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Administrativo

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III. Descentralização administrativa: Ocorre por meio 
da distribuição de atribuições a “entidades”, ou seja, a 
unidades de atuação dotadas de personalidade 
jurídica própria. Assim, o estado age indiretamente a 
partir da “Administração Indireta” ou ainda da 
prestação de serviços públicos por particulares. 
 A descentralização administrativa deriva da 
vontade estatal de conferir determinadas atividades a 
entidades dotadas de personalidade jurídica própria, 
com autonomia em relação ao Poder Central, 
exatamente para poder cumprir com suas atribuições 
de maneira mais ágil, célere e efetiva. 
 Em razão dessa autonomia concedida às 
entidades da Administração Indireta, inexiste relação 
de subordinação entre ambos, mas mera vinculação 
funcional entre o Ministério responsável e a entidade. 
 No art. 4º, do Decreto nº 200/67, com redação 
dada pela Lei nº 7.596/87, há uma enumeração 
expressa dos entes que compõem a Administração 
Pública: 
“Art. 4º. A administração federal compreende: 
I – A administração direta, que se constitui dos 
serviços integrados na estrutura administrativa 
da Presidência da República e dos Ministérios; 
II – A administração indireta, que compreende 
as seguintes categorias de entidades dotadas 
de personalidade jurídica própria: 
a) autarquias; 
b) empresas públicas; 
c) sociedades de economia mista e 
d) fundações públicas.” 
ADMINISTRAÇÃO DIRETA 
 É constituída pelos serviços integrados na 
própria estrutura administrativa do Estado, por meio 
das entidades políticas (União, Estados, Distrito 
Federal e Municípios), de seus órgãos e de seus 
agentes, todos integrantes da própria estrutura 
estatal, ou Poder Central. 
 Órgãos Públicos são centros especializados 
de competência, ou feixes de atribuições e 
responsabilidades estabelecidos dentro da própria 
estrutura administrativa estatal. Pode se dizer 
também que são unidades de atuação do Estado 
desprovidas de personalidade jurídica. 
 São exemplos de órgãos públicos: 
Ministérios, secretarias, departamentos, comissões, 
repartições, etc. 
 
CARACTERÍSTICAS DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS: 
 Integram a estrutura de uma pessoa jurídica – 
Quer dizer que o órgão é apenas parte de uma 
entidade dotada de personalidade jurídica própria. 
 Não possui personalidade jurídica – Significa 
dizer que um órgão não possui capacidade de agir no 
mundo, ou seja, não pode firmar contratos (exceto 
“contratos de gestão” com o Poder Central) e não 
podem ser parte em processo, ou seja, não possuem 
capacidade processual (Exceto para a impetração de 
Mandado de Segurança em defesa de direito 
subjetivo seu). 
 São resultado de desconcentração 
administrativa – Os órgãos públicos têm origem na 
necessidade de se distribuir atribuições e 
responsabilidades a unidades de atuação 
diferenciadas, não dotadas de personalidade jurídica. 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
 Alguns possuem autonomia gerencial, 
orçamentária e financeira – São tipicamente os 
órgãos autônomos, conforme a classificação que 
veremos abaixo. Possuem capacidade de dispor 
sobre sua própria organização interna. 
 Podem firmar contratos de gestão – É o único 
contrato passível de ser firmado por um órgão 
público, eis que, em regra, não possui capacidade 
para firmar contratos. O contrato de gestão está 
previsto pelo artigo 37, § 8°, da Constituição Federal. 
 Não possui capacidade para representar em 
juízo a pessoa jurídica que integram – Os órgãos são 
apenas uma “parte” da pessoa jurídica em que se 
encontra, não podendo, portanto, representá-la em 
juízo. 
 Alguns possuem capacidade processual para 
defesa em juízo de suas prerrogativas funcionais – 
Como regra geral, o órgão público, por não possuir 
personalidade jurídica própria, não possui capacidade 
processual. No entanto, doutrina e jurisprudência 
sustentam a capacidade processual de certos órgãos 
para a defesa de suas prerrogativas mediante 
Mandado de Segurança. Tal capacidade poderia ser 
utilizada quando da violação da competência de um 
órgão por outro. 
 Não possuem patrimônio próprio – Se não 
possuem os órgãos personalidade jurídica, 
evidentemente não podem possuir propriedade sobre 
nada. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS ÓRGÃOS PÚBLICOS: 
 I. De acordo com a posição estatal: 
a) Órgãos Independentes: Está no topo da estrutura 
hierárquica e, portanto, não se submete à 
subordinação de ninguém. Ex. Presidência da 
República, Supremo Tribunal Federal, Congresso 
Nacional, juízes, etc. 
b) Órgãos Autônomos: Não é independente, mas 
goza de grande autonomia para o exercício de suas 
atribuições. Ex. Tribunal de Contas, Ministério 
Público, etc. 
c) Órgãos Superiores: Não possui independência, 
nem autonomia. Se subordina aos dois citados acima, 
mas possui certo poer de decisão. Ex: Gabinete, 
procuradorias, etc.] 
d) Órgãos Subalternos: Meros órgãos de execução. 
Ex: Depto. De almoxarifado, Recursos Humanos, etc. 
 II. De acordo com a atuação funcional: 
a) Órgão singular ou unipessoal: É composto por um 
único agente (Juiz, Presidência da República, etc...) 
b) Órgão colegiado: Composto por mais de uma 
pessoa, por uma comissão. 
 
