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TEMA – 7 Zonas biogeográficas, biomas brasileiros, padrões de biodiversidade e hotspots Bibliografia: Begon, Townsend e Harper: Ecologia de Indivíduos a Ecossistemas. · Padrões climáticos sobre a superfície da terra são responsáveis pelos padrões de distribuição de biomas terrestres em larga escala · Biomas não são homogêneos porque a topografia local, a geologia e os solos influenciam as comunidades de plantas e animais · Na maioria dos ambientes aquáticos é difícil reconhecer algo comparável aos biomas terrestres; comunidades tendem a refletir condições locais e recursos, em vez de padrões globais no clima Padrões climáticos em grande escala A inclinação da terra em sua órbita anual ao redor do sol faz com que a radiação atinja a superfície terrestre com diferentes intensidades nas diferentes latitudes. Uma vez que o equador é inclinado em direção ao Sol, as áreas equatoriais e tropicais recebem mais luz solar direta e são mais quentes do que áreas em outras latitudes. O ar quente retém mais umidade que o ar frio, aumentando a capacidade de retenção de água no ar em torno dos trópicos. As correntes oceânicas apresentam efeitos adicionais poderosos sobre padrões climáticos. As águas do sul circulam no sentido anti-horário; elas carregam águas frias da Antártica para o norte, ao longo das costas oeste dos continentes, e distribuem águas mais quentes oriundas dos trópicos ao longo das costas leste. No hemisfério norte, as correntes circulam em sentido horário, carregando águas frias do Ártico pelas costas oeste dos continentes e trazendo correntes quentes tropicais pelas costas leste. A topografia do terreno tem consequências para os padrões climáticos terrestres em escalas intermediárias. Um viajante pelo mundo vê repetidamente o que pode ser reconhecido como tipos característicos de vegetação, que ecólogos chamam biomas. É preciso ter cautela para não ser seduzido pelo desenho de linhas definidas mostrando mapas com limites geográficos. Viajar para o alto de uma montanha nos trópicos envolve passar ao longo de um gradiente ecológico muito similar ao que ocorre quando se viaja em direção ao norte. É importante lembrar que a superfície da Terra consistiria em um mosaico de diferentes ambientes, mesmo se o clima fosse idêntico em todas as localidades. Os solos proporcionam uma fonte de água armazenada, uma reserva de nutrientes minerais, um meio pelo qual o nitrogênio atmosférico pode ser fixado para sua utilização pelas plantas e o suporte que permite às plantas se erguerem e exporem as suas folhas à luz solar. Para um ecólogo, uma mancha em uma comunidade é uma área em que uma única variável a distingue do seu entorno. Assim, uma árvore caída em uma floresta provoca uma clareira no dossel e uma mancha no chão da floresta, onde passa a penetrar radiação, suficiente para que as plântulas cresçam e eventualmente preencham a clareira. Uma poça de maré é uma mancha sobre um costão rochoso. Uma folha de árvore é uma mancha para afídeos. A copa das árvores são manchas para pássaros que se alimentam de insetos. Porém, corujas e falcões caçam sobre uma grande área de floresta e para eles a mancha pode ser o território que cada ave defende ou talvez até mesmo toda a floresta sobre a qual ela se estende. Padrões em Condições e Recursos em Ambientes Aquáticos Na maioria dos ambientes aquáticos é difícil reconhecer situações comparáveis aos biomas terrestres. As exceções ocorrem nas bordas dos oceanos, mangues, recifes de coral e florestas de algas que possuem flora e fauna facilmente distinguíveis de qualquer um dos vários biomas terrestres. O oceano aberto, ao contrário, forma um contínuo, através do globo, no qual existe um fluxo de água e substâncias químicas dissolvidas. A alta capacidade térmica da água faz com que os oceanos se aqueçam e se esfriem com lentidão. Os maiores lagos do mundo podem ser distinguidos e classificados de acordo com suas condições físicas. Por exemplo, grande lagos em planícies de regiões equatoriais geralmente apresenta estratificação permanente, enquanto padrões sazonais de estratificação e mistura são a regra em regiões temperados. No círculo polar, a cobertura permanente de gelo sem mistura é característica em grandes lagos. Biomas terrestres Geógrafos diferentes reconhecem números diferentes de biomas no mundo; alguns consideram apenas cinco, enquanto outros acreditam na existência