Direito Tributário (Aula 1 de 2)
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Direito Tributário (Aula 1 de 2)

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DIREITO TRIBUTÁRIO (Aula 1/2)
Introdução
Por intermédio de sua atividade financeira, o Estado obtém, gere e aplica os meios próprios para satisfazer a coletividade e realizar os seus fins. Assim, o Estado conta com algumas formas de obtenção de receitas financeiras, quais sejam, as receitas originárias - decorrentes de doações, legados e preços públicos (estes, por sua vez, provenientes da exploração do patrimônio próprio do Estado) - e as receitas derivadas - decorrentes dos tributos e multas. A receita tributária, ou seja, a arrecadação de tributos, é a mais comum e eficiente.
As fontes do Direito Tributário podem ser divididas em primárias e secundárias. As fontes primárias são as leis em sentido amplo: CF/88, leis ordinárias, leis complementares, medidas provisórias (MP), leis delegadas, emendas constitucionais, decretos legislativos, resoluções do Senado Federal e, por fim, tratados e convenções internacionais.
Por sua vez, as fontes secundárias são os atos administrativos que regulamentam a fonte primária: decretos (são normas editadas pelo chefe do Poder Executivo para o cumprimento das leis tributárias), portarias, instruções normativas, regulamentos e normas complementares dispostas no art. 100 do CTN (não inovam no ordenamento, apenas explicitam as leis, decretos, tratados e convenções internacionais).
Dentre as fontes do Direito Tributário, é importante tecer comentários acerca da CF/88, leis ordinárias, leis complementares, medidas provisórias (MP), leis delegadas e emendas constitucionais.
CF/88
A CF/88 estabelece as competências tributárias aos entes federativos (U, E, DF e M), ou seja, estabelece/confere à União, Estados, Distrito Federal e Municípios o poder de tributar. Além disso, a CF/88 também estabelece limites a esse poder de tributar.
É importante ressaltar que a CF não cria tributos, apenas confere competência para que os entes políticos instituam - por meio de lei - os tributos.
Leis ordinárias
Em regra, são as leis ordinárias o veículo normativo necessário/capaz de instituir, aumentar ou extinguir os tributos.
Leis complementares
Em regra, a lei complementar não cria tributos, salvo nas hipóteses do IGF, empréstimos compulsórios e competência residual da União. Ou seja, é a lei complementar que cria o IGF, empréstimos compulsórios e dispõe acerca da competência residual da União. À exceção destes, todos os demais tributos devem ser criados por lei ordinária, medida provisória ou lei delegada.
São funções da lei complementar em matéria tributária (arts. 146 e 146-A, CF): I- dispor sobre conflitos de competência entre os entes federativos; II- regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III- dispor sobre normas gerais em matéria tributária; IV- dispor sobre o tratamento tributário praticado pelas sociedades cooperativas; V- definir tratamento diferenciado e favorecido para as MEI e EPP; VI- estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência da União estabelecer normas de igual objetivo.
Por fim, frisa-se que as leis complementares devem ser aprovadas por maioria absoluta.
Medidas provisórias (MP)
As medidas provisórias não são lei, mas têm força de lei e estão no mesmo nível das leis ordinárias. Ou seja, têm força de lei ordinária.
Uma vez que as medidas provisórias têm força de lei, então é plenamente possível a instituição de tributo por MP.
As medidas provisórias somente podem ser editadas/instituídas pelo Presidente em casos de urgência e relevância, devendo ser apreciadas em casa uma das casas do Congresso Nacional no prazo de 60 dias, prorrogáveis automaticamente uma única vez por mais 60 dias. Têm validade, portanto, pelo prazo máximo de 120 dias, sendo o projeto de conversão em lei considerado aprovado por maioria simples.
É importante ressaltar que, como as medidas provisórias têm força de lei ordinária, não servem para disciplinar as matérias para as quais é exigida reserva de lei complementar. Dessa maneira, é vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria reservada à lei complementar.
Leis delegadas
As leis delegadas dispõem sobre matérias específicas e são elaboradas pelo Presidente, que deverá solicitar a delegação ao Congresso Nacional. A delegação ao Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício. Se a resolução determinar a apreciação do projeto pelo Congresso Nacional, este a fará em votação única, vedada qualquer emenda.
As leis delegadas podem ser utilizadas para criar tributos, salvo no caso dos tributos que exigem sua criação por lei complementar.
Emendas constitucionais (EC)
As emendas constitucionais podem alterar, dentro dos limites estabelecidos pelo poder constituinte originário (não é permitido que a proposta de emenda tenda a abolir a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e, por fim, os direitos e garantias individuais), princípios e regras reguladoras de todo o sistema tributário.
Vigência da legislação tributária no espaço e no tempo
A legislação tributária vigora nos limites do território do ente federativo respectivo. Leis estrangeiras, em regra, não são aplicáveis em nosso país.
As leis tributárias que instituam ou majorem tributos devem obedecer ao princípio da anterioridade (estudaremos os princípios mais à frente, que se constituem como limitações ao poder de tributar, assim como as imunidades). Salvo disposição em contrário, os atos administrativos entram em vigor na data de sua publicação; as decisões com eficácia normativa, 30 dias após sua publicação; os convênios, na data neles prevista.
Tributo
O conceito de tributo não está definido na CF e sim no CTN (art. 3º). Trata-se de uma prestação pecuniária compulsória, paga em moeda ou valor que possa exprimir, instituída em lei, que não constitua sanção de ato ilícito, e cobrada mediante atividade administrativa vinculada.
Dizer que o tributo é pago em moeda ou valor que possa exprimir, significa que deve ser pago em dinheiro (ex.: não posso pagar com meu carro), porém, há de se ressaltar que pode ser pago também em cheque e que existe a exceção da dação em pagamento de bem imóvel.
O tributo não constitui sanção por ato ilícito, pois o mesmo não se trata de uma pena, de um castigo, tampouco uma multa. Se paga o tributo por praticar o fato gerador, ou seja, por praticar exatamente a hipótese de incidência prescrita na lei.
O tributo é cobrado mediante atividade administrativa vinculada, pois a Fazenda não poderá utilizar-se do poder discricionário (em razão de oportunidade e conveniência), ao contrário, deverá cobrar o tributo exatamente como se encontra previsto na lei. Nesse sentido, para constituir um crédito tributário e cobrar o pagamento do tributo, deverá o Fisco efetuar o lançamento tributário.
Espécies tributárias
Imposto
É o tributo exigível independentemente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Ou seja, o imposto independe de qualquer contraprestação estatal específica, motivo pelo qual é classificado como um tributo não vinculado.
A CF veda a vinculação da receita dos impostos. Isto é, sua receita não deve ter destinação específica. Mas existe uma importante exceção, uma vez que a repartição das receitas dos impostos pode ser vinculada.
Observação: é por meio do imposto que o Estado custeia os serviços genéricos.
O imposto pode ser classificado em real (incide independentemente da riqueza do contribuinte, por ex., IPVA e IPTU), pessoal (varia de acordo com a riqueza/capacidade contributiva, por ex., IR), direto (por sua essência deve ser suportado pelo contribuinte, não podendo ser repassado ao consumidor final, por ex., IPTU de uma loja) e indireto (admite a transmissão do ônus financeiro, por ex., ICMS e ISS).
Por fim, segundo a CF, sempre que possível o imposto irá variar conforme a riqueza/capacidade contributiva.
Taxa
É o tributo exigível em razão do exercício do poder de polícia