A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
25 pág.
Princípio da Ampla Defesa

Pré-visualização | Página 1 de 6

DIREITO PENAL E 
PROCESSO PENAL 
APLICADOS 
 
 
 
 
MÓDULO 1: PRINCÍPIOS DAS CIÊNCIAS 
CRIMINAIS 
TEMA 3 – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
EXPLÍCITOS III 
 
 
 
Aula IV – Ampla Defesa 
 TEXTO 
PREVISÃO CONSTITUCIONAL 
CF, art. 5º, LV – “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados 
em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a 
ela inerentes” 
 
CONCEITO 
Ampla possibilidade de se defender, preservando-se o estado de inocência. 
 
Nos dizeres de Guilherme de Souza Nucci, “representa uma proteção, uma oposição 
ou uma justificação voltada à acusação da prática de um crime, quando se está no 
cenário penal. (...) A autoproteção implica na negativa do fato imputado, seja pela sua 
inexistência, seja pela fuga da autoria; a oposição significa a concessão de versão 
diversa da que consta nos termos acusatórios; a justificação promove a legitimação da 
prática realizada. Essas três formas de instrumentar a defesa precisa compor o ideário 
de qualquer magistrado, pois há comando constitucional assegurando a amplitude da 
manifestação do acusado”1. 
 
Tem relação íntima com o princípio do contraditório. O exercício da defesa somente 
é possível se houver oportunidade de conhecer e impugnar as alegações e provas 
trazidas pela outra parte, fornecendo sua própria versão sobre os fatos. Contraditório 
diz respeito a ambas as partes. Já a ampla defesa somente se aplica ao réu. 
 
SUBDIVISÃO 
 
 
1 Princípios Constitucionais Penais e Processuais Penais, 4. ed. Rio de Janeiro : Forense, 03/2015. 
 
 
 
A ampla defesa subdivide-se em autodefesa e defesa técnica: 
 
a) Autodefesa 
 
Realizada pelo próprio acusado, contrapondo a versão trazida pela acusação com seus 
próprios argumentos e justificativas, jurídicos ou não. 
 
Para exercer a autodefesa, a lei concede ao acusado: 
 
a.1) Direito de audiência – direito de apresentar a defesa pessoalmente ao juiz da causa. 
Feita no interrogatório. 
 
Art. 185. O acusado que comparecer perante a autoridade judiciária, no curso do 
processo penal, será qualificado e interrogado na presença de seu defensor, 
constituído ou nomeado. 
Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a 
pedido fundamentado de qualquer das partes. 
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, proceder-se-á à tomada de 
declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela 
defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222, bem como aos esclarecimentos 
dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, 
em seguida, o acusado. 
 
Obs1: Pelo CPP, o interrogatório é o último ato (art. 400). Após, são feitos os debates 
orais. 
 
Obs2: Há exceções, em que o interrogatório é o primeiro ato da instrução: Lei de 
Drogas (Lei 11.343/2006, art. 57); CPPM (art. 302); Lei de Licitações (Lei 8.666/1993, art. 
 
 
 
104); Código Eleitoral (Lei 4.737/1965, art. 359); Processos de competência originária 
dos Tribunais (Lei 8.038/90, art. 7º). 
Interpretação sistemática sugere transferir o interrogatório para o final em todos os 
casos, pois é mais benéfico ao réu. Até por isso a jurisprudência não tem reconhecido 
nulidade quando o juiz adota realiza o interrogatório após a oitiva das testemunhas 
(ver jurisprudência selecionada). 
 
Em SP, há as audiências de custódia (Provimento Conjunto 03/15 da Presidência do TJ 
e CGJ de 22/01/2015). Fala-se em “entrevista”, não interrogatório. 
- A autoridade policial providenciará a apresentação da pessoa detida (com o auto de 
PF), até 24 horas após a sua prisão, ao juiz competente, para participar da audiência de 
custódia; 
 
- Dispensada a apresentação do preso quando circunstâncias pessoais, descritas pela 
autoridade policial no auto de prisão em flagrante, assim justificarem; 
 
- O autuado, antes da audiência de custódia, terá contato prévio com defensor; 
 
- Na audiência de custódia, o juiz informará o autuado da sua possibilidade de não 
responder perguntas que lhe forem feitas, e o entrevistará sobre sua qualificação e 
condições pessoais, bem como sobre as circunstâncias objetivas da sua prisão; 
 
 
- Não serão feitas ou admitidas perguntas que antecipem instrução própria de eventual 
processo de conhecimento; 
 
- Após a entrevista do autuado, o juiz ouvirá o MP e o defensor; 
 
 
 
 
- Em seguida, decidirá, na audiência, podendo converter a PF em preventiva, conceder 
liberdade ou aplicar medidas cautelares diversas da prisão. 
 
a.2) Direito de presença – O acusado tem o direito de acompanhar os atos da instrução. 
Se preso, deve ser requisitado. 
 
Existe direito de presença em se tratando de carta precatória? 
 
R.: STF e STJ - A ausência é causa de nulidade relativa, devendo haver prova do prejuízo. 
 
Cuidado! Tem-se entendido que a ampla defesa não abrange o direito de se 
atribuir falsa identidade perante autoridade policial (art. 307). 
 
a.3) Capacidade postulatória do acusado 
 
Concedida em alguns casos. 
 
Habeas corpus  CPP, art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer 
pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. 
 
Revisão Criminal  CPP, art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por 
procurador legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, 
ascendente, descendente ou irmão. 
 
b) Defesa técnica 
 
Exercida por profissional legalmente habilitado, dotado de conhecimentos técnicos. 
 
 
 
 
Deve ser feita com comprometimento, cabendo ao juiz zelar para que seja 
efetivamente realizada. 
 
Abaixo, alguns dispositivos legais relacionados à defesa técnica: 
 
 
CF, Art. 5º, LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de 
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado 
 Art. 497, V  São atribuições do juiz presidente do Tribunal do Júri, além de outras 
expressamente referidas neste Código (...) nomear defensor ao acusado, quando 
considerá-lo indefeso 
 
Lei 13.245/2016  Altera o EOAB (Lei 8.906/1994) 
 
Art. 7º. São direitos do advogado: 
(...) 
XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de 
nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, 
de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou derivados, 
direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração: 
a) apresentar razões e quesitos; 
SÚMULAS APLICÁVEIS 
 
Súmula Vinculante 14, STF  É direito do defensor, no interesse do 
representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados 
em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de 
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa 
 
 
 
 
Súmula 523, STF  no processo penal, a falta da defesa constitui nulidade 
absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para 
o réu. 
 
JURISPRUDÊNCIA SELECIONADA 
 
Lei de Drogas - Não é nulo interrogatório feito após oitiva das testemunhas 
STF: “HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PACIENTE CONDENADO PELO DELITO 
DE TRÁFICO DE DROGAS SOB A ÉGIDE DA LEI 11.343 /2006. PEDIDO DE 
NOVO INTERROGATÓRIO AO FINAL DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL. ART. 400 DO CPP 
. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO 
DO PREJUÍZO. ORDEMDENEGADA. I – Se o paciente foi processado pela prática do 
delito de