de muitos mais. Os detalhistas tendem a desconfiar de grandes generalizações e enfatizam a diversidade do mundo natural, enquanto os generalistas restringem a diversidade a um mínimo de categorias facilmente mapeáveis. No mundo sete biomas são adequados a certos propósitos – floresta pluvial tropical, savana, campo temperado, deserto, floresta temperada decídua, floresta setentrional ou boreal de coníferas (taiga) e tundra. De maneira geral e em uma escala menor, a vegetação do mundo real é um tapete desigual e multicolorido, e a fauna, em grande parte, se ajusta a ele. A distribuição geográfica de espécies, gêneros, famílias e mesmo categorias taxonômicas superiores de vegetais e animais frequentemente refletem essa divergência geográfica. Exemplos de associações de organismos com ambientes revelam muito sobre as maneiras pelas quais os organismos evoluíram para associá-los e restringi-los às condições e recursos nos seus ambientes. Contudo, as diferentes espécies não necessariamente caracterizam diferentes biomas. Um mapa de biomas, então, com frequência não representa um mapa de distribuição de espécies. Em vez disso, ele mostra onde podemos encontrar áreas de terra dominadas por vegetais com diferentes aspectos, formas e processos fisiológicos. Um biólogo alemão, visando descrever biomas, utiliza o espectro de formas de vida presentes em diferentes tipos de vegetação como um meio de descrever seu caráter ecológico. A composição do espectro em qualquer hábitat em particular permite aos ecólogos realizar uma descrição resumida de sua vegetação. As faunas são estritamente ligadas às floras, o que se constata, ao menos, na maioria dos herbívoros com relação a sua dieta. Os carnívoros terrestres distribuem-se mais amplamente do que suas presas herbívoras, mas a distribuição de herbívoros ainda confere aos carnívoros uma ampla fidelidade em relação à vegetação. Biomas brasileiros Mata Atlântica A MA é formada por um conjunto de formações florestais (florestas: Onbrófila Densa, Ombrófila Mista, Estacional Semidecidual, Estacional Decidual, Ombrófila Aberta) e ecossistemas associados como restingas, manguezais e campos de altitude. Mesmo reduzida e muito fragmentada, estima-se que na MA existam cerca de 20.000 espécies vegetais, incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Além de ser uma das regiões mais ricas do mundo em biodiversidade, tem importância vital para aproximadamente 120 milhões de brasileiros que vivem em seu domínio, onde são gerados aproximadamente 70 % do PIB brasileiro, prestando importantíssimos serviços ambientais. Regula o fluxo de mananciais hídricos, assegura a fertilidade do solo, suas paisagens oferecem belezas cênicas, controla o equilíbrio climático e protege escarpas e encostas das serras, além de preservar um patrimônio histórico e cultural imenso. A MA, originalmente, estendia-se por mais de 4 000 quilômetros, representando cerca de 8,5 % do território nacional. Ocupava uma faixa próxima ao litoral, que se prolongava até o interior em algumas regiões, e se estendia do RN ao RS. Hoje resta somente 7 % da área original. Este bioma tem por principal característica sua biodiversidade. O número de espécies endêmicas é alto, especialmente em árvores e invertebrados. É considerado o bioma de maior biodiversidade do mundo. O clima e a temperatura variam de acordo com a região. A mata, em geral, é fechada, mas devido à sua grande extensão territorial, apresenta variações, especialmente nas regiões interioranas, que apresentam florestas semidecíduas. Em regiões elevadas, há o predomínio da mata de araucária. A restinga é outro exemplo de vegetação típicaassociada à MA. É uma área de floresta baixa de arbustos e árvores, que se mistura a brejos e lagoas, separando o mar das regiões de mata mais densa. É muito comum no Estado do RJ. A exploração sempre marcou a MA, desde o início da colonização. A extração de madeira, especialmente do pau-brasil, os ciclos do açúcar e café e o desmatamento para a instalação da indústria são eventos de nossa história que contribuíram para a degradação desse bioma. A extração do palmito Juçara para consumo e o tráfico de animais silvestres são exemplos de problemas atuais que devem ser combatidos. Ainda assim, existem vitórias na preservação da MA. As taxas de desmatamento caíram nas últimas duas décadas e a área de florestas protegidas quintuplicou, além do estabelecimento oficial em 1992, pela