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O_IMPERIO_NEO-ASSIRIO_E_O_ISRAEL-NORTE_D

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UNIVERSIDADE CATÓLICA DOM BOSCO 
 
 
 FLÁVIO EMÍLIO AGUIAR LEMOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPO GRANDE/MS 
 
2017 
 
 
 
FLÁVIO EMÍLIO AGUIAR LEMOS 
HISTÓRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
O IMPÉRIO NEO-ASSÍRIO E O ISRAEL-NORTE: 
DEPORTAÇÃO TOTAL OU DE APENAS UMA PARTE? 
 
 
Trabalho de pesquisa exigido como parte dos requisitos 
para conclusão da disciplina de Trabalho de Conclusão 
de Curso, apresentado à Universidade Católica Dom 
Bosco, curso de História, sob a orientação da Profa. 
Rosimeire Martins Régis dos Santos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMPO GRANDE/MS 
 
2017 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 4 
CAPÍTULO I – O reino da Assíria: Uma introdução..................................................... 7 
CAPÍTULO II – O reino de Israel-Norte: Uma introdução.......................................... 12 
CAPÍTULO III – A prática de deportação assíria.......................................................... 18 
CAPÍTULO IV – O poder de uma ideologia................................................................... 25 
CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................ 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
A presente pesquisa encontra-se dentro do grande tema da História antiga, 
especificamente no contexto do antigo oriente médio, o que se acostumou chamar de história 
do antigo oriente médio, ou antigo oriente próximo. As motivações que foram consideradas 
para a escolha deste tema e assunto tem como proposta desenvolver uma melhor compreensão 
sobre a prática de deportação empregada pelo império assírio quando da invasão ao reino do 
norte israelita, que ocorreu em 733 e 722 a.C. A pesquisa pretende, na sua finalidade, dar base 
para uma análise futura da continuidade cultural no reino de Israel no período posterior à 
invasão assíria. A visão tradicional propaga que o reino de Israel teria sofrido uma deportação 
de grande parte da população, por exemplo, em 733 a.C., quando Teglath-Pileser III assolou 
“Todas as terras israelitas da Galiléia e da Transjordânia [...]” (BRIGHT, 1978, p.367), 
restando na região apenas alguns poucos descendentes israelitas que somados a alguns 
estrangeiros ali alocados pelos assírios posteriormente, resultaram em uma região 
completamente “miscigenada”, sem vínculo com o passado da região. 
O livro de 2Reis (15:29; 17:6.23) retrata um ponto de vista muito parcial sobre este 
momento, apresentando os povos que ali viviam como idólatras e pecadores, e por estes 
motivos, sofredores do “castigo divino”. É sobre a influência desta ideologia dos escritores 
bíblicos que posteriormente irá se ignorar a importância do estudo desta região no período 
pós-deportações. Este “fim” do reino do Israel-norte inspirou a visão bíblica sobre as “Dez 
tribos perdidas de Israel”, da forma como é percebível em um texto oficial do Ministério das 
Relações exteriores de Israel. “O Reino de Israel foi destruído pelos assírios (722 AEC) e seu 
povo foi levado ao exílio e ao esquecimento”1. 
Esta afirmação é curiosa, pois, segundo Richard A. Horsley, em seu livro intitulado 
Arqueologia, História e sociedade na Galileia, surge uma questão que se torna o problema da 
presente pesquisa: teria a assíria, nos dois momentos de conquista no reino de Israel, 
deportado quase toda a população, ou apenas parte dela? (2000, p.28,29). Finkelstein e 
Silberman (2003) se referindo ao ponto de vista de alguns acadêmicos sobre a ideia de 
deportação em massa, ou da maioria, diz que essa visão serve à uma tradicional compreensão 
arqueológica, onde muitos estudiosos, em uma repetição involuntária das interpretações 
teológicas da Bíblia, retratam uma monótona continuidade populacional (2003, p.274), o que 
 
1 Fatos sobre Israel. Ministério das relações exteriores de Israel. Jerusalém, Israel. 2010. Disponível em:< 
http://mfa.gov.il/MFA/AboutIsrael/History/Pages/Facts%20about%20Israel-%20History.aspx> Acesso em:04 de 
Setembro de 2017. 
http://mfa.gov.il/MFA/AboutIsrael/History/Pages/Facts%20about%20Israel-%20History.aspx
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supostamente apontaria para uma baixa existência populacional na região após estes períodos 
(como questiona Horsley - 2000, p.29) e que corroboraria a ideia de que o império Assírio 
teria deportado a maior parte da população do Israel-norte. 
Sendo assim, a importância desta pesquisa se apresenta conforme o resultado da 
mesma. Uma vez se confirmando a hipótese de não-deportação da maioria da população 
Israelita, quando da conquista do império Assírio em 733-32 e 722-21 a.C., um caminho 
consideravelmente novo se estruturará. À saber, a possibilidade de novas pesquisas sobre a 
continuidade cultural nas regiões do Reino do Norte-Israel nos períodos subsequentes, devido 
a permanência considerável da população. Pesquisas que se juntariam à vários outros 
trabalhos, entre eles, o do professor Richard A. Horsley, na forma como é apresentado no 
livro Arqueologia, História e sociedade na Galileia, traduzido para o português brasileiro em 
2000. 
A nível de conhecimento, neste livro o autor apresenta dados demonstrando uma rica 
cultura israelita na região da Galiléia, durante o 1º século d.C. (2000, p.154,55). A existência 
desta cultura israelita no norte da Palestina no 1º século d.C., consideravelmente diferente da 
cultura sulista da Judéia-Jerusalém, provavelmente, poderá encontrar a sua resposta no 
passado do reino israelita da região, justamente na questão sobre o ato de deportação assírio 
em Israel. 
Para os estudos da temática o trabalho se divide da seguinte forma: 
No primeiro capítulo é feito uma introdução a história da Assíria, suas características, 
e os principais reis que reinaram no século VIII a.C. e que exercem um papel essencial na 
análise sobre a questão da deportação do reino de Israel-norte. 
O segundo capítulo se concentra no estudo do reino de Israel-norte. Suas 
características e contextualização histórica, principais personagens, por volta do século VIII 
a.C. quando do encontro e os primeiros contatos com o império assírio. 
O terceiro capítulo se concentra na análise da prática de deportação praticada pelos 
assírios. Uma breve introdução e os motivos que impulsionavam os assírios a fazerem uso de 
tal ferramenta. 
O quarto capítulo se esforça por compreender uma questão que surge após a análise do 
processo de deportação assírio em Israel, e os motivos que fazem com que, ainda hoje, a 
imagem do antigo Israel-norte seja representada de maneira não-franca, deturpada ou mesmo 
escondida – a ideologia da chamada Obra Histórica Deuteronomista. 
 
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A metodologia adotada neste trabalho será a pesquisa bibliográfica. Para nível de 
melhor compreensão em relação à alguns pontos críticos sobre o assunto, a pesquisa terá 
como referencial teórico a obra do arqueólogo israelense Israel Finkelstein, O reino esquecido 
– Arqueologia e História de Israel norte e A Bíblia não tinha razão, obra escrita em co-
autoria com Neil Asher Silberman sobre o reino de Israel-norte no período do sec. VIII a.C. 
Entretanto, se adotará o uso de diversos autores que se esforçaram por estudar o mundo do 
antigo oriente médio e a relação do reino de Israel com outros povos, à saber: Mario Liverani, 
Para além da Bíblia – História antiga de Israel e Herbert Donner, História de Israel e dos 
povos vizinhos, vol II. No que concerne ao mundo assírio, o trabalho fará uso da obra de Hélio 
Jaguaribe, Um estudo crítico da História, e Paul Garelli, O oriente próximo asiático: impérios 
mesopotâmicos. Quando da falta de livros impressos,