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Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
1 
 
 
 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
2 
 
Sumário: 
 
Apresentação: .................................................................................................................................. 3 
Estudo 1 - Introdução: ................................................................................................................... 4 
Estudo 2 - Isaías 6 .......................................................................................................................... 10 
Estudo 3 - Isaías 7-12 ................................................................................................................... 15 
Estudo 4 - Isaías 13-23 ................................................................................................................ 22 
Estudo 5 - Isaías 24-27 ................................................................................................................ 35 
Estudo 6 - Isaías 28-31 ................................................................................................................ 42 
Estudo 7 - Isaías 32-35 ................................................................................................................ 52 
Estudo 8 - Isaías 36-39 ................................................................................................................ 58 
Estudo 9 - Isaías 40-41 ................................................................................................................ 68 
Estudo 10 - Isaías 42.1-4............................................................................................................. 78 
Estudo 11 - Isaías 44-45 ............................................................................................................. 86 
Estudo 12 - Isaías 49-50 ............................................................................................................. 91 
Estudo 13 - Isaías 52.13-53 ...................................................................................................... 98 
Estudo 14 - Isaías 54-56.8 ....................................................................................................... 111 
Estudo 15 - Isaías 56.9-57 ....................................................................................................... 117 
Estudo 16 - Isaías 58 ................................................................................................................. 122 
Estudo 17 - Isaías 59 ................................................................................................................. 128 
Estudo 18 - Isaías 60-61 .......................................................................................................... 133 
Estudo 19 - Isaías 62-64 .......................................................................................................... 138 
Estudo 20 - Isaías 65 ................................................................................................................. 144 
Estudo 21- Isaías 66 .................................................................................................................. 150 
Referências ................................................................................................................................... 156 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
3 
 
Apresentação: 
 
Com muita satisfação aceitei o convite para prefaciar o estudo de Isaías 
ministrado pelo Rev. Jocarli Almeida Gonçalves Junior, jovem brilhante, homem de Deus, 
dedicado e estudioso da Palavra. Confesso que fiquei surpresa com o convite que para 
mim tornou-se um grande desafio. Faço-o com imenso prazer pela relevância do tema 
pelo qual sempre me interessei e desejei aprender mais. Sinto-me honrada e agradecida 
em poder apresentar o presente estudo mesmo que de forma sucinta, mas ao mesmo 
tempo tão completo que vai levá-lo a desejar aprender mais sobre o que Deus tem 
reservado para sua vida. 
 Este estudo é um precioso recurso para compreensão das Escrituras Sagradas, 
em especial o livro do profeta Isaías tratado aqui de forma fidedigna com objetivo de 
exaltar o nome do Senhor Jesus Cristo. 
 Isaías trata das coisas concernentes ao Reino de Deus e a maneira como Deus 
usou para disciplinar o pecado do povo e nos convida a buscar a santidade com mais 
zelo e cada vez mais afastar-nos do pecado. 
 Enfatiza a autoridade suprema de Deus sobre as nações como criador que domina 
todo o universo, revela o juízo e a salvação de Deus que é Santo e não pode permitir a 
impunidade do pecado. Retrata também o julgamento vindouro de Deus como fogo 
consumidor, ao mesmo tempo Isaias compreende que Deus é um Deus de misericórdia, 
graça e compaixão que vai trazer restauração, perdão e cura a Israel. 
 O livro de Isaias nos apresenta de forma inegável a graça maravilhosa do nosso 
Deus, como único caminho que conduz ao céu. É maravilhoso saber que nossas vidas 
estão nas mãos daquele que tudo governa, que em meio as lutas e provas prometeu-nos 
presença consoladora. 
 Meu desejo é que este estudo o faça crescer mais no conhecimento do Senhor 
Jesus e desperte o seu coração na busca incessante por uma vida plena com Cristo, 
renunciando o seu próprio “eu” e deixando que a Paz que excede todo entendimento, o 
Senhor da Glória guie a sua vida e assim desfrute de uma vida abundante e verdadeira. 
 
A Deus toda Glória! 
 
Rosângela Machado Ribeiro 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
4 
 
Introdução: 
 
 
O Livro de Isaías é um dos livros mais amados da Bíblia, é talvez o mais conhecido 
dos livros proféticos. Ele contém diversas passagens que são bem conhecidas entre os 
estudantes da Bíblia (por exemplo, 1.18; 7.14; 9.6-7; 26.8; 40.3; 31; 53).1 
Isaías atravessou o palco da história mais ou menos à metade do caminho entre 
Moisés e Cristo. Ele viveu durante os dias do poderoso Império Assírio. Ele antecipou a 
queda desse império e a ascensão de seus dois sucessores, os caldeus e os persas. Este 
profeta foi central na ênfase teológica. Ele proclamou em Judá os grandes princípios da 
salvação pela fé, a expiação substitutiva, o reino e a ressurreição. 
Isaías é citado diretamente no Novo Testamento em torno de 65 vezes, muito 
mais do que qualquer outro profeta do Antigo Testamento, além de ser mencionado pelo 
nome, cerca de 20 vezes. 
 
I. O autor 
 
“Visão de Isaías, filho de Amoz, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, 
nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá” (Is 1.1). 
 
“Isaías” significa “O Senhor é salvação”, e a palavra salvação é repetida muitas 
vezes no livro. Ainda que se saiba mais sobre Isaías do que a maioria dos outros 
profetas, as informações sobre ele ainda são escassas. Provavelmente, Isaías residia em 
Jerusalém, e teve acesso à corte real. Segundo a tradição, ele era primo do rei Uzias, mas 
não existe nenhuma evidência sólida quanto a isso. Ele teve contato pessoal com pelo 
menos dois dos reis de Judá: Acaz e Ezequias (7.3, 38.1, 39.3). 
Isaías era filho de Amoz, mas não deve ser confundido com o profeta Amós. Ele 
era casado, mas o nome de sua esposa não é conhecido. Ela é simplesmente chamada de 
“a profetisa” (8.3). Seus filhos receberam nomes simbólicos: Sear-Jasube (7.3) significa 
“Um-Resto-Volverá”.2 O segundo filho, Maer-Salal-Hás-Baz (8.1), que significa “Rápido-
Despojo-Presa-Segura”.3 Isaías começou o seu ministério perto do fim do reinado de 
 
1 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1027). Wheaton, IL: Victor Books. 
2 Esse nome devia recordar ao rei que o SENHOR não deixaria de manter a promessa feita a Davi 
(2Sm 7.1-16), apesar da gravidadeda situação. 
3 Rápido-Despojo tem a ver com os invasores assírios que serão rápidos em espoliar a terra, não 
deixando qualquer dúvida de quem será o vencedor na batalha. Presa segura pede que eles 
apressem os passos para levar os despojos, ou seja, para saquear, de outra perspectiva, às 
profecias que haviam sido anunciadas em 7.18-25. Soldados gritavam essas palavras para seus 
 
1 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
5 
 
Uzias, cerca de 758 a.C. Seu ministério estendeu-se por cerca de sessenta anos, através 
dos reinados de Jotão, Acaz e Ezequias.4 Segundo a tradição Isaías morreu como um 
mártir, cerca de 680 a.C., no início do reinado do ímpio Manassés. Diz à lenda que ele foi 
serrado por este rei (cf. Hb 11.37). 
 
II. A mensagem do livro 
O tema de Isaías é o mesmo do significado do seu nome: “O Senhor é a salvação”. 
O objetivo imediato do livro era ensinar a verdade de que a salvação é pela graça. Isaías 
demonstrou o papel de Judá, no plano de Deus, como instrumento através do qual o 
Messias viria ao mundo.5 
Muitos estudiosos modernos dividem o livro em duas ou mais partes e dizem 
que cada parte possui um autor diferente. No entanto, de acordo com a tradição judaica 
e cristã, o livro tem apenas um autor. Um único rolo de papel foi usado para todo o livro, 
como aprendemos não apenas a partir de Qumran,6 mas a partir de Lc 4.17 (em que a 
leitura foi escolhida a partir de um dos capítulos mais recentes).7 
Assim, o livro de Isaías divide-se em duas seções, capítulos 1-39 e capítulos 40-
66.8 A primeira seção adverte os judeus sobre a invasão assíria iminente, enquanto a 
segunda seção encoraja os cativos a retornam da Babilônia. O tema principal da primeira 
seção é o castigo de Judá por seus pecados, enquanto o tema principal da segunda seção 
é a consolação dos cativos após o seu sofrimento. 
Isaías experimentou os acontecimentos dos primeiros trinta e nove capítulos, 
mas profetizou os acontecimentos da última seção do livro. Na primeira seção, Assíria 
era o principal inimigo, na última seção, o inimigo é a Babilônia. Em última análise, a 
redenção para Israel deve vir do “Servo ideal”, o Messias, que realizará o que o servo - 
nação não pode fazer. Isso explica os chamados “cânticos do servo” na segunda seção de 
Isaías (42.1-9, 49.1-13, 50.4-11, 52.13-53.12). 
O livro também enfatiza a soberania de Deus sobre as nações. Ele levantou a 
Assíria e a Babilônia como instrumentos para punir o Seu povo rebelde, mas também 
disciplinou tanto a Assíria quanto a Babilônia por causa da arrogância e crueldade. Desta 
 
companheiros quando derrotavam e saqueavam seus inimigos. Watts, J. D. W. (1998). Isaiah 1–33 
(Vol. 24, p. 112–113). Dallas: Word, Incorporated. 
4 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is). Joplin, MO: College Press. 
5 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is). Joplin, MO: College Press. 
6 Qumran, Khirbet Qumran, “ruína da mancha cinzenta”, é um sítio arqueológico localizado a uma 
milha da margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó e a cerca de 22 quilômetros a leste de 
Jerusalém, em Israel. Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos 
antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto. Achtemeier, P. J., Harper & 
Row e Society of Biblical Literature. (1985). In Harper’s Bible dictionary. San Francisco: Harper & 
Row. 
7 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible commentary: 
21st century edition (4th ed., p. 630). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press. 
8 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is). Wheaton, IL: 
Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
6 
 
forma, o Senhor declarou a Sua infinita superioridade sobre os ídolos e deuses das 
nações. Eles eram produtos de mãos humanas e inativos, mas o Criador domina sobre 
todo o universo.9 
O Livro de Isaías é o primeiro dos 17 livros proféticos do Antigo Testamento não 
porque seja o mais antigo, mas porque é o mais completo em conteúdo.10 Além disso, 
tem sido sugerido que o livro de Isaías é como uma “Bíblia em miniatura”. Seus 66 
capítulos são divididos em duas partes, 39 capítulos na primeira divisão (como o Antigo 
Testamento) e 27 capítulos na segunda divisão (como o Novo Testamento). Os primeiros 
39 capítulos enfatizam o julgamento, os últimos 27 enfatizam a misericórdia e conforto 
divino. 
 
III. Contexto histórico 
A nação de Israel foi dividida após a morte de Salomão, as dez tribos do norte 
foram organizadas como Israel, e as duas tribos do sul como Judá (1Rs 11.9-13, 43). A 
capital de Israel era Samaria, a capital de Judá, Jerusalém. O profeta Isaías ministrou em 
Jerusalém, mas suas mensagens tocaram tanto o norte quanto o reino do sul.11 
Depois da morte do rei Uzias (c. 790-739 a.C.), seu filho Jotão (c. 750-731 a.C.) 
teve que assumir as responsabilidades do reino. Durante o seu reinado (2Rs 15.19), a 
Assíria começava a emergir como uma nova grande potência internacional sob a 
liderança de Tiglate-Pileser (c. 745-727 a.C.). Nesse tempo, Judá começou a enfrentar 
também a oposição de Israel e da Síria nas fronteiras do norte (2Rs 15.37). Durante os 
últimos doze anos do reinado de Jotão, seu filho Acaz serviu como corregente. 
Acaz tinha 25 anos quando começou a reinar em Judá e reinou até os 41 anos 
(2Cr 28.1-8; c. 735-715 a.C.). Nesse tempo, a Síria e Israel fizeram uma aliança para 
combater a emergente Assíria, que ameaçava pelo leste, mas Acaz recusou-se a 
participar (2Rs 16.5; Is 7.6). Por causa disso, seu vizinho do norte queria destroná-lo, o 
que resultou em guerra (734 a.C.). 
Em vez de confiar no Senhor (Is 7.10-16), o rei Acaz pediu ajuda ao rei da 
Assíria (2Rs 16.7), que lhe respondeu de bom grado. Ele derrotou Israel em 721 a.C., mas 
Judá tornou-se um estado vassalo da Assíria, o preço que Acaz teve que pagar por sua 
segurança. Como consequência da aliança de Acaz com a Assíria, ele construiu um altar 
pagão no templo de Salomão (2Rs 16.10-16; 2Cr 28.3). Durante o seu reinado (722 a.C.), 
a Assíria tomou Samaria, capital do Reino do Norte e levou muitas pessoas de Israel para 
o cativeiro (2Rs 17.6, 24). 
 
9 Chisholm, R. B. (1998). The Major Prophets. In D. S. Dockery (Org.), Holman concise Bible 
commentary (p. 262–263). Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers. 
10 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1030). Wheaton, IL: Victor Books. 
11 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is). Wheaton, IL: 
Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
7 
 
Depois da morte de Acaz, Ezequias, seu filho, reinou em seu lugar. Ezequias 
reinou durante 42 anos e foi um dos maiores reis de Judá (2Rs 18-20; 2Cr 29-32). Ele 
não apenas fortaleceu a cidade de Jerusalém e a nação de Judá, mas levou o povo de 
volta ao Senhor. Ele construiu o sistema de água famoso que ainda está de pé em 
Jerusalém. O Túnel de Ezequias ou Tunel de Siloé é um túnel ou aqueduto que foi 
escavado na rocha sólida, escavado embaixo de Ophel na cidade de Jerusalém por volta 
de 701 a.C. durante o reinado de Ezequias. O túnel, que conduzia a Fonte de Giom até o 
tanque de Siloé, foi projetado para agir como um Aqueduto para abastecer de água a 
Jerusalém durante o cerco organizado pelos assírios, conduzidos por Senaqueribe. 
A ameaça de uma invasão da Assíria forçou Judá a pagar pesados tributos a essa 
grande potência. Em 701 a.C., Ezequias foi acometido de uma doença muito grave, que 
ameaçava tirar a sua vida. No entanto, ele orou a Deus que, graciosamente,lhe deu mais 
15 anos de vida (2Rs 20; Is 38), até 686 a.C. Quando a Assíria começou a enfraquecer, 
por causa de disputas internas, Ezequias recusou-se a continuar pagando-lhe qualquer 
tributo (2Rs 18.7). Como consequência, em 701 a.C., Senaqueribe, o rei assírio, invadiu 
as fronteiras do reino de Judá, marchando rumo ao Egito pela parte sul de Israel. 
Durante a investida, ele destruiu muitas cidades de Judá (2Rs 18.13). 
Enquanto estava sitiando Laquis, ele enviou um contingente para sitiar 
Jerusalém (2Rs 18.17-19.8; Is 36.2-37.8). A expedição falhou. Contudo, numa segunda 
tentativa, ele enviou mensageiros a Jerusalém, exigindo rendição imediata (2Rs 19.10; Is 
37.9). Mas, ao contrário de Acaz, Ezequias confiou no Senhor. Ele se prostrou diante de 
Deus em oração, apresentou-lhe seu problema, e confiou nas palavras que Deus proferiu 
através de Isaías (Is 37.14-35). Com o encorajamento de Isaías, Ezequias se recusou a 
render-se e o exército de Senaqueribe caiu diante do Senhor. O Anjo do Senhor feriu no 
arraial dos assírios, cento e oitenta e cinco mil soldados; e, quando os restantes se 
levantaram pela manhã, eis que todos estes eram cadáveres (2Rs 19.35). Senaqueribe 
retonou para Nínive e nunca mais ameaçou Judá. 
A Assíria foi derrotada pelos egípcios, que em seguida, caíram diante dos 
babilônios (606-587 a.C.). Depois, os babilônios levaram Judá para o cativeiro (Dn 1). 
Assim, na primeira metade de seu livro, Isaías aconselhou a nação sobre a Assíria; na 
última metade, ele consolou o remanescente relativo ao seu retorno da Babilônia.12 
 
IV. Cristo em Isaías 
Em Isaías encontramos um rico quadro profético a respeito de Jesus Cristo. 
Vemos o Seu nascimento (Is 9.6, 7.14; Mt 1.23), o ministério de João Batista (Is 40.3-6; 
Mt 3.1); Cristo ungido pelo Espírito (Is 61.1-2; Lc 4.17-19); Cristo Servo (Is 42.1-4; Mt 
12.17-21); A rejeição de Israel contra Cristo (Is 6.9-11; Jo 12.38; Mt 13.10-15; At 28.26-
27; Rm 11.8); A pedra de tropeço (Is 8.14 e 28.16; Rm 9.32-33 e 10.11; 1Pe 2.6); O 
ministério de Cristo aos gentios (Is 49.6; Lc 2.32; At 13.47; Mt 4.15-16); O sofrimento e a 
morte de Cristo (52.13-53.12); Sua ressurreição (Is 55.3; At 13.34; 45.23; Fp 2.10-11 e 
 
12 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is). Wheaton, IL: 
Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
8 
 
Rm 14.11); e a vinda do Rei (Is 9.6 -7, 11.1; 32.1-2; 59.20-21; Rm 11.26-27; 63.2-3; Ap 
19.13-15). 
 
 
V. Esboço: 
 
O esboço abaixo ajudará a obter uma visão geral deste magnífico livro. 
 
Tema: A salvação do Senhor 
I. A condenação - (1-39) 
1. Sermões contra Judá e Israel - (1-12) 
2. Encargos de julgamento contra os gentios - (13-23) 
3. Canções sobre Futuro Glória - (24-27) 
4. Desgraças do juízo vindouro da Assíria - (28-35) 
5. Interlúdio - Histórico - (36-39) 
a. Ezequias cercado pela Assíria - (36-37) 
b. Ezequias enganado pela Babilônia -( 37-38) 
 
II. A consolação - (40-66) 
1. A grandeza de Deus - (40-48) (O pai contra ídolos) 
2. A graça de Deus - (49-57) (O Filho, o Servo de Deus) 
3. A glória de Deus - (58-66) (O Espírito e o reino) 
 
Isaías começa com uma série de sermões denunciando o pecado: Os pecados 
pessoais dos indivíduos (capítulos 1-6) e os pecados nacionais dos líderes (capítulos 7-
12). Ele adverte sobre o julgamento e clama por arrependimento. 
Nos capítulos (13-23), Isaías denuncia as nações por seus pecados e adverte 
sobre o julgamento de Deus. Tanto Israel quanto Judá haviam pecado contra a Lei de 
Deus e foram ainda mais culpados do que os seus vizinhos. 
Ao estudar o Livro de Isaías, é possível observar que o profeta intercala 
mensagens de esperança com palavras de julgamento. Por exemplo, Isaías 24-27 são 
“cânticos de esperança” que descrevem a glória do reino futuro. Isaías vê um dia em que 
os dois reinos (Israel e Judá) voltarão para a terra e entrarão nas bênçãos do reino 
prometido. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
9 
 
Os capítulos 28-35 focalizam a invasão iminente da Assíria contra Israel e Judá. O 
reino do norte (Israel) será destruído e as dez tribos dominadas pelo Império Assírio. 
(Esta é a origem dos samaritanos, que eram parte judeus e parte gentios).13 
Neste ponto, Isaías passa da profecia para a história e focaliza dois principais 
eventos que ocorreram durante o reinado de Ezequias: o livramento miraculoso de 
Jerusalém (capítulos 36-37), e a cooperação tola de Ezequias com os babilônios 
(capítulos 38-39). Esta seção faz uma transição entre a Assíria e a Babilônia. Já os 
últimos vinte e sete capítulos olham para o retorno do remanescente judeu do cativeiro 
babilônico. 
Isaías 40-66 é chamado de “O Livro da Consolação”. Dividido em três seções, cada 
um se concentra em uma pessoa diferente da Divindade. Os capítulos 40-48 exaltam a 
grandeza de Deus, o Pai; Os capítulos 49-57, a graça de Deus, o Filho, Servo Sofredor de 
Deus e os capítulos 58-66, a glória do reino futuro, quando o Espírito será derramado 
sobre o povo de Deus (59.19 e 21; 61.l, e 63.10-11 e 14).14 
Mas a maior mensagem de Isaías é a sua palavra de salvação, anunciando a vinda 
do Messias, o Servo do Senhor, que morreria pelos pecadores e um dia retornará para 
estabelecer o Seu reino glorioso (Is 53). Isaías é conhecido como “profeta evangélico”, 
ele falou muito a respeito da graça de Deus para com Israel, especialmente nos últimos 
27 capítulos. Ao estudar Isaías é possível notar a ênfase na mensagem pessoal do perdão 
de Deus: 
“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a 
escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o 
carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18). 
 
“Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-
te para mim, porque eu te remi” (Is 44.22). 
 
“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus 
pecados não me lembro” (Is 43.25). 
 
Como pode um Deus justo e reto, perdoar os pecados e não mais se lembrar? 
Através do Cordeiro de Deus que foi crucificado: 
 
“Mas ele [Jesus] foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas 
iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos 
sarados” (Is 53.5). 
 
 
13 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 13–14). Wheaton, IL: Victor Books. 
14 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 15). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
10 
 
Isaías 6 
O chamado do profeta Isaías 
 
Introdução: 
O rei Uzias estava morto e o trono de Judá permaneceu vazio. Como todos os 
homens de fé, Isaías voltou-se para Deus por ajuda e conforto, e naquela hora de 
aparente derrota, ele experimentou uma grande bênção espiritual. Isaías viu que o trono 
do céu ainda estava ocupado por Deus!15 
Embora este seja um dos capítulos mais conhecidos no Livro de Isaías, há um 
problema que têm causado debate entre os teólogos. Isaías ministrou antes de ser 
chamado por Deus ou o capítulo seis está fora da ordem cronológica, mas na ordem 
lógica? 
É provável que a visão do comissionamento de Isaías depois dos capítulos 1-5 
seja o clímax lógico e apropriado diante das acusações dos capítulos anteriores. O 
capítulo 6 enfatiza a depravação extrema do país, contrastando-a com a santidade de 
Deus. Aqui Isaías também enfatizou que o povo não tinha discernimento espiritual e não 
havia se arrependido de sua condição pecaminosa.16 
 
I. A visão de Deus. 
 
“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e 
sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam 
por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas 
cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns paraos outros, 
dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia 
da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa 
se encheu de fumaça” (Isaías 6.1-4). 
 
Isaías olhou para o alto. Como todos os cidadãos dedicados, Isaías respeitava o rei 
Uzias. Durante 52 anos, o rei Uzias conduziu o povo de Judá, em um programa de paz e 
prosperidade. Foi uma época de expansão e conquista. No entanto, é lamentável que o 
rei houvesse se rebelado contra a Palavra de Deus e tenha morrido leproso (2Rs 15.1-7; 
2Cr 26). Isaías percebeu que embora a nação tivesse prosperado materialmente, estava 
em péssimas condições espirituais. O crescimento econômico e a paz temporária era 
apenas um verniz que cobria uma nação com um coração perverso. 
 
15 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is 6). Wheaton, IL: 
Victor Books. 
16 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1043–1044). Wheaton, IL: Victor Books. 
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Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
11 
 
Isaías viu o Senhor como um rei exaltado sobre o trono do Seu templo celeste. 17 
Como o apóstolo João escreveu: “Isto disse Isaías porque viu a glória dele e falou a seu 
respeito” (Jo 12.41), Isaías pode ter visto o Cristo pré-encarnado, o Senhor. O profeta não 
viu a própria essência de Deus porque ninguém pode vê-Lo (Êx 33.18; Jo 1.18; 1Tm 6.16; 
1Jo 4.12). Uma vez que Ele é invisível (1Tm 1.17). Mas não havia nenhum problema em 
Isaías ver Deus em uma visão ou uma teofania (manifestação de Deus), assim como fez 
Ezequiel (Ez 1.3-28); Daniel (Dn 7.2, 9-10), e outros. 
Isaías viu Deus assentado sobre um alto e sublime trono, sendo exaltado pelos 
querubins e percebeu que as abas de Suas vestes enchiam o templo. Essa visão é muito 
relevante porque no lugar mais sagrado do templo, em Jerusalém, a glória de Deus era 
evidente entre os querubins no propiciatório sobre a arca da aliança. Portanto alguns 
israelitas erroneamente pensavam que Deus era muito pequeno. No entanto, Salomão, 
em sua oração dedicatória ao novo templo, havia afirmado que nenhum templo poderia 
conter Deus e que, de fato, até mesmo os céus não podem conte-Lo (1Rs 8.27). Por isso 
Isaías não viu Deus sobre a arca da aliança, mas em um trono. Para Isaías, o trono 
enfatizava que o Senhor é de fato o verdadeiro Rei de Israel. Além disso, as longas vestes 
do Senhor enfatizam Sua realeza e majestade. Ele é o Senhor do universo, o Deus 
exaltado, não há na terra, no céu ou no mar Deus como o Senhor. 
Essa é uma boa lição para os cristãos de hoje: quando o dia estiver escuro, levante 
os olhos para o céu e veja o Senhor no trono. Para Isaías, o panorama era desolador, o rei 
Uzias estava morto, seu país estava em perigo, e ele não podia fazer nada sobre isso. A 
perspectiva era triste, mas a visão do alto foi gloriosa! Embora o trono em Jerusalém 
estive vazio, o trono celestial estava ocupado: Deus está no trono e reina como o 
Soberano do Universo! Do ponto de vista de Deus, “toda a terra” estava “cheia da Sua 
glória” (Is 6.3; Nm 14.21-22; Sl 72.18-19).18 Quando a perspectiva é sombria, a melhor 
atitude é olhar para as coisas do ponto de vista de Deus. 
 
II. A visão de si mesmo 
 
“Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios 
impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos 
viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! Então, um dos serafins voou para mim, 
trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; com a 
brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua 
iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado” (Isaías 6.5-7). 
 
A verdadeira visão de Deus e Sua santidade sempre nos faz perceber o nosso 
próprio pecado e fracasso. Jó viu Deus e se arrependeu (Jó 42.6); o apóstolo Pedro diante 
do Senhor Jesus gritou: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lc 5.8). O 
apóstolo Paulo reconheceu que sua própria justiça era apenas “lixo” ao lado da glória de 
 
17 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 6.1–3). Joplin, MO: College Press. 
18 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 27–28). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
12 
 
Cristo (At 9 e Fp 3). Quando os crentes têm uma verdadeira experiência com o Senhor, 
não se tornam orgulhosos, mas, humildes e quebrantados.19 Invariavelmente, as 
testemunhas mais eficazes são aqueles que tiveram uma visão exaltada do Senhor Jesus 
Cristo e que são conscientes de sua própria indignidade. Foi o reconhecimento de Paulo 
de si mesmo como o principal dos pecadores que o levou a pregar o evangelho (1Tm 
1.15, 1Co 15.9, 10). 
Tendo consciência da santidade de Deus, Isaías sabia que seu próprio pecado 
significava uma tragédia (“Ai de mim! Estou perdido!”). Ele havia acabado de ouvir 
lábios santos adorando a Deus, agora ele se torna consciente da impureza dos seus 
próprios lábios. Ele era incapaz de pregar ou mesmo louvar a Deus em sua péssima 
condição (Is 6.5). 
Então, um dos serafins tocou os lábios de Isaías com uma brasa do altar do 
incenso. Neste gesto simbólico, ele recebeu a garantia de que seus pecados haviam sido 
expurgados (Is 6.6-7).20 Em seguida, Isaías havia pronunciado os problemas (ameaças de 
julgamento) sobre a nação (Is 5.8-23), mas agora ao declarar “Ai de mim!” (cf. Is 24.16), 
ele percebeu que estava sujeito ao mesmo julgamento divino. Quando visto ao lado da 
pureza da santidade de Deus, a impureza do pecado humano é ainda mais evidente. 
Isaías identificou-se com o seu povo que também era pecador (um povo de lábios 
impuros). 
 
III. A visão do serviço 
 
“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há 
de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então, disse ele: Vai e 
dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. 
Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe 
os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos 
e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo. Então, disse eu: até 
quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem 
sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de todo 
assolada, e o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o 
desamparo. Mas, se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. 
Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica 
o toco, assim a santa semente é o seu toco” (Isaías 6.8-13). 
 
Isaías ouviu a voz do Senhor, dizendo: “A quem enviarei, e quem há de ir por 
nós?” O pronome no plural parece apontar para uma unidade pluralista da Divindade 
(trindade). Um Deus fala, mas três pessoas distintas na Divindade estão envolvidas.21 A 
 
19 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is 6.5–7). Wheaton, 
IL: Victor Books. 
20 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 6.5–7). Joplin, MO: College Press. 
21 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1045). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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reverência obriga Isaías a dizer o mínimo possível. Duas palavras em hebraico 
descrevem sua resposta positiva: “... Eis-me aqui” (Is 6.8). 
A pergunta “A quem enviarei?”. Não significa que Deus não sabia ou que apenas 
esperava que alguém respondesse. Ele fez a pergunta para dar a Isaías, agora purificado, 
uma oportunidade para o serviço. O profeta sabia que toda a nação precisava do mesmo 
tipo de consciência acerca deDeus e a purificação do pecado que havia recebido. Então 
ele respondeu que estaria disposto a servir ao Senhor: “... Eis-me aqui” (Is 6.8). 
O chamado é uma evidência da graça de Deus. O Altíssimo está disposto em usar 
seres humanos para realizar a Sua vontade na terra. Deus certamente poderia ter 
enviado um dos serafins, que teria obedecido rapidamente e perfeitamente. Mas quando 
se trata de proclamar a Sua Palavra, Deus usa lábios humanos. Deus ainda está 
chamando os crentes de hoje e, infelizmente, poucos estão respondendo. 
 
“Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais...” (v. 9) – 
Não foi uma comissão fácil para Isaías, pois a nação não estaria disposta a ouvir suas 
mensagens sobre o pecado e juízo. No capítulo 1, Deus retrata a nação como um corpo 
doente, coberto de chagas e feridas abertas, e como um animal teimoso e rebelde, muito 
ignorante para ouvir seu próprio mestre (Is 1.3). No capítulo 5, a nação é descrita como 
uma bela vinha, que não produzia boas uvas, apenas uvas bravas (Is 5.2). Ao ler os 
capítulos 1-5, podemos entender o fardo que Deus deu a Isaías. A nação era próspera, 
por que pregar sobre o pecado? As “donzelas eram vaidosas” e não gostariam de ouvi-lo 
(Is 3.16-26), nem os principais governantes (Is 5.8).22 A soberba é capaz de cegar o 
coração de qualquer pessoa. Alguém abastado e satisfeito, dificilmente crê na iminência 
do julgamento. 
 
“Então, disse eu: até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas 
as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja 
de todo assolada...” (Is 5.11) – Deus disse a Isaías que o seu ministério terminaria num 
aparente fracasso, com a terra arruinada e as pessoas sendo levadas ao exílio (Is 6.11, 
12). Contudo, um remanescente sobreviveria! Seria como o toco de uma árvore caída de 
onde os rebentos (“a santa semente”) brotariam e dariam continuidade à verdadeira fé 
na terra. Isaías precisava de uma perspectiva de longo alcance sobre o seu ministério, ou 
então ele iria se sentir como se estivesse realizando nada.23 Embora a população de Judá 
fosse quase totalmente exterminada ou exilada, Deus prometeu preservar um pequeno 
número de crentes na terra. 
 
 
 
 
22 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is 6.8–13). Wheaton, 
IL: Victor Books. 
23 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 29). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
14 
 
Conclusão: 
O Senhor não deu a Isaías muitos incentivos (Is 6.9-13). Pelo contrário, o 
ministério de Isaías deixaria algumas pessoas mais cegas, mais surdas e corações mais 
endurecidos. 
“Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não 
percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-
lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a 
entender com o coração, e se converta, e seja salvo” (Is 6.9–10) – Os versículos 9 e 10 
são tão importantes que eles são citados seis vezes no Novo Testamento (Mt 13.13-15; 
Mc 4.12; Lc 8.10; Jo 12.40; At 28.25-28; Rm 11.8). Mas o servo deve proclamar a Palavra, 
não importa como as pessoas reagirão. O resultado de um bom ministério não é o 
sucesso, mas a fidelidade ao Senhor. O Senhor não tem prazer em julgar o Seu povo, mas 
a disciplina era necessária por causa da desobediência. 
O comentarista Warrem Wiersbe acertadamente escreveu: “Vai e dize” ainda é a 
ordem de Deus para o Seu povo (v. 9; ver Mt 28.7; Mr 5.19). Ele está esperando a nossa 
resposta: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.24 Qual tem sido a sua resposta? 
 
 
 
 
 
 
 
24 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 29). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
15 
 
Isaías 7-12 
A promessa a respeito do Emanuel 
 
Introdução: 
Existem dois princípios importantes ao estudar as profecias do Antigo 
Testamento: (1) Os profetas contemplaram a vinda de Cristo na humilhação e na glória, 
mas não viam o tempo entre esses eventos (1Pe 1.10-12), e (2) Cada profecia surgiu de 
uma situação histórica definida, mas também, contemplava um futuro distante.25 É 
exatamente isso que encontramos nos capítulos de 7 a 12, o profeta Isaías está lidando 
com uma crise, o ataque iminente de Judá por Israel (o Reino do Norte) e a Síria, e ele 
declara o que vai acontecer com a nação. Porém, Isaías também anuncia a vinda do 
Messias.26 
Os capítulos de 7 a 12 são conhecidos como “O Livro do Emanuel”. Eles contêm o 
que o comentarista Delitzsch chama de “a grande trilogia das profecias messiânicas”. No 
capítulo 7, o Messias está prestes a nascer, no capítulo 9, Ele é descrito como tendo 
nascido, e no capítulo 11, Ele reina sobre o Seu povo.27 Creio que o comentarista Warren 
Wiersbe estava certo quando declarou que nos capítulos de 7 a 12 quatro nomes 
simbólicos estão envolvidos nessas mensagens de Isaías, cada um deles com um 
significado muito especial: Emanuel, Maher-Salal-Hás-Baz, Sear-Jasube e Isaías.28 
 
I. Emanuel: Uma mensagem de esperança (Is 7.1-25) 
“Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e 
dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Is 7.14) – O medo tomou conta da 
família real de Judá, quando chegou à notícia da iminente invasão pelas forças de Rezim 
e Peca (Reino do Norte e Síria). Na expectativa de um cerco, o rei começou a inspecionar 
suas defesas e, especialmente, o seu sistema de abastecimento de água (Is 7.3). Assim, o 
Senhor mandou Isaías se aproximar do rei Acaz com uma palavra de encorajamento 
neste momento de crise nacional. 
O Senhor ordenou que Isaías levasse o próprio filho, Sear-Jasube (“Um-Resto-
Volverá”) e se encontrasse com o rei Acaz. O coração de Acaz estava atribulado, mas 
Isaías proclamou uma mensagem de esperança: “Acautela-te e aquieta-te; não temas, 
nem se desanime o teu coração por causa destes dois tocos de tições fumegantes; por causa 
do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias” (v. 4). 
 
25 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is 7–12). Wheaton, 
IL: Victor Books. 
26 Wiersbe, W. W. (1993). Wiersbe’s Expository Outlines on the Old Testament (Is 7–12). Wheaton, 
IL: Victor Books. 
27 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 7.1–25). Joplin, MO: College Press. 
28 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 29). Wheaton, IL: Victor Books. 
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Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
16 
 
É interessante que, aos olhos de Deus, os dois reis que ameaçavam a nação de 
Judá não passavam de “dois tições fumegantes” (v. 4). Eles serão destruídos facilmente, 
como uma lenha destruída pelo fogo. A mensagem de Isaías era de reafirmação. Os dois 
reis invasores não prevalecerão. 
 
“A promessa a respeito de Emanuel” (v. 10-16) – O Senhor deu um sinal a toda a 
casa de Davi: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e 
dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Is 7.14). Este sinal foi cumprido em última 
instância, no nascimento de Jesus Cristo (Mt 1.23). Ele nasceu da virgem Maria, 
concebido pelo Espírito Santo (Lc 1.31-35). No entanto, este “sinal” possuía um 
significado imediato para o rei Acaz e o povo de Judá. Uma mulher virgem se casaria, 
engravidaria, e teria um filho, cujo nome seria “Emanuel”. Este filho seria um lembrete 
de que Deus estava com Seu povo e cuidaria deles. 
O sinal envolveu não apenas o nascimento e nome do menino (Emanuel, “Deus 
conosco”), mas também um período designado de tempo: antes que o menino soubesse 
desprezar o mal e escolher o bem, a terra dos dois reis será devastada (v. 15). Isto é, 
dentro de cerca de três anos (nove meses de gravidez e dois ou três anos até que o 
menino soubessea diferença entre o bem e o mal) a aliança entre os invasores será 
quebrada. Na verdade, a aliança foi quebrada em 732 a.C., quando Tiglate-Pileser III 
destruiu Damasco.29 Depois de Tiglate-Pileser derrotou a Síria e Samaria em 721 a.C. 
(2Rs 16.7-10). 
 
Males sobre Jerusalém (7.17-25) 
Acaz voluntariamente se submeteu ao rei da Assíria. Porém, essa aliança 
conduzirá a nação de Judá a um estado de humilhação inigualável. Em quatro figuras, 
Isaías descreve o que Judá enfrentará: Primeiro, ele comparou o inimigo a abelhas 
assassinas. Esta praga será convocada pelo divino apicultor. As abelhas assassinas 
assírias invadirão toda a terra (7.18f). Em segundo lugar, Isaías comparou o inimigo a 
uma navalha alugada. O rei da Assíria, contratado por Acaz, raspará todo o cabelo, 
simbolizando a nação de Judá. Remover o cabelo e a barba era um sinal de profunda 
humilhação (7.20). No antigo Oriente Próximo raspar o cabelo e a barba era um sinal de 
humilhação ou sofrimento profundo (cf. Jó 1.20; Is 15.2; Jr 47.5; 48.37; Ez 7.18; Am 8.10; 
Mq 1.16).30 A terceira figura foi de escassez de alimento. Apenas alguns animais 
sobreviverão à devastação. A população será forçada a comer apenas coalhada (do leite) 
e mel encontrado na terra (7.21). Finalmente, Isaías pintou um quadro contendo um 
terreno cheio de mato. Uma vez que as vinhas valiosas serão cobertas com espinhos. As 
áreas, uma vez cultivadas, se tornarão pasto, serão invadidas por bovinos e ovinos (7.23-
 
29 Rei da Assíria (745–727 a.C.), também chamado de Pul, que invadiu o Norte de Israel no tempo 
de Menaém e de Peca (2Rs 15.19,29). Acaz, rei de Judá, pediu auxílio a Tiglate (2Rs 16.5–10). 
30 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1048–1050). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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25). A terra servirá apenas para pastagem de bovinos e ovinos. Judá experimentará a 
privação e humilhação. 
 
II. Maher-salal-has-baz: Um aviso de julgamento (Is 8.1-22) 
O capítulo 8 desenvolve o tema do capítulo 7. A invasão pró-assíria falhará. 
Porque Judá não havia colocado a sua confiança no Senhor, ela será confrontada com 
uma ameaça ainda maior, a superpotência Assíria. Assim, o profeta Isaías exortou o povo 
a se concentrar em Deus como a única fonte de libertação.31 
Durante a crise de 734 a.C. Isaías recebeu uma revelação de quatro palavras 
(Rápido-Despojo-Presa-Segura). Ele proclamou a revelação de duas maneiras. Primeiro, 
em um grande “outdoor”, um cartaz para exposição pública, Isaías escreveu as quatro 
palavras: Maer-Salal-Hás-Baz. Em segundo lugar, o profeta transformou a sua revelação 
em um nome pessoal. Nove meses depois nasceu o filho de Isaías, cujo nome era Maher-
Salal-Hás-Baz. Este nome incomum transmitia uma profecia sobre o destino da Síria e 
Efraim. Antes que o filho de Isaías pudesse pronunciar suas primeiras palavras, o rei da 
Assíria levará os despojos de Samaria e Damasco (8.3). 
No restante do capítulo, Isaías usou três contrastes para mostrar as principais 
cidades de Judá, o erro que estavam cometendo ao confiar na Assíria, em vez de confiar 
no Senhor. 
 
Eles escolheram uma inundação em vez de um rio calmo (Is 8.5-10). A facção 
pró-assíria em Judá se alegrou quando a Assíria derrotou a Síria e quando ambos, Peca e 
Rezim foram mortos. Estas vitórias pareciam provar que uma aliança com a Assíria era o 
caminho mais seguro para seguir. Em vez de confiar no Senhor (“As águas de Siloé, que 
correm brandamente”, v. 6), eles confiaram no grande rio da Assíria. O que eles não 
perceberam é que este rio se tornará uma inundação quando a Assíria invadir Israel e 
Judá for devastado.32 Deus ofereceu ao Seu povo a paz, mas na incredulidade eles 
optaram pela guerra. 
 
Eles escolheram uma armadilha ao invés de um santuário (Is 8.11-15). Deus 
advertiu Isaías a não seguir a maioria e apoiar o partido pró-assírio. Mesmo que sua 
posição fosse encarada como traição, Isaías se opôs a todas as alianças estrangeiras e 
instou as pessoas a colocar a sua fé no Senhor (7.9; 28.16; 30.15).33 Os líderes políticos 
judeus estavam perguntando: “É popular? É seguro?” Mas o profeta questionava: “É 
correto? É a vontade de Deus?”. 
 
 
31 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 8.1–22). Joplin, MO: College Press. 
32 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 33–34). Wheaton, IL: Victor Books. 
33 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 34). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Eles escolheram as trevas em vez da luz (Is 8.16-22). Diante da crise, ao invés 
de buscar a Deus, o povo de Judá consultava os demônios (Is 8.19; Dt 18.10-12), e isso só 
aumentava a escuridão moral e espiritual. Diante disto, o profeta Isaías proclamou: 
“Respondam: ‘À lei e aos mandamentos!’ Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês 
jamais verão a luz!” (Is 8.20, NVI). Os líderes de Judá ansiosamente olhavam para o 
amanhecer de um novo dia, mas só viam uma escuridão profunda.34 A Palavra de Deus é 
a nossa única luz confiável nas trevas deste mundo (Sl 119.105; 2Pe 1.19-21). Espíritas e 
médiuns e aqueles que os consultam, eventualmente, serão julgados por Deus (Is 8.21-
22). 
Essa é uma imagem sombria para os que se encontravam frustrados, 
desesperados e irados, a ponto de até mesmo amaldiçoarem a Deus, tudo porque se 
recusaram a receber a veracidade das coisas que Isaías estava profetizando a respeito da 
opressão que virá da parte de outras nações. 
 
 
III. Sear-Jasube: Uma promessa de misericórdia (Is 9.1-11.16) 
O filho do profeta Isaías será um lembrete de que Deus estava com Seu povo e 
cuidará deles. Sear-Jasube significa “Um-Resto-Volverá” (cf. Is 7.2; 10.20-22; 11.11-12, 
16). Quando a Assíria conquistou o Reino do Norte (Efraim), o país nunca foi restaurado, 
mas tornou-se o que conhecemos como Samaria. Mas o Reino do Sul, depois do cativeiro 
babilônico (606-586 a.C.), o povo de Judá receberá outra oportunidade de estabelecer-se 
na terra, e por meio deles, o Senhor trará o Messias ao mundo.35 A misericórdia de Deus 
é vista de quatro maneiras na vida de Judá. 
 
O Senhor prometeu um Redentor ao Seu povo (Is 9.1-7). Isaías continuou o 
tema da luz e da escuridão (8.20-22), ao anunciar: “Mas para a terra que estava aflita não 
continuará a obscuridade” (Is 9.1). O Redentor virá e trará ao mundo o amanhecer de um 
novo dia: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da 
sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (Is 9.2; Lc 1.78-79; Jo 8.12; Mt 4.13-15). 
 
“... Deus, nos primeiros tempos, tornou desprezível a terra de Zebulom e a 
terra de Naftali...” (v. 1) – Zebulom e Naftali, situadas nas fronteiras a nordeste da 
Galiléia e a oeste do rio Jordão, seriam as primeiras a sofrer com a invasão do rei da 
Assíria (2Rs 15.29). 
 
“... mas, nos últimos, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, 
Galileia dos gentios” (v. 1) – Mas essas áreas serão especialmente honradas pelo 
 
34 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 35). Wheaton, IL: Victor Books. 
35 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 35–36). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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ministério do Messias. Jesus foi identificado com “Galileia dos gentios” (Mt 4.15), e Seu 
ministério de compaixão ao povo trouxe luz e alegria. Mas o profeta olhou além da 
primeira vinda de Cristo. O profeta olhou para a segunda vinda de Cristo e o 
estabelecimento do Seu reino justo (Is 9.3-7). 
Em quatro belas figuras de linguagem, Isaías descreve o dia glorioso: Em primeiro 
lugar, o dia do Messias será um dia de expansão. Deus ampliará a nação (9.3a). A 
referência provavelmenteé a inclusão, a igreja de Cristo. Em segundo lugar, será um dia 
de alegria semelhante a uma grande colheita ou uma batalha bem sucedida (9.3b). Em 
terceiro lugar, a vinda do Messias inaugurará um dia de libertação. A vara e o jugo do 
opressor serão quebrados, como no dia em que Gideão esmagou o exército dos 
midianitas (9.4). Por fim, será um dia de paz. A imagem é de uma limpeza após a guerra. 
As botas do guerreiro e as roupas manchadas de sangue serão lançadas ao fogo (9.5).36 
 
1. O Senhor julgou o pecado de Israel (Is 9.8-10.4). 
Esta longa seção descreve o que acontecerá com o Reino do Norte, diante da 
invasão dos assírios. Embora Isaías ministrasse ao povo de Judá, ele usou o povo de 
Israel como uma lição para avisar ao Reino do Sul de que Deus leva a sério o pecado do 
Seu povo. 
Judá havia pecado, mas Deus, por amor de Davi (Is 37.35; 1Rs 11.13; 15.4; 2Cr 
21.7), agiu com misericórdia. No entanto, a longanimidade de Deus não durará para 
sempre. A declaração fundamental é: “... Com tudo isto, não se aparta a sua ira, e a mão 
dele continua ainda estendida” (Is 9.12, 17, 21; 10.4; 5.25; 65.2; Rm 10.21). Deus os julgou 
por seu orgulho (Is 9.8-12). Ele também os julgou por sua dureza de coração em sua 
recusa a se arrepender e voltar para o Senhor (v. 13-17). Além disso, Israel estava sendo 
desviada por falsos profetas e líderes tolos, a nação não quis ouvir a Palavra de Deus. A 
maldade de Efraim estava destruindo a nação, da mesma maneira que um incêndio 
destrói uma floresta ou um campo (Is 9.18-19).37 Em sua ganância, o povo do Reino do 
Norte devorou uns aos outros (v. 20) e lutou entre si (v. 21), mas eles serão devorados e 
derrotados pela Assíria. 
 
2. O Senhor julgará o inimigo (Is 10.5-34). 
Deus havia dado a Assíria uma comissão limitada dentro do Seu plano eterno. A 
orgulhosa Assíria, no entanto, tinha ambições grandiosas (Is 10.8-11). “Ai da Assíria!” (Is 
10. 5). Embora Deus houvesse utilizado a Assíria para disciplinar Judá, Ele não aceitaria 
sua arrogância e orgulho. A Assíria foi Sua vara, machado e bastão (10.5, 15, 24), mas 
eles trataram os judeus como a lama das ruas (v. 6) e saquearam a terra como um 
fazendeiro recolhe ovos abandonados (v. 14). Os assírios se vangloriam de suas 
conquistas (v. 8-14, ver 37.10-13). 
 
36 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 9.1–5). Joplin, MO: College Press. 
37 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 37–38). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
20 
 
Entretanto, a palavra de Deus para o povo foi: “Povo meu, que habitas em Sião, não 
temas a Assíria, quando te ferir com a vara e contra ti levantar o seu bastão à maneira dos 
egípcios” (v. 24). Isaías proclamou a mesma mensagem ao rei Ezequias quando o exército 
assírio havia cercado Jerusalém em 701 a.C. (Is 37.1-7). Deus usou a Assíria para 
disciplinar o Seu povo, mas Ele não permitiria que esta nação sem Deus fosse além dos 
Seus propósitos.38 Deus pode usar incrédulos para realizar a Sua vontade, seja para 
abençoar ou disciplinar o Seu povo, mas Ele está sempre no controle. 
 
3. O reinado pacífico do rebento de Jessé (Is 11.1-5). 
A Assíria será condenada, mas Judá terá um futuro maravilhoso. Fora da 
devastação infligida por potências como a Assíria, um grande governante surgirá a partir 
da casa de Davi. 
 
O Reino do Messias será de Justiça (11.1-5). O destino da Assíria estava em 
contraste direto com a do trono davídico. O Senhor derrubará o império assírio, mas Ele 
levantará um novo governante, o Messias, surgirá a partir da raiz da família de Jessé. 
Pelo poder do Espírito do Senhor, esse Rei possuirá sabedoria, justiça e fidelidade. Suas 
decisões serão fundamentadas na verdade, não nas aparências superficiais. Defenderá os 
pobres e reprimirá os maus. 
 
