Matéria Direito Internacional Privado
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Matéria Direito Internacional Privado


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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 
INTRODUÇÃO
FUNÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
Resolver conflitos de leis decorrentes de uma relação jurídica com conexão internacional. Ver qual lei aplica-se em cada caso, qual o direito aplicado (nacional ou estrangeiro). 
Relação Jurídica: qual lei aplicar?
Conflito de leis decorrente de uma relação jurídica com conexão internacional 
Brasil \u2013 Brasil // Brasil \u2013 Argentina 
Pergunta da prova: Existe exceção ao princípio da extraterritorialidade? Sim, pois o Juiz pode julgar um caso dentro do Brasil de acordo com uma lei estrangeira.
Segundo Gustavo Bregaldo existe devido dois fatores:
1 - SOCIEDADE TRANSNACIONAL: as fronteiras físicas já não significam mais tanta coisa. Há uma diversidade legislativa (ex. casamento, uma forma em cada lugar, mesmo que a sociedade esteja mais próxima uma da outra, cada país continua tendo sua legislação tratando do mesmo assunto de formas diferentes). 
2 \u2013 DIVERSIDADE LEGISLATIVA: cada país tem a sua legislação, ou seja, temos uma diversidade legislativa. Existem leis diferentes que tratam do mesmo assunto, por isso há um conflito de lei. 
O que pode gerar conflito de leis! 
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO: disciplina jurídica da sociedade internacional. Princípios e regras voltado à atuação da sociedade internacional (sujeitos, estados, organizações, indivíduos...). 
Suas normas são chamadas normas diretas = regulamentam diretamente as condutas dos sujeitos envolvidos. 
DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO: disciplina/ramo do direito que resolve conflitos de lei decorrentes de uma relação jurídica com conexão internacional. 
Suas normas são chamadas normas indiretas/indicativas = não resolvem o caso concreto, apenas indicam o direito aplicado (nacional ou estrangeiro).
FONTES:
Internacionais/externas (já foram estudadas em D.I.P)
Nacionais/internas:
1- Constituição Federal (Art. 4º CF/88 = princípios que regem as relações internacionais da RFB, princípios que devem ser analisados durante as políticas externas). Operação entre os povos para o progresso da humanidade. 
Essência do Direito Internacional Privado: respeito à diversidade jurídica. Evitar uma visão xenófoba. 
- Recusa sem motivo: aplicação da lei estrangeira, submissão à jurisdição estrangeira, cooperação jurídica internacional = INCONSTITUCIONAIS 
- extradição: carta rogatória, homologação da decisão estrangeira (quando a CF apresenta as competências do STJ) 
2- LINDB: Art. 7º ao 18 (Imprimir). Fala de casamento, bens, obrigações, sucessões.
3- CPC: competência internacional; cooperação jurídica internacional
4- Lei 9.307/96 (lei de arbitragem) 
APLICAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO
NORMA: 
- objeto de conexão: tema/assunto/matéria: indicar qual critério (direito nacional ou estrangeiro)
- elemento: critério: indicar qual critério (direito nacional ou estrangeiro)
Art. 7º, \u201ccaput\u201d, LINDB: 
-objetos de conexão: começo e fim da personalidade, nome, capacidade, direitos de família
-elemento de conexão: domicílio (na prova chuta esse que a chance é maior porque é o que mais tem
- Se for capacidade: o elemento é domicílio, então analisa na lei de acordo com o domicílio da pessoa. É o elemento de conexão. 
Art. 8º, \u201ccaput\u201d, LINDB
Objeto de conexão: bens 
Elemento de conexão: lei de país onde o bem está situado
Art. 10, caput 
- objeto de conexão: sucessões 
- elemento: lei do país onde o de cujus morava 
INSTITUTOS BÁSICOS DO DIREITO INTERNACIONAL - que auxiliam na correta aplicação do direito.
- objeto de conexão: assunto que se trata a norma
- elemento de conexão: critério de aplicação
a) Qualificação: delimitação do objeto de conexão. Primeiro se verifica qual é o assunto discutido para depois aplicar o elemento de conexão (ex. questão da capacidade domicílio). 
b) Reenvio: \u201cum direito joga a bola para o outro\u201d, exemplo: país A diz que se aplica naquele caso o direito do país B, mas o país B diz que o direito a ser aplicado é o do país A ou de um país C. 
