Manual_Ginecologia_Endocrina
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Manual_Ginecologia_Endocrina


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Manual de
Ginecologia
Endócrina
Edição 2015
FEBRASGO - Manual de Ginecologia Endócrina
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MANUAL DE GINECOLOGIA ENDÓCRINA
Diretoria Administrativa:
Vera Lúcia Mota da Fonseca
Vice-Presidente Região Norte:
Júlio Eduardo Gomes Pereira
Vice-Presidente Região Nordeste:
Olímpio Barbosa de Moraes Filho
Vice-PresidenteRegiãoCentro-Oeste:
Paulo Roberto Dutra Leão
Vice-Presidente Região Sudeste:
Agnaldo Lopes da Silva Filho
Vice-Presidente da Região Sul:
Jorge Abi Saab Neto
Diretor Científico:
Nilson Roberto de Melo
Diretor Financeiro:
Francisco Eduardo Prota
Assessora da Diretoria:
Hitomi Miura Nakagawa
Diretor de Defesa e Valorização Profissional:
Hélcio Bertolozzi Soares
DIRETORIA
Presidente:
Etelvino de Souza Trindade
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Preparada pela Biblioteca da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
 Baracat, Edmund Chada
 Manual de Ginecologia Endócrina / Edmund Chada Baracat. \u2014 São Paulo: 
 Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO),
 2015.
 ISBN 978-85-64319-37-0
 
 1.Ginecologia 2.Endocrinologia 3.Distúrbios menstruais 4.Anovulação 
 5.Estrogênios 6.Hiperprolactinemia
 NLM WP505
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COMISSÃO NACIONAL ESPECIALIZADA EM GINECOLOGIA ENDÓCRINA
Presidente:
Edmund Chada Baracat (SP)
Vice Presidente:
Sebastião Freitas de Medeiros (MT)
Secretário:
José Maria Soares Junior (SP)
Membros:
Alexandre Guilherme Zabeu Rossi (SP) 
Anaglória Pontes (SP)
Cristina Laguna Benetti Pinto (SP)
Gustavo Arantes Rosa Maciel (SP)
José Arnaldo de Souza Ferreira (SP)
José Gomes Batista (PB)
Jules White Souza (ES)
Iuri Donati Telles de Souza (SE)
Marcos Felipe Silva de Sá (SP)
Mario Gaspare Giordano (RJ)
Mario Vicente Giordano (RJ)
Mauri José Piazza (PR)
Ricardo Mello Marinho (MG)
Técia Maria de Oliveira Maranhão (RN)
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Índice
CAPITULO 1 - Fisiologia do ciclo menstrual.
 1. Eixo hipotálamo hipófise-ovariano .................................................. 08
CAPÍTULO 2 - Fisiologia do ciclo menstrual.
 2. Foliculogênese, ovulação, função lútea ......................................... 15
CAPÍTULO 3 - Insuficiência Lútea ............................................................................... 22
CAPÍTULO 4 - Hiperprolactinemia ............................................................................... 31
CAPÍTULO 5 - Hirsutismo e hiperandrogenismo ........................................................ 40
CAPÍTULO 6 - Síndrome dos Ovários Policísticos ...................................................... 47
CAPÍTULO 7 - Amenorreias .......................................................................................... 58
CAPITULO 8 - Sangramento uterino disfuncional ...................................................... 69
CAPITULO 9 - Falência Ovariana Prematura .............................................................. 80
CAPITULO 10 - Deficiência enzimática da suprarrenal de Início Tardio ..................... 87
CAPITULO 11 - Obesidade e Reprodução ..................................................................... 93
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INTRODUÇÃO
O eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO), funcionalmente, envolve neurônios 
do hipotálamo médio basal, gonadotropos hipofisários e células teca-granulosas 
da unidade folicular ovariana. As gonadotrofinas sofrem variações qualitativas e 
quantitativas específicas em resposta às ações exercidas pelo hipotálamo, pela hipófise, 
pelos esteroides ovarianos e moduladores locais parácrinos, autócrinos e intrácrinos. 
