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INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA – AJES ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA EDUCACIONAL 8,5 O PAPEL DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DIANTE DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ANTENOR PELENTIR PEREIRA professorantenorbte@hotmail.com Orientador: Prof. Dr. Ilso Fernandes do Carmo BRASNORTE/2014 INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA – AJES ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA EDUCACIONAL O PAPEL DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DIANTE DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM ANTENOR PELENTIR PEREIRA Orientador: Prof. Dr. Ilso Fernandes do Carmo “Monografia apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de Especialização em Psicopedagogia Clínica Educacional.” DEZEMBRO/2014 DEDICATÓRIA A Deus pelo dom da vida, pela fé e perseverança para vencer os obstáculos. A minha esposa, Edileusa pelo carinho, dedicação e compreensão. Meu filho Paulo Ricardo, presente em todos os momentos da minha vida. As minhas filhas Polliana e Pâmela, pela minha ausência. O meu orientador Prof. ILSO FERNANDES DO CARMO, pela paciência e incentivo. Aos meus professores, pela aprendizagem que me foi proporcionada. AGRADECIMENTOS A Deus pelo dom da vida, pela fé e perseverança para vencer os obstáculos. Aos meus pais Waldemar e Rosa pelo incentivo nesse estudo de pós e durante toda minha vida. Ao meu orientador, que me orientou, pela sua disponibilidade, interesse e receptividade com que me ajudaram. Agradeço aos professores do curso de Psicopedagogia Clínica Educacional. Do Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena-Ajes. Enfim, sou grato a todos que contribuíram de forma direta ou indireta para realização desta monografia. RESUMO A escola em seus compromissos com a sociedade compreende dois focos de atuação, instrucional e formativa. Sua autonomia compreende uma conquista contínua, que requer tanto a preparação da escola quanto dos indivíduos, neste contexto o objetivo desse trabalho é de mostrar através de uma revisão de literatura o papel da gestão democrática diante das dificuldades de aprendizagem dos alunos, e como a participação dos diretores, dirigentes, conselhos de classe e o projeto político pedagógico se torna fundamental para um melhor aprendizado dos alunos. Para este estudo realizou-se um levantamento bibliográfico de trabalhos que abordaram o tema sobre, gestão democrática. Observou-se que a construção da escola democrática começa na conscientização de um papel mais participativo dos gestores, equipe pedagógica, professores, funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade em geral se comprometendo com o processo de mudança. A escola contribui para o processo ao transmitir regras e valores considerados desejáveis, para a formação da cidadania. Para se estabelecer novas relações entre escola e sociedade é preciso que se promova efetivamente a democratização na gestão. A democratização da gestão por meio do fortalecimento dos mecanismos de participação na escola, em especial do conselho escolar, pode-se apresentar como uma alternativa criativa para envolver os diferentes segmentos das comunidades local e escolar nas questões e problemas vivenciados pela escola. Esse processo, certamente, possibilitaria um aprendizado coletivo, cujo resultado poderia ser o fortalecimento da gestão democrática na escola. Palavras-chave: Conselho de classe. Diretor. Pais. Professor. Projeto politico pedagógico. 07 SUMÁRIO INTRODUÇÃO_____________________________________________________06 1. A GESTÃO DEMOCRÁTICA ________________________________________09 2. ROTATIVIDADE NO QUADRO DE DIRIGENTES _______________________14 3. O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO _______________________________15 4. O CONSELHO ESCOLAR __________________________________________19 5. O DIRETOR ESCOLAR____________________________________________21 6. FORMAÇÃO DE GESTORES ESCOLARES____________________________24 CONSIDERAÇÕES FINAIS___________________________________________26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS_____________________________________27 INTRODUÇÃO A educação é um direto de todos, que deve ser promovido e incentivado para o desenvolvimento da pessoa, seu preparo para os exercícios da cidadania e qualificação para o trabalho. A história da educação no Brasil foi desde a sua mais tenra origem talhada por uma escola que tendia a um sistema divisor da sociedade em grupos ou classes sociais; e que, diante disto, tratava diferentemente os menos favorecidos com preconceito e desdém. A educação em seus primórdios não foi capaz de discernir sobre a necessidade de se respeitar todos os povos, suas culturas, e aceitar que todos os indivíduos agem e reagem de forma diferente, pecando durante muito tempo ao ser incapaz de dizer um basta a esta situação caótica que se instalou no sistema educacional brasileiro (MACHADO, 2000). Na Antiguidade a educação era privilégio de minorias, com a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos, um novo ideal começa a ser perseguido o de uma escola não apenas para os filhos da elite, mas uma escola para todos. Estes movimentos marcaram avanços no sentido de romper com uma organização social de privilégios e o fortalecimento na luta pela democracia. De acordo com o Censo Escolar, entre 1997 (quando se registraram 2,3 milhões de inscritos) e 2003 (ano em que as matrículas somaram 3,3 milhões), a oferta de vagas no ensino fundamental presencial de jovens e adultos cresceu 43%, acolhendo um contingente adicional de um milhão de estudantes. É um aumento expressivo, mas ainda insuficiente para garantir os direitos de 66 milhões de brasileiros com baixa escolaridade (DI PERRIO, 2005) A escola em seus compromissos com a sociedade compreende dois focos de atuação, instrucional e formativa. A instrucional refere-se à transmissão de conhecimentos, de técnicas e de habilidades, legados históricos considerados socialmente relevantes. Segundo PUIG (2000), a escola contribui para o processo ao transmitir regras e valores considerados desejáveis, para a formação da cidadania. Onde a escola deveria ser uma instituição igualitária, mas acaba reproduzindo a desigualdade social na medida em que apenas uma pequena parte da população alcança êxito em seu interior e consegue concluir sua formação. Visando à transformação de um sistema educativo, que reconhecerá as diferenças de classes, enxergará ás classes menos privilegiadas, um sistema democrático, que compreende a participação da sociedade como um todo, no processo transformador que busca a integração social, a conscientização e a cidadania de seus membros. A escola democrática permite a participação coletiva e a democratização da sua gestão, um processo de transformação que exige a participação, de diretores, professores, pais e demais elementos interessados e pertencentes à comunidade local, buscando a qualidade educacional, com novas formulações de politicas educacionais, planejamentos, tomadas de decisões, definição do uso de recurso de acordo com as necessidades buscando sempre a valorização do conhecimento do aluno, fortalecendo uma democracia no processo ensino-aprendizagem (PUIG, 2000; PENIN & VIEIRA, 2002). A autonomia da escola compreende uma conquista contínua, que requer tanto a preparação da escola quanto dos indivíduos para a autonomia pessoal como prerrogativa necessária para a qualidade da educação (FREITAS, 2000), neste contexto o objetivo desse trabalho é de mostrar através de uma revisão de literatura o papel da gestão democráticadiante das dificuldades de aprendizagem dos alunos, e como a participação dos diretores, dirigentes, conselhos de classe e o projeto politico pedagógico se torna fundamental para um melhor aprendizado dos alunos. METODOLOGIA Para este estudo realizou-se um levantamento bibliográfico de trabalhos que abordaram o tema sobre, Gestão democrática. ESTRUTURA DO TRABALHO Com o intuito de trazer uma nova perspectiva em relação a Gestão democrática no ensino, abordaremos o tema em capítulos para facilitar o entendimento, sendo: A gestão democrática: abordaremos o processo político pelo qual as pessoas integram a escola, descentralizando poderes, promovendo a participação de todos. 07 Rotatividade no quadro de dirigentes: abordaremos a importância das eleições dos dirigentes da escola, para a implantação de uma gestão mais democrática. O Projeto Político Pedagógico: apresentamos a importância do Projeto Político Pedagógico, partindo de uma pratica social inserindo a escola no cotidiano do mundo. O Conselho Escolar: apresentamos a importância do Conselho Escolar, para instituir e manter a democratização dentro da escola, onde todas as pessoas ligadas à escola auxiliam e decidem sobre os aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos. O Diretor escolar: realçamos a importância da direção da escola nas funções organizacional, na sua função social, levando em consideração os objetivos políticos e pedagógicos. Formação de gestores escolares: apresentamos as estratégias empregadas para a formação de gestores. 08 1. A GESTÃO DEMOCRÁTICA A gestão escolar democrática tem sido discutida, ao longo dos últimos anos, nos meios acadêmicos e nos órgãos centrais dos diversos sistemas de ensino de nosso país. A democratização da escola pública tem sido tema de discussões ao longo da história educacional brasileira. Retomando a década de 1930, os chamados Pioneiros da Escola Nova tinham como um dos objetivos de sua luta a democratização da educação, significando ela o acesso, por toda a população, à escolaridade básica. (SILVA 2009). A Gestão Escolar compreende o processo político por meio do qual as pessoas integrantes da escola, tendo como princípio básico, o diálogo e a autoridade discutem, deliberam e planejam, solucionam problemas e os encaminham, acompanham, controlam e avaliam o conjunto das ações voltadas ao desenvolvimento da própria escola”, mediante a “participação efetiva de todos os segmentos da comunidade escolar, o respeito a normas coletivamente construídas para os processos de tomada de decisões e a garantia de amplo acesso às informações aos sujeitos da escola. (MAIA & BOGONI, 2008, p.3). A gestão democrática só se torna eficaz quando a autoridade é transferida às localidades e a responsabilidade acerca das prestações de contas lhes é atribuída. A escola democrática e descentralizada passou, concomitantemente, a ser autônoma, tendo independência para gerir sua variedade de abrangências, mediante o compromisso de promover a participação de todos. Tais princípios concentram o anseio da sociedade brasileira, tão ferida nos seus direitos igualitários, desde o início de sua formação. (MACHADO, 2000). Segundo MELLO (1993), a atividade escolar era quase que