UNESCO, da Reserva da Biosfera da MA. A sociedade, organizando-se com a ajuda de ONG´s, é responsável em promover esforços para preservação desse importante bioma. Amazônia A Amazônia é quase mítica: um verde e vasto mundo de águas e florestas, onde as copas de árvores imensas escondem o úmido nascimento, reprodução e morte de mais de 1/3 das espécies que vivem sobre a terra. No Brasil cobre mais de 4 milhões de Km2, onde crescem 2.500 espécies de árvores e 30 mil espécies de plantas. A bacia amazônica é a maior do mundo. Seu principal rio, o Amazonas, corta a região para desaguar no Oceano Atlântico, lançando ao mar cerca de 175 milhões de litros d´água a cada segundo. As estimativas situam a região como a maior reserva de madeira tropical do mundo. Seus recursos naturais – que, além da madeira, incluem enormes estoques de borracha, castanha, peixe e minérios, por exemplo – representam uma abundante fonte de riqueza natural. A região abriga também grande riqueza cultural, incluindo o conhecimento tradicional sobre os usos e a forma de explorar esses recursos naturais sem esgotá-los nem destruir o habitat natural. Toda essa grandeza não esconde a fragilidade do ecossistema local, porém. A floresta vive a partir de seu próprio material orgânico, e seu delicado equilíbrio é extremamente sensível a quaisquer interferências. Os danos causados pela ação antrópica são muitas vezes irreversíveis. Ademais, a riqueza natural da Amazônia se contrapõe dramaticamente aos baixos índices socioeconômicos da região, de baixa densidade demográfica e crescente urbanização. Dessa forma, o uso dos recursos florestais é estratégico para o desenvolvimento da região. Cerrado O cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2 milhões de Km2, cerca de 22 % do território nacional. Neste espaço territorial encontram-se as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônia/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade. Considerado como um dos hotspots mundiais de biodiversidade, o Cerrado apresenta extrema abundância de espécies endêmicas e sofre uma excepcional perda de habitat. Do ponto de vista da diversidade biológica, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando mais de 12 mil espécies de plantas nativas já catalogadas. Existe uma grande diversidade de habitats, que determinam uma notável alternância de espécies entre diferentes fisionomias. Cerca de 200 espécies de mamíferos, 837 espécies de aves, 1200 espécies de peixes, 180 espécies de répteis, e 150 espécies de anfíbios. O número de espécies endêmicas é elevado 28 % dos anfíbios, 17 % dos répteis. Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social. Muitas populações sobrevivem de seus recursos naturais, incluindo etnias indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros e comunidades quilombolas. Das espécies vegetais, mais de 220 espécies têm uso medicinal e mais 416 podem ser usadas na recuperação de solos degradados; como barreiras contra o vento; proteção contra a erosão, ou para criar habitat de predadores naturais de pragas. Contudo, inúmeras espécies de plantas e animais correm risco de extinção. Estima-se que 20 % das espécies nativas e endêmicas já não ocorram em áreas protegias e que pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçados de extinção. Depois da MA, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana. Com a crescente pressão para a abertura de novas áreas, visando incrementar a produção de carne e grãos para a exportação, tem havido um progressivo esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três últimas décadas, o Cerrado vem sendo degradado pela expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, o bioma é palco de uma exploração extremamente predatória de seu material lenhoso para produção de carvão. Apesar do reconhecimento de sua importância biológica, de todos os hotspots mundiais, o Cerrado é o que possui a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. O bioma apresenta 8,21 % de seu território legalmente protegido por unidades de conservação. Caatinga A caatinga ocupa uma área de certa de 900 mil km2, 11 % do território nacional. Rica em biodiversidade, o bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 79 de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas. Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na região, a maioria carente e dependente dos recursos do bioma para sobreviver. A caatinga tem imenso potencial para a conservação de serviços ambientais, uso sustentável e bioprospecção que, se bem explorado, será decisivo para o desenvolvimento da região e do país. A biodiversidade da caatinga ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico de cosméticos e de alimentos. Apesar da sua importância, o bioma tem sido desmatado de forma acelerada, principalmente nos últimos anos, devido principalmente ao consumo de lenha nativa, explorada de forma ilegal e insustentável, para fins domésticos e indústrias, ao sobrepastoreio e a conversão para pastagens e agricultura. Sua vegetação típica é seca e espinhosa, por causa da falta de chuvas durante grande parte do ano. Porém, quando chega o período de chuvas, as folhagens voltam a brotar e a paisagem fica mais verde. A vegetação da Caatinga adaptou-se ao clima semiárido do sertão nordestino com arbustos e árvores baixas de folhas finas ou inexistentes, o que diminui a perda de água por evaporação. As chuvas são irregulares, tornando os rios intermitentes e pouco volumosos, e o solo, raso e pedregoso. Pantanal O bioma Pantanal é considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Este bioma continental é considerado o de menor extensão territorial no Brasil, entretanto este dado em nada desmerece a exuberante riqueza que ele abriga. Sua área ocupa cerca de 150 mil km2 ou 1,76 do território nacional. O Pantanal sofre influência direta de três importantes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e MA. O bioma mantêm 87 % de sua cobertura vegetal nativa. A vegetação não florestal, sacana estépica, formações pioneiras e áreas de tensão ecológica ou contatos florísticos é predominante 81 %. Desses, 52,60 % são cobertos por savana (cerrado) e 17,60 % são ocupados por áreas de transição ecológica ou ecótonos. A maior parte dos 11,5 % do bioma alterados por ação antrópica é utilizada para a criação extensiva de gado em pastos plantados. Estudos indicam que o bioma abriga: 263 espécies de peixes, 41 de anfíbios, 113 de répteis, 463 de aves e 132 mamíferos sendo 2 endêmicas. O lento ciclo das cheias e vazantes, conhecido como pulso de inundação, cria um variado mosaico de paisagens. Baías, assim denominadas as lagoas pantaneiras, são os elementos mais peculiares da região. Elas compõem a paisagem com rios tortuosos, campos alagáveis, matas ciliares, capões de matas, salinas e corixos que formam os diferentes hábitats pantaneiros. Toda essa variedade de ambientes dominada pela água sustenta uma diversa fauna de peixes de pequeno a grande porte, aves e mamíferos. O Pantanal também é importanteponto de parada de espécies de aves migratórias. Pampa O pampa é restrito ao RS, onde ocupa 177 mil km2 ou 2% do território nacional (63 % do território estadual). As paisagens naturais do Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas. O bioma exibe imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados, afloramentos rochosos, etc. Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos, o Pampa apresenta flora e fauna próprias e grande biodiversidade, ainda não completamente descrita pela ciência. Estimativas indicam valores em torno de 3000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas, são mais de 450 espécies. Mais de 500 espécies de aves, e 100 de mamíferos. Desde a colonização ibérica, a pecuária extensiva sobre os campos nativos tem sido a principal atividade econômica da região. Contudo, a progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do Pampa. O Pampa é uma das áreas de campos temperados mais importantes do planeta. Cerca de 25 % da superfície terrestre abrange regiões cuja fisionomia se caracteriza pela cobertura vegetal como predomínio dos campos, no entanto, estes ecossistemas estão entre os menos protegidos em todo o planeta. Ambientes Costeiros Esse conjunto de paisagens não recebe a designação de bioma por suas variadas características ecológicas, mas certamente merece atenção. Na faixa brasileira, ocupa 8 mil quilômetros: Praias, costões rochosos, recifes de coral, falésias, dunas, lagoas costeiras, estuários, manguezais e ilhas. Comportam uma riquíssima biodiversidade. Padrões de biodiversidade Porque o número de espécies varia no tempo e no espaço é uma questão que intriga não somente os ecólogos, mas também qualquer pessoa que observa o mundo natural. O número de espécies em uma comunidade é referido como a sua riqueza de espécies. Fatores