Direito Penal em Slide - parte geral 2
22 pág.

Direito Penal em Slide - parte geral 2


DisciplinaDireito Penal I75.874 materiais1.269.742 seguidores
Pré-visualização1 página
Direito Penal em Slide 
Parte Geral \u2013 2. Lei Penal no Tempo 
No que tange à lei penal no tempo o código penal nos quatro artigos iniciais dispõe sobre a forma de aplicação da lei penal. 
Primeiramente temos que conhecer três conceitos:
1 \u2013 Extratividade (gênero).
2 \u2013 Ultratividade (espécie).
3 \u2013 retroatividade (espécie). 
Lei Penal no Tempo
1 \u2013 Extratividade: a extratividade consiste no poder que a lei tem de reger continuar regendo situações mesmo depois de revogada ou retroagir para alcançar fatos praticados anteriormente à sua vigência. Essa Extratividade abrange a ultratividade e a retroatividade. 
Lei Penal no Tempo
2 \u2013 Ultratividade: É o poder que a lei tem de continuar regulando uma situação mesmo depois de revogada. No direito penal isso acontece quando uma lei posterior mais gravosa revoga lei anterior menos gravosa, desse modo, a lei anterior continua regendo os fatos praticados durante sua vigência. 
Lei Penal no Tempo
3 \u2013 Retroatividade: A retroatividade é o poder que a lei tem de retroagir e alcançar fatos praticados anteriormente. No direito penal, em regra, a lei só pode retroagir para beneficiar o réu conforme o artigo 5º XL da CRFB/88: a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu 
Lei Penal no Tempo
Vamos analisar agora o artigo 1º do Código Penal: 
Anterioridade da Lei
Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.
Observa-se que a lei penal incriminadora para ser aplicada ela deve ter vigência antes de ser praticado um fato criminoso, pois, caso contrário, haveria violação do princípio da legalidade. 
Lei Penal no Tempo
Vamos analisar agora o artigo 2º do Código Penal: 
Lei penal no tempo
Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.  
Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado. 
Lei Penal no Tempo
O caput do artigo segundo trata da abolitio criminis, que é uma lei posterior que extingue o crime anterior. 
Ex.: Até 2005 havia o crime de adultério conforme o artigo 240 do Código Penal, porém, a lei 11.106 de 2005 revogou essa tipificação, ou seja, ocorreu a abolitio criminis.
Lei Penal no Tempo
O parágrafo único do artigo 2º dispõe sobre a retroatividade da lei mais benéfica. Como foi visto anteriormente a lei posterior que beneficia o agente criminoso deve retroagir para alcançar os fatos praticados anteriormente. 
O parágrafo menciona também que ainda que tenha transitado em julgado a sentença a retroação ainda é possível. 
Lei Penal no Tempo
Porém, quando há sentença transitada em julgado de quem é a competência para a aplicação da lei mais benéfica ? 
A resposta para essa pergunta está na súmula 611 do STF que dispõe: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna
Lei Penal no Tempo
Vamos analisar agora o artigo 3º do Código Penal: 
Lei excepcional ou temporária 
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.
Lei Penal no Tempo
Lei excepcional: É aquela lei que é feita para momentos extraordinários em que é necessário a incriminação de um conduta. Ex.: Uma lei que pune o desperdício de água quando acontece uma seca severa. 
Lei temporária: É aquela lei que vige pode determinado período pré-estabelecido. Ex.: Uma lei que ficou vigente do dia 01/01/2014 até o dia 31/12/2014 para regular os crimes cometidos na época da Copa do Mundo no Brasil. 
Lei Penal no Tempo
Esses dois tipos de leis tem uma especialidade: São ULTRATIVAS. Ou seja, mesmo após o término de sua vigência ela continua sendo aplicada aos fatos praticados durante esse período. 
Lei Penal no Tempo
Vamos analisar a partir de agora o artigo 4º do Código Penal:
Tempo do crime
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
Lei Penal no Tempo
Para o tempo do crime existem três teorias: A teoria da atividade, a teoria do resultado e a teoria da ubiquidade. 