totalmente determinada de fora para dentro. Formalmente, não existia ou era muito restrito o espaço que a escola possuía para as tomadas de decisões sobre seus próprios objetivos, organização e gestão, modelo pedagogia e, principalmente, sobre suas equipes de trabalho. A autonomia e a descentralização exigem a ação diferenciada dos gestores educacionais, a nível de sistema e de escola, visto que o enfoque da educação deixa de ser o processo e passa a contemplar o resultado. Não mais existe um processo único, mas sim flexibilidade na execução que, de fato, possa atender as demandas dos alunos de uma determinada escola: “cada um encontra seu caminho na busca da qualidade do ensino”. Não existe uma receita pronta, mas modelos exitosos. O importante é o objetivo almejado e o resultado a se alcançar. (MACHADO, 2000). Embora não haja uma única maneira de implantar um sistema de gestão participativa, é possível identificar alguns princípios, valores e prioridades, na construção efetiva dessa gestão. LIBÂNEO (2004), afirma que, a participação é o principal meio e se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre professores, alunos, pais. Para SILVA (2007), a gestão escolar, dentro da perspectiva democrática, passa pela democratização da escola e por sua natureza social, não se restringindo exclusivamente aos processos transparentes e democráticos ligados à função administrativa. (p.3). Assim sendo, a gestão escolar engloba duas dimensões: interna e a externa. A primeira refere-se à organização interna da escola, que contempla os processos administrativos, a participação da comunidade escolar nos projetos pedagógicos, político e administrativo. A segunda está ligada à função social da escola, sua vocação democrática, mais especificamente, no sentido de divulgar o conhecimento produzido e sua socialização. (SILVA 2007). A gestão escolar fundamentada em princípios de autonomia, participação e democracia está presente na Constituição Federal do Brasil de 1988, a qual aponta para a necessidade de uma gestão com a participação da comunidade escolar: O Art. 206; IV garante uma gestão participativa no ensino público, assegurando o caráter democrático da educação de forma “que as instituições públicas possam criar uma cultura político-educativa de exercício do princípio e da prática democrática, no seu cotidiano. Contudo, nenhuma escola, como qualquer organização social, é absolutamente autônoma. Todas são dependentes de uma legislação específica. Mesmo o ensino da rede privada, conforme estabelece o Artigo 209 da Constituição Federal de 1988, está condicionado ao cumprimento das normas gerais da educação nacional, autorização e avaliação da sua qualidade pelo Poder Público. A 10 gestão democrática é um principio constitucional fortalecido pela LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), Lei n. 9394/96 de 20 de dezembro de 1996, Lei Darcy Ribeiro e distinguir-se pela prática dos seus gestores associados a uma visão de educação emancipadora. Ela exige um gestor capaz de identificar e implementar espaços de aprendizagem compatíveis com uma educação participativa, certificando a construção de escolas solidárias, democráticas e competentes. A escola pública tem a sua autonomia demarcada e caracterizada pelo respeito às proposições legais nacionais, estaduais e municipais, assim como pelas normas, regulamentos, resoluções e planos globais de gestão do sistema de ensino ao qual pertence. A gestão democrática na escola tem o objetivo de envolver toda a comunidade escolar através da participação efetiva na construção do Projeto Político Pedagógico e em todas as decisões que surgirem nesta gestão. A gestão democrática da escola só tem êxito se a comunidade participar de forma efetiva e ativamente direta, ou através dos órgãos colegiados da escola como: o Conselho Escolar, Eleição para Diretor, PDE, Regimento Escolar. (BORDIGNON, 2000). Segundo GADOTTI (2001), a autonomia se refere à criação de novas relações sociais, que se opõem às relações autoritárias existentes, realiza-se em três importantes áreas de atuação da escola: pedagógica, administrativa e financeira. A autonomia pedagógica está garantida na possibilidade de cada unidade formular e implementar suaProposta Político Pedagógica, em conformidade com as políticas vigentes e as normas do sistema de ensino aplicáveis. Já a autonomia administrativa está assegurada pela eleição dos Gestores Escolares, constituição dos Conselhos Escolares, organizações associativas de pais e de alunos, e pela formulação, aprovação e implementação do Plano de Desenvolvimento da Escola – PDE, do Regimento Escolar, do Plano de Gestão da Escola e Avaliação de Desempenho dos Servidores, nos termos da legislação em vigor. A autonomia financeira está afirmada pela administração dos recursos financeiros nela alocados, em consonância com a legislação vigente, tais como o Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE. Portanto, a autonomia na escola é relativa e não absoluta; não pode ser interpretada como soberania da escola para decidir e fazer o que quiser. Representa uma divisão de responsabilidades entre os sistemas de ensino e as 11 escolas No que diz respeito aos resultados acadêmicos alcançados, à transparência e à prestação de contas dos recursos públicos aplicados na educação. Uma escola é o que são os seus gestores, os seus educadores, os pais dos estudantes, os estudantes e a comunidade”... “A cara da