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de 15 a 30% volemia) 
No homem de 70 kg, essa porcentagem representa de 750 a 1.500 ml de sangue. Os 
sintomas clínicos incluem taquicardia (FC acima de 100 bat/min), taquipnéia e diminuição da 
pressão ou amplitude de pulso (diferença entre pressão sistólica e diastólica), que está relacionado 
com o aumento do componente diastólico que é devida a elevação das catecolaminas que 
produzem elevação da resistência periférica. Como a pressão sistólica muda pouco no início do 
choque hemorrágico, é mais importante avaliar a pressão de pulso do que a pressão sistólica. Pode 
ocorrer alterações sutis a nível do sistema nervoso central ( ansiedade, a qual pode ser expressa por 
medo ou hostilidade). A diurese está pouco afetada (débito urinário de 20 a 30 ml/h). A maioria 
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desses pacientes acaba necessitando de transfusão sangüínea, mas pode ser estabilizado 
inicialmente com a reposição de outros tipos de fluídos. 
 
\uf0fc Hemorragia Classe III: ( Perda 30 a 40% volemia) 
Existe uma perda de volume aproximado de 2.000 ml no adulto podendo ser 
devastador. Os pacientes apresentam perfusão inadequada, com presença de taquicardia 
significativa, taquipnéia, alterações significativas do estado mental e queda da pressão sistólica. 
Estes pacientes quase sempre requerem transfusão, é importante lembrar que esses sintomas 
podem resultar da perda de volume menor de sangue combinada com perda de outros líquidos. A 
decisão de transfusão é baseada na resposta do doente à reposição líquida inicial e no estado de 
perfusão e da oxigenação tecidual. 
 
\uf0fc Hemorragia Classe IV: (Perda superior a 40% volemia) 
Esta perda volêmica constitui uma ameaça imediata à vida. Os sintomas incluem 
taquicardia acentuada, diminuição significativa da pressão sistólica e da pressão de pulso (ou 
pressão diastólica não mensurável). O débito urinário é desprezível e o nível de consciência está 
notadamente deprimido, a pele está pálida e fria. Os pacientes exigem transfusão rápida e 
intervenção cirúrgica imediata. As perdas volêmicas superiores a 50% determinam inconsciência, 
ausência de pulso e de pressão. 
 
Alterações Hidroeletrolíticas Secundarias a lesão de partes moles: 
Lesões extensas de partes moles e as fraturas comprometem o estado hemodinâmico de 
duas maneiras. A primeira é a perda de sangue no local da lesão, principalmente nos casos de 
extensas fraturas. Vários litros de sangue podem ser acumulados num hematoma de retroperitônio 
associado a fratura pélvica. 
O segundo fator que deve ser considerado é o edema que obrigatoriamente ocorre nas 
partes moles traumatizadas, que está relacionada à extensão das partes moles lesadas e consiste de 
líquido extracelular. Sendo o plasma parte do líquido extracelular, essas alterações têm um 
impacto significativo no volume circulatório. De modo geral a redução do volume plasmático 
corresponde a 25% do volume de líquido translocado. 
 
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Diagnóstico e Tratamento: 
\uf0d8 Abordagem Inicial do Choque Hemorrágico: 
\uf0fc Exame Físico: 
Nas situações de emergência o diagnóstico e o tratamento devem ser realizados em 
rápida sucessão, logo o exame físico é dirigido para o diagnóstico imediato das lesões que 
ameaçam a vida e inclui a avaliação do ABC. Os sinais vitais, o débito urinário e o nível de 
consciência são medidas importantes, assim que as condições do doente permitirem é realizado um 
exame mais pormenorizado. 
 
\uf0fc Vias aéreas e respiração: 
Estabelecimento de uma via aérea pérvia, para permitir ventilação e oxigenação 
adequadas, é a prioridade número um. Fornecimento suplementar de oxigênio através de sistema 
com máscara e reservatório é usado para manter os níveis de pressão parcial de oxigênio arterial 
entre 80 e 100 mmHg. 
 