O Reino do Messias será pacífico (11.6-10). Isaías indicou que o governo do 
Messias será pacífico. Antigos inimigos conviverão harmoniosamente. Nenhum animal 
fará qualquer coisa danosa aos seres humanos. “A criança de peito brincará sobre a toca 
da áspide...” (Is 11.8). Uma criança poderá convier com um animal que consideramos 
violento, hoje, que nada acontecerá com ela. Todo o mal do universo será eliminado. 
Esse estado tranquilo será o resultado da disseminação do conhecimento do Senhor por 
toda a terra (11.6-9). 
 
4. A Restauração do povo de Deus (Is 11.11-12.6). 
Embora exilado em todo o mundo, Deus restaurará o Seu povo. Como nos dias de 
Moisés, Deus milagrosamente eliminará todos os obstáculos, fazendo com que o Seu 
povo mais uma vez declare: “O SENHOR é a minha força e o meu cântico; ele me foi por 
salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei” (Êx 15.2). Como no primeiro êxodo, o 
povo de Deus experimentará sua provisão e bênção abundante (Êx 12.3; 15.22-27).39 Ao 
voltar para a terra, os reinos do norte e do sul, outrora inimigos, se reunirão como povo 
do Senhor. Em contraste com os dias de Isaías, em que Israel “rejeitou o Santo de Israel” 
(Is 1.4), o Santo de Israel será exaltado entre o Seu povo. 
 
38 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 39). Wheaton, IL: Victor Books. 
39 Chisholm, R. B. (1998). The Major Prophets. In D. S. Dockery (Org.), Holman concise Bible 
commentary (p. 270–271). Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
21 
 
IV. Isaías: Uma canção de salvação (Is 12.1-6) 
O refrão em Isaías 12.2 – “Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, 
porque o SENHOR Deus é a minha força e o meu cântico” (Is 12.2), foi cantado em Êxodo 
(Êx 15.2) e na reinauguração do templo em dia de Esdras (Sl 118.14). Foi entoado no 
Mar Vermelho depois que os judeus foram libertados do Egito por Moisés, um profeta. 
Foi cantado em Jerusalém, quando o segundo templo foi dedicado, sob a liderança de 
Esdras, um sacerdote. 
Esta canção alegre fecha esta seção de Isaías em que o profeta usou quatro nomes 
significativos para dizer ao povo o que Deus havia planejado. Por causa do Emanuel, há 
uma mensagem de esperança. Maher-Salal-Hás-Baz dá um aviso do julgamento, mas seu 
irmão Sear-Jasube fala de uma promessa de misericórdia. O nome do pai, Isaías, traz 
uma canção de alegria como as pessoas descobrirem que o Senhor é de fato a sua 
salvação.40 
 
 
Conclusão: 
A Bíblia diz que, um dia Deus irá enxugar dos olhos toda lágrima (o grego diz 
literalmente, “cada lágrima”). Naquele dia não haverá “olhos marejados”. 
Tudo isso, porém está para acontecer. As primeiras coisas ainda não passaram, 
elas ainda são as anteriores. Contudo, Deus tem um propósito soberano ao permitir que 
suportemos o sofrimento. 
Seja qual for a sua luta, quero encorajá-lo como fez o apóstolo Paulo - não 
desfaleça o seu coração. Não desanime! O Senhor nunca abandonará o Seu povo. Não 
importa quão difícil os dias sejam ou quanto tempo durará às noites. Para o povo de 
Deus, o melhor ainda está por vir. Essa é a nossa esperança. 
 
 
 
40 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 40–41). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
22 
 
Isaías 13-23 
O julgamento sobre as nações. 
 
Introdução: 
Até aqui, vimos que o livro de Isaías se divide da seguinte forma: 
� Nos capítulos 1-5, Isaías apresentou uma série de sermões denunciando o 
pecado do povo de Deus. 
� No capítulo 6, encontramos o chamado do profeta Isaías. 
� Nos capítulos 7-12, a grande trilogia de profecias messiânicas. Isaías 
proclamou as mensagens de Deus durante o reinado de Acaz. 
Agora, nos capítulos 13-23, Isaías reitera alguns dos mesmos temas que havia 
manifestado: Deus usa vários meios para punir o pecado, e julgará as nações que são 
arrogantes contra o povo da aliança. São mensagens contra nove nações dos gentios 
pecadores oucidades ao redor de Judá.41 Nesses capítulos, o profeta revela o plano de 
Deus não apenas para Judá, mas também para as nações dos gentios.42 
Podemos dividir Isaías 13 a 23 em 6 grupos de capítulos. 
• Capítulos 13 e 14 profecias contra a Babilônia, Assíria e os Filisteus 
• Capítulos 15 e 16 profecias contra Moabe 
• Capítulos 17-18 profecias contra a Síria, Israel, Judá e Damasco 
• Capítulos 19-20 profecias contra o Egito e Etiópia 
• Capítulos 21 e 22 profecias contra a Babilônia, Edom, Arábia e Jerusalém 
• Capítulo 23 profecia contra a cidade de Tiro. 
 
Cada uma das seções começa com a expressão: “Sentença contra...”. A palavra 
traduzida como “sentença” (massa’) vem de uma raiz hebraica que significa “suportar 
um fardo”.43 Significa algo pesado, algo difícil de realizar ou algo difícil (pesado) de dizer. 
O Profeta estava carregando um fardo muito pesado por causa da natureza solene de sua 
mensagem (Jr 23.33). Ele estava anunciando julgamentos que envolviam a destruição de 
cidades e do abate de milhares de pessoas. Não admira que ele se sentisse 
sobrecarregado!44 Mas Isaías obedeceu a Deus e proclamou tudo! 
 
41 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1058–1059). Wheaton, IL: Victor Books. 
42 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 41). Wheaton, IL: Victor Books. 
43 Kaiser, W. C. (1999). 1421 נָָ�א. In R. L. Harris, G. L. Archer, Jr. & B. K. Waltke (Eds.), Theological 
Wordbook of the Old Testament (R. L. Harris, G. L. Archer, Jr. & B. K. Waltke, Ed.) (electronic ed.) 
(600). Chicago: Moody Press. 
44 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 43). Wheaton, IL: Victor Books. 
4 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
23 
 
I. Profecia contra a Babilônia (Is 13.1-14.23; 21.1–10) 
 “Sentença que, numa visão, recebeu Isaías, filho de Amoz, contra a Babilônia” (Is 
13.1) – A palavra Babilônia (Babel, em hebraico) significa “confusão” (Gn 10.8-10; 11.1-
9). Nas Escrituras, a Babilônia simboliza o sistema mundial humano em rebelião contra 
Deus. Jerusalém e Babilônia são cidades contrastantes: uma é a cidade escolhida de 
Deus, outra, a cidade perversa do homem.45 Contudo, a cidade de Deus permanecerá 
para sempre, mas a cidade rebelde do homem será destruída (Ap 14.8; 16.19; 17-18). 
 
A. O Dia do Senhor (Is 13.1-16) 
 “Alçai um estandarte sobre o monte escalvado; levantai a voz para eles; 
acenai-lhes com a mão, para que entrem pelas portas dos tiranos” (v. 2) – Como em 
5.26, o Senhor convocou exércitos estrangeiros para conquistar a Babilônia em toda a 
sua grandeza. “Uivai, pois está perto o Dia do SENHOR; vem do Todo-Poderoso como 
assolação” (v. 6) – A destruição da Babilônia será “o Dia do Senhor”, ou seja, o dia da 
vingança do Senhor. Será um dia de medo e fuga. Durante o julgamento de Deus, não 
haverá escapatória (v. 6-16). 
 
B. A destruição da Babilônia (Is 13.17-22) 
“Eis que eu despertarei contra eles os medos, que não farão caso de prata, 
nem tampouco desejarão ouro” (v. 17) – A cidade da Babilônia foi completamente 
destruída em 689 a.C. por Senaqueribe e reconstruída pelo filho de Senaqueribe.46 Mas 
em 539 a.C., Dario, o Medo, capturou a cidade (Dn 5.31), mas não a destruiu. Essa foi a 
primeira de muitas conquistas sobre a Babilônia ao longo dos séculos. Após a morte do 
seu último grande conquistador, Alexandre, o Grande, a cidade diminuiu e logo já não 
existia.47 Eventualmente, o local ficou deserto. Tornou-se refúgio das criaturas do 
deserto, assim como Isaías havia proclamado (v. 20-22). 
 
C. O futuro de Israel (Is 14.1-4) 
“Porque o SENHOR se compadecerá de Jacó, e ainda elegerá a Israel, e os porá 
na sua própria terra; e unir-se-ão a eles os estrangeiros, e estes se achegarão à casa 
de Jacó” (Is 14.1) – A queda da Babilônia foi parte do plano de Deus para o Seu povo. 
Ajudado por nações gentias, o povo de Deus mais uma vez se estabelecerá na terra de 
Canaã e os gentios serão servos do Senhor. Uma referência à igreja de Cristo 
conquistando as nações através do poder do Evangelho. 
 
45 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 43). Wheaton, IL: Victor Books. 
46 O filho e sucessor de Senaqueribe foi Assaradão (681 - 669 a.C.), que expandiu seus domínios ao 
Nilo, estabelecendo sobre o Egito uma dominação inicialmente precária, tendo também 
reconstruído a Babilônia que fora destruída por seu pai, a qual pode ter se tornado a nova capital 
do Império Assírio durante algum período. 
47 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 13.17–22). Joplin, MO: College Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
24 
 
D. A queda do rei tirano (Is 14.4b-21) 
 “Povo de Israel, chegará o dia em que o SENHOR Deus vai livrá-los da 
escravidão, e assim vocês ficarão livres dos sofrimentos e dos trabalhos pesados que 
são forçados a fazer. Quando esse dia chegar, zombem do rei da Babilônia, 
recitando esta poesia: Vejam como desapareceu o rei cruel! Vejam como acabou a 
sua violência!” (Is 14.3-4, NTLH) – A canção de provocação sobre o rei da Babilônia é 
um dos poemas mais marcantes do Antigo Testamento.48 Ela contém quatro estrofes 
cada uma descrevendo uma cena diferente. 
Na primeira, Isaías descreve a terra com a notícia da queda da Babilônia. Agora 
que o tirano estava morto, a terra estava novamente tranquila (14.4b-8). No entanto, no 
Sheol, não era o caso, tudo estava agitado. 
Na segunda estrofe Isaías proclama como os espíritos dos mortos tiranos 
cumprimentavam o agora morto, rei de Babilônia, com lembretes de que o seu orgulho o 
havia humilhado. Ele foi enterrado com pompa apenas para ter o seu cadáver real 
devorado por vermes (14.9-11). 
Na terceira estrofe Isaías descreve a queda meteórica do tirano. “Como caíste do 
céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que 
debilitavas as nações!” (Is 14.12) – A cena muda abruptamente do mundo para o céu, 
com o intuito de enfatizar o orgulho do rei da Babilônia e de Satanás que lhe de dá 
poder. O brilho de uma estrela na madrugada de repente desaparece quando o sol 
nasce.49 
 
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva!” (Is 14.12) – A Vulgata 
Latina (uma versão para o latim da Bíblia Sagrada) traduziu “estrela da manhã” por 
“Lúcifer”, que veio a se tornar nome próprio e, depois, foi aplicado a Satanás. O rei da 
Babilônia caiu como uma estrela do céu, ou seja, de grande altura política. Ele aspirava à 
assembleia dos deuses nas alturas do norte. No entanto, ele foi abandonado nas 
profundezas do abismo do inferno (14.12-15). Isaías viu neste evento algo muito mais 
profundo do que a derrota de um império. Na queda do rei da Babilônia, ele viu a 
derrota de Satanás, o “príncipe deste mundo”, (Jo 12.31; Ef 2.1-3).50 Nada poderia salvá-
lo da morte e da decadência no túmulo. 
Na quarta estrofe Isaías proclama o espanto na terra sobre essa tragédia final. Os 
espectadores não conseguiam acreditar no terrível destino do rei da Babilônia. Os 
habitantes da Terra expressam a esperança de que o nome do tirano seja esquecido e 
seus herdeiros destruídos (14.16-21). 
Todos os reis não importam quão invencíveis possam parecer, sairão de cena. Em 
sua morte, por exemplo, Senaqueribe não recebeu um enterro decente como a maioria 
 
48 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 14.4b–21). Joplin, MO: College Press. 
49 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1061–1062). Wheaton, IL: Victor Books. 
50 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 45). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
25 
 
dos reis (v. 18). Ele foi assassinado por seus filhos Adramelequee Sarezer, que foram 
incapazes de governar em seu lugar (v. 21), porque tiveram que fugir para salvar suas 
vidas (2Rs 19.37).51 
 
II. Profecia contra Assíria (Is 14.24-27) 
Deus está no controle da ascensão e queda das nações. A grande cidade do mundo 
será possuída por ouriços, em vez de posteridade (14.22). Em segundo lugar, o 
propósito imutável do Senhor era disciplinar a Assíria sobre os montes de Judá (14.24-
27). O plano da Assíria em destruir Jerusalém foi frustrado (10.7), mas os planos de Deus 
serão concretizados (14.24). Ele esmagará os assírios em Sua terra, em Suas montanhas 
(v. 25).52 Isaías viveu para ver esta profecia concretizada quando os exércitos de 
Senaqueribe foram destruídos durante a tentativa de subjugar Judá (Is 37). 
A Assíria invadiu Judá durante o reinado de Ezequias (701 a.C.), mas Deus 
destruiu o exército enquanto ameaçava capturar Jerusalém (Is 37.36). Deus permitiu 
que a Assíria disciplinasse Judá, mas Ele não permitirá que o inimigo destrua o Seu povo. 
 
 
III. Profecia contra os Filisteus (Is 14.28-32) 
Asdode, a cidade filistéia, e Judá se revoltarão contra a Assíria, mas em 711 a.C., 
apenas quatro anos após este oráculo, a Assíria derrotou Asdode e fez dela uma 
província assíria. Isso aconteceu sob o governante da Assíria Sargão II (722-705; Cf. 
20.1). Portanto os Filisteus se sentiam seguros (14.30), mas eles sofrerão uma derrota 
por fome e pela espada. Na verdade, os Filisteus chorarão porque a Assíria estava 
chegando como uma nuvem de fumaça incontrolável. 
No entanto, este oráculo, embora escrito sobre os Filisteus, era para o benefício 
de Judá (cf. v 32). Deus condenou as cidades dos filisteus por pensar que estavam a salvo 
da destruição. Isaías comparou o governante assírio morto com uma cobra que deu à luz 
a uma serpente ainda pior! “Uiva, ó porta; grita, ó cidade; tu, ó Filístia toda, treme; porque 
do Norte vem fumaça, e ninguém há que se afaste das fileiras” (v. 31). A referência é, 
provavelmente, a invasão de Senaqueribe em 701 a.C. O único lugar de refúgio durante 
esta crise seria Sião (Jerusalém). 
Mesmo os mais pobres entre os pobres terão comida e segurança (v. 30), e Sião 
será livre do inimigo (v. 32; 37.36), mas os filisteus serão dizimados pela guerra e pela 
fome (14.30). O exército assírio virá do norte como uma grande nuvem de fumaça (v. 
31), e as portas das grandes cidades dos filisteus não os impedirão.53 
 
51 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1062). Wheaton, IL: Victor Books. 
52 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1062). Wheaton, IL: Victor Books. 
53 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 46–47). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
26 
 
Os líderes mundiais precisam aprender a lição de que Nabucodonosor aprendeu 
da maneira mais difícil, que “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a 
quem quer” (Dn 4.25). De fato, “a história é a sua história”. 
 
 
IV. Profecia contra Moabe (Is 15.1-16.14) 
“Sentença contra Moabe. Certamente, numa noite foi assolada Ar de Moabe e 
ela está destruída...” (Is 15.1) – Os moabitas surgiram a partir de união incestuosa 
entre Ló e sua filha (Gn 19.30-38) e tornaram-se inimigos declarados dos judeus (Nm 25, 
31, Dt 23.3). 
A situação de Moabe (Is 15.1-9). Encontramos, pelo menos, catorze referências 
diferentes para lamentação no capítulo 15: choro, calvície, panos de saco, gritaria, etc. As 
pessoas fugiram para seus templos e clamavam aos seus deuses, mas sem sucesso 
(15.2). A Assíria invadiu Moabe e devastou a terra (v. 6-7). As águas em Moabe ficarão 
manchadas de sangue, depois de tão grande carnificina (v. 9). Como os fracos moabitas 
poderiam derrotar o grande leão assírio? (v. 9).54 
Embora o exército assírio entrasse no reino de Judá e fizesse um grande estrago 
na terra, não poderá capturar Jerusalém (Is 36-37). No entanto, em vez de fugir para o 
Monte Sião, os fugitivos moabitas fugirão para o sul para os vaus do rio Arnom, a cidade 
de Sela. 
“Da cidade de Sela, no deserto, os moabitas enviam carneirinhos como 
presente para aquele que governa no monte Sião” (Is 16.2, NTLH) – De Sela, os 
fugitivos enviarão um apelo ao rei de Judá, para dar-lhes asilo contra o inimigo. Naquele 
dia, o envio de animais para um governante era uma forma de homenagear (2Rs 34).55 
Moabe implorou aos líderes de Judá para dar-lhes refúgio, como uma rocha protege em 
um dia quente (16.3-4; ver 32.1-2). Mas Isaías avisou que será necessário mais do que 
um pedido: eles terão de submeter-se ao rei de Judá, o que significava reconhecer o Deus 
de Judá. 
Mas eles se recusarão a fazê-lo. Por causa do seu orgulho, a certeza de que não 
precisavam de Deus, a fecundidade e a produtividade de suas terras serão interrompidas 
(16.7-10). Seu orgulho os impediu de submeter-se a Judá, e isso levou à sua derrota. Sua 
jactância se transformará em choro e as suas canções em lamentações fúnebres. O ritual 
religioso de Moabe em sacrificar nos montes não ajudará a aliviar o julgamento de Deus: 
“Os moabitas se cansarão de tanto ir aos seus lugares de adoração nos montes para orar 
aos seus deuses, mas isso não adiantará nada” (Is 16.12, NTLH). 
A profecia contra Moabe termina com uma nota sobre o momento exato do 
cumprimento da ameaça. Dentro de três anos a “glória” de Moabe seria desprezada 
 
54 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 47–48). Wheaton, IL: Victor Books. 
55 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1063–1064). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
27 
 
(16.13). A previsão se cumpriu em 715 a.C., quando Sargon dirigiu uma campanha 
contra os árabes. Ao chegar ao seu destino, Sargon varreu a terra de Moabe, de norte a 
sul. 
 
V. Profecia contra Damasco e Efraim (Is 17.1–14) 
Tendo abordado os dois vizinhos do sul de Judá, Isaías agora trata dos dois 
vizinhos ao norte. A profecia foi dirigida contra Damasco, capital da Síria. O Reino do 
Norte de Israel havia se aliado com Damasco, a capital da Síria (algumas vezes, chamada 
de Arã, Is 7.2), contra a ameaça assíria. No capítulo 17, Isaías estava novamente 
observando que Arã e Israel seriam derrotados pelos assírios (cf. 8.4). 
 
“Damasco não será mais uma cidade; ela vai virar um montão de ruínas” (Is 
17.1) – Damasco se tornará um montão de ruínas, não mais uma cidade (17.1-3). A 
profecia foi cumprida com a queda de Damasco aos assírios em 732 a.C, e a destruição de 
Samaria pelas mesmas forças em 722 a.C. 
 
“Está chegando o dia em que Israel perderá todo o seu poder, e todas as suas 
riquezas acabarão” (Is 17.4) – A queda de Damasco foi uma advertência a Israel, o 
Reino do Norte que havia rompido com Judá e o Deus de Judá (1Rs 12). O profeta usou 
várias imagens para descrever a queda de Efraim: A destruição das cidades fortificadas 
(Is 17.3); “A glória de Israel será diminuída” (v. 4); “Israel será como uma oliveira depois 
da colheita” (v. 5-6 ) e a “decomposição de um jardim em um terreno baldio” (v. 9-11). 
Em 722 a.C., a Assíria conquistou Israel, e o reino deixou de existir. A ênfase neste 
capítulo é o Deus de Israel. Ele é o Senhor dos Exércitos (o Senhor Todo-Poderoso), que 
controla os exércitos do céu e da terra (Is 17.3). Ele é o Senhor Deus de Israel (v. 6), que 
o chamou, abençoou e advertiu a Israel sobre os seus pecados. Ele é o Deus da nossa 
salvação e nossa Rocha (v. 10). Que tolice dos israelitas confiar em seus ídolos feitos pelo 
homem, em vez de confiar no Deus vivo (v. 8; 1Rs 12.25-33). 
 
VI. Etiópia (Is18.1-7) 
“Como vai sofrer a nação que fica às margens dos rios da Etiópia, a terra onde 
se ouve o zumbido de insetos! (Is 18.1, NTLH) – Isaías chamou de “a terra onde se ouve 
o zumbido de insetos!” (v. 1, NTLH), não apenas por causa dos insetos que infestavam a 
terra, mas também por causa da frenética atividade diplomática em curso como a nação 
buscava alianças para protegê-los contra a Assíria. Aparentemente, os etíopes 
mandaram enviados em barcos de junco, muito velozes (cf. Jó 9.26) para sugerir que 
Israel formasse uma aliança com eles contra os assírios.56 O profeta exortou os etíopes 
 
56 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1065). Wheaton, IL: Victor Books. 
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para voltarem para casa e não tentarem formar uma aliança, porque o Senhor iria 
derrotar o inimigo no momento adequado. 
 
“Pois o SENHOR Deus me disse: “Do meu lar, no céu, olharei calmo e tranqüilo 
como o sol que brilha num dia de verão, como as gotas de orvalho que aparecem no 
tempo da colheita” (Is 18.4) – Em contraste com a atividade frenética dos homens na 
terra está a paciência calma de Deus no céu (v. 4), enquanto aguarda o momento certo 
para fazer a colheita de julgamento. Assíria é retratada como uma vinha amadurecendo 
que nunca vai sobreviver, porque Deus podará a parreira com o seu facão, cortará os 
galhos e os jogará fora (v. 5). No versículo 6, Isaías descreve o que vai acontece com os 
185 mil soldados assírios, eles serão abandonados; no verão, serão comidos pelos 
urubus, e no inverno os animais selvagens os devorarão (Is 18.6; 37.36; Ap 14.14-20; 
19.17-21). 
 
“Eles apresentarão as suas ofertas no monte Sião, no Templo onde o SENHOR 
Todo-Poderoso é adorado” (Is 18.7) – O Monte Sião da profecia muitas vezes refere-se 
a essa cidade espiritual, a Nova Jerusalém, em que cada cristão é um cidadão (Hb 12.22). 
Essa previsão, provavelmente, se realiza na conversão da Etiópia ao cristianismo nos 
primeiros séculos da história da Igreja.57 
 
 
VII. Egito (Isaías 19.1-20.6) 
A profecia contra o Egito é uma forte expressão da verdade que Deus fere a fim de 
curar (veja o v. 22). Primeiro, o profeta Isaías falou negativamente do confronto do Egito 
com o Senhor, em seguida, positivamente da conversão do Egito em adoração ao Deus 
vivo. 
 
A. O julgamento do Senhor (19.1-15). 
“O SENHOR, montado numa nuvem, vai indo depressa para o Egito. Os ídolos 
daquele país tremerão diante dele, e todos os egípcios ficarão com medo” (Is 19.1) – 
À medida que a ameaça da Assíria surgia cada vez maior, os líderes de Judá, foram ao 
Egito para obter assistência. Isaías primeiro indica como Deus iria expor a fraqueza total 
de tudo o que o mundo considerado grande sobre o Egito. A terra dos faraós seria 
envergonhada. 
 
 
57 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 17.12–18.7). Joplin, MO: College Press. 
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Primeiro, Deus envergonhará a religião egípcia. Em uma carruagem de 
nuvem, o Senhor mostrará a fraqueza dos deuses do Egito. Os ídolos do Egito 
estremecerão diante dele, e o coração dos egípcios se derreterá. 
 
Em segundo lugar, Deus envergonhará a economia egípcia. A inundação 
anual do Nilo seria um fracasso, resultando em um colapso das indústrias básicas: a 
agricultura, a pesca e têxteis (19.5-10). “As águas do Nilo vão baixar; o rio vai ficar 
completamente seco” (Is 19.5). 
 
Finalmente, Deus envergonhará a sabedoria egípcia. Incapaz de explicar 
racionalmente a série de calamidades nacionais, a sabedoria egípcia entrará em colapso. 
Isaías ridiculariza a incapacidade dos sábios em oferecer alguma solução. Eles ficarão 
tão confusos como bêbados, e os seus conselhos confundirão ainda mais (19.11-15). 
 
Esta profecia provavelmente foi cumprida em 670 a.C., quando o Egito foi 
conquistado por Esar-Hadom, rei da Assíria.58 A conquista da Assíria provou que os 
muitos deuses do Egito eram impotentes para ajudá-los (19.1), e que os médiuns e 
assistentes não foram capazes de dar conselhos (v. 3). Nos dias de Moisés, Deus havia 
triunfado sobre os deuses do Egito (Êx 12.12; Nm 33.4) e a sabedoria dos líderes 
egípcios, e ele iria fazê-lo novamente.59 
 
 
B. A conversão ao Senhor (19.16-25) 
Em uma das profecias mais extraordinárias do livro, Isaías descreve a conversão 
definitiva da terra do Egito, em cinco parágrafos, cada um dos quais começa com as 
palavras “naquele dia”. 
 
Primeiro, naquele dia o Egito reconhecerá a mão do Senhor (Is 19.16-17). 
 
Em segundo lugar, naquele dia muitos egípcios (“cinco cidades”) se 
arrependerão genuinamente diante de Deus. Alguns, no entanto, permanecerão 
endurecidos no pecado (“cidade da destruição”). Egípcios convertidos falarão “a língua 
de Canaã”, ou seja, a língua em que o verdadeiro Deus é adorado. Além disso, eles 
jurarão obedecer ao Senhor (19.18). “... Uma delas se chamará Cidade do Sol” (v. 18) – 
Heliópolis, uma das principais cidades do extremo sul do Delta do Egito, adorava ao deus 
 
58 Filho de Senaqueribe, que, quando este foi assassinado, lhe sucedeu no reino da Assíria (2Rs 
19.37 – Is 37.38). 
59 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 50–51). Wheaton, IL: Victor Books. 
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sol. Tal mudança é significativa (deixaram de adorar o deus Sol para adorar o Deus 
verdadeiro) a fim de provar para o mundo e para Israel de que muitos egípicios haviam 
se arrependido.60 
 
Em terceiro lugar, naquele dia, os egípcios adorarão ao Senhor com 
sinceridade e verdade. Um altar ou coluna ao Senhor será construído no meio da terra 
do Egito, como a coluna de Jacó (Gn 28.16-22) marcará aquela terra como o local onde a 
presença de Deus havia se manifestado. Os egípcios experimentarão opressão pelos 
inimigos do Senhor (cf. Jo 15.19), mas seus gritos de socorro serão atendidos (19.19). 
Deus enviará um “salvador” para libertá-los. 
 
Em quarto lugar, naquele dia o Egito desfrutará de tranquilidade. “Naquele 
dia, haverá uma estrada ligando o Egito com a Assíria: os egípcios irão até a Assíria, e os 
assírios irão até o Egito, e juntos os dois povos adorarão o SENHOR” (v. 23) – No reino do 
Messias, antigos inimigos se unirão em paz. Mesmo o Egito e a Assíria, que ficavam em 
polos geográficos e politicamente opostos, experimentarão um novo relacionamento. 
Esses antigos inimigos serão ligados por uma estrada, que Isaías se refere como 
“adoração ao Senhor” (19.23). O Evangelho une os homens de todas as nações. Aqueles 
que projetam o cumprimento desta profecia para o futuro milenar demonstram sua falta 
de sensibilidade para as realidades espirituais da época atual.61 
 
Finalmente, naquele dia o Egito seria parte de um grande reino espiritual. 
Israel, Assíria e o Egito estarão em pé de igualdade perante o Senhor. Essa tríplice 
Aliança - O povo do Novo Testamento de Deus, será uma bênção para toda a terra 
(19.24). Assim, a bênção prometida a Abrão cerca de dois mil anos antes de Cristo (Gn 
12.3) se concretizará. 
 
 
VIII. Profecia contra Dumá (Is 21.11-12) 
Dumá (“silêncio”) pode ser um nome para Edom. Era a maneira de dizer: “Edom 
será silenciada, já não existirá”. Os edomitas eram descendentes de Esaú, cujo apelido 
era “vermelho” (Gn 25.21-34). Edom era uma terra acidentada de arenito vermelho, suas 
pessoas eram amargamente hostis aos judeus (Sl 137.7).62 
Isaías era o “guarda” (Is 21.6; Ez 3.16-21; 33.1-11), que foi questionado: “Guarda, 
a que hora estamos da noite? Guarda, a que horas?” (Is 21.11). O avanço do exército 
assírio gerou temor em todas as nações, e Edom queria saber se havia alguma esperança,60 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1066–1067). Wheaton, IL: Victor Books. 
61 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 19.16–25). Joplin, MO: College Press. 
62 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 52). Wheaton, IL: Victor Books. 
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alguma luz. A resposta do profeta foi breve, mas adequada: “Respondeu o guarda: Vem a 
manhã, e também a noite; se quereis perguntar, perguntai; voltai, vinde” (Is 21.12). 
Em seguida, Isaías adicionou um convite que consiste em três palavras simples: 
“perguntai; voltai, vinde”, exortou o profeta. Eles deveriam abandonar o pecado. Edom 
não atendeu o convite. A nação foi tomada pela Babilônia, em seguida, pelos persas e, 
finalmente, pelos romanos. Após a queda de Jerusalém em 70 d.C., Edom desapareceu de 
cena. 
 
IX. A profecia contra a Arábia (Is 21.13-17) 
“Esta é a mensagem contra a Arábia: Os fugitivos da tribo de Dedã são 
forçados a acampar no deserto” (Is 21.13) – O profeta viu as caravanas dos 
mercadores árabes de Dedã deixando a rota de comércio e se escondendo no mato por 
causa da invasão do exército assírio. Alimentos e água foram trazidos para os fugitivos 
por pessoas de Tema, uma cidade oásis. Eventualmente, a caravana teve que fugir, pois 
como poderiam os comerciantes competir com a cavalaria assíria ou seus arcos com as 
armas dos invasores? Em exatamente um ano o esplendor de Kedar (Saudita) deixaria 
de existir e seus arqueiros famosos seriam reduzidos. Os árabes seriam fugitivos, 
correndo por suas vidas por causa da espada. Em 715 Sargão II escreveu que havia 
derrotado uma série de tribos árabes e os havia deportado para Samaria.63 
 
 
X. Profecia contra Jerusalém (Is 22.1-14) 
Judá aparece no mesmo nível de julgamento das outras nações profetizadas por 
Isaías. Lamentavelmente, o povo de Judá estava se comportando como seus vizinhos 
pagãos, então era justo que Isaías deve incluí-los na lista de nações que Deus iria 
julgar.64 “Sentença contra o vale da Visão...” (Is 21.1) – Embora Jerusalém situa-se nas 
montanhas, a capital é aqui designada como “o vale da visão” porque era cercada por 
montanhas. 
Essa profecia contém dois discursos de julgamento, um oráculo contra o “Vale da 
Visão” (Is 22.1-14) e uma mensagem dirigida ao funcionário real Sebná (Is 22.15-25). 
Em Sua misericórdia, o Senhor livrará Jerusalém do exército assírio, mas não os livrará 
da Babilônia. Isaías apontou dois pecados específicos que causaram o declínio de Judá e, 
finalmente, o cativeiro na Babilônia.65 
 
 
63 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1069). Wheaton, IL: Victor Books. 
64 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 53–54). Wheaton, IL: Victor Books. 
65 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 53–55). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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A incredulidade do povo (Is 22.1-14). Enquanto algumas partes desta profecia 
se aplicam à invasão assíria nos dias de Ezequias (36-37; 2Rs 18-19; 2Cr 32), a 
referência principal é a conquista de Jerusalém pela Babilônia em 586 a.C. Nos dias de 
Isaías, Jerusalém era uma “cidade alegre” (Is 5.11-13; 32.12-13 ). A filosofia popular era: 
“Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (22.13; 56.12; 1Co 15.32). Os 
habitantes estão celebrando porque o exército invasor havia sido destruído. Todavia, 
Isaías não poderia participar da celebração. Ele previu um cerco contra Jerusalém, onde 
os soldados morreriam de fome na cidade. Sabendo que Jerusalém seria assolada, Isaías 
chorou enquanto os outros se alegravam (Is 22.1-4). 
 
“Tu, cidade que estavas cheia de aclamações, cidade estrepitosa, cidade 
alegre! Os teus mortos não foram mortos à espada, nem morreram na guerra” (Is 
22.2) – O profeta Isaías viu pessoas morrendo, não de ferimentos de batalha, mas de 
fome e doenças. Ele viu os governantes do país fugindo de medo quando o exército 
inimigo se aproximava (v. 3-7; 2Rs 25.1-10). As pessoas fariam todo o possível para se 
preparar para um longo cerco (Is 22.8-11): fortalecendo os muros (Is 22.9-10), 
verificando o abastecimento de água (v. 9; 2Cr 32.1-4, 30; 2Rs 20.20), e a construção de 
um reservatório entre os muros (Is 22.11). Mas toda essa preparação frenética não seria 
capaz de livrá-los do inimigo: “Judá não tinha nenhum meio de se defender” (v. 8, NTLH). 
Em sua falsa confiança, eles disseram: “Assim como o Senhor libertou Jerusalém da 
Assíria, Ele nos livrará da Babilônia”. 
As pessoas fizeram tudo, mas não confiaram no Senhor (v. 11). Em vez de festa, 
eles deveriam jejuar, chorar, usar pano de saco, e puxar os cabelos como sinal de tristeza 
(v. 12; Ed 9.3; Tg 4.8-10). Deus havia enviado as nações muitos profetas para adverti-los, 
mas o povo não deu ouvidos a voz do Altíssimo. Agora era tarde demais, Judá será 
enviada ao cativeiro, e a palavra de Deus a Isaías seria cumprida (Is 6.9-13). 
 
A infidelidade dos líderes (Is 22.15-25). Se os líderes fossem fiéis ao Senhor e 
chamassem o povo ao arrependimento. O problema era que muitos dos líderes eram 
como Sebna, pensavam apenas em si mesmos. Como tesoureiro (administrador), Sebna, 
depois do rei Ezequias, era o segundo homem mais importante de Jerusalém (Is 36-37), 
Mas ele usou a sua autoridade (e, possivelmente, o dinheiro do rei) para construir um 
túmulo monumental (22.16) e adquirir carros (v. 18; 2.7). 
Porém, o Senhor declarou que Sebna morrerá em uma terra estrangeira e nunca 
ocupará o túmulo especialmente construído. Deus rebaixou-o (ele se tornou “escriba”, Is 
36.3), desonrou-o e deportou-o. Eventualmente, ele foi jogado “como uma bola” (Is 
22.18) para um país distante, onde morreu. Ele não teria um funeral suntuoso e não 
seria enterrado em seu túmulo. 
Além disso, Deus declarou que escolheria um homem chamado Eliaquim (“Deus 
vai levantar”), e o chamou de “meu servo” (Is 22.20). Em vez de explorar o povo, ele 
seria um pai e usaria sua “chave” (autoridade) para o bem da nação. Ele seria como uma 
“estaca” fincada firmemente no chão (v. 23), uma base sólida para a nação. Todavia, nem 
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mesmo um líder piedoso como Eliaquim foi capaz de impedir a derradeira queda de Judá 
(Is 22.25).66 
 
 
XI. Profecia contra Tiro (Is 23.1–18) 
As cidades de Tiro e Sidom foram edificadas pelos descendentes dos cananeus e 
estava situada na região conhecida hoje como Líbano. Seus habitantes eram famosos por 
navegarem habilmente, de modo que controlava todo o comércio marítimo e, por 
conseguinte, todo o comércio da costa do Mediterrâneo (Is 23.1-2). Tanto o rei Davi 
quanto Salomão negociaram com essas cidades materiais para a construção do Templo 
(2Sm 5.11; 1Rs 5.8-9). O rei Acabe se casou com a princesa fenícia Jezabel, que 
promoveu a adoração de Baal em Israel (1Rs 16.29-33).67 
 
A. Lamentação (23.1-7) 
“Esta é a mensagem contra Tiro: Chorem, marinheiros que estão em alto mar, 
pois a cidade de Tiro está arrasada! Não há nenhuma casa de pé, e o porto foi 
destruído. Vocês receberam essa notícia na ilha de Chipre” (Is 23.1) – A Fenícia era a 
capital comercial do mundo mediterrâneo. Suas duas principais cidades, Tiro e Sidom, 
estavam destinadas a destruição. Isaías descreve drasticamente o impacto que este 
desastre teria sobre as colônias e parceiros comerciais ao longo da costa do 
Mediterrâneo. Os marinheiros fenícios serão envergonhados (Is 23.1-7). 
 
B. Explicação (Is 23.8-14) 
“Quem foi que planejou tudo isso contra Tiro?” (v. 8, NTLH). O Senhor Todo-
Poderoso! Assim como Ele propôs destruir o Egito (19.23) e a Babilônia (14.27), Ele 
propôs julgar a cidade de Tiro. O golpe contra os centros comerciais daFenícia será 
entregue pelos caldeus. Esses habitantes do sul da Mesopotâmia foram conquistados 
pelos assírios. No entanto, os caldeus serão os agentes da ira de Deus contra Tiro. As 
frotas mercantes fenícias lamentarão a destruição do seu porto de origem e a cidade de 
Fortaleza (Is 23.13). A história registra o cumprimento destas previsões. O caldeu 
Nabucodonosor sitiou Tiro durante 13 anos (598-585 a.C.). Em seguida, eles destruíram 
completamente a cidade. 
 
 
 
 
66 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1070). Wheaton, IL: Victor Books. 
67 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 55–56). Wheaton, IL: Victor Books. 
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C. Restauração (Is 23.15-18) 
“Está chegando o tempo em que Tiro ficará esquecida por setenta anos, que é 
o tempo de vida de um rei” (Is 23.15) – A devastação de Tiro não será permanente. Os 
70 anos mencionados por Isaías foram, provavelmente, cerca de 700-630 a.C. quando o 
comércio da Fenícia foi bastante limitado pelos assírios.68 Isaías exortou a cidade de Tiro 
a assumir a canção de uma meretriz na tentativa de reviver o interesse em si mesma. No 
final dos setenta anos Tiro voltará a ser visitada pelo Senhor. A cidade voltará a sua 
relação comercial com os reinos do mundo (23.15-17). Com a ajuda do Senhor, a cidade 
retornará. 
 
“Mas o dinheiro que ela ganhar com a sua profissão será dedicado a Deus, o 
SENHOR” (Is 23.18) – Em algum momento nesta restauração, a renda de Tiro será 
dedicada ao Senhor. Todos os ganhos obtidos por Tiro de modo pecaminoso deverá 
sustentar Judá do mesmo modo que suas colônias haviam sustentado Tiro no passado. 
Especificamente, ele seria usado para alimentar e vestir os funcionários oficiais do 
Senhor (Is 23.18). Alguns dos materiais de construção para o segundo templo veio de 
Tiro (Ed 3.7). Josefo e Jerônimo relatam como muitos na área da Fenícia foram 
convertidos e apoiaram o trabalho do Senhor. Paulo encontrou almas piedosas lá nos 
tempos do Novo Testamento (At 21.3). No segundo século Tiro tornou-se um importante 
centro cristão.69 
 
Conclusão: 
Nossa jornada através desses onze capítulos nos ensinou que Deus está no trono 
do universo. Nada escapa ao Seu controle. Ele governa e reina em majestade e glória. Ele 
conhece todos os detalhes de nossa vida. Ao longo da história muitos tentaram 
conquistar e dominar o mundo. O primeiro e mais poderoso usurpador foi Satanás. 
Depois de sua rebelião contra Deus ele foi esmagado e seus seguidores foram expulsos 
do céu (Lc 10.18; Ap 12.3-4), e se tornou o “deus deste mundo” (2Co 4.4). Ele inspirou 
vários seres humanos, homens como Nabucodonosor, Dario, Alexandre, o Grande, os 
imperadores de Roma, Átila o huno, Gengis Khan, Napoleão, Lenin, Stalin e Hitler. 
Entretanto, todos eles têm algo em comum: eles falharam! Apenas um tem o 
direito, o poder e a autoridade para governar a terra: O Senhor Jesus Cristo. Ele um dia 
vai tomar de volta o que é Seu por direito. 
 
68 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1071–1072). Wheaton, IL: Victor Books. 
69 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 23.15–18). Joplin, MO: College Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Isaías 24-27 
Um refúgio contra a tempestade. 
 
Introdução: 
Depois de profetizar sobre onze países diferentes, Isaías ampliou sua profecia e 
proclamou um julgamento sobre o mundo inteiro. A palavra “terra” (erets, em hebraico) 
aparece dezesseis vezes no capítulo 24. Nem sempre é fácil saber quando erets refere-se 
a um país ou uma terra. Mas Isaías 24-27 descreve um julgamento global que acarretará 
na destruição dos inimigos de Deus e a restauração do povo de Israel.70 
Os quatro capítulos seguintes (24 a 27) apresentam certas semelhanças com a 
chamada literatura apocalíptica. Os profetas chamam esta época do terrível julgamento 
“Dia do Senhor”, e, no Novo Testamento ele é descrito em Mateus 24, Marcos 13, e 
Apocalipse 6-19. Isaías advertiu o Reino do Norte dizendo que serão destruídos pelos 
assírios, e disse a Judá, que os babilônios os levarão cativos, mas essas calamidades 
locais foram apenas o início de uma grande catástrofe que alcançará o mundo inteiro. 
Entretanto, Isaías faz três declarações capazes de confortar o povo escolhido de 
Deus. Essas declarações nos encorajam, hoje, enquanto presenciamos o mundo 
mergulhado no pecado e, em total rebelião contra Deus. Será que Deus vai lidar com o 
ímpio? Que esperança há para os justos? 
 
I. O julgamento do mundo (Is 24.1-23) 
“Atenção! O SENHOR vai arrasar a terra e fazê-la virar um deserto; vai 
estragar a terra e espalhar os seus moradores” (Is 24.1, NTLH) – O resultado do 
julgamento de Deus será um mundo vazio, devastado, e cujos habitantes serão dispersos. 
Quatro aspectos do julgamento são definidos em Isaías 24. 
 
1. Um julgamento universal (Is 24.1-6). Isaías fez um anúncio chocante: “Eis 
que o SENHOR vai devastar e desolar a terra...” (Is 24.1). A palavra “eis” (hennah, em 
hebraico) significa atenção, veja, olhe, etc.71 O Senhor limpará a terra como um homem 
limpa um vaso sujo. Todas as classes e categorias em todo o mundo serão afetadas. A 
terra será completamente devastada. O mundo, juntamente com os seus cidadãos mais 
proeminentes murcharão diante da ira de Deus (Is 24.1-6). Tal julgamento foi merecido, 
na visão de Isaías. Os homens transgrediram as leis de Deus e quebraram a aliança. 
Portanto poucos sobreviverão ao fogo do juízo (Is 24.5). 
 
70 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 57). Wheaton, IL: Victor Books. 
71 Strong, J. (2009). A Concise Dictionary of the Words in the Greek Testament and The Hebrew 
Bible. Bellingham, WA: Logos Bible Software. 
5 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
36 
 
2. Um julgamento devastador (Is 24.7-16). Em toda a terra o impacto será 
sentido. Nas áreas rurais, os vinhedos serão arruinados. A alegria associada com a 
colheita da uva cessará (24.7-9). As casas permanecerão fechadas e os moradores 
trancarão as portas das suas casas e não deixarão ninguém entrar (v. 10). 
 
“Assim como poucas azeitonas ficam nas oliveiras e poucas uvas ficam nas 
parreiras depois de terminada a colheita, assim também em todos os países do 
mundo poucas pessoas ficarão com vida” (v. 13, NTLH) – Alguns sobreviverão, mas 
serão poucos. Eles são comparados a azeitonas deixadas na árvore ou uvas deixadas na 
videira após as colheitas. 
 
“Os que ficarem com vida cantarão de alegria...” (v. 14) – No entanto, em todo 
o mundo de leste a oeste o remanescente cantará de alegria com a vindicação da 
majestade do Senhor (24.13-15). Isaías poderia ouvir, por assim dizer, o louvor alegre 
até os confins da terra. Ele, no entanto, não participará desse louvor. Ele sabia que em 
seu próprio dia a ameaça do juízo não terá nenhum efeito corretivo na maioria dos 
pecadores. Eles não sobreviverão o julgamento de Deus. Este pregador tinha um fardo 
para sua geração perdida (Is 24.16). A única maneira do profeta encontrar alívio era 
pregando fielmente a mensagem de Deus. As pessoas podem não gostar, mas elas 
precisam ouvir o que Deus tem a dizer. 
 
3. Um julgamento inevitável (Is 24.17-20). Como animais aterrorizados 
fugindo de um caçador implacável, os pecadores serão caçados. “... Covas e armadilhas 
esperam por vocês...” (v.17). Ninguém escapará! Isaías proclamou esse julgamento 
como sendo um terrível dilúvio e um violento terremoto (v. 18). A terra tremerá sob o 
peso da transgressão (a desobediência deliberada). 
 
4. Um julgamento ordenado (Is 24.21-23). Primeiro,“Naquele dia, o SENHOR 
castigará os poderes do céu...” (v. 21). Ou seja, os anjos que se rebelaram contra Deus, 
em algum momento no passado. Em seguida, o Senhor julgará os reis da terra. Todos 
esses inimigos serão encarcerados e depois de um longo tempo serão punidos (v. 22). 
Judas 6 e 2Pedro 2.4 têm o mesmo pensamento. 
A derrota de Satanás e seus exércitos desencadeará uma explosão de louvor nas 
regiões celestiais. Essas explosões súbitas pontuam a narrativa profética do Apocalipse 
(por exemplo, 4.8-11, 5.9-10, 11-14; 7.9-12; 11.15-18; 15.3-4; 19.1-8). 
 
“A lua terá vergonha de brilhar, e o sol ficará pálido de medo porque o 
SENHOR Todo-Poderoso reinará no monte Sião, em Jerusalém. E, na presença dos 
líderes do seu povo, ele mostrará a sua glória” (v. 23) – Para o Senhor será um dia 
glorioso. Uma vez que seus adversários serão subjugados, o reino de Deus será visto em 
toda a sua plenitude, em poder e glória. Ele reinará “no monte Sião e em Jerusalém”. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
37 
 
Considerando que Isaías havia proclamado a destruição da Terra física, a referência aqui 
deve ser ao Monte Sião celestial (Hb 12.22) e a Nova Jerusalém (Ap 21.1). Essa cidade 
será tão brilhante que não terá necessidade do sol ou da lua (Ap 21.23). Em sua sala do 
trono Deus vai sentar-se em glória, diante dos 24 anciãos e dos quatro seres viventes de 
acordo com o Livro do Apocalipse (Ap 4; 2Ts 1.10). 
 
II. O Senhor preservará o Seu povo (Is 25.1-12) 
 
Este capítulo é um cântico de louvor ao Senhor do remanescente crente que foi 
preservado durante o “Dia do Senhor”. Isaías (representando o povo de Deus) irrompeu 
em uma canção de louvor. Ele declarou que Deus é fiel em Seu propósito (Is 25.1). Nesta 
canção, três imagens marcantes se destacam. 
 
Em primeiro lugar, Isaías declara como Deus protegerá o Seu povo. Ele 
comparou as forças do mal a uma cidade que se opõe a Sião, a cidade de Deus. Ao longo 
da história Deus transformou algumas cidades (como Nínive e Babilônia) em montões 
de ruínas. A vitória do Senhor sobre o inimigo poderoso, em última análise resultará na 
conversão dos gentios em grande número (Is 25.3). Como a sombra de uma nuvem que 
traz alívio em um dia quente, do mesmo modo, Deus libertará o Seu povo do calor 
opressivo da perseguição (Is 25.4). Ele silenciará a boca dos estrangeiros. O Senhor 
calará os gritos de vitória de homens violentos (Is 25.5). 
 
Em segundo lugar, Isaías declara a provisão de Deus para o Seu povo. Um 
generoso banquete será preparado para todos os povos que aceitarem o convite do 
Altíssimo (Is 25.6). Ali Ele acabará com a nuvem de tristeza e de choro que cobre todas 
as nações (Is 25.7). “Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o SENHOR 
Deus as lágrimas...” (v. 8, NTLH). As lágrimas do Seu povo serão removidas para 
sempre. Sentados à mesa do banquete, os santos que aguardavam a glorificação se 
alegrão com o Senhor (Is 25.9). 
 
Finalmente, Isaías declara a punição que aguarda os inimigos de Sião. 
Enquanto o povo de Deus se alegra no Monte Sião, os inimigos do povo de Deus, 
representados por Moabe, serão pisoteados como a palha (Is 25.10). Moabe ficava a leste 
de Israel através do Mar Morto. Israel e Judá tiveram muitas brigas com Moabe, que era 
conhecido por seu orgulho (cf. Is 16.6; Is 25.11). Moabe e todos os inimigos de Deus, 
serão totalmente destruídos, pisoteados e derrubados (Is 26.5). Os moabitas orgulhosos 
serão humilhados por Deus. Todas as suas fortificações serão abatidas e envergonhadas 
(Is 25.10-12). Somente o povo de Deus aproveitará o tempo de prosperidade e bênção 
de Deus. 
 
