MEDRESUMOS 2016 - BIOÉTICA 12 - Conselhos de Medicina
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MEDRESUMOS 2016 - BIOÉTICA 12 - Conselhos de Medicina


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Arlindo Ugulino Netto \u25cf MEDRESUMOS 2016 \u25cf BIOÉTICA / ÉTICA MÉDICA 
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CONSELHOS DE MEDICINA 
 
O Conselho Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) constituem, em 
conjunto, uma autarquia, sendo cada um deles dotado de personalidade jurídica de direito público, além de autonomia 
administrativa e financeira. Os Conselhos já haviam sido instituídos pelo Decreto-Lei nº 7.955, de 13 de setembro de 
1945, e adquiriram suas características atuais a partir da Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957. 
O CFM tem sua sede na Capital da República, sendo dotada de jurisdição em todo o território nacional, e a ele 
ficam subordinados os Conselhos Regionais de cada Estado, com jurisdição sobre os respectivos Estados e Distrito 
Federal. 
Os Conselhos são mantidos por contribuições anuais obrigatórias de todos os que exercem a Medicina no Brasil. 
A função de Conselheiro é privativa de médicos, que são eleitos por seus pares para mandato meramente honorífico, 
sem qualquer remuneração. Para isso, é obrigado ao profissional médico ser filiado aos CRM de cada Estado onde 
trabalha, sem haver limites, ou seja, um médico, no Brasil, pode ser associado aos 27 Estados brasileiros, com tanto que 
tenha trabalho em todos. Portanto, ser filiado ao CRM é o básico da autorização legal para exercer a medicina e é este 
órgão que determina os moldes e limites para quais o médico pode exercer legalmente a sua profissão. 
 
OBS
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: Deve-se ressaltar o fato que os Conselhos de Medicina não são órgãos de defesa da classe médica por se 
tratarem de órgãos do Governo. Uma vez pertencendo ao Governo, é função do Conselho servir e prezar pelo bem da 
sociedade. Conclui-se, então, que o CRM e CFM são instituições governamentais responsáveis por julgar as infrações 
éticas em geral causadas pela classe médica. 
OBS²: O órgão competente para a função de defesa da classe médica é a Associação Médica Brasileira (AMB). 
 
Além das funções cartoriais, como o registro profissional do médico e de seus títulos, o Conselho Federal e os 
Conselhos Regionais de Medicina são, nos termos da Lei, os órgãos supervisores da ética profissional e julgadores e 
disciplinadores da classe médica, cabendo-lhes zelar e trabalhar, por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito 
desempenho ético da medicina e pelo prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente. 
Para cumprir suas funções legais, os Conselhos Regionais funcionam como tribunais, apreciando denúncias 
contra médicos e instaurando processos ético-profissionais quando existem indícios de infração ética. As apenações, na 
forma da lei, podem consistir em advertência confidencial, censura confidencial, censura pública, suspensão do exercício 
profissional até 30 dias e cassação do exercício profissional. Das decisões dos Conselhos Regionais, cabe recurso ao 
Conselho Federal. 
 
 
BREVE HISTÓRICO 
 Antes da criação dos Conselhos, em 1945, havia uma dúvida em questão: se era mais apropriado para o 
momento a criação de Conselhos ou a criação da Ordem dos Médicos do Brasil. Nesse contexto, em 1937, nascia o 
Projeto 41, elaborado pelo deputado e médico, Abelardo Marinho, que dizia no seu art. 1°: 
\uf0d8 Art. 1°. A ordem dos médicos do Brasil é o órgão de seleção e disciplina da classe médica no país, tutelar dos 
seus direitos e interesses morais e econômicos. [Esse artigo dava o poder à Ordem Médica, que viria a ser 
instituída, de realizar provas para que os recém diplomados médicos serem selecionados para só assim, 
poderem exercer a profissão, assim como ocorre com advogados por meio da prova da OAB \u2013 Ordem dos 
Advogados do Brasil] 
 