ADMINISTRAÇÃO INDIRETA 
 A idéia de Administração Indireta funda-se no 
conceito da descentralização da Administração 
Pública, que vem a ser a distribuição de 
competências e atribuições do Estado para outras 
pessoas jurídicas, conforme visto acima. 
 A Administração Indireta pode ser observada 
quando o poder público cria uma nova pessoa jurídica, 
seja ela de direito público ou privado, e a ela atribui a 
titularidade e a incumbência da execução de 
determinado serviço público, ou de interesse público, 
exercendo, assim, a descentralização administrativa. 
 Conforme ensina Hely Lopes Meirelles, 
Administração Indireta “é o conjunto dos entes 
(entidades com personalidade jurídica) que 
vinculados a um órgão da Administração Direta, 
prestam serviço público ou de interesse público” 
IMPORTANTE! Inexiste qualquer relação de 
subordinação entre as entidades da Administração 
Indireta e a Administração Direta. O que existe é mera 
relação de vínculo funcional entre estas entidades e o 
órgão responsável. 
 Todas as entidades da Administração Indireta, 
conforme veremos a seguir, possuem 
necessariamente as seguintes características: a) 
personalidade jurídica própria, seja ela de direito 
público ou privado; b) patrimônio próprio; c) 
vinculação a órgãos da Administração Direta. 
 As entidades da Administração Indireta, 
segundo os arts. 4º e 5º, do Decreto-Lei nº 200/67, 
são divididas nas seguintes espécies: Autarquias, 
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e 
Fundações Públicas. 
 a) Autarquia(Art. 5º, I, DL nº 200/67): “o 
serviço autônomo, criado por lei, com personalidade 
jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar 
atividades típicas da Administração Pública, que 
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão 
administrativa e financeira descentralizada”. 
 Em suma, as autarquias são entes 
administrativos autônomos, criados por lei específica, 
com personalidade jurídica de direito público interno, 
para a consecução de atividades típicas do poder 
público, que requeiram, para uma melhor execução, 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
gestão financeira e administrativa descentralizada. 
 As autarquias, por terem personalidade 
jurídica de Direito Público, nascem com privilégios 
administrativos típicos da Administração Direta, tais 
quais: 
� a) Imunidade de impostos sobre patrimônio, renda e 
serviços vinculados às suas finalidades (art. 150, § 
2º, da CF/88); 
� b) Prescrição qüinqüenal de suas dívidas passivas 
(DL nº 4.597/42); 
� c) Execução fiscal de seus créditos (CPC, art. 578); 
� d) Ação regressiva contra servidores

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