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Higiene Ocupacional I Gisele Cristina Justen 2018 Curitiba-PR Higiene Ocupacional I Gisele Cristina Justen Catalogação na fonte pela Biblioteca do Instituto Federal do Paraná Atribuição - Não Comercial - Compartilha Igual INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Este Caderno foi elaborado pelo Instituto Federal do Paraná para a rede e-Tec Brasil. Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Odacir Antonio Zanatta Reitor pro tempore Marcos Paulo Rosa Chefe de Gabinete Amarildo Pinheiro Magalhães Pró-Reitor de Ensino Carlos Eduardo Fonini Zanatta Pró-Reitor de Administração Marcelo Estevam Pró-Reitor de Extensão, Pesquisa e Inovação Eliane Aparecida Mesquita Pró-Reitora de Gestão de Pessoas Marcos Antonio Barbosa Diretor Geral de Educação a Distância Kriscie Kriscianne Venturi Diretor de Ensino e Desenvolvimento de Recursos Educacionais Gisleine Bovolim Diretora de Planejamento e Administração Vania Carla Camargo Coordenadora de Ensino dos Cursos Técnicos Patrícia Menezes de Oliveira Coordenadora do Curso Lucilene Fátima Baldissera Coordenadora de Design Educacional Lídia Emi Ogura Fujikawa Kenedy Rufino Designer Educacional Luis Gabriel Venâncio Sousa Designer Instrucional Fabiola Penso Cinthia Durigan Diagramação Paulo Pesinato Linda Abou Rejeili de Marchi Revisão Melissa Anze Iconografia Antonio Noboru Ilustração Ester dos Santos Oliveira Lídia Emi Ogura Fujikawa Projeto Instrucional Diego Windmoller Projeto Gráfico Apresentação e-Tec Brasil Prezado estudante, Bem-vindo à Rede e-Tec Brasil! Você faz parte de uma rede nacional de ensino, que por sua vez constitui uma das ações do Pronatec - Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. O Pronatec, instituído pela Lei nº 12.513/2011, tem como objetivo principal expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a po- pulação brasileira, propiciando um caminho de acesso mais rápido ao emprego. É neste âmbito que as ações da Rede e-Tec Brasil promovem a parceria entre a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) e as instâncias promotoras de ensino técnico como os Institutos Federais, as Secretarias de Educação dos Estados, as Universidades, as Escolas e Colégios Tecnológicos e o Sistema S. Assim, a Educação a Distância no nosso país, de dimensões continentais e grande diversidade regional e cultural, longe de distanciar, aproxima as pessoas ao garantir acesso à educação de qualidade, e promover o fortalecimento da formação de jovens moradores de regiões distantes, geograficamente ou economicamente, dos grandes centros. A Rede e-Tec Brasil leva diversos cursos técnicos a todas as regiões do país, incentivando os estudantes a concluir o Ensino Médio e realizar uma formação e atualização contínuas. Os cursos são ofertados pelas instituições de educação profissional e o atendimento ao estudante é realizado tanto nas sedes das instituições quanto em suas unidades remotas, os polos. Os parceiros da Rede e-Tec Brasil acreditam em uma educação profissional qualificada – integradora do ensino médio e educação técnica, sendo capaz de promover o cidadão com capacidades para produzir, mas também com autonomia diante das diferentes dimensões da realidade: cultural, social, familiar, esportiva, política e ética. Nós acreditamos em você! Desejamos sucesso na sua formação profissional! Ministério da Educação Março de 2016 Nosso contato etecbrasil@mec.gov.br Indicação de ícones Os ícones são elementos gráficos utilizados para ampliar as formas de linguagem e facilitar a organização e a leitura hipertextual. Fique atento! Indica o ponto de maior relevância no texto. Pesquise! Orienta ao estudante que desenvolva atividades de pesquisa, que complementem seus estudos em diferentes mídias: vídeos, filmes, jornais, livros e outras. Glossário Indica a definição de um termo, palavra ou expressão utilizada no texto. Você sabia? Oferece novas informações que enriquecem o assunto ou “curio- sidades” e notícias recentes relacionadas ao tema estudado. Pratique! Apresenta atividades em diferentes níveis de aprendizagem para que o estudante possa realizá-las e conferir o seu domínio do tema estudado. 13 Conceituação de higiene ocupacional 14 Breve histórico da higiene ocupacional 15 Definição de higiene ocupacional 16 A importância da higiene ocupacional 16 Etapas da higiene ocupacional Design do componente Unidade Unidade Unidade Unidade Unidade 1 3 5 2 4 33 Limites de tolerância 34 Conceituação de limite de tolerância 33 Nível de Ação (NA) 34 Valor Teto (VT) 36 Nexo causal 39 Medidas de controle de exposição 51 Riscos físicos – Radiações 52 Radiações Riscos físicos – Pressões anormais Os agentes de risco: contexto geral Pressões anormais 43 44 45 Avaliação da exposição aos agentes ambientais Classificação dos agentes ambientais e os riscos associados Fatores determinantes de uma exposição Tipos de avaliações ambientais 21 22 25 27 Unidade Unidade Unidade Unidade Unidade 6 8 10 7 9 83 Riscos químicos 84 Agentes químicos 67 Riscos físicos – Temperaturas extremas 68 Temperaturas extremas Riscos biológicos Agentes biológicos Riscos físicos – Vibrações e umidade Vibrações Umidade Riscos físicos –Ruídos Ruídos 91 92 75 76 79 61 62 Palavra da autora Caro(a) estudante, Seja bem-vindo(a) à disciplina de Higiene Ocupacional I! Essa é uma das disciplinas fundamentais do exercício profissional do técnico de segurança no trabalho. Ela dará embasamento ao reconhecimento e quantificação dos riscos ocupacionais, sendo possível diagnosticar condições insalubres de trabalhadores e a instrumentação necessária para minimizar os riscos laborais, contribuindo, assim, para melhorar o seu desempenho profissional. Para tanto, além de utilizar-se deste livro, é essencial que você participe dos debates no ambiente virtual de aprendizagem e usufrua das várias mídias que o curso disponibiliza, inclusive acatando as sugestões de pesquisas indicadas no decorrer das unidades deste livro. Desejo um excelente estudo e muito sucesso na sua futura carreira! Prof.ª Gisele Cristina Justen. Apresentação do componente curricular Para orientar o estudo da disciplina de Higiene Ocupacional I, o livro foi divido em 10 unidades. Na unidade 1, você vai conhecer os aspectos básicos conceituais da higiene ocupacional, a importância e as etapas envolvidas nos processos de antecipação, o reconhecimento e a avaliação. Já na unidade 2, você vai aprender os métodos de avaliação da exposição aos agentes ambientais, a classificação e os fatores determinantes de uma exposição, como o tempo de exposição e a suscetibilidade individual. A unidade 3 traz o conceito de limites de tolerância de exposição aos agentes ambientais e apresenta as formas de intervenção associadas. Da unidade 4 até a 8 são apresentados, sequencialmente, os conceitos de riscos físicos (pressões anormais, radiações, ruído, temperaturas extremas, vibrações e umidade), com suas legislações aplicáveis, ambientes mais suscetíveis à exposição e medidas de contro- le. A unidade 9 aponta os principais aspectos relacionados aos agentes químicos, sua classificação, limites de tolerância, a legislação brasileira e internacional sobre o assunto e medidas de controle. Para concluir, na unidade 10, você vai conhecer a classificação dos riscos biológicos en- volvidos em um ambiente ocupacional, os meios de transmissão, além da regulamenta- ção vigente da área e as medidas de controle que devem ser adotadas em caso de con- taminação. Portanto, para que você tenha bom proveito durante o curso, é fundamental que planeje e crie estratégias de estudo, interaja com o ambiente virtual e administre bem seu tempo. Assim, será possível obter sucesso na aprendizagem. Participe conosco na construção, desenvolvimentoe aperfeiçoamento deste curso. Faça perguntas e expo- nha suas dúvidas. Bom estudo! Fonte: CC0 Creative Commons/Pixabay Conceituação de higiene ocupacional Unidade 1 14 Higiene Ocupacional I Preparado para começar? Nesta unidade você vai aprender os conceitos de higiene ocupacional e a importância dela na prevenção de acidentes e em um ambiente laboral. Serão abordados os dados históricos da criação e evolução da higiene ocupacional, as etapas envolvidas nessa ciência. Conhecerá também a evolução das leis de prote- ção ao trabalhador. Breve histórico da higiene ocupacional O grande marco para a segurança do trabalhador foi a criação da Organiza- ção Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, como parte do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Essa organização é responsável pela formulação e aplicação das normas internacionais do trabalho (convenções e recomendações). É composta por representan- tes de governos e de organizações de empregadores e de trabalhadores. Existem referências legais à inspeção do trabalho que remontam ao século XIX. Mas somente em 1943, com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) inicia-se no Brasil um processo mais efetivo, no que tange à higiene ocupacional. Historicamente, outro marco da legislação trabalhista brasileira foi a Lei nº 5161, de 21 de outubro de 1966, que autorizou a criação da Fundação Centro Nacional de Segu- rança, Higiene e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO), cuja denominação foi alterada pela Lei nº 7133, de 26 de outubro de 1983, para Fundação Centro Nacional Jorge Du- prat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. Em 1978, foi publicada a Portaria nº 3214 que aprova as Normas Regulamentadoras de Segurança e Medicina do Trabalho (NR). Essas normas têm sido alteradas nos últimos anos, tanto para fazer frente à evolução dos métodos produtivos quanto das relações do trabalho. Acesse o link <https://www.youtube.com/ watch?v=ESmzLRUBA9M> e assista ao vídeo da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentando uma linha do tempo sobre a OIT. Não deixe de assistir! 15Unidade 1 – Conceituação de higiene ocupacional Definição de higiene ocupacional Atualmente, existem diversas associações que promovem a proteção dos trabalhadores. E uma delas é a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), que define a higiene ocupacional como sendo “a ciência e a arte do reconhecimento, avaliação e controle dos fatores ou tensões ambientais originados do ou no local de trabalho e que podem causar doenças, prejuízos para a saúde e bem-estar, desconforto e ineficiência significativa entre os trabalhadores ou entre os cidadãos da comunidade”. Para a Occupational Safety and Health Administration (OSHA – Segurança Ocupacional e Administração de Saúde, 2012), a higiene ocupacional é a ciência da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle das condições de trabalho que podem causar lesão nos trabalhadores ou doença. Higienistas indus- triais usam monitoramento ambiental e métodos analíticos para detectar o grau de exposição dos trabalhadores e empregam engenharia, controles de prática profissional e outros métodos para conter riscos potenciais à saúde. Para saber mais sobre a OSHA, acesse: <http://www.osha.gov/dte/library/industrial_hygiene/industrial_hygiene.html> No Brasil, a norma que regulamenta o programa de prevenção aos riscos ambientais, correlata à higiene ocupacional, é a Norma Regulamentadora NR 9 (BRASIL, 1978b), que apresenta como objeto, num sentido mais restrito (Art. 9.1.1.): A obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregado- res e instituições que admitem trabalhadores como empregados do Programa de Pre- venção de Riscos Ambientais (PPRA), visam à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. As definições de higiene podem conter uma ou outra variação conceitual, mas todas elas, essencialmente, têm o mesmo objetivo: proteger e promover a saúde, o bem-estar dos trabalhadores e a preservação do meio ambiente, por meio de ações preventivas no ambiente de trabalho. 16 Higiene Ocupacional I A importância da higiene ocupacional A falta de planejamento, estruturação e execução da higiene ocupacional geralmente implicam em doenças ocupacionais, as quais deixam sequelas, incapacitam ou até levam à morte de trabalhadores. Diversos são os agentes causadores de doenças, em ambientes de trabalho, como: arsê- nio, benzeno, cádmio, formaldeído, níquel, entre outros; mas o que é preciso fazer para evitar as doenças ocupacionais? Segundo Brevigliero et al. (2010), para reduzir os riscos associados às doenças ocupacio- nais deve-se adotar a higiene ocupacional como medida preventiva, pois além de reduzir o risco de consequências graves, como incapacitação ou mesmo morte, ela auxilia no aumento da eficiência e produtividade do trabalhador, na medida em que elimina os fa- tores causadores de indisposição, insatisfação e inadequação decorrentes de condições impróprias de trabalho. Saber gerir a higiene ocupacional nas organizações e preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores, que laboram em ambientes onde existe potencial de exposição aos riscos ambientais, apresentam benefícios financeiros às organizações, bem como proteção jurídica, o que reduz ou elimina implicações trabalhistas e previdenciárias. Etapas da higiene ocupacional Considerando a definição da Occupational Safety and Health Administration (OSHA), anteriormente citada, a higiene ocupacional pode assumir as seguintes etapas: antecipa- ção, reconhecimento, avaliação e controle. A seguir vamos conhecer, detalhadamente, cada uma delas. Antecipação A antecipação envolve ações realizadas na análise de projetos de novas instalações, como: equipamentos, ferramentas, métodos ou processos de trabalho e matérias-pri- mas. Visa identificar e eliminar riscos potenciais ainda na fase de planejamento e projeto (seleção de tecnologias mais seguras, menos poluentes, envolvendo, inclusive, o descarte 17Unidade 1 – Conceituação de higiene ocupacional dos efluentes e resíduos resultantes). Trata-se de normas, instruções e procedimentos para correto funcionamento dos processos, visando reduzir ou eliminar riscos que pos- sam surgir, ou seja, assegurar que sejam tomadas medidas eficazes para evitá-los. Uma das técnicas de análise de riscos que pode ser utilizada é a Análise Preliminar de Riscos (APR), que consiste em um estudo antecipado e detalhado de todas as fases do trabalho, a fim de detectar os possíveis problemas que poderão acontecer durante a execução. Para obter um modelo de APR, cortesia do blog Segurança do Trabalho, acesse: <https://sites.google.com/site/ segurancadotrabalhonwndownoads/down/Modelo%20de%20APR.rar?attredirects=0&d=1>. Reconhecimento O reconhecimento consiste em identificar qualitativamente a presença de agentes físi- cos, químicos, biológicos, ergonômicos e/ou mecânicos, que possam prejudicar a saúde do trabalhador, estimando o grau de risco. Isso implica no conhecimento profundo do layout das instalações, dos produtos envolvidos no processo, operações, matérias-primas e subprodutos, dos métodos de trabalho, do número de trabalhadores expostos, com- preendendo a natureza e extensão de seus efeitos no organismo dos trabalhadores e/ou meio ambiente. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA – NR 09) e o Mapa de Riscos Am- bientais da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA – NR 05) são importantes ferramentas para o reconhecimento dos riscos envolvidos nessa etapa. Figura 1.1: Agente Ambiental. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. 18 Higiene Ocupacional I AvaliaçãoNesta etapa é realizada a avaliação quantitativa e/ou qualitativa dos agentes físicos, quí- micos, biológicos, ergonômicos e/ou mecânicos existentes nas instalações de trabalhos. Exigem-se conhecimentos técnicos de avaliação, com a interpretação dos resultados das medições representativas das exposições, de forma a subsidiar o equacionamento das medidas de controle. A avaliação quantitativa das fontes potenciais de exposição e a eficiência das medidas de controle são apresentadas em um plano de monitoramento (estratégia de amostragem). Figura 1.2: Avaliação de um agente ambiental. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Controle Esta etapa consiste em propor, projetar e/ou recomendar medidas eficientes e econômi- cas para a minimização dos riscos, e integrá-las a programas de boa administração, que busquem a sustentabilidade. As medidas de controle consistem na adoção de medidas relativas ao ambiente e ao trabalhador. O controle dos riscos deve obedecer a uma orde- nação, como segue: a) Controle na fonte do risco – melhor forma de controle. Deve ser a primeira opção, pois envolve substituição de materiais e/ou produtos, manutenção, substituição ou modificação de processos e/ou equipamentos. b) Controle no percurso do risco (entre a fonte e o receptor) – quando não for possível o controle na fonte, podemos utilizar barreiras na transmissão do agente, tais como: barreiras isolantes, refletoras, sistemas de exaustão, etc. 19Unidade 1 – Conceituação de higiene ocupacional c) Controle no receptor (trabalhador) – as medidas de controle no trabalhador só de- vem ser implantadas quando as medidas de controle na fonte e na trajetória forem inviáveis, ou em situações emergenciais. Como exemplo, podemos citar: educação, treinamento, equipamentos de proteção individual, higiene, limitação da exposição, rodízio de tarefas, etc. Figura 1.3: Ordenamento nas medidas de controle de risco ambiental. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Nesta unidade, você viu o conceito, a importância e as principais instituições de estudo sobre higiene ocupacional. Foram apresentadas também as etapas envolvidas nessa ciên- cia, a saber: antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ocupacionais. 20 Higiene Ocupacional I Pratique Cite duas medidas preventivas relacionadas ao processo e ao ambiente de trabalho, con- forme a ordenação apresentada (controle na fonte, controle no percurso dos agentes de risco, medidas preventivas relativas ao trabalhador - controle no receptor). Fonte: CC BY 2.0 U.S. Fish & Wildlife Service/Wikipédia Avaliação da exposição aos agentes ambientais Unidade 2 22 Higiene Ocupacional I Nesta unidade, você vai conhecer os conceitos e as classificações de agentes ambien- tais. Para isso, serão apresentados os fatores determinantes de uma exposição e os tipos de avaliação ambiental. Classificação dos agentes ambientais e os riscos associados Os agentes ambientais são um conjunto de elementos, substâncias, ou materiais gera- dos em diversos ambientes e processos, que colocam em risco a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Estes devem ser avaliados quanto a sua natureza, intensidade, concentração e tempo de exposição do trabalhador, para que se assegurem as condições ideais para o desenvolvimento das atividades. Na higiene ocupacional, a avaliação e/ou quantificação desses agentes no ambiente de trabalho subsidia o estudo do risco a que se expõem os trabalhadores. Estes são divididos em cinco classes, de acordo com as suas características (físico-químicas, microbiológicas), intensidade do agente e sua ação e/ou consequências sobre o organismo humano. Co- nheça-os a seguir: Agentes físicos Agentes químicos Agentes biológicos Agentes ergonômicos Agentes mecânicos Agentes ambientais Riscos físicos Riscos químicos Riscos biológicos Riscos ergonômicos Riscos mecânicos Riscos ambientais • Agentes físicos: são formas de energia alteradas/anormais a que os trabalhadores podem estar expostos (ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes e não ionizantes, infrassom, ultrassom). Para se propagar exigem um meio de transmissão (como o ar). • Agentes químicos: são substâncias que podem penetrar no organismo pela via res- piratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, 23Unidade 2 – Avaliação da exposição aos agentes ambientais pela natureza da atividade de exposição, podem ter contato ou ser absorvidos pelo organismo, através da pele ou por ingestão. • Agentes biológicos: em geral, são micro-organismos, como as bactérias, fungos, ba- cilos, parasitas, protozoários, vírus, entre outros, introduzidos nos processos de traba- lho ou decorrentes de má higienização do ambiente de trabalho. • Agentes ergonômicos: são parâmetros (máquinas, métodos etc.) não adequados às características psicofisiológicas dos tra- balhadores no ambiente de trabalho, de modo a proporcionar desconforto, de- sempenho ineficiente e lesões. • Agentes mecânicos ou de acidentes: são meios (materiais aquecidos que provocam queimaduras; materiais perfurocortantes que provocam cortes; partes móveis de máquinas ou materiais em movimento que provocam contusões; materiais ou instalações energizados que provocam choques etc.) que necessitam de contato físico direto com a vítima para manifestar a sua no- cividade, ocasionando, geralmente, lesões agudas e imediatas. O quadro 2.1 apresenta exemplos de agentes ocupacionais e riscos associados. Quadro 2.1: Exemplos de agentes ocupacionais e riscos associados. TIPO DE RISCO Físico Químico Biológico Ergonômico Mecânico COR Verde Vermelho Marrom Amarelo Azul Agentes causadores Ruído e/ou som muito alto Fumos metálicos e vapores Micro-organismos (vírus, bactérias, protozoários) Má postura do corpo em relação ao posto de trabalho Equipamentos inadequados, defeituosos ou inexistentes Oscilações e vibrações mecânicas Gases asfixiantes H, He, N e CO2 Lixo hospitalar, doméstico e de animais Trabalho estafante e/ou excessivo Máquinas e equipamentos sem proteção e/ou manutenção Ar rarefeito e/ou vácuo Pinturas e névoas em geral Esgoto, dejetos Falta de orientação e treinamento Risco de queda de nível, lesões por impacto de objetos Pressões elevadas Solventes (em especial os voláteis) Objetos contaminados Jornada dupla e/ ou trabalho sem pausas Mau planejamento do layout e/ou do espaço físico Frio e ou calor e radiação Ácidos, bases, sais, alcoóis, éters, etc. Contágio pelo ar e/ou insetos Movimentos repetitivos Cargas e transportes em geral Ergonomia/Ergonômico: É a ciência que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente (BRASIL, 1978c). 24 Higiene Ocupacional I TIPO DE RISCO Físico Químico Biológico Ergonômico Mecânico COR Verde Vermelho Marrom Amarelo Azul Agentes causadores Excesso de umidade, causando doenças respiratórias e outras Reações químicas Lixo em geral, fezes de animais, fezes e urina de animais, contaminação do solo e água Equipamentos inadequados e não ergonômicos Risco de fogo, detonação de explosivos, quedas de objetos Iluminação (que pode provocar lesões oculares) Ingestão de produtos durante pipetagem Alergias, intoxicações e queimaduras causadas por vegetais Fatores psicológicos (não gosta do trabalho, pressão do chefe, etc.) Risco de choque elétrico (corrente contínua e alternada) Fonte: AreaSeg - Segurança do Trabalho - adaptado. Disponível em: <http://www.areaseg.com/sinais/mapaderisco.html>. Acesso em: jul. 2017. Por intermédio da Portaria nº 3214, de 09 de junho de 1978, o Ministério do Trabalho publicou as normas regulamentadoras (NRs) relativas à medicina, higiene e segurança do trabalho, como consequênciadas políticas públicas voltadas para a área do trabalho. Es- sas normas dão um direcionamento para o desenvolvimento das ações e obrigações das empresas. Em especial as ações relativas às medidas de prevenção, controle e eliminação de riscos, inerentes ao trabalho e à proteção da saúde do trabalhador (BRASIL, 1978a). Os agentes ambientais figuram em muitas normas regulamentadoras, principalmente, na elaboração e implementação do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacio- nal (PCMSO), do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), entre outros. Na pirâmide a seguir, você vai conhecer um pouco mais sobre a relação dessas normas e o trabalhador. NR-1 ORDEM DE SERVIÇO NR-9 PPRA NR-14 E NR-16 LTCAT NR-7 PCMSO NR-4 SESMT NR-6 EPP’S TRABALHADOR NR-10 ELETRICIDADE NR-33 CONFINAÇÃO NR-35 ALTURA NR-14 FORNOS NR-21 TRABALHO A CÉU ABERTO NR-11 TRANSPORTE DE CARGAS NR-13 VASOS DE PRESSÃO NR-19 EXPLOSIVOS NR-5 CIPA NR-17 ERGONOMIA NR-24 CONDIÇÕES SANITÁRIAS NR-26 SINALIZAÇÃO NR-23 INCÊNDIOS NR-12 MÁQUINAS NR-18 PCMAT CONSTRUÇÃO NR-34 CONST. NAVAL NR-30 TRABALHOS AGUAVIÁRIOS NR-22 MINERAÇÃO NR-36 INDÚS- TRIA DA CARNE NR-29 PORTOS NR-31 AGRO INDÚSTRIA NR-32 SAÚDE Gestão Estruturação Implantação Figura 2.1 – Pirâmide de implantação das normas regulamentadoras (NRs). Fonte: Segurança no Trabalho para Todos – Leonardo Fonseca (2016). 25Unidade 2 – Avaliação da exposição aos agentes ambientais No ambiente ocupacional, a presença de agentes ambientais desencadeia riscos ambien- tais, que podem ser representados em cada local, de acordo com a suscetibilidade, por meio do chamado “mapa de riscos”. Esse mapa mostra a representação gráfica dos ris- cos de acidentes nos diversos locais de trabalho, inerentes ou não ao processo produtivo, por meio de círculos de cores e tamanhos diferentes (figura 2.1). Simbologia das Cores No mapa de riscos, os riscos são representa- dos e indicados por círculos coloridos de três tamanhos diferentes, a saber: Risco Químico Leve Risco Mecânico Leve Risco Químico Médio Risco Mecânico Médio Risco Químico Elevado Risco Mecânico Elevado Risco Biológico Leve Risco Ergonômico Leve Risco Físico Leve Risco Biológico Médio Risco Ergonômico Médio Risco Físico Médio Risco Biológico Elevado Risco Ergonômico Elevado Risco Físico Elevado Figura 2.2: Mapa de riscos ocupacionais com as cores indicativas de cada risco. Fonte: ÁreaSeg - Segurança do Trabalho. Disponível em: <http://www.areaseg.com/sinais/tabolas.gif>. Acesso em: jul. 2017. O mapa de risco deve ser afixado em locais acessíveis e de fácil visualização no ambiente de trabalho, com a finalidade de informar e orientar os trabalhadores e outros que, eventualmente, transitem pelo local. Fatores determinantes de uma exposição Em diversos ambientes e processos, os resultados de avaliação da exposição são fre- quentemente comparados com os limites de tolerância (LT) a determinado elemento, substância ou condição. Esses fornecem orientações para estabelecer níveis aceitáveis de exposição e seu controle. Exposição acima dos limites permitidos requer medidas cor- retivas imediatas. Para os profissionais prevencionistas, a intervenção será no “nível de ação”, que geralmente é a metade do limite de tolerância. 26 Higiene Ocupacional I Em virtude das dificuldades de se realizar uma avaliação representativa da exposi- ção, recomenda-se, sempre, uma avaliação dos agentes envolvidos no processo. Conhecer as características específicas de cada agente ambiental é fundamental na de- finição de seu potencial de agressividade, assim como propor medidas técnicas para a sua neutralização ou eliminação. Cada agente tem características e efeitos específicos de acordo com sua natureza. O primeiro passo na avaliação de uma exposição é a identifica- ção dos agentes presentes e as possíveis consequências desta exposição. A presença de um gás com propriedades físicas e químicas diferentes do ar, no ambiente, por exemplo, afeta a concentração do agente no ambiente. Quanto maior for o tempo de exposição ocupacional, maiores serão as possibilidades de se produzir uma doença ocupacional. O tempo de exposição ocupacional (análise quan- titativa) será determinado considerando-se uma análise minuciosa da tarefa desenvolvida pelo trabalhador (tipo de atividade e suas particularidades, movimento do trabalhador ao efetuar o seu serviço, jornada de trabalho e descanso). Os riscos à saúde do trabalhador aumentam à medida que a concentração ou a intensida- de dos agentes nocivos presentes no ambien- te de trabalho aumentam. Estas devem ser avaliadas, mediante amostragem nos locais de trabalho, de maneira tal que elas sejam as mais representativas possíveis da exposição real do trabalhador a esses agentes. Suscetibilidade individual A suscetibilidade individual é um fator importante a ser determinado, pois a resposta do organismo a um determinado agente pode variar de indivíduo para indivíduo. Isso evidencia que os limites de tolerância não devem ser considerados como 100% seguros. Os controles fixados a 50% dos limites de tolerância devem ser prioritários. Sinergismo A exposição ocupacional simultânea a mais de um agente ambiental pode originar expo- sições combinadas e interações entre eles, causando alterações na periculosidade desses Amostragem: Processo ou técnica de escolha de amostra adequada, para análise de um todo. Uma amostragem representativa requer que a amostra seja extraída de acordo com critérios bem definidos (mediante a amostragem probabilística), para que o técnico possa oferecer conclusões válidas sobre a população. 27Unidade 2 – Avaliação da exposição aos agentes ambientais agentes. A essa interação conjunta entre as substâncias é chamada de sinergismo. Por exemplo, duas ou mais substâncias perigosas com efeitos toxicológicos em um ambiente devem ser analisadas, prioritariamente, pelos seus efeitos combinados (se existir) e não os efeitos produzidos individualmente. Tipos de avaliações ambientais A avaliação ambiental deve ser planejada, e o planejamento requer o uso de ferramentas estatísticas, como a amostragem probabilística. Para ficar mais claro, uma avaliação ambiental, por exemplo, pode ser realizada com muitos objetivos, como os descritos a seguir: • Conhecer as causas de determinados sintomas de doença nos trabalhadores. • Atender a uma reclamação trabalhista. • Caracterizar a insalubridade do ponto de vista legal. • Identificar as substâncias perigosas presentes em certo ambiente. • Verificar a eficiência de uma medida de controle instalada. • Realizar avaliação prevista no PPRA, entre outros. Na avaliação ambiental, além do objetivo específico, há dois tipos de variáveis que devem ser consideradas, as qualitativas e as quantitativas. A seguir, você vai conhecer o funcio- namento dessas duas avaliações. Avaliação qualitativa Envolve as condições de trabalho. Visa coletar o maior número possível de informações e dados necessários das condições relacionadas aos trabalhadores e ao ambiente laboral, a fim de fixarem as diretrizes do levantamento qualitativo]. O reconhecimento qualitativo local inclui: estudo da planta, do fluxograma dos proces- sos, dos agentes presentes, do número de trabalhadores, dos horários de trabalho, das atividades realizadas, das movimentações de trabalhadores e materiais, das matérias-pri- mas, dos equipamentos e processos, dos ritmos de produção, das condições ambientais, 28 Higiene Ocupacional I do tipo de iluminação e estado das luminárias, da identificação dos riscos e ponto de origem da dispersão, do uso de equipamentos de proteção individual (EPI) por parte dos trabalhadores, da existência ou não de equipamentos de proteção coletiva (EPC), do estado em que se encontram os equipamentos, entre outros. Essas informações devem compor uma documentação técnica. Nasfiguras 2.2 e 2.3 estão os exemplos de EPI e de EPC. 1 2 3 4 1 CAPACETE DE PROTEÇÃO 2 PROTETOR AURICULAR 3 ÓCULOS DE PROTEÇÃO 4 LUVAS DE PROTEÇÃO Figura 2.3: Exemplos de EPI. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Figura 2.4: Exemplos de EPC. Fonte: CC BY 3.0 Andrevruas/Wikipédia. Em atividades cujos riscos são conhecidos à saúde é óbvio que uma ação preventiva deve ser tomada de imediato, sem a necessidade de levantamento quantitativo prévio como, por exemplo, o uso de máscaras para proteção das vias respiratórias, jalecos, roupas, 29Unidade 2 – Avaliação da exposição aos agentes ambientais luvas, capelas e fluxos laminares em trabalhos como a fabricação e manipulação de com- postos orgânicos de perigosos. Veja no quadro 2.2 um exemplo de formulário de avaliação ambiental qualitativa, que contempla a vistoria nos ambientes de trabalho pelo profissional capacitado de higiene ocupacional. A ponderação dos resultados da avaliação qualitativa no formulário permite a classificação dos ambientes avaliados com base em um conjunto integrado de indica- dores denominados de ‘índices de condição ambiental’ (ICA). Estes índices são percentu- ais e têm a sua variação classificada em faixas de aceitabilidade ou adequabilidade. Os indicadores ICA permitem comparar as condições ambientais de um ambiente de trabalho em diferentes momentos (variação temporal), como também comparar essas condições entre diferentes ambientes de trabalho (variação espacial). A avaliação qualita- tiva também avalia as condições do microambiente no quesito existência de Risco Grave e Iminente (RGI). Quadro 2.2: Descrição dos riscos ocupacionais FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL QUALITATIVA. HOLOAMBIENTE: MACROAMBIENTE: LOCAL: MICROAMBIENTE: RF - RISCOS FÍSICOS 1NOTA 2RGI RF 01 Ruído contínuo RF 02 Ruído de impacto RF 03 Temperatura extrema (calor) RF 04 Temperatura extrema (frio) RF 05 Umidade RF 06 Vibração RF 07 Pressão anormal RF 08 Radiação ionizante RF 09 Radiação não ionizante ÍNDICE DE CONDIÇÃO AMBIENTAL RISCOS FÍSICOS 3ICA-RF = SOMA [(RF 01 a RF 09) / 9] x 10 RQ - RISCOS QUÍMICOS 1NOTA 2RGI RQ 01 Armazenamento de produtos químicos RQ 02 Manipulação de produtos químicos RQ 03 Ventilação RQ 04 Higienização do ambiente RQ 05 Manutenção do ambiente 30 Higiene Ocupacional I RQ 06 Gestão de resíduos químicos RQ 07 Equipamentos de emergência RQ 08 Equipamentos de proteção coletiva RQ 09 Equipamentos de proteção individual ÍNDICE DE CONDIÇÃO AMBIENTAL RISCOS QUÍMICOS 3ICA-RQ = SOMA [(RQ 01 a RQ 09 / 9] x 10 1NOTA: deve ser um valor numérico entre 0,0 e 10,0. 2RGI: é a ocorrência de ‘Risco Grave e Iminente’. 3ICA: é a média aritmética apenas dos itens com notas atribuídas pelo avaliador. Fonte: SEBRAE Os resultados da avaliação qualitativa podem indicar necessidade da realização de avalia- ções quantitativas no ambiente de trabalho e/ou a necessidade da execução/implantação de medidas de controle dos riscos (adequações no ambiente de trabalho). As medidas de controle podem ser: • instalação e/ou manutenção de equipamentos de proteção coletiva; • alteração no layout do local de trabalho; • alteração no posto de trabalho; • alteração no processo de trabalho; • capacitação dos funcionários; • aquisição e/ou manutenção de equipamentos de proteção individual, etc. Avaliação quantitativa O resultado da avaliação quantitativa mostra as condições reais de um ambiente de tra- balho. A partir desse conhecimento, seleciona-se o método de amostragem adequado à situação, que fornecerá informações quantitativas sobre os diferentes agentes ambien- tais presentes nos locais, ou seja, a intensidade dos agentes físicos ou a concentração dos agentes químicos existentes no local analisado. Assim, uma vez realizado o levantamento quantitativo, há condições para traçar os planos de controle das exposições. 