Resumo: Tentativa - Desistência da Tentativa - Do concurso de Pessoas - Teorias da participação - Teorias da Pena
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Resumo: Tentativa - Desistência da Tentativa - Do concurso de Pessoas - Teorias da participação - Teorias da Pena


DisciplinaDireito Penal II13.684 materiais302.423 seguidores
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Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC
Departamento de Ciências Jurídicas \u2013 DCJur
Curso De Direito 
 Disciplina: Direito Penal II
	Esquematização Assunto 1º Crédito
	Preto: Anotações + Textos
Azul: Código 
1. DA TENTATIVA (art. 14, II): 
A teoria da tentativa tem por objetivo esclarecer o conceito de início de execução, que marca o começo da punibilidade do tipo de injusto e indica a separação entre ações preparatórias, ainda impuníveis por causa da indefinição de seu significado típico, e ações executivas, já puníveis pela definição de seu significado típico como tentativa de crime.
Art. 14, II, Código Penal:
\u201cDiz-se o crime:         
I - Consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal 
Tentativa
II - Tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente\u201d
1.2. O iter crimines (art. 14) 
Iter criminis é uma expressão em latim, que significa "caminho do crime", utilizada no direito penal para se referir ao processo de evolução do delito, ou seja, descrevendo as etapas que se sucederam desde o momento em que surgiu a ideia do delito até a sua consumação.
Cogitação: Fase interna, diz respeito a ideação de uma atividade criminosa. \u201cA simples cogitação não é punida, pois não há ofensa ao bem jurídico. Punir a cogitação significaria vulneração ao princípio da lesividade.\u201d (Salim e Azevedo, 2017).
Preparação: Em regra, é penalmente irrelevante. Todavia, será relevante em duas circunstâncias: quando o legislador prevê ato preparatório como crime (art. 291, falsificação de moeda); ou quando este por si só já é considerado crime (art.288, associação criminosa; portar ilegalmente arma de fogo; art. 5 da Lei de terrorismo).
Execução: O fato, geralmente, somente passa a ser punido com o início da execução. Existem alguns critérios para indicar o momento do início dos atos executórios, mas não há consenso sobre qual deles seria o melhor. (Salim e Azevedo, 2017)
Consumação: Reunião de todos os elementos do tipo penal (art. 14, I).
Exaurimento: Erroneamente definido como etapa; proveito posterior proveniente da consumação do delito. Será penalmente relevante para fins de dosimetria da pena.
Há ainda o Exaurimento, que pode ou não ocorrer, dependendo do tipo penal realizado.
1.3 Por que punimos a tentativa? 	
a) se o Direito Penal tem por objetivo a proteção de bens jurídicos, então a punibilidade da tentativa tem por fundamento o perigo para o bem jurídico protegido no tipo penal, segundo a teoria do autor; 
b) se o Direito Penal tem por tarefa estabilizar as expectativas normativas da população, então o fundamento da punibilidade da tentativa seria o abalo da confiança jurídica da comunidade, segundo a teoria da impressão.
Art. 14, parágrafo único. Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.
1.4 Fundamentos da punibilidade:
Em relação ao fundamento da punibilidade da tentativa, três teorias disputam prioridade:
Teoria objetiva \u2013 Para esta teoria, o fundamento da punibilidade está no perigo ao bem jurídico. É a teoria compatível com o Código penal brasileiro, assim como disposto no artigo 17:
\u201cNão se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.\u201d
Teoria subjetiva \u2013 Para esta teoria, o fundamento da punibilidade residiria numa espécie de vontade criminosa do autor. É incompatível com o Código Penal brasileiro, bem como pouco recomendada em razão de habilitar a possibilidade de punição da preparação e da cogitação.
Teoria da impressão \u2013 Para esta teoria, o fundamento da punibilidade reside no caráter desestabilizador que a ação provoca na sociedade.
1.5 Crimes de atentado; Casos Excepcionais
Nos denominados crimes de atentado pune-se a tentativa de igual modo ao ato consumado. Só ocorre em casos excepcionais.
