Teoria da Relação Jurídica 2 UNICURITIBA Prof. Rainer
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Teoria da Relação Jurídica 2 UNICURITIBA Prof. Rainer

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Teoria da Relação Jurídica 2 \u2013 2º Bimestre
Vícios de Vontade
Circunstâncias que prejudicam ou impedem que a manifestação de vontade ocorra normalmente, podendo ocasionar a anulação do Negócio Jurídico.
· Erro ou Ignorância (art. 138-144)
- Erro & Ignorância: Erro é caracterizado pela falsa percepção da realidade. Ignorância, por sua vez, é o completo desconhecimento da realidade sobre circunstâncias de um negócio jurídico.
- Erro e Ignorância têm seus efeitos equiparados no Código Civil.
- O erro permite a anulação do negócio jurídico na medida em que influencia a vontade do agente que, se tivesse noção exata da realidade não a manifestaria ou a manifestaria de outra maneira. 
-Erro Substancial (art.138): é aquele de tal importância que, sem ele, o ato não se realizaria. Se o agente conhecesse a verdade, não manifestaria vontade de concluir o negócio jurídico. 
-> Características do Erro Substancial:
Art. 139: \u201cO erro é substancial quando:
I- Interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais;
II- Concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde que tenha fluído nesta de modo relevante;
III- Sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico.\u201d
*- Incisos I e II: erros de fato \u2013 recaem sobre objeto, qualidade e pessoa.
A. Erro quanto à natureza (error in negotio): confusão entre conceitos jurídicos. Há discrepância entre o significado objetivo do ato e o significado que lhe atribuiu, subjetivamente. Pretende o agente praticar um ato e pratica outro.
-Exemplo: locação e comodato/ locação e lensing.
B. Erro quanto ao objeto (error in corpore): confusão que incide sobre a identidade do objeto (marcas, modelos, raças). 
C. Erro quanto a qualidade (error in substantia): confusão em relação a qualidade material do objeto (vidro, plástico, ouro, cobre).
D. Erro quanto à pessoa: erro em relação ao destinatário como também ao beneficiário essencial para a realização do negócio. Tem especial importância no casamento, doações e testamentos. 
E. Erro de direito: má compreensão do que a lei diz, autoriza ou proíbe em determinada situação. 
Obs.: a alegação de ignorância da lei NÃO é admitida quando apresentada como justificativa para o seu descumprimento (art. 3º, LINDB) \u2013 aplicação excepcional.
- Erro quanto ao motivo do Negócio Jurídico (art.140): vicia a declaração de vontade apenas quando expresso como razão determinante do negócio.
-Transmissão errônea da vontade (art.141): se o declarante não se encontra na presença do declaratório e se vale de interposta pessoa (mensageiro, núncio) ou de meio de comunicação (fax, email, etc.) e a transmissão da vontade, nesses casos, não se faz com fidelidade, estabelecendo divergência entre o querido e o que foi transmitido erroneamente (mensagem truncada), caracteriza-se o vício que propicia a anulação do negócio. 
Obs.: NÃO faz referência a representação. 
+ Arts. 142 a 144: princípio da conservação \u2013 não se inválida o negócio. 
-Erro na indicação de pessoas ou coisas (art.142): o erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir à declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. 
-Erro Acidental/de Cálculo (art.143): não acarretam efetivo prejuízo, ou seja, a qualidades secundárias do objeto ou da pessoa. Se conhecida a realidade, mesmo assim o negócio seria realizado, pois se permite a ratificação da declaração de vontade.
- Convalescimento do erro (art.144): o destinatário (declaratório) de uma manifestação de vontade equivocada concorda em ratificar o negócio jurídico.
Exemplo: João penso que comprou o lote n. 2 da quadra A, quando na verdade, adquiriu o da quadra B, mas antes de anular o negócio o vendedor faz a retificação da compra.
- Erro escusável/ desculpável: um equívoco que qualquer pessoa de diligência normal poderia ter cometido/percebido.
-Erro real: para invalidar o negócio o erro deve ser real, isto é, efetivo, causador de prejuízo concreto para o interessado. 
