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Administrativo

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formas: a) publicação em Diário Oficial; b) publicação 
em veículo privado contratado especificamente para 
esse fim ou c) afixação dos atos e leis municipais na 
sede da prefeitura ou da Câmara, onde não houver 
órgão oficial, desde que em conformidade com a Lei 
Orgânica do Município. 
V. Eficiência (art. 37, caput): Exige que a 
Administração atue com presteza, perfeição e sempre 
tenha por objetivo o atingimento de resultados práticos 
(busca pelo interesse público). Também chamado de 
princípio da boa-administração. Aqui, a Administração 
não deve se contentar em exercer seus atos dentro da 
legalidade, mas buscando resultados positivos para o 
serviço público. 
 É considerado o “caçula” dos princípios 
expressos na Constituição, posto que foi acrescido ao 
caput de seu 37 apenas em 1998, em função da EC 
nº 19/98. 
b) Princípios não-expressos, ou implícitos Na 
Constituição Federal e Expressos na Lei nº 9.784/99: 
VI. Razoabilidade e proporcionalidade (Implícito na 
CF/88 e expresso na Lei nº 9.784/99): É o princípio da 
proibição de excesso, que tem por objetivo aferir a 
compatibilidade entre os meios e os fins, de modo a 
evitar restrições desnecessárias ou abusivas por parte 
da Administração Pública. 
 Sua aplicação está mais presente da 
discricionariedade administrativa, servindo-lhe de 
instrumento de limitação. É a adequação entre meios 
e fins. Veda imposições, obrigações, restrições e 
sanções em medida superior àquelas estritamente 
necessárias ao atendimento o interesse público. 
VII. Segurança Jurídica (Implícito na CF/88 e 
expresso na Lei nº 9.784/99): É a exigência de 
estabilidade nas situações jurídicas, mesmo daquelas 
que, em sua origem, apresentam vícios de ilegalidade. 
Não é errado entender que, em muitas hipóteses o 
interesse público prevalecerá sobre vício que 
acometeu ato em sua origem, mas que, pelo decurso 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
de tempo, observou-se ser mais prejudicial sua 
invalidação do que sua manutenção. 
 Deve ser interpretado juntamente com os 
princípios da boa-fé e do direito adquirido. Baseia-se 
esse princípio na confiança que o administrado nutre 
em relação à Administração pública. 
 O princípio da segurança jurídica veda 
expressamente “a aplicação retroativa de nova 
interpretação de texto legal”. 
VIII. Motivação (Implícito na CF/88 e expresso na Lei 
nº 9.784/99); Por princípio, as decisões 
administrativas devem ser motivadas formalmente, ou 
seja, a parte dispositiva deverá vir precedida por uma 
explicação ou fundamentos de fato e de direito. Nos 
processos e nos atos administrativos a motivação é 
entendida como a indicação dos pressupostos de “fato 
e de direito”. 
IX. Ampla defesa e contraditório (Implícito na CF/88, 
mas expresso na Lei nº 9.784/99): Assegura aos 
litigantes em processos administrativos, sejam eles 
disciplinares ou não, a possibilidade de expor seus 
argumentos através de ampla defesa, com todos os 
meios e recursos a ela inerentes. Ou seja, garante aos 
administrados o direito de refutar alegações, produzir 
provas próprias, desde que lícitas, e recorrer de 
decisões que ameacem ou lesem direito seu. Estes 
princípios decorrem do disposto nos incisos LIV e LV, 
do art. 5º, da CF/88. 
X. Supremacia do Interesse Público (Implícito na 
CF/88 e expresso na Lei nº 9.784/99): Também 
conhecido como Princípio da Primazia do Interesse 
Público, ou Simplesmente, Princípio do Interesse 
Público. 
 Intimamente ligado ao princípio da 
impessoalidade ou da finalidade, posto consistir na 
premissa de que todos os atos administrativos devem 
ser praticados com um único fim: O atendimento do 
interesse público. 
 No entanto, o Princípio da Supremacia do 
Interesse Público vai um pouco além: Também 
determina que, em caso de contraposição entre 
interesses particulares e interesses públicos, os 
últimos devem prevalecer sobre os primeiros. É o 
princípio que fundamenta, por exemplo, o exercício do 
Poder de Polícia. 
 O Princípio da Supremacia do Interesse 
Público veda a renúncia total ou parcial de poderes 
ou competência, salvo quando houver autorização 
em lei, o que também é chamado de Princípio da 
Indisponibilidade do Interesse Público. 
c) Princípios não-expressos ou implícitos da 
Administração Pública segundo outros autores: 
 Não é de se estranhar se alguém encontrar 
em outra apostila livro, ensaio jurídico ou mesmo em 
decisão judicial alguma menção a princípio não 
listado acima. Isso porque até aqui foram listados 
apenas os princípios da Administração Pública 
expressamente estabelecidos na Constituição Federal 
de 1988 e pela Lei 9.784/99 (Lei de processos 
administrativos). 
 No entanto, esse rol não é impositivo ou 
taxativo. Outros princípios existem e, muito embora 
não estejam expressamente estabelecidos na 
Constituição ou na legislação infraconstitucional, 
também são de observância obrigatória, tais quais 
estes até aqui mencionados. Dentre os princípios 
implícitos da Administração Pública, vale mencionar: 
XI. Indisponibilidade do Interesse Público 
 Determina que o administrador não 
representa seus próprios interesses quando atua, 
razão pela qual não pode dispor livremente do 
interesse público e do exercício de suas 
competências. Deve a autoridade agir segundo os 
estritos limites impostos pela lei. 
XII. Autotutela 
 A Administração possui a possibilidade de 
rever os seus atos com o objetivo de adequá-los à 
realidade fática em que postos. Pelo princípio da 
autotutela a Administração pode anular seus próprios 
atos quando ilegais, ou revogá-los com base em 
critérios de conveniência e oportunidade. 
 
