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Apostila 2019 Clínica Cirúrgica-livro 01-Quality Educação Médica - Revalida

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por trauma contuso e o fígado em 35 a 
45%. Menos frequentemente, as vísceras ocas podem 
ser lesadas no trauma contuso.
 Os agentes penetrantes propiciam lesões de 
forma direta, em função de sua trajetória e das estrutu-
ras que atravessam. A trajetória é limitada aos órgãos 
anatomicamente adjacentes à lesão nos ferimentos por 
arma branca, enquanto que os ferimentos por projéteis 
de arma de fogo podem apresentar trajetórias diversas, 
além de provocarem lesões teciduais pela força de cavi-
tação.
 Os ferimentos por arma branca acometem mais 
frequentemente o fígado (40%), intestino delgado 
(30%), diafragma (20%) e cólon (15%). 
 Os ferimentos por arma de fogo causam mais 
danos intra-abdominais devido à extensão da sua traje-
tória e a maior energia cinética dissipada, tendo como 
principais lesão, o intestino delgado (50%), cólon 
(40%), fígado (30%) e estruturas vasculares abdomi-
nais (25%). Todo paciente traumatizado deve ser atendi-
do seguindo-se a sistematização do exame primário do 
Advanced Trauma Life Support (ATLS).
 Esta fase somente será iniciada após a estabi-
lização respiratória e
circulatória do paciente. Este deve ser repetidamente 
reavaliado (ABCD).
Na avaliação secundária o paciente é examinado dos 
"pés à cabeça".
A sigla AMPLA é uma maneira de lembrar os princi-
pais pontos a serem avaliados.
TRAUMA ABDOMINAL
TRAUMA PENETRANTE
TRAUMA CONTUSOS
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA
AlergiasA
M
P
L
A
Medicamentos
Passado de doenças
Líquidos e alimentos ingeridos
Acidente (relato do ocorrido)
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CLÍNICA CIRÚRGICACLÍNICA CIRÚRGICA
-
-
EXAME FÍSICO
A. Via aérea com imobilização de 
coluna
B. Ventilação/respiração
C. Circulação
D. Avaliação neurológica
E. Exposição.
Primeiro passo consiste na avaliação
primaria:
Observar a presença de escoriações, con-
tusões, hematomas localizados e feri-
mentos abertos.
Inspeção:
Presença ou ausência de ruídos hidroaére-
os.
Ausculta:
Presença ou ausência timpanismo (dilata-
ção gástrica) ou macicez difusa (hemoperi-
tônio).
Percussão:
Defesa involuntária (irritação peritoneal), 
dor superficial ou profunda e dor à descom-
pressão brusca.
Palpação:
Buscando fratura pélvica.
Compressão manual das cristas 
ilíacas:
Tem o objetivo de avaliar se há presença de 
sangue na luz retal (perfuração de intesti-
no) e atonia esfincteriana.
Toque retal:
Sangue no meato uretral (lesão de uretra).
Exame do pênis:
Sinais de violência sexual e sangramentos.
Exame vaginal:
AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA
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 Tomografia pode ser utilizada porem somente 
em pacientes estáveis, serve para detectar a presença 
de líquido livre intra-abdominal e verificar a extensão 
de lesões. 
Figura ilustra os locais onde devemos examinar com a ultrassonagrafia 
de fast.
 De 50-60% dos pacientes tem indicação de 
cirurgia, porem nos pacientes com grandes chances 
de óbito a conduta é executar damage control = cirur-
gia de controla de danos. Que tem como objeto con-
trolar hemorragias e estabilizar o paciente. Os traumas 
abdominais em sua grande extensão são solucionados 
através de cirurgias.
EXAMES 
COMPLEMENTARES
É a instalação de sonda gástrica e sonda 
vesical (menos em casos de lesão uretral 
constatada).
Medidas auxiliares:
Auxilia na detecção de líquido livre na 
cavidade peritoneal.
Ecografia ou FAST:
Serve para detectar presença de hemorra-
gia ou de ruptura de víscera oca. Invasivo, 
rápido, sensibilidade de 98% em hemope-
ritônio.
Lavagem Peritoneal Diagnóstica
(LPD) :
• Hipotermia, que gera arritimias, 
diminuição do debito cardíaco e aumento 
da resistência vascular sistêmica.
• Coagulopatia, resulta desequilí-
brio entre o tromboxano e prostaciclina.
• Acidose metabólica, causada pelo 
aumento do lactato ( ph <7,2 ).
