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Administrativo

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causadores de 
danos a terceiros (CF/88, art 37, § 6º); 
� e) Impenhorabilidade de seus bens e rendas (CF/88, 
art. 100, §§); 
� f) recurso de ofício das sentenças que lhe forem 
contrárias (CPC, art. 475, III); 
� g) Prazo em quadruplo para contestar e em dobro 
pra recorrer (CPC, art. 188); 
� h) Não sujeição a concurso de credores ou 
habilitação de crédito em falência para a cobrança 
de seus créditos (CC, art. 1571). 
 Possuem as autarquias capacidade 
específica, a qual é estabelecida na Lei que a criou, 
significando que as autarquias só podem 
desempenhar as atividades para as quais foram 
instituídas, sendo impedidas de exercer quaisquer 
outras atividades. Excetuamos aqui as autarquias 
territoriais (os territórios), que são dotadas de 
capacidade genérica para todos os atos de 
administração. 
 As autarquias desempenham atividades 
públicas típicas, ou seja, o Estado outorga, por meio 
de lei, à autarquia a função de desempenhar 
determinado serviço público. Em função de tanto, as 
autarquias são denominadas de serviços públicos 
descentralizados, serviços estatais descentralizados, 
ou simplesmente serviços públicos personalizados 
 De acordo com o que diz no art. 37, XIX, as 
autarquias são criadas por lei específica, de forma que 
a simples publicação da Lei já faz nascer sua 
personalidade jurídica, não sendo necessária a 
realização de seus atos constitutivos pelo Poder 
Executivo. 
 Observe-se a necessidade de ser uma lei 
específica para a criação de uma autarquia, de forma 
que, se, por exemplo, a União desejar criar dez 
autarquias, será necessária a promulgação de dez leis 
específicas, uma para cada autarquia a ser criada. No 
entanto, caso pretenda extingui-las todas, bastará 
uma única lei para tanto. 
 A organização das autarquias dá-se por meio 
de Decreto expedido pelo Poder Executivo (vide 
Poder Regulamentar). 
Autarquias em Regime Especial: 
 Autarquia em regime especial é aquela 
instituída por lei, tais quais as demais autarquias, 
porém com uma diferença: A lei que a institui a 
concede privilégios específicos e maior autonomia, em 
comparação com outras autarquias. 
 Na definição de Hely Lopes Meirelles, “o que 
posiciona a autarquia como em regime especial são 
as regalias que a Lei criadora lhe confere para o pleno 
desenvolvimento de suas finalidades específicas, 
observadas as restrições constitucionais”. 
 Exemplos são vários: Banco Central do Brasil 
(Lei nº 4.595/64); entidades regulamentadoras de 
profissões, tais como OAB, CREA, CREFI, CONFEA e 
as agências reguladoras, tais como Agência Nacional 
de Telecomunicações – ANATEL, Agência Nacional de 
Energia Elétrica – ANEEL, Agência Nacional do 
Petróleo – ANP, etc. 
 b) Empresa Pública (Art. 5º, II, DL nº 
200/67): “a entidade dotada de personalidade jurídica 
de direito privado, com patrimônio próprio e capital 
exclusivo da União, criado por lei para a exploração 
de atividade econômica que o Govêrno seja levado a 
exercer por fôrça de contingência ou de conveniência 
administrativa podendo revestir-se de qualquer das 
formas admitidas em direito”. 
 Muito embora o dispositivo acima transcrito 
diga que as empresas públicas serão criadas por lei, 
na verdade sua criação será apenas autorizada por 
lei, conforme disposto na Constituição Federal (art. 37, 
XIX), o que implica na necessidade de que, após a 
edição da lei autorizadora, o Poder Executivo pratique 
todos os atos de constituição de pessoa jurídica 
necessários para sua criação. 
 Sua personalidade jurídica é de direito 
privado; seu capital exclusivamente público, o que não 
quer dizer que todo capital deva pertencer à mesma 
entidade. É possível que o capital pertença a 
diferentes entidades do Poder Público, como a União 
e um Estado-membro, por exemplo. 