31Unidade 2 – Avaliação da exposição aos agentes ambientais Portanto, para fixar bem a diferença das duas avaliações, anote: Avaliação qualitativa: reconhecimento e identificação Avaliação quantitativa: dimensionamento Mas quais são, definitivamente, as principais etapas de uma avaliação ambiental (quali- tativa + quantitativa)? A resposta está logo a seguir: • Definição do objetivo da avaliação. • Conhecimento dos locais de trabalho e atividades a avaliar. • Identificação das substâncias presentes e reconhecimento do risco de exposição. • Definição da estratégia de amostragem. • Coleta de amostras. • Análise do material coletado. • Cálculos dos resultados e estimativa da exposição ocupacional. • Comparação com limites de exposição ocupacional. • Comparação com os dados da avaliação e monitorização biológica. A avaliação quantitativa envolve uma perícia nos ambientes de trabalho pelo higienista ocupacional, com uma mensuração das exposições. Os formulários são padronizados, com campos específicos para cada tipo de agente ambiental avaliado. Isso permite uma melhor avaliação e comparação entre as exposições. A avaliação quantitativa demanda a elaboração de uma estratégia de amostragem específica para cada item a ser avaliado. Esta estratégia considera uma amostragem espacial (avaliação em diferentes pontos de amostragem) e temporal (avaliação em diferentes momentos para cada ponto de amostragem). Os resultados da avaliação quantitativa são apresentados em laudo pericial conclusivo, que deve indicar a conformidade ou não conformidade do item avaliado no ambiente quanto aos limites estabelecidos em normas de segurança e saúde do trabalho. A comprovação de uma não conformidade pode estabelecer a necessidade de execução/implantação de medidas de controle dos riscos (adequações no ambiente de trabalho). O detalhamento destas adequações deve ser realizado numa etapa denominada ‘Controle dos Riscos Ambientais (CRA)’ por profissionais qualificados. 32 Higiene Ocupacional I Chegamos ao final de mais uma parte do nosso estudo, e nessa unidade você pôde co- nhecer um pouco sobre a classificação dos agentes ambientais. Viu também os fatores determinantes de uma exposição ocupacional (natureza do agente ambiental, tempo de exposição ocupacional ao agente ambiental, concentração ou intensidade do agente ambiental, suscetibilidade individual, sinergismo) e os tipos de avaliação ambiental (qua- litativa e quantitativa). Pratique 1. Relacione as colunas. (1) Agente físico ( ) Adoção de medidas corretivas imediatas (2) Agente químico ( ) Resposta de cada indivíduo ao agente (3) Sinergismo ( ) Concentração (4) Suscetibilidade ( ) Efeito combinado de mais de um agente (5) Concentração > LT ( ) Nível aceitável de exposição (7) Concentração < LT ( ) Intensidade 2. Apresente alguns dos principais objetivos em realizar uma ‘avaliação ambiental’. 3. A presença de ruídos no ambiente de trabalho pode ser detectada facilmente pela audição humana. Qual o tipo de avaliação que deve ser feita para saber se os níveis de ruído estão dentro dos limites toleráveis pela legislação? Pesquise também qual o equipamento utilizado para esse tipo de medição. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Limites de tolerância Unidade 3 34 Higiene Ocupacional I Para continuar nosso estudo, você agora vai conhecer o conceito de limites de tole- rância e as medidas de controle de exposição em um ambiente de trabalho. Nesta unidade, serão abordadas definições correlatas, como nível de ação, valor teto e a importância da prevenção de riscos, de modo a manter as concentrações de qualquer agente ambiental nos níveis mais baixos possíveis. Conceituação de limite de tolerância Para a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH) (2010), a definição de limites de exposição ou limites de tolerância é a seguinte: Os limites de exposição referem-se a concentrações de substâncias químicas dispersas no ar (assim como a intensidade de agentes físicos de natureza acústica, eletromag- nética, ergonômica, mecânica e térmica) e representamcondições às quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, repetidamente, dia após dia, sem sofrer efeitos adversos à saúde. Já a NR 15 (BRASIL, 1978c) afirma que é “a concentração ou intensidade máxima ou mínima relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral”. A definição da fronteira entre o que “causará dano ou não” é subjetiva, o que pode levar a uma imprecisão. Conforme já explicado nas unidades anteriores, há trabalhadores mais sus- cetíveis à doença, pela própria nature- za da variabilidade individual ou por fatores de suscetibilidade específica, como é o caso dos albinos em relação à radiação ultravioleta ou mesmo a sensibilidade auditiva. Nesse caso, é preciso precaução quanto a considerar apenas os limites de exposição es- tabelecidos pela legislação. Considerando a prevenção, deve-se manter as concentrações ou as intensidades de qualquer agente ambiental nos níveis mais baixos possíveis. O limite de exposição é um conceito sujeito a contínua evolução. E, embora não haja garantia absoluta de que os agentes ambientais não produzirão efeito adverso à saúde, Outro exemplo de trabalhos suscetíveis à doença você pode conferir no link a seguir. <http://www.infosolda.com.br/biblioteca-digital/livros- senai/higiene-e-seguranca/6-limite-de-tolerancia-do- agente-ambiental.html>. 35Unidade 3 – Limites de tolerância são as melhores alternativas disponíveis, pois são determinados dentro de critérios cien- tíficos e estão sujeitos à contínua evolução. Percebe-se que, com o decorrer do tempo e do aprimoramento do conhecimento, os limites de exposição vêm sendo reduzidos (raramente são aumentados). No momento em que se avaliam os agentes físicos, químicos e biológicos, deve-se com- parar os limites nacionais e internacionais, sendo estes últimos geralmente mais rígidos. O quadro 3.1 apresenta os principais limites de tolerância internacionais (ACGIH: Ame- rican Conference of Governmental Industrial Hygienist; OSHA: Occupational Safety and Health Administration; NIOSH: National Institute for Occupational Safety and Health), que servem como base de avaliação e comparação nas atividades de avaliação ocupa- cional. Quadro 3.1. Limites de tolerância internacionais. Órgão Aplicação ACGIH Threshold Limit Values (TLV) (valor limite) ACGIH Biological Exposure Índice (BEI) (índice de exposição biológica) OSHA Permissible Exposure Limit (PEL) (limite de exposição permissível) NIOSH Recommended Exposure Limit (limite de exposição recomendado) Fonte: Adaptado de normas vigentes de exposição a riscos. Nível de Ação (NA) O nível de ação é definido pela NR 9 (BRASIL, 1978b) como “valor acima do qual devem ser iniciadas as ações preventivas, de forma a minimizar a probabilidade de que as expo- sições a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição”. Normalmente o nível de ação é estabelecido como metade do limite de tolerância. O nível de ação é o valor de referência para a adoção de medidas de prevenção, com uma margem segura à exposição dos trabalhadores aos agentes ambientais. Uma vez adotadas essas medidas, as concentrações e intensidades dos agentes ambientais deve- rão permanecer em níveis inferiores ao nível de ação. A adoção do limite de tolerância propicia que a grande maioria dos trabalhadores ex- postos não tenha efeitos nocivos em valores abaixo dos limites, mas há de se considerar ainda, a suscetibilidade individual já mencionada anteriormente. A adoção do nível de ação propicia uma proteção ainda maior. 36 Higiene Ocupacional I Valor Teto (VT) O valor teto é definido como ‘o valor que não pode ser ultrapassado, em hipótese algu- ma, pois oferece risco iminente à saúde do trabalhador’. O quadro 1, da NR 15, Anexo XI, mostra a aplicação prática do valor teto para os limites de tolerância de agentes químicos. Neste quadro, quando houver um sinal “+” na coluna valor teto, significa que ‘em nenhuma avaliação quantitativa do agente químico, este limite poderá ser ultrapas- sado’, mesmo que seja apenas um pico. Caso esta coluna esteja em branco, significa que se deve utilizar o quadro 2, como referência à faixa de tolerância admitida. Isso deve ser feito observando o chamado “fator de desvio”, para cada faixa de limite de tolerância do quadro. Conhecendo o fator de desvio nessa faixa, deve-se multiplicar o “limite de tole- rância” pelo “fator de desvio”, ou seja, LT x FD e será obtido o valor máximo que se pode ultrapassar, do limite de tolerância. Após consultar a normativa acima su- gerida, observe o exemplo aplicado ao quadro 1: O acetaldeído tem LT de 78 ppm e o fator de desvio (FD) obtido no quadro 2, da NR 15, Anexo XI, é de 1,5, pois 78 está entre 10 e 100 (terceira linha do corpo do quadro). Com estes valores deve-se multiplicar 78 x 1,5 (LT x FD). O valor obtido é 117 ppm, que é o valor máximo que pode ser ultrapas- sar ao limite de tolerância. Se no restante do tempo, os valores estão abaixo do LT e na média o valor fique abaixo do LT e, em nenhum momento 117 ppm seja ultrapassado, pode-se considerar que a situação é “aceitável”. Porém, mesmo que se tenha na média um valor inferior a 78 ppm e por um único momento, 117 ppm tenha sido ultrapassado, pode-se afirmar que o LT foi ultrapassado. Nexo causal O nexo causal é a comprovação de que o acidente de trabalho ou doença ocupacional foi a causa da incapacidade para o trabalho ou para a morte. De acordo com o art. 337 do Decreto 3.048/99 que aprova o Regulamento da Previdência Social e dá outras pro- vidências, o acidente do trabalho será caracterizado tecnicamente pela perícia médica do INSS, mediante a identificação do nexo entre o trabalho e o agravo, apontando as seguintes conclusões: Para saber mais sobre agentes químicos, limites de tolerância e valor teto no ambiente de trabalho, consulte a NR 15, em seu Anexo XI, disponível no site <http:// sislex.previdencia.gov.br/paginas/05/mtb/15.htm>. 37Unidade 3 – Limites de tolerância • O acidente e a lesão • A doença e o trabalho • A causa mortis e o acidente Conforme o Decreto nº 6.042, de 2007, considera-se agravo “a lesão, doença, transtor- no de saúde, distúrbio, disfunção ou síndrome de evolução aguda, subaguda ou crôni- ca, de natureza clínica ou subclínica, inclusive morte, independentemente do tempo de latência”. A redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009 (BRASIL, 2009), remete que: É estabelecido o nexo entre o trabalho e o agravo quando se verificar nexo técnico epidemiológico entre a atividade da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade, elencada na Classificação Internacional de Doenças (CID) em conformi- dade com o disposto na Lista C do Anexo II do Regulamento. INTERVALO CID-10 CNAE A15-A19 0810 1091 1411 1412 1533 1540 2330 3011 3701 3702 3811 3812 3821 3822 3839 3900 4120 4211 4213 4222 4223 4291 4299 4312 4321 4391 4399 4687 4711 4713 4721 4741 4742 4743 4744 4789 4921 4923 4924 4929 5611 7810 7820 7830 8121 8122 8129 8610 9420 9601 NTERVALO CID-10 CNAE E10-E14 1091 3600 3701 3702 3811 3812 3821 3822 3839 3900 4120 4211 4213 4222 4223 4291 4292 4299 4313 4319 4329 4399 4721 4921 4922 4923 4924 4929 4930 5030 5231 5239 8011 8012 8020 8030 8121 8122 8129 8411 9420 INTERVALO CID-10 CNAE F10-F19 0710 0990 1011 1012 1013 1220 1532 1622 1732 1733 2211 2330 2342 2451 2511 2512 2531 2539 2542 2543 2593 2814 2822 2840 2861 2866 2869 2920 2930 3101 3102 3329 3600 3701 3702 3811 3812 3821 3822 3839 3900 4120 4211 4213 4221 4292 4299 4313 4319 4321 4329 4399 4520 4912 4921 5030 5212 5221 5222 5223 5229 5231 5232 5239 5250 5310 6423 7810 7820 7830 8121 8122 8129 8411 8423 8424 9420 F20-F29 0710 0990 1011 1012 1013 1031 1071 1321 14111412 2330 2342 2511 2543 2592 2861 2866 2869 2942 3701 3702 3811 3812 3821 3822 3839 3900 4120 4211 4213 4222 4223 4291 4292 4299 4312 4391 4399 4921 4922 4923 4924 4929 5212 5310 6423 7732 7810 7820 7830 8011 8012 8020 8030 8121 8122 8129 8423 9420 No link a seguir, você vai encontrar 8 sugestões de filmes que abordam a segurança e prevenção de acidentes e doenças no trabalho. Acesse <http://segurancadotrabalhobr.com.br/filmes-sobre-seguranca-do-trabalho/>. 38 Higiene Ocupacional I INTERVALO CID-10 CNAE F30-F39 0710 0892 0990 1011 1012 1013 1031 1220 1311 1313 1314 1321 1330 1340 1351 1359 1411 1412 1413 1422 1531 1532 1540 2091 2123 2511 2710 2751 2861 2930 2945 3299 3600 4636 4711 4753 4756 4759 4762 4911 4912 4921 4922 4923 4924 4929 5111 5120 5221 5222 5223 5229 5310 5620 6110 6120 6130 6141 6142 6143 6190 6311 6422 6423 6431 6550 8121 8122 8129 8411 8413 8423 8424 8610 8711 8720 8730 8800 F40-F48 0710 0990 1311 1321 1351 1411 1412 1421 1532 2945 3600 4711 4753 4756 4759 4762 4911 4912 4921 4922 4923 4924 4929 5111 5120 5221 5222 5223 5229 5310 6110 6120 6130 6141 6142 6143 6190 6311 6422 6423 8011 8012 8020 8030 8121 8122 8129 8411 8423 8424 8610 INTERVALO CID-10 CNAE G40-G47 0113 0210 0220 0810 1011 1012 1013 1321 1411 1412 1610 1621 1732 1733 1931 2330 2342 2511 2539 2861 3701 3702 3811 3812 3821 3822 3839 3900 4120 4211 4213 4222 4223 4291 4292 4299 4313 4319 4399 4921 4922 4923 4924 4929 4930 5212 8011 8012 8020 8030 8121 8122 8129 G50-G59 0155 1011 1012 1013 1062 1093 1095 1313 1351 1411 1412 1421 1529 1531 1532 1533 1539 1540 2063 2123 2211 2222 2223 2229 2349 2542 2593 2640 2710 2759 2944 2945 3240 3250 4711 5611 5612 5620 6110 6120 6130 6141 6142 6143 6190 6422 6423 8121 8122 8129 8610 Figura 3.1: Ilustração – Lista C. Fonte: BRASIL (2009). O CID-10 foi conceituado para padronizar e catalogar as doenças e problemas relaciona- dos à saúde, tendo como referência a Nomenclatura Internacional de Doenças, estabe- lecida pela Organização Mundial de Saúde. Para entender melhor a figura 3.1, analisemos, por exemplo, o CNAE 0810 e todas as suas subclasses: Classe: 0810-0 EXTRAÇÃO DE PEDRA, AREIA E ARGILA Esta classe contém a seguinte subclasse: 0810-0/01 EXTRAÇÃO DE ARDÓSIA E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/02 EXTRAÇÃO DE GRANITO E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/03 EXTRAÇÃO DE MÁRMORE E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 39Unidade 3 – Limites de tolerância 0810-0/04 EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E DOLOMITA E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/05 EXTRAÇÃO DE GESSO E CAULIM 0810-0/06 EXTRAÇÃO DE AREIA, CASCALHO OU PEDREGULHO E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/07 EXTRAÇÃO DE ARGILA E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/08 EXTRAÇÃO DE SAIBRO E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/09 EXTRAÇÃO DE BASALTO E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO 0810-0/10 BENEFICIAMENTO DE GESSO E CAULIM ASSOCIADO À EXTRAÇÃO 0810-0/99 EXTRAÇÃO E BRITAMENTO DE PEDRAS E OUTROS MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO E BENEFICIAMENTO ASSOCIADO Para trabalhadores nessa atividade, pode-se estabelecer nexo entre o trabalho e o agravo quando se verificar, nesse caso, que o trabalhador apresenta uma doença com código CID-10, no intervalo A15- A19. As doenças contempladas nessa classe são A15 (Tuber- culose respiratória, com confirmação bacteriológica e histológica), A16 (Tuberculose das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou histológica), A17 (Tuberculose do sistema nervoso), A18 (Tuberculose de outros órgãos) e A19 (Tuberculose miliar). Reconhecidos pela perícia médica do INSS a incapacidade para o trabalho e o nexo entre o trabalho e o agravo serão devidas as prestações acidentárias a que o beneficiário tenha direito. Medidas de controle de exposição Em um ambiente de trabalho podem ser implementadas várias medidas de controle de exposição, uma vez detectado algum índice de exposição elevado. Elas podem incluir: • Limitação da utilização ou substituição do agente. Exemplo: a substituição, na indústria automobilística, de tintas a base de solventes por tintas a base de água ou com maiores teores de sólidos e, consequentemente, com menos solventes. • Limitação da utilização ou substituição do processo. Exemplo: tampar recipientes que envolvam materiais que possam se dispersar no ambiente; substituir um processo de pintura à pistola por pintura spray eletrostática a pó; reduzir a temperatura de um processo para reduzir evaporação. 40 Higiene Ocupacional I • Utilização de medidas técnicas preventivas. Exemplo: compra de produtos químicos já misturados, nas quantidades certas, para evitar manipulação desnecessária. • Estabelecimento de valores limites, métodos de amostragem, medição e avaliação. Exemplo: utilização dos equipamentos portáteis de avaliação em ambientes que pos- sam conter atmosferas perigosas (H2S em esgotos, CO2, gases combustíveis). • Adoção de medidas de proteção que impliquem na aplicação de procedimentos e métodos de trabalho apropriados. Exemplo: evitar que o trabalhador se incline sobre uma fonte de contaminante volátil para não agravar a exposição. • Medidas de proteção coletiva. Exemplo: ventilação local exaustora, barreiras na transmissão ou propagação. • Medidas de proteção pessoal, quando não for possível evitar por outros meios. Exemplo: uso de equipamentos de proteção individual adequado. • Medidas de higiene pessoal. Exemplo: alertar trabalhadores a lavar as mãos após manipulação de produtos noci- vos. • Informar aos trabalhadores sobre os riscos relativos à exposição a um agente, sobre as medidas técnicas de prevenção e, ainda, sobre as precauções a tomar. Exemplo: treinamento adequado. • Sinalização de advertência e segurança. Exemplo: rotulagem e sinais de advertência para ajudar os trabalhadores nas práticas seguras. 