Sempre devemos evitar a tríade da 
morte :
INSTÁVEL
Hemodinamicamente
Sinais de 
peritonite
FAST ou LPD TAC Abdome
Lesão de
ÓRGÃO SÓLIDO
Sinais de lesão
de víscera oca
Procurar outra
causa para 
instabilidade
Considerar possibilidade de
TRATAMENTO NÃO
OPERATÓRIO
LAPAROTOMIA
POSITIVO NEGATIVO
ESTÁVEL
Hemodinamicamente
TRAUMA ABDOMINAL FECHADO
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CLÍNICA CIRÚRGICACLÍNICA CIRÚRGICA
-
-
 É uma urgência causada pela entrada de ar 
dentro da pleura.O pneumotórax hipertensivo é uma 
forma grave de pneumotórax, que pode levar o pacien-
te à morte em poucas horas. O objetivo é tratar imedia-
tamente o paciente.
 O pulmão se colapsa e faz com que o mediasti-
no e traqueia migram para o lado sano, assim causando 
diminuição do murmúrio vesicular, hipertimpanismo e 
macicez a percussão do tórax.
 Toracocentese; com uma agulha de grosso 
calibre no segundo espaço intercostal facilmente 
palpável na línea M clavicular. Essa é uma medida de 
alívio imediato para poder garantir a permeabilidade da 
via aérea.
 É produzido por uma ferida penetrante do tórax. 
O ar no espaço pleural não participa do processo de 
troca gasosa e leva rapidamente o paciente a um 
quadro de insuficiência respiratória aguda.
 O paciente apresenta dificuldade para respirar 
e deformidade torácica além de dor.
 Cobrir o ferimento com curativo de material 
impermeável possuindo três pontos de fixação, que 
funciona como válvula unidirecional.
LESÕES QUE MATAM
MAIS RÁPIDO
Todo politraumatizado merece suplemen-
tação de O2 por cânula ou intubação.
Trauma torácico :
PNEUMOTORAX 
HIPERTENSIVO
PNEUMOTORAX 
ABERTO
QUADRO CLINICO
QUADRO CLINICO
 O tratamento se baseia em uma punção 
descompressiva.
TRATAMENTO
TRATAMENTO
A figura demonstra o procedimento de toracocentese.
A figura demonstra o curativo de 3 pontas.
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 É causado por uma contusão pulmonar de 
grande impacto, com fratura de 2 arcos costais ou 
mais. A instabilidade torácica gerada pelo trauma 
compromete a função ventilatória normal, por reduzir a 
capacidade do tórax de gerar uma pressão negativa 
intratorácica durante a inspiração e de gerar uma pres-
são positiva durante a expiração.
 Dor intensa, respiração paradoxal, dispneia e 
crepitações perceptíveis a palpação do tórax.
 Analgesia vigorosa e eficiente é a prioridade no 
tratamento, podendo ser usados desde antiinflamató-
rios não-hormonais, opiáceos e derivados, bloqueios 
intercostais, até mesmo peridural torácica.
 A assistência ventilatória deve ser instituída 
desde suplementação de O2 até ventilação mecânica 
com pressão positiva para manter PO2 acima de 60 
mmHg e PCO2 abaixo de 48 mmHg.
• Hipofonese de bulhas cardíacas
• Ingurgitação jugular
• Hipotensão arterial
O diagnóstico se faz pela tríade 
de beck :
TORAX INSTÁVEL
 Considera-se hemotórax maciço o acúmulo de 
1.500 ml ou mais de sangue na cavidade torácica, ou 
um terço da volemia, causados geralmente por ferimen-
tos penetrantes que lesionam os vasos sistêmicos.
 O tratamento do hemotórax maciço consiste em 
reposição volêmica e descompressão da cavidade torá-
cica através da drenagem. 
 Nos casos em que houver drenagem de aproxi-
madamente 1500 ml imediatamente a colocação do 
dreno, ou drenagem superior a 200 ml/h durante duas 
ou mais horas, está indicada a toracotomia de urgência.
 O saco pericárdico é uma estrutura fibrosa 
inelástica, por isso uma pequena quantidade de líquido 
pode ser suficiente para restringir o enchimento cardía-
co.
 Ocorre mais comumente em ferimentos pene-
trantes, porém em traumas contusos também pode 
estar presente.
 No quadro clinico apresenta pulso paradoxal e 
sinal de kussmaul.
HEMOTORAX MACIÇO
TAMPONAMENTO
CARDÍACO
QUADRO CLINICO
TRATAMENTO
TRATAMENTO
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CLÍNICA CIRÚRGICACLÍNICA CIRÚRGICA
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 É a causa mais frequente de morte súbita após 
colisões automobilísticas ou quedas de grandes