 
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38 
 
III. Confiança na proteção do Senhor (Is 26.1-21) 
“Naquele dia, se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade 
forte; Deus lhe põe a salvação por muros e baluartes” (Is 26.1). O capítulo 26 é um 
hino de confiança na proteção de Deus. A expressão “naquele dia” (Is 26.1; 27.1-2, 12-
13) se refere ao “Dia do Senhor”, e as bênçãos que se seguirão, quando o Senhor derrotar 
Seus inimigos. Este hino se move através de três fases. 
 
1. A descrição de Sião (Is 26.1-6). 
Isaías comparou Sião a uma fortaleza. Ela estava protegida não por paredes de 
pedras, mas por paredes de salvação (cf. Zc 2.5). Samaria caiu diante dos assírios e 
Jerusalém diante dos babilônios, mas a Nova Jerusalém será inexpugnável. Seus portões 
estarão abertos para uma nação fiel e justa. Seus cidadãos desfrutarão de uma medida 
especial de paz, porque (1) Eles foram marcados por propósito firme, e (2) Eles 
confiaram em Deus (Is 26.1-3). Em vista destes fatos, Isaías exortou aos seus leitores a 
confiarem em Deus para sempre (Is 26.4). Ele ofereceu duas provas de que o Senhor era 
digno de sua confiança. Em primeiro lugar, Deus é eterno, uma “rocha eterna”. Em 
segundo lugar, Deus rebaixou os vaidosos e humilhou a cidade orgulhosa em que 
moravam (Is 26.5). Porém, os pobres e humildes (povo de Deus) pisarão os escombros 
daquele lugar outrora orgulhoso. 
 
2. A reflexão de Sião (26.7-15). 
“O caminho das pessoas direitas é fácil; tu, ó Deus justo, tornas plano o 
caminho por onde elas andam” (Is 26.7) – Isaías refletiu enquanto contemplava os 
benefícios dos juízos de Deus. 
Em primeiro lugar, ele observou que a forma como o caminho dos justos através 
da vida tornou-se plano, como resultado dos justos juízos do Senhor. Os obstáculos 
perigosos foram removidos do caminho (v. 7). Aqueles que se recusam a atender os 
caminhos de Deus aprenderão sobre a justiça do Altíssimo quando forem julgados. 
Em segundo lugar, durante a sua peregrinação terrena o justo espera pelo 
Senhor. O justo depende do Senhor e não de esquemas humanamente planejados (v. 8). 
Em terceiro lugar, os santos esperam pelo Senhor a todo instante. Somente 
através do julgamento divino os homens serão conduzidos ao arrependimento (v. 9). 
Em quarto lugar, mesmo que a mão de Deus esteja sobre a vida dos ímpios, eles 
não percebem o perigo. Um dia, porém, eles verão o zelo de Deus por seus verdadeiros 
santos e sua ira ardente também (v. 10). 
Em quinto lugar, os perversos, que estão cegos para a autoridade divina e para o 
seu iminente castigo sobre eles, terão consciência do amor do Senhor pelo Seu povo de 
Israel, para a sua própria vergonha (Is 26.11). 
Em sexto lugar, embora o futuro de Israel pareça árido, Isaías expressa grande 
confiança de que a nação finalmente prosperará (v. 12). 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
39 
 
Em sétimo lugar, as nações estrangeiras serão coisa do passado. Elas não 
aparecerão no cenário da história dos povos. Isaías viu a expansão dos limites 
territoriais de Israel como um fato consumado (Is 26.13-15). 
 
3. A expectativa de Sião (26.16-19). 
Além disso, Isaías descreve o remanescente confessando os seus fracassos ao 
Senhor. Por causa de seus pecados, o povo de Israel havia se submetido a muitos tiranos 
gentios; mas agora esses tiranos estavam mortos e não retornarão para escravizá-los. 
Deus disciplinou o Seu povo e trouxe-os para o lugar onde tudo o que podiam fazer era 
sussurrar suas orações (Is 26.16), mas Ele os ouviu e os entregou. 
 
“Concebemos nós e nos contorcemos em dores de parto, mas o que demos à 
luz foi vento...” (Is 26.18) – A agonia do “Dia do Senhor” é comparada com a dor de uma 
mulher em trabalho de parto (Is 13.6-8; 1Ts 5.1-3). Israel não conseguiu dar à luz as 
bênçãos que Deus queria que eles trouxessem ao mundo (Is 26.18). O que impediu Israel 
de ser uma bênção para o mundo? Eles abandonaram a adoração sincera ao verdadeiro 
Deus e se voltaram para os ídolos. 
É interessante que o verbo hebraico traduzido no versículo 13 “tido domínio” 
encontramos o substantivo baal, o nome de um deus cananeu cujos adoradores 
trouxeram tantos problemas a Israel.72 Mas a palavra Baal significa também “marido”, 
por isso a sugestãoé que Israel não foi fiel a seu marido o Senhor, mas em sua 
infidelidade virou-se para um outro deus. 
 
“Como o orvalho que tu envias dá vida à terra, assim de dentro da terra os 
mortos sairão vivos...” (v. 19) – Isaías imaginou um orvalho celeste suavemente, mas 
poderosamente fazendo com que a terra desse à luz os seus mortos (26.19). Alguns 
pensam que Isaías estivesse prevendo a ressurreição final. Outros concordam que o 
esteja representado na linguagem poética a força do Evangelho que dá vida (Ef 5.14; Jo 
5.25). Ainda outros pensam que a referência seja a restauração de Israel após o cativeiro 
(cf. Os 6.2; Ez 37.1-14).73 
 
4. A exortação a Sião (Is 26.20-21). 
A restauração final de Israel não acontecerá de imediato. Portanto, a nação 
deveria continuar orando pela restauração, até que o tempo da indignação de Deus 
terminasse (Is 26.20). O período entre o momento da deportação assíria do Reino do 
Norte (que começou em 745 a.C.) até a destruição de Jerusalém em 70 d.C. é tratado no 
Antigo Testamento como o período de angústia para Jacó e o período de indignação (Jr 
 
72 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 65). Wheaton, IL: Victor Books. 
73 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 26.16–19). Joplin, MO: College Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
40 
 
30.7; Dn 8.19). Outros acham que a referência é a que o Novo Testamento chama de a 
grande tribulação (Ap 2.22; 7.14). A ideia básica é que os crentes devem ser pacientes 
em tempos de turbulência e em oração esperar no Senhor. 
 
“Pois eis que o SENHOR sai do seu lugar, para castigar a iniquidade dos 
moradores da terra; a terra descobrirá o sangue que embebeu e já não encobrirá 
aqueles que foram mortos” (Is 26.21) – A fé exige que o justo continue vivendo na 
expectativa até que Deus saia do Seu lugar para castigar a iniquidade. Todos os pecados 
serão conhecidos (a terra descobrirá o sangue derramado sobre ela), se foram feitos em 
segredo ou em público. Estas palavras incentivaram o remanescente nos dias de Isaías a 
permanecer fiel ao Senhor, sabendo que Ele acabará por julgar o pecado. 
 
 
IV. O futuro de Israel (Is 27.2-13) 
No capítulo 27, Isaías olhou além do julgamento para o futuro glorioso que Deus 
reservou ao Seu povo. Este capítulo pode ser dividido em três seções, cada um começa 
com a expressão “naquele dia” (v. 1, v. 2-11, v. 12-13). 
 
1. A canção da vinha (Is 27.1-6). 
“Naquele dia, o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o 
dragão, serpente veloz, e o dragão, serpente sinuosa, e matará o monstro que está 
no mar” (Is 27.1) – Com uma espada o Senhor vai cortar uma grande serpente chamada 
Leviatã, em hebraico. As nações ao redor de Israel tinham muitos mitos sobre monstros 
marinhos, um dos quais era comparado com um crocodilo (Jó 3.8; 41.1).74 Matar o 
leviatã era uma grande conquista (Sl 74.14), e o Senhor prometeu fazê-lo. Não há dúvida 
de que o leviatã seja uma referência as nações que se rebelaram contra o povo de Deus. 
 
“Naquele dia, dirá o SENHOR: Cantai a vinha deliciosa!” (Is 27.2) – Naquele 
dia, em que as superpotências caírem, Deus protegerá Sua preciosa vinha, ou seja, o 
verdadeiro Israel (cf. Is 5). Os inimigos da vinha “espinhos e abrolhos” terão duas 
escolhas. Eles poderão enfrentar o Senhor na batalha e encontrar-se com a destruição 
inevitável, ou poderão abraçar a Sua proteção, fazendo as pazes com Ele (v. 5). A vinha 
em seguida, florescerá tão gloriosa que toda a terra será abençoada com o seu fruto. 
 
 
 
 
74 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 66–67). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
41 
 
2. O juízo vindouro (Is 27.7-11). 
“Porventura, feriu o SENHOR a Israel como àqueles que o feriram? Ou o 
matou, assim como àqueles que o mataram?” (Is 27.7) – O castigo do povo de Deus 
será muito menos do que os juízos que os povos pagãos experimentarão. Enquanto as 
nações pagãs serão aniquiladas, Israel será peneirado ao ser banido para terras 
estrangeiras. O julgamento de Deus será cuidadosamente controlado, isto é, o Senhor 
não destruirá Israel, apenas o dispensará (Is 27.8). O perdão somente será possível se 
“Jacó” renunciar à idolatria (v. 9). 
Embora pareça dolorosa a destruição da terra de Judá, foi um passo necessário no 
programa de recuperação de Deus. As ruínas da cidade fortificada, uma vez orgulhoso 
(Samaria? Jerusalém?) serão um lugar para o gado pastar e para mulheres recolherem a 
lenha. Esta devastação será necessária porque Israel foi um povo sem discernimento 
espiritual (Is 27.10). 
 
3. Um dia de recolhimento (Is 27.12-13). 
“Naquele dia, em que o SENHOR debulhará o seu cereal desde o Eufrates até 
ao ribeiro do Egito; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um” (Is 27.12) – 
Como o trigo debulhado e os grãos separados da palha, assim os israelitas serão 
separados e ajuntados um por um. O povo disperso de Deus será reunido em toda a 
Terra Prometida. Desde a Assíria até o Egito, o povo de Deus disperso será reunido por 
meio de uma trombeta (v. 13). Todo o povo de Deus, então, se unirá em culto no Monte 
Sião. A trombeta é “o anúncio do Evangelho” que reuniu (e ainda está reunindo) o 
verdadeiro Israel de Deus desde os confins do mundo.75 O Novo Testamento mostra o 
chamado do evangelho já tendo esse efeito duplo de peneirar e salvar (1Co 1.23-24), 
entre judeus e gentios.76 
 
Conclusão: 
Deus preservará Seu povo, mesmo através das tribulações mais intensas, para 
desfrutar de Sua presença para sempre. Então, sejamos encorajados a permanecer 
firmes tendo o Cordeiro de Deus como nosso Pastor. 
Portanto, devemos diariamente nos lembrar de que o dia do juízo se aproxima. 
Você está preparado para se encontrar com Cristo? Você se considera um cidadão deste 
reino? Você vive como um verdadeiro servo que ama o seu Senhor e anseia pela Sua 
vinda? 
 
75 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 27.12–13). Joplin, MO: College Press. 
76 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible commentary: 
21st century edition (4th ed., p. 649–650). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity 
Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
42 
 
Isaías 28-31 
Tempestade sobre Jerusalém. 
 
Introdução: 
Os capítulos 28-31 trazem uma série de cinco “Ais” (Is 28.1; 29.1, 15; 30.1; 31.1), 
que se concentram principalmente em Jerusalém. Um sexto “Ai” é encontrado em Is 33.1, 
e se intercala com as “profecias” de julgamento e promessas de restauração e glória.77 O 
termo “Ai” (howy, em hebraico) significa “calamidade”, “tragédia” ou “lamentação”.78 
Isaías exorta ao povo de Deus a abandonar os “tratados internacionais” e começar 
a confiar em Deus. A política externa não será capaz de salvar o povo. Todavia, eles 
estavam confiando em sua riqueza (Is 28) e alianças estrangeiras (Is 30-31). Mas nada 
disso, proclamou Isaías, poderia ajudá-los. Somente a vinda do Libertador poderia salvá-
los dos inimigos (Is 32-33). Somente Deus é capaz de proporcionar paz e segurança ao 
Seu povo. 
 
I. “Ai” contra Efraim e Judá (Is 28) 
“Ai da soberba coroa dos bêbados de Efraim...” (Is 28.1) – As fortes declarações 
no capítulo 28 são dirigidas ao Reino do Norte (v. 1-13) e ao Reino do Sul (v. 14-29). Em 
pouco tempo o Reino do Norte cairia diante dos assírios (722 a.C.). Escrevendo ao povo 
do sul, Isaías os admoesta a não se comportarem como seus irmãos do Norte. 
 
A. “Ai” contra Efraim (Is 28.1-13) 
Neste primeiro “ai”, Efraim, o Reino do Norte, é comparado a um bêbado. A área 
do Norte era muito fértil. Samaria, a capital construída por Onri (1Rs 16.24), possuía 
uma vista para um vale frutífero (cf. Is 28.4). Por causa da beleza, Samaria é descrita 
como uma guirlandade flores a coroar o monte onde estava edificada (cf. v 3). Contudo, 
a prosperidade os conduziu para longe do Altíssimo. O Reino do Norte estava jogando 
fora as bênçãos de Deus, como um bêbado desperdiça o seu dinheiro em busca de vinho. 
Aparentemente, a embriaguez era um problema tanto no Norte quanto no Reino do Sul. 
 
 
 
 
 
77 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 68). Wheaton, IL: Victor Books. 
78 Weber, C. P. (1999). 485 הֹוי. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological 
Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press. 
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Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
43 
 
1. O julgamento contra Efraim (Is 28.1-6) 
 “O Senhor vai enviar um homem forte e valente; ele virá como uma chuva de 
pedra, como uma tempestade destruidora, como violentas trombas-d’água. Ele 
arrasará tudo! (Is 28.2, NTLH) – Porém, uma tempestade vai destruir a coroa de flores. 
Isaías previu que a Assíria, como uma tempestade de granizo e um forte vendaval, 
devastaria as 10 tribos do norte. Samaria, como uma coroa de flores (cf. v 1), será pisada 
pelos assírios. Samaria se tornará como um figo amadurecido, que será devorado por um 
desconhecido antes de ser colhido (v. 4). Os figos eram considerados uma iguaria (cf. Os 
9.10; Mq 7.1). Todavia, nesse dia de julgamento, Samaria aprenderá muito tarde que o 
Senhor, não Samaria, é a “coroa de glória” e o “formoso diadema” (v. 5), e que Ele é um 
Deus de justiça (v. 5-6).79 Essa tragédia nacional conduzirá alguns homens a 
contemplarem a verdadeira coroa de Israel, o próprio Deus (28.5-6).80 No entanto, um 
remanescente sobreviverá à catástrofe nacional e experimentará uma conversão 
genuína. 
 
2. A recusa de Efraim em confiar em Deus (Is 28.7-13) 
“Eles falam mal de mim e perguntam: A quem é que esse profeta está 
querendo ensinar? Será que ele pensa que vai explicar a mensagem para nós? Será 
que somos bebês desmamados há pouco tempo?” (v. 9, NTLH) – Em seguida, o texto 
apresenta a resposta dos líderes. Eles estavam irados contra Isaías, porque o Senhor 
estava tentando corrigi-los como se fossem crianças (v. 9). Eles achavam que eram 
adultos e que não tinham necessidade de alguém dizer-lhes o que fazer ou pensar. Então, 
começaram a imitar Isaías como se estivesse falando como um “bebê”: “Porque é 
preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais 
regra; um pouco aqui, um pouco ali” (v. 10) – O hebraico é difícil de traduzir: “... regra 
sobre regra, regra e mais regra” (sav lasav sav lasav / kav lakav kav lakav). Talvez seja 
uma imitação do balbuciar dos bêbados, que ficavam arremedando desse modo as 
mensagens proféticas, com o propósito de zombar do profeta. Pode significar também, 
uma expressão de zombaria. Conforme D. A. Carson, essa frase é equivalente ao nosso 
escárnio “blá, blá”.81 “... Um pouco aqui, um pouco ali” – Um pouco aqui, um pouco ali 
era um método usado no ensino de crianças, inculcando um pouco de cada vez. Em 
outras palavras, eles estavam se recusando a levar a sério as palavras de Isaías. 82 
No entanto, Deus responderá a esses líderes no mesmo tom: eles acusaram o 
profeta de tagarelar sem sentido; logo, serão forçados a ouvir a incompreensível 
linguagem das nações estrangeiras enviadas para governar sobre eles: “Se vocês não 
quiserem ouvir o que eu digo, então o SENHOR falará com vocês por meio de 
estrangeiros, que falam uma língua estranha” (v. 11, NTLH). Embora Deus houvesse 
 
79 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 70–71). Wheaton, IL: Victor Books. 
80 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 28.1–6). Joplin, MO: College Press. 
81 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible commentary: 
21st century edition (4th ed., p. 650). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press. 
82 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1077). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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oferecido descanso a Israel, eles se recusaram a ouvi-Lo e ao Seu Mensageiro (v. 12). 
Portanto, o Senhor iria transformar a zombaria contra eles. O SENHOR vai ensinar-lhes o 
bê-a-bá, como se fossem crianças. Eles tentarão andar, mas cairão de costas; serão 
feridos, cairão em armadilhas e serão presos (v. 13). Deus espera que Seu povo ouça 
atentamente Sua palavra e esteja disposto a compreendê-la (Dt 6.4-6; Mc 4.9). 
 
B. “Ai” contra Judá (Is 28.14-29) 
A mensagem de destruição a Israel por invasores estrangeiros também foi 
direcionada a Judá. Embora não fosse completamente destruída, porque Jerusalém não 
seria tomada, o povo de Judá iria enfrentará muito sofrimento. O Reino do Sul teve a 
mesma atitude que os irmãos do Norte. Eles também zombaram da revelação de Deus 
através de Isaías. 
 
1. Contrariando a falsa segurança (Is 28.14-19). 
Diante da invasão Assíria (“açoite”) Judá se sentia segura. Os líderes haviam 
negociado um acordo sarcástico com o profeta Isaías, um “pacto com a morte” e um 
pacto com o além (“sheol”, v. 18). Tal arranjo era totalmente enganoso (28.14). Muito 
provavelmente, o profeta estava se referindo a um tratado feito com o Egito (cf. Is 31). 
Ao colocar essas palavras na boca dos líderes, Isaías sugeriu que eles sabiam que o Egito 
seria incapaz de fornecer qualquer ajuda diante dos poderosos assírios. 
A verdadeira segurança só poderia ser encontrada na pedra que Deus proveria (v. 
16). Os líderes haviam colocado sua confiança numa aliança ilusória. Deus, porém, está 
edificando Jerusalém com materiais que inspiram segurança (Is 28.16-19). O apóstolo 
Pedro cita essa passagem com referência a Cristo, a pedra angular, aquele em que 
podemos ter absoluta confiança (1Pe 2.6). 
Buscar a proteção dos deuses falsos seria tão inadequado quanto deitar em uma 
cama que seja muito curta ou tentar cobrir-se com um cobertor que é muito pequeno.83 
A destruição varreria Judá: “Vocês serão como o homem de que fala aquele provérbio: “A 
cama é tão curta, que ele não pode se deitar, o cobertor é tão estreito, que não dá para ele 
se cobrir” (v. 20, NTLH). 
 
“Pois o SENHOR vai se levantar, como se levantou no monte Perazim; ele vai 
ficar irado, como ficou no vale de Gibeão. Ele vai realizar o seu plano misterioso; vai 
fazer o seu trabalho estranho” (v. 22, NTLH) – “Mas Deus defendeu o Seu povo no 
passado!”, Eles argumentavam. “E quanto a vitória de Davi sobre os filisteus no monte 
Perazim [2Sm 5.17-21], ou a vitória de Josué sobre os amorreus em Gibeão [Js 10]?” Mas 
Josué e Davi eram líderes piedosos que confiavam e obedeciam a Deus.84 
 
83 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1078). Wheaton, IL: Victor Books. 
84 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 72–73). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
45 
 
“... Ele vai realizar o seu plano misterioso; vai fazer o seu trabalho estranho” 
(v. 22, NTLH) – O que os adversários de Isaías não sabiam é que Deus fará um “trabalho 
estranho”: Ele usará o inimigo para lutar contra o Seu próprio povo! Assim como o 
agricultor tem diferentes tarefas a executar e deve adaptar-se a cada tarefa, seja arar ou 
debulhar, então Deus deve fazer o trabalho que é necessário para trazer Seus propósitos 
eternos. Ele sabe exatamente que ferramenta usar e quando usá-la. Martinho Lutero, por 
exemplo, encontrou muito conforto ao refletir que, embora o julgamento seja um 
“trabalho estranho”, a salvação é o seu “bom trabalho”.85 
 
2. Contrariando o erro teológico (Is 28.23-29). 
Isaías então proclama uma palavra de conforto nesta mensagemde aflição e 
julgamento. O profeta usou duas parábolas para refutar a ideia de que a justiça de Deus o 
impediria de trazer juízo sobre toda a terra. 
“Porventura, lavra todo dia o lavrador, para semear? Ou todo dia sulca a sua 
terra e a esterroa?” (Is 28.24) – O agricultor deve respeitar a ordem lógica da natureza 
se quiser obter uma colheita bem-sucedida (Is 28.24-25). O agricultor não passa a vida 
inteira arando a terra. É necessário um tempo para revolver a terra, lançar as sementes e 
a colheita. Da mesma forma, o julgamento de Deus não durará para sempre. Assim como 
o agricultor tem diferentes tarefas a executar e deve adaptar-se a cada tarefa, seja arar 
ou debulhar, então Deus fará o trabalho que é necessário para concretizar Seus 
propósitos eternos.86 Ele sabe exatamente que ferramenta usar e quando usá-la (28.27-
29). Ele é o Mestre “Fazendeiro”, que sabe como lidar com cada “colheita”. Portanto, o 
Reino do Sul deve submeter-se, porque Ele é maravilhoso em conselho (cf. 9.6) e 
magnífico em sabedoria (cf. 11.2).87 
 
II. “Ai” contra Jerusalém (Is 29) 
 
A. O juízo contra Jerusalém (Is 29.1-4) 
“Ai da Lareira de Deus, cidade-lareira de Deus, em que Davi assentou o seu 
arraial! Acrescentai ano a ano, deixai as festas que completem o seu ciclo” (Is 29.1) – 
Este segundo dos cinco “ais” dos capítulos 28-33 Isaías continua com o tema da última 
parte do primeiro ai (Is 28.14-29), o Julgamento contra Jerusalém. Ao contrário do 
julgamento que varreria o Reino do Norte, esse julgamento em Jerusalém, apesar de 
muito grave, seria evitado pelo Senhor. Jerusalém não cairá nas mãos dos assírios. 
 
 
85 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible commentary: 
21st century edition (4th ed., p. 650). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press. 
86 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 73). Wheaton, IL: Victor Books. 
87 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1078). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
46 
 
“Ai da Lareira de Deus...” (Is 29.1) – A expressão “lareira de Deus” (ariel, em 
hebraico) refere-se a Jerusalém. O termo “Ariel” significa “leão de Deus”. O leão era um 
símbolo da Assíria. Provavelmente, Isaías está declarando: “Assíria é agora o leão de 
Deus, e Jerusalém é o leão de Deus apenas no nome”. Porém, a palavra hebraica também 
significa “uma lareira do altar”, onde os holocaustos eram realizados (Ez 43.13-18). Isto 
é, Jerusalém se tornará um local de sacrifícios.88 
Embora os assírios sob a liderança de Senaqueribe cercassem Jerusalém em 701 
a.C., era como se Deus tivesse feito isso (Eu ... Eu ... Meu, v. 2-3). “Então, porei a Lareira 
de Deus em aperto, e haverá pranto e lamentação; e ela será para mim verdadeira 
Lareira de Deus. Acamparei ao derredor de ti, cercar-te-ei com baluartes e 
levantarei tranqueiras contra ti” (Is 29.2-3) – Em vez de rugir e assustar o inimigo, o 
leão vai apenas sussurrar do pó (v. 4). Em vez de seus sacrifícios serem aceitos por Deus 
(v. 1), toda a cidade se tornaria um altar, e Deus fará do Seu povo um sacrifício.89 
Embora Jerusalém fosse cercada não seria tomada naquele momento. 
 
B. A libertação de Jerusalém (Is 29.5-8) 
“Mas a multidão dos teus inimigos será como o pó miúdo, e a multidão dos 
tiranos, como a palha que voa; dar-se-á isto, de repente, num instante” (Is 29.5) – A 
proteção de Jerusalém descrita nesses versículos refere-se a sua libertação contra a 
Assíria, registrado no capítulo 37. Através das boas mãos soberanas de Deus, Jerusalém 
foi poupada. Embora 29.5-8 refere-se aos soldados assírios tornando-se assim como “o 
pó miúdo, e a multidão dos tiranos, como a palha que voa...”, esses versículos também 
parecem ter uma conotação escatológica (Zc 14.1-3), o Senhor Todo-Poderoso virá e 
destruirá cada nação. As ameaças dessas nações desaparecerão como um sonho. Quando 
os soldados assírios foram destruídos nos dias de Isaías, sem dúvida, o povo de 
Jerusalém estava delirando de alegria. Porém, ao invés de se voltarem para Deus à nação 
ficou mais profundamente envolvida no pecado. 
 
C. O Senhor apela para Jerusalém (Is 29.9-24) 
“Estatelai-vos e ficai estatelados, cegai-vos e permanecei cegos; bêbados 
estão, mas não de vinho; andam cambaleando, mas não de bebida forte” (Is 29.9) – 
O pecado cega, e às vezes Deus aumenta essa cegueira e embriaguez espiritual (Is 29.9-
12). Os falsos profetas e os videntes não viam nem entendiam claramente parte do 
julgamento de Deus (v. 11-12).90 Na verdade, ninguém, nem mesmo as pessoas que 
sabiam ler, seriam capazes de entender esta verdade. 
 
 
88 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 73). Wheaton, IL: Victor Books. 
89 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 73–74). Wheaton, IL: Victor Books. 
90 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1079). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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“O Senhor diz: Esse povo ora a mim com a boca e me louva com os lábios, mas 
o seu coração está longe de mim. A religião que eles praticam não passa de 
doutrinas e ensinamentos humanos que eles só sabem repetir de cor” (Is 29.13, 
NTLH) – O povo de Jerusalém, que professava conhecer a Deus, estava envolvido 
formalmente em atos de adoração, mas não adoravam a Deus em seus corações. Eles 
estavam mais preocupados com as regras legalistas feitas pelo homem do que com a Lei 
de Deus, que promove a misericórdia, a justiça e a equidade.91 Por causa disso, Deus irá 
julgá-los, a sua sabedoria desapareceria (v. 14). 
 
D. O Senhor apela para Jerusalém (Is 29.15-24) 
“Ai dos que escondem os seus planos do SENHOR, que fazem as suas maldades 
na escuridão e dizem: Ninguém nos pode ver! Ninguém sabe o que estamos 
fazendo!” (v. 15, NTLH) – Este “Ai” expôs as táticas políticas tortuosas dos governantes 
de Judá, que achavam que Deus não os disciplinaria pelo que estavam fazendo.92 Porém, 
não se pode esconder nada de Deus (1Rs 3.9; Pv 7-8). Eles estavam tentando virar as 
coisas de cabeça para baixo, o barro dizendo ao oleiro o que fazer: “Vocês invertem as 
coisas, como se o barro valesse mais do que o oleiro!” (Is 29.17; 45.9; 64.8; Jr 18 e Rm 9.20). 
Tal pensamento torcia os fatos e confundia o oleiro com o barro. Um vaso de barro, no 
entanto, não pode negar que o oleiro o fez, ou dizer que o oleiro é ignorante. Na verdade, 
as pessoas não sabiam nada sobre o que estava acontecendo, mas Deus sempre sabe de 
tudo. 
Em 29.17-24, Isaías pediu ao povo para olhar em frente e pensar no que Deus 
havia planejado: “Naquele dia, os surdos ouvirão a mensagem que será lida no livro 
fechado e lacrado, e os cegos ficarão livres da escuridão e poderão ver” (v. 18). A 
terra devastada se tornará um paraíso, os deficientes serão curados, e os desterrados 
serão enriquecidos e se alegrarão no Senhor. Não haverá mais escarnecedores ou 
pessoas sem escrúpulos que praticam a injustiça nos tribunais. Os fundadores da nação, 
Abraão e Jacó, verão seus muitos descendentes glorificando o Senhor.93 Os 
desobedientes serão convertidos e a cegueira não prevalecerá, então, o povo conhecerá 
os caminhos de Deus (Is 29.18). 
 
III. “Ai” dos filhos obstinados (Isaías 30) 
“Ai dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que executam planos que não procedem 
de mim e fazem aliança sem a minha aprovação, para acrescentarem pecado sobre 
pecado!” (Is 30.1) – Este oráculo e o próximo (cap. 31) descrevem a decisão tola do 
povo de Deus em tentar fazer uma aliança com o Egito para afastar a ameaça assíria. Ao 
invés de buscarem a Deus, “os filhos rebeldes” depositaram sua confiança no Egito.91 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1079). Wheaton, IL: Victor Books. 
92 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 75). Wheaton, IL: Victor Books. 
93 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 75). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
48 
 
A. Denúncia (Is 30.1-17) 
Isaías demonstrou a insensatez de se confiar no Egito de várias maneiras.94 
 
1. Uma aliança humana (Is 30.1-5). 
A aliança com o Egito não estava em harmonia com o Espírito divino, que através 
de Isaías havia avisado de tais envolvimentos políticos. Enquanto confiavam em Faraó, 
eles estavam adicionando o pecado desconfiando do Senhor! (301.1). 
A aliança com o Egito era contrária ao propósito de Deus. Os enviados de Judá já 
estavam em Hanes e Zoã, limites extremos do Baixo Egito. Seus esforços, porém, foram 
desperdiçados. O Senhor já havia dito muitas vezes por meio de Isaías que Ele usaria 
Assíria para acabar com o Reino do Norte e puniria o Reino do Sul.95 Assim, buscar a 
ajuda do Egito era inútil (v. 3, 5). 
 
2. Uma aliança inútil (Is 30.6-8) 
“Sentença contra a Besta do Sul...” (v. 6) – Isaías falou acerca da viagem ao Egito 
pelos mensageiros de Judá. Essa viagem foi difícil, perigosa, cara e inútil. O Egito 
justamente merecia o apelido de “Gabarola” (Dragão Manso, v. 7, NTLH).96 O Egito 
sempre se vangloriou mais do que podia ofereceu. No entanto, sua ajuda era vã e vazia. 
 
3. Uma aliança rebelde (Is 30.9-14) 
Os cidadãos de Judá eram filhos rebeldes que se recusavam ouvir a palavra de 
Deus. Eles queriam que Isaías alterasse a sua mensagem e parasse de se intrometer nos 
assuntos do Estado. Eles desejavam palavras positivas sobre as perspectivas imediatas 
da nação (30.9-11). O juízo de Deus foi estabelecido em duas figuras marcantes (Is 
30.13-14): (1) Uma parede com uma rachadura que cai de repente, e (2) Um vaso de 
oleiro destruído totalmente e que para nada mais serve: “Vocês serão completamente 
destruídos, como um vaso de barro que se quebra: não sobra nem um caco que 
sirva...” (v. 14, NTLH). 
 
 
 
 
94 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 29.15–17). Joplin, MO: College Press. 
95 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1080). Wheaton, IL: Victor Books. 
96 Gabarola (rahab, em hebraico) era o nome de um monstro marinho fêmea associado a Leviatã 
(Is 27.1; Cf. Jó 9.13; 26.12). Talvez uma referência ao hipopótamo, um animal que muitas vezes se 
deita na água do Nilo, sem fazer nada. Compreensivelmente Raabe passou a ser um sinônimo 
poético para o Egito, quando Deus dominou os soldados egípcios no mar no Êxodo (cf. Is 51.9; Sl 
87.4; 89.10). Assim, a ajuda do Egito não vale nada. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
49 
 
4. Uma aliança arrogante (Is 30.15-18) 
Como uma alternativa para a dependência sobre o Egito, Isaías defendeu a 
neutralidade na política internacional e uma total dependência de Deus. Ele exortou o 
povo à obediência (30.15).97 
Os estrategistas em Jerusalém pensavam que os cavalos do Egito poderiam livrá-
los contra a Assíria. Pelo contrário, o profeta declarou que os cavalos só iriam ajudá-los a 
fugir de seu inimigo. A cavalaria assíria era muito mais rápida: “Mil de vocês fugirão de 
um só inimigo que os atacar, cinco inimigos farão com que todos vocês fujam. Os poucos 
que restarem parecerão um mastro de bandeira sozinho no alto de um morro” (v. 17, 
NTLH). A única esperança era confiar no Senhor, mas eles não quiseram ouvir e 
obedecer. 
 
B. Promessa (Is 30.19-33) 
O fracasso de Judá em confiar em Deus levará à destruição. No entanto, no meio 
do julgamento, Deus demonstrará a sua graça. 
 
1. Um Mestre glorioso (Is 30.19-26) 
No passado, o Senhor ensinou o Seu povo por meio de circunstâncias difíceis. No 
futuro, no entanto, eles realmente verão o seu Mestre. Este professor por excelência 
fornecerá a orientação diária para manter o Seu povo no caminho certo. Sob a influência 
deste Mestre, o povo desenvolverá uma aversão a idolatria (30.19-22). Esta parece ser 
uma profecia messiânica. 
Isaías descreveu as bênçãos de trabalho do professor em termos de prosperidade 
agrícola e pastoril. Água abundante e luz simbolizam a alegria e a prosperidade desse dia 
(cf. Ml 4.2). Naquela época, Deus curará o Seu povo quebrado e machucado pela 
mensagem vivificante do Evangelho (30.23-26). “Felizes são aqueles que põem a sua 
esperança nele!” (Is 30.18, NTLH) 
 
2. A libertação maravilhosa (Is 30.27-33) 
No futuro mais próximo, o povo de Deus experimentará uma libertação 
maravilhosa. A aliança com o Egito era desnecessária, pois o próprio Deus esmagará o 
adversário. Deus será ao mesmo tempo um fogo consumidor e uma torrente de água. 
Suas ações se agitarão e peneirarão o mundo político. O povo de Judá se regozijará com 
grande libertação da dominação Assíria (30.27-29). 
Deus desencadeará uma tempestade furiosa contra os assírios. Sua “voz 
majestosa” (trovão) será ouvida, e “a descida do seu braço” (raios) será vista (v. 30). A 
Assíria tremerá diante da voz e da “vara de castigo” de Deus (v. 31). 
 
97 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 30.15–18). Joplin, MO: College Press. 
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50 
 
“Porque há muito está preparada a fogueira, preparada para o rei; a pira é 
profunda e larga, com fogo e lenha em abundância...” (v. 33). Este versículo contém 
um jogo sutil de palavras. O termo hebraico para pira de fogo e fogueira é Tofete, nome 
de um lugar situado no vale Hinom, onde, durante muito tempo, foram sacrificadas 
crianças como oferenda ao deus Moloque (2Rs 23.10). Por outro lado, o nome Moloque 
(melek, em hebraico) significa “rei”. Assim, nesta passagem deve ser uma referência ao 
rei da Assíria. Esse jogo de palavras indica que o rei da Assíria será sacrificado, ao invés 
de receber tais oferendas macabras (Lv 18.21). O exército assírio será destruído como 
uma pilha de madeira ou um sacrifício em Tofete (2Rs 23.10; Jr 7.31-32; 19.6, 11-14).98 
Ou seja, por algum tempo, o Senhor estava recolhendo madeira em Tofete (fogueira) 
para a pira funerária do rei da Assíria e seus exércitos. 
 
IV. “Ai” contra a aliança egípcia (Is 31-32) 
Como a tragédia anterior (cap. 30) essa profecia também foi dirigida contra a 
aliança egípcia (cap. 31). Mas esse oráculo também fala sobre o rei messiânico que um 
dia libertará o Seu povo (cap. 32).99 O quinto “Ai” caiu sobre aqueles que propuseram 
aliança com o Egito como solução para a situação nacional de Judá. 
 
A. A denúncia (Is 31.1-3) 
“Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; 
que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, 
mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR!” (v. 1) – A aliança 
com o Egito estava condenada. Do ponto de vista político, o movimento em direção Egito 
talvez pudesse ser defendido. Essa política, no entanto, não era de Deus. Desta forma, 
Deus se levantará contra “a casa dos malfeitores”, e qualquer um que possa ajudá-los (v. 
2). 
 
B. A promessa (Is 31.4-9) 
“O SENHOR Deus falou comigo e disse: Um leão que pega e mata uma ovelha 
não se assusta, nem foge quando os pastores vêm gritando, mesmo que sejam 
muitos e gritem bem alto. Assim também eu, o SENHOR Todo-Poderoso, não me 
assustarei quando descer para lutar no monte Sião” (v. 4) – Deus travará uma guerra 
no Monte Sião. Deus será tão forte e determinado como um leão que encontrado sua 
presa. No entanto, ao mesmo tempo, Deus cuidará do Seu povo como pássaro protege os 
seus filhotes (v. 5). Diante da proteção divina, Isaías mais umavez chama o povo ao 
 
98 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1081). Wheaton, IL: Victor Books. 
99 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1076–1082). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
51 
 
arrependimento: “Povo de Israel, vocês se afastaram para longe de Deus; mas agora 
arrependam-se e voltem para ele” (v. 6). 
 
“Então, a Assíria cairá pela espada, não de homem; a espada, não de homem, 
a devorará; fugirá diante da espada, e os seus jovens serão sujeitos a trabalhos 
forçados” (v. 8) – Isaías afirmou de novo (cf. 30.31) que a Assíria cairá, mas somente por 
causa da obra de Deus (por uma espada que não é de homem).100 A referência é à 
destruição durante a noite do exército de Senaqueribe em 701 a.C. 
 
“De medo não atinará com a sua rocha de refúgio; os seus príncipes, 
espavoridos, desertarão a bandeira, diz o SENHOR, cujo fogo está em Sião e cuja 
fornalha, em Jerusalém” (v. 9) – A expressão “rocha de refúgio” refere-se ao seu rei ou 
a força do exército. Em qualquer caso, os assírios ficarão apavorados. Sião será uma 
fornalha de Deus. Em uma noite, o exército assírio foi exterminado (Is 37.36). Os 
comandantes assírios vendo que os soldados foram abatidos pelo Anjo do Senhor (Is 
37.36), ficaram aterrorizados. O “fogo” pode referir-se ao fogo do altar do holocausto 
que queimava continuamente.101 
 
 
Conclusão: 
Imagine o dinheiro que Judá teria economizado e o sofrimento que teria evitado 
se tivessem apenas descansado no Senhor e obedecido a Sua vontade. Todas as suas 
negociações políticas foram em vão. Eles optaram por confiar nas palavras dos egípcios, 
mas se recusaram dar ouvidos à voz de Deus!102 
Deus nunca está muito cansado ou ocupado demais para ouvir e ajudar aqueles 
que com fé O buscam. Sua força se torna a nossa força, quando o Seu caminho se torna o 
nosso caminho (Is 49.23b). Você tem confiado em Deus? 
 
100 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1081–1082). Wheaton, IL: Victor Books. 
101 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1082). Wheaton, IL: Victor Books. 
102 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 79). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
52 
 
Isaías 32-35 
Nossa esperança não será frustrada. 
 
Introdução: 
Nos quatro capítulos que concluem a primeira seção de sua profecia, Isaías 
convida-nos a olhar para alguns eventos futuros e ver o que Deus tem planejado para o 
Seu povo e o mundo. Embora as perspectivas para a Assíria fossem sombrias, a 
perspectiva do povo de Deus era bem diferente. 
 
I. O reinado do justo Rei 
 
A. Renovação Prometida (Is 32.1-8) 
“Eis aí está que reinará um rei com justiça, e em retidão governarão 
príncipes” (Is 32.1) – O Governante messiânico e seus subordinados governarão com 
justiça. Em contraste com os líderes condenados no capítulo 28, a nova liderança dará 
refúgio e refrigério ao povo de Deus. Os cegos espiritualmente verão e entenderão a 
verdade de Deus (32.1-4). 
 
“Ao louco nunca mais se chamará nobre, e do fraudulento jamais se dirá que 
é magnânimo” (v. 5) – O “louco” (nabel, em hebraico) e os “fraudulentos” (kelay) não 
serão mais respeitados. Como no livro de Provérbios o tolo ensina falsidade e 
desconsidera as necessidades dos outros (Pv 1.7, 32; 10.14). “Ninguém dirá que um sem-
vergonha é uma pessoa de valor, nem que o malandro merece respeito” (v. 5, NTLH). Em 
contraste com o salafrário que perversamente tenta se aproveitar dos pobres e 
necessitados a pessoa nobre planeja fazer o bem aos outros.103 
Nos dias de Isaías, como em nossos dias, as pessoas comuns admiram os “ricos e 
famosos”, mesmo que o caráter e a conduta dessas “celebridades” não mereça respeito. 
Porém, no reino, não haverá tal engano. Todos reconhecerão um homem mal e hipócrita 
(v. 5-6).104 Os pobres e indefesos não serão mais enganados! 
 
B. Renovação precedida por Desastres (Is 32.9-14) 
“Levantai-vos, mulheres que viveis despreocupadamente, e ouvi a minha voz; 
vós, filhas, que estais confiantes, inclinai os ouvidos às minhas palavras” (v. 9) – 
 
103 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1082). Wheaton, IL: Victor Books. 
104 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 81–82). Wheaton, IL: Victor Books. 
7 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
53 
 
Atrás dos governantes egoístas de Judá, e influenciando-os para o mal, estavam as 
“mulheres aristocráticas” de Jerusalém, que eram complacentes e autoconfiantes em um 
momento de grave crise nacional (v. 9-14; 3.16-26; Am 4.1-3; 6.1-6). Isaías declarou que 
“em pouco mais de um ano”, a terra e as cidades serão desoladas (v. 10). 
Em pouco mais de um ano a oferta de uvas (e consequentemente do vinho) será 
cortada. As mulheres são convidadas a entrar em amarga lamentação sobre o terrível 
destino que se abateria sobre suas terras (32.9-12). 
Isaías previu o abandono completo de Judá. Espinhos e abrolhos tomarão a terra. 
Jerusalém se tornará um deserto e o palácio abandonado. Animais encontrariam refúgio 
nas ruínas da cidade (32.13). Esta sentença divina contra Jerusalém começou a ser 
executada pelos assírios em 701 a.C. No entanto, por causa do bom rei Ezequias, a cidade 
foi poupada. A destruição foi finalmente efetuada pelos babilônios em 586 a.C.105 
 
C. Renovação realizada pelo Espírito (Is 32.15-20) 
“até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se 
tornará em pomar, e o pomar será tido por bosque” (v. 15) – A condição desolada de 
Jerusalém continuará até o derramamento do Espírito de Deus. De 586-538 a.C. a terra 
de Judá permaneceu abandonada. Sob a liderança de Esdras, Neemias e os profetas pós-
exílio, o templo foi reconstruído e a cidade foi restaurada. Em 445 a.C., os muros de 
Jerusalém foram reconstruídos. A cidade prosperou durante todo o período 
intertestamentário. Todavia, durante a maior parte desse tempo, Jerusalém permaneceu 
sob o domínio de alguma potência estrangeira. Primeiro, os persas, em seguida, os 
gregos, e, finalmente, os romanos. A glória (Shekinah) já não residia no Santo dos Santos. 
Deus permaneceu em silêncio. A terra ficou sem a voz viva da profecia. Por essas razões, 
Jerusalém era considerada deserta durante o período entre os testamentos. 
Entretanto, com o derramamento do Espírito no dia de Pentecostes, uma nova era 
foi inaugurada. Isaías retratou as bênçãos associadas com a vinda do Espírito em termos 
de campos férteis e florestas exuberantes. O princípio básico exposto neste versículo é 
que a paz não é algo que Deus simplesmente derrama sobre uma sociedade corrupta: a 
terra deve ser limpa e resemeada com justiça, cujo fruto é paz (16-17). Para isso, a 
promessa do Espírito (15) é imprescindível.106 
Isaías comparou os inimigos a uma floresta (cf. 10.18, 33) e uma cidade (cf. 24.10; 
25.2; 26.5). Como na antiga guerra santa, Deus usará o granizo para derrubar os 
inimigos. Por outro lado, aqueles que são cidadãos no reino, desfrutarão de bênçãos em 
abundância. Novamente Isaías utiliza imagens agrícolas. As lavouras serão tão 
abundantes que o agricultor não terá que se preocupar em estocar alimento (32.19). 
 
 
105 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 32.9–14).Joplin, MO: College Press. 
106 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 652). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
54 
 
II. A verdadeira solução (Is 33) 
O capítulo 33 traz o Livro de “Ais” para esta grande conclusão: o opressor será 
destruído e o Senhor será exaltado. Os seis primeiros versículos constituem uma 
introdução aos principais temas do capítulo. O restante do capítulo pode ser dividido em 
duas grandes unidades que falam da exaltação e do reino do Senhor. 
 
A. Introdução (Is 33.1-6) 
“Ai de ti, destruidor que não foste destruído, que procedes perfidamente e não 
foste tratado com perfídia! Acabando tu de destruir, serás destruído, acabando de 
tratar perfidamente, serás tratado com perfídia” (Is 33.1) – Ao contrário dos últimos 
cinco “Ais”, o sexto não caiu sobre o povo de Deus (28.1; 29.1, 15; 30.1; 31.1). A palavra 
“destruidor” é uma referência a Assíria. Durante algum tempo, pela guerra e pela 
discrição este poder implacável dominou o antigo Oriente Próximo. Esse período de 
opressão, no entanto, não seria interminável. 
Em total descrença, o rei Ezequias havia tentado “subornar” os assírios (2Rs 
18.13-15); mas Senaqueribe havia quebrado o acordo e invadido Judá de qualquer 
maneira. Ele era um ladrão, um traidor, e um tirano; e Deus prometeu julgá-lo. Ele havia 
destruído os outros, então será destruído.107 Deus não se deixa escarnecer; pecadores 
colhem o que semeiam (Gl 6.7). 
 
“SENHOR, tem misericórdia de nós; em ti temos esperado; sê tu o nosso braço 
manhã após manhã e a nossa salvação no tempo da angústia” (Is 32.2) – Isaías 33.2 
é uma oração do remanescente piedoso quando Jerusalém foi cercada pelo exército 
assírio. Deus havia prometido que teria misericórdia daqueles que confiassem nEle (Is 
30.18-19). Deus poupou Jerusalém por amor a Davi (37.35) e por um remanescente 
crente que confiou e orou. Nunca subestime o poder de uma minoria orando. O rei 
Ezequias fez uma coisa tola quando tomou os tesouros do templo e tentou subornar 
Senaqueribe (2Rs 18.13-16), mas Deus o perdoou e lembrou-lhe que “o temor do Senhor 
é o [seu] tesouro” (Is 33.6). A descrença olha para os recursos humanos para pedir 
ajuda, mas a fé olha para Deus.108 
 
B. O dia da exaltação (Is 33.7-16) 
“Eis que os heróis pranteiam de fora, e os mensageiros de paz estão chorando 
amargamente” (Is 33.7) – Isaías agora amplia o tema da exaltação de Deus. Primeiro, 
ele esboçou a necessidade desesperada do povo. Antes da libertação, Jerusalém será 
reduzida a um estado lamentável. Mesmo os homens valentes ficarão chocados. 
Emissários de paz falharão em sua missão e as estradas ficarão desoladas e inseguras (Is 
 
107 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 83). Wheaton, IL: Victor Books. 
108 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 83–84). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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33.7-9). No entanto, na hora mais escura, Deus manifestará o Seu poder. Ele se dirigiu, 
por assim dizer, aos invasores assírios. Seus planos sobre Judá eram fúteis. A luta para 
subjugar Judá foi comparado a uma gestação dolorosa que resultou em nenhum 
nascimento. Os invasores assírios serão consumidos rapidamente como espinhos e 
abrolhos pela ira de Deus (Is 33.10-12). A libertação de Jerusalém não apenas glorificará 
a Deus entre os gentios, mas também espalhará temor entre os judeus (Is 33.14-16). 
Quando os judeus viram 185.000 soldados assírios mortos por Deus em uma noite, eles 
perceberam novamente que o Deus de Israel era “um fogo consumidor” (Is 10.17; Hb 
12.29). 
Isaías descreve o tipo de pessoa que Deus aceitará e abençoará (Is 33.14-16; Sl 15 
e 24). Quem poderá residir na presença de Deus? Isaías deu a resposta com a descrição 
de seis características do homem justo. Primeiro, características positivas: (1) Aquele 
que anda em justiça e (2) Fala com sinceridade. Segundo, as características negativas: 
(1) Aquele que rejeita avareza, (2) Suborno e (4) Ou qualquer tipo de mal. Esse homem 
desfrutará de segurança no dia do julgamento. Essas qualidades quando confiamos em 
Jesus Cristo e crescemos na graça. 
 
