HISTÓRIA DO BRASIL COLONIAL
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estava impedido de 
realizar-se, por toda a parte os mesmos grupos políticos controlavam todas as 
instâncias do Poder. 
 
O tenentismo e a revolução de 1930 
 
O movimento tenentista foi a primeira contestação aberta à República 
Oligárquica. Jovens oficiais do Exército terminaram por liderar várias rebeliões a 
partir de 1922, formando um clima propício para o desenlace do regime em 1930. 
 
Começando com a Revolta do Forte de Copacabana em 1922, seguindo-se 
pela revolta paulista em 1924, chamada de revolta de Isidoro (devido seu 
comandante chamar-se General Isidoro) passando pela grande feito de armas que 
foi a Coluna Prestes, entre 1924-26, culminando com o levante armado de outubro 
de 1930. 
 
Estes jovens oficiais mostravam seu inconformismo com a situação política e 
social do Brasil e desejavam afastar as oligarquias do comando da Nação. Só 
conseguiram sucesso, no entanto, por dois fatores: a crise econômica de 1929 que 
afetou o poder da oligarquia paulista e a rebelião das oligarquias periféricas; a do 
Rio Grande do Sul comandada por Getúlio Vargas e a da Paraíba liderada por João 
Pessoa. Aliados a Getúlio Vargas os tenentes tiveram por um momento no topo do 
poder. 
 
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Para falar sobre a Era Vargas é preciso voltar alguns anos e alguns 
acontecimentos no tempo, pois como se verá adiante, as crises da república velha, a 
quebra da aliança São Paulo \u2013 Minas Gerais, mais conhecida como política do café 
com leite e outras revoltas levaram aos acontecimentos que mudariam e marcariam 
para sempre o Brasil dos dias atuais. 
 
Este período do fim da República Velha, compreendido entre 1889 e 1930 é 
riquíssimo em acontecimentos importante. Época difícil de se estudar visto ser 
grande o número de revoltas e rebeliões ocorridas e todas elas com muitos detalhes. 
 
Tentar-se-á descrever os fatos mais relevantes para entender como 
aconteceu e o que caracterizou a modernização conservadora de Vargas. 
 
Tudo começou com o advento da república, quando os estados passaram a 
escolher seus governadores e estes cargos foram entregues aos coronéis. Nesta 
fase, a política acontecia apenas para as elites, pois eram elas que votavam e se 
candidatavam. A população rural era manipulada pelos coronéis. O poder e a 
autonomia dos estados complementavam-se com a organização de forças militares 
próprias (ABRÚCIO, 1998; KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
O poderia de então, se concentrava nas mãos dos governadores de São 
Paulo e Minas Gerais, ou seja, havia um revezamento do poder nacional por estes 
dois estados. São Paulo era o estado mais poderoso economicamente, 
principalmente devido à produção de café e Minas Gerais, maior polo eleitoral do 
país da época e produtor de leite, daí a denominação política do café com leite. 
 
As oligarquias dominantes da época, ligadas ao setor agroexportador 
visavam em primeiro plano, garantir a cooperação dos credores estrangeiros, 
comprometendo-se o novo regime a pagar dívidas contraídas com eles por 
cafeicultores brasileiros. O conhecido acordo da dívida externa \u2013 funding loan \u2013 foi 
pago às custas de aumento de impostos, paralisação de obras públicas e abandono 
da ideia de incentivo à indústria nacional. A participação de Minas se deu pelo 
grande número de deputados na assembleia e então, os dois estados se alternavam 
no poder (ABRÚCIO, 1998). 
 
A política do café com leite, que teve início com o governo de Campos Sales 
na década de 1890, só terminou oficialmente com a Revolução de 1930 quando 
Getúlio Vargas assumiu o governo do Brasil. 
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Segundo Koshiba e Pereira (2004), a política mostrou alguns sinais de 
fraqueza já no decorrer da República Velha, como, por exemplo, quando da eleição 
do gaúcho Hermes da Fonseca e do paraibano Epitácio Pessoa \u2013 ainda que sendo, 
ao final, concessões das oligarquias paulista e mineira. 
 