Numa visão unicista, as modificações endócrinas deste eixo podem resultar diretamente 
em alterações clínicas: insuficiência folicular, insuficiência lútea, anovulação, alterações 
menstruais, infertilidade e hiperandrogenismo.
HIPOTÁLAMO
 O hipotálamo é parte do diencéfalo, assoalho e parte das paredes laterais do 
terceiro ventrículo. Limita-se anteriormente pelo quiasma óptico e lâmina terminalis, 
atrás pelos corpos mamilares, internamente pelo terceiro ventrículo, em cima pelo sulco 
hipotalâmico e externamente pelo subtálamo (Figura 1). Estruturalmente, é organizado 
nas regiões anteriores, tuberal e posterior, sendo cada uma delas compostas das áreas 
medial e lateral (Tabela 1). A área hipotalâmica lateral assegura a comunicação com o 
restante do cérebro. As áreas medial e anterior tem comunicações com o hipotálamo e a 
hipófise, via diferentes núcleos neuronais.
CAPITULO 1
Fisiologia do ciclo menstrual.
1. Eixo hipotálamo-hipófise-ovariano
Região anterior Área medial: 1. núcleo préótico medial
2. núcleo supraótico
3. núcleo paraventricular
4. núcleo hipotalâmico anterior 
5. núcleo supra quiasmático
Área lateral: 6. núcleo préótico lateral
7. núcleo lateral
8. núcleo supraótico (parte)
Região tuberal Área medial: 1. núcleo hipotalâmico dorsomedial (DM)
2. núcleo ventromedial (VM)
3. núcleo arqueado
Área lateral: 4. núcleo lateral
5. núcleo tuberal lateral 
Região posterior Área medial: 1. núcleo mamilar (parte dos corpos mamilares, MB). 
2. núcleo posterior (PN)
Área lateral: 3. núcleo lateral
TABELA 1 - Núcleos hipotalâmicos
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 Células neurais peptidérgicas hipotalâmicas sintetizam e secretam peptídeos 
neuro-hormonais. Cerca de 800-3000 neurônios, capazes de sintetizar o hormônio 
liberador de gonadotrofinas (GnRH), estão distribuídos na área hipofisiotrópica, pré-ótica 
medial, núcleo intersticial da estria terminal do hipotálamo anterior, núcleo arqueado 
e núcleos adjacentes periventriculares do hipotálamo médio basal. Estes neurônios 
constituem o pulso gerador de GnRH e são conectados entre si ou a outros neurônios 
dentro e fora do hipotálamo. Receptores para os aminoácidos aspartato e ácidos gama 
aminobutírico A e B (GABA), kisspeptina e esteroides sexuais são expressos neste 
conjunto neuronal. Todos estes elementos exercem funções autócrinas e parácrinas na 
secreção de GnRH. A secreção pulsátil do GnRH está ainda associada à existência de 
atividade elétrica episódica espontânea no hipotálamo1,2. Após sua síntese, o GnRH é 
transportado, via axônio, até a porção terminal da eminência média e, daí, é secretado 
na rede venosa capilar do sistema porta que banha a hipófise anterior.
 O sistema neural adrenérgico do tronco cerebral projeta-se diretamente 
aos neurônios GnRH e GABA, sendo que a noradrenalina tanto estimula o 
sistema GnRH quando atua diretamente, como inibe-o pela via neurônios GABA. 
Os neurônios com receptores para a kisspeptina, localizados no núcleo arqueado, têm 
função atenuada pelos estrogênios (retroalimentação negativa) e aqueles localizados 
nos núcleos periventriculares anteroventral, têm função amplificada pelos estrogênios 
(retroalimentação positiva)3,4 (Figura 2). A dopamina, neurotransmissor dopaminérgico, 
inibe a síntese e/ou liberação do GnRH na eminência média e circulação porta hipofisária 
Noradrenalina,