6 Doenças Inflamatórias Intestinais
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6 Doenças Inflamatórias Intestinais


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1. Diferenciar diarreia funcional de diarreia orgânica; 
DIARREIA FUNCIONAL
- A diarreia funcional é um distúrbio funcional intestinal caracterizado por fezes soltas ou aquosas recorrentes. 
- Os pacientes com diarreia funcional não devem atender os critérios para Síndrome do intestino irritável, embora dor abdominal e/ou inchaço pode estar presentes, mas não são os sintomas predominantes. 
- Passagem recorrente de fezes soltas ou aquosas devem ter iniciado pelo menos 6 meses antes do diagnóstico e os sintomas devem estar presentes durante os últimos 3 meses;
Critérios de diagnóstico para diarreia funcional
1. Fezes soltas ou aquosas, sem predomínio abdominal de dor ou inchaço incômodo, ocorrendo em> 25% das fezes.
2. Um critério cumprido nos últimos 3 meses com sintoma de início pelo menos 6 meses antes do diagnóstico.
3. Pacientes que atendem aos critérios para síndrome do intestino irritável predominante por diarreia devem ser excluídos.
- A avaliação deve começa com a história clínica, a diarreia deve ser definida pela forma das fezes, não pela frequência. A consistência das fezes que se relaciona com o trânsito do cólon. Um diário das fezes incorporando a escala de Bristol ajuda a verificar a consistência das fezes e exclui a pseudodiarreia. 
- A história deve excluir má absorção de lactose e frutose, além da ingestão de quantidades excessivas de fibras ou carboidratos mal absorvidos. 
- As características de alarme (perda de peso não intencional, diarreia despertando o paciente, uso recente de antibióticos, hematoquezia (na ausência de hemorroidas hemorrágicas documentadas ou fissuras anais) , volume alto de diarreia (>250 ml/dia), movimentos intestinais muito frequentes (>6-10 por dia), evidência de desnutrição, ou história familiar de neoplasia colorretal, doença celíaca ou doença intestinal inflamatória) deve levar a uma maior investigação.
- O exame físico de um paciente com diarreia funcional deve ser normal. Um exame anorretal cuidadoso deve ser realizado para avaliar o tônus do esfíncter anal (especialmente importante em pacientes com incontinência fecal), e para identificar uma massa, fissura ou doença hemorroidária (especialmente importante em pacientes com hematoquezia); 
- Um hemograma e PCR (proteína C-reativa) devem ser realizados em todos os pacientes com diarreia crônica. Um perfil da tireoide pode ser realizado se houver suspeita clínica de hipotireoidismo. 
- Testes sorológicos para doença celíaca devem ser feitos naqueles pacientes que falharam a terapia empírica (considerar endoscopia com biópsias duodenais se os testes sorológicos (anticorpos) forem positivos ou se a suspeita clínica for alta). 
- A análise das fezes (bactérias, parasitas e ovos devem ser realizados em áreas endêmicas) e a calprotectina fecal (marcador inflamatório para doenças intestinais inflamatórias) deve ser realizada de a grande suspeita clínica de um processo inflamatório.
- A colonoscopia deve ser considerada naqueles pacientes que falharam a terapia empírica, naqueles que apresentam sintomas de alarme e em todos os pacientes com mais de 50 anos para fins de triagem (> 45 anos em afro -americanos) com base em recomendações nacionais. Quando realizada biópsias eles devem ser obtidas a partir do cólon direito e esquerdo para descartar colite microscópica.
FISIOPATOLOGIA: A diarreia funcional não possui achados orgânicos que a justifiquem.
- A diarreia funcional não pode ser explicada com apenas uma única alteração fisiopatológica para todos os pacientes. Pelo contrário, vários mecanismos parecem contribuir para a geração de sintomas, incluindo motilidade gastrointestinal alterada, distúrbios cerebrais, fatores genéticos e ambientais, infecções prévias e fatores psicossociais. 
- Além disso há uma possível hiperatividade colinérgica que causa aumento da secreção de muco e aumento da motilidade. 
- Semelhante a Síndrome do intestino irritável, uma infecção prévia pode levar a Diarreia funcional pós-infecção. 
