A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
537 pág.
Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

Pré-visualização | Página 22 de 50

quartela dos
equinos, manifestando-se co-
mumente em animais que per-
manecem em preca.rias condi-
<;:6esde higiene. Baias sujas,
com acumulo de fezes e urina,
pastagens barrentas com char-
cos e agua estagnada saG os
principais fatores que predis-
poem ao desencadeamento da
afec<;:ao,preferencialmente nos
membros posteriores.
Inicialmente, e observada
dermatite da regiao com irrita<;:ao
e vermelhidao da pele, desde a
face caudal do boleto ate a co-
roa do casco, junto aos taloes,
desencadeando coronite. Ocorre
excessiva produ<;:aode secre<;:ao
seborreica conferindo aspecto
grosseiro a pele e forma<;:aode
crostas. Nesta fase, aparecem
sulcos ou rachaduras na pele,pro-
porcionando invasao bacteriana
secundaria 0 animal geralmente
apresenta manqueira,desde grau
I ate grau III ou 1\1,chegando a
ficar impossibilitado de apoiar 0
membro no solo devido ao des-
colamento da coroa do casco na
regiao dos tal6es e ao compro-
metimento do coxim adiposo do
pe.Ocasionalmente, podera ocor-
rer crescimento anormal do cas-
co com tendencia a substituic;:ao
do estojo c6rneo.
Nas fases iniciais, quando a
dermatite seborreica e pronun-
ciada, 0 processo pode ser con-
fundido com a sarna cori6ptica
da quartela, havendo, portanto,
necessidade de diagn6stico dife-
rencial, feito atraves de raspado
de pele e exame microsc6pico.
o tratamento consiste em se
retirar os animais do meio predis-
ponente, para baia ou piquete de
recuperac;:ao,plano,limpo e seco.
A regiao lesada e 0 casco devem
ser diariamente lavados com
agua e sabao para a remoc;:ao
das crostas, para em seguida
manter 0 membro em pediluvio
com permanganato de potassio
1:5000 durante 5 minutos. Feito
o pediluvio, enxugue a regiao e
aplique glicerina iodada a 10%;
fac;:aum penso protetor abran-
gendo desde 0 boleto ate 0 cas-
co. Em muitos casos, quando 0
edema e pronunciado e a coroa
do casco na regiao do talao esta
descolada, podem ser aplicados
antibi6tico e antiinflamat6rio pa-
ra auxiliar a resoluc;:ao.Aplique
40.000 UI/kg de penicilina ben-
zatina por via intramuscular a ca-
da tres dias perfazendo tres apli-
cac;:6es.Nas fases iniciais do pro-
cesso, a utilizac;:aode cremes ou
pomadas antiinflamat6rias, ap6s
o pediluvio com permanganato
de potassio, alivia a dermatite,
produzindo no animal sensac;:ao
de conforto.
Preventivamente, mantenha
as baias limpas e secas; drene
e fac;:acercas em pastos alaga-
dic;:osou pr6ximos de brejos ou
charcos; conserve cama e fezes
abrigadas em esterqueiras.
2.10. Dermatomicoses
ou tinhas.
As tinhas saD dermatomico-
ses que produzem uma afecc;:ao
cutanea contagiosa causada por
fungos que se alojam nos pelos
e pele, ou ambos, invadindo celu-
las epiteliais corneificadas ou 0
pr6prio pelo.
Os fungos que comumente
causam a enfermidade saD:
Trychophyton equinum, T. quin-
ckeanum, T. mentagrophytes, T.
verrucosum, Microsporum equi-
num e M. gypseum. Os agentes
podem viver como sapr6fitos em
reslduos vegetais deteriorados e
no solo (geofOicos)e nos pr6prios
animais (zoofnicos).A contamina-
c;:aoocorre por contato direto en-
tre os animais, ou indiretamente
atraves de mantas, escovas, ras-
padeiras e bacheiros, ou em ani-
mais que permanecem em regi-
me de estabulac;:ao por muito
tempo, em baias umidas e escu-
ras com cama alta e capim em
decomposic;:ao favorecida pelas
fezes e urina.
Outro componente importante
na instalac;:aodo processo e 0 es-
tado de higiene da pele e as con-
dic;:6esde resistencia do organ is-
mo que, ao se desequilibrarem,
propiciamcondic;:6esde instalac;:ao
e desenvolvimento das les6es.
Muitos fungos causadores de
les6es nos cavalos saDtransmis-
slveis ao homem, razao pela qual
deve ser dispensado todo cuidado
no contato com animais afetados.
As tinhas manifestam-se mais
frequentemente durante as esta-
c;:6eschuvosas e quentes, por pro-
piciarem condi<;:6esde tempera-