C. O reino glorioso (Is 33.17-24) 
“Os teus olhos verão o rei na sua formosura, verão a terra que se estende até 
longe” (v. 17) – Aqueles que sobreviveram ao julgamento temporal (ou seja, homens 
justos) contemplarão com os olhos da fé “o rei na sua formosura”, isto é, o próprio Deus 
(cf. 33.22) e, também, contemplarão “uma terra muito distante” (Is 33.17). 
O reino do Messias será uma cidade segura. Ao contrário da Jerusalém histórica, 
esta Sião, se situará ao lado de rios largos, mas não rios que permitirão ataques naval (Is 
33.18-21). O pensamento é que Jerusalém teria uma fonte de água abundante (Hb 
12.28). 
A presença do Senhor na Sião Celestial funcionará de três formas: (1) Como juiz, 
como um daqueles salvadores cheios do Espírito que poupará Israel dos opressores 
estrangeiros; (2) Como legislador, ou seja, aquele que regula a vida através de Sua 
instrução; e (3) Como rei, com soberania absoluta sobre todos os habitantes (Is 33.22). 
Nos dias de Isaías Jerusalém parecia um grande navio, totalmente despreparado 
para as águas agitadas da invasão assíria. No entanto, a cidade experimentará um 
poderoso livramento. Mesmo os deficientes físicos serão capazes de participar do 
espólio do invasor. Esse enriquecimento, no entanto, não será nada comparado com o 
benção espiritual que resultará a partir do arrependimento nacional induzido pela 
invasão. Deus perdoará a iniquidade dos Seus habitantes. 
 
 
 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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III. O julgamento das nações e a restauração do povo de Deus 
(Is 33-35) 
“Ai de ti, destruidor que não foste destruído, que procedes perfidamente e não 
foste tratado com perfídia! Acabando tu de destruir, serás destruído, acabando de 
tratar perfidamente, serás tratado com perfídia” (Is 33.1) – O tema da soberania de 
Deus sobre as nações hostis (Is 29.5-8; 30.27-33; 31.4-9; 33.1, 18-19) culmina no 
capítulo 34 com uma vívida descrição do juízo universal. O Senhor julgará as nações, 
resultando em carnificina generalizada e derramamento de sangue. Até os céus não 
escaparão. As estrelas, talvez simbolizando oposição celeste a Deus (ver 24.21), são 
retratadas como apodrecendo e caindo como uma folha de figo no chão (Is 34.4). 
O Senhor destacou Edom como representante das nações (ver 63.1-6). O profeta 
comparou o abate sangrento de Edom a um grande sacrifício de ovinos e bovinos. Esse 
dia de vingança e retribuição em nome de Jerusalém reduzirá Edom a um estado de 
desolação perpétua. Por decreto divino suas ruínas cobertas de ervas daninhas serão 
povoadas apenas por criaturas do deserto como corujas e hienas. 
 
“O deserto e a terra se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o 
narciso. Florescerá abundantemente, jubilará de alegria e exultará; deu-se-lhes a 
glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom; eles verão a glória do SENHOR, 
o esplendor do nosso Deus” (Is 35.1-2) – Em contraste com Edom, Mas o deserto não 
permanecerá um deserto, pois o Senhor transformará a Terra em um Jardim do Éden. 
Toda a natureza parece ansiosamente pela vinda do Senhor (Is 55.12-13, Rm 8.19; Sl 
96.11-13; 98.7-9), por que a natureza sabe que será libertada da maldição do pecado (Gn 
3.17-19) e compartilhará a glória do reino. Líbano, Carmelo e Sarom foram três dos 
lugares mais fecundos e belos na terra, e ainda o deserto será mais proveitoso e bonito 
do que os três lugares juntos! Não haverá mais “terra seca” (Is 35.7), porque a terra se 
tornará um jardim de glória.109 
 
“Fortalecei as mãos frouxas e firmai os joelhos vacilantes. Dizei aos 
desalentados de coração:Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, 
a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará” (v. 3-4) – As pessoas desanimadas serão 
renovadas. Esta renovação é em comparação com a cura milagrosa de diversas 
deficiências físicas e ao florescimento de um deserto quente e seco. Onde antes havia 
apenas areia e criaturas do deserto, haverá agora flores, verdes pastos, água abundante 
e densa vegetação.110 
 
“E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo; o 
imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo; quem quer que por 
 
109 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 88). Wheaton, IL: Victor Books. 
110 Chisholm, R. B. (1998). The Major Prophets. In D. S. Dockery (Org.), Holman concise Bible 
commentary (p. 278). Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
57 
 
ele caminhe não errará, nem mesmo o louco” (Is 35.8) – Em cidades antigas, havia 
muitas vezes estradas especiais que somente os reis e sacerdotes poderiam usar; mas 
quando o Messias reinar, todo o Seu povo será convidado a utilizar este caminho.111 
 
“Os resgatados do SENHOR voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; 
alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a 
tristeza e o gemido” (Is 35.10) – Aqueles que choram são abençoados , porque eles 
serão consolados. Quando o povo de Deus retornou de Babilônia eles voltaram chorando 
(Jr 50.4); mas caminharão para o céu, para a Nova Jerusalém, com uma canção nos lábios 
que nenhum homem aprenderá (Ap 14.3). 
 
Conclusão: 
Quando Isaías falou e escreveu estas palavras, é provável que os assírios 
houvessem devastado a terra, destruído as colheitas e tornado as estradas inseguras 
para viagens. O povo estava preso em Jerusalém, perguntando-se o que aconteceria em 
seguida. O restante estava confiando nas promessas de Deus e orando pela ajuda de 
Deus, e o Senhor respondeu suas orações. Se Deus cumpriu suas promessas ao Seu povo 
há séculos e os libertou, será que Ele não cumprirá Suas promessas no futuro e 
estabelecerá Seu reino glorioso para o Seu povo escolhido? Claro que Ele o fará! 
O comentarista bíblico Warren Wiersbe estava certo quando declarou: “O futuro é 
seu amigo quando Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor”.112 
 
 
111 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 89). Wheaton, IL: Victor Books. 
112 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 89). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
58 
 
Isaías 36-39 
O livro de Ezequias. 
 
Introdução: 
O rei Ezequias enfrentou três crises em um curto espaço de tempo: uma crise 
internacional (a invasão do exército assírio), uma crise pessoal (uma doença à beira da 
morte) e uma crise nacional (a visita dos enviados da Babilônia). Ele se saiu, 
vitoriosamente nas duas primeiras, mas tropeçou na terceira crise.113 O rei Ezequias foi 
um grande e piedoso homem, mas era um homem sujeito a muitas falhas. 
Os capítulos 36-39 nos ensinam algumas lições valiosas sobre fé, oração e o 
perigo do orgulho. Embora a definição de hoje seja diferente, os problemas e as 
tentações ainda são as mesmas; a história de Ezequias é a nossa história, e o Deus de 
Ezequias é o nosso Deus. 
 
I. O desafio inicial (Is 36.1-37.7) 
“No ano décimo quarto do rei Ezequias, subiu Senaqueribe, rei da Assíria, 
contra todas as cidades fortificadas de Judá e as tomou” (Is 36.1) – No décimo quarto 
ano de Ezequias (701 a.C.) o exército assírio havia invadido Judá e avançado sobre 
Jerusalém. De acordo com 2Reis 18.14-16, o rei Ezequias havia pagado tributos ao rei 
Senaqueribe, a fim de que Jerusalém recebesse imunidade. Porém, a Assíria mudou de 
ideia e decidiu invadir a cidade de Jerusalém. Nesta crise, o rei Ezequias escolheu o 
caminho da confiança em Deus. Os capítulos 36-37 servem como contrapeso aos 
capítulos 7-8 em que orgulhoso e teimoso rei Acaz em uma crise semelhante escolheu 
colocar a sua confiança no homem.114 
 
A. O ultimato de Rabsaqué (Is 36.1-20) 
“Rabsaqué lhes disse: Dizei a Ezequias: Assim diz o sumo rei, o rei da Assíria: 
Que confiança é essa em que te estribas?” (v. 40) – Senaqueribe teve pouca dificuldade 
de conquistar todas as cidades fortificadas de Judá. A descoberta dos antigos Anais de 
Senaqueribe revela quais foram as cidades conquistadas em sua campanha do sul de 
Sidom até a costa do Mediterrâneo. Por sua própria contagem, havia quarenta e seis 
dessas cidades.115 O assírio mantinha seu quartel-general em Laquis, uma cidade a cerca 
 
113 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 91). Wheaton, IL: Victor Books. 
114 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 36.1–37.7). Joplin, MO: College Press. 
115 Senaqueribe comemorava suas vitórias em Judá com um relevo de parede em seu palácio em 
Nínive retratando o ataque e captura de Laquis. Ele sustentava que havia calado a boca de 
Ezequias em Jerusalém “Como um pássaro em uma gaiola” e ofereceu um relato detalhado de suas 
conquistas: “Eu cerquei 46 de suas cidades fortificadas, fortalezas muradas e as inúmeras 
8 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
59 
 
de 40 km a sudoeste de Jerusalém. Enquanto Senaqueribe permanecia em Laquis 
dirigindo o ataque contra os filisteus, ele enviou três de seus principais executivos: 
Tartã, Rabe-Saris e a Rabsaqué (2Rs 18.17) com tropas suficientes para intimidar 
Ezequias. Isaías enfatizou a ironia de Rabsaqué (“comandante do campo”) desafiando a 
confiança de Ezequias no mesmo lugar onde cerca de trinta e três anos antes Isaías havia 
desafiado o rei Acaz a se comprometer com tal política. Os três homens foram recebidos 
por três dos principais oficiais de Judá: Eliaquim, Sebna (Is 22.15-25) e Joá (36.3). 
Rabsaqué emitiu dois desafios, um para o rei Ezequias e um para os defensores 
de Jerusalém. 
 
1. O desafio de Ezequias (Is 36.4-10). 
Rabsaqué começou sua conversa com os nobres de Judá, atacando o que percebeu 
serem os motivos que levaram a rebelião de Ezequias. 
Primeiro, ele argumentou que a dependência sobre o Egito de nada serviria (v. 6). 
Todos os que já haviam tentado se apoiar no Egito, “a cana esmagada” só haviam 
perfurado a mão como um caniço quebrado (36.4 b-6). Neste ponto, Rabsaqué e Isaías 
estavam em completo acordo. 
Em segundo lugar, Rabsaqué argumentou que a dependência do Senhor seria 
inútil contra a Assíria (v. 7). 
Em seguida, o assírio apontou a fraqueza militar de Judá, a falta de cavalaria. Ele, 
sarcasticamente, argumentou que mesmo que os assírios doassem dois mil cavalos aos 
rebeldes, eles não seriam capazes de arrumar cavaleiros (36.8). 
No auge do seu argumento Rabsaqué afirmou que o Senhor lhe havia ordenado 
destruir a Judá (v. 10). Era uma maneira de aterrorizar as pessoas, fazendo-os pensar 
que Deus havia realmente se voltado contra eles.116 No entanto, Isaías havia dito que 
Jerusalém não cairia diante dos assírios, de modo que o comandante estava errado. 
Rabsaqué estava tentando a todo o custo minar a esperança dos judeus. 
 
2. O pedido dos funcionários (Is 36.11-12). 
“Então, disseram Eliaquim, Sebna e Joá a Rabsaqué: Pedimos-te que fales em 
aramaico aos teus servos, porque o entendemos, e não nos fales em judaico, aos 
ouvidos do povo que está sobre os muros” (Is 36.11) – Os representantes de Ezequias 
interromperam a Rabsaqué e fizeram um pedido, que as negociações fossem conduzidas 
em língua internacional (aramaico), e não na língua dos judeus (hebraico). Eles ficaram 
 
pequenas aldeias em suas imediações, e as conquistei... eu expulsei 200.150 pessoas, jovens e 
velhos, homens e mulheres, cavalos,mulas, jumentos, camelos, gados grandes e pequenos além da 
conta e os considerei despojos”. Cogan, M. (2011). Sennacherib. In (M. A. Powell, Org.)The 
HarperCollins Bible Dictionary (Revised and Updated). New York: HarperCollins. 
116 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1087). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
60 
 
preocupados com o efeito que essas demandas poderiam ter sobre os defensores 
sentados nos muros próximos. Com arrogância ainda maior, Rabsaqué rejeitou o pedido. 
Ele queria que os soldados de Judá percebessem as terríveis privações que ocorreriam 
se o rei Ezequias recusasse a entregar a cidade. Rabsaqué não havia sido enviado para 
negociar, mas para minar a vontade de Jerusalém em resistir (v. 11-12). 
 
3. O desafio dos assírios (Is 36.13-22) 
“Então, Rabsaqué se pôs em pé, e clamou em alta voz em judaico, e disse: Ouvi 
as palavras do sumo rei, do rei da Assíria” (v. 13) – Rabsaqué ergueu a voz e clamou 
em nome de seu rei a todos os cidadãos de Jerusalém. Seu argumento era constituído por 
cinco pontos. 
Primeiro, Ezequias não seria capaz de salvar sua capital dos assírios (36.14). 
Em segundo lugar, as promessas de Ezequias de que o Senhor não permitiria que 
a cidade caísse diante do inimigo era em vão (3.15). 
Em terceiro lugar, a renúncia significaria paz imediata. Os judeus seriam 
autorizados a voltar para suas plantações e casas (36.16). 
Em quarto lugar, a deportação não seria tão ruim, por que eles encontrariam uma 
terra de abundância semelhante à sua própria (36.17). 
Finalmente, o assírio argumentou que outros deuses haviam entregado suas 
cidades. Até mesmo Samaria, que também adorava o Senhor, ainda que de uma forma 
pervertida, havia caído. Por que seria diferente com Jerusalém? (36.18-20). 
 
B. A reação ao desafio (Is 36.21-37.7) 
O momento supremo no drama já havia chegado. Será que Judá se curvaria diante 
da lógica do Rabsaqué? Ou buscaria a ajuda do Senhor? Isaías descreveu a reação ao 
desafio do Rabsaqué em dois níveis. 
 
1. A reação do rei (Is 36.21-37.5) 
“Mas o povo ficou calado, como o rei Ezequias havia mandado; eles não 
disseram nem uma só palavra” (v. 21, NTLH) – A equipe de negociação de Ezequias 
recebeu ordens para não se envolver em debate com Rabsaqué. Ao entrar novamente no 
complexo do palácio, porém, os três funcionários rasgaram suas vestes em angústia. Em 
seguida, relataram a Ezequias as condições de rendição do adversário (Is 36.22). 
Ao ouvir as exigências de Rabsaqué, o rei Ezequias rasgou as suas vestes e cobriu-
se com pano de saco para simbolizar sua agonia e entrou na Casa do Senhor. Aquele foi 
um dia sombrio para Judá (v. 3). Ezequias enviou emissários ao profeta Isaías em busca 
de ajuda (Is 37.1-5). Os homens informaram a Isaías da situação, pediram uma palavra 
do Senhor contra os assírios, e então, pediram ao profeta para orar por eles. Ezequias 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
61 
 
estava reconhecendo, assim, que o Senhor falava através de Isaías. Isto contrasta com a 
atitude do rei Acaz, pai de Ezequias (Is 7; cf. 2Rs 18), 
 
2. A reação do profeta (Is 37.6-7). 
Como Isaías reagiria diante desses líderes que durante tantos anos haviam 
ridicularizado a sua mensagem (cf. 30.8-11)? Isaías declarou que o rei não deveria temer 
as palavras de Rabsaqué (v. 6). Ezequias deveria rejeitar a exigência de rendição. Então, 
o profeta disse que o rei assírio voltaria para casa, onde seria morto (Is 36-38). 
 
 
II. O desafio intensificado 
“Voltou, pois, Rabsaqué e encontrou o rei da Assíria pelejando contra Libna; 
porque ouvira que o rei já se havia retirado de Laquis” (v. 8) – Rabsaqué retornou ao 
seu mestre para obter mais instruções. Ele encontrou-se com Senaqueribe em Libna, 
onde o exército assírio estava conduzindo as operações do cerco. Ao ouvir sobre 
rumores do avanço de Tiraca, o governante etíope do Egito, Senaqueribe percebeu que 
seu tempo na Palestina poderia ser encurtado (v. 10). Resolveu fazer um último esforço 
para manter a total submissão de Ezequias. Os mensageiros foram a Jerusalém levando 
uma carta do grande Rei (37.14). 
 
A. O conteúdo da carta (Is 37.10-13) 
A carta pedia que Ezequias não se enganasse pensando que Jerusalém não seria 
destruída. O rei de Judá não era certamente ignorante das muitas conquistas das forças 
assírias (v. 12).117 Senaqueribe citou vários exemplos e, em seguida, perguntou por que 
os deuses desses povos não os livraram do poder da Assíria. O “grande rei”, obviamente, 
considerava o Senhor como um deus inferior de um reino inferior (Is 37.10-12). 
Senaqueribe concluiu a carta com uma ameaça sinistra contra Ezequias. Ele lembrou ao 
rei do que havia acontecido com os reis dessas nações conquistadas pela Assíria. O rei de 
Judá era muito familiarizado com as terríveis torturas que os assírios infligiram aos reis 
rebeldes (Is 37.13). Diante das ameaças de Senaqueribe, será que Ezequias continuaria 
confiando no Senhor? 
 
 
 
117 Senaqueribe disse Ezequias que os deuses de outras nações não foram capazes de ajudá-los 
contra o avanço assírio (Is 36.18-20). Gozã, uma cidade às margens do rio Habor, foi conquistada 
cerca de 100 anos antes pelos assírios. Harã, uma cidade na Síria, era naquele tempo uma 
fortaleza assíria. Rezefe, também uma cidade aramaica, foi capturada cerca de 100 anos antes 
pelos assírios. Éden estava localizada, provavelmente, no norte da Mesopotâmia, e pode se referir 
a um território em Tel Assar. A localização de Hena e Iva são desconhecidas, mas, provavelmente, 
estivessem localizadas na região da Babilônia. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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B. A reação do rei Ezequias (Is 37.14-32) 
“Tendo Ezequias recebido a carta das mãos dos mensageiros, leu-a; então, 
subiu à Casa do SENHOR, estendeu-a perante o SENHOR” (v. 14) – Mais uma vez a 
narrativa revela a reação de ambos, o rei e o profeta ao desafio da carta de Senaqueribe. 
A resposta de Ezequias indicava que ele estava determinado mais do que nunca a 
colocar tanto o seu próprio destino e de sua cidade nas mãos do Senhor. 
 
1. A resposta do rei (Is 37.14-20). 
Depois de ler a carta de Senaqueribe, Ezequias subiu ao Templo e a estendeu 
perante o Senhor. Ele se dirigiu a Deus como o Senhor dos Exércitos. Embora 
entronizado no Monte Sião sobre os querubins, Ele era o Deus de todos os reinos da 
terra. Sua soberania divina sobre todos os povos era derivada do fato de que Ele era o 
criador do céu e da terra (Is 37.14-16). 
 
2. A resposta do profeta (Is 37.21-35). 
“Então, Isaías, filho de Amoz, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o 
Deus de Israel...” (v. 21) – Senaqueribe havia falado contra o Senhor; Ezequias havia 
falado com o Senhor; agora finalmente Deus falava com o rei. Em resposta à oração de 
Ezequias, o Senhor proclamou uma palavra de encorajamento. A resposta de Deus a esta 
oração foi enviar ao rei Ezequias uma mensagem tríplice de garantia: Jerusalém não 
seria tomada (v. 22, 31-35); os assírios partiriam (v. 23-29); e os judeus não iriam 
morrer de fome (v. 30). 
(1) Jerusalém não seria entregue (v. 22, 31-35). A “filha de Sião” ainda era 
virgem, ela não havia sido devastada pelo inimigo. Ela podia olhar para os assírios e 
balançar a cabeça com desprezo, pois não podia tocá-la. 
(2) Os assírios partiriam (v. 23-29). Deus dirigiu-se ao rei assírio orgulhoso e 
lembrou-se de todas as palavras arrogantes que ele e os seus servos haviam falado. “Eu” 
e “meu” ocorrem sete vezes nessa passagem.118 A Assíria não conquistará Jerusalém e os 
sobreviventes voltarão aos poucos à vida normal (v. 30-34). 
(3) As pessoas não morrerão de fome. “Este é o sinal daquilo que vai 
acontecer: neste ano e no ano que vem, vocês terãopara comer somente o que 
nascer por si mesmo, sem ser plantado. Mas no ano seguinte vocês poderão semear 
e colher cereais e também plantar parreiras e comer as uvas” (v. 30-31) – As pessoas 
terão que comer o que crescesse a partir do cultivo anterior. Eles também precisavam 
renovar suas fazendas depois de todo o dano que os assírios haviam causado. Mas o 
mesmo Deus que os livrou os sustentará. Será como os anos antes e depois do Ano do 
Jubileu (Lv 25.1-24). Assim, o Senhor demonstrará o Seu amor duradouro por Davi, o 
fundador da dinastia que governou Judá (Is 37.33-35). 
 
118 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 97–98). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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C. A previsão cumprida (Is 37.36-38) 
“Então, saiu o Anjo do SENHOR e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta 
e cinco mil; e, quando se levantaram os restantes pela manhã, eis que todos estes 
eram cadáveres” (v. 36) – Isaías descreveu em apenas três versículos um dos 
momentos mais dramáticos da história de Israel. Desde o capítulo 7, Isaías havia 
argumentado que a única maneira de Judá lidar com a crise era confiar no Senhor. O 
anjo do Senhor visitou o acampamento assírio naquela noite e feriu 185 mil inimigos. 
Rabssaqué havia declarado também que um oficial subalterno assírio era mais 
forte do que 2.000 cavaleiros judeus (Is 36.8-9), mas foi necessário apenas um dos anjos 
de Deus para destruir 185.000 soldados assírios! (Êx 12.12; 2Sm 24.15-17). Isaías havia 
profetizado a destruição do exército assírio. Deus iria cortá-los como uma floresta (Is 
10.33-34), devastá-los com uma tempestade (Is 30.27-30), e jogá-los no fogo como o lixo 
no lixão da cidade (v. 31-33). 
Com o exército dizimado, Senaqueribe não teve alternativa a não ser voltar para 
casa. Rabsaqué havia chamado Senaqueribe de “o grande rei” (36.4); Deus o chamou 
apenas de “o rei da Assíria”. Cerca de vinte anos depois, enquanto adorava no templo de 
seu deus Nisroque, Senaqueribe foi assassinado. 
 
III. O desafio individual (Is 38.1-39.8) 
No capítulo 37, o rei da Assíria não conseguiu escapar do Senhor (Is 37.7, 38), 
mas o que dizer do rei de Judá? No capítulo 38, o rei Ezequias é acometido de uma 
doença que o levará à morte, no entanto, a primeira reação de Ezequias foi buscar o 
Senhor. Isso aconteceu na época da invasão Assíria, porque Jerusalém não havia sido 
entregue a Assíria ainda (Is 38.6). Os acontecimentos deste capítulo também são 
registrados em 2Reis 20.1-11 e 2Cr 29-32. 
 
A. A oração de Ezequias (Is 38.1-8) 
“Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com 
ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a 
tua casa, porque morrerás e não viverás” (Is 38.1) – Ezequias adoeceu mortalmente. 
Não somos informados como Ezequias ficou doente. Pode ter sido por algo óbvio a todos, 
ou pode ter sido uma enfermidade que somente Deus conhecia. No entanto, a doença de 
Ezequias foi permitida pelo Senhor. 
 
“Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (Is 38.1) – A morte 
é uma visitante horrível. A morte é uma grande intrusa. Ela não faz acepção de pessoas. 
Não importa quem somos ou o que temos, a morte é a mesma para todos. Ela é universal. 
No fim das contas, o mesmo que acontece com as pessoas acontece com os animais. 
Tanto as pessoas como os animais morrem (Ec 3.18-20). O homem está à porta da 
eternidade a cada dia de sua vida. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Porém, note que Deus foi extremamente gentil com Ezequias, dizendo-lhe que sua 
morte estava próxima. Nem todas as pessoas têm a hora definida para colocar a sua casa 
em ordem. Isaías pediu-lhe para colocar a casa em ordem, porque estava prestes a 
morrer. Sabemos ao comparar 2Reis 18.2 com 2Reis 20.6, que Ezequias tinha 39 anos 
quando soube que morreria. Então, Ezequias virou o rosto para a parede e orou como 
nunca havia feito em sua vida. Chorando, ele pediu ao Senhor para considerar sua 
caminhada e sua obra. 
 
“Então, veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo: Vai e dize a Ezequias: 
Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; 
acrescentarei, pois, aos teus dias quinze anos” (Is 38.4-5) – O pedido foi atendido 
rapidamente, o profeta Isaías não tinha ido muito longe quando o Senhor deu-lhe a 
resposta (2Rs 20.4). Deus ouviu a oração de Ezequias. Isaías foi enviado de volta para 
dar ao doente a boa notícia. Quinze anos seriam acrescentados à sua vida. Além disso, 
Deus prometeu livrar o rei e sua capital, das mãos do rei da Assíria (38.4-6). É 
interessante notar que o profeta tornou-se o médico do rei e disse aos atendentes o que 
fazer: “Ponham uma pasta de figos em cima da úlcera do rei, e ele ficará bom” (Is 38.21, 
NTLH). Deus pode curar usando quaisquer meios que deseja.119 
Além disso, Isaías ofereceu ao rei um sinal: “Na escadaria feita pelo rei Acaz, o 
SENHOR fará com que a sombra volte dez degraus. E a sombra voltou dez degraus” 
(v. 8, NTLH). A pedido do rei, a sombra do sol voltou na escada dez degraus. Deus 
confirmou sua promessa. Aparentemente, uma escada especial havia sido construída 
como um dispositivo de tempo, uma espécie de relógio de sol. Curiosamente o rei Acaz 
havia rejeitado um sinal do Senhor (7.10-12), mas agora em uma escadaria feita por ele, 
seu filho, Ezequias, recebeu um sinal do Senhor. Como esse milagre da reversão da 
sombra do sol ocorreu não sabemos. Talvez a rotação da Terra tenha sido revertida ou 
talvez os raios solares tenha sido de alguma forma refratado.120 
 
 
B. O cântico de Ezequias (Is 38.9-20) 
Depois de ter sido curado Ezequias escreveu uma música para expressar o seu 
agradecimento a Deus. 
 
1. A condição de Ezequias (Is 38.10-14) 
O cântico começa com uma queixa: No auge da vida, Ezequias estava prestes a ser 
(1) Conduzido à sepultura, a morada dos mortos; (2) Privado do culto público (“ver o 
Senhor na terra dos viventes”); e (3) Cortado da comunhão com seus amigos (38.10). 
 
119 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 100). Wheaton, IL: Victor Books. 
120 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1089). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Ezequias refletiu sobre a brevidade da vida. A existência terrena é como (1) A tenda de 
um pastor; (2) Uma peça de corte do tecido de tear; e (3) A rápida passagem do dia para 
a noite (38.12). Ele comparou sua morte iminente ao ataque de um leão ao quebrar 
todos os ossos de sua presa. Diante dessa perspectiva, Ezequias expressou à sua 
angústia através dos gemidos de uma pomba (v. 14). No entanto, ele continuou olhando 
para Deus (38.13). 
 
2. A resposta de Deus (Is 38.15-20) 
“Que direi? Como prometeu, assim me fez; passarei tranqüilamente por todos 
os meus anos, depois desta amargura da minha alma” (Is 38.15) – O tom da mudança 
do hino ocorreu no versículo 15. Deus havia prometido poupar sua vida, e havia mantido 
Sua palavra. No entanto, Ezequias reconheceu que seu próximo encontro com a morte 
havia produzido cinco resultados positivos. Primeiro, ele havia sido humilhado pela 
experiência, e prometeu que seria humilde o resto de seus dias (38.15). Em segundo 
lugar, ele percebeu mais uma vez que as palavras de Deus tem o poder de criar e 
sustentar a vida (38.16). Em terceiro lugar, ele percebeu sua total dependência de Deus. 
Assim, ele continuou a orar para que sua recuperação fosse completa: “... Portanto, 
restaura-me a saúde e faze-me viver” (38.16b). Em quarto lugar, ele chegou a ter uma 
maior valorização da graça de Deus: “... Tu, porém, amaste a minha alma e a livraste da 
cova da corrupção” (Is 38.17). Finalmente,ele percebeu no prolongamento de sua vida 
que Deus também o havia perdoado de todos os seus pecados (38.17 b). 
A música termina com uma declaração confiante: “O SENHOR veio salvar-me; pelo 
que, tangendo os instrumentos de cordas, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida, na 
Casa do SENHOR” (Is 38.20). Apesar desta conclusão triunfante, o ímpeto do poema não 
se pode escapar. Todo ser humano, não importa quantas vezes seja curado, ainda é 
mortal. 
 
C. O fracasso de Ezequias (Is 39.1-8) 
O tema principal dos capítulos 7-38 foi confiar no Senhor, e não nas nações, nem 
mesmo nos ídolos, nem em qualquer outra coisa. Assim, a primeira metade do livro de 
Isaías termina com uma advertência contra confiança equivocada nas riquezas e nos 
planos deste mundo. Mesmo um homem tão piedoso como Ezequias, seria atraído a 
aceitar os valores do mundo. Cada governante humano, não importa quantas vezes 
confie em Deus, ainda está propenso a autossuficiência. No capítulo 39 Ezequias parece 
confiar no acúmulo da riqueza e, talvez, em uma aliança com a Babilônia. 
 
1. As circunstâncias (39.1-2). 
“Nesse tempo, Merodaque-Baladã, filho de Baladã, rei da Babilônia, enviou 
cartas e um presente a Ezequias, porque soube que estivera doente e já tinha 
convalescido” (Is 39.1) – O rei Ezequias foi um grande rei. Não houve um rei como ele. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Ele foi o melhor, o mais piedoso de todos os reis de Judá (2Rs 18.5). No entanto, o seu 
pecado destruiu sua casa e o seu povo. 
Sem dúvida alguma, a visita amigável de Merodaque-Baladã após a doença de 
Ezequias tinha a intenção de convencer o rei de Judá a uma aliança contra a Assíria.121 “E 
Ezequias lhes deu ouvidos...” (2Rs 2.13, Revista e Corrigida). O cronista relata que 
nesta situação Deus deixou Ezequias sozinho para testar-lhe para saber tudo o que 
estava em seu coração (2Cr 32.31). O rei não passou no teste. O orgulho voltou ao seu 
coração. Ezequias exibiu aos embaixadores da Babilônia toda a riqueza e o armamento 
de seu reino. Nada foi retido (39.2). 
 
2. O inquérito (Is 39.3). 
Tão perto como conselheiro do rei, Isaías deve ter se sentido apreensivo por não 
ser parte das discussões com as autoridades estrangeiras. Quando os emissários foram 
embora, ele questionou o rei Ezequias sobre a visita. O que os homens haviam declarado 
e de onde vieram. O rei respondeu apenas a segunda pergunta. Ele sabia que a posição 
de Isaías sobre alianças com potências estrangeiras, e esse assunto com certeza deve ter 
sido discutido durante a visita. Ezequias, talvez com algum embaraço, respondeu: “Viram 
tudo quanto há em minha casa; coisa nenhuma há nos meus tesouros que eu não lhes 
mostrasse” (Is 39.4). 
 
3. O anúncio (Is 39.4-7). 
“Eis que virão dias em que tudo quanto houver em tua casa, com o que 
entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado para a Babilônia; não ficará 
coisa alguma, disse o SENHOR” (v. 6) – Isaías então fez um anúncio dramático. Assíria 
não conquistará Jerusalém e levará consigo todos os tesouros da cidade. Essa será uma 
obra da Babilônia. Até mesmo os membros da família real de Ezequias serão levados e se 
tornarão “eunucos” (funcionários) no palácio do rei da Babilônia (39.5-7). Ezequias 
viveria seus anos percebendo que sua exibição arrogante da riqueza real seria um fator 
que culminará com a conquista de Jerusalém pela Babilônia. 
 
4. A reação (Is 39.8). 
“Então, disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do SENHOR que disseste...” (v. 
8) – Ezequias aceitou a profecia com humildade. A disciplina que chamou de “boa”, era 
menos do que merecia. O exílio não ocorreria em seus dias (Is 39.8). Alguns têm acusado 
Ezequias de ser egoísta por pensar que o julgamento seria algo “bom”, por não ocorrer 
durante o seu reinado. Porém, Sua declaração é mais provável uma expressão de sua 
humilde aceitação da vontade de Deus. 
 
121 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1090). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
67 
 
O que aconteceu nos 15 anos que Ezequias recebeu? Nasceu o seu filho Manassés. 
Um dos piores reis de Judá. Manassés, como diz as Escrituras várias vezes, por causa da 
maldade, por causa do reino vil, por causa do sangue em suas mãos, por causa dos 
pecados, Deus destruiu Judá, entregou a nação nas mãos dos caldeus, queimou o templo 
e levou o povo para o cativeiro. É melhor que a vontade de Deus seja feita do que 
tentarmos interferir ou orar contra ela. 
 
Conclusão: 
De todos os medos que afligem o coração do homem, nada é maior do que o medo 
da morte. A vida é curta e tão incerta. “Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que 
aparece por instante e logo se dissipa” (Tg 4.14). Moisés disse ao Senhor no Salmo 90: “Tu 
acabas com a vida das pessoas; elas não duram mais do que um sonho. São como a erva 
que brota de manhã, que cresce e abre em flor e de tarde seca e morre” (Sl 90.5-6, NTLH). 
Diante de tudo isto, a questão mais importante é: “Será que a morte é grande 
vitoriosa?” Entretanto, é importante que você saiba que a morte não é o fim da história 
para aqueles que conhecem o Senhor. A morte está nas mãos do Senhor, e não temos 
nada a temer. 
Aqueles que olham pela fé para o dia em que receberão seus corpos glorificados, 
para as perfeições da vida no céu, para o cumprimento do propósito de Deus, serão 
capazes de dizer triunfantemente como Paulo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde 
está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15.55). 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
68 
 
Isaías 40-41 
O livro de Ciro. 
 
Introdução: 
O livro de Isaías pode ser chamado de “uma Bíblia em miniatura”. Há sessenta e 
seis capítulos em Isaías e sessenta e seis livros na Bíblia. Os trinta e nove capítulos da 
primeira parte de Isaías podem ser comparados com o Antigo Testamento, com seus 
trinta e nove livros, e ambos se concentram principalmente no julgamento de Deus 
contra o pecado. Os vinte e sete capítulos da segunda parte podem ser vistos em paralelo 
com os vinte e sete livros do Novo Testamento, e ambos enfatizam a graça de Deus. Além 
disso, a seção “Novo Testamento” de Isaías abre com o ministério de João Batista (40.3-
5, Mr 1.1-4) e fecha com os novos céus e a nova terra (Is 65.17; 66.22); e no meio, há 
muitas referências ao Senhor Jesus Cristo como Salvador e Rei.122 
Com exceção de alguns trechos messiânicos (cap. 35), até o capítulo 40, Isaías 
estava interessado no destino de Israel e Judá em curto prazo. O profeta tratou da 
invasão dos assírios, do fim do reino de Israel e do livramento de Jerusalém sob o 
comando de Ezequias (entre 722 e 704 a.C.). A partir desse momento, encontramos 
profecias de longo prazo, entre elas, o cativeiro na Babilônia (em 539 a.C.) e o retorno 
dos exilados (13.1 a 14.2 e 21.1-10). As profecias são dirigidas como se o cativeiro 
babilônico já fosse uma realidade presente, embora esse cativeiro não tenha começado 
senão em 605-586 a.C. Isaías escreveu para encorajar os judeus a viverem dignamente, 
apesar das circunstâncias difíceis.123 O profeta viu no horizonte distante um grande 
livramento do exílio e, além disso, uma libertação ainda maior do pecado. A libertação da 
Babilônia é o foco dos capítulos 40-48. Esta seção foi designada “O livro de Ciro” devido 
às várias referências a esse conquistador persa (Is 44.28; 45.1). Além disso, é 
interessante que a segunda parte de Isaías (capítulos 40-66) se divide em três partes de 
nove capítulos cada (capítulos 40-48; 49-57; 58-66). 
Nesta seção, um dos objetivos de Isaías é mostrar a superioridade de Deus sobre 
as nações e os seus ídolos.124 Além de enfatizar a esperança e o consolo de um futuro 
abençoado depois da disciplina do cativeiro babilônico.Nesses capítulos, o profeta 
descreve a grandeza de Deus em três diferentes áreas da vida. 
 
 
 
 
122 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 103). Wheaton, IL: Victor Books. 
123 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1091). Wheaton, IL: Victor Books. 
124 Chisholm, R. B. (1998). The Major Prophets. In D. S. Dockery (Org.), Holman concise Bible 
commentary (p. 283). Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers. 
9 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
69 
 
I. Palavras de conforto do Deus incomparável (Is 40.1-11) 
“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus...” (Is 40.1) – O capítulo 
começa com uma mensagem de encorajamento para Jerusalém. A cidade havia sofrido 
mais do que suficiente; seu tempo de disciplina havia terminado. No entanto, o mesmo 
braço poderoso que destruiu os inimigos (Is 51.9-10) protege o Seu povo. Isaías ouviu, 
por assim dizer, quatro vozes que dão o tom para o que ele vai proclamar, nos capítulos 
40-66. 
Primeiro, Isaías ouviu uma voz que dirigiu os profetas a anunciar uma 
mensagem de conforto para Jerusalém. “... Consolai, consolai o meu povo, diz o 
vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua 
milícia, que a sua iniquidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do 
SENHOR por todos os seus pecados” (Is 40.1–2) – Sua “milícia” (“tsaba”, em hebraico, 
“escravidão” na NTLH) havia terminado e a iniquidade perdoada; Jerusalém havia 
pagado em “dobro” por sua transgressão. Parece estranho saber que os judeus 
receberam “em dobro” por todos os pecados, mas isso não significa ser punido além do 
que merecia, mas de acordo com o que merecia. Por exemplo, conforme Êxodo 22.9 um 
homem deveria receber/pagar em dobro por qualquer transgressão. A deportação para 
a Babilônia foi uma disciplina mais que suficiente e que agora começou o tempo do 
perdão e da restauração (Is 43.25; 46.13). 
 
A segunda voz anunciou a vinda de alguém que preparará o caminho do 
Senhor. “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no 
ermo vereda a nosso Deus” (v. 3) – Os verdadeiros profetas eram “vozes”, pois falavam 
em nome do Senhor. Eles chamavam a nação a voltarem arrependidos para o Senhor. 
Cada escritor evangélico aplicou Isaías 40.3 a João Batista (Mt 3.1-4; Mc 1.1-4; Lc 1.76-
78; Jo 1.23).125 Ele foi um profeta no deserto, que preparou o caminho para Jesus Cristo 
(cf. Mt 3.3). A figura utilizada é a de arautos reais que preparavam o caminho para que a 
viagem do rei fosse um pouco mais fácil (v. 4). João tinha a tarefa de preparar as pessoas 
para a chegada do Messias. Como resultado do trabalho deste mensageiro, “a glória do 
Senhor”, uma manifestação visível da presença de Deus, será revelada (40.3-5). 
 
A terceira voz salientou a eternidade da Palavra de Deus. “Toda a carne é 
erva, e toda a sua glória, como a flor da erva...” (v. 6) – A Carne é temporal, mas a 
Palavra de Deus permanece para sempre (40.6-8). Tanto a Assíria quanto a Babilônia 
estavam extintas. Como a erva, as nações e seus líderes cumpriram seus propósitos e, em 
seguida, desapareceram, mas a Palavra de Deus permanece para sempre (Sl 37.1-2; 
90.1-6; 103.15-18; 1Pe 1.24-25).126 Porque a Palavra de Deus permanece, Sua profecia 
sobre a restauração de Jerusalém será concretizada. 
 
125 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1091–1092). Wheaton, IL: Victor Books. 
126 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 109). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
70 
 
A quarta voz é a do próprio Isaías. “Tu, ó Sião, que anuncias boas-novas, sobe 
a um monte alto! Tu, que anuncias boas-novas a Jerusalém, ergue a tua voz 
fortemente; levanta-a, não temas e dize às cidades de Judá: Eis aí está o vosso Deus! 
(Is 40.9) – Como um mensageiro que está sobre a montanha, para que seja visto e 
ouvido por todos, o profeta apelou à cidade que proclamasse em alta voz para todas as 
outras cidades de Judá as boas-novas da presença de Deus ali (Cf. 12.3). Isaías exortou 
Sião para anunciar às cidades de Judá: “Eis que o Senhor Deus virá com poder” (v. 10). Ele 
imaginou o Senhor vindo: (1) Como um herói conquistador e, (2) Como um pastor gentil. 
O conquistador recebeu como recompensa a ovelha que carregava nos braços (40.9-
11).127 O braço de Deus é um braço forte para vencer a batalha (Is 40.10), mas é também 
um braço amoroso para o carregar Suas ovelhas cansadas (v. 11). “Estamos em casa” 
seria, certamente, uma boa notícia para as cidades devastadas de Judá (1.7; 36.1; 
37.26).128 
 
II. A majestade de Deus 
“Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a 
palmos?” (Is 40.12) – O principal objetivo dos capítulos 40-41 é demonstrar que o Deus 
de Israel é superior a qualquer outro deus criado pelo homem. Ele é superior em (1) 
comparação (2), confronto, e (3) compromisso. 
 
A. Deus é superior em comparação (Is 40.12-31) 
Os vários aspectos da majestade de Deus nesses versículos são repetidos muitas 
vezes por Isaías ao longo dos próximos oito capítulos. Isaías fez uma série de perguntas 
destinadas a colocar o homem no seu devido lugar. 
 
Em primeiro lugar, Ele é maior do que o mundo criado. “Quem na concha de 
sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu na 
terça parte de um efa o pó da terra e pesou os montes em romana e os outeiros em 
balança de precisão?” (Is 40.12) – A grandeza de Deus é indicada pela vastidão de Sua 
criação. Deus é autossuficiente e independente. Ele não necessitou de conselhos ao criar 
o mundo. O Senhor não precisa do homem para instruí-lo sobre o curso certo de cada 
ação (40.12-14). Figurativamente, Isaías diz que Deus pode medir o vasto universo 
estrelado com a amplitude de Sua mão. Também todo o pó da terra poderia ser colocado 
em uma vasilha; e as montanhas e colinas, embora grandes, são tão pequenas em 
comparação ao Eterno que podem ser pesadas em uma balança. Apesar da imensidão da 
criação, ninguém na terra é igual a Deus.129 
 
127 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 40.1–11). Joplin, MO: College Press. 
128 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 109). Wheaton, IL: Victor Books. 
129 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1092). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
71 
 
Em segundo lugar, Deus é maior do que as nações. “Eis que as nações são 
consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na 
balança; as ilhas são como pó fino que se levanta” (Is 40.15) – As nações são como 
uma gota de água num balde, como um grão de poeira na balança. Se fosse para 
construir um altar com todos os cedros do Líbano, e sacrificar todos os animais das 
florestas, eles ainda não terão feito um sacrifício digno de um grande Deus (Is 40.15-17). 
Para Ele, as nações não são nada; na presença dele, elas não têm nenhum valor (Is 
40.17). 
 
Em terceiro lugar, Deus é maior do que os ídolos. “O artífice funde a imagem, 
e o ourives a cobre de ouro e cadeias de prata forja para ela” (v. 18) – Ídolos são 
representações criadas pelo homem. Não importa quão bonito seja o artesanato, não 
importa quão precioso sejam os materiais, os ídolos não podem capturar a essência de 
Deus. O Senhor não é como uma imagem feita por um artista, que um ourives reveste de 
ouro e cobre de enfeites de prata (v. 19). 
 
“Quem não pode comprar ouro ou prata escolhe madeira de lei e procura um 
artista competenteque faça uma imagem que fique firme no seu lugar” (v. 20, 
NTLH) – Com ironia Isaías escreveu cerca de dois ídolos feitos de metal por um artesão 
e, em seguida, coberto de ouro e decorado com ornamentos de prata, e outros 
selecionados por um homem pobre, um ídolo de madeira e trabalhado de modo que não 
caia (Cf. Is 41.7; 44.9-20; 45.16, 20; 46.1-2, 6-7; Sl 115.4-7; 135.15-18; Jr 10.8-16; Hb 
2.19). No entanto, ambos, utilizaram materiais que Deus criou, e as habilidades que Deus 
lhes deu! Deus, porém, é diferente de qualquer ídolo. Ele é o Criador de todas as coisas, 
incluindo as pessoas. Deus é único.130 Se os ídolos têm dificuldades para permanecer em 
pé, como serão capazes de ajudar aqueles que os adoram? (40.18-20). 
 
Em quarto lugar, Deus é maior do que os governantes. “Ele é o que está 
assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é ele 
quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar” 
(v. 22) – Ele se senta no seu trono “sobre a redondeza da terra” providencialmente 
defendendo e mantendo tudo o que existe. Os próprios céus são as cortinas de sua tenda! 
Os governantes e poderosos deste mundo estão sob a Sua autoridade. Ele pode privá-los 
do poder em um instante (v. 23). Ele simplesmente sopra sobre eles e eles murcham 
como uma planta, e são arrancados de cena como palha sem valor (40.21-24). 
 
 
 
 
130 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1093). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Em quinto lugar, Deus é maior do que as estrelas. “Levantai ao alto os olhos 
e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas 
bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em 
poder, nem uma só vem a faltar” (Is 40.26) – Corpos celestes não devem ser adorados 
como na Mesopotâmia. O culto pertence apenas ao Santo, que criou as estrelas. Isaías 
comparou Deus a um poderoso general que conduz suas tropas em todo o céu. Cada 
estrela está no lugar exato que determinou. Implícito nesses versículos está um atentado 
contra os princípios fundamentais da astrologia (40.25). 
 
Finalmente, Deus é maior do que o desânimo. “Não sabes, não ouviste que o 
eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? 
Não se pode esquadrinhar o seu entendimento” (v. 28) – Diante da grandeza de Deus, 
talvez sejamos tentados a pensar que somos pequenos demais para que Deus preste 
atenção em nós: “Por que, pois, dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: O meu caminho está 
encoberto ao SENHOR, e o meu direito passa despercebido ao meu Deus?” (Is 40.27, NTLH). 
À luz do que Deus é, como poderia o povo pensar que ele os havia esquecido ou que 
ignorava a situação em que se encontravam? 
A conclusão errada da transcendência de Deus é que Ele é grande demais para 
cuidar; o certo é que Ele é grande demais para falhar (28).131 O Senhor diz que não se 
cansa e que o Seu conhecimento é infinito (v. 28). Uma vez que Deus, ao contrário dos 
ídolos pagãos é eterno e Criador, nunca se cansa (v. 28), Ele pode dar força àqueles que 
estão cansados ou fracos (v. 29 -31). Os israelitas desanimados nunca deveriam 
esquecer quem é Deus! (1) Ele é eterno; (2) Ele é onipotente; (3) Ele é onipresente; (4) 
Ele é onisciente; (5) Ele está sempre atento, e (6) Ele é compassivo. Ele pode fortalecer 
os que esperam por Ele na fé. Esta infusão do poder espiritual faz com que os crentes, 
sejam como (1) uma águia quando está voando, (2) um corredor em uma competição, e 
(3) um andarilho em uma longa caminhada (40.27-31).132 
 
C. Deus é superior em confronto (41.1-7, 21-29) 
Isaías citou as palavras do Senhor durante todo o capítulo 41. O Senhor se dirigiu 
pela primeira vez as nações, em seguida, ao povo de Israel e, finalmente, aos ídolos. 
Todavia, a primeira e terceira parte foram escritas na forma de um confronto. 
 
1. O confronto com as nações (41.1-7). 
“O SENHOR Deus diz: “Povos das nações distantes, calem-se e escutem! 
Renovem as suas forças e venham prontos para defender a sua causa. Vamos nos 
reunir para resolver com quem está a razão” (Is 41.1, NTLH) – O Senhor ordenou as 
 
131 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 656). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
132 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 40.12–31). Joplin, MO: College Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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nações distantes a ouvir, em seguida, reunir a sua força para que pudessem entrar no 
tribunal contra Ele. 
“Quem suscitou do Oriente aquele a cujos passos segue a vitória? (Is 41.2) –
Em seguida, as nações tomaram conhecimento de que Deus levantará um servo do 
Oriente que dominará rapidamente os seus inimigos (v. 2). Esta é a primeira alusão ao 
papel de Ciro, o persa (Is 44.28).133 Essas profecias foram, provavelmente, dadas 
durante o reinado do Rei Ezequias, em torno de 700 a.C. Agora, Isaías profetiza a 
ascensão de Ciro, o persa. O rei Ciro entrou em cena em 549 a.C. quando fez sua primeira 
grande conquista ao superar Creso, rei da Lídia. Então o profeta Isaías está, pelo espírito 
de Deus, olhando para o futuro distante, cerca de 150 anos a partir de seu próprio 
tempo. Entretanto, nesta época, os filhos de Israel, estarão cativos na Babilônia (605-535 
a.C.). E assim o profeta está olhando para o futuro e profetiza que Ciro vai entrar em 
cena e vai ser o único, que abaixo de Deus, libertará o remanescente para que possam 
voltar a cidade de Jerusalém. 
Ciro será um pastor (44.28), ungido por Deus (45.1), uma ave de rapina que não 
podia ser parada (46.11). “Ele pisa em cima de reis como se fossem lama; ele os trata como 
um oleiro que amassa o barro com os pés” (41.25, NTLH). Embora, o rei Ciro não fosse de 
fato um “servo de Deus”, alguém comprometido e temente, ele serviu ao Senhor, 
cumprindo os propósitos de Deus na terra. Deus pode usar os líderes mundiais ainda 
não convertidos para o bem do Seu povo e o progresso de Sua obra (Pv 21.1). Ele 
levantou Faraó no Egito para demonstrar o Seu poder (Rm 9.17), usou o perverso 
Herodes e o covarde Pôncio Pilatos para realizar Seu plano na crucificação de Cristo (At 
4.24-28).134 
Isaías proclamou que ao atravessar o território do leste ao norte da Terra Santa 
(41.25), Ciro levará pânico ao reino da Lídia e as regiões costeiras mais distantes. Ciro 
dominou com grande facilidade territórios em que ele nunca havia estado. Artesãos de 
todos os tipos produzirão novos ídolos a fim de poupá-los do conquistador oriental (v. 
7). Um operário incentiva o outro a ser rápida em terminar o ídolo, de modo a evitar o 
perigo iminente. Porém, nenhum deus feito pelo homem será capaz deter o seu avanço 
(41.5-7). 
 