escola decorre da ação conjunta de todos esses elementos”. Isto é, a escola é administrada em função de sua comunidade e com sua comunidade com participação efetiva de todos. Assim, ela é o espelho de seus gestores. (LUCKESI 2007, p. 5). Os incentivos políticos e institucionais à participação das comunidades escolar e local têm sido poucas e ineficientes na construção da autonomia escolar. A descentralização e a democratização da administração de escolas públicas são perseguidas teoricamente, mas com poucos resultados significativos e permanentes. Várias políticas e reformas legislativas, federal, estadual e até mesmo municipal têm observado e incorporado a crescente tendência, política e social, a democratização da gestão escolar. Contudo, a participação na tomada de decisões administrativas, financeiras e pedagógicas não alcançou a maior parte que vivem e fazem a escola acontecer. (FREITAS, 2000). MADEIRA (1998, p.71), comenta que “as políticas educacionais se restringem à oportunidade de participação do indivíduo apenas à mecânica adesão.” A não consideração do indivíduo a qualquer ação educativa “abre um imenso espaço ao fracasso.” O sucesso, por sua vez, advém do exercício da gestão participativa, que se mantém constantemente aberta ao diálogo, pois quando as pessoas são percebidas e valorizadas como agentes. O foco no indivíduo garante benefícios à Nação. A qualidade educacional é elevada, quando existe respeito com o trabalho do professor, com o gestor escolar, com as comunidades e localidades. A qualidade da educação não se restringe a competência de gestores, professores, pais, funcionários, alunos, pois o sucesso também está relacionado à ação do Estado quanto ao investimento (gastos e recursos) destinados ao desenvolvimento do processo educacional e a adoção de “novos modelos de reorganização administrativa da escola“ (FREITAS, 2000, p.50). A democratização da gestão escolar, supõe a participação da comunidade em suas decisões, podendo ocorrer através de órgãos colegiados e instituições auxiliares de ensino. A participação da comunidade não deve ficar restrita apenas aos processos administrativos, mas ocorrer nos processos pedagógicos que supõem 12 o envolvimento da comunidade nas questões relacionadas ao ensino. A democratização da gestão escolar não tem um fim em si mesmo, mas é um meio para que a escola realize o seu trabalho oferecendo um ensino de qualidade. A busca de uma nova qualidade que recoloque a questão da função social da escola, objetiva estender a todos uma escola diferente da pública burguesa, propondo uma revisão crítica dos conteúdos por ela desenvolvidos. (SILVA 2009). 13 2.ROTATIVIDADE NO QUADRO DE DIRIGENTES De acordo com MAIA e GODONI (2008), a rotatividade no quadro de dirigentes, por meio de eleições é fundamental para efetivação do processo democrático na escola. A eleição para diretores é um caminho para a implantação de uma gestão mais democrática na escola, visto que a eleição para diretores envolve todos os segmentos da comunidade escolar (pais, alunos, funcionários e professores), na participação nas discussões e no exercício do fazer político. Assim, por meio de processo, efetiva-se, de fato, a democracia, a cidadania, da construção coletiva, a descentralização do ensino e a autonomia da escola, pois os novos espaços e tempos permitem a organização coletiva dentro da sociedade. Desta forma, a eleição para dirigentes escolares compreende uma aula de política e democracia, onde todos ensinam, todos aprendem e todos ganham com o fortalecimento da cidadania e participação (MARTINS, 2006). A promoção de eleição de diretores traduz o delineamento de uma proposta de escola, de gestão, firmando compromissos coletivos para levá-la a efeito. Assim, a aspiração de que com a prática da eleição do diretor, haveria harmonia nas relações na escola, fazendo desaparecer as práticas clientelistas, “mostrou-se ingênua e irrealista”, pois a eleição como instrumento de democracia, não garante a dissolução de conflitos; constituindo, todavia, em uma forma permissiva para evidenciá-los, o que permite que se mostrem e se coloquem ao “alcance da ação das pessoas e grupos para resolvê-los”. Desta forma, como afirma LÜCK (2000), a eleição do diretor compreende uma área de atuação sobre a qual muito se tem a aprender, sobretudo, sobre como eleger o melhor e mais competente disponível para o cargo, como superar os interesses individuais e de grupos isolados, como buscar o bem social e a qualidade da educação, como manter a mobilização da sociedade e o compromisso coletivo em torno da escola, em períodos extra eleições. 3. O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO O projeto político pedagógico (PPP) é a alma de uma escola, é um documento construído de forma coletiva no qual são expressos objetivos e metas para a busca de uma educação de qualidade. Este processo é bastante complexo e delicado, e precisa ser guiado com competência, sobriedade e principalmente paciência. O PPP é diferente de planejamento pedagógico. É um conjunto de princípios que norteiam a elaboração e a execução dos planejamentos, por isso, envolve diretrizes mais permanentes, que abarcam conceitos subjacentes à educação: Conceitos Antropológicos: (relativos à existência humana); Conceitos Epistemológicos: aquisição do conhecimento; Conceitos sobre Valores: pessoais, morais, étnicos; Conceitos Políticos: direcionamento hierárquico, regras. Dessa