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03 - Lesões Fibro-ósseas

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Lesões Fibro-Ósseas Benignas 
• Displasia Fibrosa 
o Monostótica 
o Poliostótica 
 
• Displasia cemento-óssea 
o Focal 
o Periapical 
o Florida 
 
• Fibroma Ossificante 
o Cemento-ossificante 
o Juvenil trabecular 
o Juvenil psamomatoide 
 
Quando o paciente desenvolve uma lesão fibro-óssea, ocorre a reabsorção do 
osso saudável, esse osso é substituído por tecido fibroso, e com a maturação da 
lesão, esse tecido fibroso é substituído por tecido ósseo. Porém, não será mais 
um osso no padrão comum, será diferente, chamado de osso metaplásico. Logo, 
as lesões fibro-ósseas são definidas como lesões que afetam os ossos maxilares 
e craniofaciais, caracterizadas pela substituição do osso normal pelo tecido 
fibroso, e depois por tecido mineralizado variável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Displasia Fibrosa 
A displasia fibrosa é uma condição de desenvolvimento caracterizada pela 
substituição do osso normal por uma proliferação de tecido conjuntivo fibroso 
celularizado entremeado por trabéculas ósseas irregulares. Essa condição 
esporádica resulta de uma mutação pós-zigótica no gene GNAS, que codifica a 
subunidade alfa da proteína G estimulatória. Tais mutações não são detectadas 
no fibroma ossificante ou na displasia óssea florida. 
Clinicamente, a displasia fibrosa pode envolver um ou múltiplos ossos; em 
alguns casos, o envolvimento dos múltiplos ossos pode ocorrer em conjunto com 
as anormalidades cutâneas e endócrinas. 
A ativação constitutiva de sinalização de proteína G compromete a diferenciação 
osteoblástica em células progenitoras esqueléticas, estimula a produção de 
melanina em melanócitos e provoca a hiperplasia e a hiperfunção de vários tipos 
de células endócrinas. Além disso, osteoblastos mutados expressam bastante 
interleucina (IL)-6, que estimula a atividade dos osteoclastos e podem contribuir 
para a expansão da lesão. 
Podem ser de dois tipos: 
• Monostótica: afeta apenas um osso 
• Poliostótica: afeta vários ossos 
Porém, na face ela sempre será Monostótica, independente se afetar mais de 
um osso. 
Características clínicas – Displasia Fibrosa Monostótica 
Cerca de 70% a 85% dos pacientes com displasia fibrosa possuem a doença 
limitada a um único osso (displasia fibrosa monostótica). A displasia fibrosa 
monostótica é diagnosticada mais durante a segunda e a terceira década de 
vida. Homens e mulheres são afetados com igual frequência. Comumente os 
sítios envolvidos são os ossos craniofaciais, as costelas, o fêmur e a tíbia. 
Entre os casos de envolvimento dos ossos gnáticos, a maxila é mais afetada que 
a mandíbula. Existe uma predileção pela região posterior. Apesar de as lesões 
mandibulares serem verdadeiramente monostóticas, as lesões maxilares podem 
se estender para os ossos adjacentes (p.ex., zigoma, esfenoide, etmoide, osso 
frontal, osso temporal, occipital). Ausência de dor e edema unilateral são os 
achados clínicos mais usuais. 
O crescimento geralmente é lento, e é comum o paciente ter consciência da 
condição por vários anos antes de procurar uma avaliação profissional. Os 
dentes envolvidos na lesão em geral permanecem firmes, mas podem ser 
deslocados pela massa óssea. 
 
 
O achado radiográfico clássico é uma leve opacificação tipo “vidro 
fosco/despolido” com margens pouco definidas. De qualquer forma, algumas 
lesões podem parecer radiolúcidas ou uma mistura de radiolucidez com 
radiopacidade. Nas lesões mandibulares, resulta não apenas a expansão das 
corticais, vestibular e lingual, mas também abaulamento da margem inferior. 
Deslocamento superior do canal alveolar não é incomum. Radiografias 
periapicais dos dentes envolvidos mostram estreitamento do espaço do 
ligamento periodontal e a lâmina dura mal definida que se confunde com o 
padrão ósseo anormal. 
Lesões maxilares, com frequência, causam deslocamento do assoalho do seio, 
superiormente, sendo comum obliterar o seio maxilar. 
 