Teoria da Atividade: Para a teoria da atividade considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. 
Teoria do resultado: para a teoria do resultado considera-se praticado o crime no momento em que há seu resultado (crime consumado ou tentado).
Teoria da ubiquidade: para a teoria da ubiquidade considera-se praticado o crime tanto no momento da ação ou omissão quanto no momento do resultado. 
Lei Penal no Tempo
O código Penal adotou a teoria da ATIVIDADE para o TEMPO DO CRIME.
Ex.: Carlos, com 17 anos, atira em Jonas, sendo que, esse morre quando Carlos completou 18 anos. Como o código penal adotou a teoria da atividade Carlos praticou apenas um ato infracional análogo ao homicídio consumado e não um crime, pois, ele era inimputável no momento de sua conduta. 
Lei Penal no Tempo
Nos concursos as bancas, normalmente, colocam alguma palavras que podem dificultar o trabalho do candidato no que tange ao tema da lei penal no tempo, mas iremos dirimir algumas dúvidas agora:
Ab-rogação: É uma revogação total de uma lei.
Derrogação: É uma revogação parcial de uma lei. 
Novatio legis in mellius: É uma lei nova mais benéfica ao agente criminoso.
Novatio legis in pejus: é uma lei nova mais gravosa ao agente criminoso. 
Lei Penal no Tempo
Ano: 2009 Banca: UESPI Órgão: PC-PI Prova: UESPI - 2009 - PC-PI - Delegado de Polícia
Com relação à lei penal no tempo, assinale a alternativa correta.
A) A lei penal mais benéfica é portadora da retroatividade, mas não da ultratividade.
B) A lei penal mais benéfica é portadora da ultratividade, mas não da retroatividade.
C) Uma lei penal em prejuízo do réu só poderá retroagir antes de iniciado o processo penal.
D) A lei penal incriminadora é portadora da ultratividade.
E) A lei penal descriminalizadora é portadora da extratividade.
Lei Penal no Tempo
Gabarito letra E
A lei penal que descriminaliza uma conduta tem extratividade (gênero da qual é espécie a retroatividade) retroage a alcança fatos anteriores à sua vigência. 
Lei Penal no Tempo
Ano: 2008 Banca: FGV Órgão: TCM-RJ Prova: FGV - 2008 - TCM-RJ - Procurador
A respeito do tema da retroatividade da lei penal, assinale a afirmativa correta.
a) A lei penal posterior que de qualquer forma favorecer o agente não se aplica aos fatos praticados durante a vigência de uma lei temporária.
B) A lei penal posterior que de qualquer forma favorecer o agente aplica-se aos fatos anteriores, com exceção daqueles que já tiverem sido objeto de sentença condenatória transitada em julgado.
C) A lei penal mais gravosa pode retroagir, aplicando-se a fatos praticados anteriormente à sua vigência, desde que trate de crimes hediondos, tortura ou tráfico de drogas, como expressamente ressalvado na Constituição.
D) Quando um fato é praticado na vigência de uma determinada lei e ocorre uma mudança que gera uma situação mais gravosa para o agente, ocorrerá a ultratividade da lei penal mais favorável, salvo se houver a edição de uma outra lei ainda mais gravosa, situação em que prevalecerá a lei intermediária.
E) A lei penal posterior que de qualquer forma prejudicar o agente não se aplica aos fatos praticados anteriormente, salvo se houver previsão expressa na própria lei nova.
Lei Penal no Tempo
Gabarito letra A
A lei temporária tem ULTRATIVIDADE, desse modo, mesmo que uma lei posterior mais benéfica revogue-a, ela continuará regulando os fatos praticados durante sua vigência. 
Lei Penal no Tempo
Se você gostou curta e salve em seus materiais. Qualquer dúvida no conteúdo é só fazer um comentário que eu irei responder. Obrigado!!!