41Unidade 3 – Limites de tolerância • Vigilância da saúde dos trabalhadores através de exames periódicos. Exemplo: execução completa e adequada do Programa de Controle Médico e de Saúde Ocupacional (PCMSO) – NR 7 (BRASIL, 1978a). • Registro de dados relativos a níveis de exposição, trabalhadores expostos e resultados de vigilância da saúde. Exemplo: elaboração de estatísticas de acidentes e incidentes. • Planos de emergência em caso de exposições anormais. Exemplo: procedimentos de emergência, plano de evacuação, plano de ação e emer- gência, plano de auxílio mútuo. Você viu nesta unidade o conceito de limites de tolerância e outros fatores ligados a eles, em um ambiente de trabalho. Percebeu a importância de buscar preferencialmente, a prevenção de riscos. Mas, também, de observar as normas regulamentadoras, que apre- sentam os agentes ocupacionais causadores de danos à saúde humana e, em casos de exposição excessiva já confirmada, aplicar as medidas de controle. Pratique 1. Consulte a NR 15 (Anexos XI e XII) e explique a diferença entre ‘limite de tolerância’ e ‘valor-teto’. Busque cinco agentes químicos, com seus respectivos graus de insalu- bridade, no quadro 1 - Anexo XI. 2. Assinale a alternativa correta considerada uma medida de controle de exposição, do tipo proteção coletiva. a) Automatização da operação. b) Treinamento. c) Enclausuramento de equipamentos. d) Ventilação de exaustão. Fonte: CC0 Domínio Público/Pxhere Riscos físicos – Pressões anormais Unidade 4 44 Higiene Ocupacional I Nesta unidade, você vai aprender sobre os riscos físicos, além da definição de pres- sões anormais (hipobáricas e hiperbáricas) em um ambiente de trabalho. Além dos conceitos, serão abordadas as implicações legais para os trabalhadores que atuam em atividades com anormalidades de pressão, bem como os principais meios de prevenção e agravantes causados por este risco físico. Os agentesde risco: contexto geral Você já aprendeu que os agentes de risco são substâncias e/ou fatores, que, em altas concentrações, podem causar danos à saúde do trabalhador. Esses agentes podem não trazer consequências imediatas, porque depende muito de fatores como tempo de ex- posição ao risco, intensidade, quantidade de agentes presentes no ambiente, e outros. Os riscos físicos representam as formas de energia, que podem estar presentes em um ambiente de trabalho, em quantidades acima do limite de tolerância. En- tre os mais importantes pode-se citar: • Pressões anormais • Radiações ionizantes: raios X, raios alfa (α), raios beta (β), raios gama (γ) • Radiações não ionizantes: infravermelho, luz visível, ultravioleta, laser, micro- -ondas • Ruído • Temperaturas extremas altas e baixas • Vibrações • Umidade Os riscos físicos são encontrados na maioria dos ambientes de trabalho, sejam eles in- dustriais, empresariais ou comerciais. Sendo assim, é importante para o profissional de 45Unidade 4 – Riscos físicos – Pressões anormais higiene ocupacional compreender o significado dessas condições, para delimitar padrões de normalidade e potencialidade de riscos. 4.1.a: Exemplo de risco físico. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Pressões anormais São descritas como pressões acima (hiperbári- ca) e abaixo (hipobárica) da pressão atmosférica normal, que podem prejudicar atividades labo- rais. A legislação que deve ser obedecida é a NR 15 – Atividades e Operações Insalubres do Ane- xo VI (BRASIL, 1978c). Vamos conhecer agora a diferença entre as baixas e as altas pressões. Baixas pressões Os trabalhadores que exercem atividades em grandes altitudes estão sujeitos a baixas pressões. No Brasil, raramente há trabalhadores submetidos a essa condição de risco. Quanto maior a altitude de um lugar, menor é a sua pressão atmosférica. Isso porque a Para saber mais sobre pressões anormais, consulte a NR 15, Anexo VI, disponível no site: <http://www.guiatrabalhista.com.br/ legislacao/nr/nr15_anexoVI.htm>. 46 Higiene Ocupacional I quantidade absoluta de ar diminui proporcionalmente à altitude. Figura 4.2: Trabalho em elevada altitude. Fonte: CC BY-SA 4.0 Candra Firmansyah/Flickr.com. A baixa oxigenação é resultado da diminuição do ar atmosférico como um todo, e não da porcentagem do oxigênio especificamente. Tanto é assim que o teor de oxigênio é de 21% do ar atmosférico, seja ele ao nível do mar ou em elevadas altitudes. A diferença é que em altitudes maiores há menos ar do que ao nível do mar e, consequentemente, menos oxigênio. Assim, uma baixa pressão parcial de oxigênio (pO2) produz uma diminuição no número de moléculas de oxigênio por unidade de volume, ou seja, se respira menos quantidade de oxigênio do que em condições de pressão normal. A falta de oxigênio pode levar a dores de cabeça, perda de clareza mental, dificuldades para movimentos, perda de co- ordenação e equilíbrio. E você sabe quais são os efeitos da altitude no corpo humano? Para descobrir, basta acessar o link a seguir. <https://mundoestranho.abril.com.br/saude/quais-sao- os-efeitos-da-altitude-no-corpo-humano/>. O corpo humano é preparado para viver em condições normais de pressão, mas consegue se adaptar a extremos de altitude e profundidade. Quadro 4.1: Efeito da altitude no ser humano Altitude Efeitos no ser humano 47Unidade 4 – Riscos físicos – Pressões anormais 8.000 metros – Zona fatal No topo do Monte Everest, o pico mais alto do mundo, o aventureiro consegue respirar apenas 30% do oxigênio necessário. Os poucos alpinistas que conseguiram chegar lá sem tubos de oxigênio aguentaram uma hora e meia, no máximo. Mais do que isso, é morte certa. 5.000 metros – Alerta vermelho A capacidade de adaptação do organismo diminui muito. Aumenta o risco de edemas por acúmulo de líquidos no pulmão ou no cérebro. 3.600 metros – Sufoco andino La Paz, na Bolívia, é a capital mais alta do mundo. Seus 700.000 habitantes estão acostumados ao ar rarefeito da Cordilheira dos Andes. Lá, é comum mascar folhas de coca para atenuar os efeitos da altitude. 2.800 metros – O corpo sofre O organismo começa a responder à redução do oxigênio. No início, você passa a respirar mais depressa e mais profundamente. A frequência cardíaca também aumenta para distribuir o oxigênio a todas as células com mais eficiência. A partir do terceiro dia, nesta altitude, o corpo se adapta e começa a produzir mais hemoglobina, a molécula sanguínea que transporta o oxigênio. Nível do mar Aqui, você tem uma coluna de ar sobre a cabeça, que corresponde a 1 atmosfera, a unidade de medida da pressão atmosférica. Fonte: Revista ‘Super Interessante’. Disponível em: <https://super.abril.com.br/saude/pressao-altos-e-baixos/>. Acesso em: agosto 2017. Atletas brasileiros de futebol, por exemplo, sofrem quando precisam jogar em cidades muito altas, como em La Paz. Não deixe de assistir a interessante reportagem que aborda esse tema, inclusive a dificuldade de respirar. Acesse o link: <https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2017/10/05/altitude-deixa-tite-com-dor-de-cabeca-tecnico- teve-dificuldade-para-gritar.htm>. Altas pressões São aquelas que se situam acima da pressão atmosférica normal. Ocorrem em trabalhos realizados em tubulações de ar comprimido, máquinas de perfuração, caixões pneumáti- cos e trabalhos executados por mergulhadores. Para eles, por exemplo, a profundidade, o tempo de mergulho e a velocidade de subida são parâmetros de controle essenciais para evitar as doenças descompressivas e os acidentes como os barotraumas, embolias, embriaguez das profundidades (saturação por N2), afogamentos, intoxicação tanto pelo oxigênio quanto pelo gás carbônico. Portanto, o processo de descompressão é funda- mental e essencial na atividade de mergulho. Conforme avança no tempo de duração do mergulho e a profundidade é atingida, maior é o tempo necessário para que o corpo consiga eliminar as bolhas de nitrogênio que se formam no sangue, quando o ar é respirado sob pressão, e, portanto, maior será o tem- po necessário de descompressão. Para trabalhos que envolvam a atmosfera sob ar comprimido, de acordo com a NR 15 - 48 Higiene Ocupacional I Anexo VI, os empregados deverão satisfazer os seguintes requisitos: a) ter mais de 18 (dezoito) e menos de 45 (qua- renta e cinco) anos de idade; b) ser submetido a exame médico obrigatório, pré-admissional e periódico, exigido pelas características e peculiaridades próprias do trabalho; c) ser portador de placa de identificação, de acordo com o modelo (quadro 4.2), forne- cida no ato da admissão, após a realização do exame médico. Antes da jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo médico, não sendo permitida a entrada em serviço daqueles que apresentem sinais de afecções das vias respiratórias ou outras moléstias. Para operações nas Campânulas ou Eclusas, são exigências da atividade que o operador anote, em registro adequado, o seguinte: a) hora exata da entrada e saída da campânula ou eclusa; b) pressão do trabalho; c) hora exata do início e do término de descompressão. Quadro 4.2: Modelo de placa de identificação para trabalho em ambiente sob ar comprimido 4 cm FRENTE EM CASO DE INCONSCIÊNCIA OU MAL DE CAUSA INDETERMINADA TELEFONAR PARA O Nº____________ E ENCAMINHAR O PORTADOR DESTA PARA__________________ 6 cm 4 cm INCONSCIÊNCIA VERSO NOME DA CIA NOME DO TRABALHADOR 6 cm Fonte: BRASIL (1978c). Barotraumas: Significa traumatismo provocado pela pressão como, por exemplo, a sensação de pressão dentro do ouvido (dor de ouvido). 49Unidade 4 – Riscos físicos – Pressões anormais Mais uma parte do nosso estudo foi concluída. Aqui você aprendeu o conceito de riscos físicos de forma específica; conheceu a definição de pressões anormais (hipobáricas e hiperbáricas) em um ambiente de trabalho. Percebeu a importância da legislação que regulamenta e adota medidasde prevenção para os trabalhadores que atuam em ativi- dades com anormalidades de pressão. Pratique 1. Pesquise na NR 15, Anexo VI - Trabalho sob condições hiperbáricas: Qual o período de tempo que os trabalhadores, após a descompressão, são obriga- dos a permanecer no canteiro de obra, para observação médica? Fonte: CC0 Creative Commons/Pixabay Riscos físicos – Radiações Unidade 5 52 Higiene Ocupacional I Nesta unidade, você vai conhecer os conceitos dos riscos físicos de forma específica, e também a definição de radiações (ionizantes e não ionizantes) em um ambiente de trabalho, e em quais fontes elas podem ser encontradas. Depois de aprender os conceitos, você verá as implicações legais para os trabalha- dores que atuam em atividades com exposição à radiação, bem como as principais formas de prevenção e lesões causadas por este risco físico. Vamos lá? Veremos, primeiro, os conceitos de radiação. Radiações São formas de energia que se transmitem por ondas ou partículas. A absorção das ra- diações pelo ser humano é responsável pelo aparecimento de diversos tipos de lesões, como anemia, leucemia, câncer e efeitos genéticos cumulativos e irreversíveis, que po- dem causar mutações. As radiações podem ser classificadas em dois grupos: Radiações ionizantes: Os operadores de raios-X e radioterapia estão frequente- mente expostos a esse tipo de radiação, que pode afetar o trabalhador ou se manifestar nos descendentes das pessoas expostas. São exemplos de radiações ionizantes as partículas alfa (α), beta (β) (elétrons e prótons), o nêutron, os raios-X e gama (γ). O perigo das radiações ionizantes é que o organismo não tem meca- nismo de percepção dessas radiações. Radiações não ionizantes: Os operadores de fornos e soldas estão frequente- mente expostos a esse tipo de radiação, como a radiação infravermelha, de solda oxiacetilênica, radiação ultravioleta, ou ainda raios laser e micro-ondas. Para saber mais sobre a pesquisa acima, consulte o artigo na íntegra em US National Library of Medicine National Institutes of Health. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm. nih.gov/pmc/articles/PMC2509609/> Os fumantes recebem uma dose de radiação equivalente a cerca de 300 radiografias de tórax por ano devido ao isótopo radioativo polônio-210 contido na fumaça do tabaco que vem dos ingredientes dos fertilizantes utilizados na sua produção. 53Unidade 4 – Riscos físicos – Radiações Radiações ionizantes As radiações eletromagnéticas do tipo raio-X e raio gama (γ) são mais penetrantes e, de- pendendo de sua energia, podem atravessar vários centímetros do tecido humano (por isso são utilizadas em radiografias médicas). Ao desligar uma máquina de raios-X, ela deixa de produzir radiação e não torna o ma- terial radioativo, ou seja, os locais onde são realizadas as radiografias não ficam radioa- tivos. O cuidado deve-se ao caráter acumulativo da radiação ionizante, por isso não se deve tirar radiografia sem necessidade. As radiações beta (β) são pouco penetrantes em relação às anteriores. Dependendo de sua energia, podem atravessar milímetros e até centímetros de tecido humano (permite aplicações médicas em superfícies da pele para acelerar a cicatrização). Já as partículas alfa (α) são inofensivas por possuírem um poder de penetração muito pequeno, não conseguindo atravessar a pele, podendo ser detidas, até mesmo, por uma folha de papel. Podem causar danos maiores em situações de contaminação, por inala- ção ou ingestão, quando em grande quantidade, em função de sua toxicidade. Os nêutrons são muito penetrantes devido à sua grande massa e à ausência de carga elétrica. Das radiações apresentadas, são as que produzem maior dano biológico aos seres humanos. Podem, inclusive, tornar materiais expostos radioativos. São produzidos em reatores nucleares. Figura 5.1 - O poder de penetração das radiações. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. 54 Higiene Ocupacional I As radiações ionizantes podem ser avaliadas no ambiente ocupacional através de um aparelho chamado de ‘contador Geiger’, ou, individualmente, através dos dosímetros de filme de bolso. Figura 5.2: Dosímetro de Radiação. Fonte: CC0 Creative Commons/Pixabay. Para avaliar a quantidade de exposição a radiações ionizantes é utilizado o coulomb/ quilograma (C/kg) ou o roentgen (R). Para avaliação da dose absorvida utilizamos o gray (Gy) ou o rad. que referem-se às unidades do Sistema Internacional (SI). O controle da ação das radiações para o trabalhador deve ser realizado de várias formas protetivas: • Medidas de proteção coletiva: isolamento da fonte de radiação (ex: biombo protetor para operação em solda), enclausuramento da fonte de radiação (ex: pisos e paredes revestidas de chumbo em salas de raios-X). • Medidas de proteção individual: fornecimento de EPI adequado ao risco (ex: avental, luva, perneira e mangote de raspa para soldador, óculos para operadores de forno). • Medida administrativa: (ex: dosímetro de bolso para técnicos de raios-X). • Medida médica: exames periódicos. 55Unidade 4 – Riscos físicos – Radiações Figura 5.3: Equipamento de proteção contra raios-X. Fonte: Official United States Air Force Website. O limite estabelecido para corpo inteiro do ser humano, ocupacionalmente exposto, é de uma dose efetiva de 20 mSv ao ano e para indivíduo público 0,1 mSv ao ano (CNEN, 2011). Você sabe o que acontece quando somos expostos à radiação? A resposta está no link a seguir! Confira! <https://www.megacurioso.com.br/radiacao/27400- o-que-acontece-conosco-quando-somos-expostos-a- radiacao-htm>. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) é responsável pela legislação e regula- mentação de segurança relativa ao uso da radiação ionizante. A legislação básica encon- tra-se na NR 15, Anexo V (BRASIL, 1978c): Sv: é chamada unidade Sievert. Compõe o Sistema Internacional de Unidades (SI), sendo usada para dar uma avaliação do impacto da radiação ionizante sobre os seres humanos. A mSv é chamada de micro Sievert, mil vezes menor que a Sv. 56 Higiene Ocupacional I Nas atividades ou operações onde os trabalhadores possam ser expostos a radiações ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controles básicos para a proteção do homem e do seu meio ambiente contra possíveis efeitos indevidos causados pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE-3.01: “Dire- trizes Básicas de Radioproteção”, de julho de 1988, aprovada, em caráter experimen- tal, pela Resolução CNEN nº 12/88, ou daquela que venha a substituí-la. Para saber mais sobre a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), acesse: <http://www.cnen.gov. br/ensino/apostilas/rad_ion.pdf>. Radiações não ionizantes São radiações de natureza eletromagnética que, quando absorvidas, causam a excitação eletrônica dos átomos, aumentando sua energia interna. Produzem aquecimento do corpo, podendo conduzir a queimaduras, catarata, fadiga, efeitos carcinogênicos (câncer de pele), conforme seu comprimento de onda. Os efeitos das radiações não ionizantes sobre o organismo humano dependem da in- tensidade, duração da exposição e do comprimento da onda de radiação. Com base no comprimento e na frequência, pode-se organizar o espectro eletromagnético (Figura 5.4). Figura 5.4 - Espectro eletromagnético Fonte: CC BY–SA 4.0/Wikipedia/Khemis 57Unidade 4 – Riscos físicos – Radiações A legislação que regulamenta essas radiações é a NR 15, Anexo VII (BRASIL, 1978c). Confira: 1. Para os efeitos desta norma, são radiações não ionizantes as micro-ondas, ultravio- letas e laser. 