 
 
Características clínicas – Displasia Fibrosa Poliostótica 
A minoria dos pacientes com displasia exibe o envolvimento de dois ou mais 
ossos, (displasia fibrosa poliostótica). Muitos pacientes com a doença 
poliostótica são diagnosticados antes dos 10 anos de idade, e existe uma 
predileção pelo gênero feminino. 
O número de ossos envolvidos varia de poucos a 75% de todo o esqueleto. 
Normalmente a presença de sinais e sintomas são relatados envolvendo os 
ossos longos e chatos, incluindo dor, fraturas patológicas, claudicação, 
discrepância e arqueamento da perna. O envolvimento do crânio e dos ossos 
gnáticos pode resultar em assimetria facial. O envolvimento craniofacial pode 
ocasionar alterações na visão, deficiência auditiva, congestão sinusal e 
obstrução da via aérea. 
 
Um pequeno subgrupo de pacientes que exibem displasia fibrosa poliostótica em 
associação com algumas síndromes, como a síndrome de McCune-Albright, 
caracterizado por displasia fibrosa poliostótica, pigmentação café com leite e 
múltiplas endocrinopatias. 
A pigmentação café au lait pode ser congênita e consiste em manchas 
acastanhadas bem definidas. As manchas, geralmente unilaterais, afetam a 
pele, apesar de o envolvimento na mucosa oral ser possível. As margens das 
manchas café com leite são irregulares, lembrando um mapa da linha costeira 
do Maine. 
 
Na síndrome de McCune-Albright, a anormalidade endócrina mais comum é a 
precocidade sexual, particularmente em mulheres. Pode ocorrer menstruação, 
desenvolvimento das mamas e dos pelos pubianos, que podem aparecer nos 
primeiros anos de vida das meninas. Outra possibilidade das endocrinopatias 
são hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, hipercortisolismo e excesso de 
hormônios do crescimento. Num estudo da displasia fibrosa craniofacial, 
principalmente ocorrendo na síndrome de McCune-Albright, pesquisadores 
relataram várias anormalidades dentárias, incluindo deslocamento, oligodontia, 
hipoplasia e hipomineralização de esmalte, taurodontia e retenção dos dentes 
decíduos. 
Características histopatológicas 
A maioria das lesões apresentadas nesse resumo são diagnóstico diferenciais 
entre si histologicamente. São muito parecidas. As principais alterações 
histológicas nas displasias fibrosas são a presença de fendas entre o tecido 
mineralizado e o tecido fibroso. Além disso, terá consistência de tecido celular 
fibroso com células fusiformes e trabéculas ósseas. Outra característica é a 
semelhança com a escrita chinesa. 
 
 
Tratamento e prognóstico 
Quando a Displasia Fibrosa ocorre nos ossos da face, ocorre uma alteração na 
morfologia estética do paciente, causando uma deformidade facial. Nesse caso, 
a cirurgia é indicada para devolver a estética, uma vez que não tem como 
remover a lesão já que ela não é bem delimitada. Essa cirurgia só é indicada 
após a maturação do esqueleto, para evitar recidiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Displasia Cemento-óssea 
A displasia cemento-óssea ocorre nas áreas de suporte dos dentes e é a lesão 
fibro-óssea mais comum encontrada na prática clínica. Como as características 
histopatológicas compartilham muitas similaridades com a displasia fibrosa e 
com o fibroma ossificante, o diagnóstico correto pode ser problemático, mas é 
crítico para o tratamento adequado. 
Alguns pesquisadores têm sugerido que a displasia cemento-óssea tem origem 
no ligamento periodontal, por causa da similaridade microscópica e a 
proximidade das estruturas. Outros acreditam que essa condição represente um 
defeito no remodelamento ósseo extraligamentar, que pode ser desencadeado 
por lesões locais, e possivelmente correlacionado a um desequilíbrio hormonal. 
Ocorre predominantemente em mulheres de meia idade, sendo mais comum em 
negros. 
Com base nas características clínicas e radiográficas, a displasia cemento-óssea 
inclui as seguintes variações: 
• Focal 
• Periapical 
• Florida 
Características clínicas – Displasia Cemento-Óssea