espaciais que influenciam a riqueza de espécies Produtividade e riqueza de recursos Para as plantas, a produtividade do ambiente, que pode depender de condições e da disponibilidade de nutrientes, é limitante do crescimento. Se uma produtividade mais alta estiver correlacionada com um espectro mais amplo de recursos disponíveis, é provável que isso acarrete um aumento na riqueza específica. Contudo, um ambiente mais produtivo pode ter uma taxa mais alta de suprimento de recursos, mas não uma variedade maior de recursos. Essa situação pode levar a um aumento no número de indivíduos, mas não na riqueza de espécies. A disponibilidade de recursos e a atividade metabólica das espécies estão diretamente relacionadas a riqueza de espécies em climas quentes. Contudo, um aumento da produtividade pode levar ao incremento e/ou ao decréscimo na riqueza em espécies. A predação pode aumentar a riqueza por possibilitar uma diminuição na competição interespecífica, fazendo com que as presas possam coexistir umas com as outras e também com seus predadores (coexistência mediada pelo predador). Porém, uma intensa taxa de predação pode também reduzir a riqueza em espécies, por conduzir as presas à extinção – Gerando um padrão em corcova, entre intensidade de predação e riqueza em espécies em uma comunidade, sendo a riqueza maior em intensidades intermediárias de predação. Ambientes que são mais heterogêneos espacialmente podem acomodar mais espécies, porque eles provêm uma maior quantidade de micro-habitat, uma gama maior de microclimas, mais esconderijos aos predadores e assim por diante. A extensão específica do recurso também é aumentada. A maioria dos estudos sobre heterogeneidade espacial, entretanto, tem relacionado a riqueza em espécies animais à diversidade estrutural de plantas em seus ambientes. Condições extremas: Talvez uma definição mais adequada para uma condição extrema seja aquela que requer, de qualquer organismo tolerante a ela, uma estrutura morfológica ou algum mecanismo bioquímico, não encontrado em espécies correlatas, que o capacita a existir em tais ambientes, trazendo algum custo energético ou alteração compensatória nos seus processos biológicos. Logo, ambientes que possuem condições extremas não são favoráveis à colonização por várias espécies. Além de serem associados com baixa produtividade e heterogeneidade ambiental. As variações nas condições e recursos podem ser previsíveis ou não e operar em escalas de minutos a centenas ou milhares de anos. Os efeitos de variação climática sobre a riqueza em espécies dependem da previsibilidade dessas variações. Em um ambiente previsível, onde há mudanças sazonais no ambiente, diferentes espécies podem se adaptar a essas condições em diferentes épocas do ano. Mais espécies poderiam, dessa forma, coexistir em um ambiente sazonal comparado a um ambiente constante no tempo. Por outro lado, há oportunidades de especialização em ambientes constantes no tempo, não-sazonais, que não ocorrem em ambientes sazonais. Ambientes estáveis são provavelmente mais saturados em espécies; ambientes estáveis poderiam suportar espécies especializadas que não poderiam persistir onde as condições e os recursos se alterassem muito; e, em ambientes estáveis pode haver uma maior sobreposição de nichos. Alguns estudos parecem sustentar a ideia que a riqueza em espécies aumenta com a diminuição da variação climática. A influência de um distúrbio sobre a estrutura de uma comunidade possibilita a colonização de novas espécies, e a comunidade é controlada pela dominância, há a tendência de aumento inicial de riqueza em espécies na sucessão ecológica como resultado da colonização, porém ocorrerá uma fase subsequente de declínio da riqueza, resultante da exclusão competitiva. A hipótese do distúrbio intermediário sugere que as comunidades contenham mais espécies quando a frequência de um distúrbio não é nem muito intensa, nem muito rara. Também tem sido sugerido que comunidades que são “perturbadas” em períodos de tempo extensos podem, todavia, apresentar um número reduzido de espécies em parte porque elas já alcançaram certo equilíbrio evolutivo. Gradientes Latitudinais Um dos padrões mais conhecidos e reconhecidos sobre a riqueza em espécies é o aumento desta dos polos para o equador. O padrão pode ser registrado, além disso, em hábitats terrestres, marinhos e de água doce. Não há explicações definitivas sobre esse padrão; evidências