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Apostila 2019 Clínica Cirúrgica-livro 01-Quality Educação Médica - Revalida

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clínicas do 
paciente a ser submetido à mesma, cabendo ao 
anestesista decidir da conveniência ou não da práti-
ca do ato anestésico, de modo soberano e intrans-
ferível”.
CONSULTA PRÉ-OPERATÓRIA/PRÉ-ANESTÉSICA
A consulta pré-operatória/pré-anestésica 
permite:
1. Fazer interrogatório sistematizado de 
antecedentes mórbidos (alergias, doenças 
sistêmicas, uso de medicações, cirurgias 
prévias, história familiar, etc.). 
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A. Observe o paciente e avalie se ele 
está agitado ou torporoso. A agitação 
significa hipóxia e o torpor sugere hiper-
capnia.
B. Verifique se há tiragem intercostal e 
uso da musculatura acessória na ventila-
ção. Eles indicam o comprometimento da 
via aérea e ventilação.
C. Auscultar atentamente o paciente 
em busca de algum ruído anormal.
D. Palpar a traqueia e verificar se está 
em posição central do pescoço.
E. Oximetria de pulso é extremamente 
importante.
AVALIAÇÃO 
 Tipos de procedimentos cirúrgicos de acordo 
com a complexidade:
 Os pacientes assintomáticos, aqueles subme-
tidos a procedimentos do tipo A não precisam subme-
ter-se a exames laboratoriais. Já no que diz respeito 
aos procedimentos dos tipos B ou C, os exames labo-
ratoriais são frequentemente necessários.
 Alterações significativas para o risco cirúrgi-
co: desvios traqueais, compressões, massas 
mediastinais, nódulos pulmonares, aneurismas da 
Aorta, edema pulmonar, pneumonias, atelectasias, 
fraturas, dextrocardia, cardiomegalia. Essas altera-
ções são raras em pacientes assintomáticos e na 
verdade os riscos dos exames radiológicos superam 
os benefícios em menores de 75 anos (assintomáti-
cos). Sendo assim, o RX de tórax está indicado 
para:
 A. Maiores de 75 anos; 
 B. Sintomáticos;
 C. Pacientes com fatores de risco para 
doença pulmonar. 
 As seguintes alterações podem alterar a con-
duta per operatória: FA ou Flutter atrial, alterações 
de ST-T indicativas de isquemia ou TEP, ESV, ESSV, 
SVD, SVE, PR curto, QT longo, Q patológica , sinais 
de distúrbios hidreletrolíticos. As alterações do 
ECG são muito comuns e aumentam exponencial-
mente com a idade. 10% dos maiores de 40 anos e 
25% dos maiores de 60 anos possuem tais altera-
ções. Sendo assim , recomenda-se o ECG nas 
seguintes situações: 
 A. Homens acima de 40 anos submeti-
dos a procedimentos B ou C;
 B. Mulheres acima de 50 anos submeti-
dos a procedimentos B ou C 
 C. Deve-se repetir o ECG se o realizado 
foi feito há mais de 2 meses.
RECOMENDAÇÃO DE EXAMES NA 
AVALIAÇÃO PRÉ-OPERATÓRIA
RX DE TÓRAX
ECG
2. Avaliar as condições orgânicas e psíqui-
cas do paciente. 
3. Esclarecer sobre o procedimento aneste-
siológico. 
4. Solicitar exames pré-operatórios e con-
sultorias, quando necessário. 
5. Obter consentimento informado do 
paciente ou de seu representante legal. 
6. Avaliar via aérea e acesso venoso. 
7. Planejar a anestesia, a analgesia e os 
cuidados perioperatórios. 
8. Informar prognósticos, diagnósticos, 
riscos e objetivos ao paciente ou ao represen-
tante legal. 
9. Melhorar o fluxo de cirurgias nos centros 
cirúrgicos. 