- Existem poucos dados sobre as características psicológicas dos pacientes com diarreia Funcional. Embora a ansiedade geralmente acompanhe a Síndrome do intestino irritável, poucos dados aplicam-se especificadamente para a Diarreia Funcional. O estresse agudo acelera o trânsito do cólon em humanos e animais, mas a relevância para o estresse crônico e para pacientes com Diarreia Funcional é incerto.
2. Definir doença inflamatória intestinal (DII); 
- Doença inflamatória intestinal (DII) é um termo amplo que designa a doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa (RCU), caracterizadas pela inflamação crônica do intestino. Essas doenças diferem quanto à localização e ao comprometimento das camadas do intestino, mas também pela fisiopatogenia.
- Diversos fatores, incluindo fatores ambientais, microbiota intestinal e imunidade do hospedeiro, interagem para iniciar e perpetuar a inflamação da mucosa gastrointestinal em indivíduos predispostos geneticamente.
- O que se sabe de concreto acerca da gênese dessas doenças é que sem dúvida existe um distúrbio na regulação da imunidade da mucosa intestinal, que justifica o surgimento de um processo inflamatório espontâneo provavelmente direcionado contra os germes da microbiota fisiológica.
3. Conhecer as características epidemiológicas, clinicas, laboratoriais, radiológicas, endoscópicas, anatomopatológicas e sorológicas da doença de Crohn e retocolite ulcerativa idiopática (RCUI); 
EPIDEMIOLOGIA
- O principal fator de risco comprovado para ambas as DII é uma história familiar positiva (presente em 10-25% dos pacientes). A incidência nos parentes de primeiro grau de um indivíduo acometido chega a ser 100 vezes mais alta do que na população geral. A importância da influência genética é ainda corroborada pelo fato de síndromes como Turner e Wiskott-Aldrich se associarem a uma incidência aumenta.
- Atualmente, parece haver uma discreta predominância da RCU em homens, ao passo que na DC haveria um maior número de casos em mulheres. 
- Um fato curioso é a existência do chamado gradiente norte-sul, a observação de que as DII são mais frequentes quanto mais para o norte nos deslocamos (maior incidência na América do Norte e Europa, em comparação com o continente Latino-Americano, África e Ásia).
- Além disso, as DII são mais comuns na população branca, especialmente nos Judeus. 
- São descritos dois picos de incidência: entre 15-40 anos (principal) e entre 50-80 anos. 
ANATOMOPATOLOGIA: RETOCOLITE ULCERATIVA
- A RCU é uma doença intestinal caracterizada pelo surgimento inexplicado (idiopático) de lesões inflamatórias que ascendem de maneira uniforme (homogênea) pela mucosa do cólon.
(1)	A RCU é uma doença EXCLUSIVA do Cólon.
(2)	A RCU é uma doença EXCLUSIVA da Mucosa.
(3)	A RCU é tipicamente \u201cascendente\u201d e uniforme.
- A extensão deste comprometimento é variável:
(a)	em 40 a 50% dos pacientes a doença se restringe à mucosa retal até 15 cm da linha denteada (proctite) ou atinge o sigmoide, até 30 cm da linha denteada (proctossigmoidite),
(b)	em 30 a 40% dos pacientes o processo pode se estender até a flexura esplênica (colite esquerda),
(c)	em 20 a 30% dos pacientes, a inflamação vai além da flexura esplênica (pancolite).
d) Alguns autores chamam de colite extensa o comprometimento inflamatório que se estende ao cólon transverso, reservando o termo pancolite para os casos em que há lesões além da flexura hepática. 
e) Num pequeno grupo de pacientes com pancolite, o intestino delgado distal acaba sendo acometido por uma inflamação superficial conhecida como ileíte de refluxo. Mas veja: a RCU não lesa o íleo \u2013 esta entidade deve ser considerada como complicação de uma colite grave, ocorrendo em função da passagem de material tóxico do cólon inflamado para o íleo distal.
- O aspecto macroscópico da mucosa colônica varia desde o normal até o completo desnudamento:
(a) Desaparecimento do padrão vascular típico do cólon