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INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA – AJES 
ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA EDUCACIONAL 
 
8,5 
 
 
 
 
 
 
 
O PAPEL DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DIANTE DAS DIFICULDADES DE 
APRENDIZAGEM 
 
 
ANTENOR PELENTIR PEREIRA 
professorantenorbte@hotmail.com 
Orientador: Prof. Dr. Ilso Fernandes do Carmo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BRASNORTE/2014 
 
 
INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA – AJES 
ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA EDUCACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O PAPEL DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DIANTE DAS DIFICULDADES DE 
APRENDIZAGEM 
 
 
ANTENOR PELENTIR PEREIRA 
 
Orientador: Prof. Dr. Ilso Fernandes do Carmo 
 
 
 
 
“Monografia apresentada como 
exigência parcial para a 
obtenção do título de 
Especialização em 
Psicopedagogia Clínica 
Educacional.” 
 
 
 
 
 
 
DEZEMBRO/2014 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
A Deus pelo dom da vida, pela fé e perseverança para vencer os obstáculos. 
A minha esposa, Edileusa pelo carinho, dedicação e compreensão. 
Meu filho Paulo Ricardo, presente em todos os momentos da minha vida. 
As minhas filhas Polliana e Pâmela, pela minha ausência. 
O meu orientador Prof. ILSO FERNANDES DO CARMO, pela paciência e 
incentivo. 
Aos meus professores, pela aprendizagem que me foi proporcionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A Deus pelo dom da vida, pela fé e perseverança para vencer os obstáculos. 
Aos meus pais Waldemar e Rosa pelo incentivo nesse estudo de pós e 
durante toda minha vida. 
Ao meu orientador, que me orientou, pela sua disponibilidade, interesse e 
receptividade com que me ajudaram. 
Agradeço aos professores do curso de Psicopedagogia Clínica Educacional. 
Do Instituto Superior de Educação do Vale do Juruena-Ajes. 
Enfim, sou grato a todos que contribuíram de forma direta ou indireta para 
realização desta monografia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
A escola em seus compromissos com a sociedade compreende dois focos 
de atuação, instrucional e formativa. Sua autonomia compreende uma conquista 
contínua, que requer tanto a preparação da escola quanto dos indivíduos, neste 
contexto o objetivo desse trabalho é de mostrar através de uma revisão de literatura 
o papel da gestão democrática diante das dificuldades de aprendizagem dos alunos, 
e como a participação dos diretores, dirigentes, conselhos de classe e o projeto 
político pedagógico se torna fundamental para um melhor aprendizado dos alunos. 
Para este estudo realizou-se um levantamento bibliográfico de trabalhos que 
abordaram o tema sobre, gestão democrática. 
Observou-se que a construção da escola democrática começa na 
conscientização de um papel mais participativo dos gestores, equipe pedagógica, 
professores, funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade em geral se 
comprometendo com o processo de mudança. A escola contribui para o processo ao 
transmitir regras e valores considerados desejáveis, para a formação da cidadania. 
Para se estabelecer novas relações entre escola e sociedade é preciso que se 
promova efetivamente a democratização na gestão. A democratização da gestão por 
meio do fortalecimento dos mecanismos de participação na escola, em especial do 
conselho escolar, pode-se apresentar como uma alternativa criativa para envolver os 
diferentes segmentos das comunidades local e escolar nas questões e problemas 
vivenciados pela escola. Esse processo, certamente, possibilitaria um aprendizado 
coletivo, cujo resultado poderia ser o fortalecimento da gestão democrática na 
escola. 
 
Palavras-chave: Conselho de classe. Diretor. Pais. Professor. Projeto politico 
pedagógico. 
07 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
INTRODUÇÃO_____________________________________________________06 
1. A GESTÃO DEMOCRÁTICA ________________________________________09 
2. ROTATIVIDADE NO QUADRO DE DIRIGENTES _______________________14 
3. O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO _______________________________15 
4. O CONSELHO ESCOLAR __________________________________________19 
5. O DIRETOR ESCOLAR____________________________________________21 
6. FORMAÇÃO DE GESTORES ESCOLARES____________________________24 
CONSIDERAÇÕES FINAIS___________________________________________26 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS_____________________________________27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A educação é um direto de todos, que deve ser promovido e incentivado 
para o desenvolvimento da pessoa, seu preparo para os exercícios da cidadania e 
qualificação para o trabalho. A história da educação no Brasil foi desde a sua mais 
tenra origem talhada por uma escola que tendia a um sistema divisor da sociedade 
em grupos ou classes sociais; e que, diante disto, tratava diferentemente os menos 
favorecidos com preconceito e desdém. A educação em seus primórdios não foi 
capaz de discernir sobre a necessidade de se respeitar todos os povos, suas 
culturas, e aceitar que todos os indivíduos agem e reagem de forma diferente, 
pecando durante muito tempo ao ser incapaz de dizer um basta a esta situação 
caótica que se instalou no sistema educacional brasileiro (MACHADO, 2000). 
 Na Antiguidade a educação era privilégio de minorias, com a Revolução 
Francesa e a Independência dos Estados Unidos, um novo ideal começa a ser 
perseguido o de uma escola não apenas para os filhos da elite, mas uma escola 
para todos. Estes movimentos marcaram avanços no sentido de romper com uma 
organização social de privilégios e o fortalecimento na luta pela democracia. De 
acordo com o Censo Escolar, entre 1997 (quando se registraram 2,3 milhões de 
inscritos) e 2003 (ano em que as matrículas somaram 3,3 milhões), a oferta de 
vagas no ensino fundamental presencial de jovens e adultos cresceu 43%, 
acolhendo um contingente adicional de um milhão de estudantes. É um aumento 
expressivo, mas ainda insuficiente para garantir os direitos de 66 milhões de 
brasileiros com baixa escolaridade (DI PERRIO, 2005) 
A escola em seus compromissos com a sociedade compreende dois focos 
de atuação, instrucional e formativa. A instrucional refere-se à transmissão de 
conhecimentos, de técnicas e de habilidades, legados históricos considerados 
socialmente relevantes. Segundo PUIG (2000), a escola contribui para o processo 
ao transmitir regras e valores considerados desejáveis, para a formação da 
cidadania. Onde a escola deveria ser uma instituição igualitária, mas acaba 
reproduzindo a desigualdade social na medida em que apenas uma pequena parte 
da população alcança êxito em seu interior e consegue concluir sua formação. 
Visando à transformação de um sistema educativo, que reconhecerá as 
 