forma a construção do PPP tem como seu principal mediador o diretor da escola, e o posto de gestor assegura que a escola realize sua missão de ser um local de educação, entendida como elaboração do conhecimento, aquisição de habilidades e formação de valores. (SANTANA; GOMES; BARBOSA, 2012). A construção do Projeto Político Pedagógico, segundo VEIGAS (1998), sempre deve partir da prática social em que está inserida do cotidiano escolar e sempre deve estar voltado para a solução dos problemas da educação, do processo ensino aprendizagem e do currículo da escola. Ele deve contemplar a visão de mundo, do homem, da sociedade, da escola necessária, política pública e comunidade externa á escola, pois é esse conjunto que irá nortear a identidade da escola, ou seja, a serviço de que a sociedade e que tipo de homem a escola está se relevando, contribuindo efetivamente para o aperfeiçoamento dessa construção para que ela resulte em melhoria da qualidade de educação em nossas escolas. De acordo com VEIGAS (1998), através do projeto político-pedagógico, a escola deve planejar o que tem a intenção de realizar, devendo este nortear todo processo educativo e não apenassatisfazer exigências meramente burocráticas, estando intimamente articulado ao compromisso sócio-político com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. O projeto político-pedagógico deve estar embasado em princípios que norteiam a escola democrática, pública e gratuita como: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; qualidade para todos, e não só para as minorias econômicas e sociais; gestão democrática que envolva a participação dos representantes dos diferentes segmentos da escola nas decisões/ações administrativas pedagógicas ali desenvolvidas; liberdade; valorização do magistério. A implementação desses princípios básicos na elaboração do PPP deve contribuir para a superação da fragmentação do trabalho pedagógico. O Projeto Político Pedagógico, se constitui um projeto democrático que contempla as condições a realidade em que a escola esta inserida, tem que se configurar como um projeto de solidariedade, onde a escola seja necessária socialmente, privilegiando o saber, o pensar, o ser humano num todo. Ao se constituir em processo democrático, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. (VEIGA, 2002). Dentre os principais mecanismos, o Projeto Político Pedagógico é imprescindível para a elaboração de uma proposta pautada nos trâmites democráticos. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), artigos 13 e 14, a elaboração da proposta pedagógica deve contar com a participação dos profissionais da educação. Com tais dispositivos, a lei dá um realce ao papel da escola e dos educadores na construção de projetos educacionais articulados com as políticas nacionais, as diretrizes dos Estados e municípios e capazes, ao mesmo tempo, de levar em consideração a realidade específica de cada instituição de ensino. Etimologicamente, projeto pedagógico compreende um trabalho conjunto, pensado e elaborado em favor do bem comum. Uma proposta para o porvir de uma escola. O termo projeto é de origem latina: projecto ou proiecto, cujo significado é “lançar para a frente, fazer pulsar a partir de dentro, arremessar, afastar”; e o pedagógico vem do grego paidagojikós, que significa “cuidar de uma doença”. Paidagogikós, por sua vez, deriva do termo paideía, que corresponde a “educação, 16 ensino, exercício com as crianças, método de ensino, formação, conhecimento, arte de fazer qualquer coisa”, do qual advém o termo paidagojía, que significa “direção de crianças, educação, cuidado de um enfermo.” (LOURENÇO et al., 2003, p. 9). Segundo SANTANA; GOMES; BARBOSA (2012), a escola não deve elaborar seu projeto político-pedagógico apenas movida por uma exigência legal, mas a partir da necessidade de inovar a ação coletiva no cotidiano de seu trabalho. Daí dá maior relevância à implantação de uma gestão democrática. em oposição à visão técnica e mercadológica da administração pública, os autores apresentam propostas que consideram a dimensão sociológica, histórica e cultural da gestão democrática da escola, pois é neste contexto que são geridos processos de qualidade. De modo mais preciso, a alternativa é que os educadores que acreditam e lutam pela gestão democrática assumam a tarefa de conscientização e crítica às atuais políticas, fazendo da autonomia, participação e democracia, em sua essência, pilares para a melhoria da escola pública. (FRANÇA & BEZERRA, 2009, p.89). Ao exercer essa autonomia a escola se envolve na preparação de planejamentos que busquem ações para o desenvolvimento da educação no intuito de uma gestão democrática. Daí a elaboração do Projeto Político Pedagógico baseado em uma gestão que priorize caminhos necessários para garantir uma escola com dimensões pedagógica e administrativa, atuando de forma efetiva na construção de uma escola que busque a colaboração de toda a comunidade escolar para o seu crescimento com local de ensino. (SANTANA; GOMES; BARBOSA (2012). Para que os mecanismos de participação como o Projeto Político Pedagógico e o Conselho Escolar tenham resultados benéficos e fortaleça a gestão democrática da escola, é preciso que antes seja analisada minuciosamente a verdadeira função social da educação e da escola que se pauta na preparação do cidadão para sua inserção na sociedade, na qual viverá como cidadão e como profissional de alguma área da atividade humana. (MORRETO, 2005). O projeto de educação, considerando os alunos como seres pensantes e que trazem uma história de vida, a ser desenvolvido nas escolas; tem que estar pautado na realidade, visando sua transformação, na medida em que se compreende que este não é algo pronto e acabado. Em suma, a educação é uma prática social e histórica e, por isso, traduz concepções e projetos de sociedade. 