Processo Penal ll
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Processo Penal ll


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PROCESSO PENAL II
Prof. Marcia Leardini Dresch
TEORIA GERAL DAS PROVAS
TEORIA DA PROVA: tem sua definição dada pelo CPP. Antes de tratar dos meios de provas, traz a definição da teoria da prova como u meio de demonstrar a existência de um fato; o processo penal serve para produzir o estado de certeza para o juiz/julgador (tal definição é ampla por dar diversos critérios dessa diferença de estado de certeza);
Produzir -> através de meios de prova
Estado de certeza -> critérios de valoração da prova; busca da verdade real
PRINCIPIOS
Ampla defesa: é composto pela autodefesa no processo, sendo relacionado com o interrogatório (p. ex.); dá se a versão dos fatos, o comparecimento e a defesa técnica dos fatos (uma está ao lado da outra); súm. 523/STJ - No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu, ou seja, a falta de defesa eficaz pode gerar julgamento nulo.
Ex.: a perícia no CPC pode ser dada de forma particular; já no CPP, é dada através de órgão oficial de nomeação do juiz e tem ainda a figura de um assistente técnico requerido pelo advogado perante juízo.
Os limites probatórios no processo penal tem que o fundo prevalece a forma;
A natureza jurídica discutida é o direito indisponível, a liberdade, sendo assim, o estado não pode reprimir a minha liberdade sem a devida discussão em juízo, visto que o estado tem o dever de garantir a liberdade dos indivíduos.
Contraditório: conhecer a imputação das provas e fatos para que possa se defender ou aceitar, em tempo hábil dado por lei para contestar; se o tempo for exíguo, pode anular e/ou tornar nulo o processo;
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**A ampla defesa é direito exclusivo da defesa, não cabendo a ampla defesa a parte acusatória;
· Não é a lei que difere um estado democrático de direito de um estado despótico, mas sim, seus direitos reconhecidos.
ÔNUS DA PROVA E PODER INSTRUTÓRIO DO JUIZ
ÔNUS: é um dever que enfraquece a parte quando não o cumpre. O ônus da prova é de quem alega, do acusador (MP), segundo art. 156, caput do CPP [Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício]. O MP não tem segunda chance para acusar (art. 397, I/CPP [Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008); I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato]).
O acusador deve provar a tipicidade do fato e a imputabilidade do agente por ser maior de idade na análise da culpabilidade (imputabilidade - 18 anos/sanidade mental, potencial consciência da ilicitude, exigibilidade de conduta conforme o direito. Se tem sanidade mental, tem potencial consciência e é exigível a conduta.
Estas são presunções legais, enquanto a idade deve ser provada pelo acusador. A idade é a única presunção absoluta). A antijuridicidade é presumida pela prova da tipicidade. Na antijuridicidade, o ônus passa a ser da defesa, mas é um ônus diminuído (basta gerar dúvida, não precisa produzir certeza - art. 386/CPP [Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: I - estar provada a inexistência do fato; II - não haver prova da existência do fato; III - não constituir o fato infração penal; IV \u2013 estar provado que o réu não concorreu para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008); V \u2013 não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal; ; VI \u2013 existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;VII \u2013 não existir prova suficiente para a condenação. Parágrafo único. Na sentença absolutória, o juiz: I - mandará, se for o caso, pôr o réu em liberdade; II \u2013 ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamente aplicadas; III - aplicará medida de segurança, se cabível]).
A potencial consciência e a exigibilidade de conduta também são ônus da defesa porque existem coisas sobre o delito que só o réu sabe. O ônus diminuído da defesa se relaciona à presunção de inocência.
PODER INSTRUTÓRIO DO JUIZ: é o poder de produzir provas. A gestão de provas cabe às partes (paridade de armas, ampla defesa e contraditório, ônus da prova) e ao juiz (imparcialidade, igualdade, ampla defesa e contraditório). Instruir pode significar complementar a prova/determinar a produção de prova ou dirimir dúvidas (art. 156, II/CPP - Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: II \u2013 determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante sem buscar os fatos.
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SISTEMAS DE VALORAÇÃO DA PROVA
1) Prova legal/tarifada: a lei determina o poder de convencimento de cada prova. O sistema retira do juiz o arbítrio de valorar a prova. Não é utilizado no Brasil (item 7 da exposição de motivos do CPP \u2013 atribui a faculdade do juízo de iniciativa das provas complementares ou supletivas, quer no curso da instrução criminal, quer a final, antes de proferir a sentença. Não serão atendíveis as restrições a prova estabelecidas pela lei civil, salvo quanto ao estado da pessoas; nem é prefixada uma hierarquia de provas. Na apreciação desta, o juiz formará o livre convencimento).
2) Livre convencimento: a prova não tem peso definido em lei. É o oposto. O juiz não pode escolher quais provas irá valorar. Dever ser fundamentado (persuasão racional), ou seja, a razão está expressada na prova. O juiz é obrigado a analisar provas produzidas em audiência judicial (a prova de inquérito deve ser judicializada para poder ser utilizada, com aceite e reconhecimento em juizo). Respeita o contraditório e a ampla defesa, e protege a democracia (art. 93, IX/CF; art. 155/CPP - Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008). Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil.). O livre conhecimento íntimo é válido para o júri (art. 5º, XXXVIII/CF- XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;).
· livre convencimento fundamentado (art. 381, III/CPP - Art. 381. A sentença conterá: III - a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão;): o juiz deve expor as razões de fato (valoração da prova) e de direito (adequação do valor das provas ao direito).
· Michele Taruffo divide a argumentação em justificativa e decisória.
· A argumentação justificativa seria o juiz escolhendo e valorando determinada prova como se o restante não existisse - é inválida.
· A decisória seria o atendimento ao sistema do livre convencimento fundamentado pelo cotejo (confronto) de provas - art. 489, IV/CPP.
HIERARQUIA, ESPECIFICIDADE E RESTRIÇÃO DA PROVA
Não existe hierarquia de provas no sistema penal brasileiro. A lei especificar determinada prova não significa que impõe uma valoração, que deve ser reconhecida pelo juiz, portanto, não é usada em respeito ao livre convencimento. Um exemplo da especificidade seria a necessidade de prova pericial em crimes/direito materiais (art. 158/CPP - Quando a infração deixar vestígios será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado), nos quais a prova da materialidade do crime se dá pela perícia.
A falta de perícia causa nulidade no processo (art. 564/CPP - A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: b) o exame do corpo