangeira. 
II. Moralidade (art. 37, caput): Cumprir a lei na frieza 
de seu texto não basta. A administração deve ser 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
orientada pelos princípios de Direito e Moral, para 
que, ao legal, se junte o honesto e o conveniente. 
 O agente administrativo, como ser humano 
capaz de agir, deve necessariamente saber distinguir 
o certo do errado, o honesto do desonesto, o bem do 
mal. O entanto, segundo Hely Lopes Meirelles1, a 
“moralidade administrativa não se confunde com a 
moralidade comum; ela é composta por regras de boa 
administração, ou seja, pelo conjunto das regras finais 
e disciplinares suscitadas não só pela distinção de 
Bem e Mal, mas também pela idéia geral de 
administração e pela idéia de função administrativa”. 
 Os tribunais vêm entendendo que um ato 
administrativo, mesmo que legal, quando imoral, é 
passível de anulação pelo Poder Judiciário. Segundo 
o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo: “O 
controle jurisdicional se restringe ao exame da 
legalidade do ato administrativo; mas por legalidade 
ou legitimidade se entende não só a conformação do 
ato com a Lei, como também com a moral 
administrativa e com o interesse coletivo”. 
III. Impessoalidade ou finalidade (art. 37, caput): 
Impõe ao administrador que somente pratique o ato 
para o seu fim legal, qual seja, o atingimento do 
interesse público, excluindo-se, então, a possibilidade 
do exercício de qualquer atividade administrativa 
motivada por interesses pessoais ou individuais. 
 Este princípio proíbe qualquer forma de 
promoção pessoal de agentes e autoridades em cima 
de feitos, obras ou serviços públicos. Não pode o 
nome da autoridade ser vinculado ao da 
Administração Pública como responsável pelos feitos 
e obras públicas. 
 O princípio da impessoalidade, ainda, é 
manifestado na realização de concursos públicos para 
o provimento de cargos e empregos públicos e de 
licitações para a contratação de particulares, eis que 
são estes instrumentos que oferecem critérios 
objetivos para tais atos, impedindo, assim, 
discriminações detrimentosas e benéficas a um ou 
outro particular. 
IV. Publicidade (art. 37, caput): Trata-se do dever de 
a Administração manter plena transparência de seus 
atos e comportamentos. Todo ato deve ser público 
pois pública é a Administração que o realiza. 
 A publicação dos atos administrativos, quando 
exigida por lei, é requisito de eficácia do ato 
administrativo. A publicidade não é elemento formativo 
do ato, ou seja, o ato pode ser perfeito, mesmo 
quando não publicado. No entanto, o ato 
 
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administrativo, mesmo que perfeito, não surtirá seus 
efeitos até que seja feita sua publicação oficial. 
 O princípio da publicidade abrange não 
apenas a publicação oficial de determinado ato, 
quando determinada em lei, mas a possibilidade de 
livre acesso por toda população a qualquer atuação 
administrativa. Ou seja, implica não apenas na 
divulgação dos atos, mas também na disponibilização 
de informações internas, como andamento de 
processos, pareceres de órgãos técnicos e jurídicos, 
despachos intermediários, despesas públicas, etc. 
 Quando obrigatória a publicação oficial de ato 
administrativo, deverá esta ocorrer nas seguintes

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