2. O confronto com os ídolos (41.21-29). 
“Apresentai a vossa demanda, diz o SENHOR; alegai as vossas razões, diz o Rei 
de Jacó” (Is 41.21) – Ao invés de se voltarem para o Senhor quando viram o seu ungido 
Ciro se aproximando, as nações se voltaram para outro deus em busca de socorro e 
fizeram mais ídolos. No entanto, o Rei de Jacó (Deus) desafiou os ídolos das nações a 
provar que eles eram realmente deuses. Mais adiante, Isaías declarou: “Será que algum 
de vocês anunciou que isso ia acontecer, para que nós ficássemos sabendo? Algum deus 
falou disso no passado para que nós disséssemos: ‘Ele tinha razão’? Nenhuma imagem 
anunciou nada a respeito disso, nenhuma nos avisou; não ouvimos vocês dizerem nem uma 
 
133 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 41.1–7). Joplin, MO: College Press. 
134 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted(p. 112). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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só palavra” (Is 41.26, NTLH). Os ídolos não eram incapazes apenas de fazer qualquer 
previsão, mas também, eram incapazes de falar: “Eis que todos são nada; as suas obras 
são coisa nenhuma; as suas imagens de fundição, vento e vácuo” (Is 41.29).135 Os ídolos 
não podiam predizer o futuro, nem podiam castigar ou libertar. Eles eram inúteis (Is 
44.9; Sl 115.2-8; 1Co 8.4; 10.10; Gl 4.8). Nenhum ídolo foi capaz de prever o surgimento 
de Ciro. No entanto, o Senhor havia anunciado esses eventos futuros a Sião, o Seu povo. 
 
“Do Norte suscito a um, e ele vem, a um desde o nascimento do sol, e ele 
invocará o meu nome; pisará magistrados como lodo e como o oleiro pisa o barro” 
(Is 41.25) – Além disso, Ciro é conhecido pelo decreto que emitiu, permitindo que os 
judeus retornassem à sua terra (cf. Ed 1.1-4). Ciro rapidamente e facilmente pisou todos 
os seus inimigos (41.25). O anúncio foi recebido como uma boa notícia. Porém, entre os 
representantes dos ídolos só havia silêncio. 
A vida de Gideão é um bom exemplo de como Deus abomina a idolatria. A 
primeira missão que Deus deu a Gideão não foi atacar os midianitas, mas a idolatria do 
seu povo. Aliás, essa era a razão pela qual o povo de Israel não conseguia enfrentar os 
midianitas. Eles estavam adorando a outros deuses e colocando sua fé em algo que não 
era o Deus verdadeiro. 
Essa foi a primeira batalha de Gideão e, provavelmente, a mais difícil porque em 
seu próprio quintal havia um exemplo de idolatria. Joás, pai de Gideão, aparentemente, 
havia construído um altar a Baal na propriedade dele e, também, um poste-ídolo (v. 26). 
Não era apenas para uso privado da família. Obviamente, servia como o santuário da 
aldeia e pai de Gideão, Joás, atuava como supervisor do culto pagão. 
Deus disse a Gideão para levar um novilho e um boi de sete anos de idade, e usá-
los para derrubar o altar enorme de Baal. O jovem obedeceu, embora com grande 
apreensão. 
“Então, Gideão tomou dez homens dentre os seus servos e fez como o 
SENHOR lhe dissera; temendo ele, porém, a casa de seu pai e os homens 
daquela cidade, não o fez de dia, mas de noite” (Juízes 6.27). 
 
Mais uma vez, a coragem não era uma virtude familiar para Gideão. No entanto, 
ele havia mostrado uma vontade de obedecer ao Senhor, e que era um progresso em sua 
fé. 
Na manhã seguinte, os vizinhos de Gideão, quando viram o que ele havia feito, 
exigiram sua morte, mas seu pai saiu em sua defesa e disse: 
“— Vocês estão defendendo Baal? Se Baal é deus, que ele mesmo se 
defenda. O altar dele é que foi derrubado” (Juízes 6.31, NTLH). 
Daquele dia em diante, os vizinhos passaram a chamá-lo de Jerubaal, que 
literalmente significa “Que Baal se defenda”. Assim, cada vez que o povo olhava para 
 
135 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 114). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Gideão, eles se lembravam da fraqueza da Baal e do poder de Deus. Este valente 
guerreiro ajudou a ver a importância de seguir apenas o único Deus verdadeiro. 
Deus pode usar a nossa coragem em seguir a Jesus para motivar os outros a 
segui-lo também. Deus deu a Gideão esta tarefa para que ele pudesse aprender que antes 
de destruir os midianitas, Baal deveria ser destruído. Deus não tolera nenhum rival. 
Verdadeiramente, grandes soldados seguem apenas UM comandante. 
 
 
C. Superior no compromisso (Is 41.8-20) 
Apesar do flerte de Israel com a idolatria, Deus permaneceu fiel à Sua aliança. Ele 
garantiu ao Seu povo apoio e amor em quatro áreas. 
 
Em primeiro lugar, Deus assegurou a posição do Seu povo. “Mas tu, ó Israel, 
servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo” (Is 41.8) –
Apesar de tudo o que aconteceu (o julgamento em Jerusalém) ou o que acontecerá 
(ascensão de Ciro), os descendentes de Abraão ainda possuíam uma relação única com 
Deus. Os termos “escolhido” e “meu servo” se aplicam a Israel (cf. 2Cr 20.7). Na pessoa 
de Abraão, Deus chamou Israel “das extremidades da terra” (Ur dos Caldeus, At 7.2). 
Assim, o “Servo” de Deus não precisa temer a ascensão de Ciro. O Senhor havia escolhido 
o povo de Israel e, assim, fortalecerá, ajudará e sustentará o Seu com Sua destra fiel (Is 
41.8-10). É interessante que Abraão é chamado de “amigo”. Essa é uma designação ainda 
mais elevada do que “servo” (Jo 15.14-15; Tg 2.23) e fala de uma fidelidade ainda maior. 
Mesmo que o povo de Israel estivesse exilado por causa do pecado e da descrença, eles 
não foram rejeitados por Deus.136 Considerando que a aliança que o Senhor fez com 
Abraão foi incondicional (Gn 15), Seus descendentes não precisavam temer. O Senhor 
continuará sendo o Seu Deus (cf. Is 43.3) e continuará ao lado do Seu povo (cf. 43.5) e os 
fortalecerá (cf. 40.31), os ajudará (cf. 41.13-14) e os preservará. 
 
Em segundo lugar, Deus assegurou o livramento ao Seu povo. “Eis que 
envergonhados e confundidos serão todos os que estão indignados contra ti; serão 
reduzidos a nada, e os que contendem contigo perecerão” (Is 41.11) – Em contraste 
com o povo de Israel, escolhido e preservado, Deus não vai proteger as nações inimigas 
de Israel. A ascensão de Ciro, significará a libertação de Israel. Todas as nações hostis ao 
povo de Deus serão envergonhadas. Os inimigos, finalmente, desaparecerão de cena da 
história. Deus sempre estará presente para apoiar e incentivar o Seu povo. Portanto, 
Israel não precisa ter medo (v. 14). O Santo de Israel será o Seu “Redentor” (goel, em 
hebraico). A palavra “Redentor” significa aquele que tem a obrigação com outro (41.11-
14). Refere-se a um parente próximo que tinha a oportunidade e a responsabilidade de 
 
136 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1094). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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adquirir de volta algo que um parente havia perdido (Rt 2.2). No livro de Rute, o 
resgatador tinha neste caso uma dupla obrigação: resgatar a área de terra que Noemi 
havia posto à venda (Rt 4.3) e casar-se com Rute para assegurar uma descendência a 
Elimeleque (Rt 1.1–5). Assim, o resgatador era responsável por preservar o nome, a 
integridade, a vida, a propriedade e a família do seu parente próximo ou a execução de 
justiça sobre o seu assassino (Rt 4.5).137 
 
“Não temas, ó vermezinho de Jacó...” (v. 14) – A mudança de tom é óbvia, mas os 
intérpretes têm divergido sobre as suas implicações. No Antigo Testamento, a palavra 
“vermezinho” (tôlāʿ, em hebraico), muitas vezes simboliza a fragilidade e insignificância 
do homem (Jó 25.6; Is 41.14).138 Trata-se das de uma referência ao desprezo que as 
nações ímpias sentiam por Israel; esse mesmo termo de maneira semelhante para o 
Messias na cruz (Sl 22.6). Assim, essa expressão é mais compreensível como um 
lembrete para Israel como advertência para não ter medo, mesmo que sejam apenas 
erva, flores silvestres ou um vermezinho.139 Para Calvino, a palavra “verme” pode ser 
entendida como um lamento pela condição vergonhosa do povo, e também, um incentivo 
para valorizar a esperança.140 
 
Em terceiro lugar, Deus assegurou a vitória ao Seu povo. “Eis que farei de ti 
um trilho cortante e novo, armado de lâminas duplas; os montes trilharás, e moerás, 
e os outeiros reduzirás a palha” (Is 41.15). Após a libertação através de Ciro, Israel se 
tornará uma máquina de debulhar trigo. Esse instrumento era puxado por bois sobre a 
eira, a fim de libertar as sementes do grão, a casca. Montanhas de grãos (as nações) 
serão trilhadas por Israel. Enquanto o vento sopra essas cascas inúteis para longe, e o 
povo de Israel se alegrará no Senhor (41.16). 
 
Em quarto lugar,Deus assegurou ao Seu povo de Sua disposição. “Os aflitos 
e necessitados buscam águas, e não as há, e a sua língua se seca de sede; mas eu, o 
SENHOR, os ouvirei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei” (Is 41.17). Quer sejam 
atingidos, carentes ou sedentos, Deus responderá às orações do Seu povo. Ele lhes dará 
abundância de águas e transformará seus desertos em florestas. Deus fará com que 
árvores (sete tipos são mencionados) cresçam no deserto enquanto que normalmente a 
maioria dessas árvores cresce somente em áreas férteis.141 Deus pode tomar o mais 
árido deserto, e torná-lo uma floresta. Água abundante na literatura profética é uma 
 
137 Vine, W. E., Unger, M. F., & White, W., Jr. (1996). Vine’s Complete Expository Dictionary of Old 
and New Testament Words. Nashville, TN: T. Nelson. 
138 Youngblood, R. F. (1999). 2516 תלע. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, 
Orgs.)Theological Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press. 
139 Watts, J. D. W. (1998). Isaiah 34–66 (Vol. 25, p. 105–106). Dallas: Word, Incorporated. 
140 Calvin, John Calvin. Commentary on Isaiah - Volume 3, Grand Rapids, MI: Christian Classics 
Ethereal Library, p. 160. 
141 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1094–1095). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
77 
 
figura para a bênção espiritual; e a vegetação exuberante, a provisão do povo de Deus 
(41.17-20). Certamente Isaías também estava olhando além do retorno da Babilônia 
para o reino futuro, quando “O deserto se alegrará, e crescerão flores nas terras secas” (Is 
35.1, NTLH).142 
 
“para que todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam que a 
mão do SENHOR fez isso, e o Santo de Israel o criou” (Is 41.20) – Esse versículo 
resume a visão do profeta. Ele olha para o céu e diz que Deus criou as estrelas e as 
colocou no espaço (Is 40.22). Ele olha para a história de Israel a partir do século VIII em 
diante, as invasões da Assíria, a queda de Samaria e, finalmente, a queda de Jerusalém e 
diz: O Senhor planejou e o fez (cap. 1-39). Ele olha para a ascensão da Assíria, a sua 
queda, e agora o surgimento da Pérsia, e diz o Senhor fez isso (capítulos 7-10, 41.2).143 
Em tudo isso, a profecia vê o plano e o propósito do Senhor, e convida a todos os crentes 
a fazerem o mesmo. 
 
Conclusão: 
Isaías 41 foi escrito para dar ao povo de Israel coragem e confiança em meio a 
circunstancias difícil. Além disso, foi escrito também para nos dar a bendita segurança 
de que quando colocamos a nossa confiança em Deus, experimentamos a Sua presença e 
a alegria da vitória sobre nossos inimigos. 
A grande lição que encontramos no capítulo 41 pode ser resumida na forma como 
Paulo coloca em Romanos: “Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, 
quem será contra nós?” (Rm 8.31). 
Aos 27 anos, o artista holandês Rembrandt pintou a paisagem de “Cristo na 
Tempestade” no Mar da Galiléia baseado na história em Marcos 4. Com o seu contraste 
distintivo de luz e sombra, a pintura de Rembrandt mostra um pequeno barco ameaçado 
de destruição em uma tempestade furiosa. Enquanto os discípulos lutavam contra o 
vento e as ondas, Jesus permanecia tranquilo. No entanto, o aspecto mais inusitado, é a 
presença no barco de um 13º discípulo a quem dizem os especialistas em arte 
assemelha-se a Rembrandt.144 
Também poderíamos nos colocar nessa história e descobrir, assim como os 
discípulos, que, para cada pessoa que confia em Jesus Cristo, Ele revela Sua presença, 
compaixão e controle em todas as tempestades da vida. 
Por que confiar nos ídolos? Por que confiar em qualquer outro deus que não seja 
o Deus verdadeiro que enviou Jesus Cristo? Não há esperança em nenhum outro. 
 
 
142 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 113–114). Wheaton, IL: Victor Books. 
143 Watts, J. D. W. (1998). Isaiah 34–66 (Vol. 25, p. 107–108). Dallas: Word, Incorporated. 
144 http://odb.org/2014/04/29/christ-in-the-storm/ 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
78 
 
Isaías 42.1-4 
O Servo de Deus. 
 
Introdução: 
Como um arauto solitário diante de um povo desesperado, no capítulo 42, Isaías 
começa com um chamado: “Eis aqui o meu servo...” (Is 42.1). A palavra “Eis” (hen, em 
hebraico) é uma interjeição e serve para exprimir de modo enérgico e conciso um 
sentimento, uma emoção ou uma ordem. A palavra significa “veja!”, “certamente!”, 
“agora!” ou “oh!”.145 A palavra era utilizada, também, para chamar a atenção para algum 
fato ou para a conclusão de um assunto. 
É interessante que essa mesma palavra havia sido utilizada no capítulo anterior 
quatro vezes (Is 41.11, 15, 24, 29). Mas nos últimos seis versículos do capítulo 41, a 
palavra “Eis” aparece duas vezes (v. 24 e 29). Porém, nesses dois versículos, essa 
interjeição chama a atenção para a idolatria. Assim, o contexto imediato de Isaías 42 é 
sobre a idolatria de Israel. E, em resposta, vem à profecia sobre o Servo de Deus. Então, 
Isaías usa as palavras: “Eis que” para chamar a atenção para o problema da idolatria em 
Israel. E agora, no capítulo 42, ele usa a palavra: “Eis que” para chamar a atenção para a 
solução, para onde realmente o povo de Israel deveria depositar sua esperança e 
confiança - não em ídolos, mas no Deus vivo. Assim, o Servo é a promessa, a solução e a 
resposta para o problema da idolatria de Israel. 
Em Isaías 42, Deus graciosamente fala de um Servo que realmente é capaz de 
fazer todas as coisas que Israel procura nos ídolos e não encontra. O profeta Isaías nos 
apresenta quatro características do caráter e a função do Servo de Deus nesta passagem. 
 
I. Um Servo escolhido por Deus 
“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha 
alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os 
gentios” (Is 42.1) – O capítulo 42 começa com o primeiro dos cinco poemas em que o 
foco está sobre aquele que é chamado de Servo de Deus (Is 42; 49.1-6; 50.4-9; 52.13-
53.12; Is 61). 
A linguagem é pessoal, levando à conclusão de que o profeta estava prevendo o 
surgimento de um único indivíduo. As declarações nos versículos 1-4 sugerem que aqui 
o Servo seja o Messias.146 Tão certo como o Senhor levantará Ciro como um libertador 
temporal, para Judá, Ele levantará o Messias que libertará todo o Seu povo. E Ele o fez. O 
 
145 Brown, F., Driver, S. R., & Briggs, C. A. (2000). Enhanced Brown-Driver-Briggs Hebrew and 
English Lexicon. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems. 
146 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1095). Wheaton, IL: Victor Books. 
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Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
79 
 
Deus que soberanamente governa, enviou o Seu Servo, Jesus Cristo, para estabelecer Seu 
reino para sempre. 
Seria difícil para Judá pensar em tal promessa devido às ameaças do exílio. No 
entanto, as promessas de Deus nunca falham; elas não são baseadas em nossas 
circunstâncias, mas em decretos eternos de Deus. O Senhor enviou o Seu Servo (ʿebed, 
em hebraico) para ser o nosso Libertador.147 Observe três lições a respeito deste Servo: 
 
 “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha 
alma se compraz...” (Is 42.1) – O Senhor Deus se identifica com o Servo – “Meu Servo”. 
Este Servo é designado por Deus, escolhido por Deus e sustentado por Deus. 
 
 “... a quem sustenho” – Deus vai “sustentar” o Ungido, de tal forma que colocará 
toda a carga sobre Ele, como mestres geralmente fazem com seus servos fiéis; é uma 
prova de fidelidade extraordinária, que Deus o Pai vai entregar tudo a Ele, e vai colocarna Sua mão o Seu próprio poder e autoridade (Jo 13.3, 17.10).148 A palavra “suster” 
significa “agarrar, segurar com firmeza”. O verbo também é usado da ordem soberana de 
Deus dos assuntos da história. Ele traz julgamento, quando necessário (Am 1.5, 8) até 
envia Seu servo (Is 42.1). Da mesma forma no Salmo 16, Deus “sustenta” o Messias (Sl 
16.5).149 
 
“... Meu escolhido” – Nesta passagem, a palavra “escolhido” significa “excelente”, 
como em muitas outras passagens; para os que estão na própria flor da idade são 
chamados de jovens escolhidos (1Sm 26.2 e 2Sm 6.1).150 Jeová, portanto, o chama de 
“um servo excelente”, porque traz a mensagem de reconciliação, e todas as Suas ações 
são dirigidas por Deus. Ao mesmo tempo Ele demonstra Seu amor imerecido, pelo qual 
nos abraçou, em Seu Filho unigênito, para que em Cristo, pudéssemos contemplar uma 
exposição ilustre da eleição pela qual fomos adotados na esperança da vida eterna. 
 
 “... Em quem a minha alma se compraz...” (Is 42.1) – Além disso, Deus se 
deleita neste Servo. Você pode ter um empregado ou alguém que presta um serviço 
específico. Você pode até apreciar o trabalho deste funcionário, mas isso não significa 
 
147 O uso mais importante do termo “servo” é como uma designação messiânica, o mais 
proeminente, termo técnico pessoal para representar o ensino do Antigo Testamento sobre o 
Messias. As passagens centrais de ensino sobre este tema encontram-se nos últimos vinte e sete 
capítulos de Isaías. Kaiser, W. C. (1999). 1553 ָעַבד. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, 
Orgs.)Theological Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press. 
148 Calvin, John Calvin. Commentary on Isaiah - Volume 3, Grand Rapids, MI: Christian Classics 
Ethereal Library, p. 175. 
149 Patterson, R. D. (1999). 2520 ָּתַמך. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological 
Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press. 
150 Vine, W. E., Unger, M. F., & White, W., Jr. (1996). Vine’s Complete Expository Dictionary of Old 
and New Testament Words. Nashville, TN: T. Nelson. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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intimidade ou amizade verdadeira. Todavia, isso não acontece com o Servo de Deus. 
Isaías diz que o Servo foi escolhido por Deus, Ele foi chamado por Deus para fazer uma 
tarefa muito importante, mas o Senhor usa uma linguagem muito poderosa sobre Ele. 
Olhe o que Ele diz - “... Em quem a minha alma se compraz...” (Is 42.1). Em outras palavras 
é como se Deus dissesse: “Aqui está à solução, Israel. Vou dar-lhe o meu Servo em quem 
a minha alma se deleita”. O Senhor tem prazer neste Servo. Ele se alegra com a vida do 
Servo. Os escritores do Novo Testamento reiteraram isso quando registraram as 
ocasiões de Deus expressando Sua alegria no Filho, Jesus Cristo. 
No batismo de Cristo, a voz veio do céu dizendo: “Este é o meu Filho amado, em 
quem me comprazo” (Mt 3.17). O batismo de Jesus recebeu a autenticação do céu. 
Todas as Pessoas da Trindade estiveram presentes no evento: o Pai, que falou do Filho, o 
Filho que estava sendo batizado e o Espírito que desceu sobre o Filho como uma pomba. 
Ele também estava de acordo com a profecia de Isaías que o Espírito repousaria sobre o 
Messias (Is 11.2). Quando iniciou o ministério, o Filho foi aprovado pelo Pai; Ao se 
aproximar da cruz (Mt 17.5), Ele recebeu elogios novamente. 
Na Transfiguração a voz foi ouvida novamente: “Este é o meu Filho amado, em 
quem me comprazo; a ele ouvi” (Mt 17.5). A autenticação celestial, a voz de Deus foi 
tão impactante que anos mais tarde, quando Pedro escreveu sua segunda epístola, ele se 
referiu a este evento (2Pe 1.16-18).151 
Em seguida, a voz do céu, afirmou o prazer de Deus com o sacrifício perfeito do 
Filho: “Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e 
ainda o glorificarei” (Jo 12.28). O Pai falou do céu com uma voz de trovão, confirmando 
Sua obra em Jesus, tanto no passado quanto no futuro. A voz era audível, mas nem todos 
entenderam (cf. v 30, At 9.7; 22.9).152 E, de fato, na ressurreição o Pai exibiu Seu prazer 
perfeito no Filho quando Ele “foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai” (Rm 
6.4), de modo que “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o Nome que está acima de todo 
nome” (Fp 2.9). De fato, o Senhor se deleita neste Servo. 
 
“... Pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios” 
(Is 42.1) – Encontramos o Espírito Santo trabalhando de várias maneiras na vida do 
Servo de Deus, Jesus Cristo. 
1. Na concepção do Filho no ventre de Maria, foi-lhe dito: “Descerá sobre ti o 
Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, 
também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). 
 
2. No Seu batismo o Espírito Santo desceu sobre Cristo “Como uma pomba” (Mt 
3.16). 
 
 
151 Barbieri, L. A., Jr. (1985). Matthew. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 2, p. 60). Wheaton, IL: Victor Books. 
152 Blum, E. A. (1985). John. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 2, p. 318). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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3. O Espírito, em seguida, levou Jesus para o deserto, onde nosso Senhor 
enfrentou as tentações mais fortes que Satanás poderia arremessar. Ao 
contrário do primeiro Adão, que sucumbiu à tentação de Satanás, o segundo 
Adão perfeitamente resistiu ao diabo e permaneceu sem pecado (Mt 4.1-
11). 
 
4. Em Seu ministério público, Jesus demonstrou regularmente que o Espírito 
Santo estava sobre Ele. Lucas nos diz que Cristo voltou do deserto “para a 
Galiléia no poder do Espírito Santo” (Lc 4.14). Os demônios se sujeitaram a 
Ele; assim como todas as enfermidades e os efeitos da queda que haviam 
atormentado os homens desde que o pecado entrou no mundo e trouxe 
consigo um grande sofrimento. 
 
5. Finalmente, em Sua morte, ressurreição e ascensão, encontramos o Espírito 
trabalhando de uma forma única. Foi através do Espírito eterno que Ele “se 
ofereceu sem mácula a Deus” (Hb 9.14). Pedro nos diz que Cristo foi 
condenado à morte na carne “mas vivificado pelo Espírito” (1Pe 3.18). Então 
Cristo subiu de volta ao Pai, depois de ter recebido a promessa do Espírito, e 
assim derramou o Seu Espírito sobre a Igreja como Seu dom de ascensão 
para os remidos (At 2.33). 
 
É através do ministério do Servo que Deus concretizará Seu grande plano de 
salvação. Deus o escolheu, sustentou e permitiu que Ele tivesse sucesso em Sua missão. 
Na cruz, o Senhor Jesus Cristo pagou o preço (o seu próprio sangue; 1Pe 1.18-19) para 
resgatar os homens de cada tribo (descendência), língua (linguagem), povo (raça) e 
nação (cultura) do mercado de escravos do pecado (cf. 1Co 6.20, 7.23, Gl 3.13; Ap 7.9, 
11.9, 13.07, 14.6). 
Um dia toda criação se juntará para adorar o Cordeiro de Deus (Ap 5). É 
maravilhoso saber que a história não é tão assustadora como parece. Seja o que for que 
enfrentemos, podemos descansar seguros com aquele que dá sentido e esperança, “o 
Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi”. O povo de Deus pode celebrar ainda na que na 
terra a vitória já decretada no céu. Um dia vamos fazer parte de um grande coral 
celestial. 
 
II. O trabalho do Servo 
“... Pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios” 
(Is 42.1b) – O Servo vai estabelecer a justiça, ao contrário da liderança infiel e injusta de 
Israel. Este servo vai governar com fidelidade e justiça. Israel e Judá haviam visto muitos 
profetas, sacerdotes e reis. Alguns realizaram fielmente seus ofícios; outros não, levando 
o povo a idolatria. Alguns abusaram dos Seus ofícios ao maltratarem as pessoas que eles 
foram chamados para servir. No entanto, issonão pode ser dito do Servo de Deus, Jesus 
Cristo. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Três vezes nesses quatro versículos, encontramos a palavra “direito”. A repetição 
enfatiza a certeza de que o Servo de Deus vai fazer. “Ele promulgará o direito para os 
gentios” (Is 42.1). O que Ele quer dizer com “direito” (justiça)? A palavra “direito” 
(mishpat, em hebraico) significa decidir casos de controvérsia como juiz em processos 
civis, nacionais e religiosas. Em tais casos, era dever do juiz especificamente julgar com 
mispat (justiça, ver Sl 72.2-4), “eles devem justificar os justos e condenar os ímpios” (Dt 
25.1).153 
Assim, o significado de justiça em Isaías 42.1-4, não é nada menos do que colocar 
os planos de Deus para o Seu povo em todos os Seus efeitos, e tornar a verdade sobre o 
Senhor, o Deus de Israel, conhecido em toda parte, especialmente o fato de que apenas 
Ele é o criador soberano e Senhor da história. Não é nada menos do que a salvação de 
Deus definida no Seu sentido mais amplo. Na linguagem do Novo Testamento, a justiça 
refere-se à obra de Cristo no evangelho pelo qual foi estabelecida a justiça eterna para as 
nações por meio da cruz de Cristo. 
 
 “... Ele anunciará a minha vontade a todos os povos” (Is 42.1b, NTLH) – Essa 
justiça inclui a libertação do pecado. Mas como é que Ele faz isso? Logo visualizamos a 
imagem de um rei conquistador, que era, certamente, a ideia principal que os judeus 
tinham do Messias. Ele será um rei poderoso que levará suas tropas poderosas e 
derrotará Seus inimigos. Mais tarde, Ciro fará exatamente isso em nome dos judeus 
capturados e exilados, quando o rei persa libertará os judeus de seus captores 
babilônicos. 
 
“Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça” (Is 42.2) – 
Porém, ao contrário dos conquistadores estrangeiros, o Servo de Deus não surgirá 
gritando Seus decretos nas ruas, nem esmagará os oprimidos ou desencorajados. Os 
conquistadores usam o poder para esmagar, o Servo de Deus será radicalmente 
diferente. Ele será compassivo e manso. 
Nunca encontraremos autopromoção ou autoengrandecimento ou manipulação 
no ministério de Cristo. Mesmo na entrada triunfal em Jerusalém Ele cavalga sobre um 
jumentinho em vez de um cavalo real (Mt 21). Ele disse aos que estavam cansados: 
“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e 
achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 
11.29-30). 
Sem gritar ou dar ordens, Jesus veio em silêncio e com humildade, como o 
Salvador dos pecadores. Mesmo em Sua morte, Ele não lutou, não reclamou nem mesmo 
chamou a atenção para Si. O último dos Cânticos do Servo coloca isso dessa forma: “Ele 
foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; 
 
153 Culver, R. D. (1999). 2443 ָׁשַפט. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological 
Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is 53.7). Jesus 
calmamente e gentilmente abraçou a cruz em nosso nome. 
Agora, essa não é a última vez que esse assunto aparece na Bíblia. Mateus cita 
essa passagem no capítulo 12 do seu Evangelho. Os fariseus conspiravam contra Jesus, 
procurando tirar-lhe a vida. Porém, em resposta a isso, Jesus foi embora, e muita gente o 
seguiu. Ele curou todos os que estavam doentes e mandou que não contassem nada a 
ninguém a respeito dele (Mt 12.15). Em outras palavras, Ele não entrou em uma 
discussão com os fariseus, Ele não entrou em uma briga com eles, Ele não tentar 
promover-se sobre os Seus planos, Ele simplesmente retirou-se e disse aos Seus 
seguidores que não contassem nada a ninguém. E isso traz a mente de Mateus o que 
disse o profeta Isaías. Veja o versículo 17: “para se cumprir o que foi dito por intermédio 
do profeta Isaías: Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem a minha alma 
se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos gentios” (Mt 
12.17-18). Mateus está dizendo que Jesus é a concretização da promessa de Isaías 42. 
Jesus é a resposta para o problema da idolatria. Jesus é a resposta de Deus. 
 
III. A compaixão do Servo 
“Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em 
verdade, promulgará o direito” (Is 42.3) – Depois de ter declarado, em geral, de que 
Cristo será diferente dos príncipes da terra, Isaías menciona Sua brandura ao sustentar 
o fraco e o cansado. 
 
“Não esmagará a cana quebrada...” – A palavra “cana” (pishteh, em hebraico) 
significa linho (referindo-se à planta).154 A cana é uma haste alta, ou uma planta com 
caule oco, geralmente, encontrada em área alagadiça ou junto a manancial de água. É 
uma planta flexível, então pode se dobrar facilmente quando atacada por fortes ventos 
ou água corrente. A “cana” ou “galho” poderia ser utilizado como “vara”. Mas uma vez 
que estivesse “quebrada” ou “esmagada” não teria nenhuma utilizada nas mãos de um 
pastor. 
 
“... nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito” (Is 
42.3) – “... nem apagará a luz que já está fraca” (NTLH). A torcida é um pavio que 
queima com fogo fraco por falta de combustível e está prestes a expirar.155 Essa 
metáfora é da mesma importância que a anterior. A imagem do caniço 
quebrado/rachado e o pavio fumegante são destinados a significar algo fraco, algo que 
não está funcionando como deveria. 
 
154 Swanson, J. (1997). Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains : Hebrew (Old 
Testament). Oak Harbor: Logos Research Systems, Inc. 
155 Freeman, J. M., & Chadwick, H. J. (1998). Manners & customs of the Bible (p. 361). North 
Brunswick, NJ: Bridge-Logos Publishers. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Entretanto, o nosso Salvador é compassivo. Ele não abandona os fracos, e 
quebrados. Ninguém é digno dEle; todavia, o Seu objetivo não é encontrar os que são 
dignos, mas aqueles que estão desesperados, impotentes e necessitados. Aqueles que 
não podem oferecer nada a Deus. Ele veio para redimir os pecadores. Ele veio para as 
pessoas fracas e indefesas. O ministério de Cristo foi direcionado para aqueles que 
percebem que têm uma necessidade: Apenas pessoas doentes precisam de médico (Mt 
9.12). 
Quando leio essas palavras várias imagens surgem na minha mente, mas uma 
delas é o encontro de Jesus com a mulher que havia sido apanhada em adultério. Ela 
estava tão perto de ser apedrejada até a morte por um grupo de fariseus, mas estava 
ainda mais perto de perder a presença de Deus por toda a eternidade por causa do seu 
pecado. E Jesus não a desprezou. Pelo contrário, Ele disse: “Mulher, onde estão aqueles 
teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse 
Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.] (Jo 8.10-11). 
Jesus a libertou de sua escravidão e da condenação de uma vida de pecado e a 
colocou no caminho da retidão e da bênção. Ele não esmagou a cana quebrada, nem 
apagou a torcida que fumega (Is 42.3). 
 
IV. A força do Servo 
 “Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as 
terras do mar aguardarão a sua doutrina” (Is 42.4) – Embora Ele seja manso 
aprendemos no versículo 4, que Ele não é fraco. Embora possamos ser “feridos” o Servo 
não será “esmagado”. Embora fiquemos desesperados, o Servo não fica “desanimado”. O 
que nos afeta por causa do pecado não O afeta. 
 
“... até que ponha na terra o direito” (Is 42.4) – Ele fielmente trará justiça 
(direito). Nada pode detê-lo. Apesar de todos os exércitos do inferno procurar derrotá-
Lo, ninguém foi capaz. Ele fielmente concretizou o plano redentor de Deus quando se 
levantouem nosso lugar diante da ira de Deus e sentiu os golpes do julgamento divino 
sobre nós. É por isso que Paulo declarou aos crentes de Filipos: “Estou plenamente certo 
de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” 
(Fp 1.6). O que Deus começa, Ele termina! 
 
“... E as terras do mar aguardarão a sua doutrina” (Is 42.4) – Israel tinha um 
problema grave ao pensar que Deus era para eles e apenas eles. Mas a justiça da 
salvação não era apenas para Israel, mas “para as nações”. A última frase expressa essa 
verdade poeticamente, “e as terras do mar aguardarão a sua doutrina” (ou Sua instrução, 
como Calvino aponta, em última análise se refere ao evangelho).156 “As terras do mar” 
 
156 Calvin, John Calvin. Commentary on Isaiah - Volume 3, Grand Rapids, MI: Christian Classics 
Ethereal Library, p. 178. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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implica os confins da terra. É o que João descreve a identificar a obra redentora de Cristo 
para as pessoas “de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Nenhum grupo será 
deixado de fora da obra redentora de Cristo. Esse é o poder da morte de Cristo e esse é o 
alcance do Seu amor e misericórdia. 
 
Conclusão: 
Em Isaías 42, Deus anuncia o Seu caminho de salvação e libertação, não apenas 
para Israel, mas para as nações. Ele enviará o Seu Servo, que será capacitado e orientado 
pelo Seu Espírito. Ele vai estabelecer a justiça na terra e trazer a salvação, mesmo para 
os gentios. Somente o único e verdadeiro Deus verdadeiro e poderoso poderia anunciar 
algo tão notável e, em seguida, concretizá-lo. 
Charles Colson é conhecido em todo o mundo como o fundador da Prison 
Fellowship Ministries. O primeiro livro de Colson, Born Again, conta a dramática história 
de sua conversão depois de ter sido condenado à prisão por seu papel no escândalo de 
Watergate, durante a administração de Richard Nixon. Charles Colson era o conselheiro 
chefe do presidente norte-americano entre 1969 e 1973. Investigações sobre seu 
envolvimento no caso Watergate, criaram uma grave crise política. 
Alguns meses mais tarde, Charles Colson foi preso e condenado a três anos de 
prisão federal. Neste intervalo, converteu-se ao cristianismo e mudou radicalmente sua 
vida. Após sete meses de prisão, Colson sai em condicional e passa a se dedicar a 
promover assistência social e espiritual a presidiários, fundando a organização Prison 
Fellowship Ministries. 
Enquanto estava na prisão, Colson foi defendido pelo senador Harold Hughes, um 
crente que se ofereceu para pagar a sentença de Colson. Porém, o juiz recusou, mas 
Colson foi profundamente impactado pelo exemplo da liderança servidora que viu em 
Hughes. 
Charles Colson nunca tinha visto um sacrifício amoroso durante seus anos nos 
círculos internos do poder político. Talvez seja porque o conceito de liderança servidora 
não se originou na Terra. Ela veio direto do céu na pessoa de Jesus, o Messias, que “não 
veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10.45). Jesus não criou um alvoroço, por assim 
dizer, Ele restaurou a mais quebrada das vidas. Ele foi o cumprimento das promessas da 
aliança de Deus com Israel, e Ele trouxe luz aos gentios. Não é de admirar que Mateus 
citou Isaías 42 ao se referir ao Senhor Jesus (Mt 12.18-21). 
É interessante que o símbolo de Prison Fellowship é um caniço quebrado de Isaías 
42.3. Essa passagem é uma lembrança maravilhosa de que Jesus Cristo pode restaurar 
vidas quebradas. 
Todos nós estamos quebrados em algum grau. Onde você se sente mais fraco e 
inadequado em sua vida no serviço para Cristo? Esse é o lugar onde Ele deseja mostrar-
lhe o Seu poder. Ele pode trocar a sua fraqueza por Sua força hoje. 
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Isaías 44-45 
Ciro, um instrumento nas mãos de Deus. 
 
Introdução: 
O fato de Deus ser o Senhor da história, implica que tudo o que ocorre serve a Seu 
propósito, seja de uma forma ou de outra. Nações e governantes estão completamente 
nas mãos de Deus que, até mesmo, pode chamar o rei Ciro, de Seu pastor e ungido (Is 
44.28; 45.1).157 O Senhor não precisa que as pessoas O conheçam ou reconheçam Sua 
existência a fim de que possam servi-Lo. Todas as criaturas lhe estão sujeitas. 
Deus havia anunciado três vezes, até agora, a sua intenção de levantar um 
libertador gentio para o Seu povo (41.2-5; 41.25; 43.14). Em uma das previsões mais 
extraordinárias da Bíblia, Isaías profetiza, cerca de 150 anos antes, o reinado de Ciro no 
cenário da história. 
 
I. O comissionamento de Ciro (Is 44.24-28) 
“Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e 
sozinho espraiei a terra” (Is 44.24) – O Redentor de Israel, o todo-poderoso é o único 
que (1) Formou Israel no ventre da escravidão no Egito (Is 44.24); e (2) Criou os céus e a 
terra (Is 44.24); (3) Frustrou os presságios dos adivinhos (Is 44.25); (4) Concretiza Sua 
palavra. Esse Deus todo-poderoso, que pode secar oceanos e rios, anunciou Sua intenção 
de restaurar as cidades de Judá que seriam deixadas em ruínas pelos caldeus (Is 44.26-
27). Aqueles que disseram que Deus não poderia libertar o Seu povo da Babilônia serão 
envergonhados quando as previsões fossem cumpridas.158 O agente humano por meio 
do qual essa promessa será cumprida é especificamente nomeado. Ciro tornará possível 
a restauração de Jerusalém e do Templo (Is 44.28). 
 
“Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz” (Is 44.28) – É curioso notar 
que Ciro, um rei pagão, tornou-se instrumento de Deus para realizar algo de bom para o 
povo de Deus. Jerusalém havia caído para a Babilônia e enfrentou 70 anos de cativeiro. O 
Senhor prometeu através de Jeremias, o profeta, que eles voltariam para Judá um dia. 
Ora, aquele dia estava chegando nos planos do Senhor. 
Esta não foi a única vez que o Senhor usou um rei pagão para avançar o Seu reino. 
Outros exemplos são Faraó e José, muito mais tarde, Faraó e Moisés. Já o rei 
Nabucodonosor foi o instrumento do julgamento de Deus (Dn 1.1). Agora Ciro é 
 
157 HOEKAMA, Anthony. A Bíblia e o futuro. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 220. 
158 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1099). Wheaton, IL: Victor Books. 
11 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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chamado de pastor, porque ele seria usado para cuidar do povo de Deus. Como são 
surpreendentes os pensamentos e os planos do nosso Deus! (Jr 29.11). 
 
II. O sucesso de Ciro (Is 45.1-8) 
“Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, 
para abater as nações ante a sua face, e para descingir os lombos dos reis, e para 
abrir diante dele as portas, que não se fecharão” (Is 45.1) – O texto diz que Ciro era o 
ungido do Senhor. A palavra “ungido” é uma referência aos dois primeiros reis de Israel, 
Saul e Davi, que foram ungidos por Deus (1Sm 10.1, 16.6). Desde que Israel no exílio não 
tinha rei, Ciro funcionava como o seu rei (o ungido) para trazer bênção. A palavra 
“ungido” significa, literalmente, “Messias”. Assim, Ciro terá uma dupla missão: libertar o 
povo, e trazer o julgamento de Deus sobre os descrentes.159 “A quem tomo pela mão 
direita” – Ou seja, foi Deus quem conduziu Ciro em tudo. Não foi uma obra isolada de 
Deus, mas uma obra realizada a dois. Ciro foi chamado para fazer o que Deus havia 
determinado em prol de Judá e contra os inimigos de Judá, os babilônicos. 
Ciro (o Grande) assumiu o trono em 559 a.C. Ele foi criado por um pastor depois 
que o seu avô, Astiages, rei dos Medos, ordenou que ele fosse morto. Aparentemente, 
Astiages havia sonhado que Ciro o sucederia como rei antes da morte do monarca. O 
oficial encarregado da execução, ao invés de assassiná-lo, levouo menino para as colinas 
e o entregou aos pastores.160 Quando adulto, Ciro organizou um exército persa (até 
então um povo tributário dos Medos) e se revoltou contra o seu avô e pai (Cambises I). 
Ele os derrotou e conquistou o trono. Um de seus primeiros atos como rei de Medo-
Persa foi lançar um ataque contra Lídia, capital de Sardes e saquear as riquezas do seu 
rei, Creso. Voltando-se para o leste, Ciro continuou sua campanha até conquistar um 
vasto império, que se estendeu desde o Mar Egeu até a Índia. 
Em 539 a.C., Ciro conquistou a Babilônia. Em uma noite de 5/6 de outubro de 539 
a.C., Ciro acampou em volta da Babilônia com seu exército. Enquanto os babilônicos 
festejavam, Ciro desviou as águas do Rio Eufrates. Eles atravessaram o rio com a água na 
altura da cintura e entraram sem lutar, visto que os portões estavam abertos.161 Em 
seguida, os registros bíblicos informam que Ciro ordenou que os Judeus voltassem à 
Palestina (Ed 1), pondo fim ao período do cativeiro Babilônico. Ciro permitiu que os 
judeus exilados voltassem e reconstruíssem o templo em Jerusalém (2Cr 36.22-23; Ed 
1.1-4). Ciro também ofereceu aos judeus uma concessão real para a reconstrução do 
templo (3.7). 
Entretanto, o sucesso arrebatador de Ciro deve ser atribuído ao Senhor. A 
tradição judaica relatada por Josefo registra que o grande rei tomou conhecimento das 
 
159 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1099–1100). Wheaton, IL: Victor Books. 
160 Mitchell, M. (2003). Cyrus. In (C. Brand, C. Draper, A. England, S. Bond, E. R. Clendenen, & T. C. 
Butler, Orgs.)Holman Illustrated Bible Dictionary. Nashville, TN: Holman Bible Publishers. 
161 Wiseman, D. J. (1996). Cyrus. In (D. R. W. Wood, I. H. Marshall, A. R. Millard, & J. I. Packer, 
Orgs.)New Bible dictionary. Leicester, England; Downers Grove, IL: InterVarsity Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
88 
 
profecias depois que havia conquistado a Babilônia em 539 aC.162 Embora Ciro tenha 
sido uado pelo Senhor para proclamar o decreto e a libertação dos judeus (Ed 1.2), o 
Cilindro de Ciro, que registra os feitos do rei, incluindo a captura da Babilônia e a 
libertação dos exilados judeus, atribuiu suas vitórias a Marduque, o deus da Babilônia. A 
Escritura afirma claramente que Ciro era um incrédulo (Is 45.4).163 
Nada se sabe sobre a morte de Ciro. Provavelmente, o historiador grego Heródoto 
estava certo ao indicar que Ciro morreu em um terrível desastre que atingiu o exército 
persa enquanto lutavam com o massagetas (uma tribo dos desertos do sul de Khwarezm 
e Kum Kyzyl na porção sul da região de estepes dos atuais países do Cazaquistão e o 
Uzbequistão). O túmulo de Ciro ainda pode ser visto em Pasárgada no Irã.164 
Ciro cumpriu a vontade do Senhor. O povo de Deus havia se rebelado contra a 
vontade do Senhor. Ciro, no entanto, é descrito como fazendo a vontade de Deus. Como é 
maravilhoso ver que o Senhor fará o que for preciso e usará quem Ele quer para 
concretizar os Seus planos. 
 
“Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço 
todas estas coisas” (Is 45.7) – É interessante que os propósitos redentores de Deus são 
cumpridos através da atividade de um homem ímpio. Ciro, o rei da Pérsia derrotou 
violentamente os babilônicos, e conduziu de volta os exilados e ordenou a reconstrução 
de Jerusalém. Todavia, ele não teria feito nada disso sem o concursus de Deus.165 Foi uma 
boa obra feita por um homem ímpio. 
Tudo o que poderia ser feito para e por Ciro foi feito por duas razões. Em 
primeiro lugar, Deus usou este rei pagão para trazer libertação a “Jacó, meu servo”. Em 
segundo lugar, o trabalho que Ciro realizou foi projetado para convencer todas as 
pessoas que somente o Senhor é Deus. Somente Ele governa o universo. Seja através de 
sua ação direta ou Sua vontade permissiva, tudo o que acontece deve ser atribuída a 
(45.4-8). 
 
III. A perfeição do plano de Deus (Is 45.9-25) 
“Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro 
entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua 
obra não tem alça” (Is 45.9) – Os versículos restantes do capítulo 45 defendem o plano 
de Deus para utilizar Ciro. O chamado do rei persa seria o primeiro passo de um longo 
 
162 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 45.1–8). Joplin, MO: College Press. 
163 Hughes, R. B., & Laney, J. C. (2001). Tyndale concise Bible commentary (p. 167). Wheaton, IL: 
Tyndale House Publishers. 
164 Elwell, W. A., & Comfort, P. W. (2001). In Tyndale Bible dictionary. Wheaton, IL: Tyndale House 
Publishers. 
165 A concorrência ou cooperação (concursus, co-operatio). O teólogo Louis Berkhof define-o como 
“a cooperação do poder divino com os poderes subordinados, de acordo com as leis pré-
estabelecidas para sua operação fazendo-as atuar, e que atuem precisamente como o fazem”. 
BERKHOF Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 202. 
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programa para levar todos os homens a se submeterem ao Seu senhorio. Cinco pontos 
são descritos no que diz respeito ao plano de Deus. 
 
Em primeiro lugar, o plano de Deus é incontestável (Is 45.9-10). Aqueles que 
poderiam questionar a decisão de Deus de usar Ciro foram repreendidos: “O barro não 
pergunta ao oleiro: “O que é que você está fazendo?”, nem diz: “Você não sabe trabalhar” 
(Is 45.9, NTLH). Que audácia é questionar a Deus sobre qualquer coisa! Ele é, afinal, o 
criador e dono de tudo que existe. 
 
Em segundo lugar, o plano de Deus é consistente (Is 45.11-13). Ele levantará 
Ciro “na justiça”, isto é, com seu objetivo de salvar. “Eu mesmo ordenei a Ciro que 
começasse a agir e lhe prometi a vitória. Eu aplanarei os caminhos por onde ele vai passar. 
Ele reconstruirá Jerusalém, a minha cidade, e porá em liberdade o meu povo que está no 
cativeiro, sem exigir nenhum pagamento para fazer isso” (Is 45.13, NTLH). Sem pensar em 
compensação Ciro libertará os cativos judeus e permitirá que Jerusalém seja 
reconstruída. 
 
Em terceiro lugar, o plano de Deus é universal (Is 45.14). Após a restauração 
de Ciro, Sião desfrutará de um futuro glorioso. Convertidos virão de longe e se juntarão 
alegremente como se estivessem acorrentados a Sião, porque virão e reconhecerão que 
o Senhor é o único Deus. É descrito aqui a conversão do Novo Testamento, através do 
qual os homens irão ao Monte Sião (Hb 12.22) e tornarão parte do novo Israel de Deus 
(Gl 6.16). 
 
Em quarto lugar, o plano de Deus é correto (Is 45.15-17). Isaías irrompeu em 
uma oração de adoração para a maneira misteriosa de Deus agir para com o Seu povo. 
Deus se “esconde” quando permite que o Seu povo experimente a disciplina: “O Deus de 
Israel, que salva o seu povo, é um Deus que se esconde das pessoas” (Is 45.15, NTLH). No 
final, no entanto, os idólatras serão envergonhados, mas o povo de Deus nunca será 
humilhado, nem passará vergonha (v. 17). 
O Senhor apelou às nações a reconhecê-Lo como o único Deus. O Senhor defendeu 
a Sua divindade, apontando para (1) A criação proposital; e (2) A revelação clara que Ele 
deu. Por outro lado, Isaías diz respeito à tolice como absoluta confiança em colocar um 
ídolo que deve ser carregado. Quanto ao profeta, o seu principal argumento é que Deus 
havia previsto a ascensão de Ciro, muito antes de ocorrer. 
 