Em 1938, outro projeto, agora elaborado por entidades médicas (comissão ministerial), com base em anteprojeto 
apresentado por delegados da Academia Nacional de Medicina, da Associação Médica Paulista de Medicina e do 
sindicato Médico Brasileiro, tentou aprovar a Ordem dos Médicos, mas também não foi aprovada. Segundo esse projeto 
a Ordem dos Médicos também teria poderes para tratar dos assuntos éticos e econômicos. 
Nesse momento, a prática médica foi dividida em teses fundamentadas nos seguintes argumentos: não é 
possível aplicar, dentro de uma mesma instituição, a defesa dos interesses patrimoniais e a defesa dos interesses éticos. 
Com isso, viu-se a necessidade de criar dois órgãos distintos: um órgão para fiscalizar o exercício ético da profissão e 
um outro criado para a defesa de possíveis infrações cometidas pela classe médica (AMB), sendo este responsável por 
defender os interesses patrimoniais. 
Com isso, em 1945, foram criados os Conselhos de Medicina, sendo instituído pelo Decreto-lei n°7.955, de 13 de 
setembro de 1945. Mais de 10 anos depois, esse decreto foi regularmentado pela Lei n° 3.268, de 30 de setembro de 
1957 e, um no ano seguinte, esta Lei se referiu a um regulamento, o Decreto n° 44.045 de 19 de julho de 1958. Com 
isso, nos dias atuais, do ponto de vista prático, são essas duas leis que normatizam o exercício da profissão médica. 
Observe o que relata o artigo 1º e 2º da Lei n° 3.268/1957: 
Arlindo Ugulino Netto. 
BIOÉTICA / ÉTICA MÉDICA 2016 
Arlindo Ugulino Netto \u25cf MEDRESUMOS 2016 \u25cf BIOÉTICA / ÉTICA MÉDICA 
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\uf0d8 Artigo 1° - O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina, instituídos pelo Decreto-Lei n.°7.955, de 
13 de setembro de 1945, passam a constituir em seu conjunto uma autarquia, sendo cada um deles dotado de 
personalidade jurídica de direito público, com autonomia administrativa e financeira. [Lembrado que estes 
órgãos não são responsáveis pela defesa da classe médica, mas sim, uma autarquia do Estado que trabalha 
pelos interesses da sociedade. São, portanto, órgãos públicos que defendem os interesses da sociedade no que 
tangem o exercício da profissão médica] 
\uf0d8 Artigo 2° - O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina são órgãos supervisores da ética 
profissional em toda a República e, ao mesmo tempo, julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo-
lhe zelar e trabalhar por todos os meios ao seu alcance, pelo perfeito desempenho ético da medicina e pelo 
prestígio e bom conceito da profissão e dos que a exerçam legalmente. [Isso significa que o poder dos 
Conselhos vai muito mais além que fiscalizar e punir médicos: qualquer quebra da Lei que repercuta os 
exercícios da medicina (como desvios de verba, má prestação de serviços médicos à comunidade, por exemplo) 
e que haja interesse da sociedade em geral, é responsabilidade desses órgãos públicos] [Quando a classe 
médica se contrapõe aos interesses da sociedade, é dever dos Conselhos se voltar para a comunidade] 
 
Após a criação dos Conselhos, ainda houve outras tentativas de criar a Ordem (como em 1951-52 \u2013 Após a 
criação dos conselhos de medicina, pelo Decreto-lei n°7.955/45). Atualmente há a tentativa de fundir a AMB ao CFM, 
constituindo a Ordem dos Médicos do Brasil. 
Em 30 de setembro de 1957, foi promulgado o Decreto-Lei 3.268, que fez com que os conselhos de Medicina se 
tornassem uma autarquia dotada de personalidade jurídica, com autonomia financeira e administrativa - modelo 
institucional que continua existindo até hoje. O mesmo Decreto de 1957 obrigava os médicos a terem seu registro no 
respectivo Conselho Regional de Medicina. Só assim poderiam emitir atestados de óbito e saúde reconhecidos pelos 
poderes públicos. 
O período compreendido entre 1927 e 1957 engloba o processo de criação do Conselho de Medicina, a 
promulgação de três códigos de ética (1931/1945/1957) e traduz a lenta e profunda transformação por que passou a 
organização do mercado de trabalho, a relação médico-paciente e a prática profissional de maneira mais ampla. 
 A questão que se faz agora é: por que tamanho interesse em se instituir a Ordem dos Médicos? A resposta pode 
ser encontrada ao definirmos melhor a AMB e a própria OAB. 
 
 
ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA (AMB) E ORDEM DOS MÉDICOS DO BRASIL (OMB) 
ASSOCIAÇÃO