 Observe-se que, muito embora as empresas 
públicas sejam pessoas jurídicas de direito privado, 
submetem-se a algumas normas de direito público, 
tais quais, a obrigatoriedade de realizarem licitações e 
 DIREITO ADMINISTRATIVO – PROF. GIORGIO FORGIARINI 
concursos públicos, e a vedação de seus servidores 
acumularem cargos públicos de forma remunerada. 
 O regime de trabalho predominante nas 
empresas públicas é o celetista. No entanto, muito 
cuidado: Nos cargos de gestão, cuja nomeação se dá 
por indicação dos chefes do Poder Executivo a que se 
vinculam, temos a presença de servidores 
comissionados, submetidos ao regime estatutário, 
lembrando que não é admitido o provimento de 
empregos públicos em comissão. 
IMPORTANTE! Segundo Lição de Maria Silvia Zanella 
Di Pietro, as empresas públicas e sociedades de 
economia mista poderão ser divididas entre: a) 
empresas que executam atividade econômica de 
natureza privada e b) empresas que prestam serviço 
público. 
De acordo com o disposto no § 1º, do art. 173, da 
CF/88, tanto as empresas públicas, quanto as 
sociedades de economia mista que explorarem 
atividade econômica, terão tratamento jurídico 
diferenciado das demais entidades da Administração 
Indireta, inclusive para a contratação de bens e 
serviços, mediante uma lei própria de licitações. 
No entanto, referida lei própria para este tipo de 
entidades ainda não foi editada, razão pela qual a elas 
tem se aplicado a lei geral. No caso das licitações, a 
Lei é a nº 8.666/94. 
Segundo os termos de mencionado dispositivo 
constitucional: 
“§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa 
pública, da sociedade de economia mista e de suas 
subsidiárias que explorem atividade econômica de 
produção ou comercialização de bens ou de prestação 
de serviços, dispondo sobre: 
I - sua função social e formas de fiscalização pelo 
Estado e pela sociedade; 
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas 
privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações 
civis, comerciais, trabalhistas e tributários; 
III - licitação e contratação de obras, serviços, 
compras e alienações, observados os princípios da 
administração pública; 
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos 
de administração e fiscal, com a participação de 
acionistas minoritários; 
V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a 
responsabilidade dos administradores”. 
No entanto, cuidado! Apenas se submetem à essa 
regra as empresas estatais que exerçam atividades 
econômicas, não aquelas que prestem serviços 
públicos 
c) Sociedade de Economia Mista (Art. 5º, III, DL nº 
200/67): “a entidade dotada de personalidade jurídica 
de direito privado, criada por lei para a exploração de 
atividade econômica, sob a forma de sociedade 
anônima, cujas ações com direito a voto pertençam 
em sua maioria à União ou a entidade da 
Administração Indireta”. 
 São semelhantes à empresa pública. Segundo 
Hely Lopes Meirelles, a Sociedade de Economia Mista 
“deve realizar, em seu nome, por sua conta e risco, 
atividades de utilidade pública, mas de natureza 
técnica, industrial ou econômica, suscetíveis de 
produzir renda e lucro...". 
 Seguindo o pensamento de Maria Silvia 
Zanella Di Pietro, as Sociedades de Economia Mista, 
tais quais as empresas públicas, podem ser divididas 
entre a) aquelas que exercem atividade econômica ou 
b) aquelas que prestam serviço público. 
 As Sociedades de Economia Mista, a exemplo 
das Empresas Públicas, têm sua criação autorizada 
por lei, possuem personalidade jurídica de direito 
privado e, em via de regra, exercem atividades de 
cunho econômico. No entanto, se diferencia daquelas 
pelo fato de o capital ser diversificado (público e 
privado) e por só poder assumir a forma de Sociedade 
Anônima, conforme os termos da Lei nº 6.404/76. 
 Obrigatoriamente as ações com direito a voto 
deverão pertencer em sua maioria ao Poder Público. 
Isso não quer dizer que necessariamente a maioria do 
capital será público.

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