\uf0fc Circulação: 
Controlar a hemorragia externa, estabelecer acesso venoso adequado, avaliar perfusão 
tecidual. 
O restabelecimento da perfusão tecidual determina a quantidade de reposição líquida 
necessária. 
 
\uf0fc Exame Neurológico: 
Um breve exame neurológico dever ser realizado para determinar o nível de 
consciência, a movimentação ocular e a resposta da pupila, a função motora e a sensibilidade. 
Esses dados são úteis na avaliação da perfusão cerebral, no acompanhamento da evolução de 
distúrbios neurológicos e na avaliação da futura recuperação. 
 
\uf0fc Exposição: 
Depois de realizadas as manobras prioritárias de reanimação, o paciente deve ser 
completamente despido e cuidadosamente examinado, como parte da pesquisa de lesões 
associadas. Ao despir o doente é essencial a prevenção de hipotermia iatrogênica. 
 
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\uf0fc Dilatação Gástrica: 
A dilatação gástrica ocorre freqüentemente no trauma e pode ser causa de hipotensão 
inexplicada. Essa entidade torna o choque de difícil tratamento e, no paciente inconsciente, 
acarreta um significativo risco de aspiração \u2013 complicação potencialmente fatal. A sonda deve ser 
bem posicionada, e conectada a um sistema de aspiração para funcionar adequadamente. 
 
\uf0fc Sonda Urinária: 
A descompressão vesical permite avaliar presença de hematúria e também realizar 
monitoração da perfusão renal, através do débito urinário. Sangue no meato uretral, hematoma de 
períneo ou próstata não palpável no homem são contra indicações à inserção de sonda trans-
uretral. 
 
\uf0d8 Acesso Vascular: 
O acesso vascular deve ser obtido imediatamente. A melhor forma é através da 
colocação de dois catéteres intravenosos periféricos (calibre mínimo #16 \u201cgauge\u201d) antes de se 
considerar qualquer possibilidade de inserção de uma via central. A Lei de Poiseuille estabelece 
que o fluxo é proporcional a quatro vezes o raio do cateter e inversamente proporcional ao seu 
cumprimento. Portanto, para infusão volêmica grande e rápida devemos usar catéteres 
intravenosos periféricos curtos e calibrosos. 
Os locais mais adequados para acesso venoso periférico em um adulto são: 
a) Acesso percutâneo, periférico em veia do braço ou antebraço. 
b) Dissecção de veia superficial do braço ou veia safena. 
 
Quando circunstâncias impedirem o uso de veias periféricas, o acesso venoso central 
estará indicado, utilizando catéteres calibrosos, introduzidos pela técnica de Seldinger. 
Em crianças menores de 6 anos, antes de proceder o acesso venoso central, deve ser 
tentada a punção intra-óssea. 
Após conseguir o acesso venoso, colhemos amostras de sangue para exames 
laboratoriais, que incluem tipagem sangüínea e prova cruzada, estudos toxicológicos, e teste de 
gravides em todas as mulheres em idade fértil. Pode-se determinar os valores dos gases arteriais 
pela gasometria. 
 
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Quando realiza-se a inserção de cateter na subclávia ou jugular interna, deve-se 
solicitar uma radiografia de tórax para documentar o posição do cateter e avaliar a presença de 
pneumotórax. 
 
\uf0d8 Reposição Volêmica Inicial: 
Na reanimação inicial utiliza-se soluções eletrolíticas isotônicas para promover a 
expansão intravascular transitória e contribuir para estabilização do volume vascular. A Solução 
de Ringer lactato é as escolha inicial. A solução salina fisiológica é a segunda escolha. 
O volume líquido inicial é administrado tão rapidamente quanto possível. A dose 
habitual é de um a dois litros no adulto, e de 20 ml/Kg em