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RESPONSABILIDADE CIVIL

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A Responsabilidade Civil Objetiva, em que pese um novo entendimento que excepciona a anterior regra da subjetividade, traduz novo fôlego, de proteção ao princípio da inafastabilidade do poder judiciário, conforme dispõe o art. 5º, XXXV, que aduz que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão”, haja vista que provar a culpa, pode ser deveras difícil àquele que ao sofrer dano de terceiro. É possível que a vítima possa não ter condições efetivas de eximir o nexo causal de uma ação danosa provocada por terceiro. 
Assim, percebendo a dificuldade, que impedia o próprio exercício da jurisdição por parte daquele que sofreu algum dano, e que, de alguma maneira não conseguia reunir material probatório safisfatório para demandar, a partir da vigência do Código Civil de 2002, inseria-se o art. 927, que trata da responsabilidade civil objetiva, para trazer Justiça a demandas concretas de indivíduos que tinham direito a tal reparação.
Responsabilidade Civil por fato de Terceiro é a responsabilidade de quem não participou efetivamente no dano. O artigo 932 abrange essa matéria. Quem responde por eventuais danos sofridos são àqueles que possuem relação direta com o terceiro, a exemplo dos pais em relação aos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; do tutor e do curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; do empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; dos donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos e dos que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia, mesmo quando não agirem com culpa. 
Ademais, os donos de animais, os donos de edifícios, donos ou habitantes de apartamentos, em situações de danos causados por terceiros também ficam obrigados a reparar.
Desse modo, independentemente de culpa, existirá obrigação em reparar o dano, por pessoas descritas no referido artigo, quais são os pais pelos danos causados por filhos menores (que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia) ou também os empresários e empresas pelos produtos que colocam em circulação, dentre outros Aí está posta a ilicitude objetiva, descrita também no art. 933 do CC.
Em relação à responsabilidade civil objetiva, a lei prescinde a produção de provas, sendo necessário analisar o dano efetivo e o nexo causal entre ambos. A culpa existe, porém, não é mais necessário prová-la.
Nessa continuidade, depreende-se a culpa lato sensu (dolo) e a stricto sensu (agravo a uma regra). Utiliza-se, assim, a responsabilidade civil objetiva como exceção e a subjetiva como regra 
Após analisadas as situações em que a lei dispõe acerca da responsabilidade objetiva, por uma questão residual, passa-se a analisar se a responsabilidade é subjetiva, para a reparação de danos.
É também objetiva a responsabilidade civil por abuso de direito, como outorga o enunciado 37 da Jornada de Direito Civil, que diz que “a responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico”.
 A responsabilidade civil subjetiva, descrita no art. 186 do CC, aduz que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Nesses dizeres, configura-se a responsabilidade civil subjetiva, que prevê antes mesmo da configuração da culpa, a constatação de efetivo dano. 
Nesse liame, se a atividade causar riscos, a culpa toma lugar. Isso quer dizer que, àquele que se beneficia de alguma forma de determinada atividade, tem o dever de indenizar em relação a eventuais danos intrínsecos da própria atividade, que é a ilicitude subjetiva.
A responsabilidade extracontratual ou aquiliana tem a ver com atos ilícitos e abusos de direito, enquanto a responsabilidade contratual ou negocial emerge do inadimplemento de uma obrigação. Tal dualização de conceitos estão respectivamente dispostos nos arts. 927 a 954 / arts. 186 e 187 e 389 a 420 todos do Código Civil. Isto posto, fica claro que no Brasil, adotamos a concepção dualista de responsabilidade civil, mesmo debaixo de críticas de que essa concepção é antiga, haja vista que toda quebra de relação contratual advém de uma violação de direito.
Superada essa fase, a responsabilidade de que trata o Código de Defesa do Consumidor é em regra objetiva, como infere o art. 14 do código supra. A exceção está no § 4º, que infere acerca da responsabilidade pessoal dos profissionais liberais, que só se dará mediante a verificação de culpa.
O proveito econômico, peculiar das relações de consumo, são a ponte ou aquilo que limita a interação entre a Responsabilidade Civil descrita no Código Civil e as disposta no Código de Defesa do Consumidor. Quando o proveito econômico não se satisfaz na relação entre vendedor e comprador.
No contexto do CDC, a responsabilidade civil, independentemente de suas configurações civilistas, integra uma linha de convergência decorrente de relação de consumo, objetivando proteger o consumidor, parte vulnerável e não raro hipossuficiente dessa relação.
Dentro desse ambiente, citado anteriormente, outros elementos de defesa e de harmonização de forças dos contratantes perpassa uma responsabilização onde a culpabilidade, tão balizadora da responsabilização do Código Civil, não é mais tão especial. 
Agora, o risco-proveito, oriundo de determinada relação de vantagens é determinante, ao que gera responsabilização sem efetivamente necessitar de constatação de culpa. Nesse sentido, se estão confirmados os requisitos de produção em massa, de vulnerabilidade, da prescindibilidade de culpa, da atividade econômica que visa o lucro, aí está responsabilidade em indenizar, bastando a existência da materialidade do fato. Diante do exposto, verifica-se a premissa geral de responsabilidade objetiva como norteadora da responsabilização objetiva prevista no CDC.
A exceção em relação a responsabilidade objetiva prevista no CDC corresponde àquela referente aos profissionais liberais, que neste caso, requer provar a existência de culpa. O art. 14 do CDC observa que “o fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos”. Essa perspectiva advém da vulnerabilidade daqueles profissionais liberais, que prestam serviços personalissimamente e que, geralmente, são hipossuficientes.
Em se tratando de produtos e serviços, o CDC prevê a responsabilidade pelo vício do produto (gera solidariedade entre fabricante e comerciante), a responsabilidade pelo fato do produto (inexiste a solidariedade entre fabricante e comerciante, com responsabilidade direta do fabricante e subsidiária do comerciante), além da responsabilidade pelo vício do serviço (ocorre solidariedade com todos os integrantes da relação) e a responsabilidade pelo fato do serviço (solidariedade entre os integrantes da relação).