Seguindo o exemplo, de A \u2013 B é chamado de reenvio de primeiro grau, de B \u2013 C é chamado de reenvio de segundo grau. 
Para se resolver essa situação no Brasil, devemos observar o artigo 16 da LINDB \u2013 \u201cquando, nos termos dos artigos precedentes, se houver de aplicar a lei estrangeira, ter-se-á em vista a disposição desta, sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei\u201d.
No Brasil é PROIBIDO o reenvio de primeiro grau. Em um caso brasileiro, se um país estrangeiro reenviar o juiz deve ignorar, pois é proibido. 
c) Ordem pública: se o direito estrangeiro ofender a ordem pública brasileira ele não será aplicado no Brasil \u2013 doutrina diz que ordem pública são as regras de um país. Exemplo: leis estrangeiras que remetem a tortura. 
d) Direito adquirido: uma vez preenchido seus requisitos o sujeito não pode perder esse direito, esse direito acompanha a pessoa aonde é que ela vá, o direito adquirido no estrangeiro deve ser respeitado em outros países. Em regra se respeita o direito adquirido, mas ele não produzirá efeitos no Brasil, se for contrario a ordem pública. Exemplo: poligamia, em muitos países é aceito, mas o sujeito não poderá se casar novamente no Brasil. Os casamentos anteriores serão respeitados, o que não pode é casar de novo.
VERIFICAÇÃO E PROVA DO DIREITO ESTRANGEIRO
Estando o magistrado diante de um caso de direito internacional privado, o mesmo deverá decidir se é aplicável o direito brasileiro ou o estrangeiro, e, verificando a inaplicabilidade da norma brasileira, determinará qual a legislação estrangeira aplicável àquele caso concreto. A aplicação da lei estrangeira pelo juiz pode ser dar ex officio, quando dela tenha conhecimento e mesmo sendo está contra a vontade das partes.
Nos casos em que desconhecer a norma estrangeira, já que não é obrigado a conhecê-la e nem tem o dever de prová-la, é permitido ao juiz, pelo art. 14 da LINDB, reclamar a prova do direito estrangeiro de quem a alega, tendo o juiz o dever de inteirar-se das normas mesmo quando não fornecida pelas partes.
A observância do direito estrangeiro, seja ex officio pelo juiz ou quando invocado pela parte litigante, poderá se dar das seguintes formas: a) o magistrado deverá aplicar a lei estrangeira, mesmo sem alegação e prova da parte interessada, sempre que o direito privado (lex fori) julgar competente aquela lei; b) se o juiz não conhecer o direito estrangeiro poderá exigir prova da parte a quem aproveita (CPC, art. 337); c) o interessado, sem a provocação do juiz, poderá alegar a lei que lhe é aplicável, propondo-se a provar sua existência e conteúdo e d) o órgão judicante poderá de ofício investigar a norma estrangeira alegada pela parte, se a prova apresentada não o convencer, não estando o mesmo adstrito às afirmações ou provas produzidas por ela.
Nos casos em que, mesmo tomando todas as providências necessárias, seja impossível determinar com segurança qual o direito alienígena deva ser aplicado, os juristas têm apontado algumas soluções, como: a) a conversão do julgamento em diligência; b) o julgamento do litígio contra a parte que alegou o direito estrangeiro e não demonstrou o mesmo; c) a aplicação do ius communis vigente no fórum, na falta de prova concludente do direito alienígena; d) rejeição da demanda fundada em tal lei, julgando a ação improcedentes; e) a decisão conforme a norma provavelmente em vigor no país em que se cogita e f) julgamento de acordo com os princípios gerais de direito, ou seja, com um direito comum a que a norma alienígena se coaduna
Caso o juiz tenha que aplicar o direito estrangeiro em algum caso, ele pode:
· Pesquisar o direito estrangeiro, caso não o conheça.
· Aplicação de oficio do direito estrangeiro, caso ele já tenha aplicado antes.
	
· Art. 14 LINDB \u2013 caso não conheça, as partes comprovam a existência e a vigência do direito estrangeiro.
\u201cNão conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência\u201d. 
Quando o juiz for aplicar o direito estrangeiro, equiparado a lei ordinária, irá passar pelo controle de constitucionalidade \u2013 a constituição