 
diferenças de classes, enxergará ás classes menos privilegiadas, um sistema 
democrático, que compreende a participação da sociedade como um todo, no 
processo transformador que busca a integração social, a conscientização e a 
cidadania de seus membros. A escola democrática permite a participação coletiva e 
a democratização da sua gestão, um processo de transformação que exige a 
participação, de diretores, professores, pais e demais elementos interessados e 
pertencentes à comunidade local, buscando a qualidade educacional, com novas 
formulações de politicas educacionais, planejamentos, tomadas de decisões, 
definição do uso de recurso de acordo com as necessidades buscando sempre a 
valorização do conhecimento do aluno, fortalecendo uma democracia no processo 
ensino-aprendizagem (PUIG, 2000; PENIN & VIEIRA, 2002). 
A autonomia da escola compreende uma conquista contínua, que requer 
tanto a preparação da escola quanto dos indivíduos para a autonomia pessoal como 
prerrogativa necessária para a qualidade da educação (FREITAS, 2000), neste 
contexto o objetivo desse trabalho é de mostrar através de uma revisão de literatura 
o papel da gestão democráticadiante das dificuldades de aprendizagem dos alunos, 
e como a participação dos diretores, dirigentes, conselhos de classe e o projeto 
politico pedagógico se torna fundamental para um melhor aprendizado dos alunos. 
 
 
METODOLOGIA 
Para este estudo realizou-se um levantamento bibliográfico de trabalhos que 
abordaram o tema sobre, Gestão democrática. 
 
 
ESTRUTURA DO TRABALHO 
Com o intuito de trazer uma nova perspectiva em relação a Gestão 
democrática no ensino, abordaremos o tema em capítulos para facilitar o 
entendimento, sendo: 
A gestão democrática: abordaremos o processo político pelo qual as 
pessoas integram a escola, descentralizando poderes, promovendo a participação 
de todos. 
07 
 
 
Rotatividade no quadro de dirigentes: abordaremos a importância das 
eleições dos dirigentes da escola, para a implantação de uma gestão mais 
democrática. 
O Projeto Político Pedagógico: apresentamos a importância do Projeto 
Político Pedagógico, partindo de uma pratica social inserindo a escola no cotidiano 
do mundo. 
O Conselho Escolar: apresentamos a importância do Conselho Escolar, para 
instituir e manter a democratização dentro da escola, onde todas as pessoas ligadas 
à escola auxiliam e decidem sobre os aspectos administrativos, financeiros e 
pedagógicos. 
O Diretor escolar: realçamos a importância da direção da escola nas funções 
organizacional, na sua função social, levando em consideração os objetivos políticos 
e pedagógicos. 
Formação de gestores escolares: apresentamos as estratégias empregadas 
para a formação de gestores. 
 
08 
 
 
1. A GESTÃO DEMOCRÁTICA 
 
A gestão escolar democrática tem sido discutida, ao longo dos últimos anos, 
nos meios acadêmicos e nos órgãos centrais dos diversos sistemas de ensino de 
nosso país. A democratização da escola pública tem sido tema de discussões ao 
longo da história educacional brasileira. Retomando a década de 1930, os 
chamados Pioneiros da Escola Nova tinham como um dos objetivos de sua luta a 
democratização da educação, significando ela o acesso, por toda a população, à 
escolaridade básica. (SILVA 2009). 
A Gestão Escolar compreende o processo político por meio do qual as 
pessoas integrantes da escola, tendo como princípio básico, o diálogo e a 
autoridade 
discutem, deliberam e planejam, solucionam problemas e os encaminham, 
acompanham, controlam e avaliam o conjunto das ações voltadas ao 
desenvolvimento da própria escola”, mediante a “participação efetiva de 
todos os segmentos da comunidade escolar, o respeito a normas 
coletivamente construídas para os processos de tomada de decisões e a 
garantia de amplo acesso às informações aos sujeitos da escola. (MAIA & 
BOGONI, 2008, p.3). 
A gestão democrática só se torna eficaz quando a autoridade é transferida 
às localidades e a responsabilidade acerca das prestações de contas lhes é 
atribuída. A escola democrática e descentralizada passou, concomitantemente, a ser 
autônoma, tendo independência para gerir sua variedade de abrangências, mediante 
o compromisso de promover a participação de todos. Tais princípios concentram o 
anseio da sociedade brasileira, tão ferida nos seus direitos igualitários, desde o 
início de sua formação. (MACHADO, 2000). 
Segundo MELLO (1993), a atividade escolar era quase que totalmente 
determinada de fora para dentro. Formalmente, não existia ou era muito restrito o 
espaço que a escola possuía para as tomadas de decisões sobre seus próprios 
objetivos, organização e gestão, modelo pedagogia e, principalmente, sobre suas 
equipes de trabalho. A autonomia e a descentralização exigem a ação diferenciada 
dos gestores educacionais, a nível de sistema e de escola, visto que o enfoque da 
educação deixa de ser o processo e passa a contemplar o resultado. Não mais 
existe um processo único, mas sim flexibilidade na execução que, de fato, possa 
atender as demandas dos alunos de uma determinada escola: “cada um encontra 
 
 
seu caminho na busca da qualidade do ensino”. Não existe uma receita pronta, mas 
modelos exitosos. O importante é o objetivo almejado e o resultado a se alcançar. 
(MACHADO, 2000). 
Embora não haja uma única maneira de implantar um sistema de gestão 
participativa, é possível identificar alguns princípios, valores e prioridades, na 
construção efetiva dessa gestão. LIBÂNEO (2004), afirma que, a participação é o 
principal meio e se assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o 
envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no 
funcionamento da organização escolar. Além disso, proporciona um melhor 
conhecimento dos objetivos e metas, da estrutura organizacional e de sua dinâmica, 
das relações da escola com a comunidade, e favorece uma aproximação maior entre 
professores, alunos, pais. 
Para SILVA (2007), a gestão escolar, dentro da perspectiva democrática, 
passa pela democratização da escola e por sua natureza social, não se 
restringindo exclusivamente aos processos transparentes e democráticos 
ligados à função administrativa. (p.3). 
Assim sendo, a gestão escolar engloba duas dimensões: interna e a externa. 
A primeira refere-se à organização interna da escola, que contempla os processos 
administrativos, a participação da comunidade escolar nos projetos pedagógicos, 
político e administrativo. A segunda está ligada à função social da escola, sua 
vocação democrática, mais especificamente, no sentido de divulgar o conhecimento 
produzido e sua socialização. (SILVA 2007). 
A gestão escolar fundamentada em princípios de autonomia, participação e 
democracia está presente na Constituição Federal do Brasil de 1988, a qual aponta 
para a necessidade de uma gestão com a participação da comunidade escolar: 
O Art. 206; IV garante uma gestão participativa no ensino público, 
assegurando o caráter democrático da educação de forma “que as 
instituições públicas possam criar uma cultura político-educativa de 
exercício do princípio e da prática democrática, no seu cotidiano. 
Contudo, nenhuma escola, como qualquer organização social, é 
absolutamente autônoma. Todas são dependentes de uma legislação específica. 
Mesmo o ensino da rede privada, conforme estabelece o Artigo 209 da Constituição 
Federal de 1988, está condicionado ao cumprimento das normas gerais da 
educação nacional, autorização e avaliação da sua qualidade pelo Poder Público. A 
10 
 
 
gestão democrática é um principio constitucional fortalecido pela LDBEN (Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional), Lei n. 9394/96 de 20 de dezembro de 
1996, Lei Darcy Ribeiro e distinguir-se pela prática dos seus gestores associados a 
uma visão de educação emancipadora. Ela exige um gestor capaz de identificar e 
implementar espaços de aprendizagem compatíveis com uma educação 
participativa, certificando a construção de escolas solidárias, democráticas e 
competentes. A escola pública tem a sua autonomia demarcada e caracterizada 
pelo respeito às proposições legais nacionais, estaduais e municipais, assim como 
pelas normas, regulamentos, resoluções e planos globais de gestão do sistema de 
ensino ao qual pertence. 
A gestão democrática na escola tem o objetivo de envolver toda a 
comunidade escolar através da participação efetiva na construção do Projeto Político 
Pedagógico e em todas as decisões que surgirem nesta gestão. A gestão 
democrática da escola só tem êxito se a comunidade participar de forma efetiva e 
ativamente direta, ou através dos órgãos colegiados da escola como: o Conselho 
Escolar, Eleição para Diretor, PDE, Regimento Escolar. (BORDIGNON, 2000). 
Segundo GADOTTI (2001), a autonomia se refere à criação de novas 
relações sociais, que se opõem às relações autoritárias existentes, realiza-se em 
três importantes áreas de atuação da escola: pedagógica, administrativa e 
financeira. A autonomia pedagógica está garantida na possibilidade de cada unidade 
formular e implementar suaProposta Político Pedagógica, em conformidade com as 
políticas vigentes e as normas do sistema de ensino aplicáveis. Já a autonomia 
administrativa está assegurada pela eleição dos Gestores Escolares, constituição 
dos Conselhos Escolares, organizações associativas de pais e de alunos, e pela 
formulação, aprovação e implementação do Plano de Desenvolvimento da Escola – 
PDE, do Regimento Escolar, do Plano de Gestão da Escola e Avaliação de 
Desempenho dos Servidores, nos termos da legislação em vigor. A autonomia 
financeira está afirmada pela administração dos recursos financeiros nela alocados, 
em consonância com a legislação vigente, tais como o Programa Dinheiro Direto na 
Escola – PDDE. Portanto, a autonomia na escola é relativa e não absoluta; não pode 
ser interpretada como soberania da escola para decidir e fazer o que quiser. 
Representa uma divisão de responsabilidades entre os sistemas de ensino e as 
11 
 
 
escolas No que diz respeito aos resultados acadêmicos alcançados, à transparência 
e à prestação de contas dos recursos públicos aplicados na educação. 
 Uma escola é o que são os seus gestores, os seus educadores, os pais 
dos estudantes, os estudantes e a comunidade”... “A cara da escola decorre 
da ação conjunta de todos esses elementos”. Isto é, a escola é administrada 
em função de sua comunidade e com sua comunidade com participação 
efetiva de todos. Assim, ela é o espelho de seus gestores. (LUCKESI 2007, 
p. 5). 
Os incentivos políticos e institucionais à participação das comunidades 
escolar e local têm sido poucas e ineficientes na construção da autonomia escolar. A 
descentralização e a democratização da administração de escolas públicas são 
perseguidas teoricamente, mas com poucos resultados significativos e permanentes. 
Várias políticas e reformas legislativas, federal, estadual e até mesmo municipal têm 
observado e incorporado a crescente tendência, política e social, a democratização 
da gestão escolar. Contudo, a participação na tomada de decisões administrativas, 
financeiras e pedagógicas não alcançou a maior parte que vivem e fazem a escola 
acontecer. (FREITAS, 2000). 
MADEIRA (1998, p.71), comenta que “as políticas educacionais se 
restringem à oportunidade de participação do indivíduo apenas à mecânica adesão.” 
A não consideração do indivíduo a qualquer ação educativa “abre um imenso 
espaço ao fracasso.” O sucesso, por sua vez, advém do exercício da gestão 
participativa, que se mantém constantemente aberta ao diálogo, pois quando as 
pessoas são percebidas e valorizadas como agentes. O foco no indivíduo garante 
benefícios à Nação. A qualidade educacional é elevada, quando existe respeito com 
o trabalho do professor, com o gestor escolar, com as comunidades e localidades. 
A qualidade da educação não se restringe a competência de gestores, 
professores, pais, funcionários, alunos, pois o sucesso também está relacionado à 
ação do Estado quanto ao investimento (gastos e recursos) destinados ao 
desenvolvimento do processo educacional e a adoção de “novos modelos de 
reorganização administrativa da escola“ (FREITAS, 2000, p.50). 
A democratização da gestão escolar, supõe a participação da comunidade 
em suas decisões, podendo ocorrer através de órgãos colegiados e instituições 
auxiliares de ensino. A participação da comunidade não deve ficar restrita apenas 
aos processos administrativos, mas ocorrer nos processos pedagógicos que supõem 
12 
 
 
o envolvimento da comunidade nas questões relacionadas ao ensino. A 
democratização da gestão escolar não tem um fim em si mesmo, mas é um meio 
para que a escola realize o seu trabalho oferecendo um ensino de qualidade. A 
busca de uma nova qualidade que recoloque a questão da função social da escola, 
objetiva estender a todos uma escola diferente da pública burguesa, propondo uma 
revisão crítica dos conteúdos por ela desenvolvidos. (SILVA 2009). 
 
13 
 
 
2.ROTATIVIDADE NO QUADRO DE DIRIGENTES 
 
De acordo com MAIA e GODONI (2008), a rotatividade no quadro de 
dirigentes, por meio de eleições é fundamental para efetivação do processo 
democrático na escola. A eleição para diretores é um caminho para a implantação 
de uma gestão mais democrática na escola, visto que a eleição para diretores 
envolve todos os segmentos da comunidade escolar (pais, alunos, funcionários e 
professores), na participação nas discussões e no exercício do fazer político. Assim, 
por meio de processo, efetiva-se, de fato, a democracia, a cidadania, da construção 
coletiva, a descentralização do ensino e a autonomia da escola, pois os novos 
espaços e tempos permitem a organização coletiva dentro da sociedade. 
Desta forma, a eleição para dirigentes escolares compreende uma aula de 
política e democracia, onde todos ensinam, todos aprendem e todos ganham com o 
fortalecimento da cidadania e participação (MARTINS, 2006). A promoção de eleição 
de diretores traduz o delineamento de uma proposta de escola, de gestão, firmando 
compromissos coletivos para levá-la a efeito. Assim, a aspiração de que com a 
prática da eleição do diretor, haveria harmonia nas relações na escola, fazendo 
desaparecer as práticas clientelistas, “mostrou-se ingênua e irrealista”, pois a eleição 
como instrumento de democracia, não garante a dissolução de conflitos; 
constituindo, todavia, em uma forma permissiva para evidenciá-los, o que permite 
que se mostrem e se coloquem ao “alcance da ação das pessoas e grupos para 
resolvê-los”. 
Desta forma, como afirma LÜCK (2000), a eleição do diretor compreende 
uma área de atuação sobre a qual muito se tem a aprender, sobretudo, sobre como 
eleger o melhor e mais competente disponível para o cargo, como superar os 
interesses individuais e de grupos isolados, como buscar o bem social e a qualidade 
da educação, como manter a mobilização da sociedade e o compromisso coletivo 
em torno da escola, em períodos extra eleições. 
 
 
3. O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 
 
O projeto político pedagógico (PPP) é a alma de uma escola, é um 
documento construído de forma coletiva no qual são expressos objetivos e metas 
para a busca de uma educação de qualidade. Este processo é bastante complexo e 
delicado, e precisa ser guiado com competência, sobriedade e principalmente 
paciência. O PPP é diferente de planejamento pedagógico. É um conjunto de 
princípios que norteiam a elaboração e a execução dos planejamentos, por isso, 
envolve diretrizes mais permanentes, que abarcam conceitos subjacentes à 
educação: Conceitos Antropológicos: (relativos à existência humana); Conceitos 
Epistemológicos: aquisição do conhecimento; Conceitos sobre Valores: pessoais, 
morais, étnicos; Conceitos Políticos: direcionamento hierárquico, regras. Dessa 
forma a construção do PPP tem como seu principal mediador o diretor da escola, e o 
posto de gestor assegura que a escola realize sua missão de ser um local de 
educação, entendida como elaboração do conhecimento, aquisição de habilidades e 
formação de valores. (SANTANA; GOMES; BARBOSA, 2012). 
A construção do Projeto Político Pedagógico, segundo VEIGAS (1998), 
sempre deve partir da prática social em que está inserida do cotidiano escolar e 
sempre deve estar voltado para a solução dos problemas da educação, do processo 
ensino aprendizagem e do currículo da escola. Ele deve contemplar a visão de 
mundo, do homem, da sociedade, da escola necessária, política pública e 
comunidade externa á escola, pois é esse conjunto que irá nortear a identidade da 
escola, ou seja, a serviço de que a sociedade e que tipo de homem a escola está se 
relevando, contribuindo efetivamente para o aperfeiçoamento dessa construção para 
que ela resulte em melhoria da qualidade de educação em nossas escolas. 
De acordo com VEIGAS (1998), através do projeto político-pedagógico, a 
escola deve planejar o que tem a intenção de realizar, devendo este nortear todo 
processo educativo e não apenassatisfazer exigências meramente burocráticas, 
estando intimamente articulado ao compromisso sócio-político com os interesses 
reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido de compromisso com 
a formação do cidadão para um tipo de sociedade. O projeto político-pedagógico 
deve estar embasado em princípios que norteiam a escola democrática, pública e 
 
 
gratuita como: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
qualidade para todos, e não só para as minorias econômicas e sociais; gestão 
democrática que envolva a participação dos representantes dos diferentes 
segmentos da escola nas decisões/ações administrativas pedagógicas ali 
desenvolvidas; liberdade; valorização do magistério. A implementação desses 
princípios básicos na elaboração do PPP deve contribuir para a superação da 
fragmentação do trabalho pedagógico. 
O Projeto Político Pedagógico, se constitui um projeto democrático que 
contempla as condições a realidade em que a escola esta inserida, tem que se 
configurar como um projeto de solidariedade, onde a escola seja necessária 
socialmente, privilegiando o saber, o pensar, o ser humano num todo. Ao se 
constituir em processo democrático, preocupa-se em instaurar uma forma de 
organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as 
relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando 
impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da 
escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as 
diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. (VEIGA, 2002). 
Dentre os principais mecanismos, o Projeto Político Pedagógico é 
imprescindível para a elaboração de uma proposta pautada nos trâmites 
democráticos. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), artigos 13 
e 14, a elaboração da proposta pedagógica deve contar com a participação dos 
profissionais da educação. Com tais dispositivos, a lei dá um realce ao papel da 
escola e dos educadores na construção de projetos educacionais articulados com as 
políticas nacionais, as diretrizes dos Estados e municípios e capazes, ao mesmo 
tempo, de levar em consideração a realidade específica de cada instituição de 
ensino. 
Etimologicamente, projeto pedagógico compreende um trabalho conjunto, 
pensado e elaborado em favor do bem comum. Uma proposta para o porvir de uma 
escola. O termo projeto é de origem latina: projecto ou proiecto, cujo significado é 
“lançar para a frente, fazer pulsar a partir de dentro, arremessar, afastar”; e o 
pedagógico vem do grego paidagojikós, que significa “cuidar de uma doença”. 
Paidagogikós, por sua vez, deriva do termo paideía, que corresponde a “educação, 
16 
 
 
ensino, exercício com as crianças, método de ensino, formação, conhecimento, arte 
de fazer qualquer coisa”, do qual advém o termo paidagojía, que significa “direção 
de crianças, educação, cuidado de um enfermo.” (LOURENÇO et al., 2003, p. 9). 
Segundo SANTANA; GOMES; BARBOSA (2012), a escola não deve 
elaborar seu projeto político-pedagógico apenas movida por uma exigência legal, 
mas a partir da necessidade de inovar a ação coletiva no cotidiano de seu trabalho. 
Daí dá maior relevância à implantação de uma gestão democrática. 
em oposição à visão técnica e mercadológica da administração pública, os 
autores apresentam propostas que consideram a dimensão sociológica, 
histórica e cultural da gestão democrática da escola, pois é neste contexto 
que são geridos processos de qualidade. De modo mais preciso, a 
alternativa é que os educadores que acreditam e lutam pela gestão 
democrática assumam a tarefa de conscientização e crítica às atuais 
políticas, fazendo da autonomia, participação e democracia, em sua 
essência, pilares para a melhoria da escola pública. (FRANÇA & BEZERRA, 
2009, p.89). 
Ao exercer essa autonomia a escola se envolve na preparação de 
planejamentos que busquem ações para o desenvolvimento da educação no intuito 
de uma gestão democrática. Daí a elaboração do Projeto Político Pedagógico 
baseado em uma gestão que priorize caminhos necessários para garantir uma 
escola com dimensões pedagógica e administrativa, atuando de forma efetiva na 
construção de uma escola que busque a colaboração de toda a comunidade escolar 
para o seu crescimento com local de ensino. (SANTANA; GOMES; BARBOSA 
(2012). 
Para que os mecanismos de participação como o Projeto Político 
Pedagógico e o Conselho Escolar tenham resultados benéficos e fortaleça a gestão 
democrática da escola, é preciso que antes seja analisada minuciosamente a 
verdadeira função social da educação e da escola que se pauta na preparação do 
cidadão para sua inserção na sociedade, na qual viverá como cidadão e como 
profissional de alguma área da atividade humana. (MORRETO, 2005). 
O projeto de educação, considerando os alunos como seres pensantes e 
que trazem uma história de vida, a ser desenvolvido nas escolas; tem que estar 
pautado na realidade, visando sua transformação, na medida em que se 
compreende que este não é algo pronto e acabado. Em suma, a educação é uma 
prática social e histórica e, por isso, traduz concepções e projetos de sociedade. 
23 
17 
 
 
Entretanto, é importante ressaltar que: A educação é antes de mais nada, 
desenvolvimento de potencialidades e a apropriação de „saber social‟ (conjunto de 
conhecimentos e habilidades, atitudes e valores que são produzidos pelas classes, 
em uma situação histórica dada de relações para dar conta de seus interesses e 
necessidades). Trata-se de buscar, na educação, conhecimentos e habilidades que 
permitam uma melhor compreensão da realidade e envolva a capacidade de fazer 
valer os próprios interesses econômicos, políticos e culturais. (FRIGOTO, 1996). 
 
18 
 
 
4. O CONSELHO ESCOLAR 
 
O Conselho Escolar é o órgão máximo de direção nas Escolas Públicas, 
com poder instituído pelo processo de democratização escolar. Todas as pessoas 
ligadas à escola se fazem representar e decidem sobre aspectos administrativos, 
financeiros e pedagógicos, como um canal de participação, que também atua como 
instrumento de gestão da própria escola, cuja função é o estudo e planejamento, 
debate e deliberação, acompanhamento, controle e avaliação das principais ações 
da escola, tanto no campo pedagógico, como no administrativo e financeiro 
(AMBONI, 2007). 
Para que haja uma gestão democrática na escola é fundamental a existência 
de espaços propicios para que novas relaçoes sociais entre os diversos segmentos 
escolares possam acontecer (BOBBIO, 2000). Assim, o Conselho Escolar constitui 
um desses espaçõs, juntamente com o Conselho de classe, o grêmio estudantil, a 
Associação de Pais e mestres. 
Desta forma, o Conselho Escolar é uma instituição que, perante a lei, deve 
coordenar a gestão escolar no seu dia-a-dia. Entretanto, na prática, o conselho 
quase sempre se submete à vontade do diretor. Ou seja, o Conselho deveria ser o 
órgão responsável pelo estudo e planejamento, debate e deliberação, 
acompanhamento, controle e avaliação das principais ações da escola, tanto no 
campo pedagógico, como no administrativo e financeiro (MAIA; BOGONI, 2008). 
ROMÃO (2000), salienta que com exceção do diretor, que é membro nato, todos os 
outros membros do conselho são eleitos por seus pares, todos os professores da 
escola elegem, por voto direto, os professores que os representarão no conselho. 
Quando pais e professores estão presentes nas discussões dos aspectos 
educacionais, estabelecem-se situações de aprendizagem de mão dupla: ora a 
escola estende sua função pedagógica para fora, ora a comunidade influencia os 
destinos de escola. As famílias começam a perceber melhor o que seria um bom 
atendimento escolar, a escola aprende a ouvir sugestões e aceitar influências. 
(MAIA & BOGONI, 2008) 
O Conselho escolar é um colegiado formado por todos os segmentosque 
representam a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários e 
 
 
direção). A criação do conselho escolar, neste contexto toma-se fundamental, pois o 
processo de discussão nas comunidades escolares pode possibilitar a implantação 
da ação conjunto com a co-responsabilidade de todos no processo educativo, o que 
se constitui um mecanismo de ação coletiva, que canaliza os esforços da 
comunidade escolar em direção a uma escola renovada (PEPE & MERCADO, 
2005). 
Conselho escolar é um elemento fundamental da gestão democrática da 
escola, pois é através dele que as discussões com a comunidade escolar surgem e 
com objetivo de implantar as ações em conjunto com a corresponsabilidade de todos 
no processo educativo. Através deste mecanismo de ação coletiva é que 
efetivamente serão canalizados os esforços da comunidade escolar em direção à 
renovação da escola, na busca da melhoria do ensino e de uma sociedade humana 
mais democrática. Sendo embasado na Lei de Diretrizes de Bases da Educação 
Nacional nº 9394/96, Art.14, Inciso II, 
estabelece os princípios da educação democrática, dentre os quais informa 
da importância da participação das comunidades escolares locais em 
conselhos escolares, para as decisões do processo educativo. Legalmente 
ainda conta com a Lei n°10.172/01 - Plano Nacional de Educação – a qual 
tem por objetivo assegurar que toda a comunidade seja envolvida nas 
decisões importantes tomadas na escola. 
Como tem sua institucionalização, constituição e funcionamento 
determinados por lei, para também atuar na fiscalização da gestão financeira, o 
Conselho Escolar exerce o controle social sobre a aplicação orçamentária da 
Instituição Escolar. Além da tarefa de apresentar propostas, pois também decide e 
determina onde e como serão aplicados os recursos. (CISESKI & ROMÃO, 2004). 
Por receber dinheiro público, está submetido à Lei de Responsabilidade Fiscal, pois 
tem que emitir pareceres, acompanhar, fiscalizar e aprovar a gestão do dinheiro 
público no âmbito das escolas, o que garante a legitimidade de suas ações 
(AMBONI, 2007). 
 
 
20 
 
 
5.O DIRETOR ESCOLAR 
 
De acordo com ROMÃO E PADILHA (1997), até as décadas de 1980 e 
1990, a escola era administrada por princípios fundamentados na assimilação do 
modelo de administração científica, centralizado na figura do diretor, que agia como 
tutelado aos órgãos centrais, competindo-lhe zelar pelo cumprimento de normas, 
determinações e regulamentos deles emanados. Atuava sem voz própria para 
determinar os destinos da escola e, portanto, não se responsabilizando pelo 
resultado de suas ações. 
“O trabalho do diretor constituía-se em repassar informações, como 
controlar, supervisionar, dirigir o fazer escolar, de acordo com as normas 
estabelecidas pelo sistema de ensino.” (ROMÃO e PADILHA, 1997, p. 91). 
A direção da escola é uma das funções do processo organizacional, o termo 
vai além de mobilização para a realização das atividades designadas aos diretos. A 
escola precisa cumprir sua função social, considerando os objetivos políticos e 
pedagógicos. De acordo com LUCK (2000), o diretor escolar é um gestor de 
dinâmica social, um mobilizador e orquestrador de atores, um articular de 
diversidade para dar-lhe unidade e consistência, na construção do ambiente 
educacional e promoção segura da formação de seus alunos. A administração é 
uma das formas da gestão, pois compreende as atividades de planejamento, 
organização, direção, coordenação e controle. 
A gestão democrática é o resultado de um processo pedagógico coletivo que 
envolve o conhecimento da legislação e também à implantação e consolidação de 
mecanismos de participação. O diretor deve ser o principal revigorador do 
comportamento do professor na superação dessas barreiras previsíveis e pode fazê-
lo através de palavras e ações adequadas que reforçam o apoio aos professores 
(SAGE, 1999). 
A relação entre gestores, alunos e o corpo docente é essencial para o bom 
andamento da escola, dependendo de como estar à situação da escola, com 
problemas financeiros, por exemplo, se ela estiver amparada pelo bom 
relacionamento entre as pessoas que participam, esses problemas podem ser bem 
encarados e ainda ser resolvidos com ajuda do conjunto, ou seja, a escola adota 
 
 
conduta democrática. Essa interação é ocorrida no cotidiano, entre professores e 
gestores através de reuniões e encontro casuais, e entre professores e alunos na 
hora da aula e até mesmo no momento do intervalo. Todos esses tipos de 
envolvimento fazem com que a escola ganhe (SANTANA; GOMES; BARBOSA, 
2012). 
De acordo com GIRLING e KEITH (1996), afirmam que o sucesso da escola 
pode ser impulsionado através da prática de uma administração participativa, 
voltada para objetivos claros, definidos coletivamente pela comunidade escolar, o 
que ocasiona uma relação positiva, entre gestão participativa e a elevação da 
autoestima das comunidades escolar e local. 
O diretor é o responsável pelo bom andamento de todos os setores da 
escola, é quem junto aos demais segmentos deve elaborar o plano curricular, e de 
legar poderes aos responsáveis por cada setor da escola, coordenando o trabalho. 
O papel do diretor em provocar as mudanças necessárias do sistema em cada nível 
– o setor escolar central, a escola e cada turma – é essencialmente um papel de 
facilitação. A mudança não pode ser legislada ou obrigada a existir. O medo da 
mudança não pode ser ignorado. O diretor pode ajudar os outros a encararem o 
medo, encorajar as tentativas de novos comportamentos e reforçar os esforços rumo 
ao objetivo da inclusão (SAGE, 1999). 
Este gestor também irá, segundo SANTOS (2011), criar um clima de 
trabalho apropriado, visando tranquilidade e espírito de equipe entre os profissionais; 
coordenar o trabalho coletivo de construção e reconstrução do Projeto Político 
Pedagógico e do Plano de Desenvolvimento da Escola, bem como sua viabilização; 
incentivar a criação de projetos que promovam a melhoria do processo de ensino e 
aprendizagem, independente do segmento que os proponham (pais, alunos e/ou 
professores); buscar troca de experiências em outras escolas; acompanhar o 
desempenho dos alunos, identificando os problemas existentes – dificuldades de 
aprendizagem, evasão e reprovação – buscando junto à equipe pedagógica 
propostas para saná-los; 
Irá também, estimular o processo de auto avaliação institucional, do corpo 
docente e discente, e dos funcionários; estimular a participação dos pais nos 
conselhos escolares, reuniões e demais atividades da escola; supervisionar os 
22 
 
 
espaços da escola, cuidando para que eles sejam um reflexo da sua Proposta 
Pedagógica e se constituam, de fato, em um espaço de construção de cidadania; 
estimular que os profissionais da escola tenham um momento de formação 
continuada em serviço ou fora dele. (RODRIGUES, 1985). 
“A escola é criada pela sociedade com o objetivo de transmitir aos alunos os 
conhecimentos, as atitudes, os valores, as habilidades que têm importância para 
ela.” (RODRIGUES, 1985, p.89). 
Segundo CASASSUS (1995), a descentralização aumenta a probabilidade 
de haver uma maior participação dos evolvidos no processo educativo e uma maior 
eficácia na prática educativa devido a um maior controle social, aumentando a 
responsabilidade da equipe escolar. Neste contexto, o diretor escolar deve 
transformar-se em um motivador, incentivador e catalisador de ações que liguem a 
escola a outras escolas e à comunidade. 
SAGE (1999), analisa a relação entre o gestor escolar e a educação 
inclusiva, reconhece que a prática dessa educação requer alterações importantes 
nos sistemas de ensino e nas escolas. Para o autor, os gestores escolares são 
essenciais nesse processo, pois lideram e mantêm a estabilidade do sistema. As 
mudanças apontadas para a construção da escola inclusiva envolvem vários níveis 
do sistema administrativo:secretarias de educação, organização das escolas e 
procedimentos didáticos em sala de aula. 
 “O papel do diretor é de importância vital em cada nível, e diferentes níveis 
de pessoal administrativo estão envolvidos” (SAGE 1999, p. 129). 
23 
 
 
6.FORMAÇÃO DE GESTORES ESCOLARES 
 
Atualmente, muito se comenta sobre a necessidade da construção de uma 
Gestão Educacional democrática no que diz respeito tanto aos sistemas de ensino 
quanto as unidades escolares. O processo autônomo que deve ser desencadeado 
pelos gestores das unidades escolares em busca de uma gestão democrática e 
participativa, envolve práticas que buscam soluções próprias para seus problemas e, 
portanto, mais adequadas às suas necessidades e expectativas, mas que envolva o 
autocontrole, com características que equilibram a autonomia e a participação, para 
que a unidade de ensino não caia no espontaneísmo, na falta de direcionamento e 
de orientação. Para que haja autonomia, é necessário considerar que o 
planejamento das ações realizado de forma coletiva é fundamental para que se 
realize o projeto de escola construído a partir de uma discussão de todos e em que 
todos têm responsabilidades, todos tem a sua parcela de atuação. (DEÁK 2012). 
A formação centrada na escola envolve todas as estratégias empregadas 
conjuntamente pelos formadores e pelos professores para dirigir os programas de 
formação de modo a que respondam às necessidades definidas da escola e para 
elevar a qualidade do ensino e da aprendizagem em sala de aula e nas escolas. 
Quando se fala de formação centrada na escola, entende-se que a instituição 
educacional transforma-se em lugar de formação prioritária diante de outras ações 
formativas. A formação centrada na escola é mais que uma simples mudança de 
lugar da formação, representa uma mudança de paradigma, pois, tem como 
princípio norteador o desenvolvimento de processos de formação baseados na 
colaboração entre os profissionais da instituição escola. Baseia-se na reflexão 
deliberativa e na pesquisa-ação, mediante os quais os professores elaboram suas 
próprias soluções em relação aos problemas práticos com que se defrontam num 
processo de autodeterminação baseado no diálogo; implanta-se um tipo de 
compreensão partilhada pelos participantes sobre as tarefas profissionais e os meios 
para melhorá-las e não um conjunto de papéis e funções que são aprimorados 
mediante normas e regras técnicas pré-determinadas pelos órgãos superiores. 
(IMBERNÓN 2006, p. 80-86) 
 
 
O movimento pelo aumento da competência da escola exige maior 
competência de sua gestão, em vista do que, a formação de gestores escolares 
passa a ser uma necessidade e um desafio para os sistemas de ensino. Sabe-se 
que, em geral, a formação básica dos dirigentes escolares não se assenta sobre 
essa área específica de atuação e que, mesmo quando estes profissionais a têm, 
ela tende a ser livresca e conceitual, uma vez que esta é, em geral, a característica 
dos cursos superiores na área social. (DEÁK 2012). 
Essa responsabilidade se torna mais marcante quando se evidencia a 
necessidade de formação contínua, complementarmente à formação inicial 
(MACHADO, 1999), como condição para acentuar o processo de profissionalização 
de gestores, de modo que enfrentem os novos desafios a que estão sujeitas as 
escolas e os sistemas de ensino. 
Não se pode esperar mais que os dirigentes escolares aprendam em 
serviço, pelo ensaio e erro, 0s resultados da ineficácia dessa ação são tão sérios em 
termos individuais, organizacionais e sociais, que não se pode continuar com essa 
prática. A responsabilidade educacional exige profissionalismo. (DEÁK 2012). 
25 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A construção da escola democrática começa na conscientização de um 
papel mais participativo dos gestores, equipe pedagógica, professores, funcionários, 
alunos, pais de alunos e comunidade em geral a se comprometerem com o processo 
de mudança. Nas duas últimas décadas foi perceptível o crescimento dos 
mecanismos atribuído aos processos de democratização e descentralização da 
gestão dos sistemas de ensino, o que se evidencia na nova Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional e legislação complementar, no desenvolvimento de 
estudos, nessa área, nos meios acadêmicos do País. Ficou claro, porém que para 
se estabelecer novas relações entre escola e sociedade é preciso que se promova 
efetivamente a democratização na gestão. A democratização da gestão por meio do 
fortalecimento dos mecanismos de participação na escola, em especial do conselho 
escolar, pode-se apresentar como uma alternativa criativa para envolver os 
diferentes segmentos das comunidades local e escolar nas questões e problemas 
vivenciados pela escola. Esse processo, certamente, possibilitaria um aprendizado 
coletivo, cujo resultado poderia ser o fortalecimento da gestão democrática na 
escola. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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