23 17 Entretanto, é importante ressaltar que: A educação é antes de mais nada, desenvolvimento de potencialidades e a apropriação de „saber social‟ (conjunto de conhecimentos e habilidades, atitudes e valores que são produzidos pelas classes, em uma situação histórica dada de relações para dar conta de seus interesses e necessidades). Trata-se de buscar, na educação, conhecimentos e habilidades que permitam uma melhor compreensão da realidade e envolva a capacidade de fazer valer os próprios interesses econômicos, políticos e culturais. (FRIGOTO, 1996). 18 4. O CONSELHO ESCOLAR O Conselho Escolar é o órgão máximo de direção nas Escolas Públicas, com poder instituído pelo processo de democratização escolar. Todas as pessoas ligadas à escola se fazem representar e decidem sobre aspectos administrativos, financeiros e pedagógicos, como um canal de participação, que também atua como instrumento de gestão da própria escola, cuja função é o estudo e planejamento, debate e deliberação, acompanhamento, controle e avaliação das principais ações da escola, tanto no campo pedagógico, como no administrativo e financeiro (AMBONI, 2007). Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência de espaços propicios para que novas relaçoes sociais entre os diversos segmentos escolares possam acontecer (BOBBIO, 2000). Assim, o Conselho Escolar constitui um desses espaçõs, juntamente com o Conselho de classe, o grêmio estudantil, a Associação de Pais e mestres. Desta forma, o Conselho Escolar é uma instituição que, perante a lei, deve coordenar a gestão escolar no seu dia-a-dia. Entretanto, na prática, o conselho quase sempre se submete à vontade do diretor. Ou seja, o Conselho deveria ser o órgão responsável pelo estudo e planejamento, debate e deliberação, acompanhamento, controle e avaliação das principais ações da escola, tanto no campo pedagógico, como no administrativo e financeiro (MAIA; BOGONI, 2008). ROMÃO (2000), salienta que com exceção do diretor, que é membro nato, todos os outros membros do conselho são eleitos por seus pares, todos os professores da escola elegem, por voto direto, os professores que os representarão no conselho. Quando pais e professores estão presentes nas discussões dos aspectos educacionais, estabelecem-se situações de aprendizagem de mão dupla: ora a escola estende sua função pedagógica para fora, ora a comunidade influencia os destinos de escola. As famílias começam a perceber melhor o que seria um bom atendimento escolar, a escola aprende a ouvir sugestões e aceitar influências. (MAIA & BOGONI, 2008) O Conselho escolar é um colegiado formado por todos os segmentosque representam a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários e direção). A criação do conselho escolar, neste contexto toma-se fundamental, pois o processo de discussão nas comunidades escolares pode possibilitar a implantação da ação conjunto com a co-responsabilidade de todos no processo educativo, o que se constitui um mecanismo de ação coletiva, que canaliza os esforços da comunidade escolar em direção a uma escola renovada (PEPE & MERCADO, 2005). Conselho escolar é um elemento fundamental da gestão democrática da escola, pois é através dele que as discussões com a comunidade escolar surgem e com objetivo de implantar as ações em conjunto com a corresponsabilidade de todos no processo educativo. Através deste mecanismo de ação coletiva é que efetivamente serão canalizados os esforços da comunidade escolar em direção à renovação da escola, na busca da melhoria do ensino e de uma sociedade humana mais democrática. Sendo embasado na Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional nº 9394/96, Art.14, Inciso II, estabelece os princípios da educação democrática, dentre os quais informa da importância da participação das comunidades escolares locais em conselhos escolares, para as decisões do processo educativo. Legalmente ainda conta com a Lei n°10.172/01 - Plano Nacional de Educação – a qual tem por objetivo assegurar que toda a comunidade seja envolvida nas decisões importantes tomadas na escola. Como tem sua institucionalização, constituição e funcionamento determinados por lei, para também atuar na fiscalização da gestão financeira, o Conselho Escolar exerce o controle social sobre a aplicação orçamentária da Instituição Escolar. Além da tarefa de apresentar propostas, pois também decide e determina onde e como serão aplicados os recursos. (CISESKI & ROMÃO, 2004). Por receber dinheiro público, está submetido à Lei de Responsabilidade Fiscal, pois tem que emitir pareceres, acompanhar, fiscalizar e aprovar a gestão do dinheiro público no âmbito das escolas, o que garante a legitimidade de suas ações (AMBONI, 2007). 