Direito Civil (Aula 1 de 3)
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DIREITO CIVIL (Aula 1/3)
Personalidade
A personalidade civil é atributo essencial para ser sujeito de direitos. Se não há personalidade, não pode ser titular de direitos ou obrigações. Portanto, personalidade é a aptidão genérica para contrair direitos e obrigações.
A personalidade se subclassifica em formal e material. A personalidade formal é a aptidão para ser titular de direitos da personalidade. Por sua vez, a personalidade material é a aptidão para ser titular de direitos patrimoniais.
De acordo com o art. 2º do CC, "a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro".
Vale lembrar que há 03 teorias sobre o início da personalidade da pessoa natural: (1) a teoria natalista, segundo a qual a personalidade só se inicia com o nascimento com vida; (2) a teoria concepcionista, segundo a qual a personalidade se inicia com a concepção; (3) a teoria da personalidade condicionada, que surgiu do Código Civil, e que adotou o nascimento com vida como marco do início da personalidade, mas que resguarda os direitos que o nascituro teria desde a concepção.
E quais direitos o nascituro teria desde a concepção? Pois bem. O nascituro, teoricamente, não tem direito, tem expectativa de direito, uma vez que a sua aquisição fica condicionada ao nascimento com vida. Entretanto, por outro lado, o nascituro é sim titular de direitos personalíssimos (Ex.: vida, nome), assim como possui direito a alimentos.
Observação: posso doar em favor de nascituro, mas trata-se de um negócio jurídico condicional (evento futuro e certo: o nascimento).
Capacidade
A capacidade é entendida em nosso ordenamento como a capacidade plena da pessoa gerir sua vida, seus bens, assim como sua aptidão para os atos da vida civil.
A capacidade civil deve ser estudada mediante o entendimento de dois conceitos fundamentais: capacidade de direito e capacidade de fato.
A capacidade de direito, também chamada de capacidade genérica, é inerente à pessoa, todos possuem. Basta estar vivo para que lhe seja reconhecida. Perceba que a capacidade de direito se confunde/assemelha com o próprio conceito de personalidade.
Por sua vez, a capacidade de fato é a possibilidade que a pessoa tem de praticar pessoalmente atos jurídicos, de forma que os incapazes elencados nos arts. 3º e 4º, do CC, não a possuem. Ou seja, quem não tem capacidade de fato é incapaz. Vejamos os dispositivos:
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos.
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer:
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade;
IV - os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial.
De acordo com o art. 3.º do CC, são absolutamente incapazes os menores de 16 anos. Estes devem ser representados nas relações jurídicas, sob pena de nulidade dos atos praticados, conforme o art. 166, I, do Código Civil.
De acordo com o art. 4.º do CC, são relativamente incapazes os maiores de 16 e os menores de 18 anos, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos, aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade e os pródigos. Estes devem ser assistidos nas relações jurídicas, sob pena de anulabilidade dos atos praticados, conforme o art. 171, I, do CC. Vejamos abaixo o texto dos arts. 166 e 171:
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
Ponto importante a se destacar é que os arts. 3º e 4º do CC foram alterados pela Lei Nº 13.146/15 (Estatuto da pessoa com deficiência). O Estatuto visa dar maior autonomia à pessoa com deficiência e, por isso, o número de deficiências foi reduzido. Dessa forma, as pessoas com algum tipo de deficiência mental, em regra, tornaram-se plenamente capazes (síndrome de down, altismo, etc.).
Dissemos acima "em regra", pois o CC passou a presumir que todos os deficientes são capazes, porém, os arts. 84 e 87 do Estatuto do deficiente permitem a interdição com base naquelas circunstâncias. Então, perceba que é a sentença que vai constituir a incapacidade dos deficientes mentais, tratando-se, portanto, de uma sentença com natureza constitutiva. A presunção do CC é de que todos são capazes (possui, portanto, natureza declaratória).
Emancipação
A menoridade cessa aos 18 anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Ou seja, aos 18 anos se adquire capacidade civil plena. 
No entanto, existem hipóteses de emancipação. A emancipação é o ato jurídico que possibilita que o incapaz se torne capaz. Importante salientar que a emancipação produz efeitos apenas para o Direito Civil. Vejamos o que o art. 5º do CC dispõe acerca da emancipação:
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
II - pelo casamento;
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Do artigo supra, extraímos que existem 03 hipóteses de emancipação: (1) emancipação voluntária (inciso I, 1ª parte): é aquela que os pais realizam em favor dos filhos, ressaltando que é feita mediante instrumento público; (2) emancipação judicial (inciso I, 2ª parte): é aquela que o tutor realiza em favor do tutelado, quando o menor já possui 16 anos completos, ressaltando que depende de sentença; (3) emancipação legal (incisos II, III, IV e V): é aquela que se dá por força de lei, independente da vontade das partes ou de sentença.
Referente à emancipação voluntária, cabe ressaltar que existem requisitos: o menor tem que ter 16 anos completos, a vontade de emancipar tem que ser de ambos os pais e, por fim, a vontade deve ser manifestada por instrumento público.
Acerca do casamento como hipótese de emancipação legal, cumpre salientar que o menor com 16 anos completos (16 a 18 anos) pode se casar, desde que com a anuência de ambos os pais. Outro ponto importante a se destacar é que o menor com idade inferior a 16 anos também pode se casar, por motivo de gravidez, desde que com a anuência de ambos os pais.
Extinção da personalidade
A extinção da personalidade se dá com a morte. De acordo com o art. 6.º do CC, \u201ca existência da pessoa natural termina com a morte. Presume-se a morte, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva\u201d.
Existem 03 tipos de morte: (1) a morte real, que se dá com o óbito comprovado (morte encefálica); (2) a morte civil, que ocorria quando a pessoa viva era tratada como se morta fosse (exclusão de herança por indignidade); (3) a morte presumida, uma vez que se presume a morte quanto aos ausentes.
A morte presumida,