Artigo Direito ao Esquecimento
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Artigo Direito ao Esquecimento


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UNIVERSIDADE ESTÁCIO 
 
Dignidade da pessoa Humana. O conflito entre o Direito ao esquecimento e o 
Direito à Informação. 
 
*MARCOS CIDADE RUPERTI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Porto Alegre 
2019 
 
 
 
*Pós-Graduando em DIREITO DIGITAL pela Universidade Estácio; Graduado em 
Direito pela UNISUL 
Marcos.ruperti@hotmail.com 
 
 
 
RESUMO 
 
 
A internet modificou profundamente as interações sociais na era da 
informação que nem sempre são harmônicas, resultando em conflitos estrangeiros a 
nossa legislação. Nesse momento o Direito precisa oferecer, através de princípios e 
axiomas, o caminho na sua resolução das demandas conflituosas. A partir do 
momento que informações pessoais passam a integrar esse patrimônio digital surge 
a temática desse trabalho: o conflito entre o Direito a Informação ou Liberdade de 
expressão e os direitos individuais da pessoa a intimidade, privacidade e honra. 
Embora esse conflito não se restrinja ao mundo cibernético, pois há que se verificar 
que temos as revistas, televisão e outros substratos analógicos, mas que veem 
perdendo sua relevância quanto à velocidade e abrangência do mundo conectado. 
Como qualificar que uma informação deve ser mantida na memória da internet ou 
não? Todos têm direito a serem esquecidos? São indagações pertinentes que 
encontram colisões quanto a quem é endereçada. 
 
 
Palavras-chaves: Direito. Dignidade. Personalidade. Privacidade. Direito ao 
Esquecimento. Liberdade da Informação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO.............................................................................................. 4 
1 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. DIREITO AO ESQUECIMENTO. 
CONFLITO COM O DIREITO A INFORMAÇÃO............................................ 5 
1.1 OS DIREITOS FUNDAMENTAIS DA PESSOA HUMANA........................ 5 
1.2 PERSONALIDADE.................................................................................... 7 
1.3 DIGNIDADE............................................................................................... 8 
1.4 DIREITOA A PRIVACIDADE..................................................................... 9 
1.5 DIREITO A INFORMAÇÃO...................................................................... 10 
2 DIREITO AO ESQUECIMENTO................................................................... 11 
 3 A COLISÃO DOS DIREITOS AO ESQUECIMENTO E LIBERDADE DA 
INFORMAÇÃO.................................................................................................. 12 
CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................14 
 
REFERÊNCIAS.................................................................................................15 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
O presente artigo científico abordará o conflito entre o Direito ao 
Esquecimento e o Direito à Informação. Ambos os institutos são importantes para 
uma sociedade onde a tecnologia permite a divulgação quase que instantânea de 
informações em escala mundial. A publicidade em torno de determinados fatos pode 
gerar danos a pessoas, principalmente naqueles que de alguma forma repercutem 
ou possuem natureza de clamor social. Há personagens que, afetados nas mais 
diversas medidas, talvez não queiram continuar expostos pelos acontecimentos 
findos. Isso pode ocorrer tanto na condição de autores quanto na de vitimas. O 
desejo de não mais repassar pelo acontecido ou o reconhecimento pela dívida paga 
são os maiores impulsionadores desse sentimento. Nesse ponto temos no Direito ao 
Esquecimento o remédio jurídico para evitar danos à dignidade da pessoa humana. 
Entretanto, não é uma abordagem livre de conflitos, pois todo o conjunto da 
sociedade tem o direito de acesso à informação, a memória, ao fato acontecido e 
aos personagens. Nosso atual estágio tecnológico permite que fatos continuem 
tendo vida própria, virtualmente, ora sobrevindo com mais força até em formato de 
notícias falsas, ora como se o acontecido tivesse sido recente. 
A presente monografia demonstrará como a presente colisão é tema de 
relevada importância e visa contribuir com o entendimento desse instituto 
especialmente no ambiente digital. 
 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
1 Dignidade da pessoa Humana. Direito ao esquecimento. Conflito com Direito 
à Informação. 
 
1.1 Os Direitos Fundamentais da pessoa humana. 
 
 
Durante a pesquisa, verificaram-se os mecanismos que elevaram a dignidade 
humana a um patamar de direitos invioláveis. Um recorte cronológico apontou que a 
partir da Segunda Guerra Mundial houve esforços significativos no sentido de tornar 
inalienável a tutela da dignidade humana, a mais emblematicamente delas - a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada durante a Assembleia 
Geral das Nações Unidas em Paris, 1948. Em seus trinta artigos estão presentes 
ideais de liberdade, igualdade e dignidade independente da condição política/ 
jurídica do território que o indivíduo se encontre. Questões como direitos políticos, 
tortura, discriminação, devido processo legal, presunção de inocência, intimidade, 
asilo político, propriedade, liberdade religiosa, de expressão, política, família e 
trabalho, também encontram eco no seu texto. 
O Brasil, a essa época, retomava a democracia sob a égide da Constituição 
de 1946, que restabelecia os direitos individuais após um período de ditadura 
estatal. Um novo regime, dessa vez militar, em 1964 suspendeu direitos políticos e 
reduziu liberdades individuais. 
No ano de 1966 ocorria a XXI Sessão da Assembleia Geral das Nações 
Unidas, promulgando o Pacto Internacional sobre direitos civis e políticos, 
reforçando as noções de dignidade humana. Nesse contexto político teremos A 
Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969 (pacto de San José da Costa 
Rica). Um tratado regional aprovado pela Organização dos Estados Americanos 
prevendo um comprometimento por seus países membros pela observância dos 
artigos que promovem a democracia e o respeito aos direitos humanos essenciais. 
(MELLO, 2015) 
E chegamos a Constituição Federativa do Brasil de 1988, a constituição 
cidadã, onde a dignidade da pessoa humana e seus direitos e garantias 
fundamentais, dispostos no Artigo 5º são objetivo de efetiva proteção do estado. 
Observamos até o momento que a dado tempo na história, cada sociedade tenta 
determinar quais elementos pertencem à dignidade humana e precisam que sejam 
 
resguardados e protegidos, saindo da esfera de leis e tratados para serem 
efetivamente observados. 
O signatário dessas normativas é a pessoa natural, o ser humano e em um 
plano maior também um conjunto de pessoas, como se verifica no conceito de 
pessoa jurídica. Tomás de Aquino por sua vez estendeu o conceito de pessoa para 
além das dimensões corpo e tempo lhe dotando também do espírito. A essa 
complexidade que tomamos como ponto de partida como sendo a Personalidade 
humana o objeto de direito aqui pesquisado, Direito ao Esquecimento. 
 
 
1.2 Personalidade 
O signatário maior do direito é a pessoa humana. Desde momento da 
concepção, passando pela infância, vida adulta e até mesmo após sua morte, 
continua sendo o titular maior dos direitos fundamentais, como nos apresenta 
imperativamente a Constituição Brasileira de 1988, em seu 1. Artigo, inciso III \u2013 a 
dignidade da pessoa humana. Reforçado pelo Art. 5º, X - são invioláveis a 
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a 
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. (BRASIL, 
1988) 
O pacto de San José traz um rol bem significativo de direitos da 
personalidade, já devidamente recepcionada por nossa constituição: Direito a 
integridade física e psíquica, liberdade, igualdade, direito ao nome, proteção à 
imagem, honra e privacidade. 
Nosso código civil apresenta em seu Art. 11 o seguinte texto: