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Economia Vasconcellos

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a renda recebida de nossas empresas no 
exterior, e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empre­
sas estrangeiras localizadas no Brasil. Portanto:
PNB = PIB + RLFE
Se: R E > RR => RLFE < 0 => PNB < PIB 
RE < RR=> RLFE > 0 => PNB > PIB
O Brasil, bem como a quase totalidade dos países emergentes, inclui-se no 
primeiro caso, em que o PIB supera o PNB, devido a altas remessas de juros, 
lucros e royalties aos estrangeiros. Aqui, como a RLFE é negativa, ela é chamada 
de Renda Líquida Enviada ao Exterior.
6 Embora tenha-se popularizado a dicotomia PIB x PNB, o mais correto seria considerar em termos de renda (R1B x RNB), 
pois essa diferença está associada ao conceito de renda, não do produto.
7 Juros, lucros, royalties, assistência técnica, rendas do trabalho e aluguel de equipamentos são chamados de serviços de 
fatores, pois representam remuneração aos fatores de produção. Fretes, seguros, turismo, serviços de embaixadas e 
representações no exterior são serviços não fatores, por se constituírem em pagamentos a empresas ou órgãos prestadores 
de serviços, e não a pessoas físicas proprietárias dos fatores de produção. Retornaremos a esses conceitos no Capítulo 14 
(Setor Externo).
Contabilidade Social 215
A RLFE não deve ser confundida com a diferença entre Exportações (X) e 
Importações (Aí). Os lucros recebidos pela Petrobras do exterior não represen­
tam importações; a remessa de lucros da Fiat não constitui exportações. A RLFE 
representa parte da renda gerada por essas empresas, e não suas vendas ou 
compras.
2.4.3 A fórmula final da Despesa Nacional (DN)
Uma vez apresentados os agregados macroeconômicos correspondentes 
aos quatro setores (família, empresas, governo e setor externo), pode-se apre­
sentar a fórmula final da Despesa Nacional:
D N = C + I + G + X - M
onde: C é a despesa das famílias com bens de consumo, / é a despesa com 
bens de capital e a variação de estoques, G os gastos do governo, X as expor­
tações e M as importações (sendo a diferença X - M as despesas líquidas do 
setor externo).
Rigorosamente, com relação ao setor externo, deveriam aparecer como 
componente da despesa agregada apenas as exportações. Deduzem-se, entre­
tanto, as importações, devido ao fato de que elas estão embutidas nas demais 
despesas agregadas (C, /, G, X) e pela dificuldade prática de calcular o compo­
nente importado para cada um desses agregados (seja como bem de capital, 
seja como bem de consumo). Por isso, corrige-se a fórmula, deduzindo-se as 
importações pelo seu total global.
O conceito de despesa agregada, assim como o de produto, é apresentado a 
preços de mercado, já que são valores finais. Como no Brasil utiliza-se mais o 
conceito de Despesa Interna e não o de Despesa Nacional, e não é calculada a 
depreciação (com o que são utilizados os conceitos agregados em termos bru­
tos), tem-se, então:
DIBpm = C + I + G + X - M
2.4.4 Fluxo circular de renda para uma economia a 
quatro setores
O processo de formação de renda, considerando os quatro agentes 
macroeconômicos, pode ser sintetizado no diagrama a seguir.
FLUXO CIRCULAR DE RENDA
MERCADO INTERNO
Poupança do governo
Poupança
privada
------------------
SETOR 
FORMAÇÃO DE
____;__________
Poupança e: 
(Saldo do balanço de trai
x sm a
j isações correntes)
Consumo agregado de bens e serviços
Investimento
agregado
. . .
} f § S E T O R * SETOR
W A M IU A W l EMPRESAS
_ _____________
Remuneração a fatores de produção
(salários + juros + aluguéis + lucros) = RENDA NACIONAI.
Transferências
(Aposentadorias,
Bolsas)
Pagamentos ao 
funcionalismo
Impostos diretos 
(linp. renda, IPTU)
SETOR
GOVERNO
Compra do 
bons e 
serviços
Subsídios
Impostos indiretos 
(IPI, ICMS)
Importações
Exportações
Renda líquida 
enviada ao 
exterior (juros, 
lucros, royalties)
MERCADO EXTERNO
RESTO
DO
MUNDO
Contabilidade Social 217
Vale lembrar novamente que o sistema de contas nacionais refere-se às variá­
veis reais, isto é, que representam alterações no produto real da economia. Por 
essa razão, não estão explicitadas as transações que envolvem o Sistema Finan­
ceiro (depósitos, empréstimos, ações etc.), que têm como principal função cap­
tar recursos dos poupadores para transferi-los aos investidores. Como já obser­
vamos, as transações relativas ao setor financeiro são detalhadas à parte do 
sistema de contas nacionais.
2.5 EXERCÍCIO DE CONTAS NACIONAIS
Dados, em bilhões de reais:
salários pagos às famílias (w) 300
juros, aluguéis e lucros pagos (j + a + l) 450
depreciação de ativos fixos (d) 25
impostos indiretos (T i) 100
impostos diretos (Td) 88
subsídios do governo a empresas privadas (Sub) 10
outras receitas correntes do governo (ORec) 20
renda enviada ao exterior (RE) 7
renda recebida do exterior (RR) 2
pagamentos de aposentadoria (Tr) 40
e sabendo-se que os valores dos salários, juros, aluguéis e lucros são brutos, 
no sentido de que ainda não foram descontados os impostos diretos, a depre­
ciação e a renda enviada do exterior, e não incluída a renda recebida do exte­
rior, pede-se:
a) A Renda Interna Bruta a custo de fatores (RIBcf).
b) A Renda Interna Líquida a custo de fatores (RILcf).
c) A Renda Nacional Líquida a custo de fatores (RNLcf).
d) O Produto Nacional Bruto a preços de mercado (PNBpm).
e) O Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm).
f) O índice de Carga Tributária Bruta.
g) O índice de Carga Tributária Líquida.
Resoluções:
a) Como os salários, juros, aluguéis e lucros estão em termos brutos, a soma 
desses itens já é a própria RIBcf. Portanto:
RIBcf = w + j + a + l = 300 + 450 = 750
b) RILcf = RIBcf - depreciação — RIBcf - d = 750 - 25 = 725
218 Economia M icro e Macro • Vasconccllos
c) RNLcf = RILcf + Renda Líquida de fatores externos = RILcf + RR - FIE 
RNLcf = 725 + 2 - 7 = 720
d) PNBpm = RNLcf + depredação + Impostos Indiretos - Subsídios = RNLcf + 
d + Ti - Sub
PNBpm = 720 + 25 + 100 - 10 = 835
e) PIBpm = PNBpm - RLFE = 835 - (2 - 7) = 840
0 ,cw= ________ H±M ____________, 1 0 0 = . . . . 100 + 88 .100
PIBpm 840
ICTB = 22,38%
g) ICTL = ----- Tí + T d - T r - S u b ----------100 =
5 PIBpm
_ 100 + 8 8 - 4 0 - 1 0 . 100 
840
ICTL = 16,43%
3 VALORES REAIS E NOMINAIS
Vimos que PN = Z.p q
Então, dados, por exemplo: P/B2004 = R$ 1,77 trilhão
PIB2005 = R$ 1,94 trilhão
isso não significa que a economia brasileira cresceu quase 10% nesse período, 
já que está incluído nesse cálculo o crescimento dos preços “p.” (além do cresci­
mento do produto “q ”).
Isso leva à distinção entre os conceitos de Produto Nacional Monetário 
(Nominal) e Real.
PN Nominal (ou PN Monetário): PN a preços correntes do ano
PN2003 — £ p ,2003 . q .2003 - produto de 2003, avaliado a preços de 2003
PN2M — £ p .2004 . q 2004 - produto de 2004, avaliado a preços de 2004
PN.m05 = £ p .2005 . q.200S - produto de 2005, avaliado a preços de 2005
PN Real (ou PN deflacionado): PN a preços constantes de determinado ano 
(chamado ano-base). Considerando, por exemplo, 1990 como ano base, nem:
Contabilidade Social 2 1 9
PN,REAL2003
PN,RE4Í2004
PN,fti>U,2005
= IP 
= Xp 
= 1 p
1990
1990
1990
ti2003
,2004
,2005
os preços permaneceram constantes em 1990, 
ou seja, a taxa de inflação é suposta igual a 
zero enquanto as quantidades variaram, nos 
três anos. Com isso, teremos apenas o cresci­
mento real entre anos (taxa de crescimento do 
produto real).
No exemplo, consideramos 1990 como ano-base, mas qualquer ano da sé­
rie pode ser considerado o ano-base, ou ano cujos preços supomos que perma­
neçam nos demais anos. Portanto, a série do PN real supõe que a taxa de infla­
ção é nula.
Evidentemente, apenas instituições de pesquisa, como o IBGE, têm con­
dições de calcular o PIB real a partir da soma de preços e quantidades de 
milhares de bens e serviços transacionados a cada ano. No entanto, há uma 
forma mais operacional de determinar o PN real, a partir do PN nominal. Essa 
passagem é conhecida