tura e umidade ideal para 0 de-
senvolvimento dos fungos.
As regi6es de predilec;:aopa-
ra 0 aparecimento das tinhas saD:
cabec;:a,pescoc;:o,regiao escapu- .
lar,costado, erina,garupa e dorso.
Cavalos afetados podem apre-
sentar les6es superficiais ou pro-
fundas, que se iniciam como pla-
cas arredondadas com pelos eri-
c;:adose a regiao dolorida ao to-
que. Posteriormente os pelos tor-
nam-se asperos e caem, ou saD
facilmente arrancados em tufos,
deixando uma area de alopecia,
acinzentada, brilhante, com cerca
de 3 cm, diametro este que pode
variar conforme 0 fungo. Surgem
crostas delgadas na area de alo-
pecia e os pelos podem voltar a
crescer em torno de 30 a 40 dias.
Os animais podem apre-
sentar discreta coceira e rara-
mente as les6es saD prurigi-
nosas, exceto nas afecc;:6escom
M. gypseum, cujo diametro das
lesoes e menor, as crostas saD
espessas e possuem aparencia
de lesao difusa.
Figura 2.27
Tinha acometendo a face lateral da cabeya.
Figura 2.28
Tinha acometendo a face caudal dos
membros posteriores - extensa area de alopecia -
o diagnostico e baseado na
apresentac;;aodas les6es, deven-
do ser confirmado pelo exame
microscopico de raspado da pele
e pelos da regiao afetada, evi-
denciando a presenc;;ade espo-
ros au micelio do fungo.
Os tratamentos com poma-
das, cremes au Ifquidos conven-
cionalmente utilizados para a ho-
mem, alem de onerarem 0 custo
do tratamento, sac diflceis de se-
rem aplicados em func;:aoda ex-
tensao da afecc;:ao.0 que se reco-
menda sao banhas com xampus
a base de sulfeto de selenio a 1%,
seguido de um segundo banho
com thiabendazol.
o thiabendazol, para ter uma
ac;:aoantimicotica eficaz, deve
ser dilufdo ate a concentrac;:ao
de 5%. Se preferir a "thiaben-
dazol po solLivel",dissolva a con-
teLido de 1 pacote em tres li-
tros de agua. Deste volume, 2
litros serao utilizados para pul-
verizar a animal com bomba
costal, 0 restante devera ser
redilufdo em 10 litrosde agua e
servira para pulverizac;;ao da
baia, mantas, arreios, escovas,
raspadeiras etc. Esta operac;:ao
devera ser realizada 1 vez par
semana durante 1 meso Caso
prefira ou encontre a thiaben-
dazol a 20%, para obter 0 pro-
duto a 5%, adicione a cada li-
tro, 3 litros de agua e proceda
da mesma forma que a "thiaben-
dazol po soILivel".
Soluc;;6esde sulfato de cobre
1% a 3%, violeta genciana a 1%
e acido salicnico em alcool a 5%
tambem podem ser utilizados pa-
ra banho dos animais.
As tinhas rebeldes, de diflcil
cura, poderao ser tratadas, as-
sociando ao banho, aplica<;6es
de 20.000 UI/kg de penicilina
procaina e 10 mg/kg de dihi-
droestreptomicina, pela via intra-
muscular, 2 vezes ao dia, por 5
a 7 dias. Aplica<;6es de iodo-
povidine degermante, apos 0
banho e a secagem da pele aco-
metida, tem produzido excel en-
tes resultados, revertendo 0 pro-
cesso apos a segunda ou ter-
ceira aplica<;ao.
Caso ocorra contamina<;ao
baderiana nas les6es mico-
ticas, alem da antibioticotera-
pia sistemica, passe sobre as
les6es, 1 vez ao dia, nitrofura-
zona solu<;ao.
A sarna e uma dermatose
contagiosa, produzida por aca-
ros e acompanhada por prurido
e altera<;6es eczematosas, que
ocorrem com relativa frequen-
cia. Nos equinos as sarnas mais
comuns sac as produzidas pelo
Sarcoptes scabiei, variedade
equi, Psoroptes equi e Choriop-
tes bovis, variedade equi.
A Sarna Sarc6ptica do ca-
valo e produzida par uma varie-
dade do acaro que ataca 0 ho-
mem, caracterizando-se como
uma afec<;ao muito contagiosa
e rebelde. Inicia-se pela cabe-
<;a, atacando orbitas, orelhas,
labios e tabua do pesco<;o,como
regi6es preferenciais. Pode tam-
bem se localizar na regiao es-
capular e na crina e, mais rara-
mente, em outras partes do cor-
po. A infesta<;ao natural ocorre
por contato direto com animais
enfermos, ou indireto, atraves de
objetos que estiveram em con-
tato com animais doentes, como
escovas, raspadeiras, mantas,
palhas, cercas, on de animais
com sarna se

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.