 
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
 Para Hely Lopes Meirelles, Administração 
Pública é “todo o aparelhamento do Estado 
preordenado à realização de serviços, cujo objetivo é 
a satisfação das necessidades coletivas”. Segundo 
Maria Silvia Zanella Di Pietro, Administração Pública 
abrange as atividades exercidas pelas entidades, 
órgãos e agentes incumbidos de atender 
concretamente às necessidades coletivas. 
 No entanto, há que se ressaltar que 
Administração e Governo não são a mesma coisa. 
 A Administração não pratica atos de governo; 
pratica tão somente atos de execução, com maior ou 
menor autonomia funcional, segundo a competência 
dos órgãos e de seus agentes. Trata-se da atividade 
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típica do Poder Executivo, mas também pode ser 
exercido pelos Poderes Legislativo e Judiciário, ao 
exercerem atividade administrativa interna 
(Provimento dos próprios cargos, contratação de 
serviços internos, etc.). 
 O Governo, por sua vez, é o conjunto de 
órgãos constitucionais responsáveis pela função 
política do Estado, ou seja, compreende as atividades 
típicas dos três Poderes, Executivo, Legislativo e 
Judiciário, onde, a atividade típica do Executivo é 
administrar, a do Legislativo é legislar e do Judiciário 
é exercer o Poder Jurisdicional. 
 No que se refere à prestação dos serviços 
pela Administração Pública, podemos reconhecer três 
fenômenos distintos: 
I. Centralização administrativa: Quando o Estado atua 
em nome próprio, por meio de sua estrutura própria, 
ou seja, da chamada “Administração Direta”. 
II. Desconcentração administrativa: Quando o Estado 
distribui internamente suas competências a “órgãos”, 
ou seja, unidades administrativas não-dotadas de 
personalidade jurídica. São os ministérios, 
secretarias, sub-secretarias, comissões, etc. 
 Existe organização hierárquica dentro da 
desconcentração administrativa, resultante de um 
escalonamento vertical de competências e atribuições 
o qual tem por objetivo coordenar e garantir eficiência 
no cumprimento do grande número de atribuições do 
Estado e, portanto, relação de subordinação entre os 
órgãos.

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