- Distinção entre Erro e Vício redibitório: o Erro é vício de vontade, o indivíduo se equivoca sobre as circunstâncias do negócio (conceito subjetivo). Já o Vício redibitório é um defeito oculto da coisa que a torna imprópria ao uso ou diminui seu valor (conceito objetivo).
Exemplo: Se alguém adquire um relógio que funciona perfeitamente, mas não é de ouro, como o adquirente supunha (e somente por isso adquiriu), trata-se de erro quanto à qualidade essencial do objeto. Se, no entanto, o relógio é de ouro, mas não funciona em razão de algum defeito, a hipótese é de vício redibitório.
· Dolo (art.145 a 150)
-Artifício ou expediente astucioso, empregado para induzir alguém à prática de um ato que o prejudica, e aproveita ao autor do dolo ou a terceiro. Consiste em sugestões ou manobras maliciosamente levadas a efeito por uma parte, a fim de conseguir da outra uma emissão de vontade que lhe traga proveito, ou a terceiro.
-Não é necessário para a caracterização do dolo, o prejuízo econômico.
-Em regra, ocorre em negócios jurídicos bilaterais, mas pode ocorrer em unilaterais.
- Só é requisito o negócio jurídico ser bilateral, nos dolos omissivos (art.147)
- Distinção entre Dolo e Fraude: a fraude se consuma sem a participação pessoal do lesado no negócio. No dolo, este concorre para a sua realização, iludido pelas referidas manobras. 
+Dolo: conceito específico/ restrito \u2013 Fraude: conceito amplo
- Duplicidade de regimes jurídicos no Direito Brasileiro:
CCB: conceito de dolus bonus (retórica exagerada típica em vendas)
CDC: desaparecimento do conceito de dolus bonus (art.36-38)
-> Classificação de Dolo:
1)Quanto a extensão: 
A. dolo principal (determinante/causal): a indução da parte em erro foi a causa determinante do negócio jurídico. Causa a anulação do negócio (art.145). 
B. dolo acidental (incidental/secundário): a indução da parte em erro não foi determinante para a realização do negócio jurídico. Gera a indenização de perdas e danos (art.146).
2)Quanto a atuação do agente:
A. dolo comissivo: o agente constrói o ardil, declara a mentira, falsifica documentos para induzir a parte em erro.
B. dolo omissivo: abstenção maliciosa. Infração ao dever de informar. Característica apenas nos negócios jurídicos bilaterais, sem a informação o negócio não seria celebrado (art.147, CC & art.46, CDC)
- Dolo de terceiro (art.148): 
A: parte que tira proveito
B: vitima do dolo
C: terceiro \u2013 agente que cometeu o dolo. Interesse indireto (parente/amigo de A)
1º possibilidade> se A tivesse ou devesse ter conhecimento da conduta de C, o negócio é anulável. (padrão do comportamento do homem médio)
2º possibilidade> se A não tivesse ou nem devesse ter conhecimento da conduta de C, o negócio subsiste. C deve apenas indenizar a vítima (B) pelos danos causados.
- Dolo na representação (art.149):
A: representado \u2013 se aproveita do erro de B
C: representante \u2013 agente indutor/causador do erro
B: outra parte \u2013 vitima do dolo
1) Representação legal:
Pai: representante \u2013 Filho: menor representado 
* venda de um imóvel do filho/ indução do comprador ao erro (falsidade documental)
+ a responsabilidade civil pelos prejuízos causados a outra parte em regra é do representante. Excepcionalmente o representado responde, apenas em casos em que o mesmo tire algum tipo de proveito.
2) Representação voluntária (convencional): representante e representado são solidariamente responsáveis pelos prejuízos causados a outra parte.
Exemplo: procuração (art.275)
- Dolo recíproco (art.150): cada uma das partes tenta enganar ou ludibriar a outra. Ambas perdem o direito de anular o negócio ou reclamar perdas e danos.
Observações:
- dolo omissivo (negativo) ~ dolo comissivo (positivo)
- dolo recíproco \u2013 dolo de ambas as partes. Distinto de simulação \u2013 na simulação há um vínculo entre as partes para lesionar terceiros. 
· Coação (art.151 a 155)
- Uso da violência tolhendo/tirando/restringindo