2. As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às radiações não ioni- zantes, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres, em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. 3. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra (ultravioleta na faixa - 400- 320 nanômetros) não serão consideradas insalubres.Agora, confira as radiações não ionizantes mais importantes. • Micro-ondas: sua radiação tem grande aplicação comercial, por ser uma forma mui- to conveniente de aquecimento. Além de nossos fornos domésticos, a radiação de micro-ondas é utilizada em esterilização, vulcanização, radiodifusão FM, ressonân- cia magnética, entre outros. Essas ondas causam aquecimento localizado na pele. A exposição às micro-ondas torna-se perigosa, principalmente, quando são emitidas elevadas densidades de radiação. • Radiação ultravioleta: esta pode ser de origem natural (sol – UVA e UVB) ou artificial (soldagem a arco elétrico em operações de solda, lâmpadas ultravioletas). É uma radia- ção pouco penetrante e causa efeitos como lesões de pele (até câncer de pele) e olhos. Figura 5.5: Soldagem a arco elétrico com eletrodo revestido. Fonte: Domínio Público/US Gov./Wikimedia Commons. 58 Higiene Ocupacional I • Radiação a laser: o termo ‘laser’ é uma abreviação para a expressão light amplifica- tion by stimulated emission of radiation, ou seja, amplificação da luz por emissão estimulada de radiação. A luz de uma fonte laser é coerente. A radiação laser pode ser gerada em diferentes faixas do espectro eletromagnético, como infravermelho, visível e ultravioleta. O laser tem como característica a grande quantidade de energia concentrada em uma área muito pequena (grande perigo de queimaduras graves). Quanto maior a po- tência do laser, mais perigosa é sua radiação. • Radiação infravermelha: não é mencionada de forma específica na NR 15, ela pode ser originada de fonte natural (sol) ou artificial (fornos, metais incandescentes, solda). Tem como característica ser pouco penetrante (alguns milímetros) e sua absorção causa, basicamente, o aquecimento superficial. Quanto maior a temperatura, maior será a quantidade irradiada. • Radiofrequência: é encontrada em ondas de rádio, em radiodifusão AM, diatermia médica, solda de radiofrequência (RF), e outros Como principal risco associado, des- taca-se o aquecimento induzido pela radiação. O principal dano, dependendo da intensidade, são abortos e má formação do sistema nervoso central de bebês, cujas mães desenvolveram hipertermia entre moderada e severa. Segundo a publicação Safety in the Use of Radiofrequency Dieletric Heaters and Sealers, da OIT, os embriões e os fetos podem ser particularmente sensíveis ao calor induzido pela RF. Disponível em: http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---ed_protect/---protrav/--- safework/documents/publication/wcms_218599.pdf. Nesta unidade, foi apresentada a definição de radiações ionizantes e radiações não ioni- zantes e os locais de trabalho suscetíveis à exposição. Agora você já sabe que é de gran- de importância conhecer a legislação que regulamenta esse risco e adotar medidas de prevenção para os trabalhadores que atuam em atividades com presença de radiação em níveis elevados, de modo a diminuir os efeitos adversos relacionados à saúde humana. Fonte de luz coerente: fonte de luz que vibra num único plano; se propaga em uma só direção; é monocromática (tem um só comprimento de onda). 59Unidade 4 – Riscos físicos – Radiações Pratique 1. Relacione as radiações naturais (alfa, beta e gama) com suas respectivas características: 1. alfa (α) 1. beta (β) 1. gama (γ) ( ) Possuem alto poder de penetração, podendo causar danos irreparáveis ao ser humano. ( ) São partículas leves, com carga elétrica negativa e massa desprezível. ( ) São radiações eletromagnéticas semelhantes aos raios-X, não possuem carga elétrica nem massa. ( ) São partículas pesadas de carga elétrica positiva que, ao incidirem sobre o cor- po humano, causam apenas queimaduras leves. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) 1 – 2 – 3 – 2 b) 2 – 1 – 2 – 3 c) 1 – 3 – 1 – 2 d) 3 – 2 – 3 – 1 e) 3 – 1 – 2 – 1 Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Riscos físicos – Ruídos Unidade 6 62 Higiene Ocupacional I Os objetivos desta unidade são conceituar os riscos físicos de forma específica, apre- sentar a definição de ruídos em um ambiente de trabalho e mostrar em quais ativi- dades há maior probabilidade de encontrá-los. Além dos conceitos, serão abordadas as implicações legais para os trabalhadores que atuam em atividades expostos a ruídos, bem como as principais formas de prevenção e agravantes causados por este risco físico. Ruídos O ruído é um risco físico que pode ser explicado como um som indesejável e nocivo ao trabalhador, sua transmissão é feita pelo ar, através de ondas sonoras, também chamadas de pressão sonora, provocando uma série de problemas. Exemplos: perda auditiva (PAIR – Perda Auditiva Induzida Pelo Ruído), podendo ser temporária ou irreversível, fadiga nervosa, alterações mentais, perda de memória, irritabilidade, dificuldade em coordenar ideias, modificação do ritmo respira- tório, perturbações gastrointestinais, entre outros. Os ruídos estão presentes em muitos ambientes de trabalho atuais, como em pátios da construção civil, áreas de soldagem, oficinas mecânicas, extração de minérios, salas de aula, consultórios odon- tológicos, palcos de ensaio musical, e tantos outros. Mas, os ruídos excessivos se mani- festam especialmente em áreas industriais. A perda auditiva pelo ruído, normalmente, é produzida pela exposição do trabalhador a ambientes ruidosos (de caráter progressivo) e, geralmente, manifesta-se após muito tempo de exposição. O primeiro sintoma costu- ma ser a incapacidade de ouvir sons agudos e, geralmente, afetam os dois ouvidos. Os danos da perda de audição induzida pelo ruído são per- manentes. Contudo, a perda de audição pode ocorrer sem exposição prolongada. A exposição breve a ruídos impulsivos (ou mesmo a um único impulso forte), como os produzidos pelo disparo Tinnitus (ou tinitus): é a sensação de ouvir um zumbido, um silvo ou um ruído atroador. A exposição excessiva ao ruído aumenta o risco de tinitus. No link a seguir, você vai assistir a uma reportagem sobre os ruídos no ambiente de trabalho! <https://www.youtube.com/watch?v=zw5Z00UWyoM> 63Unidade 4 – Riscos físicos – Ruídos de uma arma de fogo, pelo impacto de um martelo ou de um martelo pneumático de rebitar, podem ter efeitos permanentes, incluindo a perda da audição e tinnitus. Os ruídos são classificados em três: a) Ruídos contínuos – são aqueles cuja variação de nível de intensidade sonora é muito pequena em função do tempo. Exemplo: ventiladores. b) Ruídos intermitentes – são aqueles que apresentam grandes variações de nível em função do tempo. São os tipos mais comuns. Exemplo: furadeira. c) Ruídos de impacto – apresentam altos níveis de intensidade sonora, num intervalo de tempo muito pequeno. São os ruídos provenientes de explosões e impactos. Enten- de-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústica de du- ração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo. Exemplo: rebitadeiras. Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com um decibelímetro, instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compen- sação “A” e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. Figura 6.1: Ilustração de um decibelímetro. Fonte: CC B-SA 3.0 Sensidyne, LP/Wikimedia Commons A NR 15, Anexo I, apresenta os limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente, onde os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tole- rância fixados neste. 64 Higiene Ocupacional I Quadro 6.1: Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente. NÍVEL DE RUÍDO - dB (A) MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA PERMISSÍVEL 85 8 horas 86 7 horas 87 6 horas 88 5 horas 89 4 horas e 30 minutos 90 4 horas 91 3 horas e 30 minutos 92 3 horas 93 2 horas e 40 minutos 94 2 horas e 15 minutos 95 2 horas 96 1 hora e 45 minutos 98 1 hora e 15 minutos 100 1 hora102 45 minutos 104 35 minutos 105 30 minutos 106 25 minutos 108 20 minutos 110 15 minutos 112 10 minutos 114 8 minutos 115 7 minutos Fonte: BRASIL (1978c). No Brasil, o limite máximo permissível para uma jornada de 8 horas é de 85 dB(A). Um aumento no nível de pressão sonora (ruído) vai implicar na diminuição do tempo de ex- posição. Para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A). Se durante a jornada de trabalho ocorrer em dois ou mais períodos de exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, pela ponderação dos tempos totais de exposição ao ruído (Cn) e a máxima exposição diária permissível a este nível (Tn): C1 + C2 + C3 + ... + Cn T1 T2 T3 Tn 65Unidade 4 – Riscos físicos – Ruídos Se a soma das frações exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância. O limite de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo. Como medidas de controle para evitar ou diminuir os danos provocados pelo ruído no local de trabalho, tem-se o enclausuramento da fonte; as barreiras na transmissão, como medidas de proteção coletiva; o uso de EPIs, como medida preventiva; a diminuição da jornada de trabalho, como medidas de proteção individual (protetor auricular). É muito importante também a execução dos exames médicos periódicos de audiometria. Essas avaliações devem ser realizadas através do Programa de Controle Médico de Saúde Ocu- pacional (PCMSO) da empresa, ou do serviço conveniado da empresa onde o empregado trabalha, ou na rede pública de saúde. Os protetores auditivos podem ser subdivididos em quatro grupos: • Protetores auditivos do tipo plugue (inserção ou semi-inserção) - onde parte do prote- tor auditivo é inserida na entrada do canal auditivo com o objetivo de selar e bloquear a passagem do ruído. • Abafador de ruído ou do tipo concha (circumaural) - que se encaixa sobre e ao redor da orelha com o objetivo de gerar uma vedação acústica contra a cabeça do usuário. • Protetores auditivos que envolvem totalmente a cabeça do usuário. • Protetores auditivos que possuem características especiais, como, por exemplo, filtros passivos (orifícios) e/ou ativos ou circuitos eletrônicos para cancelamento de ruído. Figura 6.2 A: Tipo de protetor auricular. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR Figura 6.2 B: Tipo de protetor auricular. Fonte: CC BY-SA 3.0/Wikimedia Commons • 66 Higiene Ocupacional I Nesta unidade foi apresentada a definição de ruídos e locais de trabalho suscetíveis à exposição. Você viu que é de grande importância conhecer a legislação que regulamenta este risco e adotar medidas de prevenção para os trabalhadores que atuam em ativida- des com presença de ruídos, principalmente em níveis elevados, de modo a diminuir os efeitos nocivos à saúde humana. Pratique 1. A utilização de equipamentos de proteção individual é obrigatória quando as me- didas de proteção coletivas não são satisfatórias. Aos indivíduos que não estejam adequadamente protegidos, não é permitida à exposição a níveis de ruído acima de: a) 100 db. b) 115 db. c) 120 db. d) 125 db. 2. Em que consiste a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)? Fonte: Official United State Air Force Website Riscos físicos – Temperaturas extremas Unidade 7 68 Higiene Ocupacional I A partir de agora, você vai conhecer quais são os riscos físicos em temperaturas extremas em um ambiente de trabalho, mostrando em quais atividades há maior ocorrência deste risco. Além dos conceitos, serão abordadas as ações de prevenção para os trabalhadores que atuam em atividades expostos a temperaturas extremas, bem como relatos agra- vantes causados por este risco físico. Temperaturas extremas Logo de início, é primordial que você saiba que a exposição ocupacional a temperaturas extremas ocorre na maioria dos ramos de atividades industriais: construção civil, indús- trias metalúrgicas, siderúrgicas, fundições, usinas, fábricas de vidro, indústrias de papel, olarias, frigoríficos, entre outros. Nessas atividades, as temperaturas de calor ou de frio têm intensidades suficientes para causar desconforto e males à saúde dos trabalhadores. Nas temperaturas altas, as principais fontes de calor ocupacional são o sol (trabalhos ao ar livre), caldeiras, fornos e estufas (trabalhos em ambientes industriais). Para avaliar as temperaturas extremas devem ser considerados fatores, como: temperatura do ar; velocidade do ar; umidade relativa do ar; calor radiante; calor gerado pelo metabolismo (atividade física). A exposição ao calor é regida pelo equilíbrio térmico, ou seja, o organismo ganha ou perde calor para o meio ambiente, conforme a equação a seguir: M ± C ± R - E = Q M = calor produzido pelo metabolismo, sendo um calor sempre ganho (+) C = calor ganho ou perdido por condução/convecção (+/-) R = calor ganho ou perdido por radiação (+/-) E = calor perdido por evaporação (-) Q = calor acumulado no organismo Se: Q > 0 acúmulo de calor (sobrecarga térmica) Se: Q < 0 perda de calor (hipotermia) 69Unidade 7 – Riscos físicos - Temperaturas extremas Segundo a NR 15, Anexo III (BRASIL, 1978c), o limite de tolerância para exposição ao ca- lor deve ser avaliado através do “Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo” (IBUTG), definido pelas equações que se seguem: Ambientes internos ou externos sem carga solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg Ambientes externos com carga solar: IBUTG = 0,7 tbn + 0,1 tbs + 0,2 tg tbn = temperatura de bulbo úmido natural tg = temperatura de globo tbs = temperatura de bulbo seco. Segundo a mesma norma, os aparelhos que devem ser usados na avaliação são: termô- metro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum. As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à altura da região do corpo mais atingida. Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido nos quadros 7.1 e 7.3, conforme o local de descanso e tipo de atividade exercida. Quadro 7.1: Limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho inter- mitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço. REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE COM DESCAN- SO NO PRÓPRIO LOCAL DE TRABALHO (por hora) TIPO DE ATIVIDADE LEVE MODERADA PESADA Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0 45 minutos trabalho 15 minutos descanso 30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9 30 minutos trabalho 30 minutos descanso 30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9 15 minutos trabalho 45 minutos descanso 31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0 Não é permitido o trabalho, sem a adoção de medidas adequadas de controle acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30,0 Fonte: BRASIL (1978c) - (adaptado). 70 Higiene Ocupacional I Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais. A determinação do tipo de atividade (leve, moderada ou pesada) é feita consul- tando-se o quadro 7.2. Quadro 7.2: Taxas de metabolismo por tipo de atividade TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h SENTADO EM REPOUSO 100 TRABALHO LEVE Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia). Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir). De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços. 125 150 150 TRABALHO MODERADO Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas. De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação. De pé, trabalho moderado, em máquina ou bancada, com alguma movimentação. Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. 180 175 220 300 TRABALHO PESADO Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá). Trabalho fatigante 440 550 Fonte: BRASIL (1978c). Para fins de aplicação do quadro 7.3, o local de descanso deveser um ambiente termi- camente mais ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo atividade leve. Quadro 7.3: Limites de tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho inter- mitente com períodos de descanso em outro local (local de descanso) M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG 175 200 250 300 350 400 450 500 30,5 30,0 28,5 27,5 26,5 26,0 25,5 25,0 A taxa de metabolismo média ponderada para uma hora é determinada pela seguinte fórmula: M = Mt x Tt + Md x Td 60 M - taxa de metabolismo, média, ponderada para uma hora. Mt - taxa de metabolismo no local de trabalho. Tt - soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho. Md - taxa de metabolismo no local de descanso. Td - soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso. 71Unidade 7 – Riscos físicos - Temperaturas extremas O Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG) é o valor IBUTG médio ponde- rado para uma hora, determinado pela seguinte fórmula: IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd x Td 60 IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso Tt e Td = como anteriormente definidos Os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de trabalho, sendo: Tt + Td = 60 minutos corridos. As taxas de metabolismo Mt e Md podem ser obtidas conforme está descrito no quadro 7.2. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais. Algumas consequências de calor excessivo, por exemplo, são insolação, esgotamento, câimbra, desmaio e urticária (erupções do calor). Figura 7.1: Ilustração de tipos de erupções de calor em trabalhadores. Fonte: CC BY-SA 3.0 Sentient Planet/Wikimedia. 72 Higiene Ocupacional I A maioria dos agravos de saúde relacionados com o calor excessivo pode ser prevenida ou mesmo ter seus riscos reduzidos. As medidas preventivas incluem a instalação de equipamentos de controle, como a ventilação do ambiente, o resfriamento localizado sobre as fontes de calor; a ingestão de água ou líquidos isotônicos em abundância; perí- odos de trabalho e descanso em ambientes bem ventilados; a aclimatação ao calor, por meio da exposição gradativa às altas temperaturas. Você viu as consequências que as altas temperaturas podem causar. Agora, para prosse- guirmos nosso estudo, serão apresentadas as causas das baixas temperaturas. As baixas temperaturas são capazes de causar estresse ao organismo humano, como: ulcerações, problemas respiratórios, cardiovasculares e dificuldades na execução dos tra- balhos. Uma grande diversidade de atividades pode levar a exposições ocupacionais ao frio, como: trabalho em áreas externas em regiões frias, mergulho, trabalho em câmaras frias ou navios frigoríficos, trabalhos industriais, como: linha de sorvetes e pescado. A temperatura corpórea normal em seres humanos depende de alguns pontos como o local do corpo, o período do dia e o nível de atividade corporal. Entretanto, a tempera- tura central praticamente não sofre alterações, permanecendo quase sempre constante, em 37 °C, variando em torno de 0,6° C, mesmo quando o organismo está exposto a va- riações de frio ou calor, devido ao aparelho termorregulador. Se a temperatura corpórea estiver abaixo de 35 °C (em condições de frio extremo) ocorrerá uma diminuição das ativi- dades fisiológicas (redução da pressão arte- rial e frequência dos batimentos cardíacos). Os tremores são reações do organismo, na tentativa de gerar calor metabólico. É nessa fase que se inicia a hipotermia. A temperatura corporal segue um ritmo circadiano, apresentando o seu pico mais elevado durante o anoitecer, entre 18 e 22 horas, e sua maior baixa no começo da ma- nhã, entre 2 e 4 horas. A hipotermia pode ser classificada em três tipos: a aguda, subaguda e crônica. A aguda é a mais perigosa, onde há uma brusca queda da temperatura corporal (em segundos ou minutos), por exemplo, quando a pessoa cai em um lago com gelo. A subaguda já acontece em escala de horas, comumente por permanecer em ambientes frios por lon- gos períodos de tempo. A crônica é comumente causada por uma enfermidade. Hipotermia: é a temperatura corporal reduzida que acontece quando um corpo dissipa mais calor do que absorve. Nos seres humanos, é definida como uma temperatura padrão do corpo abaixo de 35.0 ºC (95.0 ºF). Os sintomas dependem da temperatura. Ritmo circadiano ou ciclo circadiano: (do latim circa - cerca de + diem - dia) designa o período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico de quase todos os seres vivos, sendo influenciado principalmente pela variação de luz, temperatura, marés e ventos entre o dia e a noite. 73Unidade 7 – Riscos físicos - Temperaturas extremas A legislação que trata do frio em ambientes de trabalho é a NR 15, Anexo IX (BRASIL, 1978c), que estabelece uma caracterização qualitativa baseada apenas na temperatura: As atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho. As medidas de controle à exposição ao frio incluem a aclimatização, o uso de vestimen- tas adequadas, regimes de trabalho intercalados, exames médicos prévios e periódicos, educação e treinamento. Nessa unidade pôde-se perceber a grande importância de se conhecer e cumprir a legis- lação que regulamenta as temperaturas extremas em ambientes de trabalho. As medidas de prevenção e controle devem ser praticadas rotineiramente, pois o desconforto térmi- co é um risco potencial para os trabalhadores. Quadro 7.4: Sinais clínicos progressivos da hipotermia. Temperatura interna ºC ºF Sintomas clínicos 37,6 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 22 21 20 18 17 9 99,6 98,6 96,8 95 93,2 91,4 89,6 87,8 86,0 84,2 82,4 80,6 78,8 77 75,2 71,6 69,8 68 64,4 62,6 48,2 Temperatura retal normal Temperatura oral normal Taxa metabólica aumenta para compensar as perdas por calor Calafrio máximo Vítima consciente e com resposta, com pressão arterial normal Hipotermia severa abaixo desta temperatura Consciência diminuida; dificuldade de tomar a pressão sanguínea; dilatação da pupila, mas ainda reagindo à luz; Cessa o calafrio Perda progressiva da consciência, aumento da rigidez muscular, pulso e pressão arterial difíceis de determinar; redução da frequência respiratória Possível fibrilação ventricular, com irritabilidade miocárgica Parada do movimento voluntário; as pupilas não reagem à luz; ausência de reflexos profundos e superficiais Vítima raramente consciente FIbrilação ventricular pode correr espontaneamente Edema pulmonar Risco máximo de fibrilação ventricular Parada cardíaca Vítima de hipotermia acidental mais baixa de recuperar Eletroencefalograma isoelétrico Vítima de hipotermia por resfriamento artifical mais baixa de recuperar Fonte: ACGIH, ABHO (1999). } } } } } } 74 Higiene Ocupacional I Pratique Calcular o M e o IBUTG de um operador de forno de tratamento térmico que, a cada hora, abre o forno retira as peças de aço aquecidas, coloca-as no tanque de óleo e carrega o forno com outras peças, levando para isso 10 minutos; o restante do tempo permanece sentado fazendo anotações. O local não tem incidência de carga solar. TRABALHO DESCANSO Tg = 60,0°C Tbn = 25,0ºC Tg = 30,0°C Tbn = 22,0°C Fonte: CC0 Pixabay/Michele Maria. Riscos físicos – Vibrações e umidade Unidade 8 76 Higiene Ocupacional I Você vai conhecer, nesta unidade, a definição das palavras ‘vibração’ e ‘umidade’ em um ambiente de trabalho. Verá em quais atividades elas podem ser encontradas, e quais são as ações de prevenção para os trabalhadores que atuam expostos às vibra- ções e a umidade. Conhecerá também quais os principais agravantes causados por esses riscos físicos (vibração e umidade). Vibrações A presençade vibrações é comum em diversas atividades, onde o contato com as mesmas faz parte do processo laboral. Até 1983, a perícia de trabalhadores expostos a vibrações era realizada somente de forma qualitativa, sem o uso de equipamento de medição. Com a publicação da Portaria 12, do Ministério do Trabalho, neste mesmo ano, foi incluída a avaliação quantitativa para caracterização da insalubridade por vibração, no Anexo VIII, da NR 15 (1978c). Somente em 2014, com a publicação da Portaria MTE 1.297/2014, foram incluídos parâmetros de medição, para determinar se uma atividade é insalubre ou não em decorrência das atividades com vibração. Uma vibração é descrita como um ‘movimento oscilatório de um corpo produzido por forças desequilibradas de componentes de movimento rotativo ou alternativo de máquinas e equipamentos, sendo medida na unidade Hertz (Hz)’. Figura 8.1: Ilustração de um traba- lho vibratório. Fonte: CC BY-SA 3.0 Baumeister 99/Wikimedia Commons Portaria MTE 1.297/2014 http: / /www.normaslegais.com.br / legislacao/Portaria-mte-1297-2014.htm 77Unidade 8 – Riscos físicos – Vibrações e umidade Conforme a NR 15, Anexo VIII (BRASIL, 1978c), alterada pela Portaria MTE 1.297/2014, a caracterização de insalubridade em ambientes decorrentes da exposição às Vibrações de Mãos e Braços (VMB) e Vibrações de Corpo Inteiro (VCI), deve seguir alguns critérios: 1. Caracteriza-se a condição insalubre caso seja superado o limite de exposição ocu- pacional diária a VMB correspondente a um valor de aceleração resultante de exposição normalizada (aren) de 5 m/s2. 2. Caracteriza-se a condição insalubre caso sejam superados quaisquer dos limites de exposição ocupacional diária a VCI: a) valor da aceleração resultante de expo- sição normalizada (aren) de 1,1 m/s2; e b) valor da dose de vibração resultante (VDVR) de 21,0 m/s1,75. As VCI ocorrem quando todo ou a maior parte do corpo está exposto a movimentos vi- bratórios de baixa frequência. Equipamentos como retroescavadeira, caminhões, ônibus e tratores provocam esse tipo de vibração, causando os- cilações de energia mecânica entrando pelo corpo do indivíduo. Os principais problemas causados estão loca- lizados na coluna vertebral e lombar. As VMB, também chamadas de vibrações de extremi- dades, são vibrações localizadas transmitidas somente às mãos e aos braços por meio de martelos pneumáti- cos, motosserras, furadeiras e lixadeiras. Os procedimentos técnicos para a avaliação quantitativa das VCI e VMB são os estabele- cidos nas normas de higiene ocupacional da FUNDACENTRO. Importante! As situações de exposição à VMB e VCI superiores aos limites de exposição ocupacional são caracterizadas como insalubres em grau médio. NHO 09- Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração de Corpo Inteiro. Disponível em: <file:///C:/Users/Gisele/Downloads/NHO_09_portal.pdf>. NHO 10 - Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração em Mãos e Braços. Disponível em: <file:///C:/Users/Gisele/Downloads/NHO10_portal.pdf>. 78 Higiene Ocupacional I A avaliação do nível de vibrações é feita através de acelerômetros (aceleração do movi- mento – m/s2 e frequência – Hz). Figura 8.2: Ilustração de um acelerômetro. Fonte: Domínio Público/Wikipedia Como medidas de controle, podemos citar o revezamento no trabalho, ou seja, a dimi- nuição no tempo de exposição e medidas técnicas, como a melhoria dos equipamentos, nivelamento de pisos, uso de EPIs que reduzam a intensidade das vibrações. 79Unidade 8 – Riscos físicos – Vibrações e umidade Umidade Os trabalhadores expostos à umidade são aqueles que exercem suas atividades em luga- res alagados, encharcados ou com umidade excessiva. A legislação que trata das condições de insalubridade no trabalho pela presença de umi- dade excessiva é a NR 15, Anexo X (BRASIL, 1978c), que de forma qualitativa, considera insalubres as atividades nas condições supracitadas, acompanhadas de laudo de inspe- ção realizada no local de trabalho. Como exemplo de atividades com umidade excessiva, pode-se citar: • Lavanderias • Lava carros • Câmaras frias e frigoríficos • Cozinhas industriais • Piscinas • Pesca e Indústrias de pescado • Dragagem de areia A umidade em presença de microrganismos patogênicos, ou outro agente agressivo, pode entrar no corpo humano por via cutânea (poros) e/ou via respiratória (quando um líquido é aquecido e evapora, fica disperso no ar, podendo carregar consigo agentes nocivos, sejam eles químicos ou biológicos). A umidade excessiva pode produzir danos à saúde dos trabalhadores, como problemas respiratórios, quedas, doenças de pele, entre outros. Todos eles devem ter a atenção dos prevencionistas, por meio de verificações realizadas nesses locais para estudar a implan- tação de medidas de controle, como o escoamento da água e uso correto dos EPIs. Acesse <https://www.youtube.com/watch?v=nH5euYxRFTQ>, e assista a uma interessante reportagem sobre lavradores que trabalham em um ambiente excessivamente úmido. 80 Higiene Ocupacional I Figura 8.3: Ilustração de uma atividade insalubre por excesso de umidade. Fonte: CC BY 2.0 PoolSafely/Flickr.com. As medidas preventivas e de controle incluem: • Avaliação: o primeiro passo para prevenção é sempre o reconhecimento do risco. A avaliação depende das necessidades do ambiente. É preciso estar atento às tubula- ções para perceber possíveis vazamentos e infiltrações nas edificações, pois além de doenças, as infiltrações podem causar danos severos à estrutura da edificação. • Uso de EPIs: para evitar contato direto com a umidade pode ser eficiente se forem adotados, com critério. Exemplos de EPIs usados para limitar o contato com a umida- de: luvas, aventais e roupas de PVC, botas. • EPC: barreiras de contenção ou proteção podem ser criadas para evitar que o traba- lhador tenha contato com a umidade. Professor de natação infantil deve receber adicional de insalubridade por exposição excessiva à umidade, uma vez que permanece longos períodos dentro da piscina acompanhando as atividades das crianças. Disponível em: <https://consultor-juridico.jusbrasil.com.br/noticias/170946796/professor-de- natacao-infantil-recebe-adicional-de-insalubridade-por-umidade>. 81Unidade 8 – Riscos físicos – Vibrações e umidade • Administrativas: em alguns locais, o excesso de umidade é fruto da falta de luz solar e arejamento do ambiente. Em ambientes assim, a simples ação de prover formas de proporcionar a entrada de luz solar e circulação de ar no ambiente pode ser a solução. Em ambientes onde não for possível prover iluminação solar e circulação de ar natural, a colocação de exaustores e ar condicionados pode resolver o problema. Nesta unidade você conheceu o significado de ‘vibração’ e de ‘umidade’ e os instrumen- tos que causam danos à saúde do trabalhador. Viu a importância das legislações que regulamentam os riscos físicos e a adoção de medidas de prevenção para os que atuam em atividades com presença de vibrações e umidade excessiva, de modo a diminuir os efeitos nocivos à saúde deles. Pratique 1. A vibração é um agente físico ambiental que deve ser estudado conforme os parâ- metros e procedimentos técnicos previstos nas normas de higiene ocupacional (NHO 09 e NHO 10) da FUNDACENTRO, do Ministério do Trabalho e Emprego. Sobre a exposição ocupacional à vibração, é CORRETO afirmar que: a) se utiliza um dispositivo denominado “almofada” para avaliação ocupacional de vi- bração em mãos e braços. b) a NHO 09 trata de avaliação ocupacional de vibração em mãos e braços e o limite de exposição ocupacional diária à vibração em mãos e braços adotado, nesta norma, corresponde a um valor de aceleração resultante de exposição normalizada (aren) de 5 m/s2. c) a NHO 10 trata de avaliação ocupacional de vibração no corpo inteiro. d) se utiliza sempre um acessório denominado de “luva” para avaliar vibração de corpo inteiro. e) a definição dociclo de exposição é uma variável fundamental no planejamento do plano estratégico de avaliação ocupacional de vibração de qualquer tipo. 2. Quais são os principais agentes físicos no ambiente de trabalho que podem afetar os trabalhadores? Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. Riscos químicos Unidade 9 84 Higiene Ocupacional I Nesta unidade, você verá o conceito sobre os riscos químicos mais comuns em ambien- tes de trabalho, conhecerá as formas de prevenção e os principais males causados à saúde de trabalhadores que atuam em atividades que contêm agentes químicos. Agentes químicos Conforme a NR-9, no artigo 9.1.5, os agentes químicos são: Substâncias, compostos ou produtos que podem penetrar no organismo pela via res- piratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo pela pele ou por ingestão (BRASIL, 1978b). No ambiente industrial, além da possibilidade da presença dos agentes físicos, podem existir, também, agentes químicos. Estes últimos se apresentam em milhares, que podem ou não apresentar efeito nocivo aos seres humanos, de acordo com sua especificidade (solubilidade, pH, concentração, propriedades, estado físico, volatilidade, reatividade e níveis de toxicidade). Cada um, também pode ser dividido conforme o efeito causador de dano ao organismo humano. O tempo de exposição e as vias de acesso (inalação, ingestão, contato) com o trabalhador podem determinar os efeitos de cada agente químico no organismo. Os agentes químicos são classificados de acordo com a sua estrutura física, como aero- dispersoides (particulados na forma sólida ou líquida), gases e vapores. Conheça a seguir, detalhadamente, cada um deles. Aerodispersoides Os aerodispersoides, ou aerossóis, são partículas sólidas ou líquidas, que podem estar em suspen- são no ar atmosférico. Apresentam, aproxima- damente, tamanho inferior a 150 μm (a maioria deles não é possível visualizar a olho nu). Quanto maior for o tempo de permanência das partículas no ar, maior será a possibilidade de serem inala- das pelos trabalhadores. µm: Refere-se a uma unidade de medida de comprimento denominada de micrometro ou mícron. Amplamente usada para expressar distâncias extremamente pequenas. Esta pertence ao Sistema Internacional de Unidades, o valor de 1 μm equivale a 0,001 mm. 85Unidade 9 – Riscos químicos A classificação dos aerossóis pode ser realizada de acordo com o seu estado físico, assim como, pelos efeitos que provocam no organismo humano, em razão da natureza e da re- atividade do material. O tempo para essas partículas permanecerem suspensas depende de sua densidade, tamanho e da velocidade de movimentação do ar. Conforme a NBR 12.543 (1999), os aerodispersoides (que contaminam o ar) podem ser classificados em: poeiras, fumos, fumaças, fibras, neblinas e névoas. A seguir, vamos saber um pouco mais sobre cada um deles. Poeiras Podem ser entendidas como ‘conjunto de partículas geradas mecanicamente por procedi- mento de ruptura ou rompimento, ou ainda, por uma desagregação de partículas maiores em menores, com diâmetros produzidos na faixa aproximada de 0,1 μm a 25 μm’. Quando expostos a um longo período de tempo, os trabalhadores podem adquirir doenças do gru- po das pneumoconioses, pois partículas entre 0,5 μm a 10 μm têm a possibilidade de penetrar e se depositar além dos bron- quíolos terminais. As poeiras podem ser encontradas na forma de poeira de sílica, carvão, talco, farinha etc., em operações como perfurações de rochas, construção civil, jateamento de areia, produção de tijolos refratários, fabricação de vidros, ce- râmicas, entre outros. Figura 9.1: Atividade insalubre por excesso de poeiras. Fonte: CC0 Domínio Público/Pxhere. Pneumoconioses: São doenças que têm como causa, o acúmulo de poeiras nos pulmões e suas reações que ocorrem nos tecidos. Estas podem ser classificadas como fibrogênica e não fibrogênica. A primeira destrói os alvéolos pulmonares, com lesões permanentes para toda a vida. Na segunda, as reações provocadas nos pulmões são mínimas, não oferecendo lesões permanentes, não alterando os alvéolos pulmonares (SPINELLI, 2006, p. 95). 