Dentre as revoltas ocorridas no período da República Velha, tem-se 
Canudos e Contestado, a Revolta da Vacina e Revolta da Chibata, a Primeira 
Guerra Mundial, a primeira crise do café e por fim, a crise de 1929. 
 
Já dentre os antecedentes da revolução de 1930, tem-se o movimento 
conhecido como Tenentismo, que pode ser assim definido: 
 
Para suceder Epitácio Pessoa, SP e MG escolheram Artur Bernardes 
(mineiro). Contra essa articulação política uniram-se RS, BA, Pernambuco e RJ, 
formando assim a \u201cReação Republicana\u201d que apresentou Nilo Peçanha como 
candidato. Em 1922, Artur Bernardes foi eleito. Foi então que jovens oficiais do Forte 
de Copacabana rebelaram-se com o apoio do RJ e do Mato Grosso. A rebelião 
fracassou, mas os jovens abandonaram o forte e marcharam pela praia de 
Copacabana para enfrentar as forças legalistas. Só sobreviveram 2 tenentes. Este 
episódio ficou conhecido como \u201cos 18 do forte\u201d e originou o tenentismo. 
 
O Governo de Artur Bernardes foi marcado por uma grande e contínua 
instabilidade política. No RS estourou uma guerra civil liderada pela aliança 
libertadora. Em 1924, em SP e no RS eclodiram levantes militares (continuação dos 
18 do forte em maior escala). No RS a revolta teve apoio da Aliança libertadora. Os 
tenentes revoltosos dirigiram-se para o norte de Santa Catarina. Em SP os rebeldes 
dirigiram-se para o sul onde uniram-se com os gaúchos. A união desses grupos em 
1925 formou a Coluna Prestes, com o fim do mandato de Artur Bernardes a Coluna 
 
Prestes acabou (1926) (KOSHIBA E PEREIRA, 2004). 
 
Enfim, chegou-se à revolução de 1930. 
 
A política do café com leite foi quebrada quando o então presidente paulista 
Washington Luís apoiou a candidatura do também paulista Júlio Prestes, o que 
desagradou a elite mineira, que se aliou à elite do Rio Grande do Sul, sendo um dos 
principais motivos para que o gaúcho Getúlio Vargas viesse a assumir a presidência. 
Dessa forma, com o fim do mandato de Artur Bernardes, o último presidente 
\u201coficialmente\u201d eleito nos moldes dessa política foi Washington Luís, que não fez 
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nada de diferente de seu antecessor. Um ano após sua posse (1927), as agitações 
voltaram às ruas. Como reação, o governo criou a lei repressiva \u201cCelerada\u201d. A 
imprensa foi censurada e restringiu-se o direito de reunião. No final do mandato de 
Washington Luiz todos os vícios herdados pela república oligárquica conduziram a 
uma só solução: a Revolução de 30, que pôs fim à República Velha. 
 
Enfim, a impossibilidade de se manter a política de valorização do café foi 
um dos motivos para a Revolução de 30. 
 
Minas e RS para firmar o nome de seus candidatos fizeram uma campanha 
pregando uma reforma política: voto secreto, anistia política, criação das leis 
trabalhistas, o que levou a Aliança Libertadora a sensibilizar a massa urbana, 
ganhando também, o apoio dos tenentes. Júlio Prestes foi eleito. O vice de Getúlio, 
João Pessoa é assassinado. Os aliancistas fizeram um levante armado contra a 
oligarquia paulista. Washington Luiz não tinha como resistir às tropas do sul. Foi 
deposto e formou-se um governo provisório liderado por Getúlio Vargas. Terminou 
assim a República Velha. 
 
Getúlio Dorneles Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, no interior