Finalmente, o plano de Deus é evangelístico (Is 45.22-25). Deus prometeu 
salvar todos os que se voltarem para Ele. Isaías antecipou um dia em que todos os 
homens se submeterão à sua autoridade. Mesmo os piores inimigos se voltarão para Ele 
por justiça e força espiritual. Somente no Senhor, todos os filhos de Israel encontrarão 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória– Espírito Santo/2014. 
 
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salvação.166 O dia está chegando, quando todas as pessoas terão que comparecer diante 
do tribunal de Deus. 
 
Conclusão: 
Os eventos no capítulo 45 de Isaías ilustra que Deus é soberano e se move de 
acordo com Seus planos pré-determinados. No capítulo 45 de Isaías Deus mostra como 
conduziu Ciro no cumprimento dos Seus planos. De fato, a história está nas mãos de 
Deus, os grandes impérios deste mundo já caíram. Outros ainda cairão. Só o Reino de 
Cristo triunfará (Dn 2). 
Essa passagem é um incentivo aos crentes perseguidos a permanecerem firmes 
no Senhor. É um lembrete de que Deus está no controle de toda situação. Isaías tem uma 
mensagem para o povo de Deus nos dias de hoje, para os que estão sendo atacados pelo 
inimigo e sofrendo por viver em retidão e dedicação ao Senhor. Não precisamos ter 
medo quanto ao futuro, Deus já determinou o fim: sua vitória gloriosa!167 
 
 
166 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 45.9–25). Joplin, MO: College Press. 
167 OLYOTT, Stuart. Ouse ser Firme. São José dos Campos: Editora Fiel, 1996, p. 32-36. 
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Isaías 49-50 
O livro do Servo. 
 
Introdução: 
No estudo anterior, abordamos a vida do rei Ciro, como servo do Senhor (Is 45), e 
sua missão na libertação dos exilados da Babilônia e a restauração de Jerusalém (Ed 1). 
Agora, os capítulos (49-50) tratam principalmente do Messias/Servo cumprindo Seu 
ministério de restauração do povo da aliança. A palavra “servo” ocorre cerca de 20 vezes 
nessa passagem que exalta Jesus com o Cordeiro de Deus que foi morto para redimir os 
eleitos de Deus. 
Esta seção está organizada em três partes (Is 49.1-50.3; 50.4-52.12; 52.13-54.17), 
cada uma das quais começa com uma canção do Servo.168 Porém, entre as canções, há 
um discurso que descreve o desânimo de Sião durante o tempo do seu cativeiro. A 
doutrina da vinda Servo foi a resposta de Deus ao desânimo de Sião.169 
 
I. A obra do Servo (Is 49.1-13) 
A segunda canção do Servo se concentra no trabalho e o sucesso do Servo de 
Deus. Ele é o orador nos versículos 1-5; Deus se dirige a Ele no versículo 6. 
 
A. A tarefa do Servo (Is 49.1-6). 
“Ouvi-me, terras do mar, e vós, povos de longe, escutai! O SENHOR me chamou 
desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe fez menção do meu nome” (s 
49.1) – Com zelo missionário, o Servo clamará ao mundo inteiro para que todos ouçam 
Sua voz. O Servo sabe de Sua vocação. Ele declara que foi chamado antes mesmo de 
nascer, e separado por Deus (ou seja, reivindicado por Ele), imediatamente após o Seu 
nascimento. Deste modo, o Messias/Servo será um ser humano, nascido como todos os 
demais de uma mulher, e de mulher ainda virgem (cf. 7.14; Lc 1.30-33). 
 
“fez a minha boca como uma espada aguda, na sombra da sua mão me 
escondeu; fez-me como uma flecha polida, e me guardou na sua aljava...” (v. 2) – O 
principal instrumento para realizar a obra do Servo é a palavra proclamada por Ele (Is 
49.2). Sua boca seria como uma espada afiada (cf. Mt 10.34). Seu ministério seria uma 
flecha polida (afiada). Isto é, Sua palavra é sempre eficiente (Is 55.11; Ef 6.17; Hb 4.12). 
Sua boca era como uma espada afiada, ou seja, era uma arma para destruir os 
 
168 Chisholm, R. B. (1998). The Major Prophets. In D. S. Dockery (Org.), Holman concise Bible 
commentary (p. 285–286). Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers. 
169 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 49.1–50.9). Joplin, MO: College Press. 
12 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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desobedientes (cf. 1.20; Ap 1.16; 19.15). Além disso, o Servo seria protegido em todo o 
Seu ministério pela sombra da mão do Todo-Poderoso. O Messias estava escondido junto 
de Deus, pronto para aparecer no momento preciso (cf. Gl 4.4-5). 
 
“e me disse: Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado” (Is 
49.3) – Por que o Servo aqui é chamado de Israel? Isso não pode se referir à nação 
porque o Servo foi chamado para conduzir a nação de Israel de volta ao Senhor. O 
Messias é chamado de Israel, porque Ele cumpre o que Israel deveria ter feito. Em Sua 
pessoa e obra Ele simboliza a nação.170 Ele seria totalmente comprometido com a 
vontade de Deus. Ele seria um novo Israel, o chefe de uma nação. Tudo o que Ele fizer 
refletirá a glória de Deus (Is 49.2-3). 
 
“Mas eu pensei: Todo o meu trabalho não adiantou nada; todo o meu esforço 
foi à toa. Mesmo assim, eu sei que o SENHOR defenderá a minha causa” (Is 49.4, 
NTLH) – O Servo antecipou a rejeição, mas Ele deixou toda a questão nas mãos de Deus. 
Ele sabia que seu trabalho fiel seria recompensado. O Servo não deveria apenas conduzir 
o povo de Israel de volta a Deus, ele também será “uma luz para as nações” (49.4-6). 
Quando Jesus Cristo ministrava, especialmente, ao próprio povo de Israel, houve 
momentos em que Sua obra parecia em vão (Is 49.4). Os líderes religiosos se opuseram a 
Ele, os discípulos nem sempre o compreenderam, e aqueles que foram ajudados por Ele, 
nem sempre o agradeceram. Ele viveu e trabalhou pela fé, e Deus lhe deu sucesso.171 Os 
dois cânticos finais do Servo também enfatizam o seu sofrimento (Is 50.4-11; 52.13-
53.12). Porém, embora rejeitado pelos homens, o Servo manifesta a firme segurança de 
que está realizando a obra de Deus e que será plenamente recompensado. Esse versículo 
é citado no Novo Testamento como justificativa para pregar o Evangelho em todo o 
mundo (At 13.47). 
 
B. O triunfo do Servo (Is 49.7-13). 
“Assim diz o SENHOR, o Redentor e Santo de Israel, ao que é desprezado, ao 
aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão, e os príncipes se 
levantarão; e eles te adorarão por amor do SENHOR, que é fiel, e do Santo de Israel, 
que te escolheu” (Is 49.7) – O Servo será desprezado pelos homens, detestado pelas 
nações e os governantes olharão para Ele com desdém. No entanto, o tempo virá em que 
os reis e príncipes se prostrarão diante do Servo de Deus. Em sua primeira vinda, Jesus 
Cristo foi rejeitado pelo Seu próprio povo (Jo 1.10-11), mas na Sua segunda vinda todos 
se dobrarão diante dEle (cf. 55.12; Fp 2.10-11).172 
 
170 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1103). Wheaton, IL: Victor Books. 
171 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 121). Wheaton, IL: Victor Books. 
172 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1103–1104). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
93 
 
“... No tempo aceitável, eu te ouvi e te socorri no dia da salvação...” (Is 49.8) – 
Deus responderá ao grito do Servo por libertação. Isso inaugurará o “dia da salvação”. À 
luz do uso de Paulo dessa passagem (2Co 6.2), o tempo de Deus é o período do 
Evangelho. Neste período, o Servo se tornará um “mediador da aliança”, isto é, o 
mediador de um pacto. O servo (1) “Estabelecerá” a terra, o reino messiânico; (2) 
Liberará os cativos; (3) Fornecerá luz; e (4) Preservará aqueles que o seguem (49.8-10). 
Ele construirá estradas para o Seu povo, mesmo em terrenos difíceis, de modo 
que possam retornar a Sião (v. 12).173 As pessoas correrão para o reino do Servo de 
todas as regiões, mesmo distante Sinim (Outra tradução possível: Assuã ou Sevene. Cf. Ez 
29.10; 30.6). A obra do Servo trará conforto aos aflitos. Por esta razão o povo de Deus 
cantará de alegria (49.11-13). Alguns estudiosos têm defendido que a região de Sinim é 
uma referência a China, mas o máximo que podemos dizer com segurança é que 
versículo 12 prevê a conversão de pessoas de terras distantes, dos quais Sinim era,evidentemente, um exemplo notável.174 
 
II. O desânimo de Sião (Is 49.14-50.3) 
O trabalho inicial do Servo será “restaurar as tribos de Jacó e tornar a trazer os 
remanescentes de Israel” (Is 49.6). Porém, o estado espiritual e emocional do povo de 
Deus depois do exílio na Babilônia é descrito na última metade do capítulo 49. O povo se 
sentiu abandonado por Deus, então, o Senhor lhes assegura do Seu amor ao se comparar 
com uma mãe compassiva (v. 14-23), um guerreiro corajoso (v. 24-26) e um amante 
constante (50.1-3).175 
 
A. A queixa de Sião e a resposta do Senhor (Is 49.14-20). 
“Mas Sião diz: O SENHOR me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim...” (Is 
49.14) – O povo de Sião se queixa de que Deus o havia abandonado. No entanto, Deus 
respondeu que Ele certamente não havia se esquecido do Seu povo: “Acaso, pode uma 
mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do 
filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me 
esquecerei de ti” (Is 49.15). No entanto, como uma criança de peito, totalmente 
dependente, o Senhor jamais se esquece dos Seus filhos. Uma mãe pode até se esquecer 
do filho ainda mama, porém, o Senhor jamais se esquece do Seu povo. Deus é 
misericordioso e nos consola como uma mãe conforta os seus filhos (Is 66.15). 
 
“Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão 
continuamente perante mim” (Is 49.16) – Além disso, a nação estava gravada, por 
 
173 Watts, J. D. W. (1998). Isaiah 34–66 (Vol. 25, p. 188). Dallas: Word, Incorporated. 
174 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 661). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
175 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 122–123). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
94 
 
assim dizer, em Suas mãos. Portanto, sempre que Ele, figurativamente falava e levantava 
Suas mãos, o Senhor vê o nome do Seu povo. 
O sumo sacerdote trazia os nomes das tribos de Israel em seus ombros e sobre o 
coração (Êx 28.6-9), gravado em joias; mas Deus tem gravado o nome dos Seus filhos em 
Suas mãos. É interessante notar que, a palavra “gravei” (chaqaq, em hebraico) significa 
“cortar” em referência a sua permanência. Deus jamais se esquecerá de Sião.176 
Moisés ao falar da necessidade da meditação constante sobre a Lei, declarou: 
“Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos” (Dt 6.8). O 
Senhor agora faz uso da mesma base de comparação. É verdade, de fato, que Deus não 
tem nem mãos, nem forma física; mas a Escritura se acomoda à nossa capacidade fraca, 
de modo a expressar a força do amor de Deus para conosco.177 Mães podem abandonar 
seus bebês; mas Deus não pode se esquecer dos Seus filhos ou deixá-los no desespero. 
Às vezes nos sentimos abandonados, desamparados ou órfãos. No entanto, Deus 
jamais se esquece dos Seus filhos. A maior prova do Seu amor foi cravado na cruz. 
Estávamos desamparados em nossos pecados e por eles merecíamos a condenação 
eterna. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, “por causa do grande amor com que nos 
amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela 
graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares 
celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.5-6). Isso é o que pode nos dar coragem e resistência 
neste mundo, e no mundo vindouro, a vida eterna com Ele! 
 
B. A perplexidade de Sião e o compromisso do Senhor (Is 49.21-
23). 
Sião se sentia como uma criança abandonada e também, como uma mulher estéril 
(v. 21). Porém, ela será tão abençoada por Deus que não haverá espaço para tantos 
filhos! Eles serão como belos ornamentos de noivas, e não refugiados decrépitos do 
cativeiro. Mais uma vez, o profeta olhou para frente até o fim dos tempos, quando os 
gentios se prostrarão diante do Senhor.178 
Sião ficará perplexa com o aumento populacional. “Então você pensará assim: 
‘Quem me fez mãe destes filhos? Eu, uma mulher que não podia ter filhos, 
abandonada, rejeitada e prisioneira — quem criou esses filhos para mim? Eu estava 
sozinha — de onde vieram todos eles?’” (Is 49.21) – Israel não produziu filhos durante 
o exílio. Então, como pode sua população crescer? A resposta para isso é simples, mas 
gloriosa. O próprio Deus levantará a mão e dará um sinal de comando aos povos para 
que tragam de volta a Jerusalém os filhos e as filhas de Jerusalém. Reis estrangeiros 
cuidarão das suas crianças, e rainhas serão as suas babás (Is 49.22-23). Então, todos 
saberão que, aqueles que esperaram no Senhor, jamais serão envergonhados (v. 23). 
 
176 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 123). Wheaton, IL: Victor Books. 
177 Calvin, John Calvin. Commentary on Isaiah - Volume 4, Grand Rapids, MI: Christian Classics 
Ethereal Library, p. 22. 
178 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 123). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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C. A incredulidade de Sião e a garantia do Senhor (Is 49.24-26). 
“Será que alguém pode tirar de um soldado as coisas que ele carrega depois 
da batalha? Ou será que alguém pode pôr em liberdade os que estão sendo levados 
como prisioneiros por um rei cruel?” (Is 49.24) – Sião simplesmente não conseguia 
acreditar que pudessem ser libertados das mãos de um poderoso tirano, como a 
Babilônia. O Senhor lhe assegura que Ele mesmo efetuará a salvação. Qualquer pessoa 
que interferir, entrará em guerra contra Deus. A estratégia divina seria levantar os 
opressores um contra o outro. Assim, através da liberação de Israel, os judeus e gentios, 
saberão que o Senhor é o Redentor (v. 26). 
 
D. A depressão de Sião e o poder do Senhor (Is 50.1-3). 
“O SENHOR Deus diz ao seu povo: “Será que vocês acham que eu os mandei 
embora como um homem manda embora a sua mulher? Então onde está o 
documento de divórcio? Ou acham que eu os vendi como escravos a fim de pagar as 
minhas dívidas? Não! Vocês foram levados prisioneiros por causa dos seus pecados; 
eu os mandei embora por causa das suas maldades” (Is 50.1, NTLH) – Sião se sentia 
como se o Senhor os estivesse abandonado. Então, o Senhor assegura a Sua fidelidade: 
Quando Deus pergunta: “Então onde está o documento de divórcio?” (v. 1), parece 
uma referência à situação apresentada pelo profeta Oséias, o qual compara o 
relacionamento de Deus e Seu povo como um marido que procura reconciliar-se com 
sua esposa, ainda que esta seja uma meretriz (Os 1-2). 
A segunda pergunta de Deus: “Ou acham que eu os vendi como escravos a fim de 
pagar as minhas dívidas?” (v. 1), lembra a situação da viúva que estava prestes a perder 
os filhos a fim de saldar uma dívida do marido (2Rs 4.1-7). 
Essas perguntas são retóricas. Deus jamais se divorciou do Seu povo, e nunca os 
vendeu (Is 48.8-11; 49.15). O exílio ocorreu por causa dos pecados do povo (50.1b). Mas 
Deus os busca e os auxilia (50.2-3).179 
Como poderia o povo dizer que foram esquecidos e abandonados, quando o 
Senhor trata o Seu povo como uma mãe compassiva, um guerreiro corajoso e um 
cônjuge presente? Ele é fiel à Sua Palavra, mesmo quando somos infiéis (2Tm 2.11-13). 
Ele é fiel para disciplinar quando nos rebelamos (Hb 12.1-11), mas Ele também é fiel 
para perdoar quando nos arrependemos e confessamos nossos pecados (1Jo 1.9). 
A mensagem do Servo para os gentios era de esperança e de bênção. Ele lidará 
com o Seu povo, para que eles, por sua vez, possam compartilhar da bênção de Deus com 
os gentios.180 
 
 
179 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 872. 
180 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 124). Wheaton, IL: Victor Books. 
JocarliA. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
96 
 
E. A confiança do Servo (Is 50.4-9). 
Em seguida, Isaías apresenta a terceira canção do Servo, que tornando a falar, 
descreve como é instruído, disciplinado e fortalecido para sua missão. 
“O SENHOR Deus me ensina o que devo dizer a fim de animar os que estão 
cansados. Todas as manhãs, ele faz com que eu tenha vontade de ouvir com atenção 
o que ele vai dizer” (Is 50.4) – Se o povo de Sião não tinha confiança no programa de 
Deus, o Servo não. O Servo proclama sua confiança em três áreas. 
Em primeiro lugar, o Servo estava confiante de sua preparação. Ele estava 
certo de que havia recebido uma revelação constante de Deus. Ele estava igualmente 
certo de que possuía a habilidade dada por Deus para comunicar o que havia recebido 
de tal forma a sustentar as almas cansadas (Is 50.4). O apóstolo João escreve muito 
sobre a obediência de Jesus a Deus em cumprimento da Sua vontade (Cf. Jo 5.19, 36; 
6.38; 7.16, 29; 12.49-50). 
Em segundo lugar, o Servo estava confiante no plano de Deus. Assim, Ele 
voluntariamente submeteu seu coração, mente e corpo à obediência (Is 50.5). Jesus, 
antes de ser crucificado, foi espancado, escarnecido e cuspido (Mc 14.65; 15.16-20). 
Finalmente, o Servo estava confiante do cuidado de Deus. Ele permaneceu 
firme apesar da perseguição. Ele sabia que poderia enfrentar qualquer desafio. Seus 
inimigos e acusadores não terão sucesso (Is 50.7-9). Jesus demonstrou essa 
determinação ao dirigir-se a Jerusalém para ali ser crucificado (Lc 9.51). 
 
Conclusão: 
A canção do Servo termina com uma imagem poderosa: “... Aquele que andou em 
trevas, sem nenhuma luz, confie em o nome do SENHOR e se firme sobre o seu Deus” (Is 
50.10). Ou seja, aqueles que confiam no Senhor muitas vezes sentem que andam na 
escuridão, sem nenhuma luz. Todavia, em tais circunstâncias, precisam continuar 
confiando em o nome do Senhor e andando a luz da Sua palavra, que indica o caminho 
que deve ser seguido (Is 50.10; Sl 11.105). Eles não devem buscar outras fontes de luz, 
pois estas são apenas tochas que em breve se apagarão, mas não antes de queimarem 
aqueles que as procuram (Is 50.11).181 
Além disso, Isaías utiliza a imagem de um joalheiro. Todos os exilados voltarão 
para casa, os exilados serão restaurados: “Olhe para todos os lados e veja o que está 
acontecendo! Os seus moradores estão voltando; eles estão chegando! Juro pela minha vida 
que todos eles são como jóias que você usará com orgulho, assim como uma noiva se 
enfeita com as suas jóias” (Is 49.18). Como um joalheiro, Deus surpreenderá o Seu povo 
com a beleza do resultado final. 
 
181 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 873. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
97 
 
Um dia, também temos a certeza de que Deus vai colocar diante de nós em 
esplêndida gama de suas muitas e muitas bênçãos. E elas enfeitarão nossas vidas como 
ornamentos. Então, por que você não coloca a sua confiança em um Deus assim? 
As mães podem esquecer - elas são humanas. Os cônjuges, lamentavelmente, 
podem até abandonar a família. Porém, Deus nunca se esquece dos Seus filhos. Ele 
sempre vai trazer beleza e alegria ao Seu coração. Essa é a maneira como Ele trabalha, e 
é por isso que devemos colocar nossa confiança nEle. 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
98 
 
Isaías 52.13-53 
O livro do Servo – Parte II 
 
Introdução: 
O capítulo 53 seja talvez a porção mais conhecido do Livro de Isaías. Este poema é 
composto por cinco parágrafos de três versículos cada. Esta “quarta canção do Servo” 
centra-se na morte do Servo inocente do Senhor que se oferece pelas transgressões de 
Israel. 
O Servo que Isaías descreve é o Messias; e o Novo Testamento afirma que este 
Servo/Messias é Jesus de Nazaré, o Filho de Deus (Mt 8.17; Mc 15.28, Lc 22.37, Jo 12.38; 
At 8.27-40; 1Pe 2.21-24). Além disso, Isaías 53 é citado ou aludido no Novo Testamento 
com mais frequência do que qualquer outro capítulo do Antigo Testamento.182 Para um 
cristão, a leitura de Isaías 53 é uma peregrinação pela Via Dolorosa.183 
Escrevendo 700 anos antes dos eventos ocorrerem, Isaías descreve a morte de 
Cristo, de tal pormenor que não pode ser atribuída a qualquer outro que não seja o 
trabalho direto de Deus. 
Neste estudo, vamos descobrir o que cada estrofe nos ensina sobre a pessoa e 
obra do Senhor Jesus Cristo. 
 
I. O sucesso do Servo (Is 52.13-15) 
 
A. Seu sucesso incomparável 
“Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado e será 
mui sublime” (Is 52.13) – O Servo será bem sucedido em sua missão. O texto começa 
dizendo que Cristo agirá “com prudência”, o que significa que em cada situação Ele vai 
perfeitamente cumprir a vontade do Pai. 
Mas que “sabedoria” o conduzirá a esse sucesso? É a sabedoria de Deus que levou 
Cristo à cruz sangrenta, onde o mundo crucificou o Salvador. “sabedoria essa que nenhum 
dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam 
crucificado o Senhor da glória” (1Co 2.8). 
O mundo não entendeu quando Jesus andou sobre a terra, e o mundo não entende 
até hoje. As pessoas estão mortas em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Conforme Francis 
Foulkes, a descrição aqui não é meramente metafórica, nem se refere apenas ao estado 
futuro do pecador. Pelo contrário, descreve a sua condição atual, e na realidade, a Bíblia 
 
182 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 130–132). Wheaton, IL: Victor Books. 
183 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 52.13–53.12). Joplin, MO: College Press. 
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frequentemente fala do homem como estando espiritualmente morto devido ao pecado 
(Ez 37.1-14; Rm 6.23; 7.10, 24; Cl 2.13, e necessitando de nada menos que uma nova 
vida da parte de Deus 5.14; Jo 3.3; 5.24).184 
Um homem comprou um rato branco para utilizar como alimento para sua cobra 
de estimação. Ele jogou o rato desavisado na gaiola, onde a cobra estava dormindo no 
meio da serragem. O pequeno rato tinha um grave problema. A qualquer momento ele 
poderia ser engolido vivo. Obviamente, o rato necessitava elaborar um plano brilhante. 
O que ele fez? Ele rapidamente começou a cobrir a cobra com pedaços de serragem até 
que ela ficasse completamente enterrada. Com isso, o rato, aparentemente, pensou que 
havia resolvido seu problema. 
Infelizmente, é assim que o ser humano sem Cristo tenta resolver a sua vida. 
Somos demasiadamente rápidos para aplicar um band-aid em uma ferida mortal. Mas 
Deus tem um plano muito melhor. Por causa do sacrifício de Cristo na cruz do calvário 
há perdão até mesmo para o pior pecador. Além da voz vivificadora de Deus não há 
esperança.185 Mas por causa dela, mesmo o pior rebelde pode ser salvo. 
 
B. Sua desfiguração chocante 
“Como pasmaram muitos à vista dele (pois o seu aspecto estava mui 
desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua aparência, mais do que a dos 
outros filhos dos homens) (v. 14) – O texto convida-nos a considerar uma disjunção 
chocante: Cristo exaltado ao lugar mais alto (v. 13). Cristo desfigurado quando morre (v. 
14). Como isso pôde acontecer? Quem fez isso com Jesus? 
Naquele dia, no Calvário o cheiro da morte estava por toda parte. A crucificação 
era uma forma medonha de morrer. A intenção dos romanos era tornar o sacrifício em 
algo brutal e sangrento. Eles haviam dominado a arte do assassinato cruel. Os romanos 
gostavam dessa maneira porque enviava a seguinte mensagem: “Isso é o que acontece 
com desordeiros”. 
Isaías nos lembra de que não havia nada de extraordinário sobre a cruz naquele 
dia. Nada além de sangue, dor, agonia, tortura e morte. 
 
C. Sua vitória universal 
“assim causará admiração às nações,e os reis fecharão a sua boca por causa 
dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que não ouviram 
entenderão” (Is 52.15) – O Servo causará “admiração às nações”. A palavra “admirar” 
(nazah, em hebraico) significa “fazer jorrar, borrifar sobre”.186 É provável que seja uma 
 
184 FOULKES, Francis, Efésios Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1981, p. 59. 
185 Boice, J. M. (1988). Ephesians : An expositional commentary (50). Grand Rapids, Mich.: Ministry 
Resources Library. 
186 Harris, R. L., Archer, G. L., Jr., & Waltke, B. K. (Orgs.). (1999). Theological Wordbook of the Old 
Testament. Chicago: Moody Press. 
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referência à limpeza cerimonial que era uma parte importante do sistema sacrificial 
realizada pelo sacerdote sob a Lei mosaica (Lv 4.6; 8.11; 14.7). A palavra “borrifar” fala 
do poder purificador do sangue de Cristo. Neste contexto, o que significa que os efeitos 
de Sua morte, não têm limites nacionais. Embora fosse um judeu morrendo em uma cruz 
romana, Ele também era o Filho de Deus, o Seu sacrifício cruel proporcionará limpeza e 
cura para muitas nações. 
Quando Paulo estava explicando seu desejo de pregar o evangelho onde Cristo 
ainda não era conhecido, ele citou Isaías 52.15 para justificar sua estratégia: “esforçando-
me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não 
edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Hão de vê-lo aqueles que não 
tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (Rm 
15.20–21). No caso de Paulo, significou um chamado para pregar Cristo onde ainda não 
tinha sido pregado, é por isso que Paulo pregou na Ásia Menor, em seguida, na Grécia, e, 
finalmente, em Roma. 
Da mesma forma, é por isso que temos Missionários em terras distantes que 
bravamente levam o evangelho em “países fechados”. É por isso que Paulo cita Isaías 
52.15, é uma profecia da vinda de Cristo, que causará “causará admiração às nações”, 
limpando-as com o Seu próprio sangue. A limpeza não era apenas para Israel, mas para 
os eleitos em todas as nações da terra. Esta deve ser a ambição de cada cristão: Espalhar 
a Boa Nova de Jesus a fim de que aqueles que vivem na escuridão profunda vejam a luz 
que brilha da cruz. O mundo inteiro precisa saber sobre Jesus. 
 
“... e os reis fecharão a sua boca por causa dele” (v. 15) – Percebendo o grande 
erro, os poderosos ficarão em silêncio. Eles foram surpreendidos com uma pessoa que 
consideravam desprezível que afirmava ser o Messias; e ainda justificará e purificará às 
nações.187 Em Sua primeira vinda, eles zombaram de Jesus. Eles não achavam que um 
verdadeiro rei nasceria em um estábulo ou viria de uma aldeia como Nazaré. Eles 
odiaram-no, rejeitaram-no, e, eventualmente, o crucificaram. Os líderes religiosos 
uniram-se com aos líderes políticos para pregá-lo na cruz. 
Mas para a surpresa de todos, Ele não morreu. Ele ressuscitou dos mortos, reuniu 
os Seus discípulos, lhes deu Suas ordens, e então voltou para o Pai no céu. Enquanto isso, 
Seus seguidores começaram a espalhar a notícia: “Ele está vivo!” 
Primeiro, em Jerusalém. Em seguida, na Judéia. Então, em Samaria. Em seguida, 
até os confins da terra. Nada os deteve. Nem perseguição, nem ódio e nem mesmo os 
espancamentos. Ameaças não funcionaram. Nada foi capaz de calá-los. E até hoje, a 
chama se espalha por todos os cantos da Terra. 
Entretanto, um dia virá em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará 
que Jesus é Senhor, para glória de Deus Pai (Fp 2.11). Se você acha que os reis estão 
“admirados” agora, basta esperar por esse dia! 
 
187 Jamieson, R., Fausset, A. R., & Brown, D. (1997). Commentary Critical and Explanatory on the 
Whole Bible (Is 52.15). Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc. 
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II. O Desprezo do Servo (Is 53.1-3) 
 
A. Eles não acreditaram em Sua mensagem. 
“Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? 
(Is 53.1) – São boas perguntas. Mas a resposta é, quase ninguém (Rm 10.16-17, 21). 
 
Jesus veio como Messias, mas Israel não O reconheceu. Sabemos que por um 
tempo Jesus teve um ministério poderoso e crescente, especialmente na Galiléia (Lc 
4.16–30). Milhares se reuniram para ouvi-lo e vê-lo curar os doentes. As pessoas comuns 
O ouviam com prazer. Se eles não sabiam quem Ele era, instintivamente, sabiam que Ele 
não era como os outros líderes religiosos. 
 
Muitas pessoas O seguiam por motivos superficiais. Eles pensavam que Jesus 
se tornaria rei e lideraria uma revolta contra Roma. Outros gostavam dos milagres. 
Outros admiravam Sua coragem. Outros foram atraídos pela beleza dos Seus 
ensinamentos. Mas as multidões O abandonaram quando confrontou os Seus ouvintes 
com o chamado para se tornarem seguidores (Jo 6.67). 
 
Muitos líderes O rejeitaram. Com poucas exceções, os líderes não queriam 
nenhum envolvimento com Jesus. Acusaram-no de estar em conluio com o diabo (Mt 
12.22-24). Eles O odiavam tanto que planejaram matá-lo. Por fim, eles conseguiram! 
João diz assim: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Ele veio 
para o Seu próprio povo, a nação de Israel, e eles não O receberam. 
No entanto, cada livro, cada capítulo, cada página do Antigo Testamento atesta 
uma grande verdade, “O Messias virá”. Esse é o tema do Antigo Testamento – De que um 
dia Deus enviaria o Messias à Terra para libertar o povo Israel. Quando Jesus finalmente 
chegou, eles não acreditaram. E alguns deles decidiram matá-Lo. 
 
 
B. Eles julgaram-no insignificante. 
“Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; 
não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos 
agradasse” (v. 2) – Jesus não nasceu em Roma. Ele não nem mesmo nasceu em 
Jerusalém. Ele não veio como um conquistador ou um líder mundial, mas como um bebê 
indefeso, que nasceu num estábulo, na pequena aldeia de Belém. Anos mais tarde, Seus 
críticos disseram: “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13.55). Não foi um elogio. Foi 
um insulto! Eram pessoas de Sua cidade natal, Nazaré. Eles O viram crescer. 
 
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“Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca...” 
(v. 2) – A palavra “renovo” significa que Ele era apenas uma pequena planta que as 
pessoas olhavam como se fosse uma erva daninha.188 Você puxa e joga de lado. Ele era 
como raiz de uma terra seca. Alguém sem valor que não vai durar porque não há água 
para sustentá-lo. 
 
“... não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza 
havia que nos agradasse” (v. 2) – A primeira parte deste versículo refere-se ao seu 
nascimento e infância; o último a sua primeira aparição pública.189 Jesus não nasceu na 
realeza. Ele nasceu em um estábulo. 
Há um grande contraste entre “o braço do Senhor”, que fala de grande poder, e “a 
raiz de uma terra seca”, que é uma imagem de humilhação e fraqueza. Quando Deus 
criou o universo, Ele usou seus dedos (Sl 8.3); e quando Ele libertou Israel do Egito, foi 
pela Sua poderosa mão (Êx 13.3). Mas, para salvar os pecadores perdidos, Ele estendeu o 
Seu braço poderoso! No entanto, as pessoas ainda se recusam em acreditar nesta grande 
demonstração do poder de Deus (Rm 1.16; Jo 12.37-40).190 
 
C. Eles O desprezaram por Seu sofrimento. 
“Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que 
sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era 
desprezado, e dele não fizemos caso” (Is 53.3) – A nação de Israel desprezou e rejeitou 
o Servo do Senhor. No entanto, Ele era a pessoa mais importante do mundo, era o Servo 
do Senhor.191 Esta rejeição lhe causariatristeza profunda. 
 
“... homem de dores e que sabe o que é padecer...” (v. 3) – Quando Ele nasceu, 
Herodes tentou matá-lo. Quando Ele começou o Seu ministério, as pessoas em Sua 
cidade natal se ofenderam (Mc 6.3). Nas horas finais de Sua vida, Ele foi traído por Judas 
e negado por Pedro. Seus sofrimentos não começaram na cruz, mas o Seu sofrimento O 
levou à cruz. 
Entretanto, Isaías 53 contém a boa notícia que todos nós precisamos. Ele foi 
moído por nós. Ele foi ferido por nós. Ele foi espancado, traído, escarnecido, flagelado, 
coroado de espinhos, crucificado - tudo por nós. Nossos pecados levaram Jesus à cruz. 
Mas Ele não foi de má vontade. Se os nossos pecados O levaram lá, Seu amor por nós O 
manteve lá. 
 
188 Kaiser, W. C. (1999). 874 יָנַק. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological 
Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press. 
189 Jamieson, R., Fausset, A. R., & Brown, D. (1997). Commentary Critical and Explanatory on the 
Whole Bible (Is 53.2). Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc. 
190 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 135). Wheaton, IL: Victor Books. 
191 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1107). Wheaton, IL: Victor Books. 
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“... e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele 
não fizemos caso” (Is 53.3) – Duas vezes no versículo 3, Isaías nos lembra que as 
pessoas “desprezaram” nosso Senhor. Isso vai além da rejeição a um tipo de ódio 
estabelecido. Eles viram o Seu sofrimento, e diziam que não poderia ser o Messias 
prometido. 
 
“... e dele não fizemos caso” (Is 53.3) – Significa algo como: “Ele não é nada!”. A 
expressão “não fizemos caso” (chashab, em hebraico) significa “calcular”, “pensar”, 
“contar alguma coisa”, “somar todos os fatos e chegar a uma conclusão estabelecida”.192 
Os líderes judeus calcularam tudo e decidiram que Jesus valia trinta moedas de prata 
(Mt 26.15). 
 
 
III. O sofrimento do Servo (Is 53.4-6) 
 
A. Ele tomou sobre Si a nossa dor. 
“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores 
levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 53.4) –
Por que Jesus morreu? O Seu sofrimento foi vicário e redentor. Somente através desse 
sofrimento todas as ovelhas desgarradas serão recuperadas. O contraste entre Cristo e 
Suas ovelhas é impressionante e comovente. 
Isaías declara que Jesus morreu por nós. O que Ele fez, Ele fez por nós. O que Ele 
sofreu foi por nós. A dor e a brutalidade da cruz, foi tudo por nós. De nossa perspectiva, 
podemos dizer que Jesus foi traído, julgado, espancado, escarnecido, humilhado, coroado 
de espinhos, falsamente acusado, obrigado a carregar a Sua cruz, e depois publicamente 
crucificado, a forma mais brutal de execução em Sua época. Se nos concentrarmos nesses 
eventos, podemos chegar à conclusão de que Jesus não deveria ter morrido, foi tudo um 
grande erro, que de alguma forma os poderes das trevas finalmente triunfaram sobre a 
luz. 
A Bíblia nunca nega a culpabilidade moral daqueles que levaram Jesus à morte. 
Em Atos, Pedro diz: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, 
vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23). Então, é perfeitamente 
adequado dizer que Jesus foi assassinado por Seus inimigos. Mas esse não é o fim da 
história. Longe disso. Os escritores da Bíblia se unem para declarar que Jesus deu a Sua 
própria vida, que ninguém a tomou. Essa mensagem estava no coração do sistema 
religioso de Israel, o sacrifício de um animal inocente pelo pecador (Lv 16).193 
 
192 Vine, W. E., Unger, M. F., & White, W., Jr. (1996). Vine’s Complete Expository Dictionary of Old 
and New Testament Words. Nashville, TN: T. Nelson. 
193 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 136). Wheaton, IL: Victor Books. 
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“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores 
levou sobre si...” (v. 4) – A cura de doenças físicas de muitas pessoas (embora nem 
todas) em Seu ministério terreno antecipou sua maior obra na Cruz.194 Embora o Senhor 
ainda cure doenças físicas, hoje. Sua obra maior é a cura das almas, concedendo a 
salvação do pecado. Este é o tema de Isaías 53 a partir das palavras “transgressões” (v. 
5), “iniquidades” (v. 11), “iniquidade” (v. 6), “transgressões” (v. 8), “perversos” (v. 9), 
“transgressores” (v. 12 [duas vezes]), e “pecado” (v. 12).195 
É interessante notar que Mateus 8.14-17 aplica Isaías 53.4 ao ministério de cura 
de nosso Senhor e não a Sua morte expiatória. O comentarista Bíblico, Warren Wiersbe 
com sabedoria declarou: “Toda bênção que temos na vida cristã vem por causa da cruz, 
mas este versículo não ensina que há “cura na expiação” e que, portanto, cada crente tem 
o “direito” de ser curado. A profecia foi cumprida durante a vida de nosso Senhor, não 
em Sua morte”.196 
O Servo vicariamente tomou sobre Si todos os pecados (e angústia espiritual 
causada pelo pecado) e levou (Sabal, em hebraico, “transportar um fardo”, cf. 46.4, 7) 
sobre Si (cf. 1Pe 2.24; 3.18). Quando Jesus foi crucificado, Israel pensou que Seus 
sofrimentos foram merecidos por ter supostamente blasfemado contra Deus. Porém, Ele 
sofreu por nós! 
Em Cristo não temos um Deus distante, mas nele encontramos um Deus que se 
aproxima de nós, que veio a nós, que entrou em nosso mundo e tornou-se um de nós. 
Todavia, Sua dor não tem a última palavra. Seus sofrimentos não vão durar para sempre. 
Onde mais você pode encontrar um Salvador assim? 
 
B. Ele tomou sobre Si o nosso castigo. 
 “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas 
iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras 
fomos sarados” (v. 5) – A agonia física de Jesus na crucificação foi grande e intensa. Mas 
Sua obediência ao Pai era o que contava (cf. Fp 2.8). Sua morte satisfez a ira de Deus 
contra o pecado e lhe permite “esquecer/perdoar” os pecados da nação (e de outros que 
creem), porque foram pagos pela morte substitutiva do Servo. 
Mas Sua morte não é o fim da história. Jesus não falhou no que veio fazer. Ele 
cumpriu perfeitamente a vontade do Pai: “o castigo que nos traz a paz estava sobre 
ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (v. 5) – Nós temos paz com Deus. A palavra 
significa integridade, saúde, ausência de guerra e segurança. Em um mundo bagunçado, 
cheio de pessoas quebradas e promessas não cumpridas, por meio de Cristo temos paz 
que excede todo o entendimento humano. 
 
194 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1107–1108). Wheaton, IL: Victor Books. 
195 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1107–1108). Wheaton, IL: Victor Books. 
196 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 136). Wheaton, IL: Victor Books. 
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Ele tomou nosso pecado, suportou nossas dores, e através da sua morte na cruz, 
Ele nos curou de dentro para fora, de modo que agora vivemos em paz. 
 
C. Ele tomou o nosso lugar. 
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo 
caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (v. 6) – Alguém 
já disse que Isaías 53.6 é o “João 3.16 do Antigo Testamento”. 
Note que a palavra “todos” é a primeira e a última palavra do versículo 6. Todos 
nós pecamos. Todos nós andávamos desgarrados. Todos nós havíamos errado o alvo.Todos nós estávamos em nosso próprio caminho. Estávamos no mesmo barco e se Deus 
não tivesse feito alguma coisa, todos nós iríamos perecer eternamente. Neste ponto, 
encontramos a verdade gloriosa do Evangelho, Deus fez alguma coisa! 
 
“... mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (v. 6) – Isso é 
Jesus! Esse é o grande Servo do Senhor que veio do céu em uma missão de resgate 
divino. Deus colocou nossos pecados sobre Jesus. Essa é a doutrina da substituição. Esse 
é o coração do evangelho. Ele tomou o meu lugar quando morreu na cruz. Deus colocou 
os meus pecados sobre Ele. 
Quando o presidente Dwight Eisenhower foi hospitalizado pela última vez antes 
de morrer, Billy Graham o visitou. Em um ponto o presidente Eisenhower perguntou: 
“Pode um pecador velho como eu ir para o céu?” Billy Graham assegurou-lhe que mesmo 
os “velhos pecadores” podem ir para o céu, confiando em Jesus. Mas há uma boa notícia 
para os “velhos pecadores”, “jovens pecadores”, “grandes pecadores”, “pequenos 
pecadores” e todos os outros. Jesus pagou o preço por completo para que você possa ir 
para o céu. Não importa quem você seja ou o que você fez ou o quão ruim seja o seu 
histórico. Se você se considera um pecador, você pode ser salvo. 
Como posso ter tanta certeza disso? Porque Jesus foi ferido por causa das nossas 
transgressões e moído pelas nossas iniquidades. 
 
IV. A submissão do Servo (Is 53.7-9) 
 
A. Seu silêncio submisso 
“Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi 
levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não 
abriu a boca” (Is 53.7) – Às vezes, você é conhecido por aquilo que você não diz. Neste 
caso, Isaías profetizou que Cristo não abrirá a boca para defender-se, mesmo em face da 
morte. Centenas de anos depois, essa profecia se tornou realidade quando Ele estava na 
frente dos Seus acusadores: 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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� Jesus perante o Sinédrio - “Jesus, porém, guardou silêncio” (Mt 26.63; Mt 
27.12; Mc 14.61). 
� Jesus perante Pilatos - “Jesus, porém, não respondeu palavra” (Mc 15.5). 
� Jesus perante Herodes - “Jesus, porém, nada lhe respondia” (Lc 23.9; Jo 
19.9). 
 
Isaías descreveu o silêncio do Servo durante o abuso do Seu julgamento. Embora 
inocente de qualquer crime, Ele permaneceu em silêncio. Jesus Cristo ficou em silêncio 
diante daqueles que O acusaram, bem como daqueles que o afligiram. Ele ficou em 
silêncio diante de Caifás (Mt 26.62-63), os principais sacerdotes e anciãos (Mt 27.12), 
Pilatos (Mt 27.14, Jo 19.9) e Herodes Antipas (Lc 23.9). Ele não falou quando os soldados 
escarneciam e vencê-lo (1Pe 2.21-23). Isto foi o que impressionou o tesoureiro etíope ao 
ler esta passagem de Isaías (Atos 8:26-40).197 
Quando açoitado, Ele não retaliou. Quando os soldados colocaram a coroa de 
espinhos em Sua cabeça, Ele não os amaldiçoou. Quando cuspiram nele, Ele não 
retribuiu. Ele tinha o poder de invocar uma legião de anjos para libertá-Lo. Mas 
permaneceu em silêncio. Ele era, verdadeiramente, o Salvador que silenciosamente, 
tendo todo o poder em Suas mãos, decidiu não usá-lo contra aqueles que o 
atormentavam. 
 
B. Sua sentença injusta 
“Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? 
Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu 
povo, foi ele ferido” (v. 8) – Quem protestou contra a morte de Cristo? Quem falou 
contra este erro judiciário? Quem saiu em Sua defesa? A resposta é: ninguém. De todas 
as principais personalidades envolvidas na morte de Cristo, ironicamente foi Pôncio 
Pilatos, o governador romano, que mostrou maior preocupação com Cristo. Ao contrário 
do seu julgamento diante de Caifás, quando não se defendeu, Jesus iniciou um diálogo 
com Pilatos porque o governador parecia buscar a verdade. Pelo menos Ele chegou à 
conclusão certa. Por três vezes, ele disse: “Que mal fez ele?” (Lc 23.22). No fim, Pilatos 
cedeu à pressão e condenou Jesus à morte. Sua culpa é, portanto, ainda maior, porque 
ele sabia o que estava fazendo. 
Ele foi cortado, diz Isaías. Ele morreu antes do Seu tempo. Ele era apenas um 
homem jovem, em Seus primeiros 30 anos quando morreu. Depois de Sua opressão (ser 
preso e obrigado, Jo 18.12, 24) e julgamento (condenado a morte, Jo 19.16) Jesus foi 
levado a morte. Ele não morreu por causa dos Seus pecados (Ele não tinha pecado, 2Co 
5.21; Hb 4.15; 1Jo 3.5), mas por causa dos pecados dos outros (cf. Is 53.5). 
 
197 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 137–138). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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Alguns verbos neste versículo (“foi arrebatado”, “foi cortado”), como aqueles no 
versículo 4 (“ferido”, “moído”) e o versículo 5 (“traspassado”), na voz passiva, indicam 
que essas ações foram feitas por Deus Pai (cf. v. 10; 2Co 5.21).198 
Uma vez que Jesus Cristo pagou integralmente o preço pelos nossos pecados, a 
obra da salvação está agora completa. Isso é o que queremos dizer quando falamos 
sobre o “trabalho consumado” de Jesus Cristo. Isso não é apenas um slogan; é uma 
verdade espiritual profunda. O Seu trabalho está “consumado”. Não há nada mais que 
Deus poderia fazer para salvar a raça humana. Não havia plano B. O plano A (a morte de 
Cristo) foi suficiente. 
 
C. Seu túmulo humilde 
“Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua 
morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca” (v. 9) – 
Quando Isaías escreveu essas palavras, ele, sem dúvida, deve ter se perguntado sobre as 
mesmas. Os condenados e os ricos geralmente eram sepultados em lugares diferentes. 
Uma pessoa considerada injusta era enterrada em uma cova anônima ou em local 
afastado do cemitério. Mas os ricos eram enterrados com pompa, em monumentos com 
flores e frases generosas. 
Os soldados que crucificaram Jesus, aparentemente, tiveram a intenção de 
enterrá-lo com os dois criminosos (Jo 19.31). No entanto, Ele foi sepultado com os ricos, 
no túmulo de um homem rico chamado José (Mt 27.57-60). Assim, o sepultamento de 
Jesus cumpriu a profecia do Antigo Testamento ao pé da letra. Mesmo que ninguém 
pudesse ter previsto com antecedência, tanto a natureza da Sua morte (por crucificação) 
e o local do Seu enterro (túmulo de um homem rico) a profecia foi proclamada 700 anos 
antes. Tudo isso aconteceu, apesar de Jesus ser inocente. Ele nunca cometeu injustiça. 
Ele não cometeu pecado. Ele não disse nenhuma mentira. 
Apenas Deus poderia ter feito isso. “Mas Deus prova o seu próprio amor para 
conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Note 
a pequena palavra “ainda”. Éramos “ainda” pecadores quando Cristo morreu por nós. Ele 
não morreu por nós, sendo nós ainda “membros da igreja” ou “pessoas boas” ou 
“cidadãos do bem” ou “bons vizinhos” ou “grandes empreendedores”, mas Ele morreu 
por nós quando ainda estávamos perdidos em nosso pecado e longe de Deus. Essa é a 
verdade sobre todos nós. Cristo morreu pelos pecadores, porque apenas pecadores 
podem ser salvos. 
Você é um pecador? Se assim for, aqui está uma boa notícia para você. A única 
coisa que resta é acreditar nele. Creia no Filho de Deus que o ama e morreu por você. 
 
 
 
198 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1108). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
108 
 
V. A Satisfação do Servo (Is 53.10-12) 
Tendo em vista que Isaías escreveu 700 anos antes do Calvário, ele utilizou as 
palavras no tempo futuro. Faremos a mesma coisa que nós consideramos estes versos. 
 
A. Ele será esmagado. 
O profeta agora explica a crucificação do ponto de vista de Deus.“Todavia, ao 
SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como 
oferta pelo pecado...” (Is 53.10). Quem foi responsável pela morte de Jesus Cristo? 
Mesmo que Jesus tenha sido crucificado pelas mãos de homens ímpios, Sua morte foi 
determinada de antemão por Deus (At 2.22-23). Jesus não foi um mártir, Sua morte não 
foi um acidente. Ele foi o sacrifício de Deus pelos pecados do mundo.199 Deus em Sua 
graça e soberania permitiu que o Seu próprio Filho fosse esmagado. Ele planejou que o 
Seu próprio Filho sofresse. 
Isaías passa a falar sobre os bons resultados que fluirão do Seu sofrimento. Essas 
são as glórias que se seguirão. 
 
Primeiro, Ele verá os Seus descendentes: “... verá a sua posteridade e 
prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos” (v. 10) 
– Ele não permanecerá morto! “Ele prolongará os seus dias” (Is 53.10). Significa que o 
Servo será ressuscitado para viver eternamente. Em Sua ressurreição, Jesus triunfou 
sobre todos os inimigos (Ef 1.19-23; 4.8). Satanás ofereceu a Cristo um reino glorioso, 
em troca de adoração (Mt 4.8-10), que teria significado ignorar a cruz. Jesus foi 
“obediente até a morte”, e Deus “o exaltou sobremaneira” (Fp 2.8-10).200 Jesus, o Filho 
eterno de Deus, vive pelos séculos dos séculos. 
 
B. Ele ficará satisfeito. 
Em segundo lugar, a vontade do Senhor prosperará na sua mão: “Ele verá o fruto 
do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu 
conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si” (v. 
11) – Primeiro, Ele sofrerá. Então Ele verá. Em seguida, Ele ficará satisfeito. Ciente de 
que a Sua obra substitutiva foi concluída (“Está consumado”, Jo 19.30), Ele agora pode 
justificar (declarar justo aqueles que creem (Rm 1.17; 3.24). Ele morreu para que 
pudéssemos viver.201 Sua morte não foi o fim da história. Jesus estava apenas 
começando. 
 