A – Procedimento minimamente invasivo 
Baixo potencial para causar alterações da fisiología normal 
Moderado potencial para alterar a fisiologia normal
Tipicamente produz alteração da fisiologia normal 
Pode requerer hemotransfusão, monitorização invasiva ou 
CTI no pós operatório
Quase sempre requer hemotransfusão, monitorização 
invasiva CTI no pós operatório
Raramente relacionado com morbidade ligada ao procedi-
mento anestésico 
Raramente requer hemotransfusões, monitorização invasiva 
ou CTI no pós operatórioanestésico 
B – Procedimento moderadamente invasivo 
C – Procedimento altamente invasivo 
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CLÍNICA CIRÚRGICACLÍNICA CIRÚRGICA
AVALIAÇÃO DO RISCO CIRÚRGICO
 A policitemia é um fator que aumenta o risco 
cardiovascular dos pacientes. Não existe evidência de 
que a anemia normovolêmica aumente o risco cardio-
vascular. Não há dados que confirmem que o tratamen-
to pré-operatório da anemia leve a moderada altere a 
morbidade ou a mortalidade per operatória. Níveis de 
Hb acima de 8,0 são considerados aceitáveis. Não há 
também dados na literatura que relatem aumento da 
morbimortalidade peri operatória relacionado a altera-
ções do leucograma no pré-operatório. Os níveis arbi-
trariamente aceitos são os seguintes: Hematócrito – 
29 a 53% para homens e 27 a 54% para mulheres. 
Leucograma - 2400 a 16000. Valores fora destes 
limites merecem avaliação específica. Assim conclui-
-se que o leucograma é raramente útil no pré-operató-
rio. O eritrograma está indicado nas seguintes situa-
ções: (para procedimentos dos tipos B e C.
 A. Pacientes sintomáticos;
 B. Acima de 64 anos de idade. 
HEMOGLOBINA, HEMATÓCRITO E LEUCOGRAMA
 Não devem ser rotineiramente solicitados. 
Devem ser pedidos de acordo com a história clínica
 Os riscos envolvidos durante a realização de 
procedimentos cirúrgicos dependem de fatores 
próprios do paciente e do tipo de procedimento cirúr-
gico a que será submetido. Os preditores importan-
tes da mortalidade e morbidade pós-operatória 
incluem idade do paciente, estado físico, como o defi-
nido pela ASA, porte (maior ou menor) e natureza da 
cirurgia (emergência ou eletiva).
FATORES DE RISCO DE INFECÇÃO
 Os protocolos para prevenção de infecção através 
de antibióticos com uso profilático objetivam diminuir a 
morbidade e mortalidade associada com infecção de sítio 
cirúrgico, bem como a seleção adequada e o momento de 
administração desses antibióticos. De 2% a 5% dos 
pacientes submetidos a cirurgias limpas extra-abdominais 
e até 20% das cirurgias abdominais desenvolvem infecção 
de ferida operatória. A antibioticoterapia profilática deve 
ser baseada na avaliação dos benefícios em relação aos 
possíveis efeitos adversos. A utilização inadequada do 
antibiótico profilático eleva o índice de infecção, implica 
um custo desnecessá- rio e pode produzir ou piorar os 
efeitos da resistência bacteriana. A antibioticoterapia profi-
lática não previne infecção respiratória ou urinária.
HIV E BETA HCG 
 Os exames bioquímicos cujos resultados são capa-
zes de alterar a conduta são as provas de função hepática e 
renal. 2 a 10% dos pacientes submetidos a screenings têm 
alterações laboratoriais que em 80% dos casos são 
desprovidas de significado. Quando essas alterações signi-
ficativas ocorrem, 70% referem-se à glicemia e à uréia. As 
dosagens de uréia e glicose estão indicadas para os 
pacientes acima de 65 anos. TGO e TGP devem ser solici-
tadas se há preocupação com problemas legais ligados à 
icterícia pós-anestésica. Alterações na urina-rotina são 
comuns mas não costumam alterar a conduta. Muitas das 
alterações da urinálise podem ser antecipadas pela anam-
nese . O coagulograma está indicado para pacientes com 
história de sangramento; Seu valor nunca foi demonstrado 
para assintomáticos. Nenhum paciente na literatura benefi-
ciou-se inequivocamente com testes de coagulação no 
pré-operatório (como screening). Além disso, exames de 
coagulação pré-operatórios não servem para predizer 
sangramentos aumentados no per operatório.
EXAMES BIOQUÍMICOS. PROVAS DE 
COAGULAÇÃO E URINA-ROTINA 
ASA 
1
2
3
4
5
6
Caracterização
Saúde normal
Doença sistêmica leve, ex. HAS
Doença sistêmica grave, não incapacitante
Doença sistêmica grave, incapacitante, com 
ameaça grave a vida
Paciente moribundo, com expectativa de sobrevi-
da mínima, independente da cirurgia. 
Doador de órgãos
Cirurgia de emergência acrescenta-se a letra “E” após cada 
classificação do estado físico.
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COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIA
 Nas primeiras 48 horas de pós-operatório 
pode-se observar elevação da temperatura até 38ºC 
consequente à elevação do metabolismo e ao trauma 
cirúrgico. A atelectasia