86 Higiene Ocupacional I Para avaliação quantitativa das poeiras, a fim de estimar a exposição dos trabalhadores ao longo da jornada de trabalho, devem ser utilizados métodos desenvolvidos por órgãos de referência na área de higiene ocupacional, de trabalho. Os equipamentos de amostra- gem de poeiras devem simular, da forma mais aproximada possível, o que acontece no trato respiratório, quando da inalação de partículas. O método de filtração referente a “filtros de membrana” é muito utilizado para a análise quantitativa de poeiras. Nesse método, quando o objetivo é coletar a fração respirável, utiliza-se um separador tipo ciclone. Basicamente, o conjunto amostrador consiste nos seguintes componentes: sistema filtrante (figura 9.2), sistema separador de tama- nho de partículas e a bomba de sucção com fluxo regulável. Figura 9.2: Dispositivo de coleta para particulado respirável (Dorr-Oliver). Fonte: FUNDACENTRO, Norma de Higiene Ocupacional, 2007, p. 35. Fumos Os fumos são aerodispersoides no estado sólido, que são produzidos por uma conden- sação dos vapores emanados da fusão, podendo conter metais pesados no ar, também chamados de fumos metálicos. Esses fumos estão presentes em operações que envolvem fusão de metais, típica de indústrias onde se tem a presença de processos de fumos de soldagens e fundição e processos de spray metálico a quente. Os principais metais carre- ados são o zinco, chumbo (Pb), cromo (Cr) e Níquel (Ni). A inalação desses fumos pode causar ulcerações do septo nasal. 87Unidade 9 – Riscos químicos Fumaças Assim como as poeiras, as fumaças são partículas que resultam de uma reação química de combustão incompleta. Essas são constituídas de carbono geradas pela queima de materiais orgânicos. Fibras São partículas sólidas produzidas por processos de rompimento mecânico, as quais apresentam como característica física um formato alongado, com um comprimento de 3 a 5 vezes superior ao seu diâmetro. Por exemplo, as fibras podem ser formadas na ruptura de fibras de lã, algodão, asbesto, vidro e de cerâmica. Em caso de exposi- ção prolongada à fibra de asbesto, o trabalhador pode desenvolver uma ‘asbestose’ (doença que agride severamente os pulmões). Neblinas As neblinas são partículas líquidas produzidas por condensação de vapores de substân- cias que são líquidas à temperatura normal. Nesse caso, se um líquido está submetido ao aquecimento, este tem facilidade de evaporar. Com isso, o vapor agrega-se ao ar até atingir a saturação. Nessa condição não se consegue agregar mais vapor ao ar, gerando excesso de vapor no ambiente. Ao mesmo tempo, há uma diminuição da temperatura do ar, ocasionando a mudança do estado físico de vapor para líquido, formando gotículas. Névoas As névoas são partículas líquidas em suspensão no ar, produzidas por atomização ou ruptura mecânica do líquido pressionado, na forma, por exemplo, de névoas de água, de ácido sulfúrico, alcalinas, de pintura, névoas de lagoas de aeração forçada no tratamento de efluentes. Gases e vapores Os gases são substâncias que a 25 ºC e pressão barométrica de 760 mm de Hg encon- tram-se no estado gasoso. Apresentam-se espalhados no ar ambiente, com movimenta- ção desordenada. Já o vapor é definido como uma substância líquida ou sólida a 25 ºC e 760 mm de Hg, que ao sofrer mudanças de temperatura e/ou pressão passa para o estado Asbesto: Também denominado amianto, a forma fibrosa dos silicatos minerais pertencentes aos grupos de rochas metamórficas das serpentinas, isto é, a crisotila (asbesto branco), e dos anfibólios, isto é, a actinolita, a amosita (asbesto marrom), a antofilita, a crocidolita (asbestoazul), a tremolita ou qualquer mistura que contenha um ou vários destes minerais. 88 Higiene Ocupacional I gasoso. Quando ocorrer o aumento da sua tem- peratura, ocorrerá uma elevação da pressão de vapor e, por conseguin- te, maior vaporização do produto no ar. Do ponto de vista da higiene industrial, os gases e vapores são tratados juntos devido ao seu comportamento similar. Segundo a ação dos gases e vapores sobre o organismo humano, eles são classificados em três importantes grupos: irritantes, anestésicos ou asfixiantes. Uma substância classificada, em um dos grupos citados, pode ter também características de outros grupos. Por exemplo, o álcool, além de ter propriedades anestésicas, é uma substância irritante às vias respiratórias superiores. Confira, no quadro 9.1, exemplos práticos de dimensão de partículas que podem cons- tituir os agentes químicos. Quadro 9.1: Exemplos de dimensão de partículas. DESCRIÇÃO DIMENSÃO POEIRAS Partículas sólidas, geradas mecanicamente, resultantes de operações, como: serrarias, jateamento, perfuração e beneficiamento de rochas, etc. São irregulares, não floculam, depositam-se por gravidade. Subdivide-se em poeiras orgânicas (madeira, lã, algodão, cereais, etc.) e poeiras minerais (sílica, amianto, manganês, etc.). 1 a 25 mm FUMOS METÁLICOS Partículas sólidas de origem físico-química, resultantes da fusão, oxidação, evaporação e condensação dos metais de certas substâncias. São partículas esferoidais que se depositam com ar parado e com tendência a flocular. Estão presentes nos processos de soldagem. Ex: fumos de zinco, de chumbo, de cloreto de amônia, etc. 0,1 a 1 mm NÉVOAS E NEBLINAS Suspensão de partículas líquidas no ar, produzidas por ruptura mecânica de líquidos (névoas) e de partículas líquidas que são produzidas por condensação de vapores de substâncias que são líquidas à temperatura normal (neblinas). Ex: névoas ou neblinas de vapor d’água, de ácido crômico, etc. 0,01 a 10 mm GASES Substâncias que se difundem no ar e permanecem no estado gasoso em Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP). Ex: CO2, CO, H2S, etc. Molecular: 0,5 nm a 8 nm VAPORES Substâncias que, eventualmente, se encontram no estado gasoso, mas que em CNTP são líquidos. Ex: solventes, acetona, tetracloreto de carbono, etc. Molecular: 0,05 nm a 8 nm Fonte: Horta, Marcos Barbosa (Slide Player). Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/5591984/2/images/14/DESCRI%C3%87%- C3%83O.+DIMENS%C3%83O.+POEIRAS..jpg>. Acesso em: ago. 2017. Pressão de vapor: É a pressão exercida por um vapor quando este está em equilíbrio termodinâmico com o líquido que lhe deu origem, ou seja, a quantidade de líquido (solução) que evapora é a mesma que se condensa. A pressão de vapor é uma medida da tendência de evaporação de um líquido. Em diversos processos e atividades laborais são utilizados solventes (substâncias químicas ou uma mistura delas) capazes de dissolver outros materiais. Os solventes têm facilidade para evaporar e misturar-se com o ar dos locais de trabalho, podendo atingir concentração bastante elevada. O problema é que a maioria das substâncias ou compostos são tóxicos e, em graus variados, causam algum prejuízo à saúde dos trabalhadores. 89Unidade 9 – Riscos químicos De forma concomitante, considera-se como riscos químicos aqueles causados pelas subs- tâncias químicas presentes no ambiente de trabalho, na condição de matéria-prima, produto intermediário, produto final ou como material auxiliar que, em contato com o corpo humano, causam malefícios diversos, desde uma irritação da pele até danos em órgãos, podendo levar a morte. Nas atividades ou operações nas quais os trabalhadores ficam expostos a agentes quí- micos, a caracterização de insalubridade ocorrerá quando forem ultrapassados os limites de tolerância constantes do quadro 9.2. Os valores fixados nesse quadro são válidos para absorção apenas por via respiratória. Os valores fixados como “Asfixiantes Simples”, determinam que nos ambientes de trabalho, em presença destas substâncias, a concen- tração mínima de oxigênio deverá ser 18% em volume. A avaliação das concentrações dos agentes químicos através de métodos de amostragem instantânea, de leitura direta ou não, deverá ser feita pelo menos em 10 amostragens, para cada ponto – ao nível respiratório do trabalhador. Entre cada uma das amostragens deverá haver um intervalo de, no mínimo, 20 minutos. Quadro 9.2: Limites de tolerância a agentes químicos (trecho). AGENTES QUÍMICOS Valor teto Absorção também pela pele Até 48 horas/semana Grau de insalubridade a ser considerado no caso de sua caracterizaçãoppm* mg/m3** Acetaldeído 78 140 Máximo Acetato de cellosolve + 78 420 Médio Acetato de éter monoetílico de etilenoglicol (vide acetado de cellosolve) - - - Acetato de etila 310 1090 Mínimo Acetato de 2-etóxi etila (vide acetato de cellosolve) - - - Acetileno Asfixiante simples - Acetona 780 1870 Mínimo Acetonitrila 30 55 Máximo Ácido acético 8 20 Médio Ácido cianídrico + 8 9 Máximo Ácido clorídrico + 4 5,5 Máximo Ácido crômico (névoa) - 0,04 Máximo Ácido etanoico (vide ácido acético) - - - Ácido fluorídrico 2,5 1,5 Máximo Ácido fórmico 4 7 Médio Ácido metanoico (vide ácido fórmico) - - - Acrilato de metila + 8 27 Máximo Acrilonitrila + 16 35 Máximo Álcool isoamílico 78 280 Mínimo Álcool n-butílico + + 40 115 Máximo Fonte: Brasil (1978c). Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXI.htm>. 90 Higiene Ocupacional I A partir da publicação da Portaria n° 14/2005, do Ministério do Trabalho, foi incluso o benzeno no Anexo XIII, da NR 15 e estabelecidos os procedimentos para a prevenção da exposição ocupacional a esta substância, bem como sua classificação como carcinogêni- co ocupacional. Nesta unidade foi apresentada a definição de agentes e riscos químicos, e discutido suas presenças em ambientes de trabalho. Percebeu-se que é de grande importância conhecer a legislação que regulamenta este risco e adotar medidas de prevenção para os trabalhadores que atuam em atividades com presença de agentes químicos perigosos, de modo a diminuir os efeitos nocivos à saúde do trabalhador. Pratique 1. Pesquise e responda: Que tipo de poeira é o “pó da madeira” e quais são os riscos que ele oferece ao trabalhador? 2. Exemplifique dois tipos de aerodispersoides que podem ser considerados de risco químico ao trabalhador, e escreva as principais atividades onde são encontrados esses agentes de exposição. NR 15 - Atividades e operações insalubres - Anexo XIII. Disponível em: <http:// www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr15_anexoXIII_A.htm>. Fonte: CC0 Creative Commons/Pixabay Riscos biológicos Unidade 10 92 Higiene Ocupacional I Chegamos a nossa última parte do estudo da disciplina de Higiene Ocupacional I. Nesta unidade, você vai conhecer os riscos biológicos mais comuns em ambientes de trabalho, e as formas de prevenção para os trabalhadores que atuam em atividades com presença de agentes biológicos, bem como os principais males causados à saú- de do trabalhador. Agentes biológicos São os microrganismos geneticamente modifi- cados ou não, as culturas de células, os parasi- tas, as toxinas e os príons (BRASIL, 1978c). As culturas desses agentes podem crescer e multi- plicar-se rapidamente, sob condições favoráveis, aumentando a probabilidade de contaminação. Desta classe, são exemplos os vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos. A exposição ocupacional aos agentes biológicos decorre da presença desses agentes no ambiente de trabalho, podendo-se distinguir duas categorias de exposição: • Atividade com intenção deliberada: é a exposição derivada da atividade laboral que implique a utilização ou manipulação do agente biológico, que constitui o objeto principal do trabalho. Nesses casos, na maioria das vezes, a presença do agente já está estabelecida e determinada.O reconhecimento dos riscos será relativamente simples, pois as características do agente são conhecidas e os procedimentos de ma- nipulação estão bem determinados, assim como os riscos de exposição. Na área de saúde, alguns exemplos poderiam ser: atividades de pesquisa ou desenvolvimento que envolva a manipulação direta de agentes biológicos, atividades realizadas em laboratórios de diagnóstico microbiológico, atividades relacionadas à biotecnologia (desenvolvimento de antibióticos, enzimas e vacinas, entre outros). • Atividade com intenção não deliberada: é a exposição que decorre da atividade la- boral, sem que essa implique na manipulação direta deliberada do agente biológico como objeto principal do trabalho. Alguns exemplos de atividades: atendimento em saúde, laboratórios clínicos (com exceção do setor de microbiologia), consultórios médicos e odontológicos, limpeza e lavanderia em serviços de saúde. Os microrganismos patogênicos podem entrar no corpo humano por meio da pele lesio- nada, por picadas de insetos, inalação ou ingestão, sendo a exposição assim classificada: Príons: São partículas compostas apenas por proteínas normais do organismo que, quando modificadas, tornam-se patogênicas (capaz de produzir doenças infecciosas aos seus hospedeiros). Exemplo: a forma bovina, vulgarmente conhecida por “mal da vaca louca”. 93Unidade 10 – Riscos biológicos • Exposição por via cutânea: é a entrada do patógeno pela pele ou mucosas. Exemplo: vírus da hepatite C, o vírus HIV (human immunodeficiency virus) e a leptospirose. • Exposição por via respiratória: é a entrada do patógeno pelo nariz, garganta, traqueia e brônquios. Exemplo: gripe H1N1. • Ingestão: é a entrada do patógeno pela boca, com trânsito pelo esôfago, antes de atingir o estômago. Exemplo: contaminação por Salmonella ssp, no consumo de ali- mentos conservados em condições não adequadas. Figura 10.1: Vias de entrada dos agentes biológicos no corpo humano. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. São exemplos de atividades expostas a doenças por agentes biológicos: indústrias ali- mentícias, farmacêuticas, hospitais, serviços de limpeza pública, vigilância sanitária, la- boratórios, frigoríficos, perícia forense, e outros. As doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho estão listadas no quadro 10.1. 94 Higiene Ocupacional I Quadro 10.1: Doenças infecciosas e parasitárias relacionadas com o trabalho. Doenças do grupo A (com CID) Doenças do grupo B (com CID) Grupo entre A00 e A09 Doenças infecciosas intestinais Grupo entre A15 e A19 Tuberculose Grupo entre A20 e A28 Algumas doenças bacterianas zoonóticas Grupo entre A70 e A74 Outras doenças causadas por clamídias Grupo entre A75 e A79 Rickettsioses Grupo entre A80 e A89 Infecções virais do sistema nervoso central Grupo entre A90 e A99 Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais Grupo entre B00 e B09 Infecções virais caracterizadas por lesões de pele e mucosas Grupo entre B15 e B19 Hepatite viral Grupo entre B20 e B24 Doença pelo vírus da imunodeficiência humana [HIV] Grupo entre B25 e B34 Outras doenças por vírus Grupo entre B35 e B49 Micoses Grupo entre B50 e B64 Doenças devidas a protozoários Grupo entre B65 e B83 Helmintíases Grupo entre B85 e B89 Pediculose, acaríase e outras infestações Grupo entre B90 e B94 Sequelas de doenças infecciosas e parasitárias Grupo entre B95 e B97 Agentes de infecções bacterianas, virais e outros agentes infecciosos Grupo entre B99 e B99 Outras doenças infecciosas Fonte: Ninsaúde, adaptado. Disponível em: <http://cid.ninsaude.com/capitulo/i/#.WaQZw7KGPIU>. A NR 32, que trata da segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, apresenta os aspectos mais relevantes sobre a probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos (riscos biológicos). O PPRA, regulamentado pela NR 09, é um programa fundamental para as empresas e trabalhadores, que serve de base para decisões quanto às ações de prevenção, elimina- ção ou controle dos riscos ambientais. A fim de preservar a saúde e a integridade dos trabalhadores, no âmbito da dos riscos biológicos, o PPRA deve conter (BRASIL, 2005): 1. Identificação dos riscos biológicos mais prováveis, em função da localização geográfi- ca e da característica do serviço de saúde e seus setores, considerando: a) fontes de exposição e reservatórios: a identifica- ção da fonte de exposição e do reservatório é funda- mental para se estabelecer as medidas de proteção a Fontes de exposição: Incluem pessoas, animais, objetos ou substâncias que abrigam agentes biológicos, a partir dos quais se torna possível a transmissão a um hospedeiro ou a um reservatório. Reservatório: É a pessoa, animal, objeto ou substância no qual um agente biológico pode persistir, ou manter sua viabilidade, crescer ou multiplicar-se, de modo a ser transmitido a um hospedeiro. 