DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020
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sendo feito em con-
junto com as bombas de infusão de insulina, com mecanis-
mos crescentes de intercomunicação, desde alarmes de hipo 
ou hiperglicemias, interrupções na infusão de insulina em 
caso de valores baixos detectados pelo sensor ou previstos 
de ocorrerem caso uma medida de ajuste não seja tomada 
(tecnologias já disponíveis), até um sistema automatizado de 
liberação automática de insulina, ainda em pesquisa e desen-
volvimento (denominado \u201csistema em alça fechada\u201d).
As bombas da Medtronic Paradigm 722 e Paradigm VEO, 
por exemplo, têm a opção de uso em conjunto com os senso-
res. Dessa forma, as medidas de glicemias são apresentadas no 
monitor da própria bomba de insulina. No caso da Paradigm 
VEO, existe ainda a função de suspensão automática da infu-
são de insulina (low glucose suspend ou \u201csuspensão por hipo\u201d).25 
Nesse sistema, as bombas recebem informações do sensor de 
monitorização contínua de glicose e, ao detectar valores glicê-
micos muito baixos, suspendem a infusão de insulina por até 2 
horas, evitando, assim, hipoglicemias severas.5,8 Esses sistemas 
também disparam alarmes quando há queda rápida das taxas 
de glicemia (os parâmetros são preestabelecidos pelo médico 
na bomba), para que o paciente seja alertado e possa fazer sua 
glicemia capilar e correções necessárias, evitando chegar a uma 
hipoglicemia severa, principalmente nos casos assintomáticos.
Figura 9. Paradigm Real-Time 722 com Minilink®. 
Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Figura 10. MiniMed 640G.
Disponível em: https://www.medtronic-diabetes.com.au/pump-therapy/640g
A bomba MiniMed 640G, da Medtronic, possui ainda a 
tecnologia chamada SmartGuard, pela qual, com base nos va-
lores de glicose enviados pelo sensor inseridos em algoritmos, 
prediz a tendência de baixos níveis glicêmicos, interrompen-
do automaticamente a infusão de insulina com 30 minutos de 
antecedência, ou seja, previamente a uma hipoglicemia. Pos-
teriormente essa infusão é automaticamente retomada quan-
do os níveis retornam aos valores normais.26
Sistemas de alça fechada
As bombas de insulina citadas anteriormente são consideradas 
\u201csistemas em alça aberta\u201d, nas quais, como mostrado, o paciente 
deve tomar decisões sobre quando checar sua glicemia capilar e o 
que fazer com essa informação (necessidade de administração de 
bolus de correção, bolus de refeição, correção de hipoglicemias etc.). 
Os estudos relacionados ao sistema chamado de \u201cpâncreas 
artificial\u201d têm ganhado cada vez mais destaque. Eles são cha-
mados de \u201csistema em alça fechada\u201d, ou seja, utilizam as infor-
mações vindas da MCG (leitura da glicemia em tempo real) 
para, por meio de complexos algoritmos \u2013 cálculos realizados 
por um software \u2013, ajustar e liberar automaticamente a quanti-
dade ideal de insulina necessária sem a necessidade de inter-
venção do paciente, ou seja, funcionando essencialmente como 
um pâncreas de forma artificial.27,28 Existem modelos em de-
senvolvimento utilizando apenas insulina, e outros conhecidos 
como bi-hormonais, nos quais se utiliza a insulina associada 
ao glucagon, que seria responsável por evitar hipoglicemias e 
contribuir mais ainda para um controle glicêmico estrito.29
A bomba de insulina Medtronic MiniMed 670G já é uma 
realidade que traz a tecnologia do sistema de alça fechada. Ela 
pode funcionar em dois modos diferentes: \u201cautomático\u201d e \u201cma-
nual\u201d. Quando no modo automático, o sistema usa um algoritmo 
capaz de ajustar automaticamente a liberação de insulina basal 
em resposta às leituras de MCG transmitidas à bomba de insu-
lina a cada 5 minutos. No modo manual, a liberação da insulina 
não é automatizada, e as taxas basais pré-programadas são in-
fundidas ao longo do dia, como nas bombas convencionais. O 
sistema automático é considerado de circuito fechado \u201chíbrido\u201d 
porque ele automatiza apenas o fornecimento de insulina basal. 