apontam maior intensidade de predação e a predadores mais especializados nas regiões tropicais. O aumento na produtividade é uma possibilidade para tal padrão, certamente há mais calor e energia radiante nas regiões tropicais. Contudo, a luz e o calor não são os únicos determinantes da produtividade vegetal. Possivelmente existe um efeito sinérgico entre os diversos aspectos mencionados, e não há uma explicação simplista entre a produtividade e a riqueza em espécies. Uma maior idade evolutiva dos trópicos também tem sido proposta como razão para a sua maior riqueza em espécies. Em resumo, o gradiente latitudinal não possui uma explicação exata e direta. Altitude e Profundidade Em ambientes terrestres, um decréscimo na riqueza em espécies em relação à altitude é um fenômeno tão frequente quanto com relação à latitude. Contudo, não é um padrão universal. Comunidades que vivem em grandes altitudes quase invariavelmente ocupam áreas menores do que as terras baixas equivalentes quanto à latitude e, em geral, são também mais isoladas. Em lagos maiores, as profundidades geladas, escuras, pobres em oxigênio contém poucas espécies, comparadas às superfícies. Da mesma forma, em hábitats marinhos, as plantas estão confinadas à zona luminosa a qual raramente se estende por mais de 30 m. Curiosamente, em regiões costeiras o efeito da profundidade sobre a riqueza em espécies de animais bentônicos produz um pico em riqueza próximo a1.000 m, possivelmente refletindo uma melhor condição ambiental em torno dessa profundidade. Gradientes durante a sucessão ecológica Durante o processo sucessional, sem perturbações, o número de espécies inicialmente aumenta (colonização), porém eventualmente decresce (devido à competição). Isso vale para plantas e animais que acompanham o mesmo padrão. Em certa extensão, o gradiente sucessional é uma consequência necessária da colonização gradual de uma área pelas espécies de comunidades próximas, em estágios sucessionais mais avançados – ou seja, estágios serais mais avançados estão mais saturados de espécies. Cuidado, pois a sucessão envolve a substituição de espécies e não necessariamente a mera adição de novas espécies. Na verdade, há um efeito em cascata na sucessão – um processo que aumenta a riqueza inicia outro. Registro fóssil Até cerca de 600 milhões de anos, o mundo era povoado quase totalmente apenas por bactérias e algas, e quase todos os filos de invertebrados marinhos possuem seu registro fóssil dentro de poucos milhões de anos passados. Uma vez que a introdução de níveis tróficos mais elevados pode aumentar a riqueza nos níveis tróficos abaixo, é possível argumentar que os primeiros protistas unicelulares herbívoros foram provavelmente responsáveis pela explosão em riqueza em espécies do período Cambriano. Nos períodos passados a fusão e separação de continentes, causavam intensas alterações nos níveis dos oceanos, além de passar por resfriamentos prolongados – gerando extinções em massa. Hotspots Para ser caracterizado como um hotspots de biodiversidade a região precisa atender dois critérios: 1 – Precisa possuir ao menos 1.500 espécies de plantas vasculares endêmicas – Local insubstituível. 2 – Deve possuir menos de 30 % de sua cobertura vegetal original – sob alto risco. Ao longo do mundo, 35 áreas são denominadas de hotspots. Elas representam menos que 2,3 % da cobertura da terra, contudo suportam mais da metade das espécies de plantas do planeta e 43 % de aves, mamíferos, répteis e anfíbios são endêmicos. O termo Hotspot foi proposto por Norman Myers em 1988 como forma de priorizar áreas para receber esforços conservacionistas. Atualmente, o termo é uma “bandeira” útil para conseguir esforços, contudo, a conservação do habitat e espécies não deve ser encarada como a salvação. A inclusão de aspectos sociais e humanitários deve ser incluída nos planos de conservação dessas áreas quentes para preservação da biodiversidade. The map of hotspots overlaps extraordinarily well with the map of the natural places that most benefit people. That’s because hotspots are among the richest and most important ecosystems in the world — and they are home to many vulnerable populations who are directly dependent on nature to survive. By one estimate, despite comprising 2.3% of Earth’s land surface, forests, wetlands and other ecosystems in hotspots account for 35% of the “ecosystem services” that vulnerable human populations depend on.