20 5.O DIRETOR ESCOLAR De acordo com ROMÃO E PADILHA (1997), até as décadas de 1980 e 1990, a escola era administrada por princípios fundamentados na assimilação do modelo de administração científica, centralizado na figura do diretor, que agia como tutelado aos órgãos centrais, competindo-lhe zelar pelo cumprimento de normas, determinações e regulamentos deles emanados. Atuava sem voz própria para determinar os destinos da escola e, portanto, não se responsabilizando pelo resultado de suas ações. “O trabalho do diretor constituía-se em repassar informações, como controlar, supervisionar, dirigir o fazer escolar, de acordo com as normas estabelecidas pelo sistema de ensino.” (ROMÃO e PADILHA, 1997, p. 91). A direção da escola é uma das funções do processo organizacional, o termo vai além de mobilização para a realização das atividades designadas aos diretos. A escola precisa cumprir sua função social, considerando os objetivos políticos e pedagógicos. De acordo com LUCK (2000), o diretor escolar é um gestor de dinâmica social, um mobilizador e orquestrador de atores, um articular de diversidade para dar-lhe unidade e consistência, na construção do ambiente educacional e promoção segura da formação de seus alunos. A administração é uma das formas da gestão, pois compreende as atividades de planejamento, organização, direção, coordenação e controle. A gestão democrática é o resultado de um processo pedagógico coletivo que envolve o conhecimento da legislação e também à implantação e consolidação de mecanismos de participação. O diretor deve ser o principal revigorador do comportamento do professor na superação dessas barreiras previsíveis e pode fazê- lo através de palavras e ações adequadas que reforçam o apoio aos professores (SAGE, 1999). A relação entre gestores, alunos e o corpo docente é essencial para o bom andamento da escola, dependendo de como estar à situação da escola, com problemas financeiros, por exemplo, se ela estiver amparada pelo bom relacionamento entre as pessoas que participam, esses problemas podem ser bem encarados e ainda ser resolvidos com ajuda do conjunto, ou seja, a escola adota conduta democrática. Essa interação é ocorrida no cotidiano, entre professores e gestores através de reuniões e encontro casuais, e entre professores e alunos na hora da aula e até mesmo no momento do intervalo. Todos esses tipos de envolvimento fazem com que a escola ganhe (SANTANA; GOMES; BARBOSA, 2012). De acordo com GIRLING e KEITH (1996), afirmam que o sucesso da escola pode ser impulsionado através da prática de uma administração participativa, voltada para objetivos claros, definidos coletivamente pela comunidade escolar, o que ocasiona uma relação positiva, entre gestão participativa e a elevação da autoestima das comunidades escolar e local. O diretor é o responsável pelo bom andamento de todos os setores da escola, é quem junto aos demais segmentos deve elaborar o plano curricular, e de legar poderes aos responsáveis por cada setor da escola, coordenando o trabalho. O papel do diretor em provocar as mudanças necessárias do sistema em cada nível – o setor escolar central, a escola e cada turma – é essencialmente um papel de facilitação. A mudança não pode ser legislada ou obrigada a existir. O medo da mudança não pode ser ignorado. O diretor pode ajudar os outros a encararem o medo, encorajar as tentativas de novos comportamentos e reforçar os esforços rumo ao objetivo da inclusão (SAGE, 1999). Este gestor também irá, segundo SANTOS (2011), criar um clima de trabalho apropriado, visando tranquilidade e espírito de equipe entre os profissionais; coordenar o trabalho coletivo de construção e reconstrução do Projeto Político Pedagógico e do Plano de Desenvolvimento da Escola, bem como sua viabilização; incentivar a criação de projetos que promovam a melhoria do processo de ensino e aprendizagem, independente do segmento que os proponham (pais, alunos e/ou professores); buscar troca de experiências em outras escolas; acompanhar o desempenho dos alunos, identificando os problemas existentes – dificuldades de aprendizagem, evasão e reprovação – buscando junto à equipe pedagógica propostas para saná-los; Irá também, estimular o processo de auto avaliação institucional, do corpo docente e discente, e dos funcionários; estimular a participação dos pais nos conselhos escolares, reuniões e demais atividades da escola; supervisionar os 22 espaços da escola, cuidando para que eles sejam um reflexo da sua Proposta Pedagógica e se constituam, de fato, em um espaço de construção de cidadania; estimular que os profissionais da escola tenham um momento de formação continuada em serviço ou fora dele. (RODRIGUES, 1985). “A escola é criada pela sociedade com o objetivo de transmitir aos alunos os conhecimentos, as atitudes, os valores, as habilidades que têm importância para ela.” (RODRIGUES, 1985, p.89). Segundo CASASSUS (1995), a descentralização aumenta a probabilidade de haver uma maior participação dos evolvidos no processo educativo e uma maior eficácia na prática educativa devido a um maior controle social, aumentando a responsabilidade da equipe escolar. Neste contexto, o diretor escolar deve transformar-se em um motivador, incentivador e catalisador de ações que liguem a escola a outras escolas e à comunidade. SAGE (1999), analisa a relação entre o gestor escolar e a educação inclusiva, reconhece que a prática dessa educação requer alterações importantes nos sistemas de ensino e nas escolas. Para o autor, os gestores escolares são essenciais nesse processo, pois lideram e mantêm a estabilidade do sistema. As mudanças apontadas para a construção da escola inclusiva envolvem vários níveis do sistema administrativo:secretarias de educação, organização das escolas e procedimentos didáticos em sala de aula. “O papel do diretor é de importância vital em cada nível, e diferentes níveis de pessoal administrativo estão envolvidos” (SAGE 1999, p. 129). 