Os usuários ainda devem administrar doses de bolus para cobrir 
as refeições ou corrigir a hiperglicemia residual. O sistema re-
quer um mínimo de duas calibrações de glicose no sangue por 
medida de glicemia capilar, com mais medidas muitas vezes ne-
cessárias. Enquanto o sistema está no modo automático, existem 
92
Uso de tecnologia para melhor gerenciamento da glicemia
duas opções de alvo de glicose no sangue basal disponíveis: 120 
e 150 mg/dL.30 Estudos avaliando o sistema relataram melhorias 
no tempo dentro da faixa-alvo de glicose e diminuição dos even-
tos hipoglicêmicos em pacientes com DM1.31 Entretanto, como 
o primeiro sistema de alça fechada híbrido para comercialização, 
há limitações relacionadas ao sistema 670G que devem ser consi-
deradas, como a disponibilidade de apenas dois alvos de glicose 
não modificáveis e a incapacidade de administrar doses de cor-
reção sem adicionar dados de carboidratos.
 O sistema de alça fechada tem como objetivo melhorar o 
controle glicêmico, reduzir o risco de hipoglicemia e melho-
rar a qualidade de vida dos pacientes. Para isso, enfrenta de-
Pele
Agulha da seringa ou 
caneta
Adesivo 
hipoalergênico
Canal de injeção
Cânula \ufffdexível 6 
mm ou 9 mm
Fármaco 
administrado
A agulha não \ufffdca 
inserida na pele
10
20
Figura 11. MiniMed 670G: bomba de insulina, glicosímetro 
Contour® Next Link 2.4, que envia os resultados de 
glicemia capilar diretamente para a bomba e o sensor, e o 
transmissor Guardian Link 3, que se conecta ao sensor.
Disponível em: https://www.medtronicdiabetes.com/products/minimed-670g-insulin-
pump-system
Figura 12. i-Port Device.
Fonte: https://www.medtronicdiabetes.com/products/i-port-advance
safios, como conjugar sensores confiáveis e acurados na me-
dida da glicemia com a administração de insulina no tempo 
fisiológico correto, principalmente nos períodos de alterações 
rápidas da glicose sanguínea (como após refeições ou durante 
exercícios), além de softwares de cálculos precisos e estratégias 
de abordagem para que se atinja o controle glicêmico. 
Tecnologia no auxílio da 
administração de insulina
Dispositivos de injeção de 
insulina subcutânea
Os cateteres de entrada subcutâneos ou portas de injeção, 
como o i-Port Advance® (Medtronic MiniMed, Northridge, Ca-
lifórnia), são dispositivos inseridos no tecido subcutâneo para 
a administração direta de medicações. O i-Port Advance® é um 
dispositivo circular que possui uma agulha de inserção aplicada 
em um ângulo de 90° e em seguida retirada, ficando sob a pele 
apenas a cânula flexível que será a porta de entrada da medicação 
no tecido subcutâneo. Uma camada adesiva permite que o i-Port 
Advance® se prenda à pele e mantenha o dispositivo no lugar. Ele 
pode ser aplicado nos mesmos locais do corpo em que se aplica 
insulina diretamente por agulhas ou canetas: abdome, parte de 
trás do braço, quadris e lateral externa das coxas. Seu espaço re-
sidual é pequeno (cerca de 0,0026 mL), portanto pode ser usado 
mesmo para a administração de doses tão baixas quanto 0,5 UI 
de insulina, por meio de canetas ou seringas, desde que as agu-
lhas tenham entre 5 e 8 mm de comprimento. O I-Port Advance® 
pode ser mantido na pele por até 3 dias ou 75 injeções e utilizado 
com insulinas de ação prolongada ou rápida (sendo orientado 
aplicar a de ação rápida pelo menos 1 hora antes da lenta). Des-
sa forma, por reduzirem o número de injeções diárias, princi-
palmente no caso de pacientes em terapia de múltiplas doses de 
insulina, os dispositivos ajudam pacientes a superar problemas 
com dor, facilitando a adesão e aceitação à insulinoterapia.32-34
Um estudo avaliou o uso de i-Port em 55 pacientes (média 
de idade de 14,96 anos, 92,7% indivíduos com DM1) tratados 
com insulina. Ele mostrou que o dispositivo melhorou a adesão 
ao uso de insulina, reduziu complicações relacionadas ao diabe-
tes e a frequência de hipoglicemias. A complicação mais comum 
relatada com o i-Port foram lesões de pele no sítio de aplicação.35
Insulina inalatória
A tecnologia também se aplica à própria insulina. A insulina 
injetável foi introduzida na prática clínica