 
199 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 139). Wheaton, IL: Victor Books. 
200 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 139). Wheaton, IL: Victor Books. 
201 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1109). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
109 
 
“... justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si” (v. 11) – 
O único caminho para o céu é admitir que você não merece ir para lá, e confessar que 
por causa do seu pecado merece a condenação eterna, e ao lançar-se sobre a 
misericórdia de Jesus que te amou e morreu por você e pagou o preço por seu pecado, 
quando morreu na cruz. 
 
C. Ele será recompensado 
“Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá 
ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os 
transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores 
intercedeu” (v. 12) – Com estas palavras, Isaías termina com um círculo completo. Ele 
começou declarando que o servo seria exaltado, apesar do Seu sofrimento (52.13-15). 
Agora, ele declara que o servo será exaltado por causa do Seu sofrimento. 
Usando uma terminologia militar, Isaías diz que Jesus vai dividir os despojos da 
vitória. O Servo é comparado com um grande conquistador, alguém que partilha os 
despojos da vitória com seus seguidores.202 Jesus conquistou a vitória justamente 
porque foi obediente à vontade do Pai e se ofereceu na cruz. 
 
“... E com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua 
alma na morte...” (v. 12) – Isaías diz que Jesus vai repartir o despojo com os 
“poderosos”. Mas quem são os poderosos? Uma vez que Jesus é o Capitão de nossa 
Salvação, Ele vai dividir os despojos da vitória com todos os que o seguem. 
Pense por um momento sobre a famosa história de Davi e Golias. Por que esses 
dois homens lutaram sozinhos? A resposta é simples. Cada homem representava o seu 
próprio exército. Davi lutava por Israel. Golias lutava pelos filisteus. Quando Davi 
venceu, todo exército venceu com ele. Em seguida, o povo de Israel perseguiu os 
filisteus. Em 1Samuel está escrito: “Então, voltaram os filhos de Israel de perseguirem os 
filisteus e lhes despojaram os acampamentos” (1Sm 17.53). Davi venceu a batalha, mas os 
israelitas compartilharam dos despojos da vitória. 
O mesmo acontece com Jesus. Sua vitória na cruz é a nossa vitoria. Quando Ele 
venceu, nós também vencemos. 
Ele derramou a sua alma na morte – Ele morreu em nosso lugar. 
Ele foi contado com os transgressores – Ele foi contado entre nós. 
Ele levou sobre si o pecado de muitos – Ele estava levando o nosso pecado. 
Ele intercedeu pelos transgressores – Ele intercedeu pelos nossos pecados. 
 
 
202 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 53.10–12). Joplin, MO: College Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
110 
 
É isso que torna tudo tão extraordinário. Jesus Cristo, o vitorioso compartilhou 
sua vitória conosco. Não merecíamos, mas Ele fez tudo isso por você. Aqui está a melhor 
notícia para aqueles que creem em Jesus. Ele venceu! 
O diabo não pode detê-lo, 
A cruz não pode derrotá-lo, 
A sepultura não pode segurá-lo. 
Glórias sejam dadas a Ele pelos séculos dos séculos! 
 
 
Conclusão: 
O que fizeram com Jesus não foi certo. Foi injustiça monstruosa. Mas, antes de 
condenar os outros, vamos fazer uma pergunta: Quem fez isto? Não culpe os judeus. Não 
culpe os romanos. Se você deseja culpar alguém, olhe no espelho. Você fez isso. Eu fiz 
isso. O chicote, os espancamentos, o cuspe no rosto, a coroa de espinhos, a zombaria, a 
lança, o abandono e a traição. Nada disso aconteceu por acaso. Deus planejou tudo. E 
Jesus fez tudo isso por você e por mim. 
Deste modo, lembre-se dessas quatro palavras: Corra para a cruz! Corra para a 
cruz e lance mão de Jesus Cristo que morreu por você. Deus está plenamente satisfeito 
com o trabalho do Seu Filho. Lembre-se que Ele foi “traspassado pelas nossas 
transgressões e moído pelas nossas iniquidades” (Is 53.5). Você acredita nisso? Então, 
corra para a cruz e contemple o Seu salvador. 
Não cometa o erro fatal de pensar que porque você é uma pessoa muito boa, não 
precisa ser salvo. Jesus não se despojou da glória do céu e sofreu as agonias da cruz, para 
que você tivesse uma vida melhor agora. Ele não morreu principalmente para que você 
tivesse uma família feliz ou sucesso nos negócios. Ele morreu para salvá-lo dos seus 
pecados. Ele vai te salvar se você reconhecer que não pode salvar a si mesmo e se 
realmente você acreditar nele como seu Senhor e Salvador. 
Se você confiar em Cristo, nenhum inimigo, seja a tribulação, angústia, 
perseguição, fome, nudez, perigo, espada ou até mesmo a morte, será capaz de separá-lo 
do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor (Rm 8.35-39)! 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
111 
 
Isaías 54-56.8 
Imperativos para os crentes. 
 
Introdução: 
A agonia e a tristeza do capítulo 53 dão lugar, no capítulo 54 ao canto e a 
segurança. A obra sacrificial do Servo será redimir e transformar. Apesar de não ser 
mencionado pelo nome neste capítulo, não há dúvida de que os imperativos alegres são 
dirigidos a Sião em Jerusalém. 
 
I. O imperativo do alargamento (Is 54.1-3) 
“Canta alegremente, ó estéril, que não deste à luz; exulta com alegre canto e 
exclama, tu que não tiveste dores de parto...” (v. 1) – Como uma mulher estéril Sião 
não gerou filhos durante o Exílio (cf. 49.14-23). Em Israel, uma mulher estéril era 
desonrada, porque os filhos ajudavam nas tarefas familiares e cuidavam dos pais na 
velhice. A fertilidade era um sinal da bênção de Deus. Por exemplo, quando Ana não 
tinha filhos, ela era uma mulher atribulada de espírito, mas quando o Senhorlhe 
permitiu ter um filho, ela cantou de alegria (1Sm 1.1-2.10). O profeta Isaías diz que o 
povo de Israel era como uma mulher que não tinha filhos e estava, portanto, em um 
contínuo estado de luto. 
Isso, no entanto, não vai durar para sempre. Através da soberania e da graça de 
Deus, o Senhor permitirá que Israel tenha muitos filhos: “Alarga o espaço da tua tenda; 
estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças; alonga as tuas cordas e firma 
bem as tuas estacas” (v. 2). 
Então, o povo de Deus cantará e gritará de alegria. Jerusalém, uma vez desolada 
(Lm 1.1-5), será revitalizada e cheia de pessoas.203 A família dos crentes se tornará tão 
numerosa que a tenda terá que ser ampliada (cf. Zc 9.10). Sião será espalhada em todas 
as direções, devido ao fato de que “possuirá”, ou seja, conquistará, as nações com a 
espada do Espírito de Deus. As cidades assoladas de Sião serão assim povoadas.204 
 
II. O imperativo da confiança (Is 54.4-17) 
“Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque 
não sofrerás humilhação...” (v. 4) – O Senhor resgatará Israel como um homem toma 
de volta a sua esposa. A nação não precisa ter medo (cf. 41.10, 14; 43.5; 44.2, 8) do 
opróbrio, pois não permanecerá desolada e impotente como uma viúva abandonada. A 
 
203 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1109). Wheaton, IL: Victor Books. 
204 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 54.1–3). Joplin, MO: College Press. 
14 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
112 
 
vergonha da mocidade de Sião (idolatria) e sua viuvez (exílio) não serão mais 
lembradas. Deus, como um marido (cf. Jr 3.14; 31.32; Os 2.16), tomará de volta Israel, 
Sua esposa. Ele é o Senhor Todo-Poderoso, o Santo de Israel, seu Redentor (cf. Is 54.8; 
41.14), e em Sua singularidade Ele é o Deus de toda a terra, isto é, o Criador e 
Sustentador.205 
Por um breve momento Sião ficará separada do marido divino (v. 7). Agora, no 
entanto, por causa de Sua grande compaixão, Ele restaurará o relacionamento. O novo 
compromisso de Deus com o povo de Sião será irrevogável como o pacto feito com Noé 
após o dilúvio (v. 9). Nunca mais o Senhor ficará irado com Sião (54.4-10). 
 
“O SENHOR Deus diz: Ó Jerusalém, aflita e castigada pela tempestade, sem 
ninguém que a console! Eu a reconstruirei com pedras preciosas, e os seus alicerces 
serão de safiras” (v. 11, NTLH) – Na época de Isaías, Sião foi oprimida, castigada com a 
tormenta e desconsolada. Porém, a Nova Jerusalém - a comunidade dos remidos será 
edificada com materiais gloriosos (v. 12; cf. Ap 21.19). “As suas torres serão de rubis, 
os seus portões serão de berilo, as suas muralhas, de pedras preciosas” (v. 12, 
NTLH). 
Entretanto, a restauração vai além de paredes e torres preciosas. “Eu mesmo 
ensinarei todos os seus moradores, e eles viverão em paz e segurança” (v. 13, NTLH). 
Todos os seus filhos serão ensinados sobre o Senhor.206 Os cidadãos desse lugar terão 
um conhecimento superior da vontade de Deus (cf. Jo 6.45). Consequentemente, eles 
gozarão de prosperidade e paz (v. 12). O povo de Deus será edificado sobre uma base de 
justiça, e, assim, estarão seguros (v. 14). Aqueles que desejarem atacar Sião, serão 
destruídos. Nenhuma arma feita pelo homem será poderosa o suficiente para destruir os 
fiéis. Cada palavra falada contra Sião espiritual será condenada pela verdade que habita 
no povo de Deus (54.11-17). 
 
 
III. O imperativo do sustento (Is 55.1-5) 
“Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes 
dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, 
vinho e leite” (Is 55.1) – Você pode imaginar um Deus como esse? Quando pensamos em 
Deus, no templo, isso está certo. Quando pensamos em Deus no santuário, isso está 
correto. Quando pensamos em Deus no centro de nossa adoração, isso está certo. Mas 
Deus vendendo mercadorias? 
O Senhor convida todos os famintos e sedentos para um banquete. O Senhor 
oferece água, vinho e leite - símbolos de bênçãos espirituais a todos os que possam 
 
205 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1109–1110). Wheaton, IL: Victor Books. 
206 Watts, J. D. W. (1998). Isaiah 34–66 (Vol. 25, p. 239). Dallas: Word, Incorporated. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
113 
 
desejá-las (cf. Jo 7.7). A novidade é que esse banquete é gratuito. Deus prometeu que 
aqueles que O buscarem – “vinde”, ou seja, aqueles que tiveram comunhão com Deus, 
comerão o melhor alimento (v. 2). Como resultado de uma nova e duradoura aliança que 
incluía todas as bênçãos que haviam sido prometidas a Davi (v. 3). Entre essas bênçãos a 
regra eterna do Messias, descendente de Davi, era fundamental (55.1-3). 
No entanto, há duas coisas diferentes nas mercadorias que Deus oferece. Em 
primeiro lugar, o que Ele oferece, satisfaz! Não há vazio no que Deus oferece. É pleno, 
abundante e transbordante. Em segundo lugar, o que Ele oferece é de graça. Não tem 
preço. Não é necessário dinheiro. É um presente de Deus. 
 
“Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que 
não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos 
manjares” (Is 55.2) – Então o Senhor argumenta a seus potenciais compradores e 
clientes. E Ele diz: “Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, 
naquilo que não satisfaz?” (v. 2). Por que vocês vivem atrás de coisas vazias e estéreis, 
que trazem infelicidade e perda? Venha, venha! Tenho um presente abundante e 
transbordante. Por que comprar algo que não tem plenitude e nenhuma alegria nem 
felicidade? 
A salvação é um dom de Deus. Não pode ser conquistada, comprada, trocada ou 
roubada; ela está disponível gratuitamente a todos que a recebem pela fé (Jo 5.24; Rm 
4.4-5; Ef 2.8-9, Tt 3.5). 
Deus convida os necessitados. A palavra “vinde” aparece quatro vezes (v. 1, três 
vezes; v. 3, uma vez). A palavra é tão ampla quanto à necessidade humana.207 A mulher 
samaritana convidou os homens da aldeia dizendo: “Vinde comigo e vede um homem que 
me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?!” (v. 29). No Evangelho 
de Mateus, Jesus declarou: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, 
e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). E a Bíblia termina com esta mensagem: “O Espírito e a noiva 
dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba 
de graça a água da vida” (Ap 22.17). 
Será que a declaração de que todos estão convidados significa que esse versículo 
pode ser utilizado para ensinar que todos serão salvos? Não! Mais adiante, no versículo 
7, o profeta fala da necessidade de arrependimento.208 
 
“porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis 
misericórdias prometidas a Davi...” (Is 55.3) – As “fiéis misericórdias de Davi” ou 
promessas feitas a Davi culminarão com aquele que será (1) Uma testemunha, (2) Um 
 
207 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 664). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
208 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 874. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
114 
 
líder, e (3) O comandante dos povos (v. 4). Uma vez glorificado, Ele atrairá outros povos 
para a Sua causa (55.4). O mundo todo irá a Ele como o Grande Rei (v. 5). 
 
 
IV. O imperativo do perdão (Is 55.6-13) 
“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-oenquanto está perto...” 
(Is 55.6) – Aqui encontramos um dos mais claros convites de todo o Antigo Testamento 
para a salvação. Deus convida-nos a reconhecer o perigo do pecado e, em seguida, 
encontrar nEle a compaixão e o perdão que nos salva. Assim, o profeta chama, tanto 
judeus quanto gentios a “buscarem ao Senhor”, ou seja, buscar a Sua vontade com a 
intenção de se submeter a Ele. 
O que está envolvido em “buscar ao Senhor”? Isso significa admitir que somos 
pecadores e que temos ofendido ao Deus santo. Significa arrependimento (55.7). O 
arrependimento e a fé caminham juntos: “a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor 
Jesus Cristo” (At 20.21).209 
 
“... invocai-o enquanto está perto...” (Is 55.6) – Porém, ninguém deve deixar 
para o último momento. Aproxima-se o dia em que não haverá mais oportunidade para 
nos entregarmos ao Criador em arrependimento e para recebermos Seu perdão e 
auxílio. Na parábola da grande ceia, Deus fechou a porta sobre aqueles que desprezaram 
o convite (Lc 14.16-24; Pv 1.20-33). “Eis agora o tempo aceitável; eis agora o dia da 
salvação” (2Co 6.2). 
 
“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se 
ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em 
perdoar” (Is 55.7) – O versículo 7 é uma declaração clássica de arrependimento, 
desafiando a mente (cf. a palavra no Novo Testamento para “arrependimento”) e a 
vontade, os hábitos (forma) e os planos (implícito no hebraico para pensamentos). É 
tanto negativo (abandonar) quanto positivo (transformar), pessoal (ao Senhor) e 
específico (por misericórdia); e o Seu apelo é reforçado pela falta de tempo (6) e a pura 
generosidade da promessa (7).210 
 
“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos 
caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR” (Is 55.8) – Os pensamentos de Deus são 
mais abrangentes e mais férteis, bem como maiores do que os nossos. A graça de Deus 
está muito além da compreensão humana. 
 
209 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 146). Wheaton, IL: Victor Books. 
210 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 664). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
115 
 
 
“Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, 
sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente 
ao semeador e pão ao que come” (Is 55.10) – Como Deus vai chamar e salvar os 
pecadores? Pelo poder da Sua Palavra (Is 55.10-11). A Palavra de Deus é uma semente 
(Lc 8.11). Assim como a chuva e a neve nunca são desperdiçadas, mas cumprem Seus 
propósitos, da mesma forma, a Sua Palavra nunca falha. “A Palavra de nosso Deus 
permanece eternamente” (Is 40.8). A comparação da Sua palavra com a chuva e a neve, 
sugere um trabalho lento e silencioso, transformando a face da terra, no devido 
tempo.211 Do mesmo modo, nunca sabemos quando Deus utilizará até mesmo uma 
palavra casual de testemunho para plantar e regar a semente no coração de alguém. 
Por esta razão, quando ouvimos as promessas de Deus, devemos considerar o Seu 
projeto em si; de modo que, quando Ele promete o perdão gratuito de nossos pecados, 
podemos estar totalmente certos de que somos reconciliados através de Cristo.212 
 
“Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros 
romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas” 
(Is 55.12) – Isaías 55.12-13 descreve tanto a alegria dos exilados em sua libertação do 
cativeiro. O povo de Israel exilado retornará de sua dispersão regozijando-se em sua 
libertação e livre da importunação de seus inimigos. Seu decreto é dado nesses 
versículos (12-13), que combina as alegrias da libertação (12a), com a própria vinda do 
Senhor (cf. 12a com 52.12; 12b com Sl 96.12-13) e a restauração das antigas devastações 
(cf. 13a com 7.23-25 e talvez Gn 3.18). Observe sua fama especial como libertador (13b). 
 
“... os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as 
árvores do campo baterão palmas” (v. 12) – Como interpretar esse versículo? O que 
significa a expressão “as árvores baterão palmas”? Isso é uma metáfora! Significa que 
toda criação se curvará à vontade de Deus, e alegrar-se-á em cooperar com o trabalho de 
Deus.213 O poder de Deus será visível na restauração do Seu povo. Ele concederá ao Seu 
povo um caminho fácil. 
 
“Em lugar do espinheiro, crescerá o cipreste, e em lugar da sarça crescerá a 
murta; e será isto glória para o SENHOR e memorial eterno, que jamais será extinto” 
(Is 55.13) – Depois que Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden, espinhos e cardos 
começaram a sufocar a boa vegetação (Gn 3.17-19). Mas, no futuro, até mesmo a 
 
211 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 664). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
212 Calvin, John. Commentary on Isaiah - Volume 4, Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal 
Library, p. 106. 
213 Calvin, John. Commentary on Isaiah - Volume 4, Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal 
Library, p. 106. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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natureza se alegrará (Is 55.12 b). Deus removerá todos os obstáculos, e fornecerá tudo o 
que é necessário para conduzir o Seu povo em segurança. 
 
 
Conclusão: 
“Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes 
dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, 
vinho e leite” (Is 55.1). Como as Escrituras deixam claro, o dom da vida eterna é de 
graça. Ele foi pago pela morte de Cristo na cruz e foi estendido a todos os que estão 
dispostos a recebê-lo por meio da fé.214 
Deus oferece gratuitamente a água da vida àqueles cujos corações estão 
sedentos de perdão, cujas mentes estão sedentas da verdade e cujas almas estão 
sedentas por Ele.215 A água da vida é o próprio Jesus. Aqueles que o recebem têm a vida 
eterna (v.14). De fato, Jesus é uma fonte inesgotável de água viva para um mundo 
sedento. 
 
 
 
 
214 Walvoord, John F. ; Zuck, Roy B. ; Dallas Theological Seminary: The Bible Knowledge 
Commentary : An Exposition of the Scriptures. Wheaton, IL : Victor Books, 1983-c1985, S. 2:989 
215 MacArthur, John: Revelation 12-22. Chicago, Ill. : Moody Press, 2000, S. 305 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
117 
 
Isaías 56.9-57 
Imperativos para os crentes. 
 
 
Introdução: 
Durante a maior parte desta segunda divisão, dos nove capítulos de Isaías (caps. 
49-57), a ênfase tem sido sobre o futuro glorioso do remanescente. Agora, em 56.9-57. 
21, que conclui esses nove capítulos, Isaías trata sobre a situação espiritual de sua época. 
Tendo em vista o futuro glorioso, seria natural o povo obedecesse ao Senhor.216 Mas não 
foi isso o que eles fizeram. Isaías fala (1) dos líderes, (2) do pecado, e (3) do julgamento 
de Judá. Apenas uma breve nota positiva aparece no fim do capítulo (57.14-19). Esses 
capítulos servem para lembrar aos ouvintes de Isaías das razões para a recente invasão 
humilhante por Senaqueribe (cap. 37) e a ameaça profética do exílio babilônico (cap. 
39). 
 
I. A descrição dos líderes de Judá (Is 56.9-57.2) 
Foi a conduta ímpia dos líderes que causou a queda de Judá para a Babilônia (Lm 
4.13-14).217 Ao invés de retornarem para Deus, eles persistiram em total rebelião contra 
o Altíssimo. Assim, Judá estava prestes a ser atacada por animais do campo, ou seja, as 
nações inimigas: “O SENHOR Deus diz: “Venham, animais selvagens, venham e devorem o 
rebanho” (Is 56.9, NTLH). 
Os líderes, noentanto, não temeram o perigo. Eles estavam mais interessados em 
seu próprio benefício do que no bem-estar do povo. Isaías diz que eles eram como: (1) 
Atalaias (vigias) cegos que não podem ver; (2) Cães (vigias) mudos que não podem 
ladrar; e (3) Pastores que nada compreendem, que não sabem o que é melhor para o 
rebanho (v. 11). Eles estavam totalmente entregues à ganância e autoindulgência. Eles 
pensavam apenas no presente, não possuíam nenhuma preocupação com o futuro (56.9-
12). Os líderes não estavam alertas; eles gostavam de dormir (eram preguiçosos), e 
quando estavam acordados, eles gostavam de comer e beber: “Eles dizem uns aos outros: 
Vamos procurar vinho e cerveja e cair na bebedeira. Amanhã, faremos a mesma coisa, e 
ainda mais do que hoje!” (Is 56.12). 
 
 
 
 
216 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1112). Wheaton, IL: Victor Books. 
217 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 148). Wheaton, IL: Victor Books. 
15 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
118 
 
“As pessoas direitas morrem, e ninguém se importa; os bons desaparecem, e 
ninguém percebe. É o poder do mal que os leva embora, mas eles encontram a paz. 
Os que vivem uma vida correta descansam em paz na sepultura” (Is 57.1–2, NTLH) –
Deus estava lentamente removendo os justos prematuramente do meio de Jerusalém. Os 
líderes não tomaram conhecimento do presente aviso.218 
Quando o povo rejeita a Sua Palavra e prefere líderes mundanos, Deus pode dar-
lhes exatamente o que desejam e deixá-los sofrer as consequências.219 A única maneira 
do justo ser poupado de tal frustração era morrendo. Quando repousavam na cama dos 
seus túmulos. Assim, Deus estava preservando os fiéis do mal moral de seus arredores, e 
da calamidade que estava prestes a acontecer Judá (57.1-2). 
 
 
II. A descrição do pecado de Judá (Is 57.3-10) 
Durante os últimos dias de Judá e de Jerusalém, antes da Babilônia, a terra e a 
cidade estavam contaminados com os ídolos. O Rei Ezequias e Josias levaram as pessoas 
a destruírem os ídolos; mas quando um rei ímpio assumia o trono, o povo voltava para 
os velhos hábitos. Tanto Isaías quanto Jeremias advertiram ao povo que Deus os puniria 
por violar a Sua Lei, mas eles persistiram nos caminhos das nações ímpias ao seu redor. 
 
“O SENHOR Deus diz: Venham cá para serem julgados, seus filhos de uma 
feiticeira, raça de adúlteros e prostitutas!” (Is 57.3, NTLH) – Para sublinhar a sua 
forte ligação com a idolatria e o ocultismo, Deus se refere aos habitantes de Jerusalém 
como “filhos de uma feiticeira/agoureira”. Esses pecadores endurecidos ridicularizavam 
aqueles que tentavam fielmente submeter-se à Lei de Deus (Is 57.3). 
A maior parte do povo de Judá foi considerada culpada de uma ampla gama de 
práticas repugnantes, seis dos quais são citados a título de exemplo. Eles (1) Se 
entregavam a bebedeiras; (2) Sacrificavam crianças inocentes; (3) Envolviam-se em 
imoralidade sexual em lugares altos; (5) Criar divindades particulares dentro de suas 
casas; e (6) Viajou para santuários distantes para honrar o rei, ou seja, o deus Moloque 
(57.5-10). 
 
“Detrás das portas e das ombreiras pões os teus símbolos eróticos, puxas as 
cobertas, sobes ao leito e o alargas para os adúlteros; dizes-lhes as tuas exigências, 
amas-lhes a coabitação e lhes miras a nudez” (Is 57.8) – Suas casas deveriam ser 
centros de aprendizagem sobre a Lei do Senhor, mas o povo transformou em locais de 
adoração a ídolos e adultério (v. 8; cf. Dt 6.9). Leito e nudez podem se referir à 
perversidade sexual envolvida nesse tipo de culto ou podem simbolizar a idolatria (que 
era por vezes comparada ao adultério espiritual). 
 
218 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 56.9–57.2). Joplin, MO: College Press. 
219 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 149). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
119 
 
Mas eles também foram considerados culpados de se juntarem a líderes pagãos e 
confiarem neles para a proteção, em vez de confiar em Deus (v. 9). Confiar em um 
governante pagão e seu exército era o mesmo que confiar no falso deus que eles 
adoravam (Is 30.1-7; 31.1-3). Eles descobrirão que a confiança depositada em suas 
alianças políticas foi um grande fracasso e se recusarão em admitir que esses tratados 
foram em vão (Is 57.10). Deus mostrará o seu pecado e os julgará; e quando isso 
acontecer, a coleção de ídolos não será capaz de salvá-los. Contudo, aqueles que 
confiaram no Senhor, “possuirão a terra”. 
Qualquer coisa que confiemos que não seja o Senhor se torna o nosso deus e, 
portanto, é um ídolo. Podem ser a nossa formação, experiência, trabalho, dinheiro, 
amigos ou posição. 
 
 
III. A descrição do juízo de Judá (Is 57.11-13) 
“Vocês têm tanto medo desses deuses! Mas quem são eles para que vocês me 
contem mentiras e me esqueçam completamente? Será que é porque eu fiquei 
calado tanto tempo, que vocês não me temem?” (Is 57.11) – Essas pessoas temiam os 
falsos deus mais que o verdadeiro Deus, a quem serviam com hipocrisia, abusando da 
paciência de Deus. Aqueles que confiaram no Senhor, no entanto, “possuirão a terra”. 
 
“Eu publicarei essa justiça tua; e, quanto às tuas obras, elas não te 
aproveitarão” (Is 57.12) – A maioria dos israelitas tinha esquecido o verdadeiro Deus, 
aparentemente porque ele parecia ter ficado em silêncio. Assim, em ironia o Senhor 
disse que publicará a “justiça” deles. Suas supostas obras de justiça, quando expostas, 
mostrarão quem eles realmente eram, e como resultado suas obras serão de nenhuma 
ajuda diante do Senhor. 
As pessoas gostavam de frequentar o templo, obedeciam às leis de Deus, 
jejuavam, e pareciam ansiosos para buscar o Senhor; mas o culto era apenas um show. 
Seus corações estavam longe de Deus (1.10-15; 29.13; Mt 15.8-9). 
 
“Quando vocês gritarem pedindo ajuda, os seus muitos deuses não os 
atenderão. O vento levará esses deuses para longe, um sopro os fará desaparecer...” 
(Is 57.13) – Quando estivessem em apuros, Deus declarou, ironicamente, que eles 
deverão clamar aos seus deuses. Porém, quando a tempestade começar a soprar, os 
ídolos serão arrasados como a palha (v. 13). 
 
“... Mas os que confiam em mim morarão na Terra Prometida; o meu monte 
santo será deles” (Is 57.13) – Em contraste aqueles que confiaram no Senhor herdarão 
a terra (cf. Sl 25, 12-13, Sl 37. 9-11, 22, 29; Sl 69.35-36). 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
120 
 
 
IV. A descrição da esperança de Judá (Is 57.14-19) 
“Dir-se-á: Aterrai, aterrai, preparai o caminho, tirai os tropeços do caminho 
do meu povo” (Is 57.14) – Deus tem uma palavra de encorajamento para o 
remanescente fiel: O caminho de volta será construído e os obstáculos removidos, de 
modo que os exilados voltarão à terra e servirão ao Senhor. 
Este poderoso Deus havia escolhido fazer a Sua morada com os de espírito 
contrito e humilde. Esta afirmação era um conforto para os humildes, mas um aviso aos 
espiritualmente orgulhosos (Is 57.14; 66.2; Sl 34.18; Sl 51.17). O orgulho é um pecado 
que Deus odeia (Pv 6.16-17) e que Deus resiste (1Pe 5.5-6). Mesmo que Deus seja 
majestoso (alto e sublime; cf. 6, 1), eterno e santo (cf. Is 6.3), Ele habita com aqueles que 
são contrito e abatidos de espírito (cf. Is 66.2).220 
 
“Tenho visto como eles agem, mas eu os curarei e os guiarei; eu os consolarei. 
Nos lábios dos que choram” (Is 57.18, NTLH) – Embora Deus conheça os caminhos do 
Seu povo, Ele vai curar, ou seja, perdoá-los e restaurá-los. Ele os confortará e os levará 
também. Por Sua parte, os redimidos do Senhor responderão a graça de Deus, louvando-
o. Eles reconhecerão que a paz de Deus está disponível a todos os que estão perto e 
longe, ouseja, judeus e gentios. A terra prometida foi reservada para aqueles que 
confiaram no Senhor e demonstram um espírito arrependido. Havia chegado a hora de 
Deus curá-los, orientá-los e consolá-los. 
 
V. O aviso final (Is 57.20-21) 
A maravilhosa paz que excede todo o entendimento não é a sorte dos ímpios. Eles 
são como o mar agitado, que agita lama e sujeira, ou seja, pensamentos e más ações. Eles 
não têm a paz aqui, ou daqui por diante. 
 
“Porém os maus são como o mar agitado: as suas ondas não se acalmam e 
trazem lama e sujeira para a terra. Não há segurança para esses pecadores. O meu 
Deus falou” (Is 57.20–21) – Os perdoados desfrutar de paz, mas os ímpios não têm 
descanso nem paz (cf. Is 48.22). Eles estão condenados porque se recusam a voltar para 
o Senhor. Eles estão constantemente em movimento, mesmo no dia mais calmo. Como o 
mar revolto jogando lixo e lama. Isto é, pensamentos, palavras e obras que são lixo e 
sujeira. 
A paz não está em nós e não podemos produzi-la, não importa o quanto tentemos. 
A paz é apenas encontrada quando nos entregamos à vontade daquele que é poderoso. 
Aquele é o Príncipe da paz! 
 
220 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1112–1113). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
121 
 
Conclusão: 
“Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz” (Is 57.21). Isaías afirma que “a paz” 
e a “herança” final pertence àqueles “que se refugiam” no Senhor. Os crentes de todas as 
épocas devem reconhecer isso. “As portas do inferno não prevalecerão contra o povo de 
Deus” (Mt 16.18). Em última análise, o mundo não pode superar a igreja, assim como a 
escuridão não pode superar a luz (Is 42.16; 58.10; 59. 9; Jo 1. 5; 1Jo 1.5; 2.8). 
Isso não significa que não enfrentaremos problemas. Deus nem sempre vai fazer 
o que esperamos, mas Ele sempre vai fazer o que prometeu. Ele nunca prometeu 
ausência de provações, mas sempre prometeu estar com conosco, até mesmo, em meio 
às dificuldades da vida (Hb 13.5b). 
Portanto, é hora de voltar para o Pai, ou como Tiago colocou: “chegai-vos a Deus e 
Ele se chegará a vós outros” (Tg 4.8). Não há santidade sem confissão. Não há benção sem 
a presença do Pai. Tenha coragem de mudar. 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
122 
 
Isaías 58 
O livro da glória futura 
 
Introdução: 
Como vimos, a segunda seção de Isaías (capítulos 40-66) se divide em três partes 
de nove capítulos cada (capítulos 40-48; 49-57; 58-66). A primeira e a segunda parte 
terminam com a declaração divina de que “não há paz para os ímpios” (48.22; 57.21). 
Nesta seção final de nove capítulos do livro, Isaías olhou para o presente e para o 
futuro.221 No capítulo anterior (Is 57), Isaías falou aos idólatras (Is 57.3-13). Agora, o 
profeta fala àqueles que adoravam ao Senhor com falsidade. Alguns judeus achavam que 
poderiam ganhar o favor de Deus com jejuns e humilhações autoimpostas, e ficaram 
surpresos quando essas privações não produziram o resultado esperado (Is 58.2-3).222 
Deus queria fazer coisas maravilhosas para o seu povo. As dificuldades, no 
entanto, estavam no caminho. O profeta identifica pela primeira vez esses obstáculos e, 
em seguida, mostra o que acontece quando obedecemos a Deus. 
 
I. Obstáculos identificados (Is 58.1-59.8) 
Deus ordenou que Isaías anunciasse corajosamente e claramente à casa de Jacó as 
suas transgressões (58.1). Em resposta, o profeta proclamou acerca de três pecados 
específicos que se toraram impedimentos para a bênção celestial. 
 
A. Um jejum hipócrita (Is 58.2-12) 
“Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e 
anuncia ao meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados” (Is 58.1) 
– Deus disse a Isaías para gritar em voz alta como o som de uma trombeta e anunciar os 
pecados da nação. As pessoas frequentavam o templo, jejuavam e pareciam ansiosos 
para buscar o Senhor; mas o culto era apenas uma aparência externa. Seus corações 
estavam longe de Deus (Is 1.10-15; 29.13; Mt 15.8-9).223 Deus conhece o nosso coração e 
as motivações de nossa adoração. Nossos exercícios espirituais podem impressionar os 
outros, mas não podem enganar a Deus. 
 
 
221 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1113). Wheaton, IL: Victor Books. 
222 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 876. 
223 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 150–151). Wheaton, IL: Victor Books. 
16 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
123 
 
“Mesmo neste estado, ainda me procuram dia a dia, têm prazer em saber os 
meus caminhos; como povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus, 
perguntam-me pelos direitos da justiça, têm prazer em se chegar a Deus...” (Is 58.2) 
– Eles fingiam em ter alegria de conhecer a vontade de Deus. Eles se apresentavam como 
uma nação justa, que merecia a justiça de Deus (58.2). Tendo exposto a hipocrisia geral 
da nação, Isaías concentrou em um aspecto da falsa adoração, o jejum. 
 
 “dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos 
a nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos 
vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho” (Is 58.3) – A 
expressão “No dia em que jejuais” provavelmente refere-se ao dia da expiação (Yom 
Kippur), uma ocasião ordenada por Deus como um dia especial para jejuar a fim de 
expiar o pecado (Lv 16.29-31). Além disso, o povo também poderia jejuar pessoalmente 
se quisessem. No entanto, embora estivessem jejuando, eles reclamaram com o profeta 
sobre o fato de que Deus não se importava com o que eles estavam fazendo. Warren 
Wiersbe estava certo quando escreveu: “Adorar a Deus envolve mais do que observar 
um ritual externo; deve haver uma obediência interna e submissão ao Senhor (Mt 6.16-
18)”.224 
A explicação era simples, Isaías diz que enquanto jejuavam, eles comentiam os 
seguintes pecados: (1) Faziam o que queriam (Is 58.3); (2) Oprimiam os empregados (Is 
58.3); A palavra “exigir” no versículo três, (nagas, em hebraico) significa pressionar, 
conduzir, oprimir, cobrar, exercer pressão.225 (3) Eles brigavam entre si (Is 58.4); e (4) 
Faziam uma grande apresentação: “Será que desejo que passem fome, que se curvem como 
um bambu, que vistam roupa feita de pano grosseiro e se deitem em cima de cinzas? É isso 
o que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada?” (Is 58.5, 
NTLH). 
Humilhar-se é inútil se o objetivo é apenas parecer humilde. Não é suficiente 
vestir-se aparentando de lamentação pelo pecado, mas sem nenhuma tristeza genuína 
(Is 58.5; 15.3; 35.35-36). Jesus insistiu que, para evitar a hipocrisia diante de Deus, o 
jejum e a abnegação deveriam ser praticados sem ostentação (Mt 6.5-6, 16-18). Deus 
deve ser adorado em Espírito e verdade (Jo 4.24).226 
 
“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da 
impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e 
despedaces todo jugo?” (Is 58.6) – O verdadeiro jejum bíblico é mais do que um 
exercício religioso. Jejum não é uma ferramenta de manipulação para obter algo de Deus. 
O jejum deve ser antes de tudo uma expressão de anseio do coração por uma maior 
 
224 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 151). Wheaton, IL: Victor Books. 
225 Swanson, J. (1997). Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains : Hebrew (Old 
Testament). Oak Harbor: Logos Research Systems, Inc. 
226 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. SãoPaulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 876. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
124 
 
intimidade com Deus. O jejum adequado deve ser acompanhado de uma vida obediente 
(1Sm 15.22). O que Deus queria não era tanto a abstenção de alimento, mas (1) Que eles 
libertassem os que estavam escravizados ilegalmente; (2) Que alimentassem os 
famintos; e (3) Vestissem os pobres (Is 58.7). Esses atos de compaixão eram muito mais 
importantes aos olhos de Deus do que negar a si mesmo sustento físico (Is 58.9-10). 
O que o povo precisava entender era que o motivo bíblico principal de jejuar é 
desenvolver um andar mais perto de Deus. Não podemos esperar as bênçãos de Deus 
por meio do jejum, se os nossos corações não estão corretos diante dEle e se não 
estamos vivendo de acordo com Sua Palavra. 
 
No livro do profeta Malaquias, o povo questionou a Deus: “... Que nos aproveitou 
...andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos?” (Ml 3.14). Embora estivessem em 
jejum e pano de saco e lamentassem sobre os pecados pessoais e nacionais, o jejum era 
apenas uma fachada para mascarar a sua verdadeira condição espiritual.227 Em outras 
palavras, eles estavam dizendo, “Deus, temos cumprido a lei através da realização de 
nossas obrigações, mas o Senhor não tem cumprido suas promessas de nos abençoar”. 
Eles estavam sutilmente sugerindo que Deus não estava mantendo suas promessas.228 
Assim, o culto tinha sido sem nenhum “proveito”. O problema, é claro, não estava do lado 
de Deus. 
Há hipocrisia em sua vida? A questão pode ser resolvida rapidamente, 
perguntando a si mesmo, “eu sou um ator, alguém que finge viver uma vida dedicada ao 
Senhor, enquanto, na realidade, penso e vivo o contrário?” Somente você pode 
responder a estas questões e fazer as mudanças necessárias em sua vida. 
 
“Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua 
justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda” (Is 58.8) – Se o 
povo obedecesse a Deus encontraria a resposta do Senhor. Esse tipo de jejum seria 
abençoado por Deus a uma medida extraordinária. Pelo menos nove bem-aventuranças 
são proferidas: (1) “Luz”, ou seja, bênção, símbolo da prosperidade (Jó 11.17). (2) A cura 
de todos os males. (3) A justiça e a proteção de Deus (Is 58.8). Isso significa que eles 
teriam a proteção em sua caminhada. (4) Orações respondidas (58.9a). (5) Deus vai 
orientá-los, (6) O Senhor os sustentará, e (7) Serão fortalecidos. (8) Eles serão bem-
sucedidos em tudo o que fizerem. (9) Eles serão conhecidos como o “reparadores de 
brechas e restauradores de veredas” (Is 58.12). 
 
 
 
 
227 Levy, D. M. (1992). Malachi: Messenger of rebuke and renewal. Bellmawr, NJ: Friends of Israel 
Gospel Ministry. 
228 Walvoord, J. F., Zuck, R. B., & Dallas Theological Seminary. (1985). The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Ml 3.14). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
125 
 
II. O abuso do sábado (Is 58.13-14). 
“Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios 
interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do 
SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não 
pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs” (Is 58.13) – Os 
contemporâneos de Isaías haviam falhado em santificar o sábado como um dia santo e 
especial. Essa desconsideração insensível para o quarto mandamento foi um empecilho 
para a bênção divina. O arrependimento em relação ao abuso de sábado levaria a (1) A 
uma nova comunhão com Deus; (2) Superar as dificuldades e obstáculos; e (3) 
Permanência na terra prometida. 
Se o jejum era uma oportunidade para mostrar amor ao próximo, o sábado 
deveria expressar, antes de tudo, o nosso amor a Deus.229 Obedecer ao Senhor na 
questão do sábado era reconhecer a importância de adorar a Deus e mostrar total 
dependência em Deus a fim de alcançar as bênçãos materiais. Ao colocar Deus em 
primeiro lugar, fazendo o que Deus desejava, uma pessoa teria alegria, não apenas na 
salvação espiritual (cavalgar sobre as alturas), mas também prosperidade (herança). 
Tudo isso seria concretizado, porque o Senhor o mesmo havia prometido (cf. 1.20; 40. 
5).230 
Embora existam opiniões diferentes sobre se os cristãos devem guardar ou não o 
sábado, a Bíblia diz que não estamos mais debaixo da Lei (Rm 6.14). Assim, o domingo 
não é o sábado cristão, com uma lista de coisas que podemos ou não podemos fazer (Rm 
14.5; Gl 4.10; Cl 2.16-17). Entretanto, ao mesmo tempo há princípio nas Leis do sábado 
no Antigo Testamento que podemos e devemos aplicar hoje. 
Murray afirma corretamente que “... o Shabbath... não deve ser definido em 
termos de cessação das atividades, mas cessação do tipo de atividade que fazia parte do 
trabalho nos outros seis dias”.231 Domingo é também um bom dia para investir tempo 
com outros crentes, e tempo com o Senhor durante os horários que estávamos ocupados 
durante a semana, no trabalho. 
Conforme a Confissão de Fé de Westminster, “Deus designou particularmente um 
dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do 
mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a 
ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é 
chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o 
sábado cristão” (Ref. Êx 20.8-11; Gn 2.3; 1Co 16.1-2; At 20.7; Ap 1.10; Mt 5.17-18 -
Capítulo XXI, Do Culto Religioso e do Domingo, Seção VII). 
 
 
229 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 665–666). Leicester, England; Downers Grove, IL: 
Inter-Varsity Press. 
230 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1113–1114). Wheaton, IL: Victor Books. 
231 MURRAY, John. Principles of conduct (Grand Rapids: Eerdmans, 1957), p. 33. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
126 
 
O Dia do Senhor não é uma imposição. 
O domingo (Dia do Senhor) deve ser um dia específico para um fim específico (Is 
58.1). A questão principal é o que devemos fazer em vez do que não devemos fazer no 
dia do Senhor. 
Há coisas que não devemos fazer no Dia do Senhor? Certamente. Qualquer coisa 
que venha a prejudicar nossa adoração não deve ser feita. Tudo o que possa roubar do 
Dia do Senhor a prioridade da adoração, não deve ser feita.232 Nesse dia, devemos nos 
envolver em atividades de adoração, ensino e aprendizado das Escrituras. 
Para os cristãos, este dia não é um dia de regras humanas (Cl 2.16) para alcançar 
a salvação (Gl 4.9-10). Pelo contrário, é o Dia do Senhor (Ap 1.10), o dia para celebrar a 
ressurreição (Jo 20.1, 19) e da vinda do Espírito Santo (At 2.1). É um tempo de 
renovação (Êx 20.8-11), bênção (Mt 12.9-14) e alegria (Is 58.13). 
Logo, os cristãos não estão sob as Leis específicas do sábado do Antigo 
Testamento (Gl 4.10). Mas nos foi dado um novo dia, o “Dia do Senhor”, para desfrutar. É 
um dia de culto alegre e vivo. Mas será que realmente apreciamos como tal? Será que 
realmente o utilizamos o domingo para o culto e testemunho cristão? Ou apenas 
fingimos fazê-lo, ao passar alguns momentos formais na igreja e o restante assistindo 
futebol ou simplesmente descansando?233 
O autor e pregador americano John Piper em seu livro “Fome por Deus” 
compartilha a história de um dos membros de sua igreja, Doug Nichols. Doug foi 
diagnosticado com câncer de cólon em abril de 1993. Os médicos lhe deram uma chance 
de 30% de vida após a cirurgia. Durante uma guerra civil em Ruanda, ele entrou num 
avião e foi para com uma equipe de pessoas, incluindoalguns membros da Igreja Batista 
Bethlehem. Seu oncologista não-cristão disse que ele iria morrer em Ruanda. Doug disse 
que isso não seria problema porque ele estaria no céu. O oncologista ficou aflito e 
telefonou para o cirurgião de Doug para pedir-lhe ajuda para fazer o Doug desistir de ir a 
Ruanda. O cirurgião, que é um cristão, disse que Doug esta preparado para morrer e ir 
para o céu. 
Quando a igreja ficou sabendo que Doug iria – com seu câncer e sua colostomia – 
para Ruanda, alguns dos obreiros da igreja Xe reunirão em ora para clamar por Doug. O 
texto lido na reunião foi Isaías 58.10-11. 
O grupo de irmão clamou especificamente para que a alimentação dos famintos e 
desabrigados em Ruanda não matasse Doug Nichols, mas o curasse. De Ruanda, Doug 
ligou para seu oncologista e lhe disse que não estava morto. E ao voltar ele fez uma 
bateria de exames que resultaram no seguinte resultado: nenhuma evidência de doença. 
Somente Deus sabe o futuro de Doug enquanto ele se derrama pelas crianças.234 
 
232 MOHLER Jr. R. Albert. Palavras do fogo. Como ouvir a voz de Deus nos Dez Mandamentos. São 
Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010, p. 76. 
233 Boice, J. M. (2005). Nehemiah: an expositional commentary (111). Grand Rapids, MI: 
BakerBooks. 
234 PIPER, John. Fome por Deus. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 138-139. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
127 
 
Portanto, vamos confiar no Médico dos médicos. Vamos aceitar o jejum que Ele 
prescreveu para nós. O resultado será luz, cura, direção, alívio, restauração e 
desembaraço – e tudo isso com o próprio Deus adiante de nós, detrás de nós e no nosso 
meio. E visto que é por nossas boas obras que as pessoas verão a luz e darão glórias ao 
nosso Pai no céu (Mt 5.16). Se estivermos famintos por toda plenitude de Deus, aqui está 
o jejum que nos saciará.235 
 
III. Injustiça social (Is 59.1-8) 
“Ninguém há que clame pela justiça, ninguém que compareça em juízo pela 
verdade; confiam no que é nulo e andam falando mentiras; concebem o mal e dão à 
luz a iniquidade” (Is 59.4) – Alguns questionaram a capacidade de Deus de fazer 
cumprir Suas promessas. Eles se perguntavam se Deus realmente ouvia suas orações. A 
falta de intervenção divina, no entanto, não tinha nada a ver com a capacidade de Deus. 
Seu “braço”, ou seja, o poder, não era curto demais para estender a mão e ajudar. Ele não 
estava com dificuldades de audição. Na verdade, a iniquidade e o pecado de Judá levou 
Deus a se afastar deles. A barreira do pecado impediu o Senhor de ouvir suas orações 
(59.1). 
 
 
Conclusão: 
O socialista e filósofo Karl Marx disse que “a religião é o ópio do povo”. Ele quis 
dizer que a religião nos entorpece para que nossos opressores tenham menos problemas 
para manter a supremacia. Mas Marx entendeu exatamente o contrário.236 Não é a 
religião que nos entorpece e nos deixa alienados e paralisados, é o pecado. Os cegos 
espiritualmente são muitas vezes iludidos e inconscientes de seu pecado e culpa. 
O povo na época de Isaías desejava o favor de Deus, mas não queria se submeter à 
vontade do Altíssimo. De fato, o Senhor não era prioridade para eles. O Senhor Jesus 
declarou que devemos buscar em primeiro lugar o Seu reino e Sua justiça e todas as 
coisas serão acrescentadas (Mt 6.33). Mas isso não se aplica apenas aos pastores, 
missionários e outros trabalhadores. Isso se aplica a todos os seguidores de Jesus. Você 
está buscando em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça em sua vida pessoal, 
negócios, família e no seu tempo de lazer? O Senhor é prioridade em sua vida? 
 
 
 
235 PIPER, John. Fome por Deus. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006, p. 162-163. 
236 Boice, James Montgomery: Daniel : An Expositional Commentary. Grand Rapids, Mich. : Baker 
Books, 2003, S. 61 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
128 
 
Isaías 59 
Quando a oração fica sem resposta. 
 
Introdução: 
No capítulo 59 o Senhor falou novamente dos pecados do povo e da sua oferta de 
salvação por causa da aliança com Abraão.237 Enquanto o capítulo 58 descreve a 
verdadeira justiça e suas bênçãos, o capítulo 59 descreve o pecado (3-8) e sua 
obliteração de todos os valores (9-15). Apesar disso, Deus libertará o Seu povo, 
puramente por causa do Seu próprio nome (v. 16-19). O profeta Isaías aqui corrige o 
erro daqueles que haviam declarado que Deus não respondia as orações do povo (Is 
58).238 Quais os pecados que levaram o Senhor a retira a Sua presença? 
 
I. Os pecados de Israel 
“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; 
nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir” (Is 59.1) – Alguns questionaram a 
capacidade de Deus de cumprir Suas promessas. Na verdade, a barreira do pecado 
impediu o Senhor de ouvir as orações do Seu povo (59.1). 
 
“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os 
vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2) –
Embora o Senhor pudesse ouvi-los, Ele escolheu não ouvir o clamor do Seu povo (Is 
59.2). O pecado impede as orações de serem respondidas (cf. Sl 66.18). Esses pecados 
incluíam assassinato, mentira, injustiça (cf. Is 59.9, 11, 14-15), e o maquinar o mal (v. 3-
4). Todos os tipos de injustiça foram praticados em Judá. Isaías apresentou uma 
avaliação da cabeça aos pés da doença desta nação. 
 
“Ninguém há que clame pela justiça, ninguém que compareça em juízo pela 
verdade; confiam no que é nulo e andam falando mentiras; concebem o mal e dão à 
luz a iniquidade” (Is 59.4) – As teias emaranhadas do engano não escondiam suas 
verdadeiras intenções diante do Senhor. Seus pensamentos eram “pensamentos de 
iniquidade”. 
 