23 6.FORMAÇÃO DE GESTORES ESCOLARES Atualmente, muito se comenta sobre a necessidade da construção de uma Gestão Educacional democrática no que diz respeito tanto aos sistemas de ensino quanto as unidades escolares. O processo autônomo que deve ser desencadeado pelos gestores das unidades escolares em busca de uma gestão democrática e participativa, envolve práticas que buscam soluções próprias para seus problemas e, portanto, mais adequadas às suas necessidades e expectativas, mas que envolva o autocontrole, com características que equilibram a autonomia e a participação, para que a unidade de ensino não caia no espontaneísmo, na falta de direcionamento e de orientação. Para que haja autonomia, é necessário considerar que o planejamento das ações realizado de forma coletiva é fundamental para que se realize o projeto de escola construído a partir de uma discussão de todos e em que todos têm responsabilidades, todos tem a sua parcela de atuação. (DEÁK 2012). A formação centrada na escola envolve todas as estratégias empregadas conjuntamente pelos formadores e pelos professores para dirigir os programas de formação de modo a que respondam às necessidades definidas da escola e para elevar a qualidade do ensino e da aprendizagem em sala de aula e nas escolas. Quando se fala de formação centrada na escola, entende-se que a instituição educacional transforma-se em lugar de formação prioritária diante de outras ações formativas. A formação centrada na escola é mais que uma simples mudança de lugar da formação, representa uma mudança de paradigma, pois, tem como princípio norteador o desenvolvimento de processos de formação baseados na colaboração entre os profissionais da instituição escola. Baseia-se na reflexão deliberativa e na pesquisa-ação, mediante os quais os professores elaboram suas próprias soluções em relação aos problemas práticos com que se defrontam num processo de autodeterminação baseado no diálogo; implanta-se um tipo de compreensão partilhada pelos participantes sobre as tarefas profissionais e os meios para melhorá-las e não um conjunto de papéis e funções que são aprimorados mediante normas e regras técnicas pré-determinadas pelos órgãos superiores. (IMBERNÓN 2006, p. 80-86) O movimento pelo aumento da competência da escola exige maior competência de sua gestão, em vista do que, a formação de gestores escolares passa a ser uma necessidade e um desafio para os sistemas de ensino. Sabe-se que, em geral, a formação básica dos dirigentes escolares não se assenta sobre essa área específica de atuação e que, mesmo quando estes profissionais a têm, ela tende a ser livresca e conceitual, uma vez que esta é, em geral, a característica dos cursos superiores na área social. (DEÁK 2012). Essa responsabilidade se torna mais marcante quando se evidencia a necessidade de formação contínua, complementarmente à formação inicial (MACHADO, 1999), como condição para acentuar o processo de profissionalização de gestores, de modo que enfrentem os novos desafios a que estão sujeitas as escolas e os sistemas de ensino. Não se pode esperar mais que os dirigentes escolares aprendam em serviço, pelo ensaio e erro, 0s resultados da ineficácia dessa ação são tão sérios em termos individuais, organizacionais e sociais, que não se pode continuar com essa prática. A responsabilidade educacional exige profissionalismo. (DEÁK 2012). 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS A construção da escola democrática começa na conscientização de um papel mais participativo dos gestores, equipe pedagógica, professores, funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade em geral a se comprometerem com o processo de mudança. Nas duas últimas décadas foi perceptível o crescimento dos mecanismos atribuído aos processos de democratização e descentralização da gestão dos sistemas de ensino, o que se evidencia na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e legislação complementar, no desenvolvimento de estudos, nessa área, nos meios acadêmicos do País. Ficou claro, porém que para se estabelecer novas relações entre escola e sociedade é preciso que se promova efetivamente a democratização na gestão. A democratização da gestão por meio do fortalecimento dos mecanismos de participação na escola, em especial do conselho escolar, pode-se apresentar como uma alternativa criativa para envolver os diferentes segmentos das comunidades local e escolar nas questões e problemas vivenciados pela escola. Esse processo, certamente, possibilitaria um aprendizado coletivo, cujo resultado poderia ser o fortalecimento da gestão democrática na escola. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMBONI, V. Gestão democrática e controle social dos recursos financeiros destinados às escolas estaduais do Paraná. Revista Urutágua, Maringá, (DECS/UEM), n. 13, ago./set./out./nov. 2007. BOBBIO, N.O futuro da democracia: uma defesa das regras do jogo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000. BORDIGNON, G.; GRACINDO, R.V. Gestão da educação: o município e a escola. In: FERREIRA, N.S.C.; AGUIAR, M.Â.S. (Org.). Gestão da educação: impasses, perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2000. p. 147-176. BRASIL. 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