Exemplo: 
\u201cArt. 352/CP - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa: Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.\u201d
Existem casos em que se pune a tentativa, mas não se pune a consumação, por razões óbvias. Como, por exemplo, a Lei 7170/83 (Lei de Segurança Nacional: Art. 11 - Tentar desmembrar parte do território nacional para constituir país independente).
1.6 O tipo da tentativa
1. Dolo (com exceção da culpa imprópria)
2. Início da execução
3. Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente.
1.7 Limites da tentativa, as teorias
Teoria Subjetiva ou do plano concreto do autor
Há tentativa quando o ato, no plano concreto do autor, significar para este um ato de execução.
Teoria objetiva ou objetivo-formal ou formal
É a teoria adotada pela doutrina brasileira. Doutrina e jurisprudência, desorientadas e assistematicamente tendem a considerar a execução o início da realização do núcleo do tipo.
\u201cA execução é iniciada com o início da conduta típica, que ocorre com o começo da realização do verbo descrito no tipo (ex.: início da subtração no furto). Segundo doutrina majoritária, trata-se do critério adotado pelo Código Penal. O critério formal não é capaz de solucionar todas as hipóteses, uma vez que há casos em que é evidente o início da execução, a despeito de o agente ainda não ter realizado o verbo típico.\u201d (Salim e Azevedo, 2017)
Teoria objetivo-material
Há início da execução quando o agente executa atos imediatamente anteriores à execução do núcleo do tipo.
\u201cDiante da insuficiência da teoria objetivo-formal, a doutrina buscou complementá-la com o caráter material, formulação esta denominada de teoria objetivo-material. Segundo Zaffaroni e Pierangeli, a referida teoria, para complementar a teoria objetivo-formal, utiliza o \u2018perigo para o bem jurídico e a inclusão das ações que, por sua vinculação necessária com a ação típica, aparecem, segundo uma concepção natural; como parte integrante dela\u2019. Admite-se a existência de um campo prévio antes da consumação que envolve ações que não sejam estritamente típicas. É possível que haja início da execução ainda que a ação praticada não seja necessariamente a ação descrita no tipo.\u201d (Salim e Azevedo, 2017)
Obs.: o STJ, no Resp. 1252770, j. 24/03/2015, utilizou desse referencial para decidir o recurso. No caso, os agentes "mediante complexa logística, escavaram por dois meses um túnel de 70,30 metros entre o prédio que adquiriram e o cofre da instituição bancária, cessando a empreitada, em decorrência de prisão em flagrante, quando estavam a 12,80 metros do ponto externo do banco".
Teoria do Perigo
Há início da execução quando o bem jurídico tutelado pelo tipo é exposto a perigo de lesão.
Teoria dos atos intermediários
Há início da execução quando o autor não precisar realizar nenhum ato essencial à execução do núcleo do tipo.
1.8 Espécies de tentativa
Tentativa acabada: esgota-se todo o potencial lesivo e mesmo assim não há a consumação do delito.
Tentativa inacabada (frustração): A ação é interrompida, sem esgotar-se todo o potencial lesivo, por circunstâncias alheias a vontade do agente.
Tentativa branca (incruenta): O bem jurídico não é afetado.
Tentativa vermelha (cruenta): O bem jurídico é afetado.
1.8 Tentativa inidônea ou crime impossível
\u201cArt. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.\u201d
Atenção aos requisitos destacados: a ineficácia absoluta do meio ou a absoluta impropriedade do objeto.
1.9 Infrações que não admitem a tentativa
Crimes culposos: são incompatíveis com a tentativa, uma vez que o agente não persegue o resultado, isto é, não se pode tentar o que não se quer. Entretanto, poderá haver tentativa na chamada "culpa imprópria" (art. 20, § l', parte final), pois na verdade trata-se de uma conduta dolosa com aplicação da pena do crime culposo. Essa matéria é analisada no capítulo "erro de tipo".
Crimes preterdolosos ou preterintencionais: como o resultado