95Unidade 10 – Riscos biológicos serem adotadas. Exemplos: uso de máscara de proteção para doentes portadores de tuberculose pulmonar; higienização das mãos após procedimentos como a troca de fraldas em unidades neonatais, para diminuir o risco de transmissão de hepatite A. b) vias de transmissão e de entrada: é o percurso feito pelo agente biológico a partir da fonte de exposição até o hospedeiro. A transmissão pode ocorrer quando houver contato direto ou indireto do trabalhador com os microrganismos nocivos (figura 10.2): • Contato direto – a transmissão se dá sem a intermediação de veículos ou vetores. Exemplos: transmissão por névoas e contato com a mucosa dos olhos. • Contato indireto – a transmissão se dá através de veículos ou vetores. Exemplos: transmissão por meio das mãos, luvas, roupas, instrumentos, água, alimentos, super- fícies etc. Figura 10.2: Formas de risco biológico. Fonte: Banco de Imagens EaD/IFPR. 96 Higiene Ocupacional I c) transmissibilidade, patogenicidade e vi- rulência do agente: a identificação da trans- missibilidade, patogenicidade e virulência do agente no PPRA, determina, além das medidas de proteção adotadas, a prioridade das mes- mas. Na possibilidade de exposição ao menin- gococo, por exemplo, as medidas de proteção devem ser adotadas de forma emergencial de- vido à alta transmissibilidade, alta patogenici- dade e alta virulência desse agente. Por outro lado, na exposição ao vírus da influenza, as medidas de proteção são menos emergenciais devido à baixa virulência do agente. d) persistência do agente biológico no ambiente: é a capacidade de o agente perma- necer no ambiente, mantendo a possibilidade de causar doença. Exemplo: a persis- tência prolongada do vírus da hepatite B quando comparada àquela do vírus HIV. A persistência é um fator importante na avaliação do risco de exposição e de proteção do trabalhador. e) estudos epidemiológicos ou dados estatísticos: são dados anteriormente estudados e publicados sobre cada agente biológico, que podem auxiliar nas medidas de controle do mesmo. f) outras informações científicas. 2. Avaliação do local de trabalho e do trabalhador, considerando: • a finalidade e descrição do local de trabalho: conhecer e descrever a situação de tra- balho (aspectos físicos, psicológicos e sociais) que pode influenciar na segurança, na saúde ou no bem-estar do trabalhador do serviço de saúde, bem como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde. • a organização e procedimentos de trabalho: é importante observar se existem pro- cedimentos escritos e determinados para a realização das atividades; as pausas para o descanso e as refeições, o relacionamento entre os membros da equipe e a chefia, entre outros. • a possibilidade de exposição: ocorre em função da situação de trabalho e das caracte- rísticas de risco dos agentes biológicos mais prováveis em cada ambiente de trabalho. • a descrição das atividades e funções de cada local de trabalho: essa etapa comple- Transmissibilidade: É a capacidade de transmissão de um agente aum hospedeiro. O período de transmissibilidade corresponde ao intervalo de tempo durante o qual um organismo pode transmitir um agente biológico. Patogenicidade: É a capacidade dos agentes biológicos causar doença em um hospedeiro suscetível. Virulência: É o grau de agressividade de um agente biológico, isto é, uma alta virulência de um agente pode levar a uma forma grave ou fatal de uma doença. 97Unidade 10 – Riscos biológicos menta as alíneas “a” e “b” deste item. Em um local de trabalho é possível que sejam desempenhadas várias atividades, sendo necessária a caracterização de cada uma, com suas peculiaridades. • as medidas preventivas aplicáveis e seu acompanhamento: é importante analisar as medidas já adotadas, verificando a sua pertinência, eficiência e eficácia. Após essa análise e a dos demais dados coletados, devem ser determinadas as medidas de pre- venção a serem implantadas. O PPRA deve ser reavaliado uma vez ao ano e sempre que se produza uma mudança nas condições de trabalho, que possa alterar a exposição aos agentes biológicos; ou ainda, quando a análise dos acidentes e incidentes assim o determinar. Os documentos que compõem o PPRA deverão estar disponíveis aos trabalhadores. Além do PPRA, todas as empresas, independente do nú- mero de empregados ou do grau de risco de sua ativida- de, estão obrigadas a elaborar e implementar o Progra- ma de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). A elaboração e implementação do PCMSO devem estar embasadas na identificação dos riscos à saúde dos traba- lhadores prevista no PPRA. A classificação dos riscos biológicos é apresentada na NR 32 e exemplificada a seguir: • Classe de risco 1: baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa probabilidade de causar doença ao ser humano. Exemplo: Lactobacillus SP, utilizado pela indústria alimentícia. • Classe de risco 2: risco individual moderado para o trabalhador e com baixa probabi- lidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças ao ser humano, para as quais existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplos: vírus da febre amarela (transmitida por mosquitos contaminados) e Schistosoma mansoni (platelminto causador da esquistossomose). • Classe de risco 3: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade de disseminação para a coletividade. Podem causar doenças e infecções graves ao ser hu- mano, para as quais nem sempre existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplos: Mycobacterium tuberculosis (bactéria que provoca a maioria dos casos de tu- berculose), e Bacillus anthracis (bactéria que causa a doença denominada carbúnculo). Maiores informações sobre o PCMSO podem ser obtidas na NR 07. Disponível em: <http:// www.guiatrabalhista.com.br/ legislacao/nr/nr7.htm>. 98 Higiene Ocupacional I • Classe de risco 4: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade elevada de disseminação para a coletividade. Apresenta grande poder de transmissi- bilidade de um indivíduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais não existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento. Exemplo: vírus Ebola (causa uma febre hemorrágica, com alto índice de mortalidade). A NR 32, Anexo II (BRASIL, 2005), mostra informações adicionais à classificação dos agentes biológicos (classes de risco 2, 3 e 4) no cabeçalho “Notas” (ver quadro 10.2), para dar amplo conhecimento da periculosidade desses agentes. A notação da classifi- cação segue: • A (possíveis efeitos alérgicos) • E (agente emergente e oportunista) • O (agente oncogênico de baixo risco) • O+ (agente oncogênico de risco moderado) • T (produção de toxinas) • V (vacina eficaz disponível) Quadro 10.2: Tabela de classificação dos agentes biológicos (Trecho). AGENTES BIOLÓGICOS Classificação (grupos) Notas Vírus Herpes virus de cobaias Shope fibroma vírus Vírus da Doença hemorrágica de coelhos Vírus da Enterite viral de patos, gansos e cisnes Vírus da Febre catarral maligna de bovinos e cervos Vírus da Hepatite viral do pato tipos 1, 2 e 3 Vírus da Leucemia de Hamsters Vírus da Leucose Bovina Enzoótica Vírus da lumpy skin Vírus do Sarcoma Canino Vírus do Tumor Mamário de camundongos Vírus Lucke (vírus de rãs Adenoviridae Adenovirus 1 aviário - Vírus CELO Adenovirus 2 - Vírus Símio 40 (Ad2-SV40) Adenovirus 7 - Vírus Símio 40 (Ad7-SV40) 2 2 4 4 4 4 2 2 4 2 2 2 2 2 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0+ 0 Fonte: Ninsaúde, adaptado. Disponível em: <http://cid.ninsaude.com/capitulo/i/#.WaQZw7KGPIU>. Oncogênico: Que ocasiona ou contribui para o surgimento de tumor canceroso. 99Unidade 10 – Riscos biológicos A NR 15, Anexo XIV, que trata dos graus de insalubridades das atividades por contato com agentes biológicos, considera: • Insalubridade de grau máximo • Pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas, bem como objetos de seu uso, não previamente esterilizados. • Carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pelos e dejeções de animais porta- dores de doenças infectocontagiosas (carbunculose, brucelose, tuberculose). • Esgotos (galerias e tanques); e lixo urbano (coleta e industrialização). Insalubridade de grau médio • Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com mate- rial (infectocontagiante), em: hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambu- latórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana (aplica-se apenas ao pessoal que tem contato direto com os pacientes, bem como aos que manuseiam objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados). • Hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de animais (aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com tais animais). • Contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de soro, vacinas e ou- tros produtos; laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se apenas ao pessoal técnico). • Gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia (aplica-se somente ao pessoal técnico). • Cemitérios (exumação de corpos); estábulos e cavalariças e resíduos de animais de- teriorados. Confira a tabela de classificação dos agentes biológicos, acessando o link a seguir. Disponível em: <http://www. guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr32_anexoII.htm>. 100 Higiene Ocupacional I A relação das atividades supracitadas, que envolvem agentes biológicos, é caracterizada pela avaliação qualitativa. As medidas de proteção contra esses grupos de riscos biológi- cos incluem medidas de prevenção e medidas de controle. Vamos conhecê-las? • Medidas de prevenção: cumprimento de exigências técnicas do ambiente de tra- balho; informação sobre os riscos; capacitação quanto às normas e procedimentos padronizados; diminuição do número de trabalhadores expostos; uso de equipamen- tos de proteção adequados para cada tipo de exposição; correta higienização de vestimentas e instrumentos; acompanhamento médico do trabalhador; programa de imunização. • Medidas de controle: seleção de equipamento; substituição de microrganismos; mo- dificação do processo; encerramento do processo; limpeza e desinfecção; controle de vetores; sinalização. Figura 10.3: Processo de lavagem das mãos. Fonte: CC BY-SA 2.0 Sebástian Freire/Flickr.com Na última unidade do nosso estudo, foi apresentada a definição e a classificação de agentes e riscos biológicos, os tipos de atividades ocupacionais suscetíveis à exposição aos agentes biológicos, as formas de contaminação e doenças infecciosas e parasitárias. 101Unidade 10 – Riscos biológicos Além disso, foram mostrados os aspectos relevantes para a elaboração do PPRA, no âmbito dos riscos biológicos e medidas de proteção e controle dos mesmos. Percebeu-se que as ações de prevenção à saúde dos trabalhadores que atuam diante deste risco são extremamente importantes, para garantir um ambiente laboralsaudável. Pratique 1. De acordo com a NR 32, o PPRA, em serviços de saúde na fase de reconhecimento, deve conter identificação dos riscos biológicos mais prováveis, em função da locali- zação geográfica e da característica do serviço de saúde e seus setores. Com base no que acabou de ler, coloque (V) se a afirmativa for verdadeira e (F) se for falsa. ( ) Fontes de exposição e reservatórios. ( ) Vias de transmissão e de saída. ( ) Persistência do agente biológico no ambiente. ( ) Estudos micrológicos ou dados estatísticos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) F – F – V – V b) F – V – V – F c) V – V – V – F d) V – F – V – V 2. Os agentes biológicos são classificados em classes de risco, que leva em conta indi- vidual para o trabalhador e para a coletividade. Assinale a alternativa que apresenta o agente que pode ser enquadrado como classe de risco 3, como expressa a Norma Regulamentadora 32: a) Clostridium botulinum b) Clostridium tetani c) Neisseria meningitidis d) Salmonella typhimurium 103 Referências AMERICAN CONFERENCE OF GOVERNMENTAL INDUSTRIAL HYGIENISTS (ACGIH). Limites de exposição ocupacional (TLVsR) para substâncias químicas e agentes químicos & índices biológicos de exposição (BEIsR). Tradução: ABHO (Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais), p. 4-5. São Paulo: ABHO, 2010. AMERICAN CONFERENCE OF GOVERNMENTAL INDUSTRIAL HYGIENISTS (ACGIH). Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO). TLVs (Limites de Exposição) e BEIs (Índices Biológicos de Exposição). São Paulo, 1999. Disponível em: <http://www.acgih.org/>. Acesso em ago. 2017. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 12543: Equipamentos de proteção individual – Terminologia. Rio de Janeiro, 1999. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10151: Acústica – Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade – Procedimento. Rio de Janeiro, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10152: Níveis de ruído para conforto acústico. Rio de Janeiro, 1987. BELTRAMI, M. Avaliação de emissões de radiação ultravioleta em processos de soldagem. Monografia do curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho. Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011. BRASIL. COMISSÃO NACIONAL DE ENERGIA NUCLEAR (CNEN). Norma CNEN-NN-3.01: Diretrizes básicas de proteção radiológica. Setembro, 2011. ______. Ministério da Saúde (MS). Organização Pan-americana da Saúde no Brasil. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. p. 15, 324, 325, 334 e 337. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2001. ______. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Pneumoconioses. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. BRASIL. NHO 01 (Norma de Higiene Ocupacional). Avaliação de exposição ocupacional ao ruído (procedimento técnico). Ministério do Trabalho e Emprego: FUNDACENTRO, 2001. ______. NHO 09 (Norma de Higiene Ocupacional). Procedimento Técnico - Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração de Corpo Inteiro (procedimento técnico). Ministério do Trabalho e Emprego: FUNDACENTRO, 2013. ______. NHO 10 (Norma de Higiene Ocupacional). Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração em Mãos e Braços (procedimento técnico). Ministério do Trabalho e Emprego: FUNDACENTRO, 2013. 104 ______. Portaria n° 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova as normas regulamentadoras que consolidam as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do trabalho. Norma Regulamentadora nº 07 (NR 7): Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, 1978a. ______. Portaria n° 3.214, de 08 de junho de 1978. Aprova normas regulamentadoras que consolidam as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do trabalho. Norma Regulamentadora nº 09 (NR 9): Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, 1978b. ______. Portaria n° 3.214, de 08 de junho de 1978: Aprova normas regulamentadoras que consolidam as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do trabalho. Norma Regulamentadora nº 15 (NR 15): Atividades e operações insalubres. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, 1978c. ______. Portaria nº 485, de 11 de novembro de 2005: Aprova normas regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde. Norma Regulamentadora nº 32 (NR 32): Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, 2005. ______. Presidência da República (Casa Civil). Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007. Altera o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, disciplina a aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP e do Nexo Técnico Epidemiológico, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/ d6042.htm>. Acesso em: ago. 2017. ______. Presidência da República (Casa Civil). Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009. Altera o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, no tocante à aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção - FAP. Brasília, 2009. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6957. htm>. Acesso em: ago. 2017. BREVIGLIERO, E; POSSEBON, J; SPINELLI, R. Higiene Ocupacional: Agentes biológicos, químicos e físicos. 6ª Edição: reimpressão. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2012. Serviço Social da Indústria. Departamento Nacional (SESI). Técnicas de avaliação de agentes ambientais: Manual SESI. Brasília: SESI/DN, 2007. Disponível em: <http://www.cpn-nr18.com.br/ uploads/documentos-gerais/tcnicas_de_avaliao_de_agentes_ambientais_.pdf>. Acesso em: jul. 2017. 105 Currículo da autora Gisele Cristina Justen Pós-doutora em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Doutora em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), Mestre em Agronomia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Graduada em Engenharia Química pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).