 
237 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1114). Wheaton, IL: Victor Books. 
238 Henry, M. (1994). Matthew Henry’s commentary on the whole Bible: complete and unabridged in 
one volume (p. 1197). Peabody: Hendrickson. 
17 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
129 
 
“Chocam ovos de áspide e tecem teias de aranha; o que comer os ovos dela 
morrerá; se um dos ovos é pisado, sai-lhe uma víbora” (Is 59.5) – Os ovos de víboras e 
teias de aranha revelam, por um lado, a influência venenosa de pessoas más, e em 
segundo lugar, a futilidade de confiar em suas políticas ou promessas (6).239 Suas ações 
eram como os de cobras venenosas mortais (víboras), pois estavam prejudicando os 
outros. 
 
“As suas teias não se prestam para vestes, os homens não poderão cobrir-se 
com o que eles fazem, as obras deles são obras de iniqüidade, obra de violência há 
nas suas mãos” (Is 59.6) – Seus pensamentos são vãos, como a teia de aranha, que 
depois de pronta, torna-se algo frágil e insignificante. Os pensamentos dos homens 
 
“Os seus pés correm para o mal, são velozes para derramar o sangue 
inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; nos seus caminhos 
há desolação e abatimento” (Is 59.7) – Na pressa de fazer as coisas más, eles estavam 
causando ruína para outros (v. 7) e estavam constantemente viajando por maus 
caminhos. Como resultado, eles não desfrutavam de paz (v.8; cf. Is 48.22; 57.20-21).240 
 
 
II. Obstáculos removidos (Is 59.9-21) 
A única forma de acabar com a barreira do pecado é uma vida de 
arrependimento. Somente assim, Deus pode mudar as circunstâncias humilhantes do 
Seu povo. 
 
A. Confissão do pecado (Is 59.9-15a) 
“Por isso, está longe de nós o juízo, e a justiça não nos alcança; esperamos 
pela luz, e eis que há só trevas; pelo resplendor, mas andamos na escuridão” (Is 
59.9). Endireitar as questões com Deus sempre começa com a admissão do delito. Para 
aqueles que uma vez andaram com o Senhor,alienação espiritual é uma experiência 
terrível. O remanescente reconheceu que (a relação correta entre os homens) “juízo” e 
“justiça” (relacionamento correto com Deus) não estavam em evidência. As coisas eram 
escuras e sombrias. Sem a luz da revelação divina andavam como cegos. É interessante a 
última parte do versículo dez: “... e, em plena flor da idade, parecemos mortos” (Is 
59.10, NTLH). O pecado destrói nossa vida. 
 
239 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 666). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
240 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1114). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
130 
 
“Todos nós bramamos como ursos e gememos como pombas; esperamos o 
juízo, e não o há; a salvação, e ela está longe de nós” (Is 59.11) – Os homens 
resmungavam como ursos, e gemiam como as pombas. Eles ansiavam por “justiça” e 
“salvação” e não encontravam (Is 59.9-11). 
O remanescente reconheceu que seus problemas surgiram devido aos pecados 
numerosos. Eles admitiram que (1) Os pecados do coração - traição e infidelidade; (2) 
Pecados dos lábios - opressão, revolta, e falsidade; e (3) Perversão da justiça (Is 59.12-
15a). 
 
 
B. A resposta de Deus (Is 59.15b-21) 
Em resposta à confissão do profeta, em nome da nação, uma mensagem de 
salvação surge agora. O Senhor quer julgará e retornará para governar o Seu povo 
arrependido. 
 
“Sim, a verdade sumiu, e quem se desvia do mal é tratado como presa. O 
SENHOR viu isso e desaprovou o não haver justiça” (Is 59.15) – Deus estava ciente da 
condição de Israel. Não havia ninguém que se levantasse para defender a causa dos 
oprimidos (v. 16). Ele, então, determinou que devesse agir. Isaías não estava dizendo 
que o Senhor não quer se envolver, mas que Israel era totalmente incapaz de ajudar a si 
mesma. Somente Deus poderia ajudá-los. Isto é verdade para a salvação em qualquer 
época. Ninguém pode salvar-se. Somente Deus é capaz de perdoar o pecado e mudar o 
coração de uma pessoa.241 
 
“Vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na 
cabeça; pôs sobre si a vestidura da vingança e se cobriu de zelo, como de um manto” 
(Is 59.17) – Isaías descreveu Deus como se estivesse preparando-se para uma batalha 
contra a injustiça e a transgressão. Como um guerreiro Deus sai para lutar em favor do 
Seu povo. Ele utilizou a justiça, salvação, vingança e zelo. 
 
“Temerão, pois, o nome do SENHOR desde o poente e a sua glória, desde o 
nascente do sol; pois virá como torrente impetuosa, impelida pelo Espírito do 
SENHOR” (Is 59.19) – Ele trará a recompensa aos seus inimigos dentro e fora Judá (v. 
18). Devido a isso, as pessoas em todos os lugares reconhecerão a Sua glória, a 
majestade esmagadora, e força (como uma torrente impetuosa). Quando virem o poder 
irresistível do Seu juízo, os homens, tanto no Ocidente quanto no Oriente reconhecerão a 
majestade do Senhor (Is 59.17-19). 
 
241 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1114). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
131 
 
“Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem, diz o SENHOR” (v. 
20) – O Redentor virá a Sião. O termo “redentor” (go˒el, em hebraico) é usado treze vezes 
por Isaías, todos nos últimos vinte e sete capítulos do livro. Este termo técnico refere-se 
à pessoa que tinha o direito e a obrigação de comprar a liberdade de um parente que 
havia caído em escravidão.242 O Senhor é o go˒el que resgatará o Seu povo da escravidão. 
Aqueles que se desviarem da transgressão irão reconhecê-lo (v. 20). 
 
“Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu 
Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se 
apartarão dela, nem da de teus filhos, nem da dos filhos de teus filhos, não se 
apartarão desde agora e para todo o sempre, diz o SENHOR” (Is 59.21) – Associado a 
este Redentor está uma nova aliança. Deus ungirá este Redentor com o Seu Espírito (cf. 
Is 42.1). E colocará as palavras na boca do Redentor (cf. Is 50.4). O Redentor fielmente 
transmitirá estas palavras à Sua descendência, ou seja, os Seus discípulos, e eles por sua 
vez, proclamarão as palavras através das gerações (59.20f). Que este Redentor é Jesus 
Cristo fica claro em Romanos 11.26.243 Os participantes desta aliança, não apenas 
conhecem o Senhor, mas falam do Senhor (Jr 31.34), como uma nação de profetas (cf. 
Nm 11.29; Jl 2.28).244 
Calvino com muita inteireza declarou: “Esse é o tesouro mais valioso da Igreja, 
saber que Deus escolheu habitar no coração dos crentes, pelo seu Espírito”.245 
A glória do Senhor no reino prometido é o tema dos capítulos finais de Isaías. 
 
 
Conclusão: 
Em 1464 um escultor chamado Agostino di Duccio começou a trabalhar em um 
grande pedaço de mármore bruto. Com a intenção de produzir uma magnífica escultura 
de um homem do Antigo Testamento para uma catedral em Florença, Itália, ele 
trabalhou por dois anos e depois abandonou a obra. Em 1476 Antonio Rossellino 
começou a trabalhar no mesmo pedaço de mármore e, algum tempo depois, também 
abandonou o projeto. 
Em 1501, um escultor de 26 anos de idade chamado Michelangelo recebeu uma 
soma considerável de dinheiro para produzir algo de valor do enorme bloco de mármore 
chamado de “o gigante”. Quando ele começou o seu trabalho, Michelangelo viu uma 
 
242 Vine, W. E., Unger, M. F., & White, W., Jr. (1996). Vine’s Complete Expository Dictionary of Old 
and New Testament Words. Nashville, TN: T. Nelson. 
243 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 59.15b–21). Joplin, MO: College Press. 
244 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 666). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
245 Calvin, John Calvin. Commentary on Isaiah - Volume 3, Grand Rapids, MI: Christian Classics 
Ethereal Library, p. 367. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
132 
 
grande falha na parte inferior do bloco que havia frustrado os outros escultores. Ele 
decidiu transformar aquela parte da pedra em um toco de árvore quebrada que serviria 
para apoiar a perna direita. O resto ele trabalhou por quatro anos, até que conseguiu 
produzir o incomparável “Davi”. Hoje a estátua de mais de 5 metros de altura está em 
exposição na Academia de Belas artes de Florença. Mais do que uma obra-prima, é uma 
das maiores obras de arte já produzidas. Tem sido descrita como a estátua mais perfeita. 
Como ele fez isso? Aqui está a resposta em suas próprias palavras: 
“Em cada bloco de mármore vejo uma estátua tão simples como se estivesse 
diante de mim, em forma, atitude e ação perfeita. Eu só tenho que retirar as imperfeições 
que aprisionam a beleza para revelá-la aos outros”. 
Disse em termos mais coloquiais, “eu retirei tudo o que não se parecia com Davi”. 
Agora aplique isso a vida espiritual. Todos nós somos obras em andamento. Deus 
é como um escultor que trabalha com um pedaço de mármore bruto. É um trabalho 
difícil, porque o bloco possui várias imperfeições. É o pior pedaço de mármore que um 
escultor poderia encontrar. Deus, porém, não se abala e trabalha pacientemente, 
retirando as partes ruins, lapidando a pedra dura, parando ocasionalmente para polir 
aqui e ali. 
Pacientemente, Ele toma o cinzel e retira tudo o que não se parece com Jesus. É 
evidente que Ele tem um longo caminho a percorrer. Mas somos encorajadosem saber 
que Ele não abandonará o projeto. O que Deus começa, Ele termina. Louvado seja Deus! 
 
 
 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
133 
 
Isaías 60-61 
As glórias da salvação. 
 
Introdução: 
Os capítulos 60-62 são os mais otimistas no livro de Isaías. O Redentor (Is 59.20) 
conduzirá o Seu povo à glória. Que contraste entre as condições humildes dos habitantes 
de Sião (caps. 58-59) e as bênçãos grandiosas apreciadas por aqueles que viverão com o 
Redentor!246 
Note que Isaías começou o seu “Livro das consolações” (capítulos 40-66), com a 
promessa de que “a glória do Senhor se manifestará” (40.5). Agora, Isaías conclui com a 
descrição da glória. Quando a glória de Deus está em cena, tudo se renova.247 
No entanto, sobre que Jerusalém Isaías está tratando? A Jerusalém da época de 
Neemias ou a Jerusalém celestial? A Jerusalém reconstruída após o retorno dos exilados 
da Babilônia nunca se igualou à cidade descrita neste capítulo. A única comparação 
possível é com a Jerusalém celestial descrita no livro de Apocalipse (Ap 21.23-27). 
 
I. A glória futura de Sião (Is 60.1-22) 
Em seis parágrafos magistrais Isaías descreve a transformação em Sião após o 
aparecimento do Redentor. 
 
A. Jerusalém iluminará a terra 
“Levante-se, Jerusalém! Que o seu rosto brilhe de alegria, pois já chegou a sua 
luz! A glória do SENHOR está brilhando sobre você” (Is 60.1, NTLH) – Em primeiro 
lugar, a glória do Senhor quebrará a escuridão moral e espiritual que envolvia todo o 
mundo. Naquele dia, os fiéis refletirão a glória de Deus. Esta luz não é do sol, mas a glória 
de Deus brilhando sobre a cidade. 
A glória de Deus outrora no tabernáculo (Êx 40.34-38) foi removida por causa do 
pecado de Israel (1Sm 4.21). Em seguida, a glória de Deus habitou no templo (1Rs 8.11), 
mas partiu quando a nação se voltou para os ídolos (Ez 9.3; 10. 4, 18; 11.22-23). No 
Novo Testamento, a glória veio a Israel, na pessoa de Jesus Cristo (Jo 1.14), mas a nação 
pregou a glória em uma cruz. Agora, Isaías descreve a gloriosa luz que virá a Israel 
quando o Messias voltar. Então, “A terra se encherá do conhecimento da glória do 
SENHOR, como as águas cobrem o mar” (Hc 2.14).248 
 
246 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 60.1–61.11). Joplin, MO: College Press. 
247 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 152). Wheaton, IL: Victor Books. 
248 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 152–154). Wheaton, IL: Victor Books. 
18 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
134 
 
B. Jerusalém será visitada pelos gentios 
“Atraídos pela sua luz, Jerusalém, os povos do mundo virão; o brilho do seu 
novo dia fará com que os reis cheguem até você” (Is 60.3, NTLH) – Em segundo lugar, 
Isaías proclamou que as nações e os reis serão atraídos pelo o brilho da Nova Jerusalém. 
Pessoas de várias nacionalidades. Sião será um feixe de alegria. “... Os seus filhos vêm de 
longe” (v. 4). 
 
C. Jerusalém será honrada pelos gentios 
 “Quando você vir isso, ficará radiante de alegria; cheio de emoção, o seu 
coração baterá forte. Os povos que vivem no outro lado do mar virão, trazendo 
todas as suas riquezas para você” (Is 60.5) – Em terceiro lugar, o influxo de gentios 
trará grande riqueza a Sião. Do leste (Midiã, Efa), a partir do sul (Sabá) e do deserto 
(Quedar, Nebaiote) virão os recursos para manter o Templo e os sacrifícios adequados. 
No Mar Mediterrâneo, o profeta podia ver as velas dos “navios de Társis” vindos do 
oeste. Esses navios trarão mais adeptos e riqueza. Todas essas pessoas virão e 
conhecerão o Senhor e, portanto, virão a Sião cantando louvores (60.59 
 
D. Jerusalém será honrada pelos gentios 
“O SENHOR diz a Jerusalém: Estrangeiros reconstruirão as suas muralhas, e 
os reis deles trabalharão para você. Eu estava irado e por isso a castiguei, mas eu a 
amo e tenho compaixão de você” (Is 60.10, NTLH) – Em quarto lugar, a reconstrução 
de Sião será o amanhecer de um novo dia para as nações do mundo, bem como para 
Israel (v. 3, 10-13). Estrangeiros destruíram as muralhas de Jerusalém física; mas 
estrangeiros se juntarão na edificação da Sião espiritual. Assim como Hirão, rei de Tiro, 
ajudou a construir o primeiro templo (1Rs 5), e assim como Ciro e Dario, reis da Pérsia, 
ajudaram a construir o segundo templo (Ed 6), assim também, hoje em dia, pessoas de 
muitas nações estão edificando a Igreja, o templo do Senhor (Ef 2.11-22). 
 
“As tuas portas estarão abertas de contínuo; nem de dia nem de noite se 
fecharão, para que te sejam trazidas riquezas das nações, e, conduzidos com elas, os 
seus reis” (Is 60.11) – Ao invés de atacarem, as nações trarão tributo (Ap 21.25,26). Em 
uma antiga cidade murada, os portões eram fechados ao cair da noite para manter os 
invasores, saqueadores, criminosos e outros indivíduos potencialmente perigosos de 
longe da cidade. Que não haverá noite, na eternidade, e que as portas da Nova Jerusalém 
jamais serão fechadas, mostra completa segurança da cidade. Será um lugar de descanso, 
segurança e refrigério, onde o povo de Deus “descansará dos seus trabalhos” (Ap 14.13). 
Os moradores estarão plenamente seguros de todas as forças malignas que foram 
condenadas no lago de fogo e enxofre.249 
 
249 KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento, Apocalipse. São Paulo: Editora Cultura 
Cristã, 2004, p. 721. 
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Além do mais, será um lugar radiante da presença de Deus e do Cordeiro que 
acabará com toda a escuridão. Na Bíblia, as trevas simbolizam a existência longe da 
presença de Deus (Mt 6.23; 8.12; 22.13; 25.30).250 
 
 
E. Jerusalém será protegida por Deus 
“Nunca mais você será odiada, nunca mais será uma cidade abandonada, sem 
moradores; eu farei com que você seja bela e poderosa, com que seja para sempre 
uma cidade alegre” (Is 60.15, NTLH) – Em quinto lugar, Isaías foca na prosperidade de 
Sião. Nos versículos 15-22, o Senhor descreve algumas das alegrias e maravilhas do 
reino glorioso. A nação não será abandonada, mas será enriquecida pelos gentios e 
tratada como um filho amado (v. 4, 16; 49.23; 61.6). Anteriormente, Jerusalém tinha sido 
abandonada, mas isso mudará. Sião será uma fonte de alegria e orgulho. Os melhores 
materiais de construção serão usados na construção, tornando o lugar tanto precioso 
quanto indestrutível. Paz, justiça, salvação e louvor serão as marcas do lugar santo (v. 
15-18). 
 
 
F. Jerusalém será iluminada por Deus 
“Nunca mais o sol a iluminará de dia, nem a lua, de noite; pois eu, o SENHOR, 
serei para sempre a sua luz, e a minha glória brilhará sobre você” (Is 60.19) – 
Finalmente, Isaías proclamou a coroação de Sião. Nesse novo dia, o sol e a lua não serão 
necessários, pois Deus habitará no meio do Seu povo. Ele será a Sua luz (cf. Ap 21.23, 22. 
5). Luz simboliza a presença de Deus, a salvação e a alegria. Os moradores da Nova 
Jerusalém serão justos, serão como uma planta cuidada pelo próprio Deus. 
Experimentarão um crescimento saudável para que o nome de Deus seja glorificado (v. 
21-22). 
 
II. O Salvador maravilhoso de Sião 
“O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu 
para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de 
coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados” 
(Isaías 61.1) – O pregador nos versículos de abertura do capítulo 61 não é identificado, 
mas dificilmente se pode duvidar de que seja outra pessoa a não ser o Servo-Redentor. 
Esses versículos devem, portanto, ser considerados como o quinto e último dos poemas 
do Servo. Aqui, o Servo do Senhor afirma ter sido ungido com o Espírito com o propósito 
de ser o Arauto de Deus. 
 
250 LADD, George. Apocalipse, introdução e comentário. São Paulo: EditoraVida Nova, 1984, p. 210. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
136 
 
Em seu pronunciamento o arauto realizará sete coisas. 
(1) Ele pregará boas novas aos quebrantados; 
(2) Ele curará os quebrantados de coração; 
(3) Ele proclamará a libertação aos cativos 
(4) Ele libertará os presos; 
(5) Ele proclamará o ano da aceitação, ou seja, o período da graça de Deus; 
(6) Ele anunciará o dia do juízo; 
(7) Ele consolará os enlutados. 
 
“A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a 
consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa 
em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de 
espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo 
SENHOR para a sua glória” (Is 61.2–3) – É maravilhoso saber que esta profecia se 
cumpriu em Cristo. Na sinagoga de Nazaré, Jesus leu esta passagem e anunciou que se 
cumpriu em Seu ministério (Lc 4.17-21). No entanto, Ele não citou, “e o dia da vingança 
do nosso Deus” no versículo 2, porque esse dia ainda virá (Is 34.8; 35.4; 63.4). 
 
“A apregoar o ano aceitável do SENHOR...” (v. 2) – Por intermédio de Sua morte 
e ressurreição, Jesus inaugurou o “dia da salvação” (2Co 6.2), no qual o evangelho está 
sendo pregado pelo mundo inteiro. Agora, aqueles que estavam alienados podem 
encontrar paz nEle (Ef 2.12,13; 3.5; 2Tm 1.10). 
 
“... A consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto 
uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em 
vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça...” (Is 61.2–
3) – No lugar de cinzas, pranto e um espírito angustiado, o povo de Deus receberá uma 
coroa, óleo de alegria, um manto e um novo título (“carvalhos de justiça”). A expressão 
“carvalhos de justiça” simboliza a força e a justiça, em vez de serem, como até então, uma 
cana quebrada pelo pecado e calamidade (Is 1.29, 30; Is 42, 3; 1Rs 14.15; Sl 1.3; 92.12 -
14; Jr 17. 8).251 
III. Outras bênçãos de Sião (Is 61.4-11) 
“Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes 
destruídos e renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração em geração” 
(Is 61.4) – Aqueles que foram abençoados pela obra do Servo serão “restaurarão os de 
antes destruídos”. A referência é para a edificação da igreja dos estragos do pecado 
 
251 Jamieson, R., Fausset, A. R., & Brown, D. (1997). Commentary Critical and Explanatory on the 
Whole Bible (Is 61.3). Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
137 
 
através dos tempos. Aqueles que antes eram “estranhos” trabalharão para Sião e 
realizarão todo o trabalho necessário para manter o reino na terra (61.4). 
Todos os cidadãos de Sião constituirão um sacerdócio para o mundo. Os cidadãos 
desfrutarão de uma porção dupla da bênção divina (v. 7). Além disso, eles 
experimentarão a alegria eterna (Is 61.7). 
 
 “A sua posteridade será conhecida entre as nações, os seus descendentes, no 
meio dos povos; todos quantos os virem os reconhecerão como família bendita do 
SENHOR” (Is 61.9) – Todas as nações reconhecerão a aliança de Deus com o Seu povo. 
Isaías previu Sião se alegrando com seu traje divinamente providenciado. Deus vestirá o 
Seu povo com “vestes de salvação” e com um “manto de justiça”. Isaías comparou estas 
belas peças de vestuário com o traje de uma noiva e do noivo. Ele comparou a vinda 
justiça a uma planta que Deus fez brotar diante das nações (Is 61.10). 
 
Conclusão: 
A Nova Jerusalém será um lugar de beleza indescritível e inimaginável. A glória de 
Deus brilhará sobre o ouro e as pedras preciosas e assim, iluminará o novo céu e a nova 
terra. Mas a realidade mais gloriosa de todas será o fato de que os justos desfrutarão de 
intensa comunhão com Deus, servindo e reinando eternamente com a alegria e adoração 
incessante. 
Certamente, muitas perguntas podem ser feitas sobre a nossa futura morada 
celestial, mas a maioria ficará sem resposta até chegarmos a nossa casa gloriosa. O 
conhecimento de que Jesus voltará em breve não deve levar os cristãos a uma vida de 
espera ociosa e relapsa (cf. 2Ts 3.10-12). Pelo contrário, deve produzir obediência e 
adoração a Deus, e o desejo de proclamar o evangelho aos incrédulos. 
Você está preparado para a vinda de Cristo? Caso contrário, hoje é tempo de 
alinhar a sua vida com Deus. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
138 
 
Isaías 62-64 
A proximidade da salvação. 
 
Introdução: 
O anúncio da salvação no capítulo 61 vem acompanhado do anúncio da 
restauração de Jerusalém no capítulo 62. Grande parte deste capítulo fala da preparação 
que está sendo realizada para a vinda do Senhor e a restauração do Seu povo. Em Isaías 
62, a palavra “Jerusalém” não se refere apenas a uma cidade antiga; refere-se ao povo de 
Deus em um tempo futuro, o período da igreja. 
Neste capítulo, Isaías descreve algumas das promessas de Deus para o Seu povo, 
juntamente com suas expectativas: 
 
I. A proximidade da Salvação 
“Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me 
aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como 
uma tocha acesa” (Is 62.1) – Deus prometeu que não ficará em silêncio, ou seja, Ele não 
ficará de braços cruzados, até que tenha realizado Seus propósitos para Jerusalém. Esses 
efeitos se resumem na palavra “justiça”, ou seja, vindicação e “salvação”.252 Isaías 
comparou esta obra de Deus, em nome de Sião com uma tocha acesa (62.1). 
 
“As nações verão a tua justiça, e todos os reis, a tua glória; e serás chamada 
por um nome novo, que a boca do SENHOR designará” (v. 2) – Os gentios e seus 
líderes tomarão nota da mudança da sorte de Sião. Além disso, o Senhor concederá um 
nome ao Seu povo. Embora Isaías inicie o capítulo 62 chamando a atenção para a luz, 
assunto abordado no capítulo anterior dedicado a Jerusalém, ele muda, logo em seguida, 
e passa a descrever a cidade como uma noiva. 
 
“Serás uma coroa de glória na mão do SENHOR, um diadema real na mão do 
teu Deus” (v. 3) – O povo renovado de Deus será absolutamente glorioso, como uma 
coroa, segura e admirada pelo rei. Ela será um ornamento precioso. 
 
Em primeiro lugar, o Senhor promete a Jerusalém um nome novo – “Nunca 
mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais Desolada; mas 
chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o SENHOR se delicia em ti; 
e a tua terra se desposará” (v. 4) – Alguma vez você já pensou sobre o quão importante é 
 
252 Smith, J. E. (1992). The Major Prophets (Is 62.1–63.6). Joplin, MO: College Press. 
19 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
139 
 
o seu nome? Tanto na cultura oriental quanto na cultura ocidental, a mudança de nome 
implica um novo caráter e um novo destino (Gn 17.5, 15; 35.10-11; Mt 16.17-19). Na 
Bíblia, lemos sobre pessoas que receberam novos nomes quando Deus designou-os para 
fazer algo especial. Por exemplo, Abrão se tornou Abraão e Jacó se tornou Israel. Isaías 
declara que Deus dará ao Seu povo um novo nome, porque eles se tornarão pessoas 
novas, diferentes do que eram. 
Antigamente a cidade era chamada de “Desamparada”, “Desolada” (Is 62.4), 
nomes que serviam para lembrar sua semelhança com uma mulher abandonada e estéril 
numa época em que essas condições causavam vergonha (Is 54.1, 7). Porém, a nova 
relação da cidade com Deus é comparada com a felicidade de um casamento. O povo de 
Deus receberá dois novos nomes: “Minha-delícia” e “Desposada”. Deus lidará com o Seu 
povo como um noivo cuida de sua noiva (Is 62.2-5). Mais adiante, Jerusalém receberá 
outros nomes: “Procurada” e “Cidade-não-Deserta” (Is 62.12). 
 
Em segundolugar, Deus colocará guardas ao redor de Jerusalém – “Sobre os 
teus muros, ó Jerusalém, pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; vós, 
os que fareis lembrado o SENHOR, não descanseis, nem deis a ele descanso até que 
restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra” (Is 62.6-7) – No mundo 
antigo, os vigias ficavam nos muros da cidade (muitas vezes em torres) para verem os 
inimigos que se aproximavam.253 Da mesma forma, Deus nomeará guardas, ou seja, 
ministros fiéis, sobre os muros da Jerusalém espiritual. Os profetas foram chamados 
para serem atalaias espirituais (21.6; Jr 6.17; Ez 3.17; 33.2-7). Eles advertirão os 
cidadãos do erro. Eles constantemente clamarão em nome da cidade, e suas orações não 
serão em vão. 
 
Em terceiro lugar, o Senhor protegerá o Seu povo de qualquer ataque – 
“Jurou o SENHOR pela sua mão direita e pelo seu braço poderoso: Nunca mais darei o teu 
cereal por sustento aos teus inimigos, nem os estrangeiros beberão o teu vinho, fruto de 
tuas fadigas” (v. 8) – Como um marido protetor, o Senhor protegerá o Seu povo de 
qualquer ataque. Jerusalém nunca mais cairá diante dos inimigos (Is 62.8-9). O alimento 
nunca mais será devorado pelos adversários. Seu braço poderoso, que utilizou no 
passado para proteger o Seu povo (Cf. 51.9-10; 59.1), garantirá que Jerusalém nuca mais 
seja invadida e saqueada, e desfrutará dos resultados do Seu trabalho (Is 62.8-9).254 
 
Em quarto lugar, o Senhor voltará para o Seu povo – “Passai, passai pelas 
portas; preparai o caminho ao povo; aterrai, aterrai a estrada, limpai-a das pedras; 
arvorai bandeira aos povos” (Is 62.10) – Isaías exortou os cidadãos de Sião a saírem pelas 
portas e preparar o caminho para as nações. Em seguida, eles deveriam levantar uma 
 
253 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1117). Wheaton, IL: Victor Books. 
254 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 878. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
140 
 
bandeira como um ponto de encontro para os povos. Essa bandeira foi identificada como 
a raiz de Jessé, o Messias (11.10), que o próprio Deus fornecerá (49.22). 
Os versículos 10-12 foram escritos como se o Senhor estivesse a caminho, para 
que seu povo se preparasse. As ordens repetidas, passar, passar e aterrar, aterrar, 
transmitem um senso de urgência; as pessoas devem se preparar com urgência diante 
da vinda do Senhor (Is 40.3-5, 9). 
 
“Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: 
Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; vem com ele a sua recompensa, e 
diante dele, o seu galardão” (Is 62.11) – O versículo 11 pede ao povo em todos os 
lugares para proclamar ao mundo que o Salvador chegou. Em todo o mundo o Senhor 
proclamará através dos Seus mensageiros a verdade gloriosa: A salvação chegou à “filha 
de Sião”. 
 
“Chamar-vos-ão Povo Santo, Remidos-Do-SENHOR; e tu, Sião, serás chamada 
Procurada, Cidade-Não-Deserta” (Is 62.12) – Isaías identificou aqueles que percorrem 
o caminho da salvação como povo santo, os remidos do Senhor. Eles têm sido 
“procurado” por terem sido chamados do mundo. Com esta vasta multidão dos salvos 
como seus habitantes, Jerusalém nunca mais será abandonada (62.10-12). 
O primeiro resultado é que o Seu povo, a filha de Sião será chamada de “povo 
santo”. Eles se tornarão, finalmente, “justos” como Deus é justo. O próximo nome que 
Jerusalém receberá é “Procurada”. Ao invés de ignorada ou abandonada será chamada 
de “Procurada” pelo Senhor. 
 
 
II. O dia da vingança e da redenção 
 
A. O dia da vingança 
 “Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com vestes de vivas cores, que é 
glorioso em sua vestidura, que marcha na plenitude da sua força? Sou eu que falo 
em justiça, poderoso para salvar” (Is 63.1) – Pode parecer estranho que Isaías faça 
uma mudança abrupta, passando da alegria de ver Jerusalém restaurada e sua glória 
futura para uma cena de devastação acompanhada de uma oração desesperada. Porém, 
uma questão a se considerar é que Isaías é um profeta, não um historiador. 
Os inimigos de Sião (tipificados por Edom) serão destruídos antes das promessas 
gloriosas feitas nos capítulos anteriores serem cumpridas. Bozra era uma importante 
cidade de Edom, a 48 km a sudeste do mar Morto. Em uma visão Isaías viu o Senhor 
caminhando triunfantemente para Sião. Suas vestes estão manchadas de vermelho como 
o sangue dos Seus inimigos. O mesmo Deus que salva o justo arrependido também será 
um juiz inflexível dos perversos teimosos. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
141 
 
“Na minha ira, pisei os povos, no meu furor, embriaguei-os, derramando por 
terra o seu sangue” (Is 63.6) – Quando Jesus veio ao mundo pela primeira vez, foi para 
inaugurar “o ano aceitável do Senhor” (Is 61.2; Lc 4.19). Quando Ele vier pela segunda 
vez, será o clímax “o dia da vingança do nosso Deus” (Is 63.4.; 61.2). O inimigo será 
esmagado como uvas e forçado a beber o próprio sangue do cálice da ira de Deus (51.17; 
25; Jr 15-16.).255 
 
B. A oração por redenção 
A violência do julgamento de Deus perturbou profundamente o povo. Eles 
ficaram tão preocupados que se voltaram para o Senhor por meio de uma longa oração 
de intercessão e arrependimento (Is 63.7-64.12). 
 
1. A fidelidade de Deus (Is 63.7-9) 
Isaías descreve o que Deus fez por Israel. Ele louva a Deus por sua bondade, 
benignidade e amor concedido a Israel. A gratidão e o louvor devem sempre preceder a 
petição. O Senhor havia escolhido Israel como o Seu povo (v. 8). Ele se tornou o seu 
Salvador. Ele enviou “o anjo da Sua presença” para salvá-los (cf. Êx 33.14). Ele redimiu o 
Seu povo da escravidão egípcia e os “conduziu” através do deserto (Is 63.7-10). Que 
amor maravilhoso! 
 
2. A infidelidade do povo de Deus (Is 63.10-14) 
Infelizmente Israel se rebelou contra Deus. “Mas eles foram rebeldes e 
contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou 
contra eles” (Is 63.10). Apesar do amor eletivo de Deus, Israel virou as costas para o 
Senhor. Ele, então, se tornou o Seu adversário e lutou contra eles através da agência de 
potências estrangeiras. No exílio, o povo estava cheio de dúvidas sobre o Seu Deus. Por 
que Deus ajudou o Seu povo durante a escravidão egípcia, mas não agora? (cf. Nm 11, 
24-30; Dt 12.9f; Sl 95.11; Is 63.11-14). 
 
C. A oração dos cativos (Is 63.14-64.1-12) 
Isaías previu a oração que sairá dos lábios dos cativos penitentes. A oração 
consiste em cinco partes. Contendo quatro petições e uma confissão de pecado. 
 
Em primeiro lugar, Isaías descreve os cativos clamando a Deus por 
reconhecimento. “Atenta do céu e olha da tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o 
teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu coração e as tuas misericórdias se 
detêm para comigo!” (Is 63.15) – Somente Deus poderia libertá-los. Ele conduziu Seu 
 
255 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 158). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
142 
 
povo no passado. Nas atuais circunstâncias, no entanto, eles não haviam testemunhado o 
zelo e os milagres de Deus, nem percebido a compaixão do Senhor por eles. Os cativos 
suplicaram que Deus “atentasse do céu”, ou seja, que mudasse a circunstância, porque 
Ele era o pai da nação. Seus pais, na carne (Abraão e Jacó) não poderiam socorrê-los. 
Somente o Senhor, o Redentor, poderia salvá-los (Is 63.14b-16). 
 
Em segundo lugar, Isaías descreve os cativos clamando pela presença de 
Deus. “... Volta para nós, ó Deus, pois somos os teus servos, somos o povo que escolheste” (Is 
63.17, NTLH) – Em sua paciência Deus não havia punido o ímpio.Ele mesmo havia 
permitido que o Templo fosse pisado pelo inimigo. Os babilônios, entre outros, haviam 
ocupado a terra de Israel e profanado o Santuário de Deus (Sl 74.3-7). A aparente 
injustiça de tudo isso havia levado muitos ao desespero, dureza e incredulidade. Assim, o 
povo clama pela volta de Deus para o bem dos Seus servos (Is 63.17-19). 
 
Em terceiro lugar, Isaías descreve os cativos clamando a Deus por 
intervenção. “Oh! Se fendesses os céus e descesses! Se os montes tremessem na tua 
presença, como quando o fogo inflama os gravetos, como quando faz ferver as águas, para 
fazeres notório o teu nome aos teus adversários, de sorte que as nações tremessem da tua 
presença!” (Is 64.1–2) – Eles queriam ver a manifestação de Deus contras seus inimigos. 
As nações nunca tinham visto um Deus descendo em poder para ajudar o seu povo. Por 
isso, eles clamam a Deus que venha “... O fogo inflama os gravetos, como quando faz ferver 
as águas, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários” (Is 64.2). 
 
Em quarto lugar, Isaías descreve a confissão dos cativos a Deus. “Sais ao 
encontro daquele que com alegria pratica justiça, daqueles que se lembram de ti nos teus 
caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; por muito tempo temos pecado e havemos de 
ser salvos?” (Is 64.5) – Eles continuaram em pecado por um longo tempo. Havia alguma 
esperança de salvação? Sentiam-se intocáveis (como leprosos). Cada boa ação que 
qualquer um poderia nomear era nada além de uma peça de roupa suja. Os penitentes 
compararam os efeitos do pecado como uma folha murcha e o vento que a arrebata (v. 
6). Eles se consideraram indignos e não acreditavam que Deus pudesse respondê-los 
(64.5b-7). 
 
Em quinto lugar, Isaías descreveu os cativos clamando a Deus por 
misericórdia. “Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso 
oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos” (Is 64.8) – Mais uma vez Deus é chamado de Pai. O 
povo pede para que Deus não fique calado enquanto eles sofrem (v. 11). Para eles, a 
punição é maior do que podem suportar, portanto, clamam para que Deus nãos os aflija 
sobremaneira (Is 64.9, 12). 
 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
143 
 
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem 
com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is 
64.4) – De acordo com o versículo 4, Deus planejou para o Seu povo coisas maravilhosas 
além da imaginação; mas os pecados os impediam de compartilhar suas bênçãos. (Cf. 
1Co 2.9 e Ef 3.20-21). Há alguma esperança? Sim, porque Deus é um Pai perdoador e um 
paciente Oleiro (Jr 18).256 
A oração termina com uma pergunta: “Vendo tudo isso, ó SENHOR, não vais 
fazer nada? Será que vais ficar calado e nos castigar mais ainda?” (Is 64.12, NTLH). 
A resposta de Deus é encontrada nos próximos dois capítulos. 
 
 
Conclusão: 
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem 
com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is 
64.4). A Palavra de Deus é fiel e verdadeira. Os grandes impérios caíram, mas o império 
de Cristo permanecerá eternamente. Só o Reino de Cristo triunfará. Consequentemente, 
não precisamos ter medo quanto ao futuro, Deus já determinou o fim: nossa vitória em 
Cristo Jesus. 
Entretanto, o que esperamos deve afetar a maneira como vivemos. Jim Elliot, que 
entregou a sua vida pela causa do Evangelho, escreveu em seu diário: “Onde quer que 
você esteja, esteja todo lá. Viva ao máximo cada situação que você acredita ser a vontade 
de Deus”.257 Comprometa-se com as coisas que importam para Deus. Essa é a única 
maneira de fazer com que a vida realmente valha a pena! 
 
 
256 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 159). Wheaton, IL: Victor Books. 
257 ELLIOT, Elisabeth. Through gates of splendor [Spire Books], p. 19-20. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
144 
 
Isaías 65 
A resposta de Deus. 
 
Introdução: 
A acusação de abandono nos capítulos 63 e 64 incitou uma resposta de Deus. De 
várias maneiras a resposta do Senhor resume a mensagem de todo o livro de Isaías.258 
Ao longo do capítulo, bem como ao longo do livro, o profeta implicitamente implorou 
para que as pessoas depositassem sua confiança no Senhor, sua comunhão com Deus, e 
vivessem dignamente. Em Isaías 65, Deus responde a oração do Seu povo, oferecendo 
uma perspectiva sobre o relacionamento que o povo de Israel manteve com Deus no 
passado e, em seguida, uma promessa de “um novo céu e uma nova terra”. Os problemas 
do passado serão esquecidos, e as bênçãos de Deus nunca faltarão. 
Além disso, o capítulo 65 contrasta os respectivos destinos do justo e do ímpio. 
Apesar das tentativas constantes do Senhor em receber a atenção de Israel, muitos O 
rejeitaram e abraçaram práticas religiosas pagãs.259 Tal teimosia exigiu uma punição 
severa. 
 
I. Uma perspectiva sobre o passado 
 
“O SENHOR Deus disse: Eu estava pronto para atender o meu povo, mas eles 
não pediram a minha ajuda; estava pronto para ser achado, mas eles não me 
procuraram...” (Is 65.1, NTLH) – O Senhor estendeu a mão para acolher o Seu povo, 
mas estes nem se incomodaram em responder, uma vez que estavam muito ocupados 
seguindo os seus próprios pensamentos (Is 65.2). Porém, Deus apresentou-se às nações 
estrangeiras, povos que nem sequer estavam procurando por Ele. 
 
“... A um povo que não orou a mim, eu disse: ‘Estou aqui! Estou aqui!’” (Is 65.1, 
NTLH) – O dia virá quando os gentios, que nem sequer buscavam a graça de Deus O 
encontrarão (Rm 10.20-21). Se Israel não queria o que Deus tinha para oferecer, então 
Ele lhe daria a outros (Lc 14.16-24 e 21.10 e At 28.23-31). Os gentios não haviam 
buscado a Deus, mas O encontraram facilmente; Deus procurou Israel, mas era 
constantemente rejeitado pelo Seu povo.260 
 
 
258 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1119). Wheaton, IL: Victor Books. 
259 Chisholm, R. B. (1998). The Major Prophets. In D. S. Dockery (Org.), Holman concise Bible 
commentary (p. 290). Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers. 
260 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 160). Wheaton, IL: Victor Books. 
20 
 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
145 
 
“povo que de contínuo me irrita abertamente, sacrificando em jardins e 
queimando incenso sobre altares de tijolos” (v. 3) – O povo escolheu deliberadamente 
andar por um caminho que não era bom, incluindo a prática da idolatria. Longe de 
aceitar o apelo de Deus, os pecadores provocaram-Lhe abertamente. Então, Deus 
descreve os pecados do Seu povo, que O impediu de responder as suas orações (Is 65.2-
7). Eles foram culpados de: (1) Sacrificarem em jardins (v. 3); (2) Queimarem incenso 
sobre tijolos, ou seja, os telhados de suas casas (v. 3); (3) Sentarem nos túmulos 
praticando necromancia (v. 4); (4) Passarem a noite em lugares misteriosos a fim de 
ganharem sabedoria de pessoas ilustres do passado (v. 4); (5) Comerem carne de porco 
e outras carnes imundas (v. 4); (6) E ainda essas pessoas rebeldes se consideravam 
melhores do que os outros! (v. 5). O significado exato de algumas destas práticas não é 
conhecido. 
 
“És no meu nariz como fumaça de fogo que arde o dia todo” (v. 5) – Porém, 
tudo isso era como fumaça irritante nas narinas. Trata-se de uma alusão a fumaça de 
seus sacrifícios hipócritas, uma irritação sem fim para Deus, que responde a essas 
práticas com disciplina. 
 
“Eis que está escrito diante de mim, e não me calarei; mas eu pagarei, vingar-
me-ei, totalmente, das vossas iniqüidades e, juntamente, das iniqüidades de vossos 
pais, diz o SENHOR, os quais queimaram incenso nos montes e me afrontaram nos 
outeiros; pelo que euvos medirei totalmente a paga devida às suas obras antigas” 
(Is 65.6-7) – Deus decidiu disciplinar os pecados do povo, bem como os pecados de seus 
pais (Is 65.6-7). Essas palavras podem indicar que os filhos sofrerão as consequências do 
pecado de seus pais (Êx 20.5) ou que Deus está fazendo referências ao julgamento final, 
quando todas as gerações comparecerão diante dele (Mt 12.41-42). Na verdade, o que 
Isaías está dizendo é que as iniquidades do povo foram amontoadas de geração em 
geração. 
 
 
II. Uma promessa para o futuro 
“Assim diz o SENHOR: Como quando se acha vinho num cacho de uvas, dizem: 
Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei por amor de meus servos e não 
os destruirei a todos” (Is 65.8) – Deus, então, explica que julgará a nação por seus 
pecados (65.8-16). Ele chamou os babilônios como um instrumento de punição para 
ensinar ao Seu povo que não poderiam pecar e fugir sem consequências. No entanto, em 
misericórdia, Deus preservou um remanescente como algumas uvas resgatadas, o 
remanescente voltará para a terra e restaurará a nação.261 Isaías ilustra essa verdade 
com outro exemplo tirado da vinha (cf. 5.1-7): o dono da vinha está prestes a jogar fora 
 
261 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 160). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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um cacho de uvas que apodreceu, porém alguém chama a sua atenção apontando que 
algumas uvas não estão estragadas. O dono decide manter as uvas boas.262 
 
“Farei sair de Jacó descendência e de Judá, um herdeiro que possua os meus 
montes; e os meus eleitos herdarão a terra e os meus servos habitarão nela” (Is 
65.9) – Embora o julgamento fosse dirigido a toda a nação (v. 6-7), não será total. Como 
algumas uvas são deixadas quando as vinhas são recolhidas (Dt 24.21), de modo que um 
remanescente será deixado e voltará para a terra (possuirão os meus montes) e a 
cultivarão, e os seus rebanhos pastarão novamente. 
 
“Sarom servirá de campo de pasto de ovelhas, e o vale de Acor, de lugar de 
repouso de gado, para o meu povo que me buscar” (Is 65.10) – Sharon, o litoral sul da 
planície do Monte Carmelo, é um lugar excelente para a agricultura, e o Vale de Acor (cf. 
Os 2.15) ficava a leste, perto da cidade de Jericó.263 Juntos eles representavam toda a 
terra prometida. 
Os verdadeiros servos de Deus herdarão a terra prometida e desfrutarão de paz e 
abundância. Somente o povo de Deus, que o procura experimentará a bênção aqui 
descrita (65.8-10). É interessante que “o Vale de Acor” foi o lugar onde Acã foi 
apedrejado até a morte porque ele desobedeceu ao Senhor (Js 7). Porém, é o lugar onde 
o Senhor restaurou a esposa do profeta Oséias, uma representação do povo Israel, o vale 
de Acor se tornará para eles “uma porta de esperança” (Os 2.15). 
 
“Mas a vós outros, os que vos apartais do SENHOR, os que vos esqueceis do 
meu santo monte, os que preparais mesa para a deusa Fortuna e misturais vinho 
para o deus Destino, também vos destinarei à espada, e todos vos encurvareis à 
matança; porquanto chamei, e não respondestes, falei, e não atendestes; mas 
fizestes o que é mau perante mim e escolhestes aquilo em que eu não tinha prazer” 
(Is 65.11-12) – Em Isaías 65.11-16, Deus vê dois tipos de pessoas na terra: os que 
abandonaram o Senhor e aqueles que servem ao Senhor. Os que deixaram o Senhor 
ignoraram o Seu templo e adoraram falsos deuses, como a deusa “Fortuna” e o deus 
“Destino” (Gade e Meni, em hebraico). Esses judeus desobedientes não viverão, mas 
serão destruídos. Na verdade, seus próprios nomes serão usados como maldições nos 
próximos anos!264 Como o nome de Judas atualmente é utilizado, enquanto os servos de 
Deus receberão um nome digno de honra (65.15). 
 
 
 
262 ADEYEMO, Tokunboh (Editor). Comentário Bíblico Africano. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 
2010, p. 879. 
263 Martin, J. A. (1985). Isaiah. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge 
Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 1119). Wheaton, IL: Victor Books. 
264 Wiersbe, W. W. (1996). Be Comforted (p. 160–161). Wheaton, IL: Victor Books. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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O Contraste dos destinos – Isaías 65.13-15 
Os servos de Deus Os perversos 
Comerão Passarão fome 
Beberão Passarão sede 
Alegrar-se-ão Serão envergonhados 
Cantarão de alegria Chorarão de tristeza 
Receberão um novo nome. Seus nomes serão amaldiçoados 
 
“de sorte que aquele que se abençoar na terra, pelo Deus da verdade é que se 
abençoará...” (v. 16) – O nome, o Deus da verdade é (literalmente) o Deus do “Amém”, 
isto é, o que é certo e fiel; conforme a expressão de nosso Senhor: “Em verdade, em 
verdade” (“Amém, amém”), e seu título em Apocalipse 3.14 (ver também 2Cor 1.18-
20).265 Nesse dia, todas as bênçãos e todos os juramentos serão em nome do único e 
verdadeiro Deus, porque todos os ídolos serão destruídos. 
Que futuro glorioso os fiéis poderiam antecipar! Antigos problemas seriam 
esquecidos. Eles poderiam reconhecer o Senhor, naquele dia, como o Deus da Verdade, o 
Deus do Amém! 
 
 
III. A nova criação (Is 65.17-25). 
“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das 
coisas passadas, jamais haverá memória delas” (Is 65.17) – Isaías 65.17-25 deve ser 
entendido como descrevendo o estado final dos redimidos; observe o paralelo com 
Apocalipse 21: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, 
e o mar já não existe” (Ap 21.1). De acordo com o Novo Testamento, a nova criação 
começou com a obra de Cristo (2Co 5.17; Gl 6.15). A conclusão se dará no julgamento 
final (2Pe 3.3-13; Ap 20.11-15). 
 
 
 
 
265 Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible 
commentary: 21st century edition (4th ed., p. 669). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-
Varsity Press. 
Jocarli A. G. Junior – IPB Tabuazeiro/Vitória – Espírito Santo/2014. 
 
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O profeta Isaías declara seis bênçãos maravilhosas que aguardam os remidos do 
Senhor. 
 
Em primeiro lugar, será uma terra completamente diferente. “Pois eu estou 
criando um novo céu e uma nova terra; o passado será esquecido, e ninguém lembrará 
mais dele” (Is 65.17) – As “coisas antigas” não serão lembradas. O pecado, as 
adversidades e as consequências do pecado. Isto inclui todos os elementos do sistema de 
culto mosaico (65.17). 
 
Em segundo lugar, a nova Jerusalém será um lugar de alegria indizível. “Mas 
vós folgareis e exultareis perpetuamente no que eu crio; porque eis que crio para Jerusalém 
alegria e para o seu povo, regozijo” (v. 18) – O choro e os gritos sobre a condição terrível 
da cidade não serão ouvidos. Mesmo o próprio Deus se alegrará no destino glorioso do 
Seu povo (Is 65.18-19). 
 
Em terceiro lugar, a longevidade será outra bênção. “Não haverá mais nela 
criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem 
anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado” (Is 65.20) –
Temos de admitir que este é um texto difícil de se interpretar. Será que Isaías está 
dizendo que haverá morte na nova terra? Creio que esta não seja a melhor interpretação, 
à luz do que ele acabou de dizer no verso 19: “Nunca mais se ouvirá nela [a Jerusalém que 
está sendo descrita] nem voz de choro nem de clamor” (Is 65.19). É significativo que, no 
capítulo 25.8, Isaías claramente prediz que não haverá morte para o povo de Deus no 
estado final. Assim, a melhor interpretação de Isaías 65.20 é entender como uma 
linguagem figurada, o fato de que os habitantes da nova terra viverão vidas 
incalculavelmente longas.266 Não haverá mortes prematuras. O cumprimento, como 
explicado por Jesus a promessa é ainda mais maravilhosa, pois Ele prometeu

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