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Do Mandato

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Do mandato:
Mandato é o contrato pelo meio do qual o mandante transfere poderes ao mandatário para que este, em seu nome, pratique atos ou administre interesses. O mandato é, portanto, um negócio jurídico de representação.
Tal conceito é extraído do artigo 653 do Código Civil de 2002, que institui:
Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.
O mandato é um contrato consensual pois tem aperfeiçoamento com a mera manifestação de vontade das partes. É contrato comutativo, pois as partes sabem, no momento da celebração do negócio, quais são as suas incumbências, deveres e direitos. É, ainda, contrato preparatório, pelo fato de servir para a prática de um outro ato ou negócio. Pode, ainda, ser expresso ou tácito, verbal ou escrito.
É de natureza jurídica unilateral, uma vez que, a priori, implica obrigações para apenas uma das partes.
Mandato e procuração não se confundem, sendo que esta última não constitui um contrato, mas sim o meio pelo qual o negócio se instrumentaliza, enquanto aquele é o contrato, ou seja, a causa do vínculo jurídico que une dois sujeitos e disciplina a realização de determinada conduta, de interesse de ambos.
A procuração é o documento ou título, público ou particular, pelo meio do qual uma pessoa estabelece e delimita quais poderes serão outorgados a outrem. 
Quanto às partes, no mandato, existem o mandatário e o mandante, sendo o primeiro o sujeito que assume a obrigação de vincular o mandante, e o segundo aquele que outorga poderes a outrem, para que este aja em seu nome.
Cabe observar que a atribuição do mandatário não se resume apenas a vincular o mandante, mas também de realizar a conduta que lhe foi atribuída.
Quanto à capacidade das partes, pode o relativamente incapaz ser mandatário, assumindo o mandante, entretanto, os riscos de tal contratação, é o que dita o artigo 666 do Código Civil:
Art. 666. O maior de dezesseis e menor de dezoito anos não emancipado pode ser mandatário, mas o mandante não tem ação contra ele senão de conformidade com as regras gerais, aplicáveis às obrigações contraídas por menores.
Há, ainda, a possibilidade de que haja dois ou mais mandatários, como estabelece o artigo 672 do Código Civil:
Art. 672. Sendo dois ou mais os mandatários nomeados no mesmo instrumento, qualquer deles poderá exercer os poderes outorgados, se não forem expressamente declarados conjuntos, nem especificamente designados para atos diferentes, ou subordinados a atos sucessivos. Se os mandatários forem declarados conjuntos, não terá eficácia o ato praticado sem interferência de todos, salvo havendo ratificação, que retroagirá à data do ato.
É chamado mandato conjunto aquele em que agem os dois (ou mais) mandatários de forma concomitante e, para que a ação seja eficaz, é necessária a presença de todos os mandatários.
Pode, ainda, o mandato ser fragmentado, em que os mandatários serão designados para atos diferentes.
O mandato será sucessivo quando os mandatários forem designados para atos sucessivos.
Existe, ainda, a possibilidade de pluralidade de mandantes, como dita o artigo 680 do Código Civil: 
Art. 680. Se o mandato for outorgado por duas ou mais pessoas, e para negócio comum, cada uma ficará solidariamente responsável ao mandatário por todos os compromissos e efeitos do mandato, salvo direito regressivo, pelas quantias que pagar, contra os outros mandantes.
O substabelecimento é a possibilidade do mandatário original de transferir os poderes que lhe foram outorgados a terceira pessoa, visando facilitar a realização da´conduta que lhe foi atribuída. O substabelecimento pode ser feito com ou sem reserva de poderes para o mandatário original, entendendo-se que este é um direito subjetivo do mandatário, e que somente pode ser subtraído por previsão legal.
A responsabilidade pelos eventuais danos causados pelo substabelecido é detalhada no Código Civil, no artigo 667, que dita:
Art. 667. O mandatário é obrigado a aplicar toda sua diligência habitual na execução do mandato, e a indenizar qualquer prejuízo causado por culpa sua ou daquele a quem substabelecer, sem autorização, poderes que devia exercer pessoalmente. 
§ 1º Se, não obstante proibição do mandante, o mandatário se fizer substituir na execução do mandato, responderá ao seu constituinte pelos prejuízos ocorridos sob a gerência do substituto, embora provenientes de caso fortuito, salvo provando que o caso teria sobrevindo, ainda que não tivesse havido substabelecimento. 
§ 2º Havendo poderes de substabelecer, só serão imputáveis ao mandatário os danos causados pelo substabelecido, se tiver agido com culpa na escolha deste ou nas instruções dadas a ele.
 § 3º Se a proibição de substabelecer constar da procuração, os atos praticados pelo substabelecido não obrigam o mandante, salvo ratificação expressa, que retroagirá à data do ato.
 § 4º Sendo omissa a procuração quanto ao substabelecimento, o procurador será responsável se o substabelecido proceder culposamente
Quanto ao objeto do mandato, todos os atos da vida civil que não necessitam da intervenção pessoal do mandante podem ser objeto de mandato. 
Referências Bibliográficas:
· STOLZE, Gagliano Pablo; FILHO, Rodolfo Pamplona - Manual de Direito Civil (Volume Único) 2018
· TARTUCE, Flávio - Manual de Direito Civil (Volume Único) 2018.