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TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA \u2013 TPB 
 
Adivaldo Henrique da Fonseca, Prof. Titular UFRRJ 
 
 
A associação do carrapato Boophilus microplus e os agentes de doenças por ele transmitidas 
determinam severos prejuízos para a saúde dos bovinos e consequente prejuízo econômico. 
A morbidade determinada pela Tristeza Parasitária dos Bovinos (TPB) é alta nos países de 
climas tropical e sub-tropical. 
 
ETIOLOGIA 
A TPB é decorrente da associação do parasitismo pelo Carrapato Boophilus microplus e os 
hematozoários Babesia bigemina, B. bovis, associadas ao Anaplasma marginale. Além 
destes, pode ocorrer o parasitismo conjunto pela Ehrlichia bovis, Tripanosoma theileri e 
Borrelia theileri. 
 
Babesia bigemina: Este organismo possui tropismo pela circulação periférica e raramente é 
encontrado no plasma ou superfície eritrocítica. É muito pleomórfico, as formas pequenas 
possuem bordos irregulares, devido à emissão de pseudópodes; as formas piriformes podem 
aparecer isoladas, mas frequentemente estão bigeminadas com a extremidade disposta em 
ângulo obtuso ou agudo. Esta espécie possui dimensões de 3 a 5 µm. As formas arredondadas 
confundem-se com as formas de B. bovis. As formas amebóides e ovaladas têm sido 
relacionadas ao ciclo sexuado, o qual se completa no vetor, e as formas piriformes 
relacionam-se ao ciclo assexuado. Apresenta coloração basofílica pelos corantes derivados 
do romanovski. Na fase de convalescência do hospedeiro, a morfologia deste babesídeo pode 
estar alterada, podendo ainda ser encontrados elementos livres no plasma. As drogas 
babesicidas também induzem à modificações morfológicas. Esta espécie é transmitida pelos 
carrapatos B. microplus, cuja infecção no carrapato ocorre no período de ingurgitamento da 
fêmea; existe a transmissão transovariana, porém, apenas os ínstares de ninfa e adultos 
transmitem este agente para os bovinos. Os machos de B. microplus, devido à sua mobilidade 
e longevidade podem transmitir a B. bigemina para diferentes bovinos. 
 
Babesia bovis: Esta espécie possui dimensões pequenas, atinge no máximo 3µm e apresenta 
morfologia, predominantemente, arredondada ou lanceolada que apareçem frequentemente 
aos pares. Apresenta coloração basofílica, idêntica tanto pelo corante de giemsa, leishman ou 
outros corantes derivados do romanovski e apresenta pequena massa citoplasmática e 
abundante massa nuclear. É uma espécie que possui acentuado tropismo pela circulação de 
órgãos viscerais e centrais e pouco tropismo pela circulação periférica. O carrapato B. 
microplus é o vetor deste agente; a infecção é adquirida através das fêmeas em 
ingurgitamento e, as larva infectada via transovariana, será o único ínstar de B. microplus a 
transmitir a B. bovis aos bovinos 
 
Anaplasma marginale: É uma rickettsia caracterizada morfologicamente como um pequeno 
corpo arredondado ou ovalado, com características tintoriais basofílicas aos corantes 
derivados do romanovski. Este organismo está localizado no eritrócito, em 80 a 90% das 
ocorrências, periférica/marginalmente. Corado pelo giemsa o A. marginale apresenta-se sob 
forma arredondada, densa e homogênea, com tonalidade purpúrea, e dimensões de 0,3 a 1,0 
µm. Cada corpo pode conter de um a oito subunidades (corpúsculos iniciais) que são as 
formas infectantes. Os corpúsculos iniciais aderem-se às hemácias e sua entrada se dá por 
invaginação da membrana citoplasmática, embolsamento do microrganismo e a posterior 
formação do vacúolo parasitóforo. Logo após a penetração no eritrócito, o corpúsculo inicial 
se multiplica por divisão binária, sendo discutida a multiplicação por brotamento, e forma o 
corpo elementar. O carrapato B. microplus é importante quanto à transmissão transestadial, e 
os machos tem papel relevante na transmissão intraestadial. A utilização de agulhas, 
instrumentos cirúrgicos e outros objetos perfurantes contaminados são fontes de infecção. 
 
BIOLOGIA 
O carrapato, Boophilus microplus, durante o repasto sangüíneo, inocula no hospedeiro os 
esporozoítos de Babesia spp. Estas formas penetram nos eritrócitos, diferenciam em 
trofozoítos e multiplicam-se dando origem aos merozoítos. Estes rompem as hemácias e 
invadem novos eritrócitos continuando o processo de divisão do tipo merogônica ou divisão 
binária simples. 
Durante o hematofagismo, o carrapato ingere células sangüíneas e com estas os eritrócitos 
que contém trofozoítos. Na luz intestinal do carrapato ocorre o rompimento dos eritrócitos 
com liberação dos zoítos que evoluem para corpos raiados ("gametas"). Estes corpos, 
contendo material genético e sem dimorfismo sexual, se fusionam dois a dois originando os 
zigotos. Esta fase representa a gametogonia dos babesiideos. 
Os zigotos darão origem aos cinetos (formas móveis) que penetram em células do epitélio 
intestinal do carrapato e realizam divisão multípla originando novos cinetos. Estes são 
liberadas na hemolinfa e invadem células de vários órgãos, fazendo novas divisões até a 
morte do carrapato. Quando os oócitos são infectados haverá a multiplicação no ovo, no 
embrião e em diversos órgãos da larva; caracterizando assim, a transmissão transovariana. 
Quando os cinetos penetram nas células epiteliais das glândulas salivares, esses se 
transformam em esporontes; os esporontes se rompem e liberam os esporozoítos, formas 
infectantes para o hospedeiro vertebrado. Esta multiplicação representa a fase de 
esporogonia. 
 
Etapas básicas do ciclo de Babesia spp nos vetores: 
Hospedeiro Vertebrado 
\u2022 esporozoito 
\u2022 trofozoito (div. binária simples) 
\u2022 merozoitos 
\u2022 trofozoito 
\u2022 merozoitos - indefinidas gerações 
Hospedeiro Invertebrado 
\u2022 merozoitos 
\u2022 corpos esféricos 
\u2022 corpos raiados (= isogametas) 
\u2022 zigoto 
\u2022 esporontes (div. binária multipla) - várias gerações 
\u2022 esporozoitos (=forma infectante para o vertebrado) 
\u2022 invasão de orgãos , inclusive ovários 
B. bigemina transmissão por ninfas e adultos larvas não transmite 
B. bovis transmissão por larvas ninfas e adultos não transmitem 
 
Penetração do merozoíto - processo ativo 
\u2022 contato entre o merozoito e o eritrócito, 
\u2022 orientação do polo apical do merozoíto em direção a superficie do eritrócito, 
\u2022 fusão da membrana entre o merozoíto e o eritrócito, 
\u2022 descarga dos conteúdos da \u2018rhoptries\u2019, 
\u2022 invaginação da membrana do eritrócito e entrada do merozoíto. 
 
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA 
Os agentes da TPB tem distribuição cosmopolita. A doença determinada pelas espécies B. 
bigemina e B. bovis ocorrem nas regiões tropicais e sub-tropicais do mundo, entre os 
paralelos 32 0N e 32 0S, região onde encontra-se o B. microplus. A anaplasmose ocorre tanto 
em regiões tropicais e sub-tropicais como em zonas temperadas, por serem transmitidos pelo 
B. microplus e via hiatrogênica. 
 
Estabilidade enzoótica: Nesta situação existe uma alta probabilidade de infecção primária 
antes do desaparecimento da proteção passiva adquirida por anticorpos colostrais. Nesta 
situação, a infecção ocorre em aproximadamente 100% dos bezerros com 3 a 4 meses e 
idade, embora a doença seja normalmente inaparente. A qualidade da proteção passiva é 
garantida pelo grau de premunição maternal. 
 
Instabilidade enzoótica: O risco da doença clínica nesta situação é muito alto, pois 
frequentes infecções primárias ocorrem após a perda da proteção passiva, entre a idade de 4 
meses a 3 anos. A situação pode vir a ser crítica quando o vetor começa a ficar escasso, 
principalmente em casos de massivos tratamentos acaricidas, mesmo não erradicando-o. 
Assim, os casos clínicos são raros, pois a maioria dos bovinos não são infectados e, 
consequentemente premunidos; a região pode tornar-se livre, o que é desfavorável no 
momento da introdução e/ou proliferação dos carrapatos, pois os animais estarão 
desprotegidos. 
A epidemiologia da TPB está influenciada ainda pela relação hemoparasito-hospedeiro, 
onde o fator primordial é a imunidade, a qual é dependente da especificidade